FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

9. Círculo 02. Contos ciganos


Fic: Harry Potter e a Ordem de Merlin


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

  N/A: Só uma notinha rápida, queria agradescer pelos comentários até agora, e pelas pessoas que se indicaram pra serem meus betas. Pois bem, eu já escolhi a pessoa que aparentemente tinha mais experiência (quatro anos) e que também era a que mais comentava as minhas fics, esse capítulo já foi revisado por ela, mas ainda não ta bem como eu queria, normalmente eu o reescreveria de novo, mas to sem nenhum tempo pra isso, até agora os capítulos saíram semanais, mas o ritmo vai diminuir a partir desse capítulo. Não se preocupem, não vou desistir da história, essa é a minha favorita.
  E mais uma coisinha, queria pedir pras pessoas que acompanharem essa fic e ainda não deixaram comentário nela, pra que escrevam e me digam como ela esta, ainda sou novato e a participação dos leitores seria fundamental pro meu desenvolvimento como escritor.
  Desculpe tomar o tempo de vocês com esse recado chato, e obrigado a todos desde já.





  Há dias que vários sujeitos encapuzados como aqueles rondavam a cidade. Eles perturbavam os cidadãos, perguntando sobre uma garotinha loira, de nove anos, um deles era enorme, tão grande que chamava a atenção por onde passava, devia ter quase três metros de altura e seus braços eram da largura do tronco de um homem comum. O outro homem era menor, como um ser humano comum ainda que alto. Não dava pra dizer mais nada deles, por que se vestiam com longos mantos escuros, cobrindo todo o corpo e os rostos, escondidos por capuzes.


  Até o momento eles não haviam tido grandes progressos, era como se ela tivesse desaparecido do mapa depois de pegar o trem pra aquele lugar, segundo informações que eles conseguiram recolher. Não era possível que uma garotinha de nove anos conseguisse desaparecer daquela forma, por mais experiência em fugas que ela tivesse...


  O gigante tirou a foto de dentro do manto marrom e a olhou de novo. Loira, bem pequena e delicada, com olhos grandes e bastante expressivos, ao todo, uma garotinha muito bonita, alguém devia ter reparado nela...


  -Ei, Mike! - ele olhou ao redor, rosnando irritado, procurando quem o tinha chamado - Encontramos!


  Ele rapidamente guardou a foto de volta no bolso e correu em direção ao seu companheiro, que sorria animado com a expectativa, embora seu rosto estivesse imerso em sombras, dava pra ver os cantos da boca repuxados num sorriso cruel.


  -Onde ela esta? - mal chegou de frente a ele e estava perguntando, a voz seca e ríspida.


  -Calma... - o seu companheiro deu as costas, ignorando a frustração aparente do gigante e voltando a caminhar, ao que ele o seguiu de pronto, resmungando - Não achamos a garota, mas um comerciante diz a ter visto.


  -Onde? - Mike perguntou, impaciente.


  -Ali naquelas barracas - seu companheiro apontou, parecia se divertir com o mau humor do irmão - Vim te chamar pra fazer algumas perguntas pra ele.


  -Certo...


  Eles continuaram andando em direção a uma barraca, onde um punhado de pessoas se aglomerava, parece que não seria nem ao menos necessário fazer perguntas, por que não só um como dois mercadores e mais outro velho contavam a história, em vários momentos ele pareciam ter diferentes opiniões, e começavam a brigar.


 


  -Estou dizendo! - gritou o mercador mais gordo, que estava com um imenso hematoma no centro do rosto, o nariz torto - Era um filhote do demônio! Qualquer outra coisa não conseguiria fazer aquilo!


  -Pare de falar tolices! - disse o velho, zombando do mercador - Você viu o lobo aos pés dele?! Aquele com certeza era um caçador! O fantasma de um caçador que voltou pra se vingar!


  Ambos os magos ficaram assistindo por alguns minutos a discussão dos três, as opiniões deles eram muito difusas, só concordavam num único ponto: Seja lá o que fosse não era humano. Mas isso não importava em nada para Mike, ele deu um passo à frente e pegou ambos pela gola, quase os levantando do chão.


  -Parem de discutir como menininhas, seus tolos supersticiosos - ele disse, não precisou elevar muito a voz pros dois homens tremerem, no fim eram covardes - Não importa que raio de criatura apareceu, tudo o que eu quero saber é se viram essa garota.


  Ele jogou ambos no chão, que deram um passo pra trás recuperando o equilíbrio, e tirou uma foto do bolso do sobretudo, mostrando uma garotinha sorridente, nos braços de sua mãe.


  -O nome dessa garota é Lucy - ele apontou pra garota loira, e o mercador se lembrou vagamente daqueles olhos, os mesmos olhos e o mesmo cabelo da ladrazinha que o havia roubado - Onde a viram, e onde ela esta agora?


  -Essa garota roubou uma maça da minha venda - o mercador estreitou os olhos, com uma raiva aparente - E depois correu, até aqui. Consegui pega-la, mas quando estava a ponto de castigá-la um fantasma apareceu...


  -Como assim fantasma?! - o mago perguntou, interessado - E o que quer dizer por castiga-la?


  -Eu iria decepar sua mão - ele disse sem se abalar - é o que fazemos com os ladrões por aqui, quanto ao fantasma, ele apareceu derrepente, usava um longo manto que parecia ser feito da própria névoa que cerca o oceano, tinha até o mesmo cheiro, e era branco como neve. Ele segurou meu braço e o torceu, antes que eu conseguisse dar o golpe.


  Ele andou até uma mesa e começou a fazer gestos, primeiro como se estivesse segurando um facão ou um cutelo, segurando algo na mesa pra depois cortar, e depois como se alguém tivesse torcendo seu braço com força. Explicou que isso o fez largar o cutelo, e muitas pessoas fugiram na mesma hora.


  -Junto do fantasma tinha um lobo - continuou o mercador, contando a história - Era enorme, e assustador. O lobo era feito puramente de fogo, que crepitava como numa fogueira, os olhos dele eram chamas verde esmeralda, assim como os do fantasma.


  -E a garota?- perguntou Mike, impaciente - Quero saber da garota!


  -Ela caiu pra trás, parecia tão assustada quanto todo mundo! - disse o mercador, apontando pra um lugar em especial no chão, próximo a mesa onde ele ia decepar o braço da garota - O lobo ficou a frente da garota, como se tentasse protege-la de todos os outros.


  -E o que aconteceu depois? - perguntou o outro mago, que parecia mais interessado na história do mercador que o seu parceiro - Como conseguiu esse nariz quebrado?


  -Já ia chegar lá... - o mercador bufou irritado, tocando o nariz e gemendo de dor com isso - O fantasma branco se agachou próximo a menina, e conversou algo com ela, que não deu pra entender, depois ela se levantou, e entregou a maça que tinha roubado a ele, se curvando respeitosamente.


  O velho deu um passo na frente, pra irritação do mercador, e continuou ele mesmo com a história:


  -Eu ouvi o que ele disse! Estava na outra barraca e consegui ouvir! Ele perguntou a ela o que tinha roubado, e ela entregou-lhe a maça!


  -Sim, sim... E depois?! - perguntou Mike, que também estava começando a ficar interessado no tal fantasma branco.


  -Depois... - o mercador se benzeu, tremendo com a lembrança - Ele olhou pra mim, estava com a maça em mãos. A princípio pensei que ia agir corretamente e devolver o que era meu, mas seus olhos... queimavam como o fogo do inferno, eu não consegui nem mesmo me mexer, fiquei apavorado.


  -Era como olhar para um lobo - continuou o velho, agora os dois estavam complementando a história um do outro, e pareciam nem mesmo perceber isso - Ele pegou a maça e jogou com força na cara dele, tudo o que restou foi o suco, até mesmo as sementes arrebentaram devido a força sobrenatural dele!


