- Mais pessoas de olhos vermelhos? – perguntou Rosa, se levantando do sofá.
A Sala Comunal estava vazia, exceto por Manda e seus amigos.
- Preciso visitar a biblioteca amanhã. Vou revirar ela toda atrás de respostas – disse Rosa.
Manda sorriu.
- Obrigada. – disse a morena.
Rosa sorriu para a amiga.
- Bem, aonde havíamos parado mesmo? – perguntou Rosa.
Os garotos agora estavam iniciando uma partida de xadrez.
Lily bocejou.
- Acho que vou dormir – disse ela, se espreguiçando.
- Boa noite Lily. – disseram Rosa e Manda.
A garota foi se recolher.
- Eu tenho que terminar aqueles livros. Deixei o do terceiro ano pela metade e tenho mais dois – disse Manda, sobre os livros de resumo dos anos de Hogwarts.
- Amanhã eu acho melhor você ir a biblioteca então. Podíamos fazer igual aquela vez, eu lhe deixar lá de manhã e te pegar depois.
- Ótimo.
Para falar a verdade, Manda estava ansiosa em reencontrar seu “amigo misterioso”.
- Vou indo dormir – disse Rosa, bocejando. – Boa noite. – informou ela.
- Boa noite.
E assim foi com Hugo, que logo foram se deitar.
Manda foi até a janela do dormitório e ficou observando a vasta floresta que ia aos arredores de Hogwarts.
- Boa noite – ela escutou Tiago dizer.
Manda também se recolheria e foi até o sofá buscar sua capa.
- Eu... – começou Tiago, e Manda levantou o olhar – Eu não sei se lhe informaram. Mas os pais de Tifanny, que trabalham no Ministério, foram transferidos de Londres para a Espanha.
- Ah... – suspirou Manda. – Que ótimo – confessou ela, com a voz risonha.
Manda e Tiago se entregaram ao riso.
- Eu fiquei muito preocupado Manda – disse Tiago, parando de rir e encarando Manda.
Manda controlou o riso e ficou séria recebendo o olhar de Tiago.
- Cla-claro – começou ele, depois dos dois sustentarem um olhar firme e encantador – Todos ficamos.
- Entendo. – e ela começou a caminhar na direção da escada, que estava logo atrás de Tiago. – Boa noite. – disse Manda, beijando a bochecha de Tiago e corando.
Ela não deu oportunidade, e nem tempo, de Tiago perceber que ela estava envergonhada, em conseqüência de ela ter aumentado os passos até a escada.
Ela pode escutar um sussurrar de “Boa Noite” vindo de Tiago.
No dia seguinte, Manda e Rosa iam em direção a biblioteca, quando o professor Horácio alcançou as duas.
- Olá – disse ele, ofegante. – Estava atrás de vocês.
- Olá professor – cumprimentou Rosa.
- Olá – disse ele, pela segunda vez. – Gostaria de informar que vou oferecer um jantar em meus aposentos essa noite, em comemoração a recuperação de Manda. E em conseqüência, não quero que falte Manda. É em sua homenagem.
Manda engoliu seco.
- Muito obrigada – comentou ela, muito baixo.
- Ah o que é isso. A escola inteira ficou preocupada, claro, a Minerva entrou em estado de choque. Os pais da garota Tifanny foram transferidos do Ministério, obvio que em conseqüência do que havia acontecido com você – Manda não piscou. Já Rosa, parecia atordoada em ver o professor deixar “escapulir” tudo aquilo. – Minerva estava tão assustada com o que tinha acontecido que teve que marcar inúmeras reuniões com o Ministério, até entrar em um acordo e ver que não poderíamos a deixar brava. – e ele se referiu a Manda.
- Ah sim professor – comentou Manda, como se aquilo fosse normal. – A fumaça não é?
- É sim. Ninguém sabe muito bem o que significa. – e ele parecia agora ter se tocado do que fizera. – Oito horas, na minha sala! Vou enviar convites até a hora do almoço – e saiu na direção que viera.
Rosa e Manda se encararam por alguns minutos.
- Então os pais da Tifanny foram transferidos por causa de você? – perguntou Rosa.
