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3. Set Fire To The Rain - Att 30/


Fic: Amiga Secreta - HJ POSTAGEM COMPLETA DAS FICS


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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1. Chuva


I let it fall, my heart
And as it fell, you rose to claim it
It was dark and I was over
Until you kissed my lips and you saved me


 
Minha única vontade naquele momento era morrer. Sim. A morte era o que eu mais queria. Estava cansada dos insultos, do desprezo, das provocações. Eu o odiava, era fato, todos sabiam, mas era um ódio perigoso, muito próximo à paixão, à vontade de estar com ele, de sentir o seu corpo, o seu beijo, o seu sexo.


Minha mente beirava à insanidade. Justo eu, a correta, a certinha, a tão chata e inexpressiva sabe tudo. Nada mais importava. Ele não se importava; nunca se importaria...


Então chorei. Pela primeira vez chorei por ele e o meu choro misturou-se a chuva que começou a cair em Londres naquele final de tarde. Sozinha, sentada naquele banco de praça, senti minha alma desabar.


Alguém se sentou ao meu lado. Era ele.


Não me disse uma palavra. Apenas me olhou. Aproximou-se. Me beijou.


Foi o nosso primeiro beijo. O nosso primeiro erro...


 

2. Luxúria


My hands they were strong
But my knees were far too weak
To stand in your arms
Without falling to your feet


 
Se existia algo que me deixava totalmente obcecada por Draco era a forma como ele me dominava, me tomava em seus braços e, sem o menor pudor, me conduzia a fazer qualquer coisa por ele.


E eu fazia...


Toques ousados, corpo ardente, língua, boca, arrepio. Sua mão em meu corpo, suor, livros caindo pelos corredores escuros da biblioteca, um frenesi que me fazia querer mais, a pedir por mais.


Não sei dizer ao certo o que sentíamos um pelo outro. Mas a minha paixão por ele era incontestável e a dele por mim dominadora.


Eu tentava detê-lo. Era inútil. Ele sentia prazer ao me tratar daquela forma e, o pior, eu gostava.


Gostava quando ele passava a sua língua pelo meu corpo. Gostava quando sentia o toque de sua mão se enfiando por debaixo da minha saia. Quando violentamente me despia e se encaixava em mim.


Draco me excitava, era difícil não me distrair com o seu corpo delineado, seu rosto perfeito, sua boca, seus olhos...


Nossos encontros eram quentes, nunca iguais, sempre avassaladores.


-Pensando em mim? – Ele me provocou ao chegar.


Fingi ignorá-lo. Ele se posicionou à minha frente. Estávamos na floresta proibida. Era final de tarde.


Mesmo depois de meses, ele ainda me deixava nervosa.


-Estou cansada. – Desabafei.


-De mim? – Ele me perguntou cerrando os olhos.


-Estou cansada de me esconder.


Ele sorriu. O sorriso que eu mais gostava e que me deixava descontrolada.


-Draco, precisamos...


Ele não me deixou terminar a frase. Me empurrou ao encontro de uma árvore e me deu um beijo de tirar o fôlego.


-Draco, por favor...


Inútil pedir para que ele parasse. Eu não queria que ele parasse.


Por um minuto ele parou. Olhou-me profundamente.


Colocou seus dedos em meus lábios. Os beijei. Delicadamente. Estar com ele ali era imoral para mim, mas, de que servia a moral? O orgulho? Se eles não me traziam o que eu mais queria.


Eu não era imoral, mas, por Draco, sempre seria.


Mais uma vez nossos lábios se encontraram. Boca deliciosa que me fazia contorcer de tanto tesão. Seria dele mais uma vez, seria sempre dele, se ele quisesse.


Senti sua mão deslizar para debaixo de minha saia. Adorava quando ele me tocava daquela forma. Adorava sentir o toque de seus dedos. Desabotoei a calça que ele usava, eu o queria para mim, meu Draco...


Dessa vez não haveria tabus.


Corpo, coração e mente. Minha alma. Minha vida. Tudo por ele. Tudo para ele.


Lentamente ele levantou uma de minhas pernas. Estremeci quando ele me penetrou. Sexo com Draco era algo indescritível. Era explosivo.


Enlouquecida, arranquei a camisa que ele usava e cravei as minhas unhas em suas costas. Nossos olhos se encontraram. Respiração ofegante.


-Eu quero mais... – Ele sussurrava ao meu ouvido.


Sim, ele sempre queria mais.


Corpos suados. Desejo intenso. Draco dentro de mim, cada vez mais forte, cada vez mais meu. Senti a luxúria tomar conta de meu corpo enquanto nos encarávamos. Olhos azuis que mudavam de tonalidade; assim como ele, a cor de seus olhos não era precisa.


Draco era imprevisível, único.


Gemi alto, ele acelerou. Nada importava quando o senti pulsar dentro de mim. Ele me segurou fortemente, trêmulo.


-Mione...- Sussurrou. Adorava quando ele me chamava assim.


O abracei, queria prolongar aquele momento. Meu corpo estava fraco. Ele sempre me arrancava as forças.


Se ele me soltasse, cairia ali mesmo, aos seus pés...



3. Anos mais tarde, na estação


But there's a side, to you, that I never knew
All the things you'd say, they were never true
And the games you'd play, you would always win


 


Oito anos.


Desde os dezessete esperando por um Draco que jamais existiu, que jamais me assumiria. Era melhor aceitar o inevitável, era melhor estar ao lado de Rony...


-Não entre neste trem Granger! Olhe para mim. – Draco pediu seriamente.


O olhei, porém não me detive muito em seus olhos, precisava ser forte.


-Como você pretende viver sem mim? Duvido que consiga alguém melhor do que eu.


Não me contive.


-Você é muito prepotente Draco Malfoy!


Para meu total desespero ele sorriu. Um sorriso enviesado que me tirava do sério. Continuei.


-Cansei de seus jogos. Cansei de seus erros.


-Sabe qual foi o meu maior erro Hermione Granger? Foi ir te procurar no dia daquela maldita chuva. Foi te desejar mais do que tudo. Mas isso não importa mais. – Ele gritou.


- Você me traiu com aquela, aquela... - Tinha tanta raiva que não conseguia encontrar palavras para classificar Astoria. Vadia era a única que me vinha à mente.


-E o idiota do Weasley? Eu vi vocês dois juntos. Vi o que estavam fazendo.


-De novo esta história? Pare de mentir. Jamais te trai com Rony.


-Como não? Acha que sou cego. Eu vi tudo.


-Você me traiu. Não invente histórias para se justificar. Além do mais...- Respirei fundo. – É tarde...


-Para mim não...


O ignorei. Precisava ignorá-lo para conseguir virar a página, finalizar esta história em minha vida.


-Não entre neste trem Granger! – O grito exaltado dele atraiu a atenção dos que passavam.


Draco havia tentado me impedir de entrar naquele trem durante toda a manhã. Dessa vez fui mais forte, estava decidido, eu iria embora. Embarquei.


Era a última vez. Eu tinha certeza, jamais iria vê-lo novamente. Antes de o trem começar a partir o olhei pela janela. Parado. Olhos cerrados, raivosos. Mas eu não voltaria. Não para ele.


Sentei-me tentando me convencer de que aquela era a melhor maneira de resolver o meu problema.


Por que fui me apaixonar por você?


Pensei enquanto olhava pela janela. Ele já não estava mais lá. Melhor assim.


-Posso me sentar aqui?


Mal acreditei quando ouvi sua voz em minha cabine.


-O que faz aqui? – Perguntei incrédula.


-Pergunta errada Granger. – Ele me provocou. – A pergunta certa é: por que eu estou aqui?


Se um lado meu era pura fúria. Draco era ousado demais. Fazia o que bem entendia, manipulava a quem queria, inclusive eu. O outro lado estava feliz, digamos aliviado, afinal ele estava comigo.


Draco tocou o meu rosto. Fechei os olhos. Para que tentar resistir?  Senti o toque de seus lábios. Nos beijamos.


Um solavanco nos interrompeu. O trem estava parado. Gritos do lado de fora da cabine me deixaram apreensiva. Lembrei-me dos dementadores. Nossa cabine foi invadida por uma espécie de fumaça preta. Senti um medo profundo. Draco me abraçou.


-Calma. Vai ficar tudo bem. – Ele sussurrou ao meu ouvido. – Estarei sempre com você. Jamais se esqueça disso.


O abracei. Fechei os olhos. Me senti sugada pelo próprio ar. Não o senti mais por perto. Perdi os sentidos. Tudo desapareceu. Inclusive Draco. Ficou frio.



4. Lembranças...


A dor que sentia em cada parte do meu corpo era insuportável. Por mais que tentasse, não conseguia me lembrar de como eu havia parado naquele lugar, um hospital trouxa.


