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12. Segredos


Fic: A Floresta das Sombras, Aviso


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 12



Segredos



Lily desceu as escadas bufando. Tinha a impressão de que uma enorme bandeira vermelha havia sido estendida bem diante dos seus olhos e de que ela não conseguia ver mais nada. Queria imensamente azarar James, ao mesmo tampo em que achava que isso seria pouco. Por acaso ele não conhecia o Harry? Não sabia o perigo de alguém como o filho deles possuir um animal como aquele?

As duas perguntas fizeram eco em sua cabeça e ela congelou. Estava sob a sombra das ameias que circulavam o pátio interno do castelo e, dali, ela podia ver o encantamento com que Harry circulava o imenso animal e o sorriso orgulhoso de James. Você não pode brigar com ele perguntando se ele não conhece o próprio filho, uma voz clara afirmou na sua cabeça. Ele lhe dirá que se não o conhece é por culpa sua! Lily gemeu baixinho. Sim, James lhe diria isso.

Além do mais, ela sabia que, naquele momento, James era completamente inocente aos olhos de Harry. O filho passara a encará-la com aquela horrível indulgência que se dirige às pessoas que são enganadas. Não havia como fazer a piedade que Harry lhe dedicava agora, competir com a quase idolatria que ele dedicava ao pai. Para ele, James não tinha defeitos e, um escândalo de Lily não o faria pensar diferente. Não o faria perceber o quanto James era exagerado e auto-complacente com as coisas que lhe davam prazer, especialmente quando eram novas e brilhantes.

– Mãe! – Harry berrou para ela. – Mãe! Olhe!

Respirando fundo, Lily atravessou o pátio até onde Harry e James afagavam o enorme “presente”, cujas rédeas estavam bem seguras nas mãos de Little John. Remus, Sirius e Peter, parados um pouco atrás, exibiam sorrisos sem qualquer tipo de censura para o amigo (nem mesmo Remus, para a decepção de Lily). Ron, Fred e George também estavam ali e nenhum deles conseguira, ainda, fechar a boca. Estavam deslumbrados. A única pessoa que parecia vagamente racional era Hermione. Ela e Ginny estavam em pé em um estrado em que se penduravam ferramentas, as cabeças acima das dos homens e rapazes. A testa levemente franzida da cunhada deu a Lily a esperança de ter algum apoio vindo dela.

– Olhe, mãe! – Harry mal conseguia conter o entusiasmo. – Ele não é maravilhoso? Não é perfeito?

O sorriso doeu no rosto de Lily, como se fosse preciso quebrar pedras para aparecer.

– É sim, Harry.

Felizmente, o garoto estava encantado demais para perceber a frieza dela. James, porém, notou imediatamente e, pelo brilho desafiante em seus olhos, ficou óbvio que ele já esperava por aquela reação. Será que ele continuaria sorrindo se ela o transformasse num cocho para o “cavalinho” beber água?

– Que nome você vai dar a ele, Harry? – a pergunta veio de Fred Weasley que, junto com George e Ron, estava rodeando o animal como se ele fosse alguma espécie de milagre.

– Eu não sei – respondeu Harry, ainda maravilhado. – O que acha pai? Mãe?

O sorriso dela ainda estava lá. Congelado.

– Que tal Perigo?

Isso não abalou James. Na verdade, pareceu diverti-lo.

– Eu sugiro Veloz.

Foi preciso toda a disciplina mental que Lily possuía ser acionada para ela não rosnar.

– Que nomes horríveis! – reclamou Sirius. – Nenhum de vocês tem a menor imaginação. – A voz alta e cheia de galhofa do padrinho de Harry desviou a atenção da guerra silenciosa que começava entre os pais dele. – Esse cavalo merece um nome nobre, poderoso.

– Zeus – entoou George.

– Ares! – falou Fred. – Já pensou chamá-lo assim no campo de batalha? Os inimigos tremeriam.

– Ouro... – Ron deslizou a mão pelo dorso do animal. – Combina com ele.

Remus e Peter riam baixo das sugestões, enquanto Sirius se empolgava promovendo a votação.

– O que nos diz, Mione? – ele perguntou erguendo a voz e voltando o rosto para onde estavam as meninas.

– Bem, eu gosto de Lancelot...

– Mas esse já não é nome do seu cavalo? – comentou Ginny.

– É. E eu demorei semanas para achar um nome que eu realmente gostasse, então... Ah, me desculpe, Harry, mas sou péssima para escolher nomes. Ou gosto de muitos ou de nenhum.

Harry não pareceu se importar.

– E você, Ginny? – ele tomou a palavra de Sirius e perguntou. – Tem alguma sugestão?

A menina se sobressaltou ao ser consultada.

– Eu?

– É. O que acha? – insistiu Harry. – Que nome você daria a ele?

Meio sem jeito e muito corada, Ginny demorou um pouco para responder. Os olhos dela fugiram brevemente do cavalo para Harry.

Segredo – ela falou à meia voz, erguendo o ombro como que se desculpando.

Ron rolou os olhos.

– Se o Harry está pedindo uma sugestão não é para guardar segredo.

Segredo é o nome para o cavalo, imbecil – George deu um tapa na parte de trás da cabeça de Ron que, imediatamente, ficou da cor de uma beterraba e fechou os punhos. O gêmeo não lhe deu nenhuma atenção.

Harry olhou para o cavalo e de volta para Ginny.

– Eu gosto – disse pensativo. – Por que você pensou em Segredo?

Se é que isso era possível, a garota ficou ainda mais vermelha, parecendo uma fogueira acesa.

– Bem... é, porque é seu e... você é... Sabe? Tudo sobre você é... – a fala dela foi ficando difícil, mas Harry entendeu.

Tudo a respeito dele era um segredo, um mistério que ninguém ainda conseguira penetrar. Seus pais e amigos não sabiam por que ele havia sido marcado, por que ele era perseguido, por que alguém estranhamente poderoso como o bruxo chamado Voldemort queria a sua morte. E, se Dumbledore estivesse certo, nem mesmo Voldemort sabia exatamente o que deveria temer de Harry. Quem poderia culpá-lo por querer eliminar a ameaça antes de descobrir a sua razão? Talvez, Mistério fosse um nome igualmente adequado, mas havia esperança em Segredo, a esperança de que, em algum lugar, alguém tivesse a chave para que Harry pudesse descobrir exatamente quem ele era. Aquele cavalo grande, poderoso, estranho, parecia carregar em si tudo isso. Controlá-lo, talvez, desse a Harry a impressão de poder controlar o próprio destino e a possibilidade o alegrou inexplicavelmente. Ele deu um grande sorriso para Ginny.

Segredo é um nome perfeito. Obrigado, Ginny!

Foi engraçado vê-la tentar retornar o sorriso com o rosto queimando como estava. Contudo, escolher o nome foi bem simples se comparado à próxima etapa do presente: todos queriam montá-lo. E isso não era apenas um desejo dos garotos.

– NÃO! – rugiu Little John. – Nós o capturamos há pouco e eu não quero ninguém com o pescoço quebrado. Nem adianta Sirius! Nem você vai montá-lo. Só depois que eu terminar a doma. Ele só está calmo assim porque Sir James o enfeitiçou, então... Que parte de não você não compreendeu Fred Weasley? Quer que chame o seu pai aqui? – Fred deu um passo para trás e recolheu as mãos postadas para pular nas costas do cavalo. Little John lhe deu as costas e se virou para Harry. – Depois – falou frisando a palavra – eu vou ensiná-lo a conquistar a confiança do... Segredo, para que ele obedeça preferencialmente a você e derrube qualquer idiota que tente montá-lo – seu olhar sobre o ombro foi direto para Fred.

Harry assentiu enquanto o resto reclamava em altos brados. Ron resmungou baixinho que se fosse o Hagrid ali, insistiria para que todos montassem, até as meninas.

– Foi mesmo um azar ele ter saído no grupo de caça – reclamou próximo ao ouvido de Harry.

