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3. the perfect mysterious wand.


Fic: Herdeira _ pós DH


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A garota engoliu seco. O tio nunca era sério, sempre fora engraçado e compreensivo. Ela entendia que quando era sério o assunto, suas palavras e voz era rude. Como da vez que ele a proibiu de falar com as cobras.


- Tio.. – e ela se virou para ele, com o olhar assustado e mirou a varinha na mão do tio.


Ela se calou, ficou observando o tio, que agora parecia muito mais sério do que o normal.


- Se sente – disse ele, fazendo um gesto com a mão e a cadeira deu espaço para ela se sentar.


Um pouco receosa, a garota se sentou.


- Manda.. – disse o tio, colocando as xícaras no lugar e encarando a mesa – eu não sou seu tio.


- COMO? – perguntou ela, se levantando bruscamente e deixando cair a cadeira atrás dela.


Uma onda de ódio tomou conta das veias da garota e ela sentiu seu sangue ferver.


- Sente-se – disse ele, ainda mirando a mesa.


- Porque vou sentar? Você não manda em mim! Nem sou sua sobri...


- Sente-se – disse ele, agora mirando os olhos vermelhos dela. – Por educação.


Ela respirou, e se sentou.


- Há um outro mundo além desse.. aonde a magia é normal para todos que vivem nele. – explicou o tio. – e você é parte desse mundo, tanto quanto nós.


Ela olhou de relance para os homens.


- Esses são Harry Potter e Ronald Weasley, aurores, igual a mim.


- Au o que?


Ele sorriu para a expressão confusa de Manda.


- Como no mundo dos trouxas, os não-bruxos, no mundo bruxo existem pessoas fora das leis e que se vão para o lado das trevas. Aurores combatem essas pessoas.


Manda fez uma cara de quem compreendeu, mas mesmo assim estava muito irritada.


- Há muitos anos um bruxo das trevas começou a reunir seguidos, seu nome era Voldemort, ou como seus servos o chamavam, Lord Voldemort, o Lord das Trevas...


A história foi contata detalhe por detalhe para a garota, que pareceu bem interessada. Harry e Rony participaram de alguns pontos da explicação, mas na maioria do tempo permaneceram em silencio.


-... Por questões obvias, você tem uma vaga nessa escola. Seu pai, que morreu logo depois que sua mãe veio a falecer, também era um bruxo. Você não foi recrutada para lá aos onze anos porque o Ministério da Magia não sabia da sua existência. Mas pelos esforços minuciosos e sem cansaço de Harry Potter e seus companheiros, amanhã, você embarca para a escola.


O coração e a cabeça de Manda pareceram pequenos para tanta novidade e informação. Seus olhos pareciam estar nervosos, mas ela sempre soube que era especial. Algumas vezes tinha a impressão de ver um rosto na sua lareira, corujas chegarem com cartas (ela julgava que era alguma comida em meio a um papel), ou talvez as vassouras a mais e que seu tio não a deixava usar.


- Vou partilhar da primeira série com os iniciantes? – perguntou ela ao tio.


Harry tossiu, pedindo permissão para explicar, e o tio de Manda lhe lançou um olhar confortante.


- Como seu pai lhe deixou uma herança, você terá um tempo para estudar e terá algumas aulas particulares e depois faremos alguns testes para ver em que série você se enquadra melhor. – disse o moreno.

A mentira que o pai da garota havia voltado ao mundo bruxo e não sabia da existencia dela colou perfeitamente, pelo menos aparentemente... 


Manda por um instante encarou os olhos do homem. Imaginou tudo que seu tio lhe contou sobre o que ele passara nas mãos de seu pai. Seu coração se apertou e ela mirou o chão.


- Não quero ir.


- Eu disse – disse o “tio” da garota.


- O que vão achar de mim? Vão viver três metros longe! Os professores vão me banir da escola por colocar medo nos alunos! Por acaso lá é normal alguém ter olhos vermelhos? – perguntou ela,  apontando para os próprios olhos.


- Transfiguração pode lhe ajudar um pouco.– comentou Rony.


Como um isqueiro, pareceu se acender uma leve luz de esperança dentro dela.


Ninguém havia dito a ela sobre de quem ela era herdeira, ela não sabia que era herdeira de Voldemort. Agora não era a hora de contar a ela.


- Você deixa eu ir tio? – perguntou ela ao homem.


- Ah minha pequena – disse ele, se abraçando em meio a um pranto controlado a garota. – Claro que sim. E nas férias de verão espero lhe ver na minha casa.


Ela apenas sorriu, mas não estava sorrindo de felicidade. Era algo um pouco negro que tomou conta dela por alguns instantes. Ela colocaria medo naqueles que olhassem torto para ela, e isso, era algo positivo, lá no fundo.


 


A garota estava com o cabelo preso em um coque, as vestes negras e compridas escondiam o corpo. Tinha adotado uma capa, que havia sido presente do tio de mentirinha. Sabia que seu guarda roupa teria que ser a base de muita roupa que escondia os braços: a sua “marca de nascença” não era bem vista por nenhum bruxo, mesmo ela gostando da marca.


