A coisa não parecia ter acontecido há tanto tempo. Quando fechava meus olhos, podia ver nitidamente a plataforma de embarque lotada e todos os tickets vendidos para a viagem até Cardiff. Fechava os olhos e me lembrava nitidamente que outubro tinha entrado trazendo frio, que eu vestia uma jaqueta fechada e que estava desgostosa com o vento gelado que batia no meu rosto e deixava meu nariz vermelho. Dentro da bolsa eu levava os panfletos do Instituto Teller, que tinha a intenção de ler durante a viagem.
Scorpius estava ali comigo, assim como minha mãe, Draco e Arthur. Eu tinha dez minutos antes de o trem partir e o sentimento que crescia no meu peito era apenas o de solidão, de perda. Seria ótimo viajar, conhecer profissionais da minha área específica, aprimorar minhas pesquisas e ficar mais próxima do meu campo profissional... Eu tinha tudo isso enraizado nos meus pensamentos, mas eu não conseguia não sentir que estava abandonando a minha mãe, meu pai e meu namorado. E tinha se tornado oficial.
Tínhamos passado o final de semana anterior em Oxford e, para todos os efeitos, eu tinha dormido no meu quarto. Para todos os efeitos, eu tinha dormido em um colchão improvisado. Porém, eu tinha dormido nos braços que eu ansiava em perder. Aquele mês em Londres tinha sido difícil e eu mal podia imaginar passar um ano longe daqueles braços, daquele beijo, daquele carinho... Eu sentia que estava quase chorando, ajudada pelo vento que forçava meus olhos a lacrimejar, quando percebi o grupo caminhando em nossa direção.
Larguei a mão de Scorpius e caminhei na direção dos três Weasley que sorriam para mim. Por um segundo consegui abraçar meu pai e achar que as coisas estavam normalmente colocadas em seus lugares, mas no minuto seguinte, pensei em puxar meus avós e ele para onde minha mãe estava e travei. A cena era linda, exatamente como eu queria passar o resto da minha vida, porém, ainda era cedo demais para ela acontecer como eu queria. O que fazia dela, algo completamente errado e fora de contexto.
- Pronta? – meu pai perguntou, sem sair de seu lugar e sem olhar para onde os Malfoy estavam. Eu não respondi enquanto não abraçava meus avós e agradecia pela presença deles ali. Eu sabia que eles eram os únicos da família que tinham aceitado o fato de eu amar quem eu amava.
Os Potter não tinham se pronunciado, porque a coisa pouco importava para eles. Eu era livre para fazer minhas decisões e isso me deixou feliz, porque Tio Harry não desistiu de me encontrar no Ministério da Magia e me entregar um roteiro de Cardiff que fizera para mim. Me desejou sorte em nome da família e não tocou no assunto. Muito menos eu o fiz. Os Weasley tinham ficado estranhamente silenciosos depois que eu dei a notícia a todos eles no almoço de domingo. Roxanne não explodira na mesa, mas quando estávamos tomando chá, ela não me olhava e soltava comentários ofensivos para ninguém em especial. Era claro que eles vinham na minha direção, mas eu os ignorei, assim como os outros.
Eu poderia ter encarado o silêncio como algo prejudicial, mas depois de uma semana eu achei que o silêncio era melhor do que uma briga. Eles não tinham deixado de falar comigo e muito menos eu tinha perdido o contato com eles. A coisa tinha acontecido de modo muito simples: eles tinham, silenciosamente, pedido um tempo para pensar naquilo, digerir e entender. Eu não era otimista a ponto de vê-los aceitando o caso com felicidade, por isso me surpreendi quando meus avós apareceram para o chá em casa e disseram a frase que me colocou um sorriso no rosto. Um sorriso que parecia eterno.
“Se é isso que você quer, nós apoiamos. Amamos você e sabemos que nunca continuaria com isso se não tivesse motivos fortes e bem fundados”, minha avó fez uma pausa para sorrir. Ás vezes, era detestável o modo como eu pensava que era enigmática, mas via que todos me conheciam melhor do que eu mesma. “O garoto deve fazer bem para você, não podemos virar as costas nesse momento. Você é nossa neta e queremos o seu bem”, foi meu avô quem continuou, segurando minha mão. “Quando o impacto dessa notícia for bem menor, daremos um jeito de introduzir o menino no nosso cotidiano”, minha avó disse e, assim como meu avô, buscou minha mão e a apertou em sinal de confidência. “Sabemos que é isso que você quer”, meu avô completou e eu abracei os dois, agradecida.
