- Ahhh! – gritou Manda, acordando e sentando na cama de forma brusca. O que resultou em uma dor de cabeça.
Manda levou as mãos à cabeça, e apertou de leve o cabelo. Parecia ter sido despertada de anos de sono profundo.
- Manda? – gritou no mesmo entusiasmo que Manda.
Rosa se jogou nos braços da amiga, e Manda percebeu que a amiga estava com os olhos inchados.
- Você desmaiou... – disse Rosa, tentado conter as lágrimas. – Você estava fria, e com o corpo todo sem vida...
Rosa abraçou a amiga de novo.
Tiago, Lily, Alvo e Hugo se levantaram de algumas cadeiras e Lily foi abraçar Manda com a mesma expressão de Rosa.
- Que alivio. – sussurrou Alvo.
Manda levantou o olhar até os garotos enquanto abraçava as amigas, ela percebeu que os olhos de Tiago estavam vermelhos e inchados. Ele apertou os lábios tentando projetar um sorriso.
- Porque isso aconteceu? – perguntou Manda a todos ali, quando Rosa e Lily conseguiram finalmente conterão as lágrimas e o tremor.
- Não sabemos. Os médicos do Sr Mungus estiveram aqui ontem...
- Ontem? – perguntou Manda, se virando para Rosa.
- Você está dormindo há duas semanas – e ela deu um soluço de leve.
Manda encarou cada rosto dos amigos, todos tinham profundas olheiras e pareciam cansados. A morena encarou o relógio que tinha em cima da sua mesinha, ele informava que era três horas da tarde.
- Domingo? – perguntou Manda, respirando fundo.
- Sim. – respondeu Hugo.
Um silêncio de alguns instantes se formou, mas Lily tratou de falar.
- O caso saiu até no Profeta Diário. – disse ela, pegando de cima da mesinha do lado da cama de Manda um jornal.
Manda pegou o jornal e começou a ler, tinha uma foto de Manda caminhando pelos corredores, provavelmente tirara por algum aluno da escola, e uma manchete que dizia:
ALUNA ESTÁ EM COMA NA ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS HÁ MAIS DE UMA SEMANA.
- Não descobrimos quem mandou a foto para o jornal... – comentou Rosa.
- Queriam te transferir para o St Mungus, mas a Minerva não deixou! – disse Alvo.
- Porque? – perguntou Manda.
- Não sei. Mas ela teve de bater pé até com o Ministro da Magia.
Manda sentiu que aquele assunto deveria ser estudado com mais cautela...
- Preciso contar algumas coisas para vocês! – e Manda passou a mão nos cabelos.
- Shhit! – pediu Tiago. – Tem alguém vindo.
E ele escondeu o mapa dentro das vestes.Madame Pomfrey, os aurores Ronald e Harry, Minerva e o professor Horácio entraram na Sala de forma frenética e seus olhares estavam preocupadíssimos.
- Por Merlin! – disse o professor Horácio, passando um lencinho na testa.
- Graças a toda a magia do mundo – disse Madame Pomfrey.
- Como você está? – perguntou Minerva, se aproximando da cama da garota.
Harry e Ronald se aproximaram dos adolescentes, e Harry abraçou Tiago, que parecia desolado, cansado e ao mesmo tempo aliviado.
- Bem. O que aconteceu comigo? – perguntou ela, olhando para todos.
- Ninguém sabe. – disse Ronald.
Manda encarou Ronald e Harry, que pareciam muito próximos de Rosa, Hugo, Lily, Tiago e Alvo. Mas não pode fazer nenhuma pergunta, o professor Horácio começou a falar (sobre algo chato).
- Quando fiquei sabendo do seu desmaio, cancelei o jantar do grupo de Slugue....
- Não é o momento professor Horácio – disse Minerva, com censura na voz. – Você vai ficar aqui até...
- Não! – protestou Manda. – Estou bem, posso sair da Ala Hospitalar. Tenho que estudar, o meu teste pode ser a qualquer dia e tenho que estar preparada. – e ela tentou se levantar.
Minerva levou a mão no ombro da garota.
- Você se sente melhor mesmo?
- Como nunca estive! – respondeu Manda, ríspida.
- Ok.
- Como? – protestou Harry.
- Ela não pode estar cem por cento! – disse Madame Promfrey.
- Basta! – disse a diretora. – Madame Pomfrey, de a ela uma vitamina. Acho que se ela precisa repor as energias, e nada melhor do que caminhar com os colegas. Harry e Ronald – disse a diretora, se virando para eles. – Acho que já podem voltar para o Ministério.
- Eles estavam aqui porque eu desmaiei? – perguntou Manda, com o tom de voz alterado.
- Calma Manda... – pediu Rosa, com um olhar de quem também não entendera o motivo dos aurores estarem ali.
- Não Rosa! Eu quero explicações! – gritou ela.
Como se Manda não estivesse ali, Minerva e os aurores partiram na direção da porta.
- EU FALO COM COBRAS! – gritou Manda, desesperada e seus olhos já estavam preenchidos com lágrimas enormes.
