O trem da cor vermelha estava à frente dos dois. A garota estava com a mão na cabeça, ainda entendendo como não tinha batido na parede entre 9 e 10.
- E por favor sem magia...
- Fora das aulas – completou ela, parecendo acordar e desgrudar os olhos daquela parede.
- Melhor entrar. É quase nove horas e daqui a pouco não tem cabine vazia. Boa sorte. – disse abraçando ela.
- Eu vou para sua casa no verão? – perguntou ela.
- Claro – e sorriu – Quero que conheça meus filhos e minha esposa.
Ela sorriu por fora, mas por dentro se sentiu incomoda por ter sido enganada por tanto tempo.
Ela segurou a bolsa, agora com mais algumas roupas que eles haviam comprado Madame Malkin - Roupas para todas as ocasiões. Ela havia adquirido casacos, blusas, camisas, calças... Tudo o que ela precisava para ter um ano letivo bom. Além de ter adquirido um livro muito interessante Hogwarts: Uma história.
A garota passou por muitos vagões, até achar um compartimento completamente vazio. Ela entrou rápido, para que ninguém se metesse em sua frente. Então, guardou a bolsa e se sentou ao lado da janela, com o livro fechado no colo.
Ela mirou a rua e pode perceber que Harvalys caminhava na direção da parede que eles atravessaram. Ela abaixou a cabeça e respirou fundo, agora estava sozinha. Ela abriu o livro e tentou ler as pequenas letras que estavam na página, porem, algumas vozes roubaram sua atenção.
- Tiago, para de implicar com a Lily – dizia uma voz feminina.
- Eu não fiz nada – disse com certeza.
- Nunca faz nada – disse outra voz feminina.
- Onde estão o Alvo e o Hugo?
E a porta do compartimento se abriu. Manda permaneceu com os olhos nas letras que ela não compreendia o que eram. Sua respiração era um pouco forte, e ela estava com medo. Era seu primeiro contato com bruxos da sua idade.
- Esperem aqui que eu vou procurar os dois! – disse a primeira voz feminina e ela teve a impressão de longos cabelos cacheados correrem pelo corredor.
- Se senta Lily, eu guardo seu malão! – disse a voz do rapaz.
A garotinha se sentou ao lado de Manda, que se encolheu um pouco. O garoto guardou as malas quadradas dos dois e se sentou na frente de Manda.
- De qual casa você é? – perguntou a garotinha, puxando a capa de Manda.
Manda virou a cabeça para a garota com certa dificuldade. Seu pescoço pareceu uma máquina que precisava de graxa, então ela encontrou os olhos castanho claros da garota, que tinha uma pele clara e cabelos ruivos.
- É meu primeiro ano na escola. Acho que vou para a Grifinória.
Manda arregalou os olhos, não sabia nada sobre isso. Ela esperava saber um pouco mais sobre a escola em seu novo livro. Mas vira que seria impossível ler naquelas condições.
- Desculpa. Ela está meio empolgada – comentou o garoto a sua frente. – Sou Tiago Potter.
E ela virou o rosto para o garoto.
Ele era moreno, de pele um pouco clara e seus olhos eram castanho claro, igual os da garotinha.
- E ela é a pequena Lílian.
- Não me chame assim – disse a menina, cruzando os braços – Já tenho onze anos.
- E continua sendo a minha irmã menor. – e sorriu.
Manda tentou reproduzir um sorriso em seus lábios, o que saiu com pouco sucesso.
- E você? – perguntou Tiago, olhando nos olhos de Manda.
- Manda – respondeu a garota, agora sentindo um fio do coque cair sobre o rosto.
- Manda... Nunca te vi pela escola...
- Namorando há essa hora? – perguntou uma voz desconhecida entrando no compartimento. – Sou Hugo Weasley! – disse o ruivo, se jogando ao lado de Tiago.
- Menos Hugo – disse a morena de cabelo volumoso entrando dentro do compartimento e o fechando.
Manda se encolheu e tentou prender sua atenção no livro. Por alguns instantes ela pensou que viajaria sozinha, mas...
- Hogwarts, uma história? – perguntou a castanha se sentando ao lado da porta. – Li esse livro umas seis vezes. Sou Rosa. – e sorriu.
Manda pela primeira vez sorriu, alguém ali era inteligente, e seria melhor andar com Rosa.
