POV Scorpius
Eu sempre gostei de ficar observando escondido da escada nas madrugadas que meu pai chegava em casa. Trabalhava até mais tarde e avisava antes. Era de se esperar que minha mãe tivesse uma crise dizendo que ele provavelmente a traíra, mas minha mãe era diferente.
Kassandra colocava os filhos para dormir mesmo depois deles estarem crescidos e beijava cada um delicadamente na testa, em seguida ia para a sala esperar o marido noite a dentro.
Draco geralmente chegava cansado e cheio de rugas de preocupação, Kassandra apenas o olhava decepcionada. Não pela hora, não pelo estado do marido e não porque ele constantemente chegava mais tarde. Estava decepcionada consigo mesma, por não poder fazer nada para ajudar a pessoa que mais amava.
Mal ela sabia que fazia tudo que ele precisava. Por isso eu, Scorpius Malfoy, gostava de observá-los. Era nesses dias que quando minha mãe tocava o rosto de meu pai suas rugas sumiam, seus olhos ardiam como fogo e o gelo que parecia ter em sua volta derretia completamente.
Vocês já devem conhecê-lo bem, ele é frio, calculista e arrogante, mas não conosco. Sempre fomos uma família unida e nos permitimos sorrir e sermos felizes. A diferença é que quando minha mãe colocava suas mãos delicadas em sua face e exibia aquele sorriso sincero e maravilhoso que só ela tinha, ele voltava a ser aquele garoto que se apaixonara por ela uma vez.
Então ele a abraçava forte e escondia o rosto naqueles cabelos ondulados e sedosos. Formavam um contraste tão grande, preto e branco. Minha mãe era de pele branca como a neve e os cabelos negros como a noite, já meu pai era feito gelo, loiro e com os olhos cinza. Eles possuíam uma combinação extremamente elegante e singela ao mesmo tempo, pareciam se encaixar perfeitamente um no outro.
Vocês poderiam pensar que eles se casaram por serem iguais, mas doce engano esse. Eles são completamente diferentes. Minha mãe nunca deixa de sorrir, foi uma Grifinória exemplar, sempre foi perfeita em tudo que fez e faz, nos ama mais que tudo e seus olhos sempre brilham, ela é altruísta, sincera, delicada e forte ao extremo. Papai é arrogante, frio, calculista, seus olhos dificilmente brilham, só quando está com ela (ela opera mudanças enormes nele), tem todas as características de um Sonserino e nunca vai deixar de ser o que é, apesar de tudo faria o impossível por ela, por mim e meus irmãos.
Mas o que eu mais gosto de ver é o que vem agora. Papai aponta a varinha para o aparelho de som que mamãe o fez comprar e ele começa a tocar uma música suave, então papai a enlaça pela cintura e dança com ela pela sala de estar. Os dois parecem algo misterioso flutuando, algo que não existe, que jamais existirá e eu finalmente entendo o que é o amor.
Sorrio para mim mesmo, sabendo que aquela noite se arrastará até o amanhecer, e subo para o meu quarto com a melhor sensação do mundo. Amor.
***
Meu sétimo ano estava para começar! Nem posso acreditar, meu último ano em Hogwarts! Não que eu estivesse feliz por isso, não nem pensar, mas é o fato de que estou me formando!
Eu, Scorpius Malfoy, sou de maior agora e estou me formando dentro de um ano! O sorriso bobo apareceu em meus lábios novamente!
Olhei a volta e percebi que meus pais esperavam meus irmãos e eu para nos despedirmos, virei-me apressado para gritar a Victória para que viesse logo e acabei por bater em alguém que deixou o malão bater com estrondo no chão. Olhei-a de cima a baixo, era baixinha e nem aguentava com o peso do malão sozinha. Aqueles olhos extremamente verdes me diziam que já brigara com alguém.
Ri baixinho imaginando o estado que a pessoa ficara. Ela não gostou nem um pouco da minha reação e fechou a cara.
- Você não podia esperar chegar em Hogwarts para nós começarmos a brigar não? – ela pediu enfezada – Tem que vir batendo em mim logo na estação!
- Ah Weasley! Hoje eu estou tão feliz que nem brigar com você eu vou! – eu sorri e a abracei de impulso a estreitando em meus braços
Pude sentir o corpo dela tentando me evitar, mas ela se rendeu a mim em questão de segundos. Sempre foi assim a nossa inimizade, no fim eu sempre a esperava, quanto tempo fosse, e ela sempre se rendia. Eu abri meu sorriso mais ainda. De longe meus pais me observavam com um sorriso enviesado e enigmático.