A garota tinha virado a noite lendo alguns livros que havia ganhado sobre o mundo bruxo dos dois aurores do Ministério, Harry e Rony, e estava se sentindo um pouco cansada. Mesmo assim, ia apartar junto ao seu tio para o Beco Diagonal, aonde compraria uma varinha e depois partiria direto para embarcar no trem da escola.


- Pronta? – perguntou o tio.


- Não – foi sincera.


- Incêndio – ordenou o tio, com um aceno da varinha para o casebre.


A casa que Manda viver estava pegando fogo na sua frente. Ela pode sentir que seu tio a olhava pelo canto dos olhos. A garota ainda estava possuída pela raiva de ter sido enganada por seu tio, e não demonstrava nenhum ressentimento quando a casa pegou fogo. 


- Segure meu braço – pediu o homem.


A garota apanhou a pequena mala de roupas e se agarrou ao braço do tio. Encarou pela ultima vez a casa em chamas, e o sol que nascia atrás da lápide de seu avô.


Como se fosse puxada em todas as direções em um vácuo profundo, essa era a sensação que ela descreveu. Mas ela não se apavorou, sabia guardar seus sentimentos o mais profundo que fosse.


Quando a luz do sol começou a se projetar em meio aquela viajem perigosa e estranha.


Eles atingiram o chão, e ela pousou de forma delicada, como se tivesse pulado de um degrau de uma escada. 


- Excelente chegada. – comentou o homem.


- Por quanto tempo essa poção vai deixar meus olhos dessa coloração escura? – perguntou ela nervosa.


- O bastante para sairmos daqui do Beco. Vamos – e ele agarrou o braço dela.


O Beco Diagonal estava vazio, as lojas nem tinham aberto ainda. Os dois partiram para a última loja que era estreita e feiosa. Letras de ouro descascadas sobre a porta diziam Olivaras Artesãos de Varinhas.


Manda revirou os olhos, respirou fundo e esperou o tio bater no vidro duas vezes. Logo um senhor atendeu a porta.


- Senhor Olivaras, você recebeu a coruja do Ministério? – perguntou o tio de Manda.


- Sim senhor. O senhor Harvalys e a senhorita... – o senhor se calou quando Manda tirou a toca da capa, que cobria sua cabeça.


- Só Manda. – e ela encarou o senhor.


Ele respirou freneticamente, certamente estava com medo dela. A garota permaneceu séria. Não seria a garotinha sorridente e amiga de todos, não fazia o perfil dela.


Manda sentiu o homem se afastar um pouco quando ela entrou na loja. A garota observou os armários empoeirados e o caos da pintura das paredes.


Ninguém sabia, além de alguns aurores e o Ministro da Magia,  e agora Minerva (atual diretora de Hogwarts) que existia uma herdeira do Lord das Trevas, imagina se alguém mais soubesse? O terror que não seria?


- Separei algumas... – disse Olivaras, mostrando em cima do balcão algumas. – Experimente querida. – disse ele a Manda. Ela cedeu o pedido do homem e apanhou a varinha que o senhor a ofereceu. – Essa é do pelo do rabo do unicórnio mais branco de toda França.


Manda passou o dedo indicador na varinha.


- Tente chamar algo para você.


Ela confirmou com a cabeça. A garota despiu a capa, caminhou até o outro lado da loja e a deixou no chão. Ela voltou até a frente do balcão e ordenou:


- Accio Capa.


Nada ocorreu.


- Tente essa, feita com a escama do rabo de uma sereia – e lhe ofereceu outra varinha.


- Accio Capa. – nada se mexeu, a não ser fora da loja, aonde os donos da loja começavam a chegar para abrir seus estabelecimentos comerciais.


- Temos até perto das nove da manhã – informou o tio dela.


Enquanto Manda tentava varinha por varinha que o Sr. Olivaras lhe deixou exposta em cima da mesa. Olivaras chegou perto de Harvalys e sussurrou com a mão nos lábios.


- Fazia tempo que não aparecia alguém tão difícil sabe... Depois de Harry Potter, a maioria das pessoas encontrava sua varinha na segunda ou terceira tentativa


- Posso ver as prateleiras senhor? – perguntou Manda, sendo gentil.


- Claro, quem sabe assim você não se sinta mais a vontade. Aceita um chá Harvalys?


- Seria ótimo.


Manda caminhou entre as prateleiras, e os dois senhores tomavam seu chá em meio a histórias e gargalhadas.


- Então o senhor passou tudo isso pelo chifre de um unicórnio? Olivaras, o senhor não pode se arriscar tanto assim – disse Harvalys tentando controlar a gargalhada.


Olivaras também ria, quando a capa do canto da sala voou para o meio das prateleiras.


Os dois pararam de rir, e Harvalys até cuspiu um pouco do chá que estava levando aos lábios.


Os passos da garota foram a única coisa que escutaram, e ela chegou a frente deles com uma varinha da cor preta,  que logo Olivaras reconhecera a composição que ele levou anos para fazer. Vinte e três centímetros, flexível, feita do cravo amarelo (que represente o desdém) e o núcleo era feito do dente do basilisco, que meramente tinha ligação com o diário de Tom Riddle (que fora depositado um pedaço da alma de Voldemort).


- Achei a varinha perfeita. – e sorriu para a própria varinha.

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