CAP-17 – O Mapinguari
CAP-24 – Reencontro.
Xingu,
Rony estava boquiaberto, a imagem da serpente flamejante em meio à noite era espetacular. Emílio não estava menos impressionado.
- Caramba... um Boitatá! – Disse o auror brasileiro - Meu pai me contava estórias incríveis sobre essas cobras e seu corpo de fogo mágico. Incrível, nunca pensei em ver uma realmente. Eu já vi até dragões e outras criaturas perigosas, mas um Boitatá além de espetacular é extremamente raro.
- Boitatá? – Perguntou Rony – Que nome estranho.
A conversa entre os dois foi interrompida por um vulto que passou veloz por eles. Era o velho curupira montado em seu porco do mato. Diminuiu um pouco a velocidade de sua montaria ao passar por eles, gritou alguma coisa com o guarda, que pareceu despertar de um transe e rapidamente apontou a lança para Rony e Emílio fazendo-os entrar.
Eles voltaram para dentro, ficaram perto da porta tentando ouvir o que se passava lá fora. A cabana estava escura somente as brasas de um resto de fogueira iluminavam muito mal o ambiente. Miranda permanecia dormindo, alheia a confusão que se passava do lado de fora.
Ficaram perto da porta por algum tempo, mas logo se fez o silencio noturno novamente, sabiam que estavam longe demais do lago para ouvir algo e os curupiras pareciam ter se acalmado. De qualquer forma se deitaram novamente nas camas, com as varinhas na mão no caso de um ataque.
Rony não dormiu mais, apesar do cansaço. Pensava em Hermione e em quanto tempo estava perdendo ali descansando, quando estava tão próximo de conseguir a planta. Pensava também em Harry, provavelmente perdido na floresta.
Não passou muito tempo e ouviu passos por perto. Que passaram velozes. Mais alguns minutos se passaram até que voltou a ouvir passos.
A fogueira dentro da cabana, voltou a se acender. Acordando Emílio e Miranda que dormiam pesado.
Logo depois Harry entrou pela porta baixa.
Rony deu um imenso sorriso para o amigo, Harry retribui com menos entusiasmo, estava muito abatido.
- O que houve? Por onde você andou? – Perguntou Rony.
- Onde está Virgílio? - Perguntou Miranda.
- E Lina? - completou Emílio.
- Lina foi levada pelos curupiras, para cuidarem de seus ferimentos. E Virgílio... –fez uma pausa em que todo o cansaço pareceu desabar sobre ele – Virgílio foi atirado no Igarapé pelo Mapinguari... Não conseguimos acha-lo.
Os outros três se calaram por um momento. Depois voltaram a bombardear Harry com perguntas. O rapaz contou à eles sobre como ele e Virgílio perseguiram o mapinguari, depois falou sobre a viagem pelo Igarapé com a ajuda dos botos e contou sobre o Boitatá, O que deixou Emílio bastante impressionado.
Depois Harry quis saber sobre Julião e o Sr. Vaques. Rony e Emílio contaram tudo o que se passou com eles depois que se separaram.
Miranda continuava calada, a aparente morte de Virgílio a tinha abalado de alguma forma, mas ela não estava chorando ou parecendo deprimida. Ficou quieta, sentada na cama encolhida num canto, ouvindo tudo o que Harry contou, depois enquanto Rony e Emílio contavam sua parte da estória ela pareceu se desligar, ficando com uma expressão estranha, como quem faz uma difícil conta de cabeça.
Uma hora depois de Harry entrar. Lina apareceu na porta da cabana, acompanhada por um tamanduá que arrastava uma cesta cheia de frutas.
Todos queriam saber para onde os curupiras a haviam levado.
- Me levaram para uma cabana parecida com essa só que não era circular, era cumprida e estava cheia de fumaça, uma fumaça muito cheirosa. Me deitaram numa espécie de maca. Fiquei lá inalando aqueles vapores enquanto um curupira passava alguma coisa no meu ferimento e entoava um cântico estranho.
Pude ver que havia outra pessoa lá, numa maca ao lado, mas a fumaça não me deixou reconhecer quem era.
- Provavelmente era Julião – Disse Emílio - Os ferimentos dele eram muito piores do que o seu.
Então acho que logo ele ficará bom... Aquilo era uma espécie de sauna curativa, eu acho. – Disse Lina.
O que é uma sauna? – Perguntou Rony confuso.
