A voz entrava em sua cabeça, e ela sentia o coração pulsar rápido. Suas mãos suavam e aqueles olhos que pareciam familiares. Os dois se encontravam em uma sala vazia, a não ser pela neblina da cor azulada. Eles trajavam preto e aquela voz a chamava : “Minha filha, minha criação!”...
Ela se acordou em um pulo, a fazendo se sentar na cama.
Sua mão encontrou sua testa, que estava suada.
- Sonhos? – perguntou misteriosamente uma voz.
- Pesadelo – respondeu ela, localizando com os olhos a diretora.
- Por favor, se arrume, quero lhe mostrar sua professora particular.
Manda se levantou da cama sem cerimônia e foi até o banheiro se trocar e lavar o rosto.
Quando ela saiu do banheiro a professora a aguardava do lado de fora.
- Pronta?
- Sim – respondeu Manda.
A diretora começou a caminhar, e Manda a seguia com suas vestes da escola, podem, não trajava nenhuma cor em especial.
- Creio que saiba que na Grifinória prezamos a coragem...- comentou a diretora – Fui responsável pela casa a anos, e tenho a honra de ser a primeira pessoa a lhe informar sua entrada para a casa. – e ela agitou a varinha, e uma gravata vermelha e dourada se projetou em seu pescoço.
As duas entraram dentro do salão principal, e haviam vários alunos nas quatro mesas abarrotadas de alunos de todas as idades. Alguns tomavam café, outros conferiam pergaminhos e livros, e alguns simplesmente conversavam.
As duas caminharam pela lateral da mesa vermelha e dourada, e por aonde a garota de pele clara, cabelos negros e olhos vermelhos caminhava, o silencio e as conversinhas se formavam.
- Senhorita Rosa? – pediu Minerva.
A garota de cabelos volumosos e castanhos se virou, seu colo trazia dois livros e em sua mão havia uma pena molhada com tinta.
- Sim senhora – disse ela.
- Gostaria de lhe apresentar sua aluna. Manda precisa ter noções sobre tudo o que estudamos até o quinto ano, o qual você está! Ela fará um teste para saber qual série ela se enquadra, e para isso, ela precisa aprender na prática. E não acho que ninguém melhor se enquadra nessa tarefa do que a senhorita.
Logo, a face de Manda se tornou rosada, e ela ficou boba.
- Ah senhora...
- Aceita o que estou lhe pedindo?
- Claro – respondeu ela, rápida.
- Então.. boa sorte senhoritas – e foi em direção a mesa dos professores.
Manda deu ombros e sorriu para Rosa.
Manda se sentou ao lado da amiga, que parecia confusa no meio do monte de livros.
- Ah, essas matérias me deixam louca! Começo de ano sempre é essa loucura. – disse ela, guardando os livros na mochila. – E você... sabe alguma coisa?
Manda apertou os lábios, como forma de negação.
- Não sabe sobre as matérias? A Minerva não lhe disse nada? – e Manda negou com a cabeça – Nadinha?
E Rosa resolveu rir.
- Quero que dê uma lida no livro que você tentou começar ontem no trem. Tenho aula até o meio dia. A tarde estudamos, e com isso, já vou estar bem preparada para os NOMS. – e a garota apanhou um copo de suco. – Melhor você comer.
Manda se serviu de panquecas doces e um suco alaranjado.
Pela porta de entrada do salão, entrou Tiago, Hugo e Alvo apressados.
- Vocês não tem relógio? – perguntou Rosa, quando os garotos se sentaram e em seguida bocejaram.
- Fomos buscar o Alvo perto das masmorras – comentou Hugo, tentando se explicar.
- Ah, sei..- comentou Rosa, tomando mais um gole do seu suco. – Vou ser professora da Manda. – e sorriu.
- Sério? – perguntou Tiago.
- Sim. Olha, dão olhada nela aqui porque tenho que ir na biblioteca antes da sineta tocar! – e se levantou da mesa.
Manda comia um pouco da sua panqueca, que agora ela decifrou ser recheada de doce de figo.
- Então, o que está achando? – perguntou Hugo.
- É muito legal – e sorriu. – Mas creio que não consegui olhar nem metade.
