Hm, como todo mundo já deduziu a minha amiga secreta é a Mi, rs. Desculpe o atraso (a Beatriz que mandou eu dizer isso, kk). Espero que aprecie.
A mulher estava sentada na varanda com os olhos, aparentemente impassíveis, fixos no mar. Seu coração, diferente de seus olhos, não se continha e bombeava forte o sangue em suas veias. Ela fechou os olhos e inspirou o ar calma e profundamente.
A última carta que recebera dele, há duas semanas, dizia que as coisas estavam complicadas, que poderia ficar dias sem conseguir se comunicar com ela, que faria o possível para ir passar o natal no Chalé das Conchas, mas que, se todos os seus esforços se mostrassem inúteis, ele daria um jeito de ao menos avisá-la.
No entanto, já era quinta-feira, véspera de natal, e nem sinal dele. Ela estava enroscada naquela cadeira de balanço desde que o dia amanhecera, esperando.
Ela não estava irritada, conhecia o marido, sabia que ele sempre dava um jeito! E se ele não aparecesse, ao menos um bilhete receberia. Por isso continuava esperando, mesmo que toda essa espera lhe rendesse apenas uma coruja com um bilhete rabiscado às pressas.
Mas não foi uma coruja que despertou seu interesse, já ao entardecer. Um movimento rápido na areia e um vulto encapuzado se materializou. A mulher se pôs em pé, ansiosa, mas mesmo à distancia, com o capuz e a capa pesada, soube que não era o marido. Mais baixo, mais magro, mais... delicado? O vulto caminhava lentamente na neve, em direção ao Chalé. Definitivamente mais delicado. Um andar mais leve. Era uma mulher, Fleur soube antes que ela puxasse o capuz para trás. Mas era uma desconhecida. Fleur não se recordava de já tê-la visto. Porém, a mulher parecia conhecê-la, porque sorria olhando diretamente para Fleur.
Então ela se deu conta do que estava acontecendo. Uma mulher, bruxa, estava caminhando em direção ao chalé, olhando para ela! Mas como era possível? O Chalé das Conchas era protegido pelo feitiço fidellius! Fleur apanhou a varinha que estivera o dia todo na mesinha de madeira, ao lado da cadeira de balanço, e apontou para a estranha.
- Pare.
A mulher sorriu abertamente e estacou.
- Quem é você e o que faz aqui?
- Sou Katie Bell, amiga de Bill. Do trabalho, quero dizer. - emendou rapidamente diante do estreitar de olhos da outra. - Vim a pedido dele.
Fleur baixou a varinha enquanto a outra se aproximava, mas não pôde deixar de sentir a tristeza invadindo seu coração porque agora sabia que Bill não viria. Não havia mais nenhum fiapo de esperança ao qual se agarrar. No entanto, uma parte sua estava contente pela confirmação do que já sabia: Bill sempre dava um jeito de cumprir o que dizia. E ele dera um jeito de avisá-la.
A mulher retirou um pedaço de pergaminho de um bolso interno da capa e estendeu para Fleur.
Dizia:
Fleur,
Sinto muito, minha querida, por não estar aí. Passei horas pensando, tentando descobrir algo, qualquer coisa, que eu pudesse fazer para impedi-la de ficar triste neste natal. Espero que, pelo menos, você saiba que minha maior vontade era estar ao seu lado.
Como isso não é possível, estou tentando fazer o tudo que posso - estou te enviando o melhor presente que fui capaz de imaginar. Sei que irá agradá-la. Não o recuse, não refute, não seja racional demais, sei o que estou fazendo. Posso arcar com isso. Só quero compensar, de alguma maneira, a minha ausência.
Além do mais, pensar em você com ela anima o meu dia. Aproveite.
Com todo meu amor,
Bill.
Fleur virou e revirou o pergaminho entre os dedos, mas era tudo que dizia. Ela releu, tentando achar o significado daquelas palavras.
- Ah... - ela ergueu os olhos para a garota morena que ainda a encarava fixamente - Bill pediu a você que me entregasse alguma coisa? Na carta ele fala sobre... hm, um presente...
Katie sorriu e balançou a cabeça.