Hagrid havia partido há dois dias para caçar cervos e faisões que estariam na mesa do banquete de aniversário de Harry. Normalmente, essas caçadas eram acompanhadas pelo senhor do castelo, mas James considerara as lições de cavalaria de Harry mais importantes.

Ao fim de toda a discussão que se seguiu, só uma pessoa parecia realmente satisfeita com os cuidados de Little John: Lily. Mas ela não pode deixar de notar que James se mantivera extraordinariamente quieto enquanto os outros berravam com John. E ela também registrara o comentário sobre o tal feitiço calmante. Se aproximou dele, tentando manter a voz baixa e controlada.

– Podemos conversar?

James a encarou sem alterar a expressão.

– Desculpe Lily, mas eu quero mostrar ao Harry a baia que mandei fazer para o cavalo dele.

Ela segurou o arrepio raivoso que lhe correu a espinha ao tom de desafio dele. James não ia conseguir. Lily tinha decidido que não brigaria com ele ali. Não ia estragar o aniversário do filho, mas, principalmente, não ia dar a James a oportunidade de continuar a posar de melhor pai do mundo enquanto ela assumia o papel de megera.

– Mais tarde, então.

– Não sei, Lily. Acho que passarei o dia envolvido, você sabe, com as providências para a nossa festinha.

Os dentes de Lily rilharam uns nos outros. “Festinha” significava que ele não mandara anunciar na corte e não envolvera toda a Godric`s Hollow na comemoração; e ele só fizera isso porque ainda queria controlar o número de pessoas que sabia sobre Harry. Na verdade, o que limitara seu instinto para o “grandioso” fora o mesmo motivo que parecia obcecá-lo em ensinar a Harry feitiços e o manejo de armas. Ele só anunciaria ao mundo que seu filho estava de volta, quando tivesse certeza de que ele poderia minimamente se defender. Como ele podia proteger o filho por um lado e, pelo outro, presenteá-lo com algo tão perigoso quanto aquele maldito cavalo? Lily respirou fundo.

– Mais. Tarde. Então. – Ela murmurou entre os dentes.

James apenas curvou a cabeça, num arremedo de galanteio que, como sempre quando ele fazia disposto a provocá-la, dizia exatamente o contrário do que parecia.

– Como queira, Milady.

Depois, dando as costas para ela, ele chamou Harry e os dois saíram conduzindo o enorme animal em direção aos estábulos. Foram seguidos de perto por Little John, que agora passava uma enorme quantidade de recomendações para o garoto. Lily não conseguiu se mexer. Tinha certeza de que se movesse um músculo pularia no pescoço de James e apertaria até vê-lo sufocar. Arrogante! Idiota! Uma torrente de imprecações silenciosas rodou por sua mente enquanto ela focava as costas dele e o imaginava tropeçando e caindo de cara no chão. Foi a mão de Peter, pousando em seu ombro, que a arrancou daquelas imagens prazerosas.

– Não ligue, querida. Você sabe como o James é. Ninguém o controla quando ele tem um brinquedo novo. Logo ele vai cansar de mimar o Harry.

O homem sorriu para ela e se afastou com Remus em direção às muralhas. Os dois iam esperar por Marian, que deveria estar chegando. Sirius ficou para trás. Mais conformados por não montarem o cavalo naquela manhã, os gêmeos se reuniram a ele para planejarem os divertimentos do banquete de logo mais a noite. Ron, Hermione e Ginny ficaram um pouco perdidos por ali. Pareciam não saber se seguiam Harry ou o esperavam. Era muito raro vê-los separados agora.

As palavras de Peter ficaram rodando na cabeça de Lily. Ela já as tinha ouvido mais vezes do que poderia contar e, de alguma maneira, acabara por associá-las a James como a maior das verdades sobre ele. Ele sempre seria o menino mimado que se deslumbrava quando tinha um brinquedo novo. Não, ela não pensara sempre assim. Houve um tempo em que ela desconsiderou aquela idéia, achou-a mentirosa, falsa.

Lily ergueu o vestido e, com energia, seguiu para as cozinhas indo atrás de Molly Weasley e de algo que pudesse fazer ao invés de ficar parada vociferando mentalmente contra James Potter e lembrando. Ela ainda precisava decidir o que doía mais: lembrar das coisas boas com James ou das sombras que sempre acompanharam a sua vida com ele.





Em se tratando do castelo Potter, uma coisa era um fato: aquele não era um lugar dedicado à solidão. Era muito óbvio que James herdara o temperamento alegre e festivo do pai. Mesmo tendo perdido muito cedo a esposa a quem amava, Sir Charles mantinha sua casa em um estado quase permanente de festa. Reunira em torno de si não apenas cavaleiros, mas um grupo de jovens com a mesma disposição para lutas e divertimentos. James e Sirius eram os líderes, Peter estava sempre pronto a puxar o coro de gargalhadas às palhaçadas e ousadias dos dois, e Remus só não era mais enfático em seguir os amigos, porque nem sempre concordava com a idéia de diversão deles.

Além dos rapazes, Sir Charles gostava imensamente de ter perto de si as suas “filhas”. Era assim que ele chamava as suas duas protegidas: Autunm, a sobrinha órfã de sua esposa, a qual ele criava desde os treze anos e, claro, Lily.

Tornava-se mais difícil censurar James quando se conhecia Sir Charles e sua disposição para mimar aqueles a quem ele amava. Lily se viu rapidamente tomada pelo torvelinho de afetos e cuidados com que Sir Charles a assumiu. Uma viagem a Londres para comprar uma varinha fabricada pelo Sr. Olivaras, o melhor fabricante da Inglaterra e Escócia, segundo ele. Na mesma ocasião ele a presenteou com um baú repleto de roupas, com mais vestidos que ela achava que poderia usar em uma vida inteira. Deu-lhe também um cavalo espetacular e aulas de equitação. Uma preceptora, Minerva McGonagall, chamada especialmente para ajudar Lily a desenvolver todo o seu potencial em bruxaria. Além da própria Autunm, que se encarregou de ensiná-la a se comportar como uma dama deveria.

Lily mal lembrava de ter recebido tanto desvelo. Seus próprios pais só lhe tiveram cuidado até saberem de sua condição de bruxa, aí o medo deles superou o carinho. Assim, foi bem fácil se acostumar a tudo aquilo, a toda aquela alegria e mimos em torno dela. E, como se tudo isso não fosse o bastante, Lily ainda ganhara uma irmã, porque Autunm, desde o primeiro dia, nunca foi menos do que isso. Ela era tudo o que Lily sempre desejou que Petúnia tivesse sido para ela. E isso não tinha a ver com o fato de Autunm ser bruxa como Lily. Mas tinha a ver, especialmente, com a sua calma, paciência e abraços quando Lily inflamava, berrava ou ficava muito triste.

Além disso, as duas tinham um assunto em comum que as unia quase o tempo todo. Estavam completamente apaixonadas. Logo, nunca era possível que faltasse tema para conversa entre elas. Afinal, quando as garotas nada mais têm a falar, ainda resta falarem dos rapazes. De certo modo, porém, o fato de Autunm ser criada para ter tudo o que queria (ou quase tudo) a fazia muito mais tranqüila em relação ao seu amor do que Lily. Quando Remus deu mostras de achar não ser digno dela, Autunm conseguiu que Sir Charles praticamente “condenasse” um lisonjeado e satisfeito Remus a noivar com ela.

Era provavelmente este comportamento do Senhor do castelo que, por vezes, assustava Lily. Não foi preciso muito tempo para compreender que o alegre Sir Charles não negaria nada e também não pouparia esforços para satisfazer os caprichos de seus queridos. E, embora ele fosse bondoso com todos, o topo de sua lista era ocupado por seu filho James e por sua sobrinha Autunm. Não era difícil imaginar que, apesar de todas as promessas de liberdade, ele a obrigaria a se casar com James, caso ela resistisse a isso.

Autunm gargalhou quando Lily propôs a questão.

– Como você é boba, Lily. Você ama o James. Por que se preocupar se alguém a obrigaria a se casar com ele?