- Eu acho que nesses seis anos que estou aqui eu não conheço nem metade – comentou Tiago. – Nossa Hugo, vai começar o dia com Poções? O professor Slughorn é muito bacana – disse Tiago, olhando de canto para o horário de Hugo.
Manda comeu o ultimo pedaço da panqueca, e ficou observando os amigos.
- O que você vai fazer agora pela manhã? – perguntou Tiago.
- Acho que vou até a biblioteca, Rosa pediu para mim ler um pouco do livros. Acho que para mim saber mais sobre as matérias que terei que estudar para o meu exame.
Eles permaneceram em silencio por alguns instantes, o que foi o bastante para a sineta já tocar.
- Eu tenho que correr até as masmorras! – disse Hugo, levantando em um baque.
Tiago e Manda ficaram observando todos saírem das mesas.
Manda então se levantou e Tiago em seguida.
Quando os dois estavam prestes a atravessar a porta que levava para os corredores, Manda parou.
- Aonde é..hum..a biblioteca? – perguntou ela, confusa.
- Quarto andar! – gritou Tiago, sumindo no meio da multidão.
Manda perguntaria mais algo sobre a biblioteca para Tiago, mas ele sumiu em meio aos outros adolescentes. Manda se encostou em um pilar e esperou por alguns minutos, pois muitas pessoas estavam tomando conta dos corredores.
Depois dos demais adolescentes terem entrado para suas devidas salas, Manda começou a caminhar e admirar os corredores.
Ela caminhou por trinta minutos, apenas admirando o níveo térreo. Ela encontrou alguns fantasmas que pairavam pelos corredores.
As paredes eram antigas, e ela fazia questão de encostar seus dedos nelas. Os quadros se mexiam, e alguns até cumprimentaram ela.
Manda encontrou um conjunto de escadas, e parecia que tudo aquilo era muito mais do que entrar em livros pela manhã toda, como Rosa tinha lhe dito.
Manda conheceu todos os corredores que conseguiu, até que chegou em uma torre muito alta, que contia um relógio enorme. Era meio dia e ela não tinha visto o tempo passar.
Ela foi até a ponta do relógio, aonde tinham vidros, e pode ver os alunos voltando de estufas com flores saindo pelas dobras. Um grandalhão, que estava na mesa dos professores no dia da seleção, vinha com mais uma penca de alunos da direção dos jardins.
Manda observava tudo com detalhes, não entendia como, mas era ali que ela tinha que estar, naquela lugar, naquela escola. Mas o canto dos pássaros, o sussurro do vento e a calmaria foram interrompidos pelas mesmas imagens que atormentaram Manda na noite passada.
Ela e outra pessoa estavam em uma sala, e a pessoa estendia a mão para ela... A voz aguda, a forma da pessoa falar, era familiar, ela já tinha falado daquela forma...
- MANDA! – E Manda abriu os olhos,ofegante.
Era Rosa e Tiago, que olhavam assustados para a garota.
- O-oi. – respondeu ela, passando a mão nos cabelos e na testa levemente suada.
- O que houve? – perguntou Tiago, indo na direção dela.
- Na-ão sei.
- Você estava falando de uma forma complicada – disse Rosa. – E seus olhos estavam apertados, e você parecia sentir dor. – respondeu Rosa, passando a mão no cabelo da amiga, como forma de saber se ela estava bem.
- Como me acharam? – perguntou Manda, tentando mudar de assunto, falar sobre aquele sonho seria constrangedor.
- Mapa – disse Tiago, mostrando o mapa – Mas é melhor a gente ir indo, a Minerva não vai gostar de ver a mesa sem você Manda.
- É verdade – disse Rosa, um pouco atordoada – Ela me confiou você. E não posso falhar!
Manda percebeu um leve sorriso nos lábios de Tiago. Ela já percebera que a garota caminhava de acordo com as regras.
Mas o que estava atordoando a cabeça de Manda era aquela voz, aguda, fria e sem sentimentos. Os dedos finos a chamavam, e ela não via o rosto da pessoa. A voz daquele ser era lhe familiar!
- Só foi uma dor de cabeça – disse Manda, tentando se explicar.
- Ah, sei – disse Rosa. – Vou te deixar na biblioteca agora a tarde! – e encheu a boca com o purê.
