Um vulto encapuzado apareceu na esquina.Astoria não percebeu.A figura ergueu algo apontado para nós.Levei cinco segundos para entender o que estava acontecendo. A arma disparou com um estalo forte como um ruido de aparatação.
Naquela hora, meus instintos entraram no comando e eu empurrei Astoria, me colocando em seu lugar.Ouvi ela gritar de susto e surpresa.
Uma dor terrivel me atingiu na altura das costelas .Eu cai estatelado no chão, pontinhos negros surgiram em meus olhos.A dor.Merlim, não havia nada como aquela dor. Levantei as mãos e toquei o lugar onde sangrava profusamente, meus dedos mancharam de sangue.
Não, havia uma dor pior. A dor de perder a mulher que eu amo.
Bom, de certa forma, entrar na frente de uma bala foi estupidez .Mas não havia como voltar atrás.
Astoria apareceu na minha frente, seu rosto estava embaçando.
-Draco, mas o que...OH MEU DEUS! QUE PORRA... – ela tocou o lugar e eu gemi.
-Astoria...- havia um nó em minha garganta.
-Oh Merda!Merda! SOCORRO! SOCORRO! – eu a ouvi gritar.
-Acalme-se...
-ME ACALMAR? VOCÊ ACABOU DE LEVAR UM TIRO E ME DIZ PARA ME ACALMAR?
Eu toquei seu rosto, manchando a pele de vermelho.
-Porque fez isso?Porque entrou na frente da bala? – ela perguntou,havia lágrimas em seus olhos.
-Porque...eu te amo. – murmurei.
-Draco, eu... – ela sussurou, a voz falhando.
-Eu sinto tanto,Astoria. Fui...um idiota aquele dia...aquela noite...
Surpreendentemente, ela me beijou.Seus lábios eram incrivelmente doces e maravilhosos naquele momento, e por um instante, foi possivel esquecer da dor. Eu poderia morrer ali, Astoria. Mas morreria perdoado, e isso valia por tudo.