- Na verdade... Eu sou o seu presente.
- O que? - questionou, a voz saindo ligeiramente engasgada pela surpresa.
Seus olhos recaíram na mulher à sua frente. Na verdade, era quase uma garota ainda. Não devia ter mais de 20 anos, calculou. Mas possuía olhos castanhos desconcertantes que miravam Fleur com paciência e simpatia. As palavras de Bill ecoavam em sua cabeça: '...não refute, não seja racional demais, sei o que estou fazendo'. Com certeza ela estava interpretando mal as palavras dele. Era notável que Bill era um cara descolado, mas isso já era demais até para ele. '...compensar, de alguma maneira, a minha ausência'. Fleur ainda revirava o pergaminho na mão sem realmente olhar para ele quando murmurou, com voz rouca:
- Não compreendo.
- Vou ficar feliz em lhe explicar tudo, mas acabei de fazer uma longa viagem para atender ao pedido de Bill e já estou congelando aqui fora. Seria folga demais pedir para entrar por um momento?
Não havia resquício de aborrecimento naquela voz. Fleur apenas identificou um incontido desejo de amenizar a situação.
- Claro, claro. - disse, culpando-se mentalmente por sua falta de educação e hospitalidade - Vamos entrar.
Katie retirou a capa e, enquanto a pendurava, Fleur não pôde desviar os olhos dela. A garota movia-se lenta e silenciosamente, não parecia sem graça ou desconfortável. Nem com a situação, nem consigo mesma. Era jovem, tão jovem! Seus cabelos castanhos caíram pesadamente até o meio de suas costas, uma vez livres do capuz. '...estou te enviando o melhor presente que fui capaz de imaginar. Sei que irá agradá-la'.
- Aceita uma taça de hidromel, srta. Bell? - ofereceu, tentando compensar a falta de tato anterior.
- Pode me chamar de Katie. E sim, eu adoraria uma taça de hidromel, obrigada.
Ainda se perguntando o que o marido esperava dela com tudo isso, serviu uma taça de hidromel envelhecido à morena.
- Bill deve estar louco, completamente louco. - resmungou baixinho em francês. Havia adquirido esse hábito nos últimos meses, já que Bill não entendia a língua.
- Acho que ele queria apenas garantir que você não passasse o natal sozinha. - ouviu a resposta calma, também murmurada em francês, e voltou-se rapidamente para a garota.
- Pardon. - disse, entregando uma taça à Katie - Tenho o costume de falar sozinha em francês.
- Tudo bem.
- Sente-se, por favor. - Fleur indicou as duas poltronas macias da pequena sala de estar. Katie assentiu com a cabeça antes de se acomodar em uma delas.
- Eu, Bill e os outros funcionários de Gringotes temos tido dias bem difíceis, nas últimas semanas. - Katie começou, bebericando seu hidromel - O treinamento tem sido exaustivo. As novas proteções planejadas para os cofres de segurança máxima testam todas as nossas habilidades. Feitiços, encantamentos, criaturas mágicas...
- Bill comentou que tem trabalhado bastante.
- Ele foi modesto. Bill tem trabalhado até a exaustão, porque ocupa um cargo de chefia. Cinco dias atrás fomos transferidos para uma ilha isolada, para treinamento de campo. Por isso ficamos impossibilitados de nos comunicar com quem quer que fosse. Seu marido fala de você o tempo todo.
- Não acredite em tudo que ele diz. - Fleur brincou, sorrindo. O melhor que podia fazer era descontrair a situação.
- Até agora, foi tudo verdade. - Katie contrapôs, fixando seus olhos castanhos em Fleur, longamente - Bom, ele estava preocupado com o fato de não poder lhe escrever. E quando soube que eu havia conseguido ser liberada para o natal, perguntou se eu não poderia lhe dar notícias.
- Bill é um exagerado. É claro que fico preocupada, mas não sou uma histérica. Sei que ele está trabalhando. Não precisava fazer com que você...
- Está tudo bem. Tudo que ele me pediu, primeiramente, foi que lhe enviasse uma carta. Não se pode dizer que seja um pedido absurdo, não é mesmo? Mas enquanto conversávamos, comentei com ele que não tinha realmente para onde ir nesse natal, e então Bill me perguntou se eu não lhe faria um favor maior.