- Ela tem mania de ler – disse um garoto que ela ainda não sabia o nome.
- Sempre teve, não é Alvo. – comentou Hugo.
A castanha revirou os olhos.
Manda olhava eles através dos fios de cabelo que caiam dos seus olhos e sorria com os lábios fechados.
- Seu cabelo – disse a pequena ruiva ao seu lado, ficando de joelhos no banco. – Deixa eu arrumar. – e ela passou os fios do cabelo para trás das orelhas.
Manda percebeu que Rosa a cuidava, tanto quanto os olhos curiosos de Tiago.
Manda respirou fundo.
- É melhor na... – e não terminou de completar.
- Por Merlin! – disse Rosa, com as duas mãos nos lábios.
Alvo e Hugo, que estavam conversando por sussurros pararam instantaneamente e miraram o lugar que os olhos de Rosa pareciam estar petrificados.
Manda respirou forte, sabia o motivo do pavor de Rosa:
- Seus.. seus... – disse Rosa.
- Seus olhos são lindos – comentou a pequena Lily. – Combinam com o meu cabelo. – e sorriu.
Manda pareceu paciente, e resolveu sorrir. Então, a garotinha se sentou e Manda se levantou. Ela olhou para todas as pessoas sentadas.
- Com licença – pediu ela.
Manda jogou o livro no banco e saiu do compartimento, sair nem seria a palavra certa, o mais certo seria “fugiu”.
Ela caminhou pelos vagões e foi até o banheiro. Os alunos estavam muito ocupados conversando em suas cabines, então ela estaria sozinha.
Manda lavou o rosto várias vezes, e percebeu que seus olhos estavam vermelhos de novo.
- Droga. Droga. – repetiu ela algumas vezes.
As lagrimas que pareciam queimar cada centímetro que percorria seu rosto pálido, a deixava mais desesperada. Ela apertou o papel-toalha que estava em suas mãos. Sentiu raiva por ter aqueles olhos e colocar tanto medo nas pessoas. Sua outra mão encontrou seu cabelo, agora quase todo tinha despencado do coque, ela apertou o cabelo com toda sua força.
- Eu gosto. – disse uma voz se referindo aos olhos da garota.
Ela respirou fundo, mas não fechou os olhos e nem os abriu. Tinha vergonha deles.
As mãos calmas de alguém encontrou a mão que estava pressionada com o cabelo negro da garota, então, ela resolveu abrir os olhos.
- Se isso é por causa da Rosa. Olha, ela faz tempestade em copo da água. A tia Hermione também era assim na nossa idade.
- Você não pode entrar aqui, isso é o banheiro feminino. – ela alertou Tiago. – Você me seguiu? – perguntou ela, empurrando ele e com muito mais raiva do que estava.
- Seguir não é o termo exato. – disse ele, mostrando um pergaminho velho a ela.
Ela encontrou a varinha no bolso da capa, e mirou para ele, dizendo o feitiço com rispidez.
- Incêndio – ela ordenou, lembrando o que o tio tinha feito com o casebre no começo da manhã, seus os olhos pegando fogo.
- Protego. – disse o garoto, revelando uma varinha.
O jato de fogo voou de volta na direção de Manda, e ela sentiu Tiago a puxar pelo braço. Impedindo do fogo chegar perto dela e assim, saindo pela janela do trem.
- Você é boa.
- Desculpa, desculpa.. Meu Deus... - sussurrou ela, jogando a varinha no chão.
Tiago riu, se pôs de joelhos e apanhou a varinha para a garota.
- Toma. – e entregou a varinha para ela.
- Me desculpa. Eu não sei nada sobre isso. Eu descobri que ia vir para cá ontem...
- Não sabe nada sobre a escola? – perguntou ele, se afastando um pouco.
- Nem sobre isso – e ela apontou a varinha.
Ele sorriu, e ela retribuiu o sorriso sinceramente.
- Oi Tiago – surgiu um coral de vozes femininas.
- E ai meninas – cumprimentou ele.
Um grupo de garotas com vestes pretas e gravatas listradas das cores dourado e vermelho entraram no banheiro e cochichavam entre si.
- Vamos voltar para o vagão. Eles já devem estar jogando Snap Explosivo sem a gente. – e ele agarrou o punho de Manda, passando pelo bolinho de garotas concentrado na porta.