  Ele apontou o nariz do mercador, que resmungou zangado de novo.


  -Onde a garota foi depois disso?! 


  -Eu fiquei zangado com o fantasma, por um momento perdi a razão e achei que poderia lutar com ele - continuou o mercador, ignorando o pedido do mago - mas ele puxou uma adaga de prata da cintura, e apontou na minha direção, me ameaçando...


  -Uma adaga de caçador! - gritou o velho, apontando o dedo magro pro nariz do mercador - Era uma adaga de caçador, viu seu paspalho! Eu disse que era o espírito irritado de um caçador que morreu nas flores...


  -Cale a boca, velho gagá, ele...


  Mike puxou os dois pelo pescoço de novo, e seu parceiro imediatamente se moveu junto com ele, ambas as mãos dele foram envoltas num fogo roxo, e ele as aproximou do rosto dos dois homens, que se debatiam desesperadamente, olhando assustados pras mãos em chamas dele.


  -Vão me contar onde diabos esta aquela garota, ou não...?! - perguntou Mike, a voz saindo arrastada, como se ele estivesse contando até dez pra não matar aqueles bastardos.


  Ambos fizeram que sim muitas vezes, segurando os braços do outro mago, numa tentativa inútil de manter o fogo afastado dos seus rostos. Vendo que concordavam com a história, Mike os soltou, respirando devagar, pra conter o nervosismo, o outro mago agitou as mãos no ar, e o fogo se apagou, da mesma maneira que se apaga um fósforo.


  -Ela foi pra lá! - ambos disseram juntos, assustados - O fantasma branco mandou que a garota o seguisse, em seguida ele sumiu, indo praquela direção.


  Eles apontaram pra longa rua, que seguia com várias barracas de atrações, onde os ciganos apresentavam seus números de dança, e os mercadores leiloavam peças raras do outro continente, feitas de metais que não existiam em Fiore, os compradores pechinchavam e o cheiro de tempero enchia as ruas. Dava pra descrever aquilo como um lugar agitado e atulhado de pessoas, que andavam de um lado a outro, aproveitando algo que só acontecia a cada três anos, pra quebrar a rotina diária.


  -Era só o que queríamos saber - resmungou Mike, de mau humor - Poderia ter poupado nosso tempo e dito isso logo do começo, seus patetas...


  Os mercadores se curvaram, pedindo desculpas assustados, enquanto o outro mago colocava as mãos no bolso da calça, parecendo tranquilo e descontraído, o perfeito contraste com seu parceiro.


  -Não acho - disse ele, que se chamava Jim - Acho que foi uma boa história, e vai ser divertido matar esse fantasma, quando o encontrarmos...


  Ele sorriu de um jeito doentio e excitado com a hipótese, como se matar fosse algo que o divertisse muito, e ele não pudesse esperar pra fazê-lo. Mike deixou os mercadores se desculpando sozinhos, andando na direção que eles tinham apontado, e Jim se apressou a segui-los, mas antes se virou aos moradores, com um sorriso simpático no rosto.


  -Sabe... - ele disse - Acho que você deveria agradecer e muito a esse fantasma...


  O mercador com o nariz quebrado olhou pra ele como se estivesse ficando louco, no qual o mago apenas riu em deboche:


  -Fomos contratados pra encontrar aquela garotinha - ele disse, sorrindo ainda mais ao ver ao ver a confusão do mercador se transformar lentamente em apreensão, e depois em medo - Não acho que tenha ouvido o nome completo dela ainda... É Lucy Heartfilia... Até mais!


  Ele correu, se apressando a seguir o seu parceiro, enquanto o mercador olhava vidrado na parede, lembrando do fogo nas mãos do mago tão perto dos seus olhos, por um momento agradeceu mesmo aquele fantasma, afinal, se tivesse decepado o braço da herdeira dos Heartfilia, teria um castigo muito pior do que um nariz quebrado...


 


 


  Num restaurante, distante de onde aqueles magos interrogaram os mercadores, um garoto de doze anos puxou o capuz por cima dos olhos, era uma coisa que ele tinha se acostumado a fazer, quando estava envergonhado ou mesmo distraído.


  A garotinha a sua frente já tinha parado de comer a alguns minutos, e agora estava descansando preguiçosamente na cadeira, com um sorriso enorme no rostinho manchado de molho. Ele riu, não entendia como alguém tão pequena conseguia comer tanto, ela devia ter passado por maus bocados, estava com muita fome e muito cansada. Lembrou-se de quando ela se curvou e estendeu a maça pra ele, flashs do mercador a perseguindo pela fruta roubada e do tempo que agonizou no seu cofre, há alguns anos atrás... Sentir fome e não ter o que comer era uma tortura lenta, que te corroia por dentro e levava embora sua sanidade, ele sabia muito bem o que era sentir isso...


  Por mais que quisesse deixa-la dormir, ele precisava saber quem era ela, não teria como ajuda-la se não soubesse ao menos seu sobrenome. Delicadamente, ele pegou alguns lenços de papel de um pote e se inclinou mais na mesa, limpando o molho do rosto daquela garotinha.


  Ela gemeu e abriu os olhos em frestas finas, olhando ao redor e tentando entender o que estava acontecendo. Deu de cara com dois olhos verdes tranquilos, a encarando profundamente, e corou como um pimentão com a proximidade deles, fazendo o dono daqueles olhos rir baixinho, achando graça da vergonha da garota.


  -Então, Lucy - ele disse gentilmente pra ela - Esta satisfeita?


  Ela não entendeu de cara o que ele disse, tentou se lembrar de onde estava e de quem era ele, até que as lembranças vieram de uma vez na sua cabeça, lembranças dela distraindo o mercador pra roubar uma maça, correndo entre a multidão tentando despista-lo e o momento em que ele apareceu, como um fantasma branco, salvando a vida dela. Havia sido incrível, de qualquer ponto de vista ou angulo que se encarasse a situação, depois ele a tinha trazido ali e comprado comida pra ela. Lucy corou envergonhada, tentando achar uma forma satisfatória de explicar o quanto sentia muito por ter o incomodado tanto.


  Tudo o que ela conseguiu foi balbuciar algo incompreensível, nervosa e envergonhada, que fez o garoto rir de novo. Ele não devia ser muito mais velho que ela, mas seus olhos eram de alguém muito mais velho, olhos de quem já vira coisas horríveis, ou que já fizera coisas horríveis. No entanto, não era os olhos de alguém malvado, ela sabia disso, por mais assustador que ele fosse, ele era uma boa pessoa.


  -Lucy - ele disse, agora um pouco mais sério que antes, a encarando profundamente - Quem é você?


  Essa pergunta pegou a garota de surpresa, ela mordeu o lábio inferior, tentando pensar rapidamente no que dizer, que não fosse a verdade, mas nada vinha a sua cabeça. Quando tempo demais já tinha se passado ela se lembrou de um dos empregados do seu pai, e sem nem pensar usou seu sobrenome, qualquer outro seria melhor que o seu.


  -Lu-Lucy Oak... - ela disse, tentando evitar o olhar dele, mas era impossível, era como estar hipnotizado por uma cobra. Agora que ela havia notado, as pupilas dele eram pontiagudas, apenas finos riscos verticais no meio do profundo verde das íris dele.


  Harry, ou Fenrir como os ciganos o chamavam, sorriu de canto, não era exatamente um sorriso amigável, era mais um sorriso divertido e ferino, um sorriso assustador, ela sabia, de alguma forma, que ele conseguia ver quando ela mentia pra ele.