- Porque Minerva não quer me ver com raiva? – E Manda suspirou. – Eu acho que precisamos começar uma pesquisa a fundo sobre as pessoas que já tiveram esses olhos.
As duas suspiraram.
- Melhor irmos, você precisa ler muito ainda.
Chegando a biblioteca, as garotas foram até a prateleira daquele mesmo dia e pegaram os livros que faltavam. Como as duas chegaram com tempo de sobra, e não precisaram perder tempo com Madame Pince procurando os livros, Manda e Rosa ficaram lendo juntas por alguns minutos. As duas haviam combinado em não falar sobre o professor Horácio na biblioteca, já que a fofoqueira Madame Pince poderia abrir o bico de urubu.
Manda conseguiu terminar o livro da terceira série, e já estava na página 200 do livro da quarta série quando a sineta tocou e Rosa partiu para a aula de Herbologia.
Manda olhou inúmeras vezes para os lados, atrás do seu “amigo”. Ela estava quase desistindo quando abriu o ultimo livro, o da quinta série. A garota estava quase na metade, e o relógio informava que era 11 e meia da manhã, e a barriga da Manda fez um barulho estrondoso.
- Fome? – alguém perguntou, e um prato com biscoitos se projetou na frente de Manda.
Manda virou para trás. O garoto estava ali, com o mesmo penteado, roupa, postura, olhar e expressões. Ele caminhou em direção a Manda.
- Pode comer – disse ele.
Manda se serviu de um biscoito, e ele parou do seu lado.
- Qual é seu nome? – perguntou ela, engolindo o ultimo farelo do biscoito.
- Pode me chamar de amigo! – e ele sorriu sem mostrar os dentes.
Ela suspirou. Ele parecia familiar, parecia que já se conheciam e entendiam-se pelo olhar. Apenas ficaram se olhando por algum tempo...
- Em que ano está? – perguntou ela, agora mirando o livro.
- Não vamos entrar em detalhes – pediu ele. – O importante é que quando você precisar, eu vou estar aqui.
Manda voltou a encarar ele.
- Não estou precisando de você.
O garoto apontou com a cabeça os biscoitos.
- É... – grunhiu ela.
- Não pude me conter – disse ele, indo até a prateleira e passando o dedo em alguns livros. – Mas escutei a sua conversa com o professor Horácio.
Manda gelou.
- Ele é um completo idiota – comentou o “amigo”, mesmo Manda descordando, um pouquinho. – Ele chama todos os “especiais e diferentes” para o grupo de Slugue. Perceba! São os espertos, bem dotados, bonitos, famoso ou... com uma história oculta. – e ele se virou para Manda.
Manda o encarou.
- E com a garota dos olhos vermelhos não seria diferente. – o olhar dele pareceu meio diabólico. Ele ficou encarando alguns instantes o além, e depois piscou os olhos algumas vezes e voltou ao comum.
- Não lhe achei na mesa da Sonserina nenhum dia. – comentou Manda.
- Não gosto de me misturar.
Manda voltou a atenção para o livro. Ela leu algumas páginas, e o garoto permaneceu ali. Depois de terminar o livro, ela percebeu que ele se encontrava no mesmo lugar, Manda começou a empilhar os livros que tinha lido.
- Manda, não é? – perguntou ele.
Manda não se moveu.
- Já se perguntou o significado do seu nome?
- Não – disse ela, voltando a se sentar e agora apanhando um pergaminho e uma pena para desenhar.
O garoto ficou a observar Manda. Manda começou a realizar um desenho que não sabia porque havia começado. Como se uma força mais forte a guiasse, o desenho foi se formando.
- Deusa do Oculto – informou ele, perto do ouvido de Manda. – Já se perguntou o que há de oculto dentro de você?
Manda pareceu acordar do transe e agora encarava o desenho com um certo pavor.
A sala que ela entrava em seus pesadelos, que tinha a voz aguda e fria, estava desenhada a sua frente.
Uma porta antiga e com desenhos na madeira da porta, havia ferro em torno da porta. Manda percebeu que ela havia desenhado fumaça em vindo do cômodo que a porta protegia. A tinta era preta, mas ela sabia que aquela fumaça representava a mesma fumaça que saiu de sua pele naquela tarde.