– Mesmo o amando, eu não quero me casar obrigada – Lily repetiu lentamente, como se assim Autunm pudesse compreender a importância que aquilo tinha para ela. A amiga suspirou.

– Então... você não quer se casar com o homem que ama?

– Não foi isso o que eu disse! – Lily protestou indignada.

– Oh! Então imagino que o problema seja o meu primo. Posso saber o que torna horrível a perspectiva de casar com um rapaz bonito, inteligente e que a ama? – ela franziu a testa. – Ah, você está realmente diante do inferno, minha querida.

– Autunm – reclamou Lily tentando não rir – você está distorcendo as minhas palavras.

– Certo, então se não é horrível se casar com James (por ser o James), o que você tem é um falso e tolo problema. O que importa como e por que você vai se casar, se é com alguém que ama? Tem idéia de que a quase totalidade das moças na nossa condição daria um braço e uma perna para serem obrigadas a casarem com o seu amor? – Ela parou no meio do argumento e deu um sorriso maldoso. Isso a tornava tão igual ao primo que era como ter James com longos cabelos louros sentado no banco de jardim em frente a ela. – Se bem que, nesse caso, sem um braço e uma perna a tal dama teria de rezar para que o cavaleiro amado “realmente” correspondesse aos seus sentimentos.

Lily revirou os olhos e as duas começaram a rir. Era difícil manter uma conversa séria por muito tempo no castelo Potter. Era como se... a atmosfera não fosse propícia a isso. E, provavelmente, logo as dúvidas de Lily sumiriam completamente. Afinal, ela rapidamente percebeu que, se era ruim a idéia de que alguém a obrigasse a se casar, muito pior seria se alguém lhe impedisse, por qualquer motivo, de se casar com James.

Mas, por mais que ela amasse o James que a conquistara, parecia que a imagem de menino mimado que ela tivera dele por muito tempo, sempre voltava para atormentá-la. Era como se Lily nunca pudesse saber qual era o James real. As palavras maldosas de Severus sobre ele se multiplicavam por uma dezena de vozes, sussurradas pelos cantos da casa do seu noivo. Não foi uma, nem duas vezes, mas várias, em que Lily surpreendeu as criadas com o mesmo tipo de conversa.

– Acha mesmo que esse casamento irá acontecer? – perguntou uma das lavadeiras à outra.

Nenhuma delas havia percebido Lily passeando pela beira do rio. Autunm fora cavalgar com Remus; James, Sirius e Peter estavam em uma lição de esgrima com Sir Charles.

– Bem, acho que vai acontecer, se ela conseguir manter a sua “virtude” até lá – respondeu a outra com um risinho. – Não que o menino não tente.

A outra acompanhou o deboche.

– É, mas eu acho que a essa altura Sir Charles não deixará o rapaz dar para trás. Seria uma vergonha para a casa. Mas vamos ver depois do casamento... quero ver quanto tempo dura todo esse entusiasmo.

– É, ele sempre acaba se cansando das coisas que tem. Isso nunca foi diferente para qualquer dos presentes que o pai lhe deu.

Lily se encolheu com a idéia de ser pensada como uma coisa que Sir Charles dera a James. Seus olhos se encheram de lágrimas indignadas.

– Ah, ela não pode reclamar, não é?Se levar em conta a vida que ela tinha para a vida que ela tem agora, então... Além do mais, quando o nosso pequeno lorde se cansar do seu novo brinquedo, ela ainda será uma lady.

– Bem, eu com certeza não reclamaria em ser casada com um jovem fogoso como ele.

A outra acompanhou o tom malicioso.

– Tem razão. E, sendo bruxa... ela sempre pode usar um pequeno “filtro” para reascender o fogo dele, não é?

Lily voou dali antes que a notassem. Contudo, as palavras continuaram a persegui-la dentro e fora da sua cabeça. Em outra ocasião, ela tinha surpreendido Peter repreendendo dois cavalariços por estarem fazendo comentários quase idênticos aos das lavadeiras. Mas, depois de tudo o que James fizera por ela, seria uma deslealdade se Lily não tentasse ignorar tudo aquilo. Afinal, que direito ela tinha de duvidar do amor dele? Mesmo se, ao invés de sussurradas, essas palavras chegassem até ela aos gritos?

Foi no dia do seu casamento. Lily admirava a si mesma, em seu vestido de sonho, no espelho de prata polida e vidro em seu quarto. Faltava pouco. Logo, Autunm viria chamá-la. Sua amiga se casara com Remus um mês antes e agora seria a sua dama de honra. Quando ela ouviu o barulho na porta teve certeza de que a hora tinha chegado. Se voltou para exibir para Autunm seu maior sorriso, mas, ao invés dela, Lily encontrou os olhos negros, opacos, e a expressão torturada de Severus Snape.

– Severus! – Ela correu na direção dele e o abraçou. Não imaginava como ele chegara até ali, mas estava contente. Não guardava nenhuma mágoa de seu irmão de coração.

Severus não retornou o abraço.

– Como entrou aqui? – ela se afastou e perguntou com um sorriso.

– Seu futuro marido não é tão bom bruxo assim.

Lily piscou umas duas vezes, ainda o segurando pelos braços.

– Você entrou escondido? Severus... não precisava. Você é meu convidado, meu irmão, pode vir aqui quando quiser.

Um músculo tremeu compulsivo sob o olho esquerdo dele.

– Você realmente superestima o Potter, não é?

– James não faria nada contra você, Severus. Não, se eu pedisse.

Ele riu amargamente, cheio de desdém.

– Você está ainda mais cega do que pensei, Lily.

O tom furioso a fez recuar. Lily ergueu o queixo, pôs as mãos na cintura e o desafiou.

– Cega?

– Não estou culpando você, Lily. Eu compreendo. Realmente. Depois de tudo o que você passou... – Severus se esforçou enormemente para sorrir para ela, compassivamente. – Quero dizer... olhe para você, olhe para esse quarto. Você merece tudo isso, essas coisas todas. É natural que você esteja encantada, que você ache que deve a ele e que deve se casar com ele...

– O QUÊ?

– Lily, isso não é nenhuma vergonha. Afinal, o Potter usou o poder do “papaizinho” dele para seduzi-la...

O sangue latejou nos ouvidos de Lily, seus punhos fecharam convulsivamente e ela começou a ofegar.

– Você acha que vou casar com James por causa... por causa...

Severus andou rápido até ela e tomou suas mãos nas dele.

– Lily, eu não estou julgando você. Eu entendo. Mas olhe, você não precisa fazer isso. Eu vou levá-la daqui e você não precisará nunca mais voltar para a casa da minha mãe. Claro que no início não será como é aqui, mas logo será. Eu tenho alguns amigos que se dispuseram a nos ajudar.

Lily arrancou as mãos das dele com um safanão. Os olhos verdes ficaram gelados, cheios de desprezo e nojo.

– Ouvi falar dos seus “amigos”. Não creio que eles queiram uma sangue-sujo como eu por perto.

– Não fale assim, Lily. Eles sabem o quanto você é talentosa. Eu disse a eles. Basta que você aprenda...

– Aprenda o quê?- ela rosnou. – A fazer magia negra?A perseguir gente inocente? É isso, Severus?

– Lily, escute...

– Eu já escutei o suficiente! – agora ela estava definitivamente berrando. – Não satisfeito em me insultar, você acredita que eu o seguiria para me tornar uma assassina da minha própria gente?

– Você não me entendeu, Lily.

– Eu entendi tudo o que você disse, Severus! – ela cuspiu as palavras. – E, acredite, mesmo que eu não amasse James como eu amo, eu não iria com você! Ah, você não acredita no quanto eu quis que todos estivessem errados a seu respeito. Que essa gente com quem você anda... que fosse tudo mentira!

– Lily, eu...

– Mas não – Lily continuou – você vem aqui e, como se não me conhecesse, me ofende, me destrata e me envergonha por certa vez tê-lo considerado como um irmão.