Harry sorriu, ainda conseguia se surpreender com o total desconhecimento de Rony das coisas trouxas.
- É uma espécie de quarto muito quente e cheio de vapores, Que os trouxas usam para relaxar.
Miranda riu – Quem diria que o grande Harry Potter é um especialista na cultura dos trouxas - E continuou rindo se divertindo com seu comentário. Lina não achou nada engraçada a forma preconceituosa e o tom irônico do comentário.
Harry também percebeu a ironia e respondeu:
- Pois saiba que eu fui criado até os onze anos por uma família de trouxas.
Miranda arregalou os olhos e parou de rir. Ela provavelmente não sabia disso, apesar da estória de Harry ser contada em vários livros a maioria deles optou por ocultar essa informação, alguns não achavam relevante e outros não achavam apropriado associar um herói bruxo a uma descendência trouxa.
- Depois que Voldemort matou meus pais, Eu fui entregue a minha tia, que era uma trouxa.
O queixo de Miranda caiu – Ela era um aborto, você quer dizer?
- Não era uma trouxa mesmo, assim como meus avós maternos. – Harry proseguiu só para desconsertar Miranda, já não a considerava uma pessoa tão agradável.
Miranda ficou calada, na cabeça dela era quase inconcebível que um bruxo capaz de feitos tão gloriosos, tivesse sangue trouxa.
Lina e Harry comeram um pouco e logo depois todos estavam dormindo pesadamente.
Acordaram pela manhã ainda um pouco cansados, mas bastante revigorados. Ainda não havia noticias de Julião ou do Sr. Vaques. A mesa da cabana estava cheia de frutas novamente, havia também leite fresco e mel. Aproveitaram para comer bastante.
Logo os guardas os fizeram sair, ficaram meio ofuscados pela claridade do sol, depois de caminharem tanto tempo pela mata escura, Seus olhos se irritaram com a claridade matinal da clareira.
Banhada pelo sol puderam ver que a clareira era a própria aldeia dos curupiras. Várias cabanas se espalhavam na margem da floresta, vários curupiras se moviam pela clareira, com seus afazeres diários.
A atenção deles se voltou para a imensa e frondosa árvore perto deles seu caule era de uma cor estranha cinza esverdeado, cheio de sulcos e reentrâncias de formas muito esquisitas para uma árvore. Sua copa subia alto, era densa e com folhas muito pequenas e escuras. A árvore ficava quase no centro geométrico da clareira, eqüidistante da mata e do lago, havia um círculo de pedras e cristais ao redor dela.
Então um curupira se dirigiu a eles, Harry o reconheceu da noite anterior, era o mesmo que tinha enfrentado o Boitatá.
- Vocês devem me seguir, vou leva-los ao outros – Ele falou em português horrível carregado de um estranho sotaque.
Rony interrompeu para perguntar sobre a flor. O curupira não entendeu, pois novamente ele falava em inglês. Emílio tentou explicar em português, mas o curupira pareceu ignora-lo. E os forçou a caminhar atrás dele.
Enquanto caminhavam Emílio tentou falar com ele novamente, mas ele foi ríspido na resposta:
- Seus companheiros foram detidos aqui, justamente porque contrabandearam uma planta para fora da floresta. Traíram nossa confiança. Vocês bruxos baniram esse planta por conta do perigo das propriedades mágicas dela... Mas nós curupiras não estamos sob suas leis, essa planta floresce aqui na floresta, e nós utilizamos propriedades dela que vocês nem mesmo conhecem. Se a planta foi utilizada para fazer mal à alguém, não é problema nosso.
Rony apertou a varinha e olhou com ódio para a baixa criatura. O curupira pareceu entender o que se passava na cabeça do rapaz.
- Eu adoraria lutar com você... mas seria uma luta injusta. – Ele Sorriu de forma arrogante - Ainda não sou o chefe, se fosse vocês nem estariam aqui. Vou levar seu pedido à ele, mas no que depender de mim, vocês não vão retirar mais nada da floresta.
Continuaram andando até pararem sob a árvore e então ficaram chocados. A forma do caule não era só estranha, era monstruosa. As reentrâncias tinham formas humanas pareciam mãos e pernas emaranhados. Deram a volta caminhando lentamente olhando os detalhes daquela planta grotesca, foi então que Harry viu, horrorizado, o rosto de Neville completamente fundido ao tronco da árvore.