A garota acordou no dia seguinte com o corpo ainda doendo, e sua cabeça latejava de forma frenética. Quando abriu os olhos, percebeu estar sozinha no dormitório.
Ela trocou seu pijama e foi para a Sala Comunal, igualmente vazia.
Ela se sentou no sofá e ficou apenas admirando o fogo que queimava na lareira. Realmente, estava muito frio, e Manda abraçou seus braços em resultado disto.
Depois de alguns minutos, apenas observando a cor do fogo e apreciando sua temperatura, alguns passos vinham de forma rápida de fora da sala.
Abriram a porta muitas crianças e adolescentes, afim de largar os materiais e ir para o almoço.
Alguns passaram por Manda e sorriram.... Será que eles não sabiam da marca que ela tinha no braço?
- Bom dia – disse Lily, se sentando ao lado de Manda – A Rosa já deve estar subindo.
Dito e feito, logo que a ruiva saiu do sofá para ir almoçar com as amigas, Rosa apareceu na sala.
- Manda – disse ela, jogando os materiais em uma poltrona – Como você está?
- Com dores. – e sorriu.
A boca de Rosa se fez em um sorriso torto.
- Vamos comer?
- Pode ser.
- Vou no dormitório largar os materiais. Tenho que te contar algumas coisas.
E Manda apenas viu aqueles longos cabelos cacheados se sumirem na escadaria para o dormitório feminino.
- Manda... – sussurrou alguém, a porta.
Manda virou o rosto e o moreno estava ali. Agora sua mochila no chão e seu rosto tenso, ela podia ver que ele não havia dormido direito (devido às olheiras).
Manda sorriu para ele, e ele correu ao seu encontro.
Quando se sentou ao lado dela, ele colocou as mãos em seus braços, ombros e pescoço. Verificando se tudo estava bem.
- Estou bem – afirmou ela.
- Tem certeza? Eu fiquei muito preocupado, fiquei pensando nisso enquanto fazia as provas finais... – Tiago parecia atordoado e com medo ao mesmo tempo.
- Ah Tiago – disse Rosa, chegando perto dos dois – Ótimo você estar aqui, precisamos contar tudo a Manda.
- Tudo? – perguntou ela, se arrumando no sofá.
- É que ontem à noite – começou a explicação, Rosa. Se sentando no sofá.- O Tiago foi atrás dos nossos pais, depois que eles deixaram todos nós aqui na Sala Comunal, com a Capa da Invisibilidade. E escutou a conversa que eles tiveram com o Ministro.
Manda respirou fundo.
- Conta – pediu ela, nervosa.
- Os dementadores alegaram terem sentido uma magia muito poderosa, porem negra, vindo aqui da escola. E por isso quase te atacaram.
- Como assim? – perguntou Manda, lutando contra a resposta que já sabia.
- A magia era sua – disse Tiago, tenso.
Manda suspirou.
- Porque? – e sua voz falhou.
- Acho que é por isso – disse Rosa, apontando para o braço da amiga.
Ela sabia que Manda e Tiago estavam curiosos para por os olhos na tatuagem. Ela resolveu levantar a manga da blusa para mostrar para os amigos o que tanto temia.
- Me falem. O que é isso? Porque seus pais os impediram de falar?
Rosa e Tiago se entreolharam, de forma rápida.
- Isso é uma Marca Negra. – disse Tiago, com o olhar profundo – Os seguidores de Voldemort a tinham no braço. E para chamar ele a usavam.
- Não, nada haver – disse Manda, cortando o pensamento de Rosa. – Mas... É estranho. E se meu pai fosse um Comensal?
- Não sei. Mas você tem desde quando ela? – perguntou Rosa.
- Desde que eu nasci.
Rosa suspirou e olhou para o lado.
- Podíamos interrogar Minerva ou o seu pai! – disse ela, para Tiago.
- Podemos tentar.
- Tenho que falar com a Minerva! Ela vai ter que me falar quem é meu pai!
Os três almoçaram em silencio. Os olhares de Manda para a mesa dos professores fora algo que fora muito constante, até que Rosa tomou atitude para falar com a amiga sobre o assunto, novamente.
- O pai de Escórpio, tem isso também. – e Manda se virou para a amiga – O avô dele era um ex-comensal... E ele foi obrigado a ser um.
Manda engoliu a comida ainda mal mastigada, causando um pouco de irritação na garganta. Ela tossiu um pouco e virou-se para a mesa da Sonserina. Procurou Alvo e Escórpio com o olhar, e logo encontrou.
Como era o pai de Escórpio? Como era a Marca dele?
- Ele vai para casa no natal? – perguntou Manda, se virando para a sua mesa de volta.
- Sim – respondeu Rosa. – Porque?
- Quero ver o pai dele.
Manda continuou seu almoço.
Quando o Grande Salão estava mais vazio, Manda foi até a mesa dos professores para falar com Minerva. Ao perceber que Manda se aproximava, Minerva se levantou para se retirar do Grande Salão, mas fora impedida mesmo assim pela garota.
- Diretora. – disse Manda.
- Sim – disse Minerva, sem parar de caminhar.
- A senhora poderia me responder umas perguntas? – perguntou Manda, acelerando o passo para alcançar a diretora.
- Hoje não Manda – e a cada instante a diretora parecia acelerar o passo.
- Porque a senhora me evita? – perguntou Manda, parando de caminhar.
Minerva parou. Ficou pensativa por instantes e depois se virou para Manda.
- Não lhe evito.
- Estava me evitando a minutos atrás. E a todas as vezes que lhe pergunto sobre quem foi meu pai. Quero o nome dele, nome e sobrenome. Quero ser chamada pelo meu sobrenome quando os professores ficarem zangados comigo.
