A garota saiu do banheiro com a cabeça um pouco mais aliviada e foi se sentar na cama. Já com o pijama e secando os longos cabelos negros, ela prestou atenção na janela ao lado da cama.
O que ela procurava lá fora exatamente era um mistério para si mesma.
Quem sabe ela estaria procurando não encontrar o amigo da biblioteca, que agora lhe passava muito medo.
- Para Tiago! – era Rosa entrando no quarto. – Aqui tem comida suficiente.
- Mas ela está meio magra. – disse ele, em um tom autoritário.
- Realmente – concordou Rosa, olhando para Manda, que agora encarava os amigos. – Você emagreceu muito Manda.
Ela soltou a toalha em uma cadeira ao lado da cama e sorriu.
- Se você não gosta da comida da escola fala pra gente – disse Tiago, se sentando na cama de Rosa.
- Ou se for bulimia... – disse Rosa, colocando a bandeja no colo de Manda.
- Não! – se defendeu Manda. – Eu como igual a todos. Deve ser impressão – comentou ela, pegando um dos biscoitos da bandeja.
- Nossos pais vão vir falar com você daqui a pouco – disse Rosa.
- Porque? – perguntou Manda, com a boca cheia.
- Não sabemos – confessou Rosa.
- Mas Minerva está vindo para cá! – informou Tiago, com o olhar tenso.
- Minerva? - perguntou Manda, depois de um arrepio.
- Estranho né? – perguntou Rosa.
- É, muito estranho...
Depois de meia hora de conversa, sobre deduções da conversa que os adultos teriam com Manda eles finalmente foram interrompidos. Mas nada que Tiago já não tivesse adiantado com o mapa do maroto.
- Minerva chegou – informou ele. – Muda o assunto, o tio Rony está começando a subir as escadas.
Manda se endireitou na cama, e Rosa arrumou seu cabelo de leve.
- Então Tiago, a Rosa levou o livro para o seu jogo de quadribol – disse Manda, em voz um pouco alta. – Ficou lendo em vez de ver você jogar.
- Que tipo de prima você é Rosa? – perguntou ele, no mesmo tom de voz.
- Realmente, você é filha da Hermione – disse Ronald, abrindo a porta. – Ela odiava quadribol.
Todos riram.
- Tiago, Rosa... Lá para baixo. – disse Rony.
- Mas pai...
- Sem demoras. Minerva não vai ter muito tempo.
Rosa e Tiago foram para fora da sala em silencio, e desejaram boa sorte para Manda em um sussurro. Manda escutou eles esbarrarem em Minerva, Harry e Hermione na escada. E a morena aguardou anciosa.
- Boa noite Manda. – disse Minerva, á porta.
- Boa noite diretora. – respondeu ela.
- Feche a porta Potter – pediu a diretora, se sentando na poltrona que Rosa estava sentada.
Harry Potter fechou a porta e todos chegaram um pouco mais perto.
- Achamos melhor, que você deve saber mais um pouco sobre você.
- Um pouco? Porque não tudo? – perguntou Manda, um pouco irritada.
- Ninguém sabe tudo sobre o outro Manda. Principalmente sobre você. – respondeu a diretora, serena.
- Vocês não sabem tudo sobre mim? – aquilo parecia mais uma afirmação do que uma pergunta, mas a morena tentou.
- Não Manda, não sabemos tudo sobre você. – respondeu Rony.
Os olhos de Manda encararam o chão.
- Estamos aqui para responder suas perguntas. – começou Hermione.
Manda levantou o olhar para ela, tentando evitar olhar para a mão enfaixada da mulher, o que foi impossível.
- Porque eu sou assim? Os adolescentes da minha idade não sabem conjurar feitiços sem dizer, e nem ao menos machucar alguém sem pensar em um feitiço.
Hermione olhou de canto para Rony.
- Algumas pessoas, são melhores em magia do que as outras – respondeu Hermione. – E quem saiba você já leu sobre o feitiço e seu subconsciente o trouxe a tona?
Era uma resposta inteligente, e Manda não pode deixar de acreditar.
- Ok. Mas porque eu lhe machuquei, sem desejar isso?
Hermione respirou fundo.
- Qual era o assunto antes do acontecido? – perguntou Minerva.
- Meu nome. – respondeu Manda.
- Seu nome leva ao seu passado Manda. E você é adolescente. Seus hormônios estão frenéticos nesse momento. Você pode ter ficado apenas brava, mas seus hormônios entendem isso de outra forma.
Outra resposta convincente.
- Certo – respondeu a morena. – Meu nome, meu passado... Meu pai!
- Estamos adiantando essa conversa, não é Manda? – perguntou Minerva.
- Quero a resposta.
Minerva encarou por longos instantes os olhos de Manda. Parecia ver além da garota, como se outra pessoa estivesse ali. Uma pessoa na qual Minerva já conhecia. A diretora parecia procurar domar os olhos de Manda, o que parecia que ela havia acabado de desistir.
- Frederick – respondeu Minerva. – Esse era o nome de seu pai.
- Frederick... Só Frederick?