A cor, normalmente macilenta, do rosto de Severus assumiu um tom amarelado, cadavérico. Seus olhos negros afundaram no rosto e ele mal conseguiu balbuciar contra o ataque dela.

– Lily, por favor, eu...

– Eu não quero mais ouvir a sua voz, Snape. – Ele recuou ao ouvir Lily chamá-lo pelo sobrenome. – Já o desprezo o suficiente sem ter de ouvir você falar mais qualquer outra palavra. Faça o favor de se retirar ou eu serei obrigada a chamar James.

Severus parecia pregado no chão, em completo desespero. Depois, ele tentou dar um passo na direção dela, mas Lily recuou como se estivesse diante de algo repugnante. O rapaz se dobrou como se tivesse sido atingido fisicamente.

– Você ouviu a Lily, Snape – Autunm estava na porta com a varinha apontada firmemente, direto para a cabeça de Severus. – Vá embora!

– Lily... – ele tentou mais uma vez.

– Não estrague ainda mais o meu dia, Snape. Vá!

Autunm avançou pelo quarto.

– É melhor você aproveitar a sorte que teve até aqui, rapaz. Eu não quero que meu primo, meu marido e os amigos sujem as mãos com você no dia do casamento de James e Lily. Mas eu não vou impedi-los, nem lamentar se eles o fizerem quando o encontrarem aqui. Então, é melhor você ser rápido.

Os olhos dele miraram Autunm com ódio e depois se voltaram novamente para Lily. Mas não havia qualquer simpatia no rosto dela. Talvez por isso, ele não tenha se detido.

– Então é isso o que quer, Lily? Vai se amarrar eternamente a um homem que fatalmente vai se cansar de você? Está tão cega que quer fingir que não sabe como James Potter é? Sempre tendo tudo o que quis. Cada mínimo desejo tolo sendo satisfeito pelo pai complacente. Você é só mais um capricho dele. Uma coisa que ele quis e demorou para conseguir. Quanto tempo acha que a paixão dele vai durar depois que ele tiver você, hein? Apenas o suficiente até ele encontrar outra que o encante e que ele deseje.

O que finalmente o deteve não foi o fato de suas acusações terem terminado, mas Lily estar com a própria varinha quase colada ao seu rosto.

– Vou repetir isso só mais uma vez, Snape: Vá embora! Meu próximo aviso será gritar por James!

Um tremor passou por Severus e seus ombros caíram, derrotados. Então, finalmente ele deu as costas para Lily e saiu pela porta sem olhar para trás. Lily não voltou a vê-lo por muito tempo, embora sempre ouvisse histórias a seu respeito. Nunca eram boas histórias. Nenhuma delas lhe dava vontade de procurá-lo novamente.

Isso durou até o dia em que, sem saber em quem poderia confiar, Lily procurou por ele. E, para seu desespero, teve de admitir que ela, naquele momento, achava que ele tinha razão.



xxx ~ ~ ~ xxx



A baia que James mandara construir especialmente para o cavalo de Harry era mais alta e mais larga que a de qualquer um dos outros animais. Tanto espaço, porém, não pareceu deixar o animal mais feliz. Ele ainda estava um pouco zonzo com o feitiço calmante, mas já olhava para James, Little Jonh e Harry com um misto de raiva e mágoa. Não precisou de muito tempo ou explicações para Harry compreender que aquele era o tipo de animal que não gostava de ter a sua liberdade cerceada. Conquistá-lo seria tão difícil quanto domá-lo, ele tinha certeza sobre isso.

Little John tentou verificar as patas e foi rechaçado com grosseria por Segredo, o que obrigou James a segurá-lo rapidamente pelas rédeas.

– Acho que o feitiço está passando, Sir – comentou John.

– É. Mas se eu fizer outro ele vai ficar ainda mais indócil quando a carga passar.

– Talvez, devamos levar ele para correr um pouco – sugeriu Harry. – Eu já acalmei outros cavalos assim.

– Se você for acalmar um cavalo de fogo correndo com ele, estará na França para o almoço – lhe informou James.

– Deixem comigo!

Sirius entrava pela porta alta do estábulo, seguido por Ron, Hermione e Ginny. O garoto trazia um pesado balde de madeira em uma das mãos, enquanto as meninas dividiam o peso de outro.

– Já disse que não vai montá-lo, Sirius – rezingou Little John.

– Eu já entendi, Little. Já entendi. – O padrinho de Harry chegou bem perto e avaliou os olhos mal humorados do cavalo. O animal relinchou baixo, num aviso que não agüentaria mais gente na volta dele; depois, ele sacudiu a cabeça irritado, parecia realmente querer se livrar do feitiço calmante. Sirius retrocedeu e fez um sinal para que James, Harry e Little John fizessem o mesmo. – Meninas, adiante! – ele instou.

Hermione e Ginny se aproximaram. A menina menor ia um pouco à frente, enquanto Mione olhava cautelosa para o animal que tinha praticamente o dobro do seu tamanho.

– Sirius, eu não acho que... – duvidou James.

– Relaxa, irmão. Só assiste. Façam o que combinamos, pequenas ladys.

Hermione não parecia muito certa, mas trocou um sinal de cabeça com Ginny e as duas prosseguiram. Ron, que vinha um pouco mais atrás, largou o balde que carregava aos pés delas e se afastou. Ginny se aproximou cuidadosa, estendendo a mão em direção à cabeça de Segredo. O bicho sacudiu as orelhas e recuou um pouco.

– Devagar, Gin – alertou James. Harry o viu segurar a varinha com a mão direita e dar um olhar de aviso para Little John que preparou os braços para arrancá-la dali se fosse necessário. Instintivamente, Harry deu um passo na direção dela.

– Deixe-o sentir o seu cheiro, querida – instruiu Sirius.

Ginny continuou se aproximando, devagar, com o braço estendido. Hermione ia um pouco atrás e Ron tinha os olhos fixos nas duas, parecendo pronto para agir. Segredo ficou parado por um instante, respirou e depois, lentamente, relaxou. Os dedos de Ginny alcançaram sua testa e desceram suavemente pelo focinho. O cavalo fechou os olhos e suspirou, entregue. A atitude dele animou Hermione e logo ela estava junto com Ginny, as duas acariciando-o. O animal finalmente parecia satisfeito, chegando até a baixar a cabeça para facilitar os carinhos delas. Os homens trocaram sorrisos.

Hermione foi até o balde trazido por Ron e o levou para o cavalo. O líquido dourado balançou e um cheiro forte de whisky invadiu o ambiente. Segredo pareceu gostar muito disso. Ele inclinou a cabeça e começou a beber com avidez. Depois de grandes goles, ele esticou os olhos para o outro balde. Rapidamente Ginny o colocou perto dele e passou a lhe servir de cenouras. Em instantes, foi possível até para Harry e Ron, sob o comando de Sirius, se aproximarem e o tocarem.

– Como soube? – perguntou Harry, que junto com Ginny alimentava Segredo, enquanto Ron e Hermione se esticavam para escovar o pelo dourado e macio.

Sirius deu uma risada rouca que lembrava um latido de cachorro.

– Hum, animais mágicos não são muito diferentes dos homens. Quando eles ficam estressados, tudo o que você tem a fazer é lhes dar uma bebida, algo para comer e apresentar umas garotas bonitas. – James gargalhou com a lógica e as meninas coraram. – Viram? – ele apontou para Segredo. – Mais domado e gentil que um cordeirinho.

Harry riu junto com os outros.

– É por causa dessas idéias que você era a Peste? – perguntou. Ficara curioso em saber a explicação de porque o padrinho, entre os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, ficara com aquele apelido.

– Nãh – respondeu James. – As idéias dele em geral são boas, embora sejam loucas como ele. Quer saber o porquê do apelido? – havia divertimento em sua voz e Sirius rolou os olhos. – Você já viu como as garotas se comportam perto dele?

Harry lembrou das meninas na escola para jovens bruxas e assentiu.

– Isso não é um homem – completou James – é uma doença! Por isso, ele era a peste.

