POV Lilian
Hogwarts. Esse lugar ocupou quase todos os meus sonhos. Desde quando tinha três anos, quando estava na casa da vovó Molly, enquanto ela limpava a casa, espirrei fazendo a Toca tremer. Meus tios disseram “essa vai fazer sucesso em Hogwarts”, mesmo naquela época não sabendo o que significava, eu já queria.
Agora enquanto entrava no castelo, vendo grupos de alunos ocupando as mesas de suas casas me empolgava. Os professores estavam apostos atrás de uma grande mesa e no centro, logo acima de um banquinho jazia o chapéu seletor.
Estava de mãos dadas com meu primo Hugo, ele parecia que ia desmaiar a qualquer hora, lembrava muito tio Rony. Quando seu nome foi chamado ele quase tropeçou, pelo menos não caiu do banco como Heitor Longbottom que ficou um minuto sentado depois do chapéu o indicar para Corvinal a casa de sua mãe e minha madrinha, Luna.
“Grifinória”.
Ecoou a voz do chapéu, fazendo Hugo respirar aliviado e indo encontrar nossa família. Um frio no meu estomago me deixou ansiosa e empolgada, enquanto o nome Lilian Potter era chamado.
Quando o chapéu começou a falar prendi a respiração, só soltei quando ele terminou e saiu numa careta de mau gosto.
“Sonserina”.
Ninguém da Grifinória bateu palma, de susto. Meus irmãos me encaravam como se fosse um trasgo. Eu podia escutar daqui a voz de tio Rony e vovô Arthur: “nenhum bruxo com sangue Weasley foi de alguma casa que não fosse Grifinória, etc”.
Na verdade me sentia mal, olhei para a mesa da outra extremidade. Vestes completadas com verde e prata, sentia um medo pulsar bem no interior, medo pelo desconhecido. Segui minha rota sentando à mesa de minha casa, Sonserina.
Quando a ultima aluna foi chamada, tive certeza que o chapéu seletor precisava se aposentar. Alana Jones foi anunciada na Sonserina, tudo estaria tranqüilo se a menina não fosse trouxa. NUNCA um trouxa foi escolhido para Sonserina. Quando se sentou a mesa todos se amontoaram tomando distancia, fiquei com pena e descobri que nesse momento, teria uma amizade aqui.
— Oi. — eu disse a ela.
— Eu sei por que estão estranhos, li no livro Hogwarts, uma historia.
— No livro explica por que da estranheza deles? — apontei para o grupo de indesejados.
— Sou uma trouxa. — ela disse quase chorando, mediante aos olhares.
— Você é uma bruxa e isso que importa. — disse pegando em sua mão.
Graças a Merlin Alana estava comigo, mas não me impediu de escrever uma carta cedinho pedindo ajuda a meus pais.
Fui ate o quarto e as outras três meninas cochichavam que a cama perto da parede era da trouxa, elas queriam distancia. Fiquei com a cama ao lado dela e dormi enquanto chorava baixinho, não era assim que imaginei passar minha primeira noite em Hogwarts.
No outro dia tinha um alvoroço durante o café da manha. Gemi quando entendi o por quê.
“Harry Potter”, “é ele”, “ele derrotou você-sabe-quem”...
O que em nome de Merlin Harry Potter, quer dizer, meu pai estava fazendo aqui?
Viper Karkaroff o diretor da Sonserina veio torcendo o nariz ate onde estava sentada.
— A diretora McGonagall quer te ver agora!
E não me restou muito se não segui-lo ate a sala da diretora.
De frente a professora e com óculos de redondos, estava meu pai.
— Como está Lilly? — perguntou me abraçando.
— Bem?
— Vim aqui conversar com a senhora McGonagall, não quero Lilian se sentindo sozinha por estar na Sonserina.
— Pai, eu não vou mudar de casa! — disse convicta.
Meu pai alternava olhares entre mim e a diretora, ela por sua vez não sabia o que dizer, apenas olhava.
— Achei sua carta meio desesperadora.
— Meio que tem uma pessoa, Alana, dividimos o dormitório, ela era trouxa... — deixei o assunto se perder.
Imaginar ela sozinha naquele local me arrepiava, ou ficaria louca com as azarações que pregaria nela, ou pediria para sair.
— Entendi... — disse a diretora, sorrindo para meu pai.
— Como sempre, o chapéu seletor sabe o que faz, você esta no lugar certo Lilly. — meu pai disse antes de se despedir.