Os dois caminharam em silencio até o vagão, e quando chegaram lá, muitos doces estavam espalhados pelos bancos.
- Tiago, pensei que você ia demorar mais, eu ia comer todos os feijõenzinhos que você gosta.
- Não ia não Alvo – e todos riram.
Manda entrou e se sentou em seu canto, encolhida.
- Pessoal, a Manda não sabe nada do mundo bruxo. – e Tiago apertou os lábios.
- Comece pelo lado bom! – disse Hugo. – Experimente as varinhas de alcaçuz. – e o ruivo entregou a Manda uma varinha da coloração verde que era melada e cheia de açúcar em volta.
Manda ficou encarando o doce por um tempo, e todos a olhavam.
- Vamos, morde. – disse Lily.
Manda então, encarou o doce e mordeu a ponta. Todos ficaram tensos enquanto ela mastigava e engolia.
- E aí? – perguntou Alvo.
- Gostou? – perguntou Hugo.
- É ótimo – e ela sorriu.
Alvo e Hugo estavam sentados no chão, rodeados de doces.
- Guardamos nossa mesada por um bom tempo, só para na ida para a escola comprar muitos doces. – comentou Alvo.
- Esse ano contamos com a presença dos galeões da nossa segunda garota a freqüentar Hogwarts, Lily. Uma salva de palmas. – comentou Tiago.
Manda riu como todos os outros, e eles bateram palmas.
- Você é nascida trouxa? – perguntou Alvo.
- Ãnn... – Manda pensou um pouco e passou a mão nos cabelos – Trouxa... – ela pensou no que havia estudado na noite passada. – Minha mãe era não-bruxa.
- Ahhh – disse Alvo. – A mãe da Rosa e do Hugo, a tia Hermione, também é. Isso é comum aqui no mundo bruxo, não se assuste.
- Comum para todos nós, menos para alguns Sonserianos – comentou Rosa, tirando o rosto da frente do livro que lia. – Nada contra Alvo. Você é diferente, mas...
Alvo revirou os olhos e corou um pouco.
- O que é Sonserianos? Trabalham para o Ministério? – perguntou Manda, mordendo mais um pedaço do doce.
Todos riram.
- Na nossa escola. Temos quatro casas, para aonde você irá ficar todo o tempo de ensino. Existem quatro: Grifinória, de aonde todos nós somos, e que vão os a casa aonde os valentes são prezados acima do resto.- disse Alvo.
- Tem a Lufa-Lufa, aonde os aplicados são merecedores de admiração. – comentou Tiago.
- Corvinal, aonde são os mais inteligentes. Não sei porque a Rosa não parou lá! – comentou Hugo, e a irmã lhe deu um peteleco na nuca.
- E a Sonserina – disse Rose olhando nos olhos de Manda, e a garota entendeu que aquela era uma forma de pedir desculpas. Agora a castanha a mirava nos olhos. – aonde os ambiciosos vão. Só que, há alguns anos atrás, quando era época de escola dos nossos pais, uma pessoa muito má queria tomar conta do mundo bruxo – e Manda mordeu mais um pedaço do doce e limpou a mão nas vestes, encarando mais ainda a castanha, assim, prestando mais atenção na explicação. – E a maioria de seus seguidores vieram de lá. Hoje em dia é muito comum pessoas de bom coração irem para lá, mas antigamente eram pessoas más. Porem, tem uma pessoa que não suportamos lá...
- Falando de mim? – a posta se escancarou, e bateu na parede.
Todos apertaram os olhos quando a porta se abriu.
- Olha, olha... Vocês pediram esmola para comprar tudo isso? – perguntou um loiro, de cabelos cheios de gel e com uma tentativa de penteado moderno. Ele riu e percorreu os olhos pela cabine.
Manda apenas encarou o garoto, avaliando o aspecto.
- E você pelo jeito gastou todo dinheiro em gel, e ta louco pra comer um. – comentou Tiago. – Pega um bombom – disse o moreno jogando um bombom na direção de Malfoy, que bateu em seu peito e caiu de volta para dentro da cabine.
- Sempre com gracinhas. Meu avô me alertou sobre seus bisavós.E vejamos, tem um nova no grupinho de vocês? – e ele encarou Manda. – E ela tem olhos... vermelhos? Anda usando transfiguração para assustar todos? – ele perguntou, encarando os olhos da garota.