Pendurado ao meu lado, o soro pingava lento, sentia-me cansada, tudo era confuso. Minha visão estava muito embaçada, quase não conseguia enxergar. Uma enfermeira entrou no quarto.


-Bom dia senhorita! Hora do seu remédio.


Eu não queria. Precisava raciocinar. Entender o que havia acontecido.


-Por favor, não...


Ela me ignorou por completo.


-Acalme-se. Você precisa descansar. – Ela falou enquanto aplicava o remédio em minha veia.


-Onde estou? – Senti o efeito imediato do tranquilizante.


-Hospital St. George, Londres.


-Como eu vim parar aqui?


Ela deu um sorriso nervoso como se escondesse algo.


Meus olhos ficaram pesados, fecharam-se. Apaguei. Lembranças em forma de sonho invadiram a minha mente como em um filme.


Estava em um castelo, ele era muito familiar, mas não conseguia me lembrar direito. As pessoas conversavam animadamente, empolgadas com a notícia de um baile. Eu estava acompanhada por dois rapazes, não me lembrava daqueles rostos.


-Me diga: quem lhe convidou? – Perguntou o rapaz ruivo. Não conseguia me lembrar quem ele era...


-Não digo.


-Deixe ela em paz Rony!


-Você não percebe Harry? Ela está mentindo.


Rony, Harry...


Esses nomes eram tão estranhos para mim. Eu tive a impressão de que éramos amigos, no entanto, não me lembrava de nada.


Discutindo, os dois se distanciaram, me deixando para trás. Assim que os dois viraram o corredor saí em disparada.


Desci as escadas. Alguém me puxou pelo braço. Estava muito escuro, mal conseguia enxergar direito a outra pessoa.


-É verdade? Você tem um par? – Perguntou uma voz rouca. Eu conhecia aquela voz.


-Está com ciúmes?


Nenhuma resposta.


-Se você tivesse me convidado, nada disso estaria acontecendo.


-Por que eu a convidaria? – Perguntou.


-Não seja cínico.


-Se eu a convidasse, você aceitaria?


-Se... Estou cansada de suposições!


Ele saiu da penumbra que escondia o seu rosto.


-O reconheci de imediato. Era Draco... Draco Malfoy.



-Senhorita Granger! Senhorita Granger!


Uma voz me chamava, senti uma dor forte em meu peito. A cena se apagou. Abri os olhos.


-Senhorita Granger. Ouvi você dizer um nome enquanto dormia. Você se lembra ainda? – Perguntou a enfermeira ansiosa.


-Sim. Lembro-me. Draco Malfoy.


Ela não esperou um minuto, mal eu disse o nome e ela saiu apressada.


O que estava acontecendo? Quem era Draco Malfoy? As lágrimas escorriam pelo meu rosto sem que eu pudesse controlá-las, me sentia angustiada.


Afinal, o que tudo isso significava? O que havia acontecido comigo?


Eu não tinha a menor idéia de como eu havia parado ali. Além do meu nome, Draco era a minha lembrança mais viva. Porém, nada fazia sentido.


A enfermeira entrou no quarto acompanhada por um médico.


-Estela me disse que você se lembrou de uma pessoa. – Ele afirmou ansioso.


-Sim. O nome dele é Draco Malfoy.


Ele aproximou-se e sentou-se ao meu lado.


-Hermione. Queremos muito lhe ajudar. O que lembrou?


-Não sei lhe dizer ao certo. A lembrança é muito vaga, apenas conversávamos e eu era mais jovem. O que aconteceu comigo? Como eu vim parar aqui?


O médico e a enfermeira se entreolharam.


-Descanse agora. Conversaremos sobre isto mais tarde.


Realmente eu estava muito cansada, mal eles saíram e já adormeci. As lembranças voltaram.


Era noite e a lua estava cheia. Eu estava próxima a um lago e Draco estava comigo. Estávamos mais adultos.


-Acredite em mim! – Ele pedia.


-Este foi o meu maior erro. Acreditar em você.


-Eu não tive escolha.


-Draco, sempre existe uma escolha!


-Não quando ameaçam a vida de minha mãe.


-Voldemort a ameaçou?


-Sim. Ele a torturou na minha frente. Não tive escolha. – Ele explicou.


-Estamos em lados opostos. É melhor pararmos com nossos encontros. Jamais dará certo.


Acordei, porém não abri os olhos, a enfermeira e o médico estavam no quarto, falavam baixo, esforcei-me para conseguir ouvir alguma coisa.


-Tenho certeza que ela é a moça por quem ele procura. – A enfermeira afirmou. – Devemos comunicá-lo imediatamente.


-Não estou tão certo quanto a isso. – Justificou o médico. – Temo pela vida dela, você sabe o que ele realmente quer.


-Sim, eu sei. Mas, estamos sendo muito bem pagos para isso e, além do mais, não aguento fingir ser uma trouxa. É repugnante.


-Você tem razão. Entrarei em contato com ele.


Os dois saíram do quarto e, mesmo sem saber ao certo o que estava acontecendo, decidi fugir, percebi que aquele lugar não era seguro para mim. Levantei-me com cautela, minha cabeça rodava, minhas pernas estavam fracas. Bem devagar retirei a sonda que estava em meu braço, acho que os remédios estavam me deixando daquele jeito, sonolenta.


Fui até a porta, abri, olhei para os dois lados do imenso corredor, não havia ninguém. Uma placa indicava que eu estava no terceiro andar e que a porta a minha frente me levaria à escadaria, respirei fundo e no minuto seguinte já descia o primeiro lance de escadas, meu coração estava acelerado, mal conseguia respirar, depois de parar algumas vezes, consegui chegar ao primeiro andar.


Mas como eu iria sair dali? Encostei-me na parede e olhei com cautela para verificar a saída do hospital. Havia um homem parado em frente a uma porta de vidro e uma mulher, provavelmente a recepcionista, em uma mesa repleta de papeis.


Senti raiva. De que me adiantava ser bruxa? Estava sem varinha e não me lembrava de nenhum feitiço.


Um assovio chamou a minha atenção. Um senhor distraidamente limpava o corredor, ele usava um jaleco azul com o dizer: limpeza bordado em suas costas. Percebi que ao lado dele existia uma porta com uma placa torta: entrada restrita a funcionários. Eu não tinha nada a perder, no momento em que o velho senhor se distanciou, corri até lá e consegui entrar.


Era um lugar apertado, repleto de uniformes e materiais de limpeza. Com dificuldade vesti uma calça e um jaleco, ainda estava muito fraca, peguei o carrinho de limpeza e ganhei o corredor tentando manter o meu disfarce. Passei pela recepcionista que mal me olhou, o vigia me deu um breve aceno, retribui, senti o suor escorrer pelo meu corpo, estava muito nervosa e a uns dez passos da saída.


-Não a deixem escapar! – A enfermeira gritou.


Não deu tempo de fazer mais nada. O vigia veio para cima de mim e me segurou pelos braços, me debati tentando me livrar dele, inutilmente, não tinha forças suficientes para isso.


-Não a machuque. – Gritou o médico enquanto se aproximava.


-Vocês não podem fazer isso comigo! – Gritei desesperada.


As pessoas começaram a parar a nossa volta para entender o que acontecia.


-Este homem não é um médico de verdade. Ele quer me fazer mal. – Tentei chamar a atenção. Quem sabe alguém acreditaria em mim?


-Fique calma. – Ele disse e, olhando para as pessoas, completou. – Por favor, fiquem calmos, esta paciente tem esquizofrenia e está passando por uma crise.


No momento seguinte todos se dispersaram, a enfermeira se aproximou com uma cadeira de rodas, senti a dor da agulha em meu braço, a sonolência voltou. Não vi mais nada. Quando recobrei os sentidos já estava de volta ao quarto e, de costas para mim, o falso médico falava ao celular.


-Sim. Tenho certeza que ela é a moça por quem o senhor procura.


Quem poderia estar me procurando?


-Peço que venha rápido. Ela tentou escapar. Não. Ela está sob efeitos de sedativo. Entendi. Aumentarei a dosagem.


Ele virou-se e ao perceber que eu estava acordada falou.


-Fique calma. Ninguém lhe fará mal.


-Por favor, prometo que não tentarei fugir, não coloque mais remédio em meu soro.


-Desculpe Hermione, mas você não me deu alternativa.


Adormeci. Lembranças vieram...


-Você e Weasley estão juntos? - Draco me perguntou com ar de reprovação.


-Não interessa.


-Isso é ridículo Hermione! – Ele gritou. – Weasley é patético! Não é a pessoa certa para você!