- Ok senhorita. – e ela respirou fundo - Vamos ter essa conversa depois o natal.
- Ótimo – respondeu Manda, a altura.
- Boas férias senhorita Manda. – e a diretora saiu.
- Conseguiu falar com ela? – perguntou Rosa, chegando perto de Manda.
- Ela continua a me evitar.
Aquela semana todos estavam demasiados preocupados com as provas, e Manda permaneceu quase todo o tempo lendo revistas de ofertas bruxas, para saber o que comprar para os amigos. Mandou corujas para todas as lojas fazendo os pedidos, e mandava a hora e a data que era para ser entregue, assim, marcando sempre me horários que os amigos estivessem fazendo provas.
Ela havia comprado um livro para o tio. E revelou muitas fotos dela com os amigos para mandar para o tio, assim, ele saberia que ela estava bem. Com o pacote em mãos e a carta endereçada para o senhor Harvalys, Manda caminhava na direção do corujal, quando uma voz fria gritou seu nome:
- Manda!
E ela parou no começo das escadas da grande torre, que no topo, tinha a quantidade imensa de corujas amontoadas lá no topo.
- Queria falar com você – e ele tirou os fios de cabelo loiro do rosto.
- Ok. Mas fique claro que se você me irritar eu vou ficar brava. – e ela continuou a subir as escadas – Eu não respondo por meus atos. Posso queimar sua capa ou talvez te jogar lá de cima.
Escórpio riu.
Depois de uns cinco degraus, ela percebeu que ele estava querendo realmente conversar.
- Meu pai iria gostar de você.
- Porque?
- Ele tem um jeito parecido com o seu. Eu tento ser igual a ele, para o meu avô se orgulhar, ele sempre disse que se eu fosse igual o meu pai e ter um pouco mais de coragem, ai eu seria o orgulho da família. – e ele suspirou. – Meu pai sempre me fala para ser eu mesmo.
Manda apertou os lábios.
- Não adianta você querer agradar os outros. É impossível agradar todos, é melhor você querer agradar quem realmente gosta.
- E estou tentando, ao máximo.
- É a Rosa não é? – perguntou Manda, parando.
Ela estava alguns degraus à frente do loiro, e esperou ele alcançar ela.
- A família do pai dela não gostava muito da família do meu pai no tempo de escola. Eu queria namorar sério com ela, mas não sei se isso vai ser possível por causa dessa rivalidade.
- Você já contou ao seu pai? – perguntou Manda, apertando a carta contra os dedos.
- Vou contar no natal. Mas minha mãe já sabe.
- Sabe? – e Manda sorriu.
- Ela disse, esse ano na Plataforma 9 ¾ , que eu olhava para ela diferente.
- Ela odeia o que você faz com seus amigos da Sonserina. – disse Manda, se referindo a Rosa.
- Eu também odeio – confessou ele. – Odeio ser o garoto que todos odeiam. Quero mudar essa imagem.
- E está conseguindo. Agora eu consigo até olhar para você e não desejar arrancar sua cabeça.
Escórpio parou. Quando Manda se virou para ele, ele encarava Manda com um certo pânico.
- Estou brincando. – e os dois riram.
Depois de mais alguns minutos subindo a enorme escada, Manda iniciou o assunto que queria saber melhor.
- Sabe a Marca Negra?
Escórpio não respondeu, mas Manda percebeu que sua respiração mudou.
- Seu pai...
- Sim, ele tem – respondeu o loiro, com uma profunda tristeza nos olhos.
Manda sabia que tinha cutucado em uma ferida, e não precisou falar mais nada para o garoto continuar com o assunto.
- Você sabe o quanto isso é ruim? É horrível. Eu e a minha família somos olhados sempre com desprezo e horror. Como se fossemos monstros.
Manda apertou os lábios, e continuou a subir com o “amigo”.
- Mas... Eu vi que você tem uma. Mas, isso é impossível. Faz anos que o Voldemort caiu, e isso aconteceu, pelos meus cálculos, anos antes de você nascer.
Manda confirmou com a cabeça.
- Mais um mistério sobre mim. – e ela suspirou. – Gostaria de saber como essa marca funcionava e tudo mais.
- Podíamos marcar um dia, nas férias, para você e todos os outros irem lá para casa. Não é o lugar mais feliz e mais bonito do mundo, mas é legal. O meu pai conta que depois que a mamãe começou a tomar conta da Mansão, ela alegrou muito mais, e agora ela até parece ter vida.
Manda percebeu que o garoto tinha orgulho em falar dos pais.
- Ela é uma mulher incrível. – e ele apertou os dedos. – Meu pai também. Admiro muito a coragem, dele, de ter sido um Comensal só para não destruírem a família dele.
- Seu pai parece ser uma pessoa muito boa.
- Acho que sou parecido com ele. Não fui à pessoa mais educada do mundo até meus 11 anos. Ficava muito tempo com meus avós, e meu avô não é o homem mais educado do mundo. Se ele souber que estou namorando uma garota que não é sangue-puro, ele pira. – e o garoto riu.
- Você gosta mesmo da Rosa?
- É bom falar sobre ela. Eu sabia que ela era diferente, desde que ela entrou na nossa primeira aula juntos. Eu me aproximei de Alvo por causa dela, e depois ele se tornou meu amigo. E ela, a minha namorada.
Manda riu.
- Ela é uma pessoa muito boa. Ela é doce e pura.
- É, você a ama. – concluiu Rosa.
Os dois haviam chegado no topo da torre.
- Acho que não vou te jogar daqui, hoje.
Ambos riram, e foram mandar a carta e o presente do tio de Manda.