Capítulo 11 - E a vida segue
''Se existisse algum meio de voltar atrás, nós nunca aprenderíamos a seguir em frente.''
O dia ensolarado não combinava em nada com o humor dele. Draco Malfoy estava realmente irritado. Particularmente nessa manhã de sexta-feira.
-Draco – Pansy gritou do fim do corredor amontoado de gente –, eu preciso falar com você!
Porém, ele não parou, nem se virou para olhar. Continuou seguindo, mesmo que isso não melhorasse em nada o seu humor. Aula com a Grifinória, eu mereço, pensou.
Pansy continuou o chamando e quando estava prestes a alcançá-lo, Draco esquivou-se e entrou no banheiro da Murta. Trancou-se em um dos boxes, cansado. Havia passado a noite inteira acordado, pensando nas palavras de Hermione. Ela parecia furiosa desde o término do namoro. Mesmo depois de três semanas.
Não havia nem terminado a sua linha de raciocínio, quando ouviu passos e logo em seguida as vozes de Harry e de Rony. Prendeu a respiração e tentou ficar quieto. Não queria confusão.
-E então ela disse que não queria ir comigo à Hogsmeade – ia dizendo Rony em um tom ofendido –, só por que não está falando com você!
-Ela disse isso?
-Disse! Harry, fale a verdade: o que foi que você fez? Ela parece furiosa com todos os homens do mundo e agora só anda com Luna ou Parvati... Patético!
Draco demorou alguns segundos para entender que era de Hermione que eles falavam. Comprimiu os ouvidos contra a porta, curioso. Do que estavam falando? Pôde ver pela brecha da porta, Harry desviar o olhar para a pia.
-Eu não fiz nada – garantiu, ligando a torneira. Rony soltou uma risada sarcástica.
-Eu duvido muito que não. Eu só espero que isso não afete minha amizade com ela.
Dessa vez, quem soltou uma riso debochado foi Harry.
-Ah, claro! Aproveite e tente seduzi-la, quem sabe vocês dois não até namorem!
-Eu bem que deveria, já que você é burro o suficiente pra não tê-la segurado! Você e depois aquele idiota do Malfoy! Hermione é a pessoa mais maravilhosa que eu conheço e eu juro que se eu ainda sentisse algo por ela, eu tentaria alguma coisa, pois ao contrário de você, Harry, eu tento valorizar coisas boas quando eu tenho o privilégio de tê-las!
Dizendo isso, ele saiu pisando duro, parecendo aborrecidíssimo. Pelo visto, o humor dos estudantes ia de mal a pior.
Harry ainda ficou alguns minutos fitando a saída, até Murta aparecer alegremente de algum dos boxes. Mas quando viu quem era, ela pareceu desanimar um pouco.
-Ah, Harry, é só você – resmungou, suspirando – Pensei que fosse outra pessoa.
-Pensou que fosse quem?
-Um garoto que vem aqui algumas vezes – ela flutuou até o a pia – Tchau, Harry.
Ela desapareceu no encanamento e Harry foi embora.
-Graças a Merlim – murmurou Draco, saindo do cubículo e voltando para o corredor, que estava praticamente vazio. Seguiu sozinho para a sala, pensando na conversa que havia escutado sem querer. Aquele banheiro, afinal, estava se mostrando muito útil...
Era a primeira vez que Draco via Hermione não prestar atenção em uma aula. O olhar dela estava perdido em algum lugar além da mesa do professor desde o início da aula.
Draco se perguntou no que ela estariam pensando que a deixara tão aérea. O parceiro dela, Louis Ketcher (um garoto da Sonserina, alto e forte, de cabelos fartos e negros e olhos âmbar), cutucou-a delicadamente quando o professor fez uma pergunta. Draco tentou não se incomodar com aquilo, afinal, agora ela era livre... Ele havia a deixado livre, mesmo que fosse contra sua vontade. Ele sabia que ela estava magoada com ele e que todo aquele antigo ódio devia ter voltado com tudo, mas tentava pensar que um dia ela entenderia a decisão dele, que ele havia feito isso pelo bem dela. Pelo bem do futuro dela. Da vida dela.