- Hm...
- Ele me pediu que viesse lhe fazer companhia, já que ele não poderia. Que não deixasse você ficar sozinha ou preocupada. Pediu que eu garantisse que você... se divertisse.
- Pediu que você fosse meu presente de natal.
- Sim. - Katie sorriu mais uma vez, bebendo o último gole de hidromel - E eu concordei.
- Louco. - voltou a praguejar em francês.
- Louco por você, eu diria.
Um silêncio incômodo se instalou. Fleur se perguntou se tinha sido grosseira. Não era sua intenção, mas a ausência do marido a aborrecia profundamente. Não era justo estar tão só enquanto o mundo bruxo se reconstruía. Quando ainda pairava sobre a cabeça de todos a ameaça de comensais desejosos de vingança pela morte do Lorde das Trevas. Tinha recusado o convite da família Weasley de acompanhá-los na viagem para a Austrália, onde Granger havia se reencontrado com os pais. Tinha recusado até mesmo o convite de sua própria família de passar o natal na França. Tudo por esperança de que Bill pudesse voltar para casa no natal. Mas, em vez disso, estava ali sozinha, sem ele. Mas ela jamais bancaria a esposa indefesa que não sobrevive a uma fase difícil. Se era preciso que Bill ficasse distante, então ela cumpriria com seu dever de esposa e suportaria até que pudesse tê-lo novamente por perto.
- Deve ser difícil ficar longe do seu marido em uma data como essa.
- É difícil ficar longe do meu marido. - afirmou, soltando um suspiro pesado - Tem sido complicado desde que ele foi reenviado ao Egito. Tem sido difícil todos os dias. O natal é apenas mais um deles.
- Ahn, você parece não apreciar muito o natal. - Começou Katie, tentando novamente estabelecer um diálogo.
A garota estava ali a pedido de Bill, podia estar fazendo qualquer outra coisa no mundo, mas estava ali, lhe fazendo companhia. Com este pensamento em mente, Fleur lhe concedeu um sorriso e retrucou:
- Não sou uma grande fã. Acho que é uma data que já foi completamente esvaziada de significado. Hoje em dia, se trata apenas de convenções sociais. Você deve receber e dar presentes para pessoas com quem, às vezes, nem se importa. Vira um jogo de gentilezas que, na maioria das vezes, não são sinceras. E ainda precisamos criar diversos métodos para ludibriar as crianças e fazê-las acreditar em um conto cheio de falhas. - completou, sorrindo para amenizar a crueza do discurso.
- Eu penso diferente. Acho que, no natal, a gente pode acreditar no incrível sem parecer idiota. Podemos perdoar as pessoas que definitivamente não merecem mais ser perdoadas. Podemos ter esperança naqueles casos perdidos. E culpar o espírito natalino por tudo isso, assim você não precisa se considerar um bobo otimista. Sei que parece loucura, mas o natal nos dá uma desculpa para sermos boas pessoas. E eu gosto disso. - Katie disse, dando de ombros - Não que eu sempre seja, sabe, uma pessoa boa. - completou, rindo.
- Parece que você é uma fã do natal.
- Eu sou. Quem sabe, até o fim desse, eu não faço você mudar de ideia?
Fleur ponderou aquelas palavras, mas não foi capaz de sustentar o olhar da morena. Para não ter que dar uma resposta direta, pediu licença e foi para a cozinha onde tomou de um gole só o restante de hidromel em sua taça e decidiu começar a preparar a ceia, já que agora tinha uma convidada.
- Posso ajudar? - Fleur se virou para a porta da cozinha, onde Katie havia aparecido.
- Faz tempo que não converso em francês com alguém.
- Minha mãe é canadense. Aprendi francês e inglês ao mesmo tempo.
- Seu sotaque é bem suave.
- O seu também. Quando está falando inglês, quero dizer.
- Melhorei bastante. - Fleur admitiu, voltando ao inglês.
- Posso ajudar? - Katie repetiu a pergunta, entrando de vez na cozinha.
