- O que você está fazendo, Bellatrix?
- Papai! - Bella ergueu-se subidamente da cama, alisando as vestes da melhor maneira que pôde, unindo os joelhos para se sentar recatadamente na beirada do colchão.
- O que você pensa que está fazendo?
- Eu só estava descansando por um momento. - sussurrou, hesitante, sem coragem de erguer os olhos para mirar as íris negras e austeras de seu pai.
- Descansando? Deitada no meio de todo esse lixo? Foi para este buraco que você arrastou meu nome?
- Não senhor!
- Não, de fato. Você não é mais uma Black. - seu basto bigode negro moveu-se com a fúria das palavras - É apenas uma Lestrange.
- A família mais pura do mundo bruxo, papai!
- A segunda mais pura! - ele revidou, atravessando o pequeno cômodo com passos rígidos - Não existe família mais nobre que a Black. Tudo que eu precisava que a inútil da sua mãe fizesse era me dar um filho homem. E o que recebi? Mais três mulheres inúteis!
- Mas eu fiz tudo para honrar o nome da nossa família...
- Obviamente não fez o bastante! - o sr. Black retrucou, a rispidez de sua voz atingindo Bellatrix como um tapa na cara. Era outra vez uma menininha, encolhida ao canto da cama, ouvindo os brados de seu pai no andar inferior e os gritos sucessivos de sua mãe.
- Eu me uni ao Lord das Trevas para defender a pureza de nossa raça, meu senhor.
- Para quê, Bellatrix? Olhe bem onde você está. Na lama, tão suja quanto qualquer trouxa.
- Não! Eu fiz de tudo! Eu persegui, eu lutei, eu matei pelo nosso nome!
- E para quê, sua inútil, me diga! O que foi que você conseguiu? - ouviu-o bradar e então dar-lhe as costas, os passos duros guiando-o para a saída.
- Espere, papai! Eu abri mão de tudo! - argumentou, correndo atrás dele até a porta - Eu abri mão dela!
O vulto dele se afastou pelo corredor frio até se desfazer em uma massa de neblina. Apenas a pergunta dele permaneceu ecoando pelo quarto, colérica e cruel: Para quê, Bellatrix?
- Responda logo se vai ou não vai, Bella! - Dolohov apressou-a, a impaciência nítida em sua voz.
- O que exatamente vocês pretendem com esse passeiozinho de hoje?
- Já disse dezenas de vezes! - ele reclamou, vendo Bellatrix esticar as pernas preguiçosamente - O Lord está viajando, estamos aqui ociosos. A família Meadowes tem desafiado as vontades do nosso Lord de todas as formas. O pai é trouxa, a mãe professora de estudo dos trouxas e a filha é uma auror!
- Deprimente.
- Podemos ocupar a nossa noite com eles e passar um bom recado. O Lord ficaria satisfeito. - Dolohov disse e Bella passou a língua pelos lábios, examinando a proposta. Sim, o Lord sempre ficava satisfeito com o derramamento de sangue sujo. E ela realmente não tinha nada melhor para fazer.
- Tudo bem. Vamos ensinar uma lição a essa escória. - decidiu-se, levantando-se para seguir Dolohov e mais três para fora da mansão Lestrange.
Invadir a pequena propriedade dos Meadowes foi pateticamente simples. Eles usavam apenas os mais básicos feitiços de proteção que Bellatrix e Lucius conseguiram romper em dois minutos, enquanto os outros bocejavam. A porta de madeira abriu-se com um estrondo diante da varinha de Amico Carrow.
O senhor Meadowes foi o primeiro a aparecer, a varinha em punho. Bellatrix lançou-o contra a parede e Dolohov, que vinha logo atrás, ocupou-se de arremessá-lo de um lado para outro da casa, causando um grande estardalhaço. A sra. Meadowes desceu as escadas correndo e Lucius acertou-a com a maldição da morte, curta e objetivamente. Bellatrix revirou os olhos para sua falta de humor e passou a explorar a casa, à procura de outros moradores. Não encontrou mais ninguém no primeiro andar e distraiu-se revirando os móveis e lendo papéis aleatoriamente, buscando alguma informação útil. Dolohov dissera que a filha deles era auror, não dissera? Onde estaria a garota?