A respiração da morena ficou rápida.
- O que voc... – e ele não estava mais ali.
Manda levou a mão na extremidade do coração e respirava de forma frenética.
- Manda! – disse alguém chegando perto dela. – O que houve agora? – perguntou Rosa, preocupada.
Ela olhou para o desenho.
- O que é isso? – perguntou a castanha.
- É uma das portas escondidas em um andar de baixo das masmorras – disse Tiago, apanhando e encarando o desenho. – Claro, é apenas uma lenda. Sabe, que possa existir um outro subsolo em Hogwarts. Existe mais sobre esse subsolo em alguns livros antigos de Hogwarts, e que estão na Sessão Reservada. O mapa do maroto não mostra e não há nenhuma pessoa que conseguiu chegar lá.... Pelo menos não voltou para contar uma história.
Rosa voltou a olhar para Manda.
- Como isso aconteceu?
Naquela tarde, todos eles ficaram a imaginar o porque Manda teria desenhado isso. E chagaram a conclusão que iriam pesquisar mais sobre aquilo, e Rosa se responsabilizou de começar a pesquisa sobre quem havia tido os mesmos olhos vermelhos de Manda. À noite, Manda e Rosa estavam começando a se preparar para o jantar do professor Horácio.
- Eu já te disse Rosa, não gosto de roupas de manga curta – disse Manda, com medo de mostrar o que tinha no braço.
- Ok. Então pode colocar aquele meu sapato – disse ela, indicando um sapato de salto baixo em cima da cama dela.
Manda estava de calça jeans, camisa de manga comprida preta, casaco preto e agora tinha nos pés um sapato de salto pequeno.
- Posso arrumar seu cabelo? – pediu Rosa
- Claro – disse Manda.
Rosa fez na amiga uma trança e envolveu um laço vermelho na ponta, deixando delicado o penteado.
- Maquiagem? – perguntou Rosa, quando terminou.
Manda encarou o rosto da amiga, porque ela estava se arrumando tanto? Talvez Escórpio estaria lá? Manda sorriu para Rosa.
- Não, obrigada. Acho que estou muito assim.
Rosa riu.
Tiago estava em mais uma das festinhas do professor Horácio. Muitas pessoas estavam ali, e todas conversavam e interagiam de forma descontraída. Tiago estava em uma roda de apanhadores de quadribol de cada casa. Todos discutiam a informação que o quadribol se iniciaria depois do Natal (que deixou muitos alunos bravos e indignados). O motivo para isso? A professora e arbitra de quadribol havia tido uma contusão no joelho e estava no St Mungus.
Mas Tiago apenas sorria para os outros garotos presente, ele apertava o copo de leve. Acompanhou todo o gelo derreter no copo, tentando passar o tempo.
Ele suspirou baixinho.
Todas as pessoas idiotas e sem sal que o professor sempre convidava estava ali, porque eles não jantavam logo e depois iam embora?
A música era baixinha, e era apenas a melodia de uma canção.
Os olhos de Tiago caminharam todo o tapete brega da sala de festas do professor, e chegaram até a porta. Dois pés entravam na sala, como se aquilo fosse algo sem utilidade, Tiago levantou o olhar muito de vagar.
Quando os olhos dele se chocaram com os olhos vermelhos da garota, ele suspirou mais uma vez naquela noite. Fixando apenas nos olhos dela, ele pareceu entrar em um mar de sensações. Seu corpo se arrepiou um pouco quando ela passou um fio de cabelo, que havia caído da trança, para trás da orelha. Manda pareceu estar um pouco rosada depois da olhada de Tiago, algo que era incrível pois sua pele era extremamente branca, pálida e quase sem vida.
Rosa estava ao lado dela e a guiava até pelo braço.
- Você não me disse que o Tiago estaria aqui! – comentou ela a Rosa.
- O professor adora pessoas importantes...Ele não deixaria de convidar os apanhadores das casas e alguns jogadores ilustres.
Ambas riram.