-E quem seria a pessoa certa para mim Draco? Patético é você. Fantoche de seu pai. Incapaz de dizer não. COVARDE!


Ele não respondeu de imediato. Aproximou-se o suficiente para me fazer estremecer dos pés à cabeça. Falou pausadamente:


-Não sou covarde e você, melhor do que ninguém sabe disso.


Ele me beijou e aquele beijo era tudo o que minha alma precisava. Fazia-me acreditar, me fazia querer enfrentar qualquer coisa por ele.


-Fique comigo. – Ele me pediu. – Esqueça aquele idiota.


As lembranças flutuavam em minha mente sem uma ordem cronológica. Agora eu estava em uma estação e tentei fugir quando Draco se aproximou.


-Hermione...


-O que você quer?


-Me explicar.


-Não é necessário. Já compreendi. Ela é o par perfeito para você: sangue-puro, família rica, pertenceu a Sonserina e, além do mais, ela está...


-Eu não vou ficar com ela...


-Não diga mais nada Draco. Jamais deveria ter confiado em você.


Ele segurou em meu braço com tanta força que começou a doer.


-Me solte.

-Eu quero você...

-Não minta novamente. Você já escolheu o seu caminho, agora vou seguir o meu.


-Não me troque por aquele idiota.


-Não o chame de idiota. – Respondi alterada. – Ele me respeita como você jamais irá me respeitar.


-Naquele dia, quando te vi com o Weasley, fiquei perturbado, bebi demais, Astoria se aproximou, não raciocinei direito e...


-Ela está grávida Draco! – Gritei.


-Não entre neste trem Granger...


O trem apitou, anunciando a partida. Sem olhar para trás entrei, ainda o vi pela janela. Tive a impressão de que seria a última vez.


A lembrança foi ficando distante. Tudo escureceu. Abri os olhos. Percebi que de longe alguém me observava. Traje preto, impecável, cabelo loiro bem liso, os olhos, não conseguia ver bem, mas eu tinha quase certeza que era ele.


-Draco... É você? – Minha voz estava fraca.


Ele se aproximou. O rosto sério refletia raiva. Senti medo. Nossos olhares se cruzaram, a tristeza em seu olhar era igual, porém, no lugar dos olhos azuis acinzentados eu encontrei olhos verdes, profundos...


-Draco... seus olhos... – Estava confusa. – Seus olhos estão diferentes...


-Não sou Draco. – Ele disse com tom de raiva. Me chamo Scorpio Malfoy. Sou filho de Draco Malfoy.


O ar me faltou. Só podia ser uma alucinação, efeito do remédio. Fechei e abri os olhos, ele continuava ali, parado a minha frente.


-Você não está sonhando Granger.


-Se não estou sonhando quero que chame o seu pai aqui. Ele é a minha única lembrança. Preciso de ajuda.


-Não posso chamá-lo.


-Por quê? Onde ele está?


-É isso que eu quero saber. Há 25 anos eu espero por esta resposta. Há 25 anos eu espero por você...


 
5. O Acordo



A
lgo estava errado. Era impossível. Com certeza era um sonho.


-Hermione Granger. Estou falando com você. – Ele rispidamente interrompeu os meus pensamentos.


-Desculpe, mas não consigo acreditar no que me disse há pouco. Eu não posso ter ficado tanto tempo em coma, ainda mais sem envelhecer.


- E não ficou. Você desapareceu e há quinze dias foi encontrada desmaiada na porta de uma antiga lanchonete e trazida para este hospital.


Coloquei as mãos na cabeça. Era confuso demais.


-Há vinte e cinco anos você e o meu pai desapareceram na estação de trem...


Era perceptível o ódio com que ele pronunciava cada palavra. Ele prosseguiu.


-Desde criança eu busco pistas. Algo que me fizesse entender melhor o que havia acontecido. Até com o idiota do professor Harry Potter eu conversei, mas, como eu, ele não havia conseguido unir as peças.


Harry Potter... Era o nome de um dos garotos que estavam comigo naquele sonho.


-As coisas só começaram a fazer sentido quando eu encontrei esta foto no quarto que havia pertencido ao meu pai.


Ele tirou a foto do bolso e me entregou. Era uma foto nossa e eu me lembrei muito bem daquele dia, foi logo quando a guerra acabou e tentávamos reconstruir Hogwarts. Todos de Sonserina haviam desistido de estudar naquele ano, todos, menos Draco...


Eu estava em uma estufa cuidando de algumas ervas para a professora Sprout quando ele se aproximou com uma câmera fotográfica.


-O que está fazendo Malfoy?


-Quero ter uma foto sua Granger.


-Para que?


Ele mordeu os lábios.


-Talvez eu precise de uma boa recordação.


O olhei confusa. Há algum tempo não nos encontrávamos. Pensei que para ele havia terminado.


 -Boa recordação? Minha?


-Sim.


E então ele tirou uma foto minha, duas, três.


-Pare. Pedi. Não vejo motivo para ter uma recordação minha.


-O que você vê realmente não me interessa Granger.


Ele conseguiu. Me tirou do sério.


-Olha aqui Malfoy. Se você pensa que eu vou ficar aqui escutando as besteiras que você fala está muito enganado.


Ele sorriu. Senti medo daquele sorriso.


-Você vai ficar aqui Granger, apenas por um motivo.


Ele colocou a câmera em cima da mesa e veio em minha direção.


-Você vai ficar aqui porque está esperando que eu a pegue, como costumava pegar. – Ele segurou em minha cintura. Fiquei nervosa. Alguém poderia entrar. Ele me prendeu entre a mesa e seu corpo. – Você vai ficar aqui porque durante este tempo sentiu a minha falta e, embora não confesse, está louca para sentir a minha língua dentro de sua boca.


Tentei empurrá-lo. Ele segurou as minhas mãos e me olhou nos olhos.


Pausa.


Respiração ofegante.


Me beijou.


Eu o beijei.


Ele pegou a câmera.


-Posso? – Perguntou.


Assenti com a cabeça.


Ele posicionou a câmera a nossa frente, ajustou o botão automático. Veio junto a mim, me puxou pela cintura.


-Um dia olharemos para esta foto e lembraremos o que fazíamos escondidos pelos corredores deste castelo. – Brincou.


Começamos a rir. A máquina disparou.


Agora, com a fotografia na mão eu percebi que muito mais que uma recordação, aquela foto indicava que eu e Draco não nos odiávamos tanto quanto parecia...


-Me conte. Quero que me conte o que houve.


Scorpio era muito parecido com Draco, não só fisicamente. Ele carregava o tom impiedoso e aristocrático dos Malfoy. Por isso, eu, melhor do que qualquer outra pessoa sabia que ele não confiaria em mim com tanta facilidade.


Eu precisava sair daquele hospital. Precisava encontrar ajuda. Decidi negociar.


-Eu conto tudo o que você quiser. Desde que me tire deste hospital.


-Você não está em condições de negociar Hermione Granger.


-Se você me deixar aqui, jamais saberá sobre o que houve entre mim e seu pai. – O desafiei. Era um blefe. Nem mesmo eu sabia o que havia acontecido direito. Era a única lembrança que eu não tinha.


Ele saiu do quarto não muito satisfeito. Do corredor, ele conversou com alguém por um telefone trouxa. Retornou.


-Ok Granger. Você ficará em minha casa até se recuperar. Neste intervalo, quero que me conte tudo sobre a sua relação com meu pai.


-Obrigada.


-Não espere cordialidade da minha parte. Que fique bem claro: eu te odeio. Você destruiu qualquer possibilidade que eu tinha de ter algo próximo a uma família.


Me arrependi no exato momento em que ele saiu do quarto, porém, precisava descobrir o que realmente havia acontecido e sair daquele hospital era o primeiro passo. Concentrei-me no que deveria fazer. Encontrar Harry Potter era prioridade, uma vez que Draco estava desaparecido.


O que realmente me intrigava era que eu não havia envelhecido. Onde eu estava? Por que eu não conseguia me lembrar? Onde Draco estava? Precisava entender...



6. Draco Malfoy


But I set fire to the rain
Watched it pour as I touched your face
Well, it burned while I cried
Cause I heard it screaming out your name


-Você não deveria ter trazido ele para dentro de nossa casa Líli.


-Fique calmo Alvo. Nosso pai teria feito o mesmo.


-Mas ele não está em casa.


-Se mamãe estivesse aqui...


-Mas ela não está.


-Olha o braço dele. Foi um comensal...


-Sim. Não acha estranho a marca ainda estar tão forte?


Aquelas vozes não eram familiares para mim. Tinha dificuldade para abrir os olhos. Todo o meu corpo doía. De repente as lembranças vieram: a estação, a fumaça negra, Hermione...


-Hermione! – Gritei ao levantar meu corpo. – Hermione...