Bellatrix subiu a escada que rangia com seus passos. Ouviu gritos escapando de uma porta aberta no fim do corredor e caminhou lentamente até lá. Parou na entrada, observando a cena por um momento. Uma jovem estava encolhida, desarmada, em cima de uma cama. Usava um vestido azul claro, seus cabelos louros estavam despenteados, caindo em mechas grossas sobre seu rosto apavorado. Amico Carrow estava de pé na frente da cama, já despido da capa e abrindo rapidamente a calça. A garota fixou os olhos em Bellatrix, a esperança piscando em suas íris azuis por um segundo - talvez esperasse um pouco de compaixão feminina.
Bellatrix apenas revirou os olhos, entediada, virando-se para deixar o quarto. Então seu olhar passou por algo que despertou seu interesse. Voltou-se rapidamente, observando melhor. Havia uma cômoda a um canto do quarto e um grande porta-retratos prateado descansava sobre ela. Bella adentrou o cômodo, aproximando-se do objeto. Estreitou os olhos para as pessoas que sorriam e acenavam na fotografia. Era um grupo de jovens, seis ou sete pessoas. Ela mirou apenas as duas na extrema direta da fotografia. Seus olhos perscrutaram a mulher ruiva que ria animadamente, suas íris verdes apertadas de felicidade. Estava abraçada pela cintura por um rapaz alto de cabelos arrepiados.
Bella pegou o porta-retratos e andou até a cama, empurrando Carrow que já estava quase montado sobre a garota.
- De onde você conhece essas pessoas? - questionou, sacudindo a foto na frente do rosto manchado de lágrimas da menina.
- Meus am-amigos... - ela soluçou, passando seus dedos suados pelo vidro.
- Esses dois! De onde você conhece esses dois? - insistiu, segurando Meadowes pelo braço e sacudindo-a grosseiramente.
- Lily, James... - ela choramingou, mais como um lamento íntimo do que para responder à Bellatrix - Sinto muito perder o casamento...
- Que casamento? Diga de uma vez, vadia! Que casamento? - a loira piscou, aturdida, tentando conter seu choro convulsivo. Mirou Bellatrix, assustada e curiosa, tentando compreender o interesse da Comensal.
- James e Lily estão se casando essa noite. - balbuciou quando Bella espetou a varinha contra seu pescoço.
- Onde?
- Em... Godric's Hollow.
- Avada Kedavra!
- Porra Bella! - Amico gritou, quando a garota caiu inerte sobre a cama.
- Pelo menos agora ela não vai gritar e se debater. - disse, dando as costas para a cama.
- Mas essa era a merda da graça! - ainda ouviu-o reclamar atrás de si. Não se virou. Tinha um casamento a comparecer.
Não foi difícil descobrir qual era a casa Potter em Godric's Hollow. Era a única iluminada. Era tarde e naqueles tempos as luzes se apagavam cedo, as pessoas se recolhiam, se escondiam, tentavam desaparecer. As luzes vivas escapando das janelas abertas e o som de música denunciou a festa prontamente. Bella não conseguiu se aproximar a menos de dez metros do portão. Tentou ruir a barreira de feitiços sem sucesso. Atirou pedras que ricochetearam no escudo encantado e voltaram para ela. Provavelmente foi sua sorte. Meter-se em um covil de aurores era a ideia mais estúpida que podia pôr em prática naquela noite. Mas havia uma fúria borbulhante dentro de si, querendo escapar de qualquer maneira.
Havia semanas que não via Lily Evans. É claro que não tinham tido a sorte ou o azar de repetir aquele encontro acidental. Mas Bellatrix não tivera essa mesma sorte em conseguir expulsar Lily Evans de dentro de sua cabeça. Aquela ruiva forçara uma entrada tão brusca que parecia ter se marcado a fogo em seu cérebro. E agora estava se casando. Naquela noite. Bem na sua frente, protegida por aqueles muros porcos de pedra, naquela aldeiazinha de merda.