Manda comeu em silencio, enquanto eles discutiam alguns assuntos complicados para ela entender.
- Capitão pelo terceiro ano, em Tiago – disse um garoto, que andava com Tiago.
Tiago riu, e Manda percebeu que ele estufara um pouco o peito e tinha um sorriso brilhoso.
- Vocês só pensam em quadribol? – perguntou Hermione – Os nossos N.O.M.S. estão aí!
- Você não entende, não joga! – disse Tiago.
- É perda de tempo – disse Rosa para Manda.
Manda riu para a amiga, que também sorriu.
- Então, nada de desaparecer da biblioteca Manda! – disse Tiago, tomando um gole de suco.
- E ela é sua namorada por acaso? Você tem que ficar indo atrás dela? – perguntou uma garota de cabelos loiros do lado esquerdo de Tiago.
Tiago revirou os olhos, e a garota percebeu.
- Você sumiu na aula de Defesa Contra a Arte das Trevas porque disse que tinha que buscar ela com a Rosa. – e a loira largou os talheres.
Manda ficou de cabeça baixa.
- E você é quem? – perguntou Tiago. – Minha dona? Tem que saber o que eu faço ou deixo de fazer?
A garota se levantou e rumou para fora do grande salão, sendo seguida por mais algumas garotas que saíram atrás dela.
- Não precisava ter falado assim – disse Rosa.
- Isso já era pra ter um fim desde o ano passado! – e ele largou os talheres.
- Mas você foi brusco... – e Rosa se perdeu em suas palavras por alguns instantes, enquanto repousava os talheres do lado do prato.
- Igual ele foi com você? – disse Tiago.
Manda levantou o olhar para a amiga.
- Para Tiago! – e Rosa o encarou.
Tiago permaneceu em silencio, e o seu olhar se desviou até a mesa verde e prata. Manda se ajeitou na cadeira, a ponto de conseguir olhar para a mesa. E foi ai que ela entendeu que eles falavam do garoto de cabelos e pele pálida.
- Que tal falarmos com a Minerva, para mim assistir as aulas com você, hoje? Sabe, primeira impressão e contato... – disse Mnada para Rosa, tentando animar a amiga. – Enquanto a sineta não toca, você me fala sobre as matérias da escola. E posso aprender sobre os andares com o Mapa do Tiago.
Rosa pensou um pouco, e logo abriu um sorriso.
- Ótimo!
- Sábado vamos fazer testes para o quadribol, e você pode ter o primeiro contato com o jogo – disse Tiago. – E você vai levar ela, não é Rosa?
Rosa entendeu a brincadeira do primo, pois era obvio que a garota teria que ter o contato com o jogo. E se ela fosse boa em quadribol?
- A final, você está responsável por ela, e podemos ensinar ela a voar.
- A o que? – perguntou Manda.
- Voar – repetiu Tiago.
- Pensei que apenas aparatávamos, vassoura é meio..hum...velho. – e fez uma careta com os lábios contorcidos.
Todos a volta da garota riram e concordaram. Depois de alguns minutos de uma conversa sobre qual vassoura seria a melhor para Manda tentar voar pela primeira vez, com a ajuda de muitos colegas de Grifinória, Manda e Rosa foram em direção a mesa do corpo docente de professores.
- Diretora.. – disse Rosa, um pouco sem jeito.
- Sim querida... – disse a diretora, virando o rosto para as alunas.
- Bem... por acaso, a Manda poderia assistir algumas aulas dessa semana comigo? Para ter um contato com o tipo de ensino. E ela já aprendeu bastante sobre a estrutura da escola...
- Ótima idéia. – e a diretora ficou radiante - Você me lembra muito sua mãe Rosa, você é igualmente a ela, muito experta e inteligente...
Manda sentiu uma pontada de raiva e tristeza. Ela não tinha mãe. Sua mãe morreu para dar a luz a ela. Ela não poderia ser comparada a sua mãe, jamais! E ela tinha uma imagem confusa sobre sua mãe, pois ela não tinha muitas fotos. A garota passou a mão pela face de leve... será que sua mãe tinha a mesma cor de pele? Será que tinham o mesmo toque? O mesmo olhar, risada ou suspiro? Talvez ela tivesse o mesmo sorriso que a mulher que lhe trouxe ao mundo? Ela jamais saberia...