-Calma. Por favor. – Pediu uma moça que estava ao meu lado. A encarei. Lembrava-me alguém, mas não conseguia recordar.


Olhei para os lados a procura de algo familiar. Era inútil. Minha mente estava confusa.


-Qual o seu nome? – Ela me perguntou.


Era estranho. Não me lembrava. Não tinha a menor idéia de quem eu era.


-Você chamou por alguém ao acordar. – Ela disse.


-Sim. Hermione. Onde ela está?


Os dois se entreolharam. O rapaz se aproximou.


-Hermione Granger. É por ela que você procura?


Flashs em minha mente fizeram a minha cabeça doer. Lembrei de gritos, do trem, de Hermione chamando por mim.


“Draco”


-Draco. Meu nome é Draco. – Falei exaltado.


Os dois se afastaram.


-Draco Malfoy? – Perguntaram juntos. Pareciam assustados.


-Sim. Esse é o meu nome.


-Para mim chega! Vou chamar o nosso pai agora.


Ele saiu batendo a porta. Não entendi o que o havia deixado tão nervoso.


-O que houve? – Perguntei apreensivo.


-Você não se lembra de nada?


-Mais ou menos. Estou confuso.


Levantei-me. Ela apenas me acompanhou com o olhar.


-Você sabe de algo que eu precise saber? – Perguntei.


-Sim. Mas não sou a pessoa certa para lhe contar.


-Lílian! Lílian!


Um senhor entrou pelo quarto bastante nervoso. Encarou-me. Aproximou-se com um semblante assustado. Novamente eu tive a impressão que conhecia aquele olhar.


-Draco! É você mesmo?


-Sim. E o senhor é…


-Você não se lembra de mim?


Por que eu deveria me lembrar? Fiz um gesto negativo com a cabeça.


-Draco. Sou eu: Harry Potter.


Os flashs voltaram. Minha cabeça doeu intensamente e precisei me sentar. Minha memória voltou, lembrei-me de quem eu era, lembrei-me quem era Harry Potter e tudo o que representávamos um para o outro. Mas algo havia mudado, ele havia envelhecido. Olhei-me no espelho da penteadeira ao lado da cama. Continuava o mesmo.


-Draco. Eu preciso saber: onde está Hermione? Onde estava você? – Ele me perguntou ansioso.


-Não me lembro Potter. Minha última lembrança é da cabine do trem. De uma fumaça negra, de abraçá-la e no instante seguinte eu acordar aqui, em sua casa.


-Abraçá-la? O que faziam na estação?


-Pai. É óbvio e comprova que eu sempre estive certa quanto às minhas suspeitas. Os dois estavam juntos, sempre estiveram.


-Ela está certa Draco? Vocês estavam juntos? – Perguntou-me Potter.


-Quanto tempo passou? – Perguntei ignorando as perguntas que ele havia me feito.


-Vinte e cinco anos. – Respondeu Lílian.


Era muito tempo. Por que eu não conseguia me lembrar? Potter percebeu a minha angústia.


-Malfoy. Você precisa se concentrar. Pense nos detalhes.


Minha lembrança era fragmentada e minha única preocupação era Hermione.


-Onde ele está? – Alguém gritou do lado de fora.


Eu conhecia aquela voz. Era Weasley. Ao entrar no quarto ele parou por um momento e me olhou intensamente. Ele estava bem mais velho, mas continuava patético, acho que certas coisas nunca mudam. Gina chegou logo atrás, rosto espantado, estava mais velha também.


-O que você fez com Hermione? – Ele gritou ao vir em minha direção. Acertou-me em cheio no nariz. Harry o segurou.


Eu me sentia fraco, sem forças para revidar. O sangue escorria pelo meu rosto e manchava a camisa que eu usava.


-Rony. Acalme-se. – Pediu Gina.


-Me acalmar? – Ele gritou. – Só me acalmarei quando ele disser onde está Mione.


-Como vocês descobriram? – Perguntou Potter visivelmente nervoso.


-Alvo nos contou. – Respondeu Gina. – Ele confia em mim. – Ela completou em tom sarcástico.


Lílian me trouxe um lenço para conter um pouco do sangue que ainda escorria pelo meu rosto. Doía. Sentei-me novamente na cama.


-Draco, temos muito a conversar, mas primeiro é melhor você tomar um banho e descansar.


Saíram do quarto. Tirei a camisa toda manchada de sangue. Olhei-me no espelho mais uma vez. Todos haviam envelhecido, menos eu. Os filhos de Potter estavam crescidos. O que será que havia acontecido com Astoria e nossa criança? Minha última lembrança dela era igualmente vaga.


-Estou grávida Draco.


-Tem certeza disso? – Perguntei friamente.


-Sim.


Ela se aproximou de mim e guiou uma de minhas mãos até sua barriga.


-Consegue sentir. Minha barriga já cresceu um pouquinho. – Ela falou sorrindo.


-Não. Eu não consigo sentir nada.


-Você não quer esta criança não é?


-Nem você, nem esta criança estavam em meus planos. – Me arrependi de ter dito isto, ela começou a chorar.


-E você acha que eu planejava isso? Engravidar?


-Nada vai faltar a vocês. Garanto. Assumirei o meu erro.


-Sou apenas um erro para você? É isso?


-Jamais menti para você Astoria. Jamais tive a intenção de passar mais uma noite com você...


-Seu estúpido.


Ela me deu um tapa na cara e saiu.


A lembrança se esvaiu. Meu filho ou filha já deveria estar com 25 anos...


Batidas na porta interromperam os meus pensamentos. Ao abrir dei de cara com a filha de Potter que ficou vermelha ao me ver sem camisa.


-Me...meu pai pediu para eu lhe entregar estas roupas.


Sorri. O que a deixou mais envergonhada ainda.


-Obrigado Lílian!


Antes que ela saísse perguntei:


-Onde você me encontrou?


Ela me encarou pela primeira vez.


-Eu o encontrei caído próximo ao lago. Não contive o impulso de trazê-lo aqui para casa.


-Irônico não acha?


-O que?


-A filha de Potter me encontrar.


-Irônico não. Suspeito.


Ela virou-se e me deixou ali, parado, pensando no que ela havia acabado de falar. Realmente era muito suspeito.



7. Mãe e filha


Desci as escadas com o coração disparado. Eu sabia tudo sobre Draco Malfoy, meu pai passou a vida tentando encontrar ele e Hermione Granger. Porém, ninguém jamais havia me falado sobre o quanto ele era bonito e vê-lo sem camisa me deixou extremamente perturbada. Ao chegar à sala minha mãe percebeu a minha palidez.


-Tudo bem Líli? Malfoy lhe disse algo ou a provocou?


-Não mamãe. Ele foi até muito educado. – Achei melhor não comentar sobre o fato de ele estar sem camisa e o seu tórax ser totalmente definido.


Meu pai e tio Rony me encararam por um breve momento, mas logo voltaram a conversar. Minha mãe levantou-se e apenas com o olhar me chamou a acompanhá-la. Quando chegamos à cozinha ela foi logo dizendo:


-Não imaginava que ele fosse tão bonito não é filha?


Minha mãe era assim. Perceptiva. Eu não precisava dizer muito para ela saber tudo sobre mim.


-Sempre ouvi coisas terríveis a respeito dele. Acostumei-me a pensar nele como um homem ruim que sumiu com a melhor amiga de vocês.


Os olhos de minha mãe encheram de lágrimas.


-Mione era fantástica Líli. Você iria gostar muito de conhecê-la.


-Mamãe. Por favor, me conte o que sabe. Hermione e Draco estavam juntos naquele trem?


-Sim. – Era a primeira vez que minha mãe confessava que sabia algo. Ela e meu pai brigaram várias vezes por isso. Ela jamais contou.


-Você pode me contar?


Ela estendeu as mãos para mim. Fui ao encontro dela e recebi um longo abraço.


-Draco sempre foi uma incógnita. Não existia uma menina em Hogwarts que não o achasse bonito, misterioso, atraente...


Ela encostou-se na pia.


-Hermione aparentemente o odiava, ele a provocava o tempo todo. A chamava de sangue-ruim.


Assustei-me. Chamar alguém por esse nome era uma grande ofensa. Ela prosseguiu.


-Mione era genial, perspicaz. A bruxa mais inteligente que eu já conheci.


-Todos dizem isso. – Comentei.


-Ela era a minha melhor amiga.


Pausa. Lágrimas.


-Percebi que ela estava ficando cada vez mais triste. Não se dedicava tanto aos estudos e se isolava, queria ficar o tempo todo sozinha. Ela não me contava, mas eu tinha certeza que Draco era o responsável por toda aquela amargura. Resolvi conversar com ela. Dizer que ele não merecia... Foi quando ela me revelou que havia se apaixonado por ele e me fez jurar que não contaria isso a ninguém. Até hoje eu não havia quebrado a promessa...