Bellatrix andou pelo povoado, seus passos ecoando na estreita rua vazia. Observou, pelo canto dos olhos, um esquilo saltitando rapidamente pela porta do que parecia ser uma igreja. Desfechou um feitiço, mas o roedor se esquivou rapidamente e a ornamentada porta de madeira ganhou um grande rombo negro no centro. Um momento depois Bellatrix ouviu o som de um andar apressado e um seminarista apareceu à porta, apenas um garoto assustado dentro de uma batina grande demais.
- Mas o que é isso?
- Avada Kedavra! - Bellatrix bradou pela segunda vez na noite, sua ira fazendo o feitiço fluir facilmente pela varinha. Bufando ainda de raiva, ela lançou a marca negra no céu escuro antes de desaparatar.
Lily saberia que estivera ali. E saberia onde encontrá-la.
A campainha soou alta e estridente, despertando Bellatrix de seu contínuo devaneio. A campainha significava alguma coisa, ela sabia. O que? Ouviu o som de pés se arrastando e lembrou-se devagar. Provavelmente era a hora do banho. Passou a mão pelos cabelos desgrenhados, pensando se queria se levantar. Já fazia algum tempo desde que se lembrava de ter deixado aquele cômodo, então uniu seus pés aos outros que deslizavam pelo chão, até os fundos de Azkaban, onde duas portas de ferro se abriam para um sujo e apertado vestiário feminino.
Despiu-se monotonamente, deixou a água gelada lavar seu corpo empoeirado e exausto. O som das gotas ecoava em sua cabeça, esvaziando-a de tudo mais. A sensação não era agradável, nem poderia. Era apenas indiferente e isso era o melhor que podia esperar ali dentro. Quando a água cessou, Bellatrix procurou por suas roupas no monte de trapos jogados a um canto. Apenas por não tê-las encontrado ergueu os olhos para notar a presença das outras mulheres. Não eram muitas. Dez ou quinze corpos magrelos, de cabelos ressecados e olhos fundos. Bella reconheceu suas vestes longas no corpo de uma mulher loira.
- Devolva minhas roupas, vagabunda.
- O que?
- Você roubou minhas roupas, devolva agora! - ordenou, puxando a frente das vestes e fazendo um dos botões voar.
- Está louca? Essas roupas são minhas!
- Sua ladra filha da puta, me devolva agora! - tentou agarrar novamente as vestes, mas a mulher jogou-se sobre ela, de surpresa. Bellatrix caiu pesadamente no chão, sentindo a pedra lisa contundir suas costelas. Ergueu os braços para se defender, enquanto a loira unhava seu rosto selvagemente.
Nem a aproximação fria de um dementador fez com que as duas mulheres parassem. Bellatrix batia, arranhava, chutava como podia. Sua costela doía insanamente e dificultava os movimentos. A mulher loira agarrara seus cabelos, batendo sua cabeça contra o chão. Gritava desconexamente e Bellatrix duvidava que ela soubesse a quem estava acertando. Ali, cada um estava mergulhado no próprio mundo.
Somente quando mais dementadores se uniram ao primeiro e a proximidade deles fez o cômodo mergulhar em um torpor congelante e amargurado que a mulher soltou-a e rastejou para longe. Bellatrix permaneceu no chão, sem conseguir se levantar. A dor em suas costelas e a humilhação em seu sangue não atraía aqueles seres tanto quanto o triunfo da mulher loira. Uniu forças para se erguer porque sabia que não permitiriam que ficasse ali muito mais tempo e a ideia de ser tocada por um dementador a enojava. Vestiu-se, por fim, com as roupas que restaram e se arrastou de volta para sua cela.
- O que houve com você? - aquela voz suave acompanhou sua entrada no quarto.
- O que está fazendo aqui?
- Você me chamou.
- Não chamei.
- Vem aqui. - Lily bateu com a mão no colchão de seu catre - Deixa eu cuidar de você.
- Bem que você queria. - Bellatrix riu, sarcasticamente, mas se aproximou, vencida, e deitou-se no colchão, a cabeça no colo de Lily.