  -Então... - Harry disse, a voz saindo um pouco mais arranhada, divertida, e no entanto mais perigosa - Lucy Oak... De onde você vem?


  Ela engoliu em seco, pensando em como sustentar sua mentira agora que ele queria saber mais. Não podia negar uma resposta ou sair dali, e nem faria se pudesse, ele tinha a salvado dos mercadores e pago um almoço - um grande almoço - pra ela, era mais do que justo ter algumas respostas.


  Por fim ela decidiu contar a verdade, mas em forma de mentira. Afinal, se o problema era somente seu sobrenome, não deveria ter problema nenhum contar sua história, usando o sobrenome de outra pessoa, não é?!


  -O... meu pai - Lucy engoliu em seco lembrando do seu próprio pai, sentado como um Deus inalcançável atrás da mesa do seu escritório - tinha planos pra mim... planos que eu não queria seguir...


  Harry piscou impressionado, se aquela garota estava fazendo o que ele pensava que estava fazendo. Já tinha alguma noção de quem ela era, e só queria confirmar, aparentemente ela não diria o sobrenome do seu pai publicamente, já que isso atrairia a atenção de sequestradores e ladrões, que poderiam tentar tirar vantagem da garota. Então simplesmente contar por que havia fugido, utilizando o sobrenome de outra pessoa, era uma estratégia inteligente, inteligente demais pra uma garotinha de nove anos.


  -... Ele é o dono da companhia Oak - ela continuou, dando ênfase no sobrenome - que constrói ferrovias por toda Fiore...


  Se fosse isso fosse um anime daria pra ver uma gota escorrendo pela cabeça de Harry. "Não.. - ele pensou - Ela não é tão inteligente assim". A companhia Heartfilia era a única que construía ferrovias em Fiore, qualquer um que ouvisse aquela história ligaria os pontos e descobriria que ela estava mentindo. Apesar de tudo era apenas uma garotinha assustada de nove anos.


  -Meu pai queria me obrigar a casar com um homem que eu mal conhecia - Lucy colocou as mãos no rosto, os olhos dela estavam molhados e escorrendo lágrimas - Eu não podia fazer isso... Então eu fugi! E não vou voltar nunca mais!


  Suspirei cansado, pensando no problema que tinha arrumado. Não poderia deixar aquela garotinha sozinha, e também não poderia devolver ela pro seus pais, não era certo uma garotinha de apenas nove anos ter que se casar...


  -E a sua mãe, Lucy...?


  Mal ele terminou de dizer isso se arrependeu, os olhos de Lucy tremeram e as lágrimas escorreram mais abundantemente, estava a ponto de se desculpar e conforta-la quando sentiu um arrepio na espinha, junto com uma magia poderosa se aproximando.


  No mesmo instante ele pulou da cadeira pra cima de Lucy e a abraçou, enquanto a mesa dos dois explodia num mar de fogo arroxeado.


 


  Mike e Jim seguiam pelo caminho em que os mercadores indicaram, já estavam andando a quase meia hora, e não os haviam encontrado, embora várias pessoas comentarem sobre um garoto com uma capa branca passar correndo por ali, carregando alguém nos braços, por isso eles continuavam seguindo pela rua margeada pelas barracas.


  -Ei, irmãozão... - disse Jim, sorrindo descontraído, enquanto Mike bufava zangado - Será que esse cara é perigoso?


  -Como vou saber...


  -Se for forte eu posso matá-lo? - ele sorriu com a perspectiva - Por favor!


  -Faça o que quiser - cuspiu irritado o maior dos magos, que parecia com problemas pra controlar seu mal humor - Só me deixe em paz!


  O mago mais jovem sorriu divertido ao ver o rosto de Mike avermelhar, ele estava de muito mal humor mesmo...


  -Ei, irmãozão! - ele continuou, ignorando o bufo irritado do mais velho - será que a garotinha é mesmo a Heartfilia mesmo, hein?!


  -Como vou saber...


  -Por que, se for - o mais novo continuou, sorrindo como uma serpente - Não vamos devolvê-la, não é?!


  Pela primeira vez Mike sorriu, um sorriso tão sinistro e desprovido de humor quanto o do seu irmão:


  -Não... - ele disse, sorrindo fracamente - A recompensa que o velhote Heartfilia nos prometeu não vai ser nada se comparado com o que receberemos se a sequestrarmos!


  -Ei, irmãozão! Irmãozão! - continuou sorrindo sinistramente o mais nono, fazendo Mike voltar ao mau humor de antes - E se o garoto estiver junto?! Eu posso matá-lo não posso?! Por favor!


  -Faça o que quiser! - bufou irritado o irmão - Só em deixe em paz!


  Jim sorriu vendo o mau humor do humor, continuou andando ao seu lado, cantarolando feliz da vida enquanto Mike bufava irritado, apertando os punhos, que coçavam de tanta vontade de bater em alguma coisa.


  Alguns minutos se passaram e Jim deu um tapa forte no estômago de Mike, que cambaleou pra trás irritado:


  -O que diabos... - ele começou, sentindo o local onde Jim o tocou arder terrivelmente, mas foi interrompido pelo seu irmão, que apontou para uma mesa num restaurante em específico, sorrindo diabolicamente.


  -Posso Irmãozão?! Por fav...


  -Faça logo e pare de me encher! - bradou Mike irritado, mas sem ousar tocar no seu irmão, o que arreganhou ainda mais o sorriso de Jim


  -Scarlet Fire! - murmurou Jim, e uma bola enorme de fogo saiu do seu casaco, indo rapidamente na direção do garoto de branco, não ia dar tempo nem mesmo das pessoas em volta gritarem.


 


  A mesa explodiu em mil pedaços, Mike gritou e se virou para o irmão, o fuzilando de ódio sem ter coragem de toca-lo:


  -O que fez idiota! A nossa recompensa!


  -Cale a boca bastardo - Jim disse, silenciando o irmão - Olhe direito...


  Todas as pessoas em volta corriam pra longe dali, formando um rebuliço e uma confusão enorme nas barracas de comida ali perto, que caíam e se espalhavam no chão, o grito desesperado das pessoas ao redor enquanto corriam pra longe. Mike olhou bem onde o fogo roxo do seu irmão brilhava, e por um momento não viu nada. Estava pra se virar e encarar novamente Jim quando dois pontos verdes como chamas brilharam no meio do fogo, e um lobo enorme prata-azulado rosnou, imergindo das chamas sem ao menos se ferir e correndo em direção deles.


  Um movimento fez as chamas se apagarem, Harry estava ajoelhado no chão, com Lucy abraçada a ele e a capa de Merlin, magicamente aumentada, cobrindo o corpo de ambos. Quando ele se levantou ela voltou ao tamanho original.


  O lobo estava a um passo de tocar em Jim, mas ele pegou Mike pelo pescoço, e com uma força que aparentava não ter, o jogou encima da Fera, que não esperava o movimento e não teve como desviar. No entanto quem mais sofreu com isso foi Mike, o lobo rugiu e o fogo das suas costas se atiçou, queimando o estomago do mago maior.


   Jim aparentemente ignorava o irmão e o lobo de fogo, estava mais interessado naquele garoto. Harry por sua vez sabia que eles não tinham intenção de ferir a garota, e sem tirar os olhos deles disse:


  -Corra pra trás daquela barraca - ele apontou para um conjunto que ainda estava de pé, e no entanto vazio, Lucy ia protestar mas ele não deu nenhuma chance disso acontecer, tirou a capa de Merlin dos ombros e estendeu sobre o corpo da garota.


  -Faça como eu mandei, se enrole nessa capa e nada vai te ferir - Ele sorriu de maneira confiante - Daqui a pouco vou buscar você e vamos sair daqui, não se preocupe.