Harry e Ronald olharam para trás de forma rápida, e Minerva fez uma volta demorada.
- EU AS ESCUTO, EU MANDO NELAS E ELAS ME OBEDECEM! – e a garota agarrou os cabelos como forma de protesto, olhando para os pés na cama.
Manda escutou um gritinho abafado de Rosa, Lily e Madame Pomfrey. Minerva, Harry e Ronald permaneceram no mesmo lugar.
- Então foi por isso que você perguntou ao Hadrig... – disse Rosa, em um sussurro.
- SIM! – e Manda parecia descontrolada – EU TENHO MEDO DO QUE EU SOU E DO QUE EU POSSO FAZER!
As mãos da garota encontraram os olhos, e ela chorou de forma desesperada e descontrolada. Manda escutou alguém se aproximar, e essa pessoa a abraçou. Ela sentiu o cheiro de Tiago e pode perceber que ele estava muito mais calmo do que ela.
- Manda.. – sussurrou Rosa. – Porque...
- Porque eu tinha medo – disse Manda, apertando a blusa de Tiago e se apertando mais em seu abraço.
- No meu escritório... – disse Minerva, um tanto rude. – Daqui uma hora senhorita Manda. E a propósito, aprecio muito um lugar cheio de livros aqui da escola mesmo.
Manda balançou a cabeça positivamente. Harry e Ronald, que pareciam um tanto abalados com a noticia, seguiram a diretora.
- Toma! – disse Alvo, entregando um copo com água para Manda.
Manda tomou a água, enquanto seus amigos se acomodavam nas cadeiras. Rosa, Lily e Hugo pareciam um tanto perplexos. Alvo parecia sereno. Tiago estava calmo.
- Desculpem – pediu Manda, encarando o copo e depois olhando para os amigos. – Não vou mais esconder nada de vocês...
- Não se sinta forçada! – disse Alvo.
Manda respirou fundo.
- Quero começar falando sobre o Chapéu Seletor.
Silencio.
- Ele disse quais qualidades minhas eram admiradas para cada casa, Corvinal, Lufa-Lufa e Grifinória. Todos do Salão escutaram! Mas... – e o olhar de Manda ficou vago – Quando ele chegou na Sonserina... Ele falou algo sobre o meu sangue. Sobre que o meu sangue me condenaria a tal casa. E pior que isso, ele disse que eu não poderia ir para a Sonserina. E foi quando eu senti o baque em minha cabeça e desmaiei... FOI O CHAPEU QUE ME FEZ DESMAIAR! – e ela acordou de seu “transe”.
Todos se entreolharam.
- Isso é estranho – disse Hugo.
- Muito! – confirmou Rosa, um pouco em pânico.
- Porque ele não quis te colocar na Sonserina? – se perguntou Tiago.
- Depois disso o chapéu começou a se desmontar na minha cabeça... Como se ele estivesse descontrolado... E tem mais! – disse ela, impedindo Rosa de se pronunciar! – Quando eu acordei aqui na Ala Hospitalar o Chapéu Seletor estava falando com a Minerva e disse que eu tinha que ir par a Grifinória por causa que era o oposto da Sonserina. E eu lembro dele ter falado que eu não podia chegar perto da Sonserina.
Quando ela terminou todos os seus amigos olhavam de forma espantada para Manda.
- Por Merlin – sussurrou Rosa. – Porque o Chapéu falou isso?
- Não sei... Mas a Minerva me deve explicações!
Uma hora mais tarde, depois de ter tomado as vitaminas e sopa rala da Madame Pomfrey, Manda foi levada até a frente do escritório da diretora por Tiago.
- Vou te esperar aqui, em baixo da capa! – informou ele.
- Obrigada – disse ela, chegando a frente de uma gárgula.
- Tem que falar uma senha – uma voz disse, e ela sabia que era Tiago.
Ela pensou no que a professora havia falado.. Um lugar que tinha livros na escola...
- Biblioteca – disse ela com uma voz duvidosa.
A gárgula girou, revelando uma escada que descia de um segundo andar. Manda começou a subir a escada, e a gárgula voltou a girar. Depois da escada, havia uma porta, que estava entreaberta e um risco de luz vinha de dentro da porta.
- Minerva! Encare esse problema, a parte dele está começando a falar mais alto. E se nós, contarmos?
- Não! – protestou a diretora.
Manda bateu na porta de forma educada e todos se calaram.
- Entre! – pediu a diretora, com a voz mais serena.
Manda obedeceu o que a diretora falara, e entrou na sala. Uma sala de forma circular, com muitos livros e com quadros dos ex diretores de Hogwarts estava ali. Um quadro chamou a atenção de Manda, realmente. Ele olhou de forma intrigante para a garota, e seus olhos eram tão profundos quanto os dela.
- Severo Snape – leu ela, apenas mexendo os lábios.
- O homem mais corajoso que já conheci – comentou Harry, chegando perto de Manda, que tinha o olhar fixo ao quadro.
Manda sorriu para o auror e logo foi até a mesa da professora.
- Se sente – pediu a diretora.
Manda cedeu o pedido da diretora mais uma vez.