- Pensei em preparar uma ceia para nós.
- Eu não quero dar trabalho.
- Não é trabalho. O mínimo que posso fazer é não deixar meu presente de natal morrer de fome.
- Se é assim... - Katie sorriu - Eu fico responsável pela sobremesa.
- Combinado.
Então as duas começaram a circular pela pequena e charmosa cozinha do Chalé das Conchas. Ficaram conversando amenidades enquanto a noite e a neve caíam do lado de fora, deixando o tempo mais frio e a casa mais aconchegante.
- Então Zabini ofereceu minhocas ao grifo!
- Não acredito! - Fleur exclamou, dividida entre o choque e a vontade de gargalhar, enquanto Katie contava animadamente uma das histórias de seu treinamento no Egito.
- Ele é um idiota.
- E o que aconteceu?
- O grifo partiu para cima dele, é claro. Nós éramos cinco bruxos no grupo e demoramos para conseguir afastar o animal e acalmá-lo. Dica para a vida: não se coloque no caminho de um grifo furioso.
- Não acredito que vocês se colocaram em perigo para ajudar um idiota desses.
- É por isso que se chama "trabalho em grupo".
- Você se machucou? - Fleur questionou, a preocupação surgindo em seu tom de voz e surpreendendo-a.
- Apenas um arranhão. - Katie tocou o lado do próprio corpo e fez uma pequena careta.
- Você... está ferida?
- Já está cicatrizando.
- Posso ver?
- Realmente, não é nada... - Katie disse, erguendo a camisa e revelando sua barriga pálida e lisa e a curva sinuosa da cintura, até deixar aparecer um curativo frouxo e manchado de sangue logo abaixo do sutiã.
- Merlim! Vocês não tinham uma enfermaria?
- Nossos chefes são duendes. - Katie respondeu e Fleur concordou com a cabeça.
- Deixe eu dar um jeito nisso.
- Fleur, não é necessário...
- Se não cuidar disso, pode virar um ferimento sério. E duvido muito que não esteja doendo.
- Não dói se eu não penso nele.
- Esse é um péssimo método de tratamento. - Fleur argumentou e Katie riu - Venha comigo.
Fleur caminhou pelo chalé, com Katie seguindo em seus calcanhares, até o banheiro. A loira capturou uma pequena maleta de primeiros socorros debaixo do armário da pia, abriu-a e analisou os medicamentos por alguns segundos.
- Hm... Pode descobrir o ferimento, por favor? - pediu, mirando os olhos complacentes de Katie. A morena segurou a barra da própria camisa e puxou-a para fora do corpo. Foi impossível para Fleur não reparar no modo como seu corpo se alongou com o movimento, como suas costelas se marcaram contra a pele, demonstrando sua magreza, e como Katie se contraiu levemente de dor ao esticar o corpo.
- Fica mais fácil. - a morena disse, colocando a camisa sobre a pia. Usava um sutiã branco, de algodão, sem apelos.
- Sim, claro. - Fleur balançou a cabeça com indiferença, embora sentisse seu rosto ruborizar inexplicavelmente.
Abaixou-se um pouco e retirou o curativo mal feito, revelando um corte fundo, com as bordas arroxeadas, que ainda minava um sangue escuro que relutava em coagular.
- Você deveria ter procurado um . - Fleur reclamou, com um muxoxo reprovador.
- Eu sei que não está bonito, mas...
- Está inflamando.
- Tenho certeza de que você tem um remédio para isso. - Katie replicou e Fleur soltou outro muxoxo.
- Preciso limpar.
- Tudo bem.
- Vai doer.
- Eu aguento.
E, de fato, Katie não soltou um ruído sequer de dor, enquanto Fleur esguichava poção anti-inflamatória na ferida. Embora a loira visse os dedos dela agarrando com força o tecido da camiseta, sobre a pia, seu rosto permaneceu impassível e a morena ainda abria um sorriso corajoso a cada vez que Fleur levantava a cabeça para olhá-la nos olhos.
- O que é isso? - Bell perguntou, pela primeira vez soltando o ar em um longo suspiro. Não de dor, mas de alívio.