- Sim. Sobrenome, origem e família desconhecida.
- Fazia três meses que ele servia a Lord Voldemort quando o mesmo caiu – informou Hermione.
- Ele foi um dos animagos que não está registrado no Ministério. Foi um fora da lei antes mesmo de encontrar apoio em Voldemort. – disse Harry Potter.
- Ao que tudo indica. Foi parar na fazenda de sua mãe, com medo do que aconteceria com ele. – concluiu Minerva.
Manda mordeu os lábios de agonia.
Agora ela sabia, ela entendia quem era seu pai. Mas um fora da lei? Comensal da Morte? Realmente não era o melhor pai do mundo, mas... E daí? Draco Malfoy também já não havia sido um Comensal? Escórpio não tinha sido um “mal educado” até seus onze anos?
O que realmente importava agora, era que o seu coração estava abraçado por uma pessoa que não existia. Manda de alguma forma sentiu que seu coração estava mais aconchegante e relaxado agora.
Como se ela estivesse deitada no colo daquele que a colocou no mundo, o peito dela relaxou.
- A marca. – disse ela, limpando uma única lágrima que caiu de seus olhos.
- Achamos que sei pai a fez quando você nasceu. Poderia ser uma forma de querer continuar com as Artes das Trevas de forma indireta.- respondeu Hermione
- E depois que você descobrisse tudo, continuaria a exercer a profissão dele... – respondeu Ronald.
- Mas tudo isso é um mistério – respondeu Minerva, brincando com os dedos. – Depois de sair do seu sítio, ele foi caçado por alguns aurores e ele se suicidou com uma poção.
Manda respirou fundo e encarou a janela
- Agora, Manda... – era Minerva.
Manda virou o rosto para a diretora.
- Se alguma coisa... A menor coisa que seja, estiver acontecendo, nos fale!
- E não vá atrás do que parecer suspeito – disse Harry Potter.
Ela os encarou por alguns segundos.
- Falta a fumaça... Vocês acham que é por causa da Marca?
- Provavelmente – respondeu Hermione, com a voz tremula. – E querida, não se preocupe com o que houve hoje mais cedo.
Manda viu que Hermione estava com o olhar calmo.
A morena sorriu. Realmente, ela estava mais aliviada. Mas Manda não podia afirmar que lá dentro de seu coração ela estava cem por cento aliviada, alguma coisa a dizia o contrário.
O natal era uma data incrível, só Manda que não sabia, até hoje. A janta de Natal foi incrível, e o dia também. Muitas brincadeiras ao ar livre e comilança o dia todo. Manda tinha até esquecido sobre seus problemas quando estava ali, se divertindo.
Ela conheceu Gui Weasley e sua família. Também conheceu George Weasley e toda sua família.
A Toca, como era chamada à casa da família Weasley, estava cheia!
Crianças correndo para todo o lado, risadas espalhafatosas por todo o canto, o cheiro de comida a todo minuto e muitos sentimentos juntos e misturados.
Mas Manda não poderia parar de lembrar daquela manhã, na qual todos abriram seus presentes incríveis. Ela ganhou três presentes, um da família de Rosa, outro da família de Tiago e outro da Senhora e o Senhor Weasley. Alem do presente que seu “tio” tinha mandado no dia anterior, por um coruja.
Enquanto todos abriam seus presentes entisiasmados, Manda foi chamada por Tiago para fora da casa.
Ao sair da casa, com Tiago a guiando, ela encontrou o sol. Mesmo com o jardim coberto de neve, aquele sol estava realmente quente e deixou Manda um pouco cega.
- O que aconteceu? – perguntou Manda, quando conseguiu abrir os olhos de volta.
- Seu presente – disse ele, pegando uma caixa do lado da porta.
A caixa era listrada de roxo e rosa, e tinha um laço rosa (de um rosa mais forte do que o da caixa).
- A Tiago... – disse ela, pegando a caixa.
Manda ficou observando a caixa e pensando no que poderia ser. Quando a caixa se mexeu ela tomou um susto e Tiago riu.
- Melhor abrir – aconselhou ele.
Manda o encarou de forma rápido, depois em meio a um sorriso, ela abriu a caixa.
- É lindo – disse ela.
Manda largou a caixa no chão e tirou o presente de dentro dela.
Ela não tinha muitas coisas na vida, mas também não tinha um animal de estimação. Na escola era permitido levar um animal, mas ela nunca havia pensado em comprar um.
O gato preto em seu colo ronronava e era tão sério quanto ela.
- Obrigada Tiago – respondeu ela, em um sussurro.
- Seu presente também foi incrível – comentou ele.
Ela sorriu para Tiago, e depois ficou fazendo carinho atrás das orelhas do gato.
- Precisa de um nome. – disse Tiago.
- É ela. – respondeu Manda, passando a mão no pescoço da gata.
- Como sabe? – perguntou Tiago.
- Só sei. – e ela sorriu. - Damra. É esse o nome dela.
- Porque Damra? – perguntou Tiago.
- Suavidade. Li isso em algum livro.
Os dois sorriram.