- Sim e não – eu respondi meu pai depois do que pareceu um intervalo de milênios. O sentimento de perda me corroia e não havia nada que nenhum deles pudesse fazer. Não havia que eu pudesse fazer.
- Tem de estar pronta em dez minutos – meu avô disse, consultando o relógio enorme da estação de trem. Não era King’s Cross, mas eu me sentia em partida para Hogwarts. Meus pais ao meu lado, Scorpius com o olhar perdido observando todos os passantes. E finalmente eu entendia aquele olhar perdido na época da escola. Não era uma fábrica pensando na próxima bagunça, mas sim, um olhar de exclusão, de deslocamentos, de desconforto.
- Acho que eu não vou estar pronta para ir até a hora que tiver que voltar – eu disse. Meu pai sorriu ruidosamente e, de dentro da jaqueta pesada, tirou um saquinho verde e jogou na minha direção.
- Para quando você vier para cá – ele disse e eu não precisei apalpar mais o saquinho para perceber o que era. – Pó de Flú.
- Isso é contrabando, pai – sussurrei, guardando o saquinho na bolsa.
- Ninguém vai revistar você – ele riu, ruidosamente. E isso queria dizer um riso com vontade. – Só não deixei que a Sra. Malfoy veja. Ela é pior que a polícia.
Eu, automaticamente, olhei para trás e vi que os Malfoy olhavam na nossa direção. Scorpius baixou os olhos quando viu que meu pai olhava para deles, mas minha mãe e Draco mantiveram as suas erguidas e cumprimentaram meu pai com a cabeça, educadamente. Ainda existia uma parte dentro de mim que esperava que meu pai explodisse, mas a única coisa que ele fez foi cumprimentá-los com a cabeça do mesmo modo que eles tinham feito. Havia uma explosão de maturidade ao redor de mim e isso eu nunca tinha imaginado.
- Falando em senhoras alguma coisa – eu comecei, distraindo meu pai do assunto Malfoy e focando na namorada. – E a Susan?
Quando ele finalmente me contara a coisa toda parecia uma brincadeira. Eu custei a acreditar que a namorada misteriosa do meu pai era a Pesquisadora de Campo Susan Bones, a ruiva do departamento. Eu nunca tinha reparado nos olhares curiosos que ela lançava para mim e as visitas constantes que meu pai resolvera fazer. O número de almoços entre pai e filha tinha aumentado, o que não acontecia em meu nome, já que eu era apenas uma desculpa para a presença de Ron Weasley no departamento ou na sala dos Pesquisadores de Campo. Mais cabelos vermelhos para o acervo dos Weasley.
- Resolvendo algum problema com Kappas em alguma reserva japonesa na Escócia – ele disse, voltando a focar os olhos em mim. – Ela volta na semana que vem, mas desejou boa viagem e pediu que você voltasse logo para assumir o cargo que a Odette conseguiu para você.
- Johanna está melhor com ele – respondi, feliz em ter conversado com Odette e pedido que ela considerasse Johanna para o cargo, já que eu não estaria na cidade. Johanna era competente e apesar de relapsa com amizades e aluguel, o trabalho era mais importante do que qualquer memória ruim. – E quando eu voltar, não sei se vou continuar nesse mundo burocrático.
- Não? – minha avó ficou curiosa.
- O que, então? – meu avô parecia preocupado demais.
- Talvez lecionar – eu disse. E havia considerado mesmo essa idéia. Me daria mais tempo para pesquisas e eu ainda conseguiria passar esse conteúdo adiante para pessoas realmente interessadas. Na teoria, funcionava muito melhor do que ser uma pesquisadora do Ministério da Magia e todos os seus relatórios.
- Se for melhor para você – meu pai comentou, segurando meu ombro. Eu queria levá-los até os Malfoy, mas não sabia qual seria a conseqüência disso. Mordi o lábio inferior e olhei para trás novamente.
Minha avó percebeu e sua reação foi incrivelmente inesperada.
- Então aquele é o pequeno Arthur? – ela disse e saiu em disparada até onde minha mãe estava com meu irmãozinho seguro pela mão. Arthur tinha crescido e usado roupinhas escuras, evidenciando a pele e os cabelos claríssimos. Não essa a intenção das roupinhas, mas ele se parecia tanto com Draco e Scorpius em suas vestes escuras e simples.