- Essência de Murtisco, em gel. - Fleur explicou, enquanto espalhava a pomada pelo corte.
- É maravilhoso. - ela respondeu e Fleur riu. Sabia que essência de Murtisco era um anestésico eficiente.
Cobriu a ferida com gaze limpa e esparadrapo impermeável.
- Pronto.
- Você é incrível. Muito obrigada.
- Não tem de quê. O curativo estava precisando de uma limpeza.
- Eu inteira estou precisando de uma limpeza. Posso usar seu banheiro mais alguns minutos? A torta já está na geladeira, e eu realmente preciso de um banho.
- Claro, fique à vontade.
Katie voltou à sala e capturou uma pequena bolsa dentro de sua capa, então retornou ao banheiro. Fleur ouviu ao longe a porta se fechar e o chuveiro ser ligado. Aproveitou para colocar o peru no forno e ir tomar um banho também, antes da ceia. Lavou-se rapidamente no banheiro de sua suíte e ainda teve tempo de pôr a mesa de jantar, enquanto Katie demorava-se no banho. Imaginou que fazia semanas que aquela bruxa não sabia o que era água quente. Ou sequer água encanada.
O forno apitou, anunciando que o peru estava pronto. Assim que Fleur o colocou sobre a mesa, junto com os acompanhamentos, Katie surgiu na sala. Parecia outra pessoa. Seus olhos haviam perdido o ar cansado de antes e seu cabelo estava limpo, magicamente seco, e preso em um rabo de cavalo desleixado. Usava um vestido vermelho que escorria por um de seus ombros, desnudando-o. Fleur deslizou os olhos por aquela pele parda, pelo desenho de sua clavícula que, mais uma vez, enfatizava seu corpo magro. Katie não usava maquiagem. Tinha aquela pele lisa e macia típica da juventude. Era apenas uma garota, Fleur pensou mais uma vez. Era tão jovem e, ainda assim, tão segura, tão mulher.
- A ceia está servida. - a loira anunciou, puxando duas cadeiras à mesa.
Serviram-se calmamente, a comida esfriando nos pratos enquanto as duas se distraíam com a presença uma da outra. Comeram devagar, saboreando os pratos e as palavras na mesma proporção. A véspera de natal transformou-se no dia de natal sem que nenhuma das duas se desse conta.
- Não vou comer mais nada por duas semanas. - Katie anunciou, afastando o prato de si algum tempo depois.
- Depois da sobremesa, você quer dizer. - Fleur disse, sorrindo - Acha que sua torta já está boa?
- Acho que sim. Vou buscá-la.
A morena apareceu segundos depois e colocou a travessa sobre a mesa.
- É uma torta de mirtilo comum. - Katie disse, sentando-se novamente na cadeira ao lado de Fleur - O segredo está aqui. - completou, mostrando um pequeno frasco com um líquido cor de âmbar.
- O que é isso? - Fleur questionou, esticando a mão na direção do frasco. Katie tirou-o de seu alcance.
- Isso é xarope de kaplatos. Uma delícia, mas não se deve usar em vão.
- Por que não?
- Porque possui algumas propriedades mágicas... interessantes.
- É um entorpecente? - Fleur questionou, arregalando seus olhos azuis. Katie riu.
- Não. Kaplatos é uma planta encontrada em alguns desertos egípcios. É muito utilizada para poções de cura. Mas em um corpo são, ela age como uma forma de... afrodisíaco.
- Afrodisíaco?
- Sim. Ela magnifica as sensações. Mas não é entorpecente ou tóxica, de nenhuma maneira.
Fleur sorriu e capturou o frasco da mão de Katie, de surpresa. A morena riu quando Fleur derramou todo o xarope sobre a torta, de uma só vez.
Comeram a torta inteira.
- Mais vinho? - Fleur ofereceu, já preenchendo sua taça e a de Katie pela terceira vez.
- Sabe, vinho é entorpecente e tóxico.
- Eu sei. - Fleur sorriu, levantando-se da mesa, segurando sua taça. Katie a seguiu pelo chalé, até a sala.
Com um movimento de varinha, a loira ligou uma antiga vitrola. O som suave de blues preencheu o cômodo.