- Sim, eu queria cuidar de você. - a ruiva confirmou, puxando um lenço branco de dentro da capa e passando-o cuidadosamente pelo supercílio de Bellatrix. A morena contraiu-se um pouco de dor. - Eu teria cuidado bem de você.
- Você é uma idiota.
- Nós duas sabemos o que você queria de mim. - Lily murmurou, suas mãos afagando carinhosamente os cabelos molhados de Bellatrix.
- Não.
- Você só queria...
- Não!
- Um pouco de...
- Não! - exclamou, fechando os olhos como se pudesse impedi-la de dizer, se impedir de admitir, aquela ideia que era a mais humilhante de todas.
- Carinho.
- Filha da puta! - Bellatrix sorriu ao ouvir a exclamação. Desviou-se no momento certo, escapando por um triz da azaração lançada por Lily.
- Olá, senhora Potter. - cumprimentou, virando-se para ver a figura ruiva se aproximar a passos largos pelo gramado quase seco atrás da casa dos gritos.
- O que você tem na cabeça?! Ele era só um menino!
- Fiquei magoada de não ter sido convidada para a festa de casamento. - ironizou, vendo Lily marchar na sua direção, o rosto vermelho de raiva.
- Será que você é tão doente, tão carente de atenção que...
- Estupore! - Bella azarou, de súbito. Lily, pega desprevenida, recebeu o feitiço direto na cabeça e seu corpo caiu com baque seco na grama.
Bellatrix deu os últimos passos até ela e sentou-se tranquilamente ao lado de seu corpo desacordado. Olhou para o rosto sem expressão, aquela boca relaxada, em formato de coração, os cílios claros que cobriam os olhos verdes.
- Você é tão melhor companhia desacordada. - comentou, escorando as mãos no chão e ajeitando-se confortavelmente para esperá-la acordar.
O sol estava alto no céu, mas não fazia calor. Bellatrix esperou. O tempo escorreu, até que o sol baixasse, se pondo devagar e ela nem piscava enquanto a luz ofuscava seus olhos.
- Filha da puta... - ela ouviu o gemido e riu, voltando-se para Lily mais uma vez. A ruiva abrira os olhos e levara a mão à cabeça, com a tontura típica de quem havia sido estuporada.
Bellatrix mirou aquelas íris verdes refulgindo ao pôr do sol, então, sem esperar que aquele atordoamento passasse, se abaixou e colou a boca na de Lily. Estava pronta para usar a força, para impôr o beijo, mas nada disso foi preciso. A ruiva não criou nenhuma resistência. Em vez disso, seus lábios se abriram para atrair a língua de Bellatrix para a umidade de sua boca.
Lily tocou seu rosto com as duas mãos, deslizando a ponta dos dedos por sua pele até embrenhá-los suavemente por seu cabelo negro e espesso. Bellatrix esperou pela fúria, pela pressa, pela força, e recebeu a calma, ainda que sedenta, daquele beijo. Quando se deu conta, Lily havia invertido as posições, deitando-a sobre a grama curta e estendendo aquele corpo magro sobre o dela, sem interromper o beijo. Sentiu aquela boca morna passear por seu rosto, beijando-lhe as pálpebras, o nariz, o queixo e voltando à sua boca, molhada, quente, macia.
A ruiva afastou sua capa, e Bella mal notou quando a varinha rolou de sua mão para longe. Os botões de suas vestes foram abertos, um a um, enquanto ela preenchia as mãos do cabelo carmesim de Lily, da cintura curvilínea dela. Revirou os olhos quando Lily desceu os beijos por seu pescoço, fechando os dentes suavemente em sua pele, deixando um rastro quente e duradouro. Ela arrastou a língua até seu colo e mergulhou-a pelo vale entre seus seios, formados pelo sutiã. Bella arqueou o corpo, ansiosa, e Lily a atendeu, abrindo o fecho frontal da peça e tomando seus seios nas mãos pequenas.