-Mas Draco percebeu que ela gostava dele?


-Embora não assumisse Draco também era apaixonado por Hermione. Os dois viveram um romance. Durante anos os dois se encontraram escondidos.


-Por que escondidos?


-É complicado. A família de Draco não aceitava a origem de Hermione e os melhores amigos dela jamais aceitariam esse namoro.


-Então foi isso. Os dois estavam juntos no trem. Fugiam.


-Não. Hermione fugia. Ela estava indo para a Toca, havia decidido ficar com o seu tio, mesmo gostando de outro. Mas algo aconteceu, algo que estamos prestes a descobrir.


-Por que nunca contou isso para papai?


-Fiz uma promessa filha.


-Mas vocês se separam por isso...


-Não. Nós nos separamos porque seu pai não confiou em mim. Duvidou do meu amor por ele.


A olhei tentando entender o que havia acabado de me dizer.


-Nas intermináveis investigações de seu pai, ele descobriu que eu me encontrava com Draco e conversávamos. Na verdade eu era a garota de recados, mesmo depois que nos formamos. Seu pai chegou à conclusão errada. Ela respirou fundo e prosseguiu.


-Draco é letal. Ele sabe o quanto é bonito e sempre usou isso a seu favor. Hermione sofreu demais por causa dele. Não se engane. Por trás daquele sorriso encantador, esconde-se um bruxo extremamente perigoso.


Engoli seco.


-Mamãe. Em algum momento você chegou a se sentir intere...


-Draco era bonito minha filha, mas Harry Potter encantador...


Eu sorri. Realmente, meu pai era um homem encantador. Ela me abraçou novamente.


-Este é o nosso segredo. Harry e Rony precisam descobrir esta parte da história por eles mesmos.


Assenti. Jamais quebraria a nossa promessa.


-Porém, não vou deixá-la nesta casa. Vi como olhou para Malfoy.


Senti o meu rosto avermelhar.


-Você vem para a toca comigo. Estará mais segura lá.


Jamais ousaria desobedecê-la...


 
8. Quebra-cabeça



-Sente-se Malfoy. – Potter pediu indicando o sofá. Em uma mesa a minha frente inúmeros jornais, fotografias e documentos sobre o meu desaparecimento e de Hermione.


 Um recorte me chamou a atenção.


 “Nasce filho de Draco Malfoy”


-Filho? Astoria teve um menino?


-Sim. – Respondeu Potter. – Seu nome é Scorpio Malfoy.


-Você o conhece?


-Conheço. Ele foi meu aluno.


-Aluno?


-Sou professor em Hogwarts. Defesa contra as artes das trevas.


Não contive o riso. Potter sempre foi muito previsível. Ele sorriu também adivinhando os meus pensamentos.


-Como está minha família Potter?


A feição dele mudou.

-Sua mãe faleceu há alguns anos...


Fechei o punho. Não poderia chorar. Não na frente de Potter. Ele prosseguiu.


-Seu pai ainda vive na mansão e seu filho mora com ele.


-E Astoria? O que houve com ela?


-Malfoy...


-DIGA! – Gritei.


-Ela se matou logo depois que Scorpio nasceu.


Mordi os lábios. Nada havia dado certo para a minha família. Meu pai era a pior pessoa do mundo para educar alguém. Eu era a maior prova disso.


Peguei uma foto de Hermione em cima da mesa. Ela estava linda. Os flashs voltaram...


Estávamos deitados em um campo repleto de flores de mãos dadas. Olhávamos para o céu.


-Nunca imaginei que chegaríamos ao nosso último ano. – Ela disse.


Apenas sorri.


-Por que você faz isso? – Ela me perguntou.


-O que?


-É irônico. Sempre com este sorriso bobo.


-Confesse: você gosta deste sorriso bobo! – A provoquei. Adorava fazer isso.


Ela levantou-se.


-O que eu represento para você Draco Malfoy?


Levantei-me também.


-O que eu represento para você Hermione Granger?


Ela me beijou. Seu gosto delicado, suave me excitava...


-Responda você primeiro!


Segurei o seu rosto.


-Você representa a minha maior fraqueza...


Ela assustou-se.


-Não resisto você Mione.


A puxei ao meu encontro. Beijei o seu pescoço, sua orelha, sua boca. Sussurrei ao ouvido dela:


-O que represento para você?


-O meu maior erro... – Ela respondeu ofegante.


Trasamos ali mesmo.


-Malfoy! Malfoy! – Harry me chamou. – Lembrou-se de algo.


-Sim. Mas não é da sua conta Potter! – Respondi em tom de provocação.


Rony me olhava com raiva. Como se eu fosse o culpado por tudo aquilo.


-Você ainda vai me pagar. – Afirmei indicando o meu nariz.


-Você continua o mesmo idiota Malfoy! – Ele gritou


-Você continua patético Weasley. Velho e patético.


Ele levantou-se. Levantei-me também. Dessa vez ele não me pegaria de surpresa.


-Isso não ajuda em nada. – Ponderou Potter.


Nos sentamos.


-Malfoy. Preciso que coopere. Precisamos saber da história completa. Queremos entender o que houve com vocês.


-Vocês estão dispostos a saber toda a verdade? – Perguntei olhando para o idiota do Weasley. – Podem não gostar. – Avisei.


-Depois de tanto tempo, queremos a verdade. – Respondeu Potter.


-Eu e Hermione nos encontramos desde o nosso sexto ano...


-Defina “encontramos”. – Pediu Potter receoso.


Respirei Fundo. Tinha certeza que aquilo não era uma boa idéia.


-Eu e Hermione nos beijamos pela primeira vez um pouco depois da morte de Dumblendore.


-É mentira! – Gritou Weasley. – Hermione te odiava e para você ela não passava de uma sangue-ruim. – Ele deu um murro na mesa. –Não vê Harry? Ele está se divertindo às nossas custas!


-Você é mesmo um trasgo Weasley! Incapaz de ver um palmo à sua frente.


-Cale a boca Malfoy!


-Rony. É melhor deixarmos Harry e Draco a sós. – aconselhou Gina ao entrar na sala acompanhada por Lílian.


-Não vou sair daqui. – Ele cruzou os braços.


-Tio. O mais importante é sabermos o que houve com Hermione e você não está ajudando em nada.


-Sua sobrinha é inteligente Weasley. Ao contrário de você.


Mesmo contrariado ele as acompanhou. Eu o odiava. O odiava até mais do que odiava o próprio Potter. Odiava ser comparado a ele.


-Você e a Weasley fêmea não estão mais juntos Potter?


-Isso não é da sua conta Malfoy. – Ele realmente ficou incomodado com a minha pergunta. – Prossiga. Conte-me toda a história. Preciso saber...


 


9. Mansão Malfoy


 


Jamais imaginei que um dia entraria novamente naquela mansão sombria. Lembrar do que me havia acontecido lá dava náuseas. Senti um torpor terrível ao entrar naquela sala. Lucius me esperava.


-Ora, ora. Se não é a senhorita Granger em pessoa em minha casa. – Ele me recebeu irônico. Apesar de estar muito envelhecido, escorando-se em uma bengala, ainda era altivo, aparentemente continuava esnobe e orgulhoso.


-Onde vamos acomodá-la? – Perguntou Scorpio em tom ríspido.


-Leve-a para o antigo quarto de seu pai.


-Mas...


-Não discuta comigo! – Esbravejou Lucius.


Silenciosamente Scorpio me guiou até o quarto de Draco. Ao chegarmos em frente à porta, ele exitou.


-Isto não está certo. – Ele falou sem me olhar. – Seu lugar não é aqui.


Ele abriu a porta e saiu nervoso. Será que ele era sempre assim? Parecia que sim, parecia-se com Draco...


Quando entrei, o quarto iluminou-se. A cama era localizada ao centro, uma porta levava a uma espécie de closet, todas as roupas dele ainda estavam ali, puxei uma camisa do cabide, o cheiro dele estava nela, aliás, eu o sentia por todo o quarto que era repleto de estantes com livros de magia, feitiços e poções, as matérias preferidas dele. Lembranças invadiram a minha mente.


-Senhorita Granger. Vejo que poções é o seu ponto fraco. – Falou o professor Slughorn. Todos riram, afinal, o meu cabelo estava oleoso e meu rosto todo sujo devido à última explosão. – Vou chamar alguém de Sonserina par lhe ajudar.

-Mas professor...


-Sem ‘mas’ senhorita Granger.


-Senhor Malfoy.


Estremeci.


-Sim professor. – Ele respondeu me encarando.