- Hm, música... - Katie sorriu satisfeita.
- Obrigada, Katie.
- Pelo quê?
- Por ter vindo.
- Cá entre nós, Fleur... Eu não tinha para onde ir.
- Sua família?
- Mortos na guerra.
- Eu sinto muito.
- Eu também.
- Amigos?
- Com a família deles... não me faz bem.
- Entendo.
- Então obrigada você.
Fleur sorriu e, sem pensar, puxou Katie por uma das mãos até o centro da sala, onde começaram a dançar devagar, no enlevo do blues.
- Sabe, acho que você é... o melhor presente de natal que eu já ganhei. - anunciou, fazendo Katie gargalhar.
- Estou entendendo porque você não gosta de natais. Pelo visto, nunca ganhou presentes muito bons.
- Não se subestime, não combina com você. - Fleur replicou e Katie sorriu - Por que acha que Bill me enviou você?
- Gosto de pensar que é porque ele conhece seu gosto. - a morena murmurou, se aproximando.
- Katie...
- Fleur?
- Eu não sei o que... - pensar? fazer? 'Além do mais, pensar em você com ela anima o meu dia. Aproveite'. As palavras de Bill pareciam tatuadas em seu cérebro. Aquilo fora... um passe livre, certo?
- Eu sei. - Katie completou, puxando Fleur pela cintura com uma segurança nata e colando suas bocas.
Fleur sentiu o hálito quente de Katie arder em seus lábios. Abriu a boca para sorvê-lo e o hálito dela pareceu descer queimando por sua garganta até seu estômago. A sensação era incrível. Suas línguas se encontraram e a loira suspirou, rendida. Katie mergulhou uma das mãos por seu cabelo em uma mistura de desejo e gentileza. O gesto disparou correntes elétricas por sua nuca abaixo.
Provavelmente podia culpar o tal xarope de kaplatos, mas era besteira. Katie Bell era afrodisíaca. Fleur podia sentir isso em seus lábios, em sua pele. Quando suas bocas se descolaram, Katie desceu a língua por seu pescoço, arrepiando cada centímetro de pele que encontrou.
Bell segurou a mão de Fleur e levou-a à boca, beijando a palma demoradamente e traçando pequenos círculos com a língua até seu pulso. Um gesto tão pequeno e tão erótico. Fleur deixou um gemidinho escapar quando Katie colocou seu dedo médio inteiro na boca, rodeando-o sensualmente com a língua. Então levou a mão de Fleur até sua cintura, fazendo-a segurá-la e depois empurrou a mão da loira para baixo, na direção de seus quadris. Era um corpo tão delgado, tão delicado. Céus, tão gostoso.
Suas bocas voltaram a se unir e Fleur começou a puxar Katie pela casa, ouvindo o som do blues morrer ao longe enquanto tropeçavam pelos corredores na direção do quarto.
- Você é tão linda... - ouviu Katie sussurrar ao pé de seu ouvido, em francês - Sei que deve ouvir isso o tempo todo, mas... você é tão linda.
- Gosto de ouvir você dizer... - respondeu e Katie sorriu, empurrando-a delicadamente para a cama.
A morena deitou o corpo por cima de Fleur e se ocupou de beijar-lhe os lábios, os olhos, o queixo. Suas mãos trabalhavam habilmente em despir cada peça de roupa que a loira usava, até deixá-la apenas com o lingerie azul royal, de renda.
- Vire-se. - pediu, puxando Fleur pela cintura até deixá-la de bruços.
Katie abriu o sutiã da loira e arrastou os lábios, os dentes e a língua por toda a extensão de suas costas brancas. Afastou seu cabelo platinado para o lado e beijou-lhe a nuca demoradamente. Bell livrou-se do próprio vestido e deitou sobre as costas de Fleur, comprimindo seus seios contra aquela pele quente. Sua língua passeava do lóbulo da orelha à lateral do pescoço da loira, revezando-se com gemidinhos roucos.