Soltei ela devagar e a olhei nos olhos, eles estavam brilhando igual aos meus, porque tenho certeza que os meus estavam brilhando. Peguei em sua mão e com a outra levantei o malão facilmente e assim a levei para dentro do trem, coloquei o malão dentro de uma cabine vazia que eu pretendia ajudá-la a ocupar logo depois, nem que fosse para infernizar sua vida um pouco mais.
Rose Weasley me olhou entre nervosa e surpresa, sorria discretamente com o canto dos lábios.
- O que foi isso? – ela pediu sincera pela primeira vez em anos que eu a conhecia
- Foi uma boa ação! – eu sorri sem deixar de encará-la, seus ombros faziam uma curva tão delicada com seu pescoço e eu tinha uma vontade enorme de depositar meus lábios ali
- Comigo? – ela tornou a pedir sorrindo um pouco mais
- Estou feliz demais hoje! – eu disse apenas de forma enigmática e saí da cabine
Sai da cabine com cuidado e fechei a porta atrás de mim. Rose Weasley era estranha. Já havia constatado isso no ano anterior quando nós brigávamos demais e no dia seguinte nós conversávamos como melhores amigos. O problema, e isso era um grande problema para mim, Scorpius Malfoy, era que ela me deixava maluco. Eu gostava disso.
Sai do trem sorrindo e fui até meus pais. Eles me olharam sorrindo e surpresos.
- Está falando com ela? – meu pai pediu – Ainda bem que deixou as histórias que descobriu de seu avô de lado! – ele me abraçou sorrindo
- Eu amo vocês! – disse sorrindo e abraçando minha mãe – Prometem que vai estar tudo bem quando eu voltar?
- Sempre estaremos bem! – Draco sorriu abraçando Kassandra – Sua mãe é alguém que eu jamais vou conseguir viver sem!
Sorri abanando para eles e entrei no trem.
Passei na cabine de Vincent, Luke e Chuck primeiro e dei umas boas gargalhadas com as piadas estupidas de Chuck, até que elas começaram a envolver a minha irmã.
- Desculpa cara! - Chuck disse nervoso me olhando como se implorasse para que eu fingisse que não havia escutado
- Eu sei que ela é tudo isso que vocês falam, gostosa e linda, arrogante e tudo o mais, mas poxa! Ela é minha irmã! - disse abaixando a cabeça - Podia maneirar Chuck!
- Sabe que só falo assim por ela me odeia! - Chuck sorriu - Desculpa, vou me controlar!
- E a sua ruivinha? - Luke pediu me olhando enviesado
- E a SUA ruivinha, Luke Zabini? - eu perguentei tentando desviar o foco de mim
- Ah, não te contei não? - ele pediu sorrindo maroto e eu já tinha o leve pressentimento que isso faria o foco voltar para mim de forma ameaçadora - Dei em cima da Rose e no fim ela cedeu, parece que ela gosta MESMO de sonserinos!
- O quê? - eu pedi o olhando nervoso - Você fez o quê?
- Dei em cima da Rose e ela não aguentou aos meus dotes de jogador de quadribol e de sonserino! O beijo dela é perfeito!
Eu parei, estático, surpreso e muitos outros adjetivos que você possa imaginar. Ele beijara a Rose. A minha Rose. Pelo menos eu achei que fosse minha.
- O que foi loiro oxigenado? Não gostou da novidade? - Vincente me olhou segurando o riso
- cala a boca Vincente! Tenho algo para resolver! - então eu sai da cabine, sabia que só conseguiria uma resposta coerente e precisa vindo dela
A cabine em que ela deveria estar era a última, onde a deixei no início da viajem. No mínimo seus primos e irmão já devia ter ajudado a ocupá-la, mas eu a tiraria de lá de qualquer maneira.
Aquilo que Luke dissera tinha que ser mentira. Uma forma de brincadeira estúpida que ele inventara para me pegar e fazer confessar que estou louco por aquela ruiva. Tinha que ser isso, ou como se explicaria...
Flash back
“Eu corria apressado pelos corredores, sei que sou monitor, mas já passou do horário até dos monitores estarem na cama. Estava apenas olhando as estrelas, tentando entender o que acontecia dentro de mim, a mudança que se operara desde aquele beijo, o nosso primeiro beijo.
Porque sim, eu, Scorpius Malfoy, beijei Rose Weasley e por mais incrível que possa parecer ela correspondeu com igual vontade, é claro que me deu um belo tapa estalado depois, mas isso é detalhe.