  A garotinha ficou com os olhos marejados, o manto branco, assim que foi posto no seu corpo, se adaptou perfeitamente ao seu tamanho, se encaixando perfeitamente no corpo pequeno da garota. Ela pulou e deu um abraço em Harry, antes de correr pra onde ele tinha mandado ela ficar, e esperar, só queria que aquilo acabasse rápido, e que ele não saísse machucado, senão seria culpa dela...


 


  -Ei garoto! Você tem uma capa interessante - gritou Jim, ainda ignorando os lamentos do irmão, que tentava brigar com o lobo de fogo - Acho que vou querer ela pra mim, depois que acabar com você...


  -Primeiro vai ter que acabar comigo - Harry disse, sorrindo debochado - você consegue?


  Por um momento o sorriso maníaco de Jim falhou, então ele deu de ombros, rindo consigo mesmo. Agarrou a capa pelos ombros e a jogou longe, ficando apenas com as roupas normais, que eram justas e pareciam próprias pra uma luta corpo a corpo. Sem o manto pra confundir um julgamento, Jim era muito magro, os braços eram finos e os dedos longos, o nariz era pontudo e o queixo proeminente, ambos os lados da cabeça eram raspados, deixando só um moicano arrepiado pra trás.


  -Falando é que não vou conseguir - depois de dizer isso entrou em posição de luta - Mas já vou te avisando, a única chance que tinha de me derrotar esta agora com aquela garota, tem um motivo muito especial pra esse pateta do meu irmão nunca me tocar...


  Harry afastou as pernas e entrou em postura, era difícil achar magos que lutavam com os próprios punhos, e esses geralmente eram bem poderosos, por que suas magias eram voltadas pra aumentar sua força, ou no caso dele, pra dar alguma habilidade especial, que conseguisse uma vantagem sobre o adversário.


  Jim não esperou aviso e partiu pra cima de Harry, apesar de ser magro, era muito rápido, mas sua velocidade seria uma piada em comparação com a dele. Um segundo antes que o soco de Jim pudesse tocá-lo, Harry simplesmente desapareceu no ar.


  -Ora ora ora... o garotinho sabe brincar... - o mago esquelético riu insanamente - apareça pirralho, eu quero acabar com...


  Mal terminou de falar Jim sentiu o mundo girar enquanto levava uma pancada forte na cabeça, Harry tinha aparecido às suas costas, acima do chão, e estava virando um chute de calcanhar em direção a ele, que o acertou bem na nuca, fazendo os pés de Jim saírem do chão, e ele voar alguns metros pra frente, caindo sobre algumas mesas, que se quebraram. Ele não levantou imediatamente depois disso.


  Mal o outro pé de Harry tocou o chão, ele se contorceu numa careta de dor, segurando o pé que tinha acertado o chute e pulando com o outro, tentando aplacar a dor. O calcanhar da perna direita que tinha acertado um chute dele estava literalmente derretendo.


  Uma espécie de suco verde estava corroendo o calcanhar da bota que Harry usava, ele pulou num pé só e a tirou rapidamente, tocando o chão com o pé ainda dolorido, toda a pele do seu calcanhar inteiro estava ferida pelo acido, deixando aquela parte do seu pé em carne viva. Enquanto isso Jim se levantava sorridente da mesa onde tinha caído, balançando a cabeça.


  -Dói, não é?! - ele perguntou, sorrindo daquele jeito desprovido de humor ou sequer sanidade - Acho melhor não tocar em mim pivete, tudo o que me toca derrete. Sorte sua estar de bota...


  -É, sorte mesmo não?! - Harry riu, sem se importar muito com isso.


  Jim pareceu surpreso, mas então fez uma cara debochada:


  -Parece que você sabe lidar bem com a dor não?! A maioria das pessoas não estaria sequer de pé com um calcanhar queimado como esse...


  -Cale a boca - Harry apontou a mão pra ele - Avada Kedavra!


  O jato de luz verde foi em direção a ele, que pulou se desviando com facilidade.


  -Avada Kedavra! Avada Kedavra!


  Vários jatos partiram das mãos do moreno, mas Jim se desviava como se não fosse nada, enquanto Ariam (o lobo de fogo) continuava lutando contra Mike, tentando morde-lo enquanto o gigante o segurava, mesmo com as mãos queimadas.


  -Maldições inúteis - resmunguei comigo mesmo, enquanto Jim dava um passo de dança, zombando de mim por não tê-lo acertado - Só funcionam se o inimigo ficar parado...


  Sorri com a ideia, olhei pra onde Mike estava lutando com o meu patrono, tentando deter seu ataque sem tocar nele por muito tempo, ordenei mentalmente que Ariam se afastasse, o que ele fez imediatamente, e apontei minha mão pro gigante:


  -Império!


  Ele ficou todo duro, depois se levantou, e caiu de novo. Eu não usava muito bem aquela maldição, mas esperava que o pouco que conseguia manipular o gigante estúpido fosse suficiente, Jim olhava divertido o próprio irmão levantar e cair, até que ele conseguiu ficar de pé sozinho.


  -Que magia esta usando naquele inútil, hein?! - ele perguntou, desmanchando o sorriso numa carranca irritada - Não interessa, não vou te dar chance pra terminar o que esta fazendo!


  Ele partiu pra cima de mim, ainda mais rápido que antes, mas não tive muita dificuldade pra desviar dele, mesmo com o pé machucado. Posicionei-me de forma que Jim ficasse de costas pra onde Mike estava e sorri em deboche:


  -O que foi?! Não consegue nem ao menos pegar um manco?!


  Ele arreganhou ainda mais a careta, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa os braços enormes do gigante o envolverão pela cintura, o levantando do chão e apertando com força.


  -Irmãozão! Irmãozão! - Jim gritou desesperado - O que esta fazendo cara?! Temos que pegar ele, me solta!


  Mike não parecia ouvir os pedidos do irmão, apenas o segurava firme, apertando com força seu estômago, ignorando o ácido verde que escorria queimando seus braços, o deixando em carne viva.


  -Muito bem... - eu disse, sorrindo divertido - Agora que você esta parado... Expulsórium!


  O jato de luz azul acertou Jim bem na cara, o efeito devia como ser pisoteado por um elefante. Ele baixou a cabeça, imóvel, com um filete de sangue escorrendo pela sua boca, não sabia se estava morto ou não, mas falando francamente, não me importava, apenas rompi o contato do Império, fazendo Mike saltar pra trás, gritando d dor ao ver os braços em carne viva.


  -Ei, maldito - eu disse, enquanto Mike me encarava de joelhos, assustado - Leve seu irmão daqui, e se ousarem encostar naquela garotinha de novo, eu mesmo vou me encarregar de mata-los...


  Não esperei resposta e virei às costas, andando até onde estava a Lucy, precisava curar aquele tornozelo o quanto antes, feridas com ácido eram bem graves.


  -Maldito...


  Ouvi o sussurro atrás de mim, mas não me importei, apenas continuei andando, quando uma onda explosiva de magia me atirou pra frente, como se fosse um soco. Olhei surpreso pra trás, e me arrependi de ter deixado o grandalhão livre.


  Ele segurava o irmão morto - ou não, sei lá - nos braços, enquanto uma espécie de fumaça arroxeada envolvia seu corpo, a magia dele aumentando até níveis muito maiores que o do irmão. Quando ela se dissipou, eu estava olhando pra um gigante, feito inteiramente de ferro.


  -Eu vou te matar! - ele gritou - Por matar o meu irmãozinho!!!


  O gigante veio correndo em minha direção, me pegando desprevenido pela velocidade descomunal pra alguém daquele tamanho. Ele jogou o corpo encima de mim, caindo com o ombro de ferro encima do meu estomago, me fazendo gritar de dor, por ter todo aquele peso me prensando contra o chão.