– Hum e foi por isso que você nunca se casou? – Harry continuou, mas a cara de Sirius lhe informou que sua curiosidade tinha ido um pouco além da conta.

– Não sou o único que ainda não casou – ele respondeu. – Peter também está por aí... rejeitado.

A tentativa de fazer piada falhou.

– Isso é verdade – comentou Hermione. – Eu nunca entendi como, depois de tantos anos na corte, Peter ainda consiga se manter solteiro.

– Bem, talvez, ele não tenha encontrado a pessoa certa – disse Ginny.

– É mais fácil ele não ter encontrado a bolsa certa – debochou Sirius. – Peter tem uma queda por herdeiras – ele explicou para Harry, mas não pareceu achar nisso nada de mal. – Contudo, nós, que somos seus amigos, temos a teoria de que ele tem um amor secreto – comentou com um tom solene de revelação.

As duas meninas reagiram imediatamente. Os olhos piscando rápido, cheios de curiosidade.

– Secreto? – assuntou Hermione. – Mas se ele não se declarou então... Oh! Vocês acham que ela é casada?

– Com certeza – afirmou James.

– Uau! – Ron fez uma careta. Houve um silêncio e, como se ele tivesse uma ligação com os pensamentos de Harry, ele se voltou para Sirius. – Esse também é o seu problema?

Sirius arqueou as sobrancelhas.

– Acha que se a mulher que eu quisesse fosse casada, ela não largaria o marido por mim?

– Sua confiança me dá náuseas, Sirius – resmungou Little John, que finalmente conseguira avaliar as patas do cavalo, agora muito mais preocupado em beber e comer da mão de Ginny.

– Eu sou um cara realista.

– Então, qual é o problema? – quis saber Harry.

Sirius não pareceu muito confortável em responder. Talvez, a garota o tivesse rejeitado e isso seria sem dúvida incômodo para ele admitir. Contudo, antes que ele falasse, James se intrometeu.

– O problema é que ele ainda não conseguiu “agarrá-la”.

– É uma questão de tempo – disse Sirius calmamente. – Eu tive algumas idéias a respeito.

James pareceu subitamente interessado e Harry percebeu que havia bem mais ali do que os dois estavam falando.

– Que tipo de idéias? – o pai do garoto perguntou.

– Do “meu” tipo de idéias. Aguarde. Eu irei buscá-la logo.

– Mas eu preciso de você aqui!

– Não seja egoísta, James. Estarei de volta antes que possa chamar Almofadinhas três vezes.

James não pareceu conformado. Encarou o amigo com os braços cruzados.

– Quando?

– Na primavera. O treinamento mais pesado do Harry já vai ter terminado e eu estarei de volta antes do aniversário dele.

– Eu posso saber do que vocês dois estão falando?

– No devido tempo, Mione. – Sirius retorquiu ainda encarando James. – Contarei tudo a vocês no devido tempo. – Ele se voltou para a garota e sorriu. – Acha que poderia me ajudar a convencer Molly a fazer uma festa de casamento para mim?

O queixo de Ron caiu.

– Casamento? Você? ‘Ta aí uma coisa que a minha mãe vai pagar para ver. Mas não a deixe conversar com a garota antes. Ela vai fazer a sua caveira.

– Sua mãe é um doce – ironizou Sirius, sob as risadinhas de Ginny e Hermione.

– Molly apenas te conhece bem – atacou Little John.

O divertimento em arreliar com Sirius terminou quando a corneta da vigia soou alto por sobre o castelo. O grupo não teve dúvidas de que a comitiva de Peter, que ficara para trás acompanhando a sua protegida, lady Marian, estava chegando. Em instantes todos estavam no pátio para recebê-los.

Uma grande quantidade de cavalos ricamente ornamentados entrara no pátio do castelo. Sobre eles, um grupo de vistosos cavaleiros e pelo menos duas mulheres. Harry achou a comitiva mais ostentatória do que intimidante. Em sua opinião, seu pai conseguia muito mais efeito em impor respeito com um número menor de homens e cavalos bem menos enfeitados. Porém, a julgar pela maneira como Peter costumava se vestir, sua comitiva apenas seguia o seu senhor.

O que impressionou Harry, de verdade, foi Marian. O garoto tinha certeza de jamais ter visto alguém como ela em toda a sua vida. Bastava por os olhos sobre ela para se ter a certeza de que se estava diante de uma dama. Bem entendido, não uma garota educada, mas uma dama de verdade. Daquelas que só existem nas histórias dos trovadores, talvez na corte, ou em alguma torre encantada prisioneira de uma bruxa má. Marian tinha longos cabelos de um louro avermelhado, um rosto miúdo e delicado, um sorriso todo gentileza que escondia os lábios finos demais, mas que parecia intensificar o brilho dos olhos azuis. Entretanto, era na sua postura, nos seus movimentos, que se podia realmente ver a grande dama que ela era. Harry calculou que lady Marian devia ter apenas uns dezessete anos e, ainda assim, a diferença entre ela e as outras mulheres com quem ele convivia era gritante.

Nem Lily, a quem Harry achava que as roupas e o comportamento de dama pareciam muito mais adequados que os hábitos de camponesa, se mostrava tão à vontade, tão correta, tão próxima daquilo que a palavra Senhora evocava. Hermione até que se esforçava, mas ela ainda não tinha a idade de se portar como uma Senhora e, definitivamente, as últimas semanas em que ela passara mais tempo em companhia de Harry, Ron e Ginny do que com seus amados livros, não tinham feito nenhum “bem” para ela. Ao menos não em termos de damisses, ele pensou. Ainda havia Ginny, mas Harry descartou a comparação. Além de ser muito criança, ela nem deixara ainda de se comportar quase como um moleque.

O escudeiro de Peter desceu do cavalo meio desajeitadamente e foi ajudar lady Marian a apear também. Ela sorriu delicadamente para ele e se apoiou com muita graça para chegar ao chão, depois estendeu os braços para que Peter viesse beijá-la e perguntar como foi a viagem. Foi só neste momento que Harry percebeu que ainda estava com a boca um pouco aberta. Ele fechou rapidamente e olhou para Ron, esperando que o amigo não o tivesse deixado parecer um idiota sozinho. Um viva para as reações do Ron! Os olhos do garoto estavam vidrados e o queixo dele colava no peito. Harry não teve tempo de ser um bom amigo e avisá-lo para se compor. Antes disso, Hermione o acertou com violência nas costelas, sibilando um: “controle-se, Ron! Parece até que é a primeira vez que ela vem aqui!”. O garoto imediatamente reagiu. Primeiro ficou roxo e a olhou com raiva, depois murmurou um pedido de desculpas. Assim que Hermione deu um passo à frente para cumprimentar a recém-chegada, ele trocou um olhar malicioso com Harry.

Mas era um deslumbramento sem esperança, Harry soube desde o primeiro instante. Uma moça como aquela jamais dispensaria dois olhares a garotos como ele e Ron. Foi engraçado perceber que Fred e George eram bem mais confiantes. Eles já haviam visto Marian outras vezes, então, estavam ali os dois, sorrisos idênticos, ramalhetes de flores recém colhidas, roupas de domingo e cabelos vermelhos luzindo, molhados, ao sol. Harry precisou apertar os lábios com firmeza ao ouvir Ginny se impressionar logo atrás dele.

– Minha Morgana das Fadas... eles tomaram banho?! Mamãe vai ter de pagar promessa hoje.

Os dois trocaram um olhar rápido e a muito custo conseguiram conter o riso. James fez um sinal para que Harry se aproximasse.

– Marian – ele chamou colocando a mão sobre o ombro do filho quando o garoto se aproximou – este é Harry. É o meu filho – anunciou com o peito estufado.

A jovem sorriu francamente e lhe estendeu a mão. Muito desajeitado (e se achando um pouco ridículo), Harry se inclinou e beijou a mão que ela oferecera, mas isso lhe pareceu imperioso em se tratando de uma garota como ela.

– É um imenso prazer conhecê-lo, Harry – ela falou com a voz clara.

– Meu também, Milady.