Essa também era uma novidade tocante. Depois de passar nos testes para Auror e estar estagiando há duas semanas no gabinete de James e Tio Harry, Scorpius mudara seu guarda roupa. Ele ainda odiava aquelas roupas sociais e camisas que não tinham estampas campestres, mas abusava de roupas formais de alfaiataria. Claro que ele ainda reservava as roupas de caubói para quando estava em casa ou quando saía para tocar violão por aí. Baixou os olhos quando viu minha avó e meu avô chegando perto de Hermione.
Eu puxei meu pai e ele tinha uma carranca no rosto.
- Que linda criança, Hermione – minha avó baixou a mão e tocou a bochecha de Arthur. Ele retribuiu com um sorriso, murmurando um agradecimento atropelado. Minha avó subiu o olhar e não dirigiu outras congratulações para minha mãe e sim, para Draco. – Parabéns.
- Obrigada, Sra. Weasley – minha mãe respondeu, olhando de soslaio para meu pai, mas ele ainda não encarava nenhum dos dois. Ao menos olhava para Scorpius ou para o comportado Arthur. Ele apenas olhava para mim.
Apesar de faltarem apenas dois minutos para a partida, o tempo correu com uma lentidão enorme enquanto estávamos todos na plataforma. Nada do que eu queria que acontecesse, aconteceu. Meu pai ficou em silêncio o tempo inteiro. Meus avós conversavam entre si, lançando comentários para minha mãe, que comentava sobre eles. Draco e Scorpius se mantiveram em silêncio como meu pai, embora o silêncio dos dois fosse por respeito e não por mágoa. A sineta de aviso tocou e eu agradeci pelos dois minutos passados.
Ainda agradecia pelo tempo passar. Por não apenas ter passado o primeiro ano em que fiquei em Cardiff e que dei de presente para minha família compreender e digerir minha relação com um Malfoy, assim como tinha acontecido com minha mãe. Eu agradecia ao tempo por ter passado e ter dado lições às pessoas. Às pessoas que eu conhecia e até mesmo aquelas que eu não conhecia. A sociedade ainda era a mesma quando eu voltei de Cardiff, mas os olhares vinham com menos freqüência e Scorpius arrecadava alguns cumprimentos nas ruas.
Depois da minha volta, o primeiro ano tinha sido difícil. Morar com meu pai durante a semana e passar os finais de semana em Oxford com minha mãe e meu namorado tinha sido a maneira mais fácil e mais estressante que eu consegui arrumar para encaixar as duas coisas. Eu evitava mencionar Scorpius, embora meus avós fizessem questão de perguntar como as coisas estavam. Demorou algum tempo para eu entender que meus primos pouco se importavam com aquilo, principalmente James. Nada estava bem com Roxanne, era claro, mas quem ligava para uma em um milhão?
Com o passar dos anos a coisa tinha evoluído, mas apenas no terceiro ano de namoro, e dois anos depois da minha volta de Cardiff, é que eu consegui introduzir Scorpius realmente na rotina da Família Weasley. Àquela altura, nós morávamos juntos, eu lecionava sobre Criaturas Mágicas e ministrava estudos específicos sobre Hinkypunks no novato Instituto Hedlund, um centro de pesquisa aos moldes do Instituto Teller, que ao saber que eu estava lecionando me queria em seu quadro. Quem sabe mais para frente, eu dissera sem considerar uma mudança definitiva para Cardiff. Também àquela altura, Scorpius já tinha sido contratado, mas as coisas não tinham se tornado mais fáceis por conta disso. Ele se tornara amigo de James e essa proximidade lhe proporcionava ótimas missões e investigações, embora ninguém confiasse profundamente no Malfoy ainda.
- Ouvi que você vai viajar em missão – comentou James durante a primeira aparição de Scorpius na Toca. Como era de se esperar, a casa estava cheia naquele domingo. Cheia com os Weasley e os Potter e nenhum deles tinha sido rude ou olhado estranho para Scorpius.
- Como se não tivesse sido você a arrumar essa missão – Scorpius riu, conseguindo soltar uma piada e se sentir pouco mais a vontade na mesa comprida de almoço. Eu segurava a mão dele e o sentia mais nervoso do que nunca.
Apesar de minha família estar aceitando aquela relação e eu não ter mais ouvido qualquer insinuação de nariz torcido por entre eles, Scorpius continuava pisando em ovos. Ele pisou em ovos durante tanto tempo que foi apenas em nosso quinto ano de namoro que ele resolveu pedir minha mão. Eu ficara noiva no meio da nossa sala de estar vazia, quando tinha chegado do trabalho, cansada. Não pude recusar, mas pude perguntar por que ele tinha demorado tanto.