Mas ele já estava notando as diferenças das semanas sem ela. Eram mais monótonas e deprimentes. Tudo bem, talvez fosse um exagero, mas no momento, era o que ele sentia. Ele já havia se acostumado com a presença dela e agora mal podia olha-la. Até parecia que haviam voltado ao terceiro ano. E agora ele sentia inveja do tal Ketcher da mesma forma que sentiu de Krum, no Baile de Inverno. Era tão tão injusto!
-Ei, cara – era Blaise. Ele tentou ignorar as tentativas do amigo de puxar assunto a aula inteira, mas pelo visto Blaise não havia entendido –, pare de fuzilar o Ketcher, isso não é legal.
Só agora Draco percebeu que ainda encarava o garoto. Desviou o olhar rapidamente e encarou o amigo.
-Só estava tentando lembrar o nome dele.
-Pra que? Para mandar matá-lo por estar tocando na Granger?
Draco sorriu diabolicamente e Blaise gargalhou. O professor os encarou, irritado.
-Talvez os rapazes queiram compartilhar conosco o motivo das risadinhas.
Todos os alunos se viraram para encará-los. Quando o olhar de Hermione se encontrou com o de Draco e ele pensou em sorrir, Ketcher sussurrou algo em seu ouvido, distraindo-a. Draco apertou o nó dos dedos.
-Só estávamos comentando o quanto alguns caras tem mal gosto para escolher garotas – Draco disse, venenoso. Encarava Hermione e Ketcher. Agora todos os olhares estavam virados para eles.
-Não ligue – Hermione comentou em voz alta –, isso é apenas inveja. Pessoas sozinhas e insuficientes costumam ter esse tipo de sentimento como companhia.
As cabeças se voltaram para Draco.
-Você parece uma criancinha de sete anos, Granger.
-Você não tem o direito de falar mal de mim, doninha – rebateu. Os grifinórios soltaram risadinhas, inclusive Harry e Rony.
-Granger, você deveria manter sua boca fechada, para seu próprio bem – advertiu Malfoy, escarlate.
-Venha me fazer calar a boca, Malfoy – replicou, arrogantemente.
-Quer mesmo que eu vá, querida? – perguntou ironicamente, com um sorriso malicioso.
Um coro de ''Uuuuuuuuuuuuuh'', foi ouvido e Hermione corou até as orelhas. Draco experimentou olhar para Harry... A página do livro havia sido furado com a ponta da pena e ele parecia furioso... Draco riu internamente.
Quando a aula finalmente terminou( havia demorado bastante até o professor conseguir novamente a atenção dos alunos), Draco saiu apressado, antes que Pansy ou Blás tentassem puxar assunto. Não estava com cabeça para isso. Ele só queria almoçar e tomar um bom banho...
No caminho para o seu quarto, encontrou uma garota lufana do sétimo ano, que sorriu para ele. Ela era bonita, com seus longos cabelos loiros e os olhos verdes. Ela se aproximou.
-Soube que você e a Granger terminam.
-Pois é, coisas da vida – respondeu, sorrindo de volta.
-Então você poderia me mostrar seu quarto de monitor – pediu, passando o polegar na bochecha dele.
-Claro que posso, meu bem – falou, segurando-a pela mão e guiando-a até seu quarto.
Assim que chegou lá, eles beberam um pouco do estoque de Uísque de Fogo que Draco mantinha escondido no armário. Ele tentou se lembrar do nome dela. Sophia... Não, não... Devia ser Seley... Ou seria Susy? Ele sabia que era com a letra S...
-Você deve estar tentando lembrar meu nome – ela falou, parecendo ler os pensamentos dele – É Juliet.
Juliet, é claro!, pensou.
Ele viu ela se inclinar em sua direção e beijá-lo sedutoramente... Mas ele não estava conseguindo raciocinar direito depois de seis copos de Uísque... Ela guiou-o até a cama e Draco sentiu suas calças serem abertas...
Qual é mesmo o nome dela? Ah!, Samantha...
Ela beijou o pescoço dele e ele olhou-a nos olhos... Verdes, não castanhos... Tentou empurrá-la, mas ela negou-se a sair de cima dele.