-Ajude a senhorita Granger.


Ele se aproximou com aquele olhar enigmático, sorriso debochado nos lábios. Se eu pudesse, o agarrava ali mesmo, em plena sala de aula.


-Granger, Granger... – Ele se posicionou ao meu lado. – Estou decepcionado com você.


-Decepcionado?


-Sim. Para ficar comigo, no mínimo, tem que ser boa em tudo...


-Encontre-me hoje na biblioteca que eu lhe mostro no que sou boa realmente.


-Está me desafiando Senhorita Granger? – Ele falou pausadamente bem próximo ao meu ouvido.


-Estou. – nem sei de onde eu estava arrumando coragem para conseguir falar daquela forma com ele.


-Não me desafie. Você não sabe do que eu sou capaz...


Para mim era tudo tão recente e para o mundo era passado. Sempre que eu tentava me lembrar do que houve durante este tempo minha cabeça doía. Comecei a andar de um lado para o outro, precisava me acalmar, eu queria acordar e descobrir que tudo não havia passado de um pesadelo, eu queria acordar e estar ao lado de Draco...


 


10. Uma visita inesperada


 


-Por que colocá-la no quarto que foi dele? – Perguntei chateado.


-Não discuta comigo Scorpio. Sei o que estou fazendo.


Como sempre ele saiu e me deixou sozinho.


Joguei-me no sofá daquela sala que eu tanto odiava, aliás, detestava aquela casa. Era patética. Morava ali porque minha avó havia pedido. Promessa idiota que fiz a ela; estava preso aquele velho arrogante.


Tudo era velho como ele, às vezes me perguntava como o meu pai poderia ter conseguido viver ali. Era escuro demais, cheirava mofo. Talvez fosse por isso que o quarto dele era tão diferente... Talvez...


Odiava estas incertezas, odiava não saber a verdade sobre ele e, agora, Hermione Granger estava em minha casa e poderia ser a única chance de descobrir o que realmente havia acontecido com o meu pai e o porquê os dois haviam sumido.


-Senhor...


Um elfo apareceu no meio da sala. Assustei-me. Ele mal conseguia andar.


-O que você quer? – Nunca gostei de elfos domésticos. Eram repugnantes.


-Estou aqui porque preciso lhe entregar isto.


Ele retirou um livro velho de sua túnica e o estendeu para mim. Levantei-me, mas não fiz menção de pegar.


-Pegue senhor. É presente de sua mãe.


Como poderia ser? Pensei


-Você está enganado. Minha mãe está morta.


-Eu servia a família dela senhor. Pegue. Ela me pediu para que lhe entregasse quando tivesse a idade certa para entender...


-Entender o que?


O elfo não respondeu, porém, eu precisava entender muitas coisas sobre o passado de minha mãe. Peguei o livro.


-Devo voltar agora senhor. Antes que ele veja que consegui sair.


-Ele quem?


O elfo me ignorou. Desapareceu.


Era um livro sobre poções. Logo depois da capa vinha uma identificação: 


Este livro pertence ao Príncipe Mestiço.


Um pequeno pedaço de papel amarelado caiu do livro. Era uma mensagem.


Astoria,


Nestas páginas você encontrará sabedoria para conseguir tudo o que almeja...


Lucius Malfoy


O livro estava muito danificado e repleto de marcações. Comecei a folheá-lo mais atentamente. Nada muito surpreendente até as páginas centrais, onde algumas palavras estavam grifadas com uma cor diferente. Unidas, elas formavam uma frase:


Abra a capa e saiba o que aconteceu. 


Foi então que percebi que a capa dura do livro havia sido alterada e a ponta do papel já estava se despregando. Puxei delicadamente, não sabia muito bem o que iria encontrar ali. Olhei para os lados, não queria que o meu avô me surpreendesse com o livro nas mãos. Dentro da capa havia um envelope lacrado com o brasão da família de minha mãe endereçado à Hermione Granger e um pequeno frasco com uma espécie de fumaça dentro preso a um bilhete:


Filho,


Se você recebeu este livro é porque, infelizmente, não pude vê-lo crescer.


Não sei o que inventaram a respeito de mim para você, mas, saiba que neste pequeno frasco, você encontrará toda a verdade.


Você precisa ir à Hogwarts e o despejar na penseira que fica na sala do diretor.


Se meus planos deram certo, neste momento você já se encontrou com Hermione Granger. Ela o ajudará e você deverá ajudá-la também. Ela é tão inocente quanto você nesta história...


Senti o meu corpo tremer. Não sabia o que era uma penseira, não entendia como Hermione Granger poderia me ajudar, no entanto, decidi confiar nas palavras de minha mãe. Com certeza meu avô dormia, decidi agir antes que ele acordasse.


Ao entrar no quarto vi que Hermione havia dormido também. Para uma sangue-ruim, ela era bem bonita, delicada. Percebi que ela estava agarrada a uma das camisas de meu pai, tive certeza de minhas suspeitas, ela era apaixonada por ele.


Sentei-me na cama e passei a mão em seu rosto na tentativa de lhe acordar.


-Hermione. Preciso conversar com você.


-Draco? – ela perguntou ainda com os olhos fechados.


-Não. Scorpio.


Ela levantou-se abruptamente.


-Não é um sonho. Você é real mesmo. – Ela constatou desolada.


-O que é uma penseira? – Perguntei.


Ela me olhou intrigada.


-Você não sabe?


-Por que saberia?


-Penseira é um objeto mágico que nos leva a lugares e acontecimentos contidos nas memórias das pessoas.


-Como estas memórias são coletadas?


-Um feitiço faz com que a memória seja tirada por intermédio da varinha.


Tirei o frasco do bolso e mostrei a ela.


-Trata-se de uma memória coletada?


-Certamente que sim.


-Você já viu uma penseira de perto?


-Sim. Em Hogwarts na sala da direção.


-Venha. – Ordenei a ela. – Vamos à Hogwarts.


Ela exitou por um momento, mas depois decidiu me acompanhar.


-Consegue aparatar?


-Me sinto fraca ainda.


Sem pedir, a peguei em meu colo. Ela assustou-se.


-Segure-se. Vamos para Hogwarts.


Aparatamos.


 


11. A história de Astoria


 
Quando abri os olhos já estávamos na sala da direção, Scorpio me colocou em pé. Não pude deixar de perceber que ele possuía o mesmo perfume de Draco.


-Onde ela está? – Ele me perguntou ansioso.


Apontei para o pequeno compartimento na sala. Enquanto ele se encaminhou para lá, uma foto me chamou a atenção: eu sorria acompanhada por dois rapazes. Senti uma dor forte em minha cabeça. Passei a mão por entre os cabelos. Tudo girava. Em segundos uma vida passou em minha mente. Minha memória voltou.


-Agora eu me lembro. Sei quem são eles e o que representam em minha vida. Você sabe onde posso encontrá-los?

-Sim. – Ele respondeu sem me dar muita atenção. Seu foco era a penseira. – Me explique como isso funciona e eu te levo aos dois.


Para conseguir qualquer coisa de Scorpio, eu teria que ajudá-lo primeiro.


-Acho que deveríamos falar com... Quem está à frente de Hogwarts agora?


-O professor Longboton.


-Neville? – Perguntei assustada.


-Sim. Mas não temos tempo para isso. Depois eu converso com ele, somos amigos.


Não contive o sorriso. Era bom lembrar-me de tudo novamente.


Ele abriu o compartimento e lá estava a penseira, mas para minha surpresa haviam duas.


-Pegue a maior. – Ordenei. – Assim poderei ver também.


-Não. Verei sozinho.


-Ou você me deixa ver, ou ficará sem saber como usá-la.


Ele me olhou com os olhos cerrados.


-Você se parece muito com o seu pai sabia?


-Por que você diz isso?


-Vocês são muito parecidos. Quando falo isso, não me refiro ao modo de se vestir que é idêntico, refiro-me à forma como você fala, age, até mesmo quando está bravo...


-Você...você e meu pai...quero dizer vocês...


-Eu amo o seu pai Scorpio. Não há motivos para mentiras agora. Para mim o jogo acabou.


Ele se aproximou e mostrou-me um bilhete, era de Astoria.


-Minha mãe sempre soube de tudo. – Ele afirmou. – Se ela me pediu para confiar em você é o que eu vou fazer.


Ele me entregou o pequeno frasco.


-Me acompanhe. – Pedi.


Despejei os pensamentos e juntos mergulhamos em uma Hogwarts mais antiga, dos meus tempos de estudante.


Duas meninas de Sonserina caminhavam pelos corredores, eram Pansy e Astoria.


-Pansy! – Alguém chamou. Era Draco.


Ela parou para esperá-lo. Astoria a acompanhou.