- Continuo pisando em ovos – foi a única resposta que ele me deu antes de nos beijarmos. Chegamos à Toca na semana seguinte com o peso da aliança e tudo que ela significava, pendendo em minha mão direita.
Era estranho realizar que eu tinha ficado noiva do garoto que eu odiara na minha adolescência. Era mais estranho ainda, perceber que ele tinha se transformado em um homem bom e esforçado. Um homem que recuperava o nome Malfoy da lama e que se tornara mais do que motivo de orgulho para seu pai e para mim. Enquanto eu tomava a frente para contar a novidade, observava aquele rosto de nariz torto e maxilar marcado. Era um homem lindo, por dentro e por fora e eu queria estar com ele para todo o sempre.
Foi estranho ver os olhos arregalados de todos na sala me olhando e foi mais estranho ainda ouvir os conselhos de todas as mulheres sobre o meu vestido de noiva. Dominique era minha estilista e Lily dava seus palpites sobre tecidos e bordados no vestido ao estilo sereia, sem mangas. Era estranho ver como esse casamento transformou a rotina da minha família e remexeu a sociedade bruxa de Londres. Nunca, nenhuma daquelas pessoas, imaginou que um dia as família Malfoy e Weasley se uniriam.
E isso não incluía apenas alianças no dedo de Scorpius e no meu. Isso incluía toda uma união estranha entre as nossas famílias. Draco ainda não era tão benvindo assim no cotidiano daqueles preparativos de casamento, mas minha mãe passou a ser uma freqüentadora quase assídua da casa dos Weasley. Eu a via olhando com certa incerteza para os ruivos e certa vez, vira uma conversa franca que ela tivera com tia Ginny. As duas choravam, desculpavam uma a outra e se abraçavam, enquanto eu me via chorando também.
E eu chorava de felicidade. Felicidade por ter feito a coisa certa há cinco anos e ter escolhido não escolher um lado. Se eu não tivesse enfrentado o mundo para ter Scorpius e minha família ao meu lado ao mesmo tempo, minha mãe não teria se reconciliado com sua melhor amiga e Scorpius não estaria se sentindo tão digno de qualquer coisa.
- Obrigado – ele me disse na noite anterior ao casamento. – Muito obrigada por ter ficado ao meu lado e ter me amado... Muito obrigado por achar que eu daria um bom namorado e não um romance de verão.
Eu apenas sorri e me virei para beijá-lo. Não era brincadeira e muito menos eufemismo quando eu afirmava que a minha relação com ele tinha mudado o mundo. O meu mundo. Eu não tinha palavras para descrever o salão de festas do meu casamento, os convidados, a música e muito menos a mesa onde os noivos e suas famílias se sentariam. Scorpius resolvera não convidar a mãe para o casamento, principalmente depois que ela quisera reatar a relação mãe-filho quando descobriu que ele se casaria comigo e que estava muito bem no Ministério. Ela jurava querer consertar as coisas, e Scorpius teria dado uma chance a ela se realmente acreditasse naquelas palavras. Porém, nenhum de nós conseguia enxergar nada daquilo no olhar felino de seus olhos claros.
Tudo aquilo era surreal. Aquela festa era surreal, aquela aliança dourada era surreal e ver aquelas pessoas sentadas na mesa dos noivos era surreal. Eu via minha mãe ao lado do meu pai e os conversavam. Eu via Draco do outro lado, discutindo alegremente com meu avô sobre quadribol. Eu via meu irmão como um rapazinho correndo pelo salão com o filho pequeno de Victoire e Teddy, Remus. E eu via meu marido ao meu lado. Ainda mais surreal do que qualquer uma dessas coisas era vislumbrar que eu, agora, era uma mulher casada e de partida para os Estados Unidos para minha lua de mel.
- Vamos fugir, Sra. Malfoy? – Scorpius perguntou no meu ouvido, quando a festa em si havia começado e uma música desmedida começara a tocar pelo salão perdido em luzes coloridas. Eu dançava com Arthur, mas o despachei para junto de Remus. Eu não podia recusar um convite desses. Ah, eu já não me chamava Weasley, claro, outra coisa com a qual deveria me acostumar. Assumir o sobrenome Malfoy trazia responsabilidades e eu me sentia ganhando imensos poderes. Eu seria uma porta voz da mudança dos Malfoy, da reintegração deles na sociedade bruxa... Minha aliança pareceu pesada de uma hora para outra.
- Eu não tenho como recusar – eu disse, jogando os braços ao redor do pescoço dele e beijando seus lábios levemente. A música era agitada, mas nós dançamos em um ritmo lento, parecido com o ritmo singelo de nossos corações. Como era possível que eu ainda me sentisse como a jovem que fugia para o quarto dele durante a noite?