-Saia de cima de mim – ordenou, com o pouco de sanidade que lhe restava.
-Shii, meu bem – ela pousou o indicador da boca dele – Só relaxe...
Draco pensou em empurrá-la, mas a boca dele em seu pescoço juntamente com o efeito da bebida não o permitiam pensar. Entregou-se à aquelas sensações, não ligando para as consequências. As grandes consequências que aquilo causaria.
-*-
Hermione arrumava as roupas dentro do armário, quando sentiu-se observada. Virou-se assustada e deparou-se com Louis Ketcher observando-a atentamente.
-Como você entrou aqui? – perguntou com a mão no peito. Ketcher sorriu sedutor e se aproximou.
-Junto com você – ele deu de ombros – Você caminhava desatenta.
-Isso é invasão – avisou. Queria mostrar que estava segura, mas na verdade estava nervosa com a proximidade dele. E se ele tentasse alguma coisa?
Ele pareceu ver o medo nos olhos dela e se adiantou em tranquilizá-la:
-Não vou machucar você, nem fazer nada. Na verdade, eu só estava à algum tempo me perguntando se você aceitaria ir à Hogsmeade comigo amanhã.
-Isso é um convite, Ketcher? – inquiriu, divertida.
-Sim – ele colocou as mãos no bolso e deu novamente aquele sorriso sedutor – Ia chamar você hoje, mas Malfoy começou aquela discussão, então... Bem, o que me diz?
Hermione analisou-o por alguns segundos. Ele era um rapaz inteligente e engraçado, isso ela havia notado na aula de Poções. E bonito. Muito bonito. Não tinha nada a perder, tinha?
-Tudo bem.
O rosto dele se iluminou em um sorriso de satisfação. Ele olhou ao redor, olhando a mala e as gavetas abertas.
-Saindo ou chegando? – perguntou, parecendo extremante feliz.
-Chegando. Não queria ficar aqui por que é meio isolado, mas ultimamente é disso que estou precisando. Com os...
Porém, sua fala foi interrompida por um casal que passava apressado pelo corredor. Louis e Hermione viraram-se para olhar e depararam-se com Draco segurando o braço de uma garota, não parecendo nada delicado. Por um instante, nenhum dos quatro disse nada, até que o loiro resolveu quebrar o silêncio:
-O que você está fazendo aqui, Ketcher?
-Eu estudo aqui – comentou, brincalhão. A garota (Hermione lembrou-se que ela era do sétimo ano e chamava-se Juliet), riu debilmente.
-No quarto da Hermione? – Draco rebateu, irritado – Você não se dá ao respeito, Granger?
-Quem é você para falar de respeito? – ela encarava Juliet, que pareceu bem interessada nas unhas. O cabelo estava desgrenhado e o uniforme amassado.
-Eu e Sara só estávamos conversando.
-Meu nome é Juliet, docinho – resmungou ela, revirando os olhos.
-Tá, tanto faz. Agora vá logo embora, antes que eu me meta em encrenca – ele largou o braço dela e empurrou-a para frente.
-Você poderia me acompanhar, Ketcher? – Juliet perguntou, depois de encarar o longo corredor escuro.
-Claro – ele olhou para Hermione que sorriu – Então, posso passar aqui às dez para irmos?
-Pode – confirmou. Draco os encarava, estupefato.
-Tchau, Granger. Tchau, lindo – Juliet disse e desapareceu com Louis no corredor.
-Você vai sair com ele?
Hermione continuou a tirar as roupas da mala e guardar no armário, calada.
-Hermione, me responda! Não acredito que vai sair com o Ketcher...
Silêncio.
-Ele é um idiota dos grandes... Nem é do time de Quadribol!
Mais silêncio. Draco impacientou-se.
-Dá para você parar de me ignorar?
-Quer fazer o favor de sair do meu quarto e me deixar em paz?
Draco assustou-se, pois ela havia se virado da direção dele do nada. Parecia furiosa e Draco teve vontade de beijá-la. Os cabelos estavam presos em um coque frouxo, alguns fios soltos no rosto vermelho; As mangas da blusa estavam arregaçadas até o antebraço e os três primeiros botões abertos. Uma gota de suor desceu do pescoço e desapareceu por dentro do decote...