Bellatrix gemeu baixo sentindo os dedos e a língua de Lily explorando seus seios demoradamente. Não havia uma provocação óbvia naquilo, mas uma entrega total, um desejo sincero de dar prazer que a entorpecia. Pela primeira vez, seu corpo não parecia apenas um meio para um fim. Havia dezenas de lugares a serem tocados, mil pontos erógenos que Lily parecia querer explorar muito minuciosamente. A planície de sua barriga foi percorrida por unhas longas, dentes insistentes e lábios úmidos. A ruiva enrolou os dedos no tecido de sua calcinha e empurrou-a calmamente por suas pernas até retirá-la. Sem pressa, sem força, sem brutalidade. Não correu, nem pulou etapas, embora, àquela altura, Bella estivesse tão excitada que não teria se importado.
Mas Lily tocou seu ventre, beijou suas coxas, voltou à sua boca, mergulhando a língua por entre seus lábios. Gemia seu nome baixinho no meio do beijo, como se estivesse completamente, irrefutavelmente consciente do corpo que estava tocando. E de como estava tocando. Lily não era uma necessidade física. Uma urgência biológica. Nada disso. Era mais simples. Era vontade. Pura vontade que crescia a cada segundo. Bella poderia ter lidado com alguém lhe segurando os braços, se intrometendo entre suas pernas, poderia ter aceitado ou rejeitado como fosse. Mas aquele carinho a dominava inteira.
Quando a ruiva voltou a descer por seu corpo, estava trêmula e ansiosa. A língua de Lily tocou seu sexo com a mesma curiosidade e entrega exploradora com que tinha percorrido toda sua pele. Bella se contorceu e a ruiva aceitou o incentivo. Explorou-a lenta e cuidadosamente, guiando-se pelos gemidos incessantes de Bellatrix. Buscando agradá-la tão óbvia e devotadamente que fazia a Comensal suspirar. A língua da ruiva percorreu-a devagar e suavemente e então rápida e urgentemente quando a vontade cresceu em Bellatrix como uma onda vindo buscá-la na areia da praia. Suas pernas tremeram enquanto a sensação se avolumava deliciosamente por seu corpo e seus gritos ecoaram por aquele terreno, como não acontecia em anos. O gozo veio e derramou-a nos lábios de Lily, abandonando seu corpo lânguido e ofegante.
Então, como se não bastasse, Lily subiu o corpo e se aninhou ao lado de Bellatrix, encaixando o rosto na curva de seu pescoço. A morena sentiu seu coração disparar e sua mão varreu a grama em busca da varinha, automaticamente, apavorada de imediato pelo gesto. Lily apenas se ajeitou melhor de encontro ao seu corpo, quase ronronando, e Bellatrix cravou as unhas na grama, sentindo uma nova e muito mais assustadora leva de prazer inundar seu corpo mais uma vez.
A sensação aconchegante esvaiu-se de seu corpo tão rapidamente que foi como se nunca tivesse estado lá. Aquela náusea profunda a dominou mais uma vez, dizendo-lhe que nunca mais, nunca mais seria feliz de novo. Feliz. Aquela palavra dançou em seu cérebro lamacento por um segundo - teria sido isso então? Teria sido feliz? Durara pouco demais para levá-la a uma conclusão. Bellatrix mal conseguiu abrir os olhos. O sangue espesso havia inundado seus cílios e ela levou a mão até a sobrancelha que ainda sangrava. É claro que sangrava. Sua cabeça estava abandonada sobre o colchão e seus cabelos molhados estavam tecidos em um denso nó. E Lily não estava ali. Estava sozinha sentindo seu sangue puro gotejar, sua cabeça zunir e todos os motivos que a levaram até ali já não faziam sentido. Voltou a fechar os olhos, encolhendo-se na cama gelada e vazia. A voz de seu pai ecoava, férrea, dura: Para quê, Bellatrix?
E ela não conseguia pensar em nem uma única razão.
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N/A: Sei que a maioria das pessoas imagina uma Bella selvagem. Mas a minha cabeça maluca pensa que o que a Bella podia querer da Lily era exatamente o que ela nunca teve. Espero que ninguém tenha se decepcionado ;)
Bjs, bjs.