– Está é minha dama de companhia – ela apresentou uma senhora muito, mas muito, magra e enrugada, com os cabelos totalmente escondidos por um véu e com um olhar um pouco tolo, na impressão de Harry – Betsy.

O garoto cumprimentou-a com um aceno educado de cabeça.

– Ah, Sir James, ele é encantador – Marian continuava sorrindo, parecendo muito alegre com tudo. Nem parecia estar chegando de uma longa viagem. – Fico muito feliz que a sua família esteja reunida novamente. E muito mais feliz em estar aqui com vocês de novo. Eu sempre digo a Sir Peter que deveríamos vir mais.

– E deveriam – insistiu James.

– Você sabe que temos deveres na corte, minha querida – comentou Peter.

Ela fez um gesto de descaso com a mão.

– Aqui é muito mais divertido que a corte.

James pareceu deliciado com ela.

– Eu não tenho dúvidas sobre isso – respondeu risonho.

– É – concordou Peter diplomaticamente –, mas você sabe que sua madrinha, a rainha Leonor, exige a sua presença constantemente.

Marian deu um meio sorriso e assentiu. Foi nesse instante que a grande dama ruiu em frente dos olhos de Harry. Ninguém pareceu notar. Mas ele achou que foi bem óbvio. Marian parecia estar acostumada a fazer o que esperavam dela, era uma dama perfeita, do tipo que nunca discutia se podia evitar. Entretanto, só naquele gesto Harry pode apostar que havia muito mais ali dentro do que apenas uma jovem de altíssima educação. Algo nos olhos dela dizia isso. Sem saber bem porque, Harry a achou ainda mais interessante ao notar esse detalhe.

– Harry – Peter chamou sua atenção – este é meu escudeiro – havia orgulho de posse em sua voz – Neville Longbotton.

O rapaz de cabelos escuros e rosto redondo se aproximou timidamente e estendeu a mão para Harry. Os dois trocaram um aperto. Peter havia comentado sobre seu escudeiro na noite anterior e Harry tinha visto ali uma tentativa de convencer James a fazer o que mandava a tradição. Os filhos das famílias importantes eram geralmente enviados para outras casas senhoriais, para lá serem educados nas artes da cavalaria. A família Longbotton era antiga e respeitada e tinha terras no País de Gales, seu único filho, exatamente como mandava o costume, estava se formando cavaleiro na casa do Conde de Huntington. Foi Sirius quem argumentou que o caso de Harry era diferente, em razão das medidas de segurança em torno do garoto. Contudo, Peter disse que não haveria problema em achar alguém que pudesse realmente tomar conta de Harry e ainda seguir os ditames comuns na corte. Afinal, até mesmo os príncipes eram criados assim. James resmungou que não queria ouvir falar de seu filho sair de sob os seus olhos e isso encerrou a conversa.

Neville rapidamente ficou a vontade entre os garotos Weasley. Eles já se conheciam e o rapaz parecia se dar muito bem com todos, inclusive com as meninas. Também não pareceu se incomodar com as brincadeiras por vezes grosseiras dos gêmeos sobre suas (in)habilidades como escudeiro. Marian seguiu para dentro junto com os adultos para se refrescar e descansar. Fred e George fizeram tudo para não a perderem de vista pelo resto do dia. E conseguiram ou, pelo menos, se mantiveram tão perto quanto Molly e Peter permitiram.

A tarde que se seguiu passou rápido enquanto Harry assimilava os seus novos conhecidos. Era difícil não gostar de Neville. O rapaz era exatamente aquilo que se pensava dele à primeira vista. Era atrapalhado, esquecido, desajeitado e tinha um jeito franco e gentil que tornava impossível não simpatizar com ele. Isso era bem diferente de Marian. Não que ele deixasse de simpatizar com ela, de forma alguma. Apenas... ela era bem mais instigante que Neville e a isso, claro, se somava o fato de ela ser uma garota. Porém, tudo nela era tão perfeito que era difícil não ver ali anos de estudo e contenção. Isso não chegava a torná-la falsa ou enganadora, apenas... levemente misteriosa. Harry desejou saber como ela seria se não estivesse representando a grande dama que todos esperavam de uma afilhada da rainha.

No fim da tarde, ele conseguiu trocar essas impressões apenas com Ron. Os dois estavam sozinhos na baia de Segredo, agradando o cavalo com todos os vegetais que haviam conseguido surrupiar da cozinha. As meninas já haviam se retirado para se arrumarem para o seu banquete de aniversário.

– Você notou tudo isso? – ele perguntou.

– Você não?

– Bem, agora que você disse...

– Ela veio aqui muitas vezes antes?

– Não muitas. Mas das primeiras...

– O quê?

– Ela estava muito triste. A morte do pai e tudo mais. Depois houve o caso com o tal garoto.

– Garoto?

– É. – Ron olhou para os lados e baixou a voz. – Eu ouvi Peter reclamar que ela tinha um amigo de infância e que o pai dela havia proibido os dois de se encontrarem. Peter disse que não tinha nada contra o garoto, mas que era diferente para as pessoas comuns, que eles realmente não gostavam de se misturar. Bem, ela é afilhada da rainha e o tal cara, pelo visto, era um Zé Ninguém. Peter manteve a proibição do pai dela e a levou para a rainha quando ela insistiu em vê-lo.

– Insistiu?

– Parece que ela tentou fugir de casa.

– E você ainda acha que ela não está apenas representando a grande dama? – questionou Harry com ironia.

– É. Você tem razão – Ron concordou.

– O que aconteceu com ela e o tal garoto?

– Eu não sei. Uma vez ouvi Peter dizer que o tal, além de ser um plebeu, era um criminoso e estava sendo procurado por assassinato. – Harry arregalou os olhos. – É isso aí! – Ron sacudiu a cabeça seriamente. – Depois que ele falou isso, seu pai e Sirius pararam de incomodá-lo por não ter sido mais liberal.

– Uau! Que história!

– É. – Ron pensou um pouco. – Acha que Peter vai deixar que ela dê alguma atenção para... Fred ou George?

Harry achou que talvez a pergunta não se referisse exatamente ao Fred e ao George. Ele quase teve pena de Ron, mas não expressou isso.

– Não sei. Você acha que ela lhes daria atenção? Ela é mais velha.

– Só uns... um ano – ele disse baixinho.

– É, mas Peter disse que a quer casada com um nobre muito rico... Como tal cara que a está cortejando, o tal Guismore. Quero dizer, ele tem de cumprir os desejos do pai dela, não é?

– É... é meio sem esperança mesmo. Talvez... – ele olhou para Harry – não seja impossível para você. Quero dizer... você é rico e tudo mais.

O tom de Ron irritou Harry um pouco.

– É. Ela só faltou me dar tapinhas na cabeça e apertar as minhas bochechas. Imagino que eu tenha muita chance mesmo.

Ron pareceu mais conformado ao ouvir isso. Logo, porém, os dois tiveram de entrar para se lavarem e vestirem. Não antes, claro, que Molly aparecesse e os buscasse pelas orelhas.

A noite já havia descido quando Harry entrou finalmente no grande salão. Quase todos os convidados e residentes já estavam ali, sorridentes e bem vestidos, esperando por ele. O garoto ajustou a gola das ricas vestes bordô escuras que a Sra. Weasley deixara estendidas sobre sua cama, e avançou para receber os cumprimentos. Para sua surpresa, recebeu também presentes. Um livro sobre raças de cavalos mágicos de Hermione. Ele não sabia ler muito bem ainda e tampouco sabia latim, mas ela lhe garantiu que logo ele poderia ler e em outras línguas também. Os Weasley lhe deram uma bela manta para cobrir seu novo cavalo e um jogo de arreios para treinamento. Sirius o presenteou com uma armadura de treino e garantiu que lhe daria uma completa logo que ele pudesse usar uma. Remus lhe entregou um cordão de prata com uma medalha, na qual estava gravado o brasão da família Potter. Harry agradeceu este presente bastante emocionado. Peter e Marian lhe deram uma caixa em forma de cofre, toda ornamentada com pedras preciosas. E Hagrid e Little Jonh, que viera acompanhado pela mulher, Maude, lhe entregaram uma impressionante saca de couro para viagens. Hagrid lhe deu uma piscadela marota e disse que a saca era útil para grandes volumes. O destaque que ele deu à palavra grande deixou claro para Harry que aquele era um presente mágico.