-Eu não entendo por que está tão furiosa comi...
Foi rápido. Em um segundo ela estava encarando-o, e no outro, esmurrando cada parte do corpo dele que conseguia.
-SEU... RIDÍCULO... FILHO DA MÃE...! EU ODEIO VOCÊ... SUA DONINHA NOJENTA – ela arfava e lágrimas de raiva escorriam livremente por suas bochechas – POR QUE VOCÊ NÃO SAI DA MINHA VIDA DE UMA VEZ? EU TE ODEIO, DRACO, TE ODEIO, TE ODEIO! CÍNICO. DISSIMULADO!
-Hermione, para com isso... Você está me machucando...
-É PRA MACHUCAR MESMO... É PRA MACHUCAR... SAI, ME DEIXA... - ela agora o empurrava para fora do quarto – Por favor, não torna tudo complicado... Me esquece.
-Eu não vou te esquecer, Hermione. Nunca.
Ela parou de empurrá-lo e o encarou tristemente.
-Então por que me deixou? Por que está partindo meu coração?
-Por que eu te amo e não quero que você... Corra perigo.
-Do que você está falando?
-Encare os fatos, Hermione, você não está no top dez da lista do meu pai de garotas que ele espera que eu me relacione, namore ou me case.
Aquilo acertou Hermione como um balaço.
-Então você está fazendo isso por que não quer deixar seu pai decepcionado? Eu não acredito.
-Estou fazendo isso para não deixá-lo furioso. Se isso acontecer, você correria perigo. Entenda, meu amor, nossos destinos são paralelos. Você tem que se casar com um cara que possa te fazer feliz.
-Você me faz feliz – confessou, mirando os pés – E agora está me dispensando sem nem ao menos lutar por nós.
-Desculpe, Hermione – ele sussurrou antes de sair e fechar a porta.
-*-
Rony botou o pijama e jogou-se na cama, exausto. Quantos problemas em uma só semana!, pensou.
Havia brigado com Harry, com Angelina e Hermione preferia manter distância.
Harry entrou no dormitório e Rony fingiu dormir. Não queria ter de falar com o amigo. Na verdade, só queria que alguma coisa desse certo na vida dele. Não era pedir muito!
E como sempre, assim que ele fechou os olhos, a imagem da ex-namorada vinha a cabeça. Não podia negar: ainda gostava de Lilá, mesmo que ela não merecesse.
-Ron? – Harry chamou, baixinho – Está acordado?
-O que é?
-Eu tenho que te contar uma coisa – o moreno parecia apreensivo.
-Então conte.
-A... É, ã... A Gina e eu... Nós nos beijamos.
Rony prendeu a respiração. Já sabia que cedo ou mais tarde aquilo ia acontecer, mas não deixava de sentir-se incomodado.
-Se você magoá-la como fez com Hermione, eu enfio esses seus óculos em um lugar que garanta que você nunca mais se sente – alertou. Pôde escutar Harry rindo baixinho e desejar-lhe boa noite.
Virou-se para dormir, mesmo sabendo que isso demoraria a acontecer. Antes, ainda ficaria sonhando acordado, imaginando o quão bom seria se Lilá o amasse...
Cuidado, Ron. Pessoas ingênuas tendem a sofrer com um grau de intensidade bem maior do que as realistas.
As palavras de Hermione ecoaram em sua cabeça repetidas vezes antes que ele adormecesse.
(N/A: Foi bem rápido esse, né? Ficou meio chatinho, mas é pra mostrar que os dois (Draco e Hermione) estão tentando seguir com suas vidas. A Hermione disfarçou mais o ciúmes que sentiu quando viu o Draco com a Juliet, mas já ele não. Outra coisa que eu não dei detalhes foi o beijo Harry/Gina. Eu não gosto muito desse shipper, mas... É mais para mostrar que tanto ele quanto a Hermione estão perdendo o encanto um pelo outro... E, bem, tem o Ron. Eu sei, ele não devia gostar da Vaca-Lilá, mas o amor é cego, né. Hogwands-Babi, A Afobada, tá aí! kkkk' Não deixem de comentar, amores. Beijos!)