Foi aí que a vi, sentada nas escadas que levavam a masmorra, porque Rose também era da Sonserina. Na mesma hora imaginei que ela deveria estar me esperando para me dar uma bela bronca sobre os exemplos que os monitores deveriam dar, mas ela não tinha como saber que eu não estava no dormitório e no fim, ela também estava fora da cama.
Sentei ao seu lado calmamente, ela deu um leve pulinho quando nossos braços se tocaram, me fuzilou com os olhos e voltou a olhar para o nada em sua frente.
- O que aconteceu Rose? – pedi docemente , ultimamente só via motivos para beijá-la e tocá-la em vez de brigar
- Não interessa! – ela me respondeu fria – Vá para o dormitório Malfoy, não tem nada o que fazer aqui!
- Eu estava sendo simpático contigo, mas tudo bem se você quer grosseria eu volto a ser grosso! – respondi irritado e me levantei andando mais uma vez em direção as masmorras
- Ei, espera! – ela me segurou o braço – Desculpa!
- Tá desculpada! – continuei sério e soltei meu braço bruscamente voltando a andar para o dormitório
- Seria pedir muito para você ficar? – ela sussurrou baixinho
- Você quer que eu fique? – eu pedi surpreso me virando rápido para ela
- Quero! – ela mordeu o lábio inferior e seus olhos encheram-se de lágrimas
- Tá tudo bem? – eu pedi me aproximando dela, tocando seu rosto delicadamente
Ela não esperou muito e se jogou em meus braços chorando silenciosamente. Não me contou o motivo, até hoje não sei. A única coisa que ainda me lembro é que a estreitei em meus braços e no segundo seguinte ela mesmo colava seus lábios quentes e trêmulos nos meus.
Ficamos um bom tempo nos beijando e não foi um único beijo. Não falamos nada, simplesmente curtimos o momento. Na manhã seguinte eu não a vi direito, estávamos voltando para casa no fim de mais um ano e seus primos a rodeavam o tempo todo.
Foi só quando encontrei meus pais na estação que ela passou batendo em mim de propósito, senti sua pele quente de encontro a minha, seus livros caíram com estrondo e eu a ajudei a pegá-los de volta, em meio a isso ela segurou a minha mão, uma onda de choque percorreu meu corpo, mas eu gostei. Ela sorriu docemente e então levantou-se e sumiu entre as pessoas.”
Fim do Flash Back
Achava que estávamos juntos desde então, mas se Luke verdadeiramente a beijou, então eu fui o idiota da história. Corri para a cabine e abri rapidamente, ela continuava ali, sozinha. Aquela cena estava muito estranha, me aproximei e fechei a porta atrás de mim e então percebi o que me parecia estranho, ela chorava.
- Rose, o que está acontecendo? – eu pedi começando a ficar com raiva, não dela, mas do motivo que a fazia chorar
Ela não respondeu e chorou mais ainda se encolhendo e se abraçando.
- Ei, venha aqui! – eu não sei de onde tirei coragem, mas a peguei no colo e a fiz encostar a cabeça em meu peito, ela não pareceu me evitar, mas sim me puxar para mais perto se fosse possível – Não quer me contar?
- Está acontecendo tantas coisas lá em casa! Tá tudo tão difícil! - ela disse segurando os soluços que vinham junto com as lágrimas
- Ei, se acalme, eu estou aqui lembra? Vai ficar tudo bem!
- Eu não sei mais o que é ficar bem!
- Para com isso Rose! Vai ficar tudo bem sim! Confia em mim?
- Confio! - ela sussurrou baixinho e sorriu tocando meu rosto, aquilo me lembrou de Luke
- Você encontrou o Luke nas férias?
- Encontrei, por que?
- Ele por acaso...é...beijou você?
- De onde tirou isso? - ela sorriu debochada
- Ele me disse! - respondi zangado virando o rosto
Ela riu e jogou a cabeça para trás deixando seu pescoço a mostra.
- Ele beijou a Lylian, mas Alvo não sabe!
- E porque diabos ele me falou que beijou você? - eu explodi colocando-a no banco e levantando com a mão nos cabelos em um gesto de nervosismo
- Eu não sei! - ela respondeu baixinho, eu havia a assustado, que ótimo
- Desculpa! - voltei a me sentar agora ao lado dela - Só não gostei da idéia!
- Percebi! - ela voltou a sorrir e entrelaçou os dedos nos meus
Sorri para ela e colei nossos lábios, mas me afastei rapidamente.
- Você quer?
- Ah, cala a boca! - ela me puxou pela gravata e me beijou com voracidade