Só faltava uma pessoa na sala e Harry estava recebendo seu último presente quando ela entrou. Foi o silêncio de Sirius e Remus que lhe avisou, mas foi o rosto quase transtornado do pai que garantiu a Harry que Lily tinha acabado de chegar. Ele se voltou para vê-la e, imediatamente, compreendeu a reação de James. Uma coisa é saber que você tem uma mãe bonita, outra é vê-la apagar cada mulher da sala mesmo sorrindo timidamente como ela sorria.

– Desculpem o atraso – balbuciou Lily.

Remus se inclinou até o ouvido de Harry e sussurrou.

– Faça as honras e vá recebê-la.

O garoto assentiu. Enquanto caminhava ele ia registrando os detalhes. Ela, com certeza, tinha se empenhado em ficar tão bonita. O vestido azul tinha o tom perfeito para destacar os longos cabelos ruivo-escuros e, de forma alguma, apagava ou brigava com seus olhos intensamente verdes. Lily sorriu quando o filho lhe estendeu o braço e a encaminhou para o salão. Após os cumprimentos e os vários elogios que ela recebeu de todos, menos de um James estático, Harry levou-a para ver seus presentes.

– São maravilhosos – ela disse olhando a medalha prateada no seu peito. – Desculpe não poder te dar um presente, querido.

– Eu nunca pedi nenhum presente a você, mãe. – Ele disse sinceramente. – Sabe que o que importa é ter você por perto, não é?

Lily o abraçou rápido, com os olhos brilhando, mas não disse nada.

O banquete foi algo como Harry jamais tinha visto. Os elfos do castelo tinham ido muito além do que era possível imaginar e a caçada de Hagrid abarrotava a mesa de tal maneira, que era difícil imaginar como esta ainda continuava em pé. Talvez, fosse por mágica. Harry olhou a corsa assada inteira, os três javalis, os cinco faisões, os dois cisnes e as várias codornas arrumados artisticamente com frutas e legumes coloridos. Isso sem falar nos pães, embutidos, terrinas de molhos e de manteiga, pratos abarrotados de frutas frescas e assadas no mel. Sim, só por mágica aquela mesa se mantinha em pé, com certeza.

Jarras de vinho e hidromel circulavam ininterruptamente. E também havia da boa cerveja de Dumbledore. Ele enviara dois barris e um pedido de desculpas por não ter podido comparecer. Garantiu que viria ao castelo na próxima semana, junto com Madame McGonagall, para acertarem as aulas que seriam ministradas aos jovens bruxos dali.

Logo, o grupo foi ficando mais descontraído e alegre. As vozes se tornando progressivamente mais altas. A música – que vinham de um grupo de instrumentos solitários que tocavam sem auxílio de mão humanas a um canto – precisou aumentar o volume para continuar sendo ouvida. O riso só estava ausente em um canto da mesa. O que James estava sentado. O pai de Harry não abandonara mais a expressão atormentada e mesmo que ele não olhasse Lily com freqüência, era possível ver o quão consciente ele estava da presença dela, pois a cada movimento novo que ela fazia, lá estava um piscar rápido da parte dele e uma nova taça cheia em sua mão.

Num dado momento, Remus passou a retirar sistematicamente as taças da frente dele, mas elas sempre reapareciam. Quando, até Sirius começou a esvaziar as taças de James com movimentos de varinha, Harry achou que talvez devesse fazer alguma coisa.

Não era possível que aquilo continuasse daquele jeito. James já confessara que ainda amava Lily e, por Deus, era de uma obviedade transparente que ele estava sofrendo por não estar perto dela como queria. Por outro lado, Harry conhecia Lily. Talvez, a conhecesse melhor do que ninguém. É claro que ela não tinha gostado do presente que James dera a Harry. Com certeza, ela passara o dia todo se cuidando para não brigar com ele e não estragar o aniversário do filho. Porém, Harry apostava todos os presentes que tinha ganhado que ela se arrumara daquele jeito para o marido ver. Mesmo que ela não admitisse isso, nem sob tortura. Contudo, depois de treze anos vendo-a se esconder, fazer tudo para passar despercebida, Harry tinha certeza que aquele “espetáculo” era para uma audiência bem específica.

Isto o fez tomar a decisão de agir. E iria fazê-lo enquanto James ainda parecia razoavelmente sóbrio. Levantou da mesa e chamou Hermione para um canto da sala. Ninguém prestou muita atenção, exceto Ron, que ficou olhando os dois sobre as cabeças de todo mundo. Harry não levou muito tempo para explicar a ela o plano.

– Ah Harry, eu não sei...

– Eu assumo tudo, Mione. Mas eu preciso da sua ajuda. Por favor...

Ela deu um profundo suspiro.

– Certo. Mas Harry... há uma coisa que você precisa saber – disse esfregando as mãos em frente ao corpo. – Eu lembro de como o James estava quando eu cheguei aqui. E acredite, ele era de assustar. Sua mãe o deixou realmente no chão... Eu sei, eu sei, não precisa me olhar desse jeito. Eu entendo. Também acho que ela foi enganada. O que eu quero dizer Harry é que... com eles, as coisas podem ser um pouco mais complicadas do que parecem a você.

– Certo – ele concordou apressado. – Mas você vai me ajudar, não vai?

– Claro. Se conseguirmos alguma coisa já será... Eu vou ajudar, sim.

Harry lhe deu um sorriso e um rápido beijo na bochecha.

– Obrigado.

Não foi difícil para Harry convencer o pai a dar uma volta. Sirius e Remus também insistiram que ele precisava de um pouco de ar. Os dois saíram para a imensa sacada que se projetava sobre o rio. A brisa fresca tinha algo de perfumado, bem próprio de noites de verão como aquela. O barulho do rio à volta deles era suave e parecia não estar disposto a brigar nem com os sons dos sapos e grilos, nem com a música e as conversas lá dentro. Harry sabia bem para onde queria levar James, mas para isso precisava que ele andasse sem perceber muito onde estava indo. Resolveu que o melhor era distraí-lo. Displicentemente o pegou pelo braço, guiando-o enquanto perguntava.

– Ainda estou curioso sobre os apelidos de vocês.

James pareceu levar um instante para saber do que ele estava falando.

– Mas nós explicamos – disse, um pouco enrolado. Então, ele respirou fundo, ajustando a voz. – Os quatro cavaleiros do Apocalipse. Você viu o Peter comendo, então sabe porque ele é a fome e...

– Ah esses eu entendi. Estou falando dos outros. – James parou, deu lhe um meio sorriso e ergueu a sobrancelha. – Estou falando dos nomes pelos quais vi vocês se chamarem – continuou Harry e o sorriso de James aumentou. – Você chamou Remus de Aluado, hoje de manhã Sirius falou em Almofadinhas e eu o ouvi chamar de Pontas no outro dia. Tenho certeza de que o Peter também tem um nome desses.

– Rabicho – informou James em voz baixa.

Harry fez com que ele continuasse a andar. Os dois se afastavam das escadas que desciam para a margem do rio e contornavam a parede leste do castelo. A sacada ia além das portas do grande salão, outras portas e janelas grandes também se abriam para o terraço que se estendia sobre a água.

– Certo. E o que significam?

– Hum, acho que isso é mais fácil de mostrar do que explicar.

– Por quê?

– Você ainda não conhece todas as possibilidades da magia, filho. Algumas são... bem, mais interessantes quando podemos vê-las com nossos próprios olhos.

– Você vai me mostrar?

James riu e deu um tapinha no seu ombro, aproveitando para se apoiar um pouco.

– É claro! Mas é melhor que os caras estejam junto comigo. Se não, não terá nenhuma graça.

