- Hermione... você tem certeza? – perguntou Harry com avaliando os pergaminhos espremidos contra os dedos.
- Absoluta. Avaliei os conceitos sobre a carta que o ministério me mandou e a mulher não pode estar grávida a tanto tempo... – respondeu com a voz tremula.
- Mas no mundo trouxa? – perguntou Rony, com certa desconfiança na voz. – E a final, isso não pode estar relacionado com Comensais, faz anos que Voldemort caiu! - Rony pareceu ler os pensamentos da esposa. Hermione tinha certeza que o lado negro estava envolvido nesse caso.
Os três andavam de forma frenética pelos corredores frios e solitários do Ministério.
- Você disse que recebeu essa carta quando mesmo? – perguntou Harry.
- Há três dias. Mas pensei que fosse uma brincadeira de mal gosto de algum duende... É a minha licença a maternidade, e ninguém tem o endereço da nossa casa - se referiu ao marido, Rony. - Então me certifiquei que essa carta veio mesmo do Ministério.
- Vamos descobrir isso agora. – disse Harry, escancarando uma porta pesada e da cor preta.
Os aurores presentes se levantaram, Harry já estivera naquela sala milhares de vezes, agora que era um auror também. O clima estava tenso e todos pareciam assustados.
Harry e seus colegas se sentaram. Hermione respirava de forma frenética por causa da barriga, que parecia que iria estourar de tão grande. Era o ultimo mês de gestação, e mesmo Rony insistindo para ela ficar em casa, ela havia vindo para a reunião.
Harry respirou fundo, Rony teve a leve impressão de ver o amigo suspirar. Não entendeu se era medo ou frustração, mas a questão era delicada.
- Você fica – disse Rony, bravo.
- Eu quero ir – insistiu Hermione
- Não – disse Harry, com rispidez.- Você e a Gina estão grávidas.
Ela cruzou os braços e ficou encarando o marido e o amigo.
- Não estamos doentes, estamos grávidas – comentou Gina, em meio aos braços do marido.
- Que demora do Neville – disse Harry, consultando o relógio.
Fora Harry comentar e o amigo apartou na frente deles.
- Atrasado – disse Rony.
- Minha avó – comentou o amigo.
Todos riram nervosos. Rony e Harry beijaram as esposas e os três amigos encostaram um ao outro.
- Prontos?
- Sim.
- Vamos.
E pareceram serem puxados para todos os lados, caindo com os pés em uma plantação de milho velha e deserta. Harry se levantou passando a mão nas roupas para tirar as gramas que estavam em sua roupa.
- Apartamos para o lugar certo? – perguntou Rony.
- Sim, mas era para alguém estar nos esperando – comentou Harry.
Os três ficaram parados no meio dos milhos, Harry levantou a varinha e um jato de luz vermelha se pos no céu. Os três esperaram alguns minutos e um senhor apareceu.
- Vocês são do ministério? – perguntou ele, com a voz tremula.
- Sim – respondeu Harry.
- Venham comigo, por favor – pediu o senhor, que trazia um lampião nas mãos.
Eles caminharam rápido atrás do homem, que parecia apavorado.
- Ela sempre foi muito quieta e nunca saia de casa, apenas para cuidar dos animais da fazenda – dizia o senhor – De uns tempos para cá, ela ficou muito enjoada e se sentia cansada por tudo. Foi semana passada que a barriga dela começou a crescer de forma descontrolada, quebrando muitos ossos e deixando ela muito fraca.
Harry olhou de relance para os amigos: estavam tão aflitos quanto eles.
Eles apenas sabiam que uma mulher estava grávida a dois anos, e revelou isso ao pai a poucos dias. Nada normal para uma humana, e nada normal para uma criança humana. A criança estaria morta dentro da mulher? Ou simplesmente era psicológico?
- E o senhor tem certeza que existe uma criança? – Harry não se conteve.
O senhor parou a caminhada frenética e encarou o moreno, como se fosse insultado.
- Claro! – ficou alguns instantes mirando o homem, mas pareceu esquecer isso ao escutar um grito vindo da casinha de madeira que estava adiante.
Eles continuaram a caminhada em silencio.
Chegando a casa, o senhor entrou e os três permaneceram na rua.
- Entra você – disse Rony – Ficamos aqui fora aguardando.
Harry não esperou muito, entrou dentro da casa e deparou com uma cena nada agradável.
Uma mulher de cabelos longos, pretos, extremamente magra, estava deitada em cima de alguns cobertores encharcados de sangue. Ela apertava as mãos de duas outras mulheres, que eram muito mais velhas. Outra mulher se encontrava fazendo com que os joelhos dela ficassem para cima, dando espaço para o bebê passar. Mas até agora, nenhum bebê podia ser visto.
Um embrulho tomou conta da barriga de Harry, que não parecia contente em presenciar aquilo.
- Ele chegou querida – disse o senhor,que agora trocava o pano molhado da testa dela por outro.
A garota não falou nada, apenas ofegou.
Harry correu até o lado dela, e a mulher que segurava a mão dela saiu para dar espaço ao garoto. Harry encarou a barriga da mulher, que tinha muitas veias saltadas e estouradas, era muito branca e podia-se ver o sangue borbulhar dentro dela.
- Escute – disse a mulher, agarrando o braço do rapaz.
Harry levou um susto, mas prestou atenção no que a mulher queria dizer.
- Essa...essa criança... – e respirou fundo – foi uma maldição – e ela tossiu. Seus lábios sem vida e quebradiços cuspiram sangue vermelho e tão quente que Harry pode sentir a fervura dele. A mulher cuspiu o sangue para o lado e continuou a falar – Ele... ele disse que seu mestre havia lhe dado essa missão. E que ficaria comigo só se eu ajudasse ele. Então ele a me deu, me deu e disse que era um pedaço da alma do seu Lord.
Instantaneamente, a cicatriz de Harry começou a pegar fogo. E quando a mulher tornou a segurar seu braço, pareceu estar queimando seu braço tanto quanto a cicatriz estava queimando sua testa.
- Ele era um Comensal... – e respirou fundo. – Ele chegou aqui muito machucado , e disse que estavam atrás dele. Ele podia se transformar em um falcão, animalmago...
- Animago – censurou Harry, passando a mão na testa.
- Isso... – e soltou Harry.
Ela pôs as mãos na barriga e gritou. Ela parecia estar sentindo tanta dor quanto Harry, que pos as mãos sobre a cicatriz e apertou os olhos.
A mulher relaxou, e sua mão encontrou o rosto de Harry, e ele encontrou os olhos da mulher.
- Cuide para ela não ser igual aquele que ela carrega uma parte da alma, Riddle.. – e sua cabeça caiu para o lado.
Harry pode escutar o soluço do senhor atrás dele, e o choro da criança ao mesmo tempo.
Harry estava tão assustado que não sentia as pernas e nem o corpo. A mulher estava ficando gelada com muita velocidade e os olhos de Harry estavam fixos aos dela, agora sem vida. O rosto de Harry foi movido até a criança que chorava sem parar, sua cicatriz parecia que iria explodir e seu coração também.
Uma criança de pele muito branca, alguns fios de cabelo negros e um corpo magro se debatia nas mãos da parteira. Mas não fora isso que Harry mais se assustou, e sim por duas outras coisas... A criança trazia uma marca negra tatuada no braço e os olhos eram cor de sangue.