  -Eu... vou... te... MATAAAAR!!!!!!!!!!!!


  A palavra que ele dava ele acertava um soco em mim, só os seus braços imensos de ferro já eram da grossura do meu peito, todo o corpo dele pesava como ferro, toneladas de ferro caindo com força encima de mim, enquanto ele me socava sem parar, a cada soco o chão tremia e rachaduras iam aparecendo, enquanto meu corpo afundava mais e mais no soco, os olhos de metal dele brilhando de puro ódio e fúria.


 


  -PAAAARE!!!!


  O gigante parou depois de ter acertado mais um soco, eu podia sentir todos os meus músculos protestando de dor, aquela força era descomunal, meu corpo já estava bem afundado no que seria quase uma cratera no meio da rua. Ouvi aquele grito meio de longe, mas assim que o reconheci pareci voltar a realidade.


  -Lucy! Saia daqui!!!!


  -Harry, eu - ela tentou falar, mas o gigante olhou pra ela ameaçadoramente.


  -Saia daqui, agora! Se esconda - eu gritei, sentindo o sangue invadir minha boca enquanto gritava.


  Ela estava chorando, com a mão na boca ao ver o meu estado, que não devia ser muito bom. O gigante de ferro estava sentado encima de mim, e me esmurrava com toda a vontade, fazendo meus ossos reclamarem pelo stress, levar muitos mais golpes daqueles seria fatal, mesmo para um dragonslayer.


  O gigante sorriu de maneira maníaca, e disse, a voz dele saindo como um rangido, até mesmo sua garganta devia ser de ferro:


  -Espere aí menininha, assim que acabar com esse pivete vou cuidar de você...


  Senti o sangue ferver com aquela ameaça, o lobo de fogo gelado se esvaiu no ar, e senti sua presença calorosa encher minha mente, os machucados não doíam mais tanto assim, uma onda de adrenalina pura percorreu os meus músculos.


  -E você garoto! - o gigante disse, voltando sua atenção pra mim, erguendo o punho mais alto - Vai se arrepender do dia que cruzou o caminho com o dragão de ferro!


  Ele desceu o punho mais uma vez, com força, acertando bem no meio da minha cara, em seguida se levantou, passando a caminhar pra onde Lucy estava observando tudo, chorosa.


  -Ridículo... - murmurei, rindo.


  O gigante parou a meio caminho, e olhou espantado pra mim, que estava agora me levantando do buraco causado pelos socos do gigante, todo o chão envolta estava rachado, e até mesmo eu estava todo dolorido. Ele era forte, eu tinha que admitir, mas não forte o suficiente.


  -Com essa força medíocre - eu disse, abrindo os olhos e o olhando daquele jeito petulante que só Sirius conseguia fazer - Você ousa usar o nome de um caçador de dragões?! Se ponha no seu lugar...


  O gigante rugiu de ódio, vindo correndo na minha direção com o punho erguido, mirando no meu rosto.


  Estendi a mão e segurei seu soco, que me arrastou quase um metro pra trás, mas ainda continuei no lugar, sorrindo em escárnio pra aquele gigante de ferro idiota.


  -Vou te ensinar a respeitar Metalicana e os filhotes dela... - eu disse, minha voz saindo como um rosnado, os olhos verdes brilhando de malicia e poder - Nunca mais ouse se chamar de Dragão! Seu verme!


  O gigante me olhava como se não fosse real, como se não fosse possível que uma criança de doze anos pudesse segurar um soco dele daquela maneira. Fiz força e comecei a empurra-lo pra trás, sob o olhar surpreso de Lucy, que observava pasma a luta.


  O gigante forçou todo o peso do corpo pra frente, enquanto competíamos puramente pela força. Quando meu braço começou a doer, o retirei rápido, e o gigante sem equilíbrio, caiu pra frente, encima de mim. Antes que sequer me tocasse, virei um gancho de direita no seu estomago, com tanta força que o som do meu punho acertando o metal soou como uma trovoada, o corpo de Mike saiu do chão, subindo mais de um metro de altura e caindo ao meu lado, estatelado no chão, uma rachadura enorme aparecendo na barriga, rapidamente seguindo por todo o corpo e estilhaçando sua armadura de metal, revelando o corpo inconsciente em carne e osso do mago.


  -Patético... - eu disse, mancando até onde Lucy estava e segurando o braço machucado, aquele soco deixou minha mão latejando, e toda arranhada.


  Quando se deu conta de que eu tinha vencido, Lucy correu até mim pulou, me abraçando. Gemi de dor e ela se afastou, pedindo desculpas, ainda com lágrimas nos olhos.


  -Não se preocupe pequena - eu disse gentilmente, afagando seus cabelos com a mão boa - Eu só estou um pouco cansado, um bom cochilo vai me deixar novo em folha, e você, se machucou?


  Ela fez que não com a cabeça, sorrindo bastante, mas depois deu dois passos pra trás, envergonhada, e se curvou respeitosamente, como antes, na feira.


  -Eu menti pra você, Harry, desculpe. O meu nome não é Lucy Oak, é Lu...


  Afaguei sua cabeça de novo e ela me olhou surpresa:


  -Lucy Heartfilia - eu disse, a surpreendendo - não precisa se preocupar, eu sabia quem você era assim que me contou a história, também não pretendo te levar de volta ao seu pai. 


  Ela pareceu feliz com isso, mas depois perguntou, um pouco confusa:


  -Mas como você descobriu?


  -Digamos que suas mentiras - eu respondi, escolhendo bem as palavras e começando a mancar, ao que ela prontamente me seguiu - São inocentes demais...


  Lucy franziu a testa, mas não fez mais nenhuma pergunta, apenas me seguiu pra longe daquele lugar, ainda não tinha pagado o almoço dela, mas tinha a impressão que durante um bom tempo não teria ninguém ali pra receber... Também não me importaria muito com isso, mas não queria que aquelas duas garotas pensassem mal de mim...


 


  O que eu tinha dito não era de todo verdade, demoraria alguns dias pra poder me mexer normalmente, apesar daquele cara não ter toda a força que um Dragonslayer, principalmente a força que o dragonslayer de ferro teria, ele ainda era bem forte, e eu não estava completamente treinado. Além do mais, mesmo que usasse a habilidade do dragão do oceano, não havia água ali, e mesmo que houvesse, não teria muitos resultados contra ferro.  Eu estava de mãos atadas mesmo, por isso cumpria a risca o melhor conselho que tanto Sirius quanto Laio tinham me dado:


  "Nunca confie totalmente em uma habilidade sua, saiba mudar de estratégia rapidamente numa batalha, usando seus pontos fortes diretamente contra os pontos fracos do seu adversário..."


  Segui com Lucy pra longe dali, principalmente pra evitar suspeitas. Meu corpo estava todo arranhado e cheio de corte pequenos, apesar daquela força poder machucar minha pele, não machucaria muito meus músculos dracônicos, um corpo humano normal teria virado patê no primeiro soco... Ainda me surpreendia com as possibilidades daquela magia. Não sabia como agradecer devidamente a Laio por ela... Talvez se cozinhasse pra ele?!


  Lucy seguia perto de mim, contando sobre a mãe dela, já tinha me devolvido minha capa da Ordem de Merlin, e eu a vesti, o calor que vinha dela fez eu me sentir automaticamente melhor, mais protegido. Os ferimentos menores e mais superficiais começaram lentamente a sarar. Era sobre todos os sentidos, uma capa incrível mesmo.