- Vamos Manda? – disse Rosa, pegando a amiga pelo braço, meio que tentando acordar a garota.
- Claro – e a morena sorriu para Minerva.
As duas voltaram para a mesa, e Manda percebeu que não era mais o centro das atenções. As pessoas nem olhavam para ela com tanto pânico, pelo menos ali.
- Então, quais aulas você tem hoje Rosa? – perguntou Tiago.
- Agora a tarde é apenas poções. Mas amanhã pela manhã eu levo a Manda comigo para as demais aulas – e sorriu.
Manda entendeu que Tiago estava fazendo o possível para ver a amiga feliz depois de ter tocado no assunto que relacionava a mesa da Sonserina, e Manda queria saber mais sobre isso... Mas essa não era a hora certa!
- Vamos? – perguntou Rosa. – Quero lhe explicar sobre as matérias aqui de Hogwarts. Não é muito difícil de entender os nomes e as funções, mas vamos ter que fazer uma lista do que vamos ter que estudar. Isso vai ser ótimo – disse ela, já se levantando – Vou poder revisar tudo para os meus N.O.M.S. – e suspirou.
Manda se levantou e as duas caminharam para fora do grande salão.
A caminhada até as masmorras foi um pouco longa, e Manda entendeu muito sobre as matérias da escola. Além de Rosa ter lhe passado uma aula sobre os andares da escola também.
- Aqui em baixo, nas masmorras, fica o dormitório da Sonserina também – disse Rosa, baixinho – o Alvo me contou isso. – e sorriu.
As duas foram se aproximando de uma porta pesada de ferro, e parecia um pouco velha. Já tinham alguns alunos ali, a maioria com o uniforme azul e prata.
- Ah, olá Rosa – disse uma garota oriental e bonita, que estava em uma roda de amigos.
- Olá – e sorriu.
- E você é a...hum...
- Manda – e a morena tentou sorrir.
- Ah sim – e a garota sorriu. – Meus amigos e eu estávamos torcendo muito para você vir para a casa. Fiquei impressionada com a sua habilidade de Oclumência. Tentei estudar isso e não consegui bloquear minha mente nem para minha prima, que trabalha no Ministério. Agora você, você bloqueou sua mente para o Chapéu Seletor...
- Ahhh – e manda fez uma leve careta. – Obrigada.
Rosa percebeu que Manda não havia entendido muito bem.
- Não sei como a Rosa não parou na Corvinal.
E a morena ficou levemente corada.
- Ela é a melhor da turma – e riu – Meu pai disse que você sempre foi muito esperta.
- A mamãe comentou que o Rogério sempre foi educado. E me diga, como está a sua mãe, a Cho?
- Está ótima. Vai abrir um restaurante de comida japonesa no Beco mês que vem – a morena pareceu orgulhosa ao falar da mãe. – E você Manda, como sua mãe é? – E Manda engoliu seco, pareceu mais pálida do que era – Você herdou os olhos dela? Talvez a inteligência, e....
Manda não escutou mais nada do que a garota falava. Ela ficou em transe de novo. Sua mãe tinha morrido por ela! Seu coração pareceu mais fraco e ela sentiu uma tontura. Era horrível pensar como sua mãe havia falecido. Apenas com o seu choro ela morreu. Ela nem havia olhado para os olhos da filha que havia colocado no mundo.
- Olha o professor Horácio – disse Rosa em voz levemente alta.
Manda agradeceu por a amiga estar cortando aquele assunto, e sorriu para Rosa, mesmo ela estando virada para o lado que o professor vinha.
- Olá meus caros – disse ele. – Desculpem a demora, estava acompanhando... – e seus olhos bateram nos de Manda. – Deixa pra lá – sussurrou ele, se aproximando da garota. – Vejo que temos uma convidada especial para a nossa aula.
Manda não sorriu, mas seus olhos demonstraram tranqüilidade ao professor.
- Ela vai me acompanhar em algumas aulas essa semana... – disse Rosa, orgulhosa.
- Vamos entrar então! – disse o professor, passando a varinha na frente da fechadura da porta e a abrindo.
Rosa e Manda entraram logo na sala, procurando uma mesa bem na frente.