Manda ficou com raiva, como ela andava tendo ataques raivosos naquelas horas que soubera que era bruxa. Então, algo passou pela sua cabeça... se ela desejasse o seu feitiço mentalmente? Será que ele funcionaria?
Ela pegou a varinha, que estava entre a capa, e mirou para a barra da capa do garoto. Que tinha as vestes pretas e gravata prata e verde.
Incêndio... pediu ela, e nada aconteceu.
Incêndio! Suplicou ela, e o clima já estava tenso.
INCÊNDIO! Exigiu ela, e finalmente funcionou!
- Quem está precisando disso é você. Sabe, para tentar arrumar essa seu sebo que está na parte superior da sua cabeça. – e ela sorriu ironicamente. – A propósito, sua capa está pegando fogo...
O loiro começou a pular em cima do fogo, e dois grandalhões o ajudavam. Os dois também traziam as mesmas cores do que o loiro, e quando a capa apagou.
- Você... está...
- Está o que Malfoy? – perguntou uma voz.
- Ah... Patil... – disse o loiro, com desprezo.
- É proibido fazer feitiços a bordo do Expresso! – disse ela. – Vou informar os representantes da sua casa!
- Foi a garota – disse ele, apontando para dentro do vagão.
A garota de pele morena olhou para dentro do vagão, e Manda mordia o resto da varinha de alcaçuz.
- A morena? – perguntou Patil, desconfiada.
- CLARO! – disse em tom mal alto Malfoy.
- Escórpio, faça-me o favor. – e se virou, deixando o garoto sem o que argumentar.
Escórpio lançou um olhar ameaçador a todos e depois se retirou.
- Dava pra fechar a porta, não é? – gritou Alvo, fechando a porta. – Eu e a Rosa estudamos com esse infeliz – disse ele. – Não é Rosinha? – disse Alvo, fechando um pouco dos olhos e fazendo uma cara como quem quisesse dizer algo.
Rose enfiou o rosto no livro.
- Bem, a Manda precisa de uma aula até chegarmos em Hogwarts. – disse Lily. – Vamos lhe contar tudo da escola Manda...
- É só entrar e arrumar uma cabine vazia. E não se esqueça de tudo que eu te falei nessa ultima meia hora – dizia o tio da garota.
O trem da cor vermelha estava à frente dos dois. A garota estava com a mão na cabeça, ainda entendendo como não tinha batido na parede entre 9 e 10.
- E por favor sem magia...
- Fora das aulas – completou ela, parecendo acordar e desgrudar os olhos daquela parede.
- Melhor entrar. É quase nove horas e daqui a pouco não tem cabine vazia. Boa sorte. – disse abraçando ela.
- Eu vou para sua casa no verão? – perguntou ela.
- Claro – e sorriu – Quero que conheça meus filhos e minha esposa.
Ela sorriu por fora, mas por dentro se sentiu incomoda por ter sido enganada por tanto tempo.
Ela segurou a bolsa, agora com mais algumas roupas que eles haviam comprado Madame Malkin - Roupas para todas as ocasiões. Ela havia adquirido casacos, blusas, camisas, calças... Tudo o que ela precisava para ter um ano letivo bom. Além de ter adquirido um livro muito interessante Hogwarts: Uma história.
A garota passou por muitos vagões, até achar um compartimento completamente vazio. Ela entrou rápido, para que ninguém se metesse em sua frente. Então, guardou a bolsa e se sentou ao lado da janela, com o livro fechado no colo.
Ela mirou a rua e pode perceber que Harvalys caminhava na direção da parede que eles atravessaram. Ela abaixou a cabeça e respirou fundo, agora estava sozinha. Ela abriu o livro e tentou ler as pequenas letras que estavam na página, porem, algumas vozes roubaram sua atenção.
- Tiago, para de implicar com a Lily – dizia uma voz feminina.
- Eu não fiz nada – disse com certeza.
- Nunca faz nada – disse outra voz feminina.
- Onde estão o Alvo e o Hugo?
E a porta do compartimento se abriu. Manda permaneceu com os olhos nas letras que ela não compreendia o que eram. Sua respiração era um pouco forte, e ela estava com medo. Era seu primeiro contato com bruxos da sua idade.
- Esperem aqui que eu vou procurar os dois! – disse a primeira voz feminina e ela teve a impressão de longos cabelos cacheados correrem pelo corredor.