- Manda, sobre você fal...
- Não! – protestou ela, e a professora se calou. – Ninguém aqui tem que fazer perguntas a não ser eu!
A professora respirou fundo.
- Porque isso? Porque eu falo com elas? Herança? Então me digam, quem foi o meu pai! Por favor, eu preciso saber! Ele também falava com elas? Ele tinha olhos vermelhos? – e a voz da garota se alterou um pouco. – ELE TINHA ISSO? – e ela puxou a manga da blusa, revelando uma tatuagem da cor preta em sua pele clara e sensível.
A professora apenas levantou um pouco da sobrancelha e Manda escutou um gruninho vindo de Ronald.
- Você mostrou isso a alguém? – perguntou Minerva.
- Não... – sussurrou ela, escondendo a marca.
- Não mostre – pediu a professora. – Isso é como a herança de você falar com as cobras, não é bem vinda pela sociedade bruxa.
- E porque eu tenho essa herança? – perguntou Manda, com os olhos cheios de lágrimas. – Porque os olhos? Eu não quero ser assim, eu quero ser normal e não colocar medo nas pessoas quando eu me saio bem na aula de Poções ou na aula de Defesa Contra a Arte das Trevas.
- Manda... – disse a professora, com cautela em suas palavras – Você não está aqui nem a um mês. Ou você acha que o nosso amigo – disse, apontando para Harry – Foi bem aceito no começo?
Manda entendeu que a professora não queria falar sobre os descendentes da aluna, mas percebeu que também queria a confortar sobre o assunto de não ser bem aceita.
- Você já deve ter escutado alguma coisa a respeito dele...
- Os garotos me contaram – informou ela, agora olhando para Harry.
- Ser diferente não é fácil Manda. Você vai ter que passar todos os dias por... podemos dizer, provas, para mostrar o quanto você pode ser diferente e uma pessoa pura! Eu acredito que você é uma ótima aluna em Poções ou Defesa Contra a Arte das Trevas! Os professores Horácio e Ralphs conversaram muito comigo, dizendo que se você for tão bem no teste como você foi nas aulas, colocariam você direto no sétimo ou sexto ano!
Manda sorriu por dentro. Era realmente boa em alguma coisa.
- E por favor... – pediu a professora, com piedade nos olhos. – Se alguma coisa diferente estiver ocorrendo... Qualquer coisa... Me fale!
Ela contorceu os dedos e trocou as pernas de posição.
- Bem... – disse a diretora, se rendendo e vendo que Manda não iria se abrir. – Harry Potter também é o ofidioglota! Por motivos mais complicados do que herança, mas também é!
Manda voltou a olhar o auror.
- Como você pode ver, vocês tem muitas coisas em comum!
Manda sorriu para o auror, e ele retribuiu.
- Entendeu bem o que estou lhe pedindo Manda? Se algum dia, qualquer coisinha que acontecer de fora do normal, venha me informar!
- Professora... – disse ela, se posicionando um pouco para a frente. – É normal sair fumaça da pele de uma pessoa? Da cor... vermelha. – perguntou Manda, confiando inteiramente na professora.
Ela lançou um olhar até os aurores, que estavam ás costas de Manda, e logo voltou a olhar para ela:
- Para pessoas de olhos vermelhos, é comum. – comentou a diretora, com o olhar distante.
- Então... já existiram pessoas iguais a mim?
Manda viu que a professora se alterou, e agora parecia nervosa pelo comentário feito. Ela respirou fundo mais de uma fez.
- Acho que por hoje chega senhorita Manda.
- Sim senhora – e Manda entendeu que aquele momento não era o certo ao descobrir sobre seu passado. – Mas... E meus testes diretora? Se não for incomodo para a senhora ,você poderia me dizer mais ou menos quanto tempo...
- Ao certo não sei lhe informar. Mas creio que daqui duas ou três semanas. – e sorriu. – Boa noite.
- Boa noite – disse Manda, se levantando e passando pelos aurores e desejando a eles boa noite.
Manda desceu as escadas com a cabeça fervendo de tantas informações, que teria que repassar aos amigos cada detalhe.
- Manda – gritou alguém as costas dela.
Manda se virou, era Harry Potter, o auror.
- Olá – disse ele.
Ele pareceu encarar profundamente os olhos dela, e ela encarou a cicatriz lendária da sua testa por alguns instantes.
- Gostaria que não ficasse assustada com tudo isso. É difícil, mas com a ajuda dos amigos e da pessoas certas sempre conseguimos nos superar.
- Obrigada senhor. – disse ela, gentil.
- Você me lembra muito quando eu cheguei em Hogwarts... – disse ele, mais para si do que para Manda. – Melhor ir deitar, passa das onze.
- Sim senhor. Boa noite – desejou ela, mais uma vez.
Manda caminhou alguns metros e tinha até esquecido de Tiago. Quando ele veio a sua cabeça, ela perguntou baixinho:
- Tiago?
Depois de meros segundos, uma cabeça “flutuante” apareceu ao lado dela.
- Pensei que tinha dormido – e ela riu.
- Segurei a tentação.