  A luta não havia durado muito mais que meia hora, onde metade desse tempo eu passei apanhando do gigante de ferro, e Laio só me encontraria no rochedo ao final do dia, não adiantava procura-lo, seria praticamente impossível encontra-lo se ele não quisesse ser encontrado, e se estivesse mesmo onde eu imagino que ele esteja, fazendo o que eu acho que ele esteja fazendo, nunca que eu o encontraria...


  Lucy era uma companhia agradável, era fácil conversar com elas por termos idades parecidas, e ela era bem gentil e atenciosa também, ainda mais por eu estar quebrado daquele jeito. Ela disse que o sonho da vida dela era ser uma maga, e entrar em uma guilda, me mostrou duas chaves de ouro que tinha ganho da mãe, uma com o símbolo de câncer, e a outra de Aquârius, as constelações do zodíaco, e estava procurando alguém pra ensinar ela a usar. Infelizmente eu não tinha a mínima ideia nem do que eram aquelas coisas, e ela começou uma detalhada explicação sobre chaves de espíritos estelares e pra que serviam, como deviam ser invocados e como se lutava com elas. Ri quando ela aplicou um golpe de Kung-Fu num inimigo imaginário, e ela corou por um momento, pra logo depois voltar a explicação sobre as chaves. 


  -Se você sabe tudo isso - eu perguntei, quando ela parou de falar pra respirar, depois de um bom tempo - Por que não usa as chaves? O que mais falta você aprender?


  O sorriso dela murchou e ela falou, deprimida: 


  -Eu já tentei, mas por algum motivo, não funciona... Preciso achar algum mago estelar pra me ensinar como se usa corretamente, mas precisa ser alguém de confiança, chaves de ouro são muito valiosas, e muitas pessoas matariam pra ter uma delas...


  -Podemos perguntar pro meu mestre! – eu disse, tentando anima-la – Vou encontrá-lo de noite na base oeste da montanha.


  -Seu mestre? - ela perguntou, e então sorriu com a ideia - Ele é um mago estelar?


  -Não, mas com certeza deve saber como se abre um portão! Ele sabe tudo! - "afinal, é um velho dragão pervertido com milhares de anos" completei em pensamento.


  Ela concordou animada, guardando as chaves de volta na bolsa, sorrindo de canto. Corei e amaldiçoei a mim mesmo por ficar envergonhado tão facilmente com garotas, mas a Lucy ficava muito bonitinha sorrindo daquele jeito... (só doze anos lembram?!).


  Pra passar o tempo até de noite, fomos ver os ciganos, como eu tinha prometido antes. O cansaço já estava sumindo e meus músculos estavam melhores, mas só ficariam em perfeito estado daqui a alguns dias, menos, se eu tomar alguma medicação ou uma poção de cura, tinha várias no Grimório que eu poderia preparar depois, o problema seriam ingredientes, o que seria comum no meu mundo era raro ou talvez nem existisse naquele.


  Era tarde, e o sol ainda estava alto no céu quando começamos a assistir as apresentações dos ciganos. Alguns eu conhecia de tempos atrás, mas a maioria era estranha pra mim, no entanto ciganos eram muito amigáveis com estranhos, o modo de vida deles exigiam que fossem simpáticos e bem falantes, pessoas fáceis de se iniciar uma conversa e difíceis de se terminar uma.


  Lucy tinha medo da maioria das coisas que eles faziam. Ela sempre fechava os olhos quando ciganos iam engolir espadas, ou então os que cuspiam fogo, ou os que apresentavam truques de ilusionismo - que seria o que trouxas do meu mundo chamavam de mágica - com cartas, ou outras performances perigosas. Ela sempre fechava os olhos nervosa, e quando o ciganos em questão saia são e salvo das correntes, ou do caixote com fogo, ela pulava e aplaudia. Aquela garotinha era muito vigorosa...


  Também ficamos pra ver espetáculos de dança, embora eu não gostasse muito deles, Lucy parecia ficar encantada ao ver as bailarinas girando no palco, ou dançando em dupla com rapazes. As vezes duas delas se juntavam e dançavam com perfeita sincronia, espelhando os movimentos uma das outras que quase dava pra acreditar que realmente tinha um espelho ali.


  Os mímicos eram engraçados, mas a Lucy olhava pra eles sem entender nada, eu também não entendia de verdade, mas mesmo assim achava graça dos gestos obscenos que eles faziam quando o público vaiava. Mas o que realmente prendeu a atenção dela no show foi quando um bardo subiu ao palco. Ele entrou andando devagar, e fez uma reverência pra toda a multidão, sorrindo de modo galante pras moças que seguravam e lhe estendiam rosas.


  -Alex... - eu murmurei, imaginando o que ele iria fazer, estava com uma sensação estranha...


  -Não é aquele seu amigo, Harry? - Lucy me perguntou, puxando a barra da minha capa.


  -Sim pequena - respondi afagando sua cabeça - Vamos ver o que ele vai aprontar...


 


  -Senhoras, e senhores - Alex abriu os braços teatralmente, uma expressão de inegável satisfação passando pelo seu rosto - Não posso por em palavras o prazer que é estar aqui, poder contar a vossas senhorias essa história... Uma história que muitos de vocês vão duvidar, mas acreditem, cada palavra é verdade!


  Ele se sentou num banquinho, enquanto uma tela azul marinho descia atrás dele, uma pintura do mar, feita em tecido. No meio da pintura havia um pequeno barco de madeira, e o sol estava descendo pelo horizonte, a medida que a noite chegava.


  -Não posso melhor descrever aquele final de tarde do que essa pintura o faz - ele disse, o tom de voz baixando até quase um sussurro saudoso, mesmo assim a platéia permaneceu em perfeito silêncio, Alex tinha o dom de dominar o público - Estávamos viajando pela costa, contornando as ilhas remotas do extremo leste...


  Senti a sensação ficar mais forte, não estava gostando muito do que ele estava falando. Inconscientemente, puxei mais o capuz sob os olhos. 


  


  "Naquelas águas traiçoeiras, mas de beleza sem igual, minha tribo voltava das Terras escuras, no extremo leste, trazendo jóias raras e iguarias, pra comercializar aqui em Fiore, tecidos finos pras senhoritas - ele deu um sorriso galante pra platéia, arrancando suspiros de um grupo de moças ali na frente - E tabaco, erva e malte para os cavalheiros. Estávamos a uma semana no mar, seguindo a rota de sempre, quando..." 


 


  Ele parou propositalmente, enquanto a platéia continuava prendendo a respiração, imersa em suas palavras. Conseguia ver diversos ciganos andando disfarçados entre as pessoas e batendo suas carteiras. Santa profissão...


 


  "O céu ficou revolto de repente, como se Arianna estivesse zangada conosco, meros mortais. Lembro claramente como nos ajoelhamos e pedimos perdão por qualquer pecado, qualquer ofensa que tivéssemos cometido contra o céu e contra o mar, o vento e os trovões, por que eles passaram a açoitar impiedosos o navio... Conseguem imaginar cavalheiros, senhoritas, o terror de estar sendo chacoalhado nas águas, no leito feroz do oceano?! Era assustador... Que mil raios me partam ao meio se verdade não houver nas minhas palavras!"


 


  Ele parou de falar, como se estivesse esperando caso algum raio caísse, como não ouve nenhum raio, ele olhou de volta pra platéia como se aquilo provasse definitivamente que ele estava falando a verdade, e ela estava tão enfeitiçada e seduzida pelas palavras hábeis do cigano que realmente parecia provar.


  -Ei... - murmurei pro homem que se colocou ao meu lado, o surpreendendo - Vai mesmo roubar o personagem principal da história?! - murmurei achando graça enquanto o cigano ao meu lado me olhava como se visse um fantasma.


  -Fe.. Fe... Fen...


  -Depois nos falamos Jack! - dei um tapa nas costas dele, o empurrando de leve pra frente - Você tem trabalho a fazer!