- Se senta Lily, eu guardo seu malão! – disse a voz do rapaz.
A garotinha se sentou ao lado de Manda, que se encolheu um pouco. O garoto guardou as malas quadradas dos dois e se sentou na frente de Manda.
- De qual casa você é? – perguntou a garotinha, puxando a capa de Manda.
Manda virou a cabeça para a garota com certa dificuldade. Seu pescoço pareceu uma máquina que precisava de graxa, então ela encontrou os olhos castanho claros da garota, que tinha uma pele clara e cabelos ruivos.
- É meu primeiro ano na escola. Acho que vou para a Grifinória.
Manda arregalou os olhos, não sabia nada sobre isso. Ela esperava saber um pouco mais sobre a escola em seu novo livro. Mas vira que seria impossível ler naquelas condições.
- Desculpa. Ela está meio empolgada – comentou o garoto a sua frente. – Sou Tiago Potter.
E ela virou o rosto para o garoto.
Ele era moreno, de pele um pouco clara e seus olhos eram castanho claro, igual os da garotinha.
- E ela é a pequena Lílian.
- Não me chame assim – disse a menina, cruzando os braços – Já tenho onze anos.
- E continua sendo a minha irmã menor. – e sorriu.
Manda tentou reproduzir um sorriso em seus lábios, o que saiu com pouco sucesso.
- E você? – perguntou Tiago, olhando nos olhos de Manda.
- Manda – respondeu a garota, agora sentindo um fio do coque cair sobre o rosto.
- Manda... Nunca te vi pela escola...
- Namorando há essa hora? – perguntou uma voz desconhecida entrando no compartimento. – Sou Hugo Weasley! – disse o ruivo, se jogando ao lado de Tiago.
- Menos Hugo – disse a morena de cabelo volumoso entrando dentro do compartimento e o fechando.
Manda se encolheu e tentou prender sua atenção no livro. Por alguns instantes ela pensou que viajaria sozinha, mas...
- Hogwarts, uma história? – perguntou a castanha se sentando ao lado da porta. – Li esse livro umas seis vezes. Sou Rosa. – e sorriu.
Manda pela primeira vez sorriu, alguém ali era inteligente, e seria melhor andar com Rosa.
- Ela tem mania de ler – disse um garoto que ela ainda não sabia o nome.
- Sempre teve, não é Alvo. – comentou Hugo.
A castanha revirou os olhos.
Manda olhava eles através dos fios de cabelo que caiam dos seus olhos e sorria com os lábios fechados.
- Seu cabelo – disse a pequena ruiva ao seu lado, ficando de joelhos no banco. – Deixa eu arrumar. – e ela passou os fios do cabelo para trás das orelhas.
Manda percebeu que Rosa a cuidava, tanto quanto os olhos curiosos de Tiago.
Manda respirou fundo.
- É melhor na... – e não terminou de completar.
- Por Merlin! – disse Rosa, com as duas mãos nos lábios.
Alvo e Hugo, que estavam conversando por sussurros pararam instantaneamente e miraram o lugar que os olhos de Rosa pareciam estar petrificados.
Manda respirou forte, sabia o motivo do pavor de Rosa:
- Seus.. seus... – disse Rosa.
- Seus olhos são lindos – comentou a pequena Lily. – Combinam com o meu cabelo. – e sorriu.
Manda pareceu paciente, e resolveu sorrir. Então, a garotinha se sentou e Manda se levantou. Ela olhou para todas as pessoas sentadas.
- Com licença – pediu ela.
Manda jogou o livro no banco e saiu do compartimento, sair nem seria a palavra certa, o mais certo seria “fugiu”.
Ela caminhou pelos vagões e foi até o banheiro. Os alunos estavam muito ocupados conversando em suas cabines, então ela estaria sozinha.
Manda lavou o rosto várias vezes, e percebeu que seus olhos estavam vermelhos de novo.
- Droga. Droga. – repetiu ela algumas vezes.
As lagrimas que pareciam queimar cada centímetro que percorria seu rosto pálido, a deixava mais desesperada. Ela apertou o papel-toalha que estava em suas mãos. Sentiu raiva por ter aqueles olhos e colocar tanto medo nas pessoas. Sua outra mão encontrou seu cabelo, agora quase todo tinha despencado do coque, ela apertou o cabelo com toda sua força.