-Para ganharmos a Taça das Casas precisamos de alguém bom em poções.


-Por que você não participa? É o melhor em poções.


-Estou no quadribol. Esqueceu?


-Eu participo. – Falou Astoria chamando a atenção dele para ela. – Sou boa em poções.


Draco a encarou, o que visivelmente incomodou Pansy.


-Qual é mesmo o seu nome? – Perguntou com desdém.


- Astoria Greengrass.


-E você é boa o suficiente?


-Acredite. Sou a melhor em poções.


Draco sorriu.


-Gostei de você!


Estendeu a mão para ela. Que retribuiu com um aperto de mãos.


-Não serão aceitas desculpas. Você tem que ser a melhor.


Astoria sorriu.


A lembrança se modificou. Agora estávamos provavelmente no salão comunal de Sonserina. Astoria estava mais velha e discutia com Pansy.


-Eu vejo como você olha para ele! Confesse! – Gritava Pansy.


-O que você quer que eu confesse? Que eu, como qualquer uma de Hogwarts, acho Draco maravilhoso e faria qualquer coisa para ficar com ele?


-Não seja cínica Astoria! Você sempre soube do meu interesse por ele! – Ela gritou descontrolada.


-Sim. Mas sempre soube também que ele não gosta de você, que só te usa...


-Cale a boca! – Interrompeu Pansy.


-Vocês são duas idiotas! – Afirmou Zambini ao entrar na sala. – Enquanto discutem, Draco se encontra com outra.


-Com quem? Perguntou Pansy.


-Confesso que não sei. Draco está estranho, há muito tempo não conversamos. Porém, tenho certeza que ele está com alguém e não é de Sonserina.


Astoria e Pansy se entreolharam. Pansy saiu correndo, chorando, enquanto Astoria ficou.


-Por que você desconfia disso? – Perguntou a Zambini.


-Porque eu o segui algumas vezes, mas ele percebeu e me despistou. Ele está escondendo algo, ou melhor, alguém...


A lembrança se extiguiu. Agora estávamos na floresta proibida. Astoria se escondia atrás de uma árvore. Senti calafrios, sempre me encontrava com Draco na floresta. Ela nos espionou o tempo todo, nos viu transando e quando fomos embora ela sentou-se ao pé da árvore chorando.


-Hermione Granger! Você me paga!


Tudo ficou escuro. Era noite e ela lia algo sobre a poção Polissuco no livro de Poções que um dia pertenceu ao professor Snape.


-Consegue preparar a poção? – Perguntou Lucius Malfoy.


-Sim. Não é difícil para mim.


-Siga o nosso plano e conseguirá o que mais quer: separar Draco da sangue-ruim e ainda ficar com ele.


-Não sei se devo...


-Você não ama meu filho?


-Mais do que tudo.


-Aqui está o fio de cabelo da Granger. Encontrei-o na roupa de Draco. Seduza o idiota do Weasley e eu me encarrego que Draco os encontre. Ele pensará que a Granger o traiu e se livrará dela.


-Será?


-Conheço o meu filho senhorita. Jamais irá a perdooar.


-Até aqui eu entendi. Vou me livrar da Granger, mas como ele irá ficar comigo?


-Colocarei isto na bebida dele. Ele sempre bebe quando chega em casa. O resto é com você.


Ela sorriu.


-Cuidarei muito bem dele senhor Malfoy. Garanto.


Outra lembrança surgiu imediatamente.


-Não deu certo Lucius! Mesmo grávida, ele não me quer!


-Você é uma mulher desprezível Astoria! – Gritou Lucius. – Não sabe seduzir. Eu te dei Draco e você o condenou ainda mais.


-Você o condenou! – Ela gritou. – Você me fez acreditar que seu plano idiota daria certo! Agora Draco foi atrás dela. Está na estação tentando não deixá-la ir.


-Ela não o ouvirá e assim que entrar naquela cabine sumirá da vida dele de uma vez por todas.


-O que você vai fazer com ela? – Astoria perguntou realmente preocupada. – Vai matá-la?


-Não. Mas vou tirá-la da vida dele de uma vez por todas.


-Já cometi um erro uma vez, não vou cometer outro.


-Onde você vai?


-Vou avisá-los sobre você.


-Tolinha. Se der um passo eu mato você e o seu filho.


Astoria parou, olhos baixos, lágrimas nos olhos, claramente arrependida.


-A partir de hoje morará aqui em casa e sob a minha custódia. Dispense o serviço de seu elfo, não precisará mais dele.


Ela saiu e dirigiu-se ao elfo que a esperava.


-Melk. – Disse bem baixo. – Preciso que vá a estação e avise para Draco não deixar Hermione entrar naquele trem. É uma armadilha. Diga a ele que Lucius sabe sobre tudo e vai tentar fazer a Granger desaparecer.


-Mas minha senhora?


-Agora Melk! Vá!


A lembrança desapareceu. Não existia mais nada.


Scorpio me olhou. Seus olhos lacrimejavam. Não disse uma palavra sequer. Sentou-se e abaixou a cabeça.


Tudo fez sentido para mim. Draco havia me acusado de traí-lo. Foi tão vítima quanto eu.


-A culpa de tudo não foi sua Granger. Agora entendo. Meu avô sempre soube do romance de vocês e tentou se livrar de você, mas algo deu errado, meu pai estava naquela cabine também.


-Sim. Mas por que? Será que Melk não onseguiu avisá-lo?


Ele retirou do bolso um envelope.


-Pegue. Minha mãe pediu para que eu lhe entregasse.


Era uma carta de Astoria endereçada à mim. Abri o envelope ansiosa. 


Hermione Granger...


É estranho escrever para você. É estranho admitir que Draco nunca vai ser de ninguém porque ele é seu, sempre será.


Enviei Melk para tentar salvar a sua vida, mas quando ele chegou na estação já era tarde. Ele encontrou-se com Draco que foi atrás de você mesmo sabendo que uma armadilha o esperava dentro da cabine.


Fui uma tola ao acreditar nas mentiras de Lucius, estava cega, obscecada pela ideia de ter Draco só para mim. Descobri o verdadeiro plano tarde demais, Lucius Malfoy não queria sujar as mãos com a sua morte e não encontrou ninguém que quisesse. Ele descobriu um feitiço antigo que transportava bruxos para o futuro, porém, não existia volta. A armadilha era essa, enviá-la 50 anos no futuro para que você nunca mais se encontrasse com o filho dele. O que ele não previa, era que Draco entrasse naquele trem também. Narcisa nunca o perdoou por isso e longe do filho morreu aos poucos.


Durante meses eu estudei uma forma de reverter o feitiço, descobri que era impossível trazê-los de volta, mas consegui diminuir o tempo que ficariam distantes para 25 anos.


Hermione...


Se tudo deu certo, foi Scorpio quem te encontrou. Se tudo deu certo, neste exato momento Draco está na casa de Harry Potter.


Entenda,


Eu estava condenada, sabia que Lucius se livraria de mim assim que Scorpio nascesse. Pedi a Narcisa que cuidasse do meu filho como se fosse dela e, para não morrer, decidi também desaparecer por 25 anos e, se não houve falha, estou neste exato momento do outro lado da porta esperando ansiosa por este reencontro.


Astoria


-O que ela escreveu? Me conte! – Pediu Scorpio aflito. – Me deixe ver a carta.


Entreguei o papel a ele. Estava tão assustada com a revelação que não conseguia dizer uma palavra. Mal ele finalizou a leitura, dirigiu-se à porta. Exitou um pouco e, ao abrí-la, Astoria, acompanhada por Neville, o esperava do outro lado.



12. Depois da verdade, dúvidas



Após eu contar tudo o que me lembrava a Potter. Um silêncio pertubador se instaurou entre nós. Ele, enfim começou a falar.


-Se você está dizendo a verdade...


-Eu estou dizendo a verdade. – Respondi sério.


-Por que Hermione nunca me disse nada?


-Você aceitaria Potter? Aceitaria alguém que não fosse Rony ao lado dela? Ou melhor, me aceitaria ao lado dela?


Ele levantou-se e começou a andar de um lado para o outro. Era estranho vê-lo envelhecido. Como eu estaria?


-Você me disse que Astoria enviou-lhe um elfo para alertá-los sobre o plano de seu pai.


Afirmei com a cabeça. Cruzei os braços, aquela conversa já estava me chateando. Ele prosseguiu:


-Por que você não a tirou do trem? Por que não a avisou?


-Eu sei qual feitiço o meu pai utilizou. Lembro-me de vê-lo lendo aquele maldito livro durante horas. Uma vez dentro da cabine, Hermione não poderia sair.


-Então...


Levantei-me do sofá também. O encarei como jamais havia feito antes, seria sincero com Potter pela primeira vez em minha vida.


