APENAS EU POSSO VIVER PARA SEMPRE.
Você se lembra de quando se sentou pela primeira vez em frente à sua televisão para assistir Harry Potter? Você se lembra que sua primeira visão do mundo da magia tenha sido em VHS? E que agora você é capaz de assistir tudo em DVD?
Bem, eu me lembro perfeitamente da época em que eu me sentava no sofá da minha casa para assistir Harry Potter e a Pedra Filosofal em VHS. Eu me lembro de ter assistido tantas vezes que era capaz de sair andando pela casa recitando as falas de todas as personagens e de lembrar o nome do dragão do Hagrid (Norberto, estão lembrados?). E me lembro de assistir ao mesmo filme em DVD, atualmente.
Quando eu ainda era um pivete de três anos e nem entendia o que era a pedra filosofal. E digo que fiquei sabendo o que era a tal pedra e para o que servia com Hermione. Sim, ela recitou perfeitamente isso no primeiro filme. Me lembro de cada palavra. Naquela época eu pedia para a minha mãe me comprar um cachorro de três cabeças, igual ao Fofo, para guardar o sótão.
Depois veio o segundo filme, do qual ainda grito quando vejo o basilisco, no qual ainda choro quando Hermione é petrificada. Ainda tento seguir as aranhas da minha casa, mas elas nunca me levam à lugar algum. E me pergunto o porque de o Rony me deixar completamente demente quando vejo uma aranha um pouco maior do que deveria. Até hoje eu não escrevo em um diário com medo de ele me responder (vai que o Tom Riddle decide fazer uma horcrux com o meu diário?).
A partir do terceiro filme, fiquei com a minha mão formigando para socar a cara do Malfoy. Eu queria, e aindo quero, um Vira-Tempo. Comecei a me perguntar se as prisões de hoje em dia não seriam melhores se tivessem Dementadores. Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban é outro filme que consigo recitar as falas de tanto assistir. Ainda me pergunto qual é a do Snape e porque o Lupin se demitiu. Passei a gostar mais de chocolate.
Quarto filme. Cálice de Fogo. Passei a adorar o Moody. Meu sonho de consumo virou um Cedrico Diggory. Minha mania era encontrar um vestido igual ao da Hermione. Minha vontade era transformar o Malfoy em uma doninha permanentemente. E ainda assim, para mim, foi um dos filmes mais sombrios da série. Voldemort retorna. Alguns morrem. Assustador.
Harry Potter e a Ordem da Fênix. Simplesmente é o meu predileto e sempre que sento para assistir consigo acompanhar os personagens, falando junto com eles. Não me arrependo por ter torcido contra Cho e Harry. Por Merlin! Ela só chorou o filme todo. Não fez mais nada! Foi um alívio quando o Harry deu um pé nela (peço desculpas para quem é fã do casal). Virei super fã da Luna Lovegood, acompanhei todas as aulas da AD com muito esmero, mas ainda não consegui produzir um patrono. Eu quicava no sofá na luta que rolou no Departamento de Mistérios.
Finalmente sexto filme. Perfeito. Chorei junto com a Hermione quando o Ronald beijou a Lilá. Pulei quando a Gina lascou um beijo do Harry. E vamos falar a verdade: o Principe Mestiço é o cara. Sério, ele é muito inteligente. Gritei até ficar rouca quando o Harry e o Dumbledore saíram em busca do medalhão (uma outra horcrux, lembram?). E morri junto com Dumbledore.
E então, Harry Potter e as Relíquias da Morte. Faleci na sala de cinema e fiquei impaciente quando o Rony não beijou a Hermione. Como não era tempo para isso? Eles ficaram sete anos conversando e não tiveram tempo? E qual é a do Mundungo? Que cara mais problemático. E quando nosso trio invadiu o Ministério da Magia eu chorei de desgosto porque eles não mataram a Umbrige (ou mataram e eu não me toquei). Desculpa, mas eu teria matado aquela baixinha hipócrita. Dobby morto? Não! Coruginha branca morta? Não! Chorei baldes com ambas as perdas. E o Rony foi embora? Vagabundo. A Hermione perdoo ele cedo demais. Eu ficaria o resto dos meus dias no Chalé das Conchas sem olhar na cara dele. Sem contar que o filme parou na pior parte possível. Fiquei morrendo de curiosidade.
Mas foi nessa primeira parte do Relíquias da Morte que eu finalmente me toquei. Um vazio descomunal e uma tristezinha básica tomou conta do meu ser quando eu percebi que tudo está acabando.
Desde os meus três anos eu acompanho toda a vida do nosso bruxo favorito e agora acabou. Assim. Como o peixe do tio Slugg desapareceu do nada. Vai acabar. Meu Merlin! Eu ainda não me conformo. Depois de ler todos os livros, assistir todos os filmes. Chegar cedo no cinema para poder assistir os filmes na estréia. E eu me pergunto a cada instante: com o que eu vou passar minhas noites de insônia? Para quem eu vou torcer para que acabe com o Voldemort? Quem vai ter a audácia de tomar o lugar do meu herói? Não se muda de herói tão rápido, principalmente quando se torce pelo mesmo herói desde seus três anos de idade.
Sim. São três horas da matina e eu estou aqui. Acabei de assistir o primeiro filme da minha coleção Harry Potter e o mesmo sentimento de perda se instala sobre a minha pessoa. Talvez você pense que eu sou uma fã lunática e que tenho que procurar um psicólogo. Eu concordo com você.
Eles não sabem, mas nós acompanhamos o crescimento dos atores. Eles não sabem, mas nós baixamos a trilha sonora de cada um dos filmes. Eles não sabem, mas nós temos posteres espalhados pelo quarto. Eles não sabem, mas nós desenhamos fanarts. Eles não sabem, mas nós escrevemos fanfics. Eles não sabem, mas nós temos o uniforme de Hogwarts. Eles não sabem, mas nós queremos ir para Oxford conhecer Hogwarts.
Não, eles não sabem.
E fico me perguntando o que farei depois que tudo acabar. O que serão das minhas fics?
Uma coisa ligeiramente trágica.
Eu quero, um dia, sentar com meus filhos em frente à televisão e dizer à eles: "Olha, isso é Harry Potter. Fenômeno de uma década. Passageiro para aqueles que esquecem. Eterno para quem se lembra." E eu digo agora e juro repetir daqui a dez anos: "EU SOU FÃ!" Porque é verdade.
Voldemort, pode ficar tranquilo... Você não queria ser eterno? Talvez você não saiba, mas você conseguiu. Meus parabéns.
Dedico este pequeno relato para o pessoal da FeB.
Dedico este pequeno relato aos fãs de todo o mundo.
Dedico este pequeno relato à J.k. Rowling.
Dedico este pequeno relato para aqueles que fizeram onze anos e também choraram porque não receberam a carta para Hogwarts.
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N/A: ignorem isso. Estou delirando com o último filme.