- Eu gosto. – disse uma voz se referindo aos olhos da garota.
Ela respirou fundo, mas não fechou os olhos e nem os abriu. Tinha vergonha deles.
As mãos calmas de alguém encontrou a mão que estava pressionada com o cabelo negro da garota, então, ela resolveu abrir os olhos.
- Se isso é por causa da Rosa. Olha, ela faz tempestade em copo da água. A tia Hermione também era assim na nossa idade.
- Você não pode entrar aqui, isso é o banheiro feminino. – ela alertou Tiago. – Você me seguiu? – perguntou ela, empurrando ele e com muito mais raiva do que estava.
- Seguir não é o termo exato. – disse ele, mostrando um pergaminho velho a ela.
Ela encontrou a varinha no bolso da capa, e mirou para ele, dizendo o feitiço com rispidez.
- Incêndio – ela ordenou, lembrando o que o tio tinha feito com o casebre no começo da manhã, seus os olhos pegando fogo.
- Protego. – disse o garoto, revelando uma varinha.
O jato de fogo voou de volta na direção de Manda, e ela sentiu Tiago a puxar pelo braço. Impedindo do fogo chegar perto dela e assim, saindo pela janela do trem.
- Você é boa.
- Desculpa, desculpa.. Meu Deus... - sussurrou ela, jogando a varinha no chão.
Tiago riu, se pôs de joelhos e apanhou a varinha para a garota.
- Toma. – e entregou a varinha para ela.
- Me desculpa. Eu não sei nada sobre isso. Eu descobri que ia vir para cá ontem...
- Não sabe nada sobre a escola? – perguntou ele, se afastando um pouco.
- Nem sobre isso – e ela apontou a varinha.
Ele sorriu, e ela retribuiu o sorriso sinceramente.
- Oi Tiago – surgiu um coral de vozes femininas.
- E ai meninas – cumprimentou ele.
Um grupo de garotas com vestes pretas e gravatas listradas das cores dourado e vermelho entraram no banheiro e cochichavam entre si.
- Vamos voltar para o vagão. Eles já devem estar jogando Snap Explosivo sem a gente. – e ele agarrou o punho de Manda, passando pelo bolinho de garotas concentrado na porta.
Os dois caminharam em silencio até o vagão, e quando chegaram lá, muitos doces estavam espalhados pelos bancos.
- Tiago, pensei que você ia demorar mais, eu ia comer todos os feijõenzinhos que você gosta.
- Não ia não Alvo – e todos riram.
Manda entrou e se sentou em seu canto, encolhida.
- Pessoal, a Manda não sabe nada do mundo bruxo. – e Tiago apertou os lábios.
- Comece pelo lado bom! – disse Hugo. – Experimente as varinhas de alcaçuz. – e o ruivo entregou a Manda uma varinha da coloração verde que era melada e cheia de açúcar em volta.
Manda ficou encarando o doce por um tempo, e todos a olhavam.
- Vamos, morde. – disse Lily.
Manda então, encarou o doce e mordeu a ponta. Todos ficaram tensos enquanto ela mastigava e engolia.
- E aí? – perguntou Alvo.
- Gostou? – perguntou Hugo.
- É ótimo – e ela sorriu.
Alvo e Hugo estavam sentados no chão, rodeados de doces.
- Guardamos nossa mesada por um bom tempo, só para na ida para a escola comprar muitos doces. – comentou Alvo.
- Esse ano contamos com a presença dos galeões da nossa segunda garota a freqüentar Hogwarts, Lily. Uma salva de palmas. – comentou Tiago.
Manda riu como todos os outros, e eles bateram palmas.
- Você é nascida trouxa? – perguntou Alvo.
- Ãnn... – Manda pensou um pouco e passou a mão nos cabelos – Trouxa... – ela pensou no que havia estudado na noite passada. – Minha mãe era não-bruxa.
- Ahhh – disse Alvo. – A mãe da Rosa e do Hugo, a tia Hermione, também é. Isso é comum aqui no mundo bruxo, não se assuste.
- Comum para todos nós, menos para alguns Sonserianos – comentou Rosa, tirando o rosto da frente do livro que lia. – Nada contra Alvo. Você é diferente, mas...
Alvo revirou os olhos e corou um pouco.
- O que é Sonserianos? Trabalham para o Ministério? – perguntou Manda, mordendo mais um pedaço do doce.