-Então não consegui me imaginar vivendo sem ela. Não consegui imaginar o mundo sem ela. Se ela iria desaparecer, eu desapareceria também. Entrei naquela cabine, nos beijamos, nos abraçamos. Desaparecemos não só do mundo, mas, um do outro.


-Malfoy, eu nem sei o que dizer...


-Não precisa dizer nada Potter.


-O que você pretende fazer?


-Procurá-la. Se eu voltei, certamente ela voltou também.


-E o seu filho? Não pretende procurá-lo?


-Meu filho nunca teve um pai. Duvido que ele queira me conhecer. O abandonei, foi o que fiz.


-Eu conheço Scorpio e sei da obscessão que ele sempre teve para descobrir o que realmente lhe aconteceu. Você deveria procurá-lo.


Não respondi. Mas por dentro eu tinha medo de procurá-lo. Certamente ele me rejeitaria...


Abri a porta e sai para a varanda da casa. Precisava respirar ar puro, precisava sentir o perfume dela novamente...



13. Do outro lado da porta


Scorpio estava paralisado. Astoria também não havia envelhecido, era tão jovem quanto ele. Ela se aproximou e tocou o rosto dele. Num impulso ele a abraçou. A cena foi tão linda que nem percebi Neville se aproximar de mim.


-Mione! – Ele me chamou com os braços abertos e como era bom abraçar um amigo naquele momento.


Eu não consegui dizer uma palavra. Apenas chorava compulsivamente.


-É muito bom te ter de volta. – Ele disse ainda me abraçando.


-É muito bom estar de volta...


-Sei de algumas pessoas que devem estar ansiosas para lhe reencontrar.


-Eu também quero muito vê-los. Mas primeiro eu preciso encontar...


-Hermione, ele está na casa de Potter. – Afirmou sem meias palavras.


Senti a minha respiração acelerar. Queria muito estar junto dos meus amigos, mas encontrar-me com Draco era essencial.


-Astoria me contou tudo o que aconteceu, inclusive sobre você e Draco... – Neville me olhou nos olhos, talvez na esperança de que essa parte da história fosse uma grande mentira.


-Não há mais espaços para mentiras Neville. Eu e Draco nos encontrávamos em segredo, tínhamos medo de assumirmos o que sentíamos um pelo outro e...


-Vocês precisam ir agora. – Me interrompeu Astoria se aproximando de nós. Ela estava abraçada à Scorpio.


-E vocês? – Perguntei. – Virão também?


-Nós ficaremos em Hogwarts. Temos muito para conversar. – Ela respondeu.


-Mas Scorpio? Não quer conhecer o seu pai? – Perguntei impaciente.


-Sim. Mas, neste momento, você precisa mais dele do que eu. – Respondeu-me sorrindo. Era a primeira vez que o via sorrir.


-Eu a levarei Mione. – Explicou Neville. –Vamos agora!


Assenti. Ele colocou a mão sobre a minha e no instante seguinte estávamos próximos a uma casa cercada de flores. O sol estava se pondo, o que dava um aspecto avermelhado ao céu, notei que alguém estava sentado em um dos degraus da varanda e, ao nos aproximarmos um pouco mais, eu o reconheci de imediato: era Draco.



14. Tempestade


 Uma tempestade se formava dentro de mim. Precisava me concentrar, precisava encontrá-la. Lembrei-me do dia que meu pai descobriu sobre eu e ela, sobre os meus planos...


-Então é verdade! – Ele gritou ao entrar na casa. Ele estava visivelmente irritado. – Você está se encontrando com a sangue-ruim!


Tentei transparecer calma.


-Se me encontro ou não com ela, não é da sua conta. Há muito tempo não lhe devo satisfações...


 Ele olhou ao redor. Percebeu de imediato os meus planos.


 -Sujando o nome da nossa família. Se relacionando com uma sangue-ruim.


 Perdi a calma.


 -Não a chame nunca mais dessa forma. – O olhei com ódio. Se não fosse meu pai, o mataria ali mesmo, sem pensar duas vezes. – Ela é mais digna que muitos sangues puros, ela é mais digna que você! – Gritei apontando para o peito dele.

-Você vai se arrepender Draco, vai se arrepender por ter me desafiado.


 Ele saiu enfurecido, me deixando sozinho.


 Algo de ruim estava por vir.


 Pressenti.


 Como ele havia descoberto aquele lugar? Era protegido. Ninguém, a não ser eu, conseguia visualizá-lo.  Meu pai era mais ardiloso do que eu pensava e enganá-lo era o mesmo que suicídio.


 A filha de Potter tinha razão, era muito suspeito eu aparecer depois de 25 anos  tão perto da casa de alguém que eu detestava, porém, ele não se importou em me ajudar. Sentei-me em um dos degraus da varanda.


Fiquei por um tempo com a cabeça baixa, tentando compreender o porquê de tudo, em vão.


Quanto mais eu pensava, mais os acontecimentos ficavam sem sentido.


-Draco! – Ouvi a voz dela chamar por mim. Olhei para frente e a vi correr em minha direção. Fui ao encontro dela, senti o seu abraço, senti suas pernas se entrelaçarem em minha cintura, senti o seu beijo...


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N/A --> Não resisti ... coloquei mais um pedacinho...

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Comentários: 13

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Enviado por Nikki W. Malfoy em 01/05/2012

agora eu acho que foi a her quem fez, n sei, mas parece...

Nota: 1

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Enviado por Her Granger Malfoy em 30/04/2012

Claro que é pra mim. Minha cara! *.*

Nota: 5

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Enviado por The Daily Doll em 30/04/2012

Linda, maravilhosa essa. A criatividade e originalidade pro feitiço foi ótima. Draco e Hermione vão ficar mais jovens q todo mundo ^^ rsrs.

Essa eu tenho certeza, é da Re ou da Josy ou da Vê ou da Artemis ou da Her ou da Ju. Tenho certeza, se não for de uma dessas eu paro de escrever u.u rsrs. E acho q é pra Artemis.

Nota: 5

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Enviado por Júlia rodrigues valente em 30/04/2012

Porque tão linda, porque me fez chorar tanto?
Eu vou pedir a Merlin uma continuação, e vou torcer para que isso aconteça! 

Nota: 1

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Enviado por Larii Malfoy em 29/04/2012

PQP viu,é de propósito,eu sei,mas poxa,parar juuusto ai?? Que dó de mim kkkkk

Bom,não vou arriscar,mas acho que é pra Ju haha

Muito foda,que imaginação hein! ;)

Nota: 1

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Enviado por Vênnice em 29/04/2012

Ai...eu? será? Na verdade acho que é para mim...amo Adele....

Nota: 5

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Enviado por Nikki W. Malfoy em 29/04/2012

Essa estou em duvida de quem é... mas acho que é pra Artemis, tem cara de ser pra ela
adorei essa... 

Nota: 5

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Enviado por Her Granger Malfoy em 29/04/2012

Concordo com vc, Maris, deve ser da Vennice, mas não acho que seja pra Artemis... Deve ser pra Ju ou Re... Fico com Ju. kkkk Ou eu. Ahauhaua
Não quero nada, hein? (lalalala) 

Nota: 5

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Enviado por Maris em 29/04/2012

Cara, eu arriscaria da Vennice para Artemis!Acho que a Vênnice se entregou (pelo menos para mim)
PQP!!!!!
Amei essa fic demais!!!!
Sério, sem palavras para descrever.
Super criativa e colocar nova geração que eu amo, me fez apaixonar ainda mais por essa fic!!! 

Nota: 5

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Enviado por JOSY CHOCOLATE em 28/04/2012

eSSA Ju ''Paola'' sabe tudooooooooooooooooooooo  aiiii Gentee quanta imaginaçaooooooooooo to ficando no chinelo hein! Quando crescer quero ser assim! haauhaua Maravilhosaaa fic!

Nota: 5

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Enviado por Nana-moraes malfoy em 28/04/2012

Acho que é sua jú! Adorei e ansiosa pelos próximos!

Nota: 5

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Enviado por Artemis Granger em 28/04/2012

rsrsrsrs ou essa fic é minha ou da Ju... mas to pendendo pra Vennice..... ou pra mim tb... ja q adoro escrever em primeira pessoa.... adorei tudo.... super enigmática..... ta mto, mto boa!!!!
E quero saber o qmais tem por vir!
beijosssss

Nota: 1

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Enviado por Ju Fernandes em 28/04/2012

Ai... essa pessoa sempre me faz chorar com as fics dela. ='(
Foi a mesma coisa no AS passado. 
Linda demais!
Linda mesmo!
Ah e sim, eu sei de quem é. hahaha  

Nota: 5

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