  Ele pareceu entender, sorriu radiante e se embrenhou na multidão, desaparecendo dos meus olhos. Lucy estava tão concentrada na história que nem percebeu o meu pequeno dialogo com o batedor de carteiras.


  Ouvi um estalo seco, mas que devia ser inaudível pra qualquer outra pessoa, e uma outra cortina desceu sobre a primeira, a pintura de um oceano revolto, o mesmo barco sacolejando pra lá e pra cá.


  "E como eu dizia meus senhores... O mar sacudiu nosso navio, pra um lado... - ele se jogou pro lado, gritando assustado, dando uma ênfase enorme as suas palavras e fazendo o público vibrar - Para o outro... Pra trás, pra todos os lados! Era como se estivéssemos dentro de um novelo de lã, e um gato estivesse brincando conosco, foi o que imaginei naquela hora, sabia que logo nossa embarcação afundaria, a menos que um milagre acontecesse... Eu tinha certeza de que ia morrer, naquela hora todos nós fechamos os olhos, esperando... rezando, por que todos nós sabíamos, do fundo de nossos corações, que estávamos condenados..."


 


  Lágrimas escorreram pelo rosto do cigano, os olhos dele brilharam com uma luz triste, enquanto encarava cada pessoa na platéia, seus olhos passaram por mim e ele piscou ligeiramente, de modo que mais ninguém percebesse, antes de voltar a encarar a platéia... Aquele picareta...


 


  "Os senhores devem estar se perguntando o que ainda faço aqui, como posso estar em perfeito estado de saúde contando essa história para vocês... Não chore senhorita..."


 


  Ele tirou um lenço do bolso e estendeu a uma garota na platéia, que já estava derramando lágrimas, até mesmo Lucy parecia abalada com a tristeza profunda na voz de Alex, enquanto recolhia o lenço com os agradecimentos - e a pulseira - da garota chorosa, e voltava a encarar a platéia.


  Outra pintura desceu, substituindo a antiga, nessa todos os ciganos estavam ajoelhados, enquanto uma onda enorme vinha em direção a eles.


 


  "Pois eu vos digo senhores, naquele único instante, um único instante que antecedia nossas mortes, o próprio mar parou, o próprio vento cessou e os relâmpagos silenciaram, era como se todo o tempo e toda as nuvens se voltassem pra assistir o que estava pra acontecer, algo que me declaro sortudo e agradecido por poder ter posto os olhos, algo que estou aqui pra contar pra vocês, cavalheiros...


  Naquele instante, cortando a neblina, parando o próprio vento e correndo contra a tempestade, uma criatura pisou em nosso deck, o pelo branco resplandecia, os olhos brilharam, iluminando a escuridão da noite que tinha caído, a presença dele era tão grandiosa que descia até o fundo dos oceanos e alcançava as estrelas, o próprio filho do oceano. O dia em que Fenrir, o lobo de fogo-gelado se levantou do seu leito no mar e veio atender as súplicas daqueles pobres e tão indignos marinheiros..."


 


  Novamente outra tela pintada desceu, nessa mostrava a onda se desviando do barco, enquanto uma pessoa estava com a mão estendida no deck, e um lobo de fogo crepitante estava aos pés daquela pessoa. Agradeci aos Deuses por eu não estar representado com a capa de Merlin, naquela pintura.


  A platéia estava completamente presa, agora era o momento crucial, os ciganos conseguiriam até mesmo tirar a sua camisa sem que você percebesse se estivesse naquela situação. Bolsos e bolsas eram esvaziados, jóias eram levadas, colares roubados e anéis tirados dos dedos, enquanto Alex distraia a platéia, a arte suprema dos ciganos. Lucy me olhou de esguelha de um jeito que me deixou meio incomodado, é como se eu tivesse crescido vinte metros de altura e me tornado um gigante impressionante, a boca dela até abriu enquanto me encarava.


  -Ei... - cochichei envergonhado - é só uma história...


  Ela não pareceu ter ouvido, continuou me olhando até que Alex voltou a falar, acenando e chamando a atenção do público. Senti vários ciganos passarem ao meu lado mas nenhum me roubou, nem a ela, alguns acenavam e uma garota me deu um beijo na bochecha, me fazendo corar.


  


  "A um simples gesto seu as nuvens deixaram o céu, espantadas pra longe pelo seu poder, seu canto acalmou as águas, que sonolentas, voltaram a dormir. O sol brilhou mais forte e a brisa soprou alegre, reconhecendo seu senhor naquele barco e indo dar as boas vindas a ele, dançando com os pássaros e as gaivotas. Naquele momento, cada cigano se ajoelhou, não por medo, mas pura e simplesmente por uma alegria! Ali naquele barco todos eram corajosos, todos homens do mar, mas naquele instante, era como se olhássemos a face sorridente do oceano, um lobo, uma criança, era simplesmente o mar, dizendo pra nós que não morreríamos naquele dia..."


 


  Alex enxugou os olhos, Lucy ao meu lado chorava, com um sorriso enorme no rosto, assim como praticamente todas as moças e até mesmo alguns homens na platéia. Eu apenas sorria tranquilo, ciganos aumentavam muito os fatos...


  


  "Aquele é um momento que eu vou me lembrar pelo resto da minha vida cavalheiros, eu, assim como todos os outros, estávamos prostrados diante dele, não sabíamos o que ia acontecer agora. Alguns de nós estavam temerosos, esperando castigos terríveis por navegar nas suas águas sem permissão, não sabia o que ia acontecer, mas a última coisa que eu esperava que fosse acontecer, de fato, aconteceu...


   Ouvimos os passos dele se aproximando de nós, e ficamos mais nervosos, o que ia acontecer?! Ele ia querer nossas vidas?! Talvez nossas crianças fosse o preço adequada pela nossa terrível falta pra com ele... Nossas jóias?! O ouro, os suprimentos?! Não senhores... Nada disso... Fenrir se aproximou lentamente de nós, parando de frente a um cigano em específico..." 


 


  Alex parou de falar, enquanto a platéia gritava pedindo pra que continuasse, perguntando quem foi, e se "Fenrir" tinha parado de frente a ele próprio. Estava tão barulhento quanto uma sala de aula, mas a um gesto do bardo, todos se calaram, enquanto ele voltava a contar a história...


 


  "Sim, meus senhores e senhoras... Foi diante de mim, o filho do oceano andou diretamente até mim, que estava com a cabeça baixa, sem ousar levantar meus olhos. O que eu veria?! Fúria... Raiva... Vergonha, decepção?! Eu não tinha ideia, mas quando o filho do mar se ajoelhou na minha frente... Sim senhoras! Ele se ajoelhou! O próprio mar se ajoelhou em frente a um humilde cigano! - Alex disse veementemente ao ver a surpresa espalhada no rosto da platéia - Ficando de joelhos, na minha frente, ele tocou meu ombro, e olhou diretamente nos meus olhos...


  Eu lembro claramente dos seus olhos, cavalheiros, senhoras, por que nunca em minha vida poderia ver olhos tão gentis e acalentados em outra pessoa que não nele. Não havia a menor parcela de raiva, nem de vergonha, ou decepção, tudo o que havia era gentileza, e amabilidade naqueles olhos... O pequeno príncipe das águas me olhava como se estivesse feliz, ele se levantou, e por algum motivo eu me levantei junto com ele, atrás de mim, como se fosse um único ser, todos os ciganos se levantaram, olhando com a mesma surpresa aquela criança, o mar nos olhava na forma de uma criança, os olhos tão antigos quanto o próprio tempo, era como se fossemos apenas crianças olhando pra ele..."