- Não tem mesmo – ele completou, beijando meu pescoço e segurando minha mão. Achei que ele estava tomando ares de brincadeira quando falou sobre fuga, mas me puxou pelo salão. Cruzamos a porta dos fundos e ele puxou a chave de um carro do bolso do smoking. – Até porque eu adiantei nossa viagem.
- O que? Você trocou as passagens?
- Eu quero passar a noite de núpcias em Nashville, meu amor!
E de repente eu via em seu rosto a expressão de uma criança que pedia um doce. Eu suspirei e pisquei demoradamente. Por fim, tirei os sapatos e aproveitei para pisar na grama fofa que rodeada o salão de festas. Pisar naquela grama de mãos dadas com meu marido era uma sensação única. Nashville nos esperava e esse fora meu grande presente para ele. Os planos de Scorpius incluíam os EUA nas férias de seu sexto ou sétimo ano no Ministério.
E era o que ele ganhava agora. Um presente a sua ascensão dentro do departamento, já que assumia o cargo de mão direita de James, o novo diretor, e um presente à sua personalidade. Um presente ao homem do campo que vivia dentro dele, o homem do campo que sonhava em conhecer a cidade que mais formava astros do country pelo território norte americano. Ele acelerou com o carro e em menos de uma hora estávamos dentro do avião, sem comentar com ninguém e nem fazer alarde disso, a não ser os bilhetes para minha mãe e o pai dele.
Ele estava feliz. Eu estava feliz. Agora, sentada ao lado dele na poltrona do avião, prestes a pousar em Nashville, eu lembrava o quão tola eu tinha sido em achar que as coisas não dariam certo. Eu ria de mim mesma ao lembrar a insegurança que eu sentia ao pensar nos meus sentimentos sobre ele. Pousei minha cabeça em seu ombro e ele apertou minha mão. A aliança reluzia e eu tinha cada vez mais certeza de que eu o amava. Meu estômago embolou quando o avião pousou e eu lembrei que tinha uma notícia para dar a ele e a toda a minha família. Talvez essa não fosse tão fácil de digerir e engolir, mas eu nem sabia por onde começar a contar que eu carregava um serzinho dentro de mim.
N/A: Olá meus amores! E é com imensa tristeza que eu venho apresentar o último capítulo de Adoráveis Férias Infernais. Desculpem a informação apressada nos últimos dias, mas quando eu estava terminando esse capítulo, percebi que não precisaria de mais um. Eu não pretendo continuar com essa fic (talvez um spin-off do tempo que a Rose passou em Cardiff. Juro que essa ideia de Rose+Cardiff+Mistério me persegue desde 2009), então um capítulo apenas para anunciar que ela estava grávida, que os dois estavam em Nashville e que estava tudo bem, não me pareceu necessário.
Eu queria agradecer imensamenete a presença e a companhia de todos vocês aqui durante todos esses seis meses que a AFI durou. Queria agradecer aos 58 leitores atuais, aos que desistiram, aos que ainda vão ler e aos que apenas passaram por aqui (sim, porque pelo menos aumento o número de views e a AFI fica entre as mais vistas o/). Queria agradecer, acima de tudo, aos mais de 201 comentários que eu recebi durante esses meses, porque eu sou uma criatura movida a comentários e eles sempre me fazem crescer, me fazer ver coisas que eu não tinha visto e me ajudam numa avaliação da minha escrita. Escrever é a vida para mim, é onde eu acredito que seja boa e é o que eu quero para o resto da minha vida. Muito obrigada mesmo! :'/
Quanto ao capítulo, não posso deixar de comentar, espero ter feito algo bom com essa passagem de tempo. Espero ter escrito direitinho e ter me inspirado direitinho na passagem de tempo impecável que a Pokerwell faz (!!!). Dei esse final para os dois, porque não imagino que depois de tudo o que eles passaram, a coisa durasse pouco tempo. Eu imagino Rose e Scorpius para sempre juntos, mudando os rumos das famílias, mudando a visão de mundo que os dois tinham antes de estarem juntos e dando um tapa na cara da sociedade preoconceituosa. Ah, e Scorpius crescer tanto no Ministério em apenas seis anos? Acredito que esforço e ser amigo de James Potter podem ter valido isso (gente, o mundo é cruel). Espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu gostei!
E muito obrigada por terem passado esse tempo comigo, vou sentir saudades!
Mari.