– Agora? – Harry temeu, podia esperar, tinha outros planos para o pai naquele momento.

– Não – respondeu James com uma careta e Harry respirou aliviado. – É melhor fazer isso na floresta. Iremos até lá amanhã. Só você, eu e os rapazes, certo? Aí nós mostraremos. Vai ser melhor. – James parou e se encostou na balaustrada, para a felicidade de Harry, exatamente no ponto que ele queria que o pai ficasse. – Acho que hoje eu passei um pouco da conta, é melhor evitar coisas grandes...

– Você está... er, muito ruim?

– Não. – James riu. – Acredite, eu seguro bem mais do que isso. – Ele fez uma longa pausa olhando para o rio. – Ainda estou pensando... isto, em geral, significa que estou longe de ter bebido o suficiente para o que eu preciso.

Naquele momento, as portas atrás dos dois – que davam para a sala de audiências de James – abriram. Hermione apareceu falando rápido sobre alguma coisa que envolvia as novas aulas, Lily vinha logo atrás dela. Os dois perceberam a armadilha no mesmo instante. Lily lançou um olhar traído para Hermione e depois para Harry. James não tirou os olhos de Lily por um longo tempo, depois, também mirou o filho e a irmã. Nenhum dos dois parecia satisfeito.

– Eu... – balbuciou Hermione – me desculpem, eu...

– Fui eu – disse Harry. Ele respirou fundo antes de falar. – Por favor, tudo o que estou pedindo é que conversem. Com calma – frisou. – Só... conversem. – Ele se virou para o pai e falou bem baixo para que Lily não o ouvisse. – Por favor... Você sabe que quer perdoá-la. Só... tente.

James não reagiu. A imobilidade dele não deu muitas esperanças para Harry, mas, pelo menos, o pai não havia saído correndo dali. Então, o garoto foi até a mãe. Ela parecia prestes a pegá-lo por uma orelha e passar-lhe uma carraspana. Harry desarmou-a erguendo-se um pouco e lhe dando um beijo no rosto.

– Só conversar com calma – ele disse. Lily negou brevemente com a cabeça. – Por favor, mãe - suplicou. – Meu presente de aniversário.

Isso foi o suficiente para que ela também não saísse correndo dali. Harry aproveitou o instante e, tomando Hermione pela mão, se afastou o mais rápido possível.


XXX _________XXX_________XXX

N/B: *balançada* - ah, Sally Maria! Isto é hora para terminar? Misericórdia de mim, Anam! Não dá para ser “neste” aniversário? Por favor? Por favor? ;D – Ok, eu assumo que perdi qualquer pose de beta e aqui fala só o coração da fã! EU ME DIVERTI MUITO NESTE CAPÍTULO!!! – Cada um deles apaixona e nos cativa , de sua própria maneira, e este foi leve, empolgante, compassado... cintilante! – Certo, você não esperava por esta, mais é a palavra que me vem! É claro que as lembranças com o Snape incomodaram, e a tristeza da Marion me fez chamar “Robin!” fervorosamente, entretanto... Cintilante! =D – O Neville chegou, querido e saudoso amigo!!! E, também... *pausa para um sorriso mais que satisfeito* O Sirius está indo em busca de seu amor, e isto fez meu coração cantar! – Minha amada Sally, FANTÁSTICO! Cada dose de romance, (problemáticos , ainda misteriosos ou apenas nascendo), cada lance de humor, (chorei de rir com a Ginny e os gêmeos), cada sementinha de ventania que você jogou, como quem não quer nada, no ar calmo! ... FANTÁSTICO!!!! – Aplaudindo muito, te mando mil beijos neste coração talentoso! – Até o próximo, Anam! Te admiro sempre! – BRAVO! =D

N/A:
Eu não sei se começo pelos agradecimentos ou pelas explicações. Mas vamos lá.

Sobre o capítulo anterior:
A Clara e a Kelly lembraram de um desenho chamado Cavalo de Fogo, mas eu não olhava este na infância. Quem matou a charada foi o Thiago. Sim, eu tirei a idéia do cavalo de fogo de um filme que passava na Sessão da Tarde chamado Krull (de 1983). Amava aquele filme. Tinha um herói maravilhoso e uma princesa ruiva muito bonita. Quem quiser ver ou lembrar, digite o nome do filme no Youtube, tem o trailler e vídeos lá.

Romances: todos terão a sua vez, hehe. Gente, o Harry está fazendo 14 e a Ginny ainda têm 12, claro que os saltos no tempo darão conta disso, então é só esperar. Por agora teremos James e Lily e logo Sirius e... wow... vcs vão amá-la!!!

Sobre este capítulo: Não deixem de olhar o álbum que vou postar no perfil da Sally no orkut e no multiply. A Sô Prates desenhou a Lily com a roupa da festa. Vcs poderão ver em primeira mão pq o pobre James ficou sem fala, hehe

Ahhhh a nova e maravilhosa capa foi um presente da Guida Potter. Eu confesso que fiquei arrepiada por ela usar a frase e tb pelo detalhe das sombras dos Marotos. Isso tem tudo a ver com o próximo capítulo, mas para aqui para não dar muito spoiler. Obrigada, minha amiga!

Por fim, gente, eu não tenho como expressar minha felicidade pelo apoio de vocês à minha história original. Tanto por vocês serem pacientes com os capítulos da Floresta, quanto pelo incentivo. Eu realmente conto com vocês para lê-la, criticá-la e, se gostarem, divulgá-la. Tão logo, ela tome um corpo mais significativo, vou contar algumas coisas para vocês, certo?

E, muito, mas muito obrigada mesmo por todos os comentários. Desculpem eu responder tão rapidamente, mas ser rápida, me permite postar mais rápido.


Clara (inha), Bernardo Cardoso (saudade grande), Guida Potter (sim, vou explicar mais tarde sobre o Conde de Huntington, expliquei a Peste, não? E querida, muito, mas muito obrigada, mesmo!), Tonks & Lupin, Maionese, Pedro Henrique Freitas (infelizmente, não poderei responder às suas perguntas, hehe), Belzinha (ainda estou devendo às músicas, Bel, mas é que ainda estou sem o meu PC “grande” =(, hehe tb estou amando o James), Alessandra Amorim (valeu, amiga!), Charlotte Ravenclaw, Sô (obrigada por tudo, às duas), Hellzita, Bruna Perazolo (valeu pela força, amiga!), Mirella Silveira, Thiago Florêncio (yes, Thiago!! O filme se chamava Krull, eu amava, especialmente a parte dos cavalos), Regina McGonagall (acho que vc deve ter gostado dele ainda mais nesse capítulo, não? Bj querida!), Rodrigo Salvador (hihi, seus comentário sempre me fazem rir =D, obrigada), Drika Granger (amada, seu comentário me emocionou, espero que seu coração já esteja mais em paz agora, de um jeito ou de outro. Eu entendi perfeitamente e vc não sabe o quanto, pois estávamos passando pela mesma coisa, no nosso caso, já finalizou. Quanto aos romances, sim, eu privilegiei a Lily e o James agora, mas vcs não perdem para esperar os outros. H/G e R/H são ainda muito jovens, mas suas histórias também serão lindas quando chegar o momento. Pode esperar.), Henrique Malfoy (se eu disser que fiquei me perguntando onde vc andava e se tinha desistido de mim, vc acredita? =D Que bom que eu estava errada. Bj, querido), Ginny Potter, Fadinha Ruiva, Naty L. Potter (sobre o feitiço-mata casa: parte é real, parte invenção minha – eu enfeitei um pouco, rsrs), Nath Evans, Rah Franklin (História? Que legal! Mais um, hehe!!), Patrícia Ribeiro, Andressa J., Bruna Britti (EEEhhhhh vc voltou!! Hei!! Eu quero ver as fotos, viu? Preciso de inspiração. Que bom saber que vc se divertiu =D. Sobre o msn, assim que o PC voltar a vida, eu te adiciono, certo? Bj).


Valeu mesmo pessoal.
Beijo estalado na bochecha e até o próximo.
Sally

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