Todos riram.
- Na nossa escola. Temos quatro casas, para aonde você irá ficar todo o tempo de ensino. Existem quatro: Grifinória, de aonde todos nós somos, e que vão os a casa aonde os valentes são prezados acima do resto.- disse Alvo.
- Tem a Lufa-Lufa, aonde os aplicados são merecedores de admiração. – comentou Tiago.
- Corvinal, aonde são os mais inteligentes. Não sei porque a Rosa não parou lá! – comentou Hugo, e a irmã lhe deu um peteleco na nuca.
- E a Sonserina – disse Rose olhando nos olhos de Manda, e a garota entendeu que aquela era uma forma de pedir desculpas. Agora a castanha a mirava nos olhos. – aonde os ambiciosos vão. Só que, há alguns anos atrás, quando era época de escola dos nossos pais, uma pessoa muito má queria tomar conta do mundo bruxo – e Manda mordeu mais um pedaço do doce e limpou a mão nas vestes, encarando mais ainda a castanha, assim, prestando mais atenção na explicação. – E a maioria de seus seguidores vieram de lá. Hoje em dia é muito comum pessoas de bom coração irem para lá, mas antigamente eram pessoas más. Porem, tem uma pessoa que não suportamos lá...
- Falando de mim? – a posta se escancarou, e bateu na parede.
Todos apertaram os olhos quando a porta se abriu.
- Olha, olha... Vocês pediram esmola para comprar tudo isso? – perguntou um loiro, de cabelos cheios de gel e com uma tentativa de penteado moderno. Ele riu e percorreu os olhos pela cabine.
Manda apenas encarou o garoto, avaliando o aspecto.
- E você pelo jeito gastou todo dinheiro em gel, e ta louco pra comer um. – comentou Tiago. – Pega um bombom – disse o moreno jogando um bombom na direção de Malfoy, que bateu em seu peito e caiu de volta para dentro da cabine.
- Sempre com gracinhas. Meu avô me alertou sobre seus bisavós.E vejamos, tem um nova no grupinho de vocês? – e ele encarou Manda. – E ela tem olhos... vermelhos? Anda usando transfiguração para assustar todos? – ele perguntou, encarando os olhos da garota.
Manda ficou com raiva, como ela andava tendo ataques raivosos naquelas horas que soubera que era bruxa. Então, algo passou pela sua cabeça... se ela desejasse o seu feitiço mentalmente? Será que ele funcionaria?
Ela pegou a varinha, que estava entre a capa, e mirou para a barra da capa do garoto. Que tinha as vestes pretas e gravata prata e verde.
Incêndio... pediu ela, e nada aconteceu.
Incêndio! Suplicou ela, e o clima já estava tenso.
INCÊNDIO! Exigiu ela, e finalmente funcionou!
- Quem está precisando disso é você. Sabe, para tentar arrumar essa seu sebo que está na parte superior da sua cabeça. – e ela sorriu ironicamente. – A propósito, sua capa está pegando fogo...
O loiro começou a pular em cima do fogo, e dois grandalhões o ajudavam. Os dois também traziam as mesmas cores do que o loiro, e quando a capa apagou.
- Você... está...
- Está o que Malfoy? – perguntou uma voz.
- Ah... Patil... – disse o loiro, com desprezo.
- É proibido fazer feitiços a bordo do Expresso! – disse ela. – Vou informar os representantes da sua casa!
- Foi a garota – disse ele, apontando para dentro do vagão.
A garota de pele morena olhou para dentro do vagão, e Manda mordia o resto da varinha de alcaçuz.
- A morena? – perguntou Patil, desconfiada.
- CLARO! – disse em tom mal alto Malfoy.
- Escórpio, faça-me o favor. O responsável pela sua casa será informado. – e se virou, deixando o garoto sem o que argumentar.
Escórpio lançou um olhar ameaçador a todos e depois se retirou.
- Dava pra fechar a porta, não é? – gritou Alvo, fechando a porta. – Eu e a Rosa estudamos com esse infeliz – disse ele. – Não é Rosinha? – disse Alvo, fechando um pouco dos olhos e fazendo uma cara como quem quisesse dizer algo.
Rose enfiou o rosto no livro.
- Bem, a Manda precisa de uma aula até chegarmos em Hogwarts. – disse Hugo. – Vamos lhe contar tudo da escola Manda...