 


  Abaixei ainda mais o capuz sobre meus olhos, ruborizando de vergonha, aquilo realmente tinha acontecido, mas ele estava exagerando demais nos detalhes. Uma outra tela tinha decido, mostrando todos os ciganos de pé, junto com uma terceira pessoa, pintada em tons de tinta mais claro, como se fosse o centro de luz naquele barco.


 


  "E então Fenrir disse, em alto e bom tom, pros ciganos naquele barco, o que ele disse surpreendeu a todos no barco:


  -Arriem as velhas! - gritou Fenrir, sua voz abalava os próprios alicerces do navio, agitava as ondas e fazia o vento soprar mais forte, como se gostasse de ouvir - assumam suas posições e os feridos fiquem aqui! Temos uma rota! Vamos navegar!


  Todos os ciganos gritaram juntos, nenhum de nós esperava tamanha honra, a honra de navegar com o filho do mar, mas a alegria daquele momento superou qualquer receio, cavalheiros! Arriamos as velas, e cada um de nós assumiu a posição que lhe era devida, prontos e atentos a qualquer ordem, três marinheiros ainda ficaram diante dele, meu pai, o capitão daquele humilde navio, um jovem inexperiente e uma garota. Os três envergonhados por não poderem ser úteis, de cabeça baixa.


  -Nos perdoe Meu senhor - disse meu pai, Allan é o seu nome, dando um passo a frente, procurando uma forma de se justificar - Mas nós não somos úteis para o senhor nessas condições, eu...


  O filho do oceano não o deixou terminar, apenas sorriu e disse gentilmente:


  -Me mostrem onde estão feridos, vou tratar seus machucados...


  Os três ficaram ali, pasmos como todos os outros, enquanto a própria água dançava ao redor dele, vinda direto do oceano, e cobria os machucados do capitão e dos outros dois, que observaram maravilhados, os ferimentos se curarem, o sangue se limpar e a pele ficar perfeitamente lisa de novo, como se nunca houvesse sido feridos, antes que pudessem fazer qualquer coisa, ele disse:


  -Tem um barco pra guiar capitão, os marinheiros esperam suas ordens..."


 


  Alex observou a platéia, ainda imersa em suas palavras, quando seu olhar passou por mim ele sorriu divertido, continuando com a história:


 


  "Navegamos por mais três dias e três noites cavalheiros, e nesse tempo o oceano permaneceu calmo, a brisa não parou de soprar enquanto ele continuou ali, as nuvens se mantiveram afastados e não ousaram se aproximar do barco que carregava o filho do oceano, até hoje elas tem receio de nós, até hoje o oceano permanece calmo, as tempestades se mantêm longe e o vento sopra tranquilo, graças a benção do lobo o mar, o filhote do dragão do oceano..."


  


  Todas as pessoas aplaudiram, enquanto Alex fazia reverências pra eles. À medida que a platéia foi esvaziando, e as pessoas começavam a gritar e brigar uma com as outras, os ciganos iam recolhendo os lucros atrás das cortinas. Era incrível o que eles conseguiam juntar de uma só vez.


  -Quer conhecer o astro do show? - perguntei a Lucy, que pareceu um pouco nervosa, mas assentiu.


  Caminhei com a Lucy até onde Alex estava esvaziando as mangas, cheias de brincos e pulseiras que ele roubava das garotas tolas a frente do palco.


  -Elas te oferecem rosas e você leva o ouro delas... - disse, chamando a atenção dos ciganos pra mim.


  Alex sorriu radiante e veio e minha direção, a cada passo que ele dava Lucy corava mais e mais, a ponto de estar tendo quase um ataque de vergonha. Ele estendeu a mão e eu a apertei, enquanto sorriamos um para o outro. Depois ele se voltou para Lucy e fez uma profunda reverência:


  -É um prazer ver a senhorita de novo - ele disse, fazendo Lucy corar ainda mais - Espero que tenha gostado do Show, tenho certeza que Fenrir gostou.


  Bufei um pouco irritado, fazendo o sorriso dele aumentar ainda mais:


  -Metade do que você contou é mentira, e a outra metade é muito exagerado... - por fim dei de ombros e sorri - Mas eu já esperava algo assim mesmo, não esperava que contasse essa história por aí...


  -Ah sim, é uma boa história, que raios me partam o dia que eu ignorar histórias! – Ele riu da própria piada – Mas o que interessa não sou eu, são vocês! O que aconteceu depois daquele dia? 


  -Continuei com o meu treinamento, essa é a última vez que piso em terra firme por algum tempo, então vim me despedir de vocês.


  -Fico honrado com isso – Alex disse com tom saudoso, sorrindo – E a pequena?


  -Por hora... - Lucy pareceu um pouco nervosa, então apenas sorri pra ela – Ela pode me acompanhar se quiser. Mas em alguns meses eu vou pra um lugar onde não vou poder levar ninguém...


  -Por que não? – Lucy fez uma expressão triste tão fofa que quase me fez corar de novo, limpei a garganta e olhei pro outro lado enquanto respondia. Alex percebeu e riu baixinho, mas não disse nada.


  -Em parte por que você não sobreviveria lá, e também por que vou concluir meu treinamento, não posso ser acompanhado.


  Ela assentiu, Alex olhou saudoso pra longe:


  -Isso daria uma boa história, se lembre de nos visitar quando acabar o seu treinamento, Fenrir, ele daria uma boa história... Já estou até vendo: “As crônicas do filho do oceano...”


  -Esqueça... – eu disse, um pouco mal humorado – Afinal, onde estão os outros? Merry, e o Willian...?


  -Merry esta com o meu pai - Alex apontou pra fora da cabana, em direção a um punhado de outras tendas – Ela quer aprender com ele, depois do que aconteceu, e Willian, ele disse que queria passar um tempo sozinho, pra aperfeiçoar suas habilidades.


  -Não imagino como isso seja possível – disse mais pra mim mesmo do que pra ele, ou Lucy, que novamente me lançou uma expressão curiosa e um pouco enfezada por não ter as perguntas respondidas – O sol já vai se por, aqui nos separamos meu amigo.


  -Aqui nos separamos – Alex me abraçou, e depois de afagar a cabeça de Lucy, que quase desmaiou de vergonha, disse, sorrindo – Eu diria pra Laio olhar pelo teu caminho enquanto estivesse no ar, mas seria bobagem dizer isso pra você...


  -Adeus.


  Ele acenou enquanto Lucy e eu partíamos, eu estava bem dolorido então teríamos que ir andando, o que levaria algum tempo a mais.


  -Harry... – Lucy perguntou, ainda um pouco envergonhada – Tem certeza que... Não tem problema se eu... Sabe...


  -Relaxe – sorri pra acalma-la – Vou cuidar de você.


  -H-Hai... – ela corou e depois sorriu de canto, encarando os próprios pés. Enquanto caminhávamos a cidade ia ficando cada vez mais pra trás, até que chegamos a colina que antecedia o portão do oceano oeste, onde o dragão do oceano estaria me esperando...


 


 

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 3

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por falcon em 21/06/2011

Pô Tronos parabéns pela fic, te acompanho aqui e no nyah e mando recado a um tempão e continuo: Você matou o Sirius ¬¬ ashuhuashasu continua pô, já li essa parada :D 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por rosana franco em 01/06/2011

A luta foi boa mas a estória dos ciganos foi fantastica.Sera que o Laio vai aceitar a garota?Ou vai conseguir mandar ela treinar com a mestre que ela procura?Esperando anciosa o próximo capitulo.

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Jéssica Occhi em 28/05/2011

A Fic está ótima, continue assim! Estou adorando...

Não vou pedir para voce postar logo o proximo cap. porque eu sei que é dificil, mas faz uma forcinha, sim?? Estou ansiosa aqui!! =D

Bjss

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.