- Quem faltava... – disse o professor. – Manda... E Rosa! – ele sorriu, entusiasmado e com um copo de hidromel na mão.
Durante a janta na longa mesa, o professor estava um pouco vermelho e ria para si mesmo, e algumas vezes soltava soluçinhos.
Depois de longos minutos de janta, sobremesa e histórias um tanto enjoativas. Logo depois de todos saírem da mesa, o professor os guiou até uma sala e ligou a música um pouco mais alto. Rosa estava apertando a barra do vestido quando isso aconteceu.
- O que houve? – perguntou Manda.
- Foi aqui que eu conheci ele – disse ela, suspirando um lamento.
Manda correu os olhos em todos os convidados da festinha. Ela encontrou a cabeleira loira de Malfoy, e entendeu o que Rosa começara a falar.
- Ele sempre vem falar comigo aqui. – e ela apertou os lábios, voltando a sorrir para a amiga.
- Eu mataria ele, por ficar te menosprezando na frente dos amigos da Sonserina.
Rosa sorriu um pouquinho.
- Olá – cumprimentou Tiago, chegando perto das duas (que riram). – Desculpem por não ter vindo pra cá antes, estava no meio de uma empolgante conversa sobre a garota mais bonita da festa. – E Tiago revirou os olhos.
- Garotos – suspirou Rosa ao falar, com um olhar bem mais alegre.
- Eles estavam comentando que Manda está deslumbrante essa noite! – disse Tiago, encarando o copo e olhando de forma rápida para Manda.
Rosa deu uma cutucada com o ombro na amiga.
Manda apenas ficou sem jeito.
- Foi eles, ou você que comentou isso? – perguntou Rosa, a Tiago.
Manda estava olhando para o aparelho que saia o som nesse momento, e Rosa provavelmente pensou que ela estava com o pensamento distante.
- Shit! – disse Tiago, com censura.
Alguém havia chegado perto dos três, e tossiu um pouquinho para ganhar atenção.
Manda virou seu rosto de forma rápida, e encontrou um rosto também pálido. A cor da pele de Malfoy era muito branca perto da dos colegas, mas mesmo assim parecia muito corada perto há de Manda.
- Poderia me dar a honra... – pediu Escórpio a Rosa, quando a música havia começado e alguns casais dançavam.
Rosa respirou de forma frenética.
- Só te cuida para ele não te ignorar na frente dos outros Rosa! – comentou Manda, de forma um pouco alta e bem clara.
Escórpio lançou um olhar desafiador a Manda, e ela retribuiu tanto quanto.
- Eu não faço isso! – disse ele, bravo.
- Então eu sou alucinada ou coisa qualquer – comentou Manda,levando um copo aos lábios e sabendo que não falaria mais nada dali para frente.
- Você é um besta! – disse Rosa, jogando o resto de cerveja amanteigada na roupa de Malfoy e saindo correndo.
Malfoy revirou os olhos e pos alguns instantes pareceu não saber o que fazer!
- Vai atrás dela! – aconselhou Tiago. – Ou quer perder ela mais uma vez?
O loiro saiu correndo na mesma direção de Rosa, e gritou algumas vezes o nome da castanha.
- Ela vai ficar bem... – informou Tiago, antes de Manda conseguir falar.
Manda e Tiago ficaram olhando para o lugar de aonde os dois vieram por alguns instantes e logo “acordaram” quando um garoto, que também deveria ser apanhador de alguma casa, chegou perto de Manda.
- Quer dançar comigo? – pediu ele.
Manda encarou a mão do garoto por alguns instantes e logo olhou para ele, engolindo seco.
- Ah...
- Ela ia dançar comigo! – disse Tiago, puxando Manda pela cintura e a levando até a pista improvisada.
Os dois iniciaram aquela dança tensos, Manda não sabia os passos direitos e foi levada por Tiago por grande parte da dança.
- Quantos garotos dessa festa não morreriam por estar dançando com a garota mais linda da festa....– comentou Tiago, tentando puxar assunto.
- Alguns. Mas nada que o mundo não consiga repor.
Os dois riram um para o outro, e dançaram até o fim da festa.