Quando Fleur virou-se de frente mais uma vez, seus olhos azuis, sempre tão claros, haviam adquirido a cor de um céu tempestuoso. E uma magia poderosa emanava dela, envolvente, irresistível, forte e sólida como uma corrente de aço. A veela dentro de Fleur aflorava do modo mais instintivo e natural possível. Katie foi atraída para ela como um marinheiro enfeitiçado pelo canto da sereia. Teria se afogado com prazer no mar turbulento de suas íris.
Beijou-a como se ela fosse o último fôlego antes de um mergulho profundo. Suas mãos espalharam-se por aquele corpo macio, tomando tudo que podiam. Fleur gemia e suspirava, passando braços e pernas ao redor do corpo magro de Katie. A morena desceu os lábios pela curva sinuosa do pescoço de Fleur, escorregando pelos ombros, até os seios. Eram perfeitos, como cada pedaço daquela mulher. Emoldurou-os com as mãos e sorveu-lhes com a língua. Sentiu o corpo dela se arquear sob o seu e usou os joelhos para firmá-la, prendê-la, debaixo de si.
- Vous êtes douce. - Katie sibilou, sua voz um fio rouco de desejo - Vous êtes chaud.
- M'embrasse. - Fleur pediu e Katie lhe atendeu, cobrindo sua boca com um beijo lento e faminto.
Sua mão desceu pelo corpo macio de Fleur e se infiltrou pelas coxas, tocando o interior quente delas. A morena subiu um pouco mais a mão até que seus dedos tocassem o tecido fino e úmido da última peça de roupa que a loira usava. Pressionou os dedos sobre o tecido, sentindo-a se contorcer e gemer contra seus lábios, reagindo imediatamente à provocação. Ouvia os sons produzidos por Fleur ecoarem em sua boca. Sentia o resultado de suas carícias umedecendo aquele tentador lingerie azul. Mas não tinha pressa.
Deixou os lábios daquela francesinha vermelhos e intumescidos de seus beijos. Fez o mesmo com seus seios brancos, tão arrepiados e promissores. Rodeou-os com a língua até que Fleur choramingasse pedidos incongruentes. Então desceu mais para beijar-lhe a barriga plana e suave, para correr a curva de sua cintura com a ponta da língua. A pele de Fleur exalava um perfume entorpecente.
Quando desceu ainda mais, Katie podia sentir o próprio corpo arder de vontade e expectativa. Vontade realizada e expectativa superada quando sentiu a excitação de Fleur na ponta de seus dedos e de sua língua, quando livrou-a da calcinha. Tocou o sexo da loira com os lábios e as mãos dela se embrenharam em seu cabelo, puxando-o como um incentivo desesperado. Katie sabia o que estava fazendo e sabia muito bem. Sua língua explorou Fleur lenta e languidamente, esperando que o corpo dela entrasse no ritmo cadenciado do prazer. Então acelerou os movimentos com a língua. Mais rápido e mais forte, sem tempo para fôlego, pausa ou pensamento. Tudo que existia era o gosto complexo e maravilhoso de Fleur preenchendo seu cérebro, seu corpo.
Katie sentiu-a espasmar, anunciando o orgasmo, e mergulhou dois dedos na intimidade quente e úmida de Fleur, subitamente. Ela gritou e seu corpo inteiro tremeu, gozando por tanto tempo que Katie perdeu o fôlego apenas de ouvi-la gemer e sentir seu corpo convulsionar.
Quando o corpo de Fleur amoleceu sobre o colchão, Katie ergueu o corpo e fixou os olhos naquela mulher deliciosamente abandonada, sem forças, sobre os lençóis. Katie esticou-se sobre o corpo dela, tocando-lhe o rosto com a ponta dos dedos. Fleur estremeceu, sua respiração pesada e os olhos enevoados, e então sorriu.
Katie sentiu um calor súbito se irradiar de seu peito até as extremidades de seu corpo. Daquela vez, e nas seis vezes que se seguiram, Katie acabou por decidir que aquele sorriso pós-orgasmo era a coisa mais sexy que já tinha visto e que veria em toda sua vida.
Fleur abriu os olhos lentamente, com um raio de sol ofuscando sua visão. Piscou, esfregando o rosto até afastar os últimos resquícios de sono. Os lençóis estavam embolados e quentes debaixo de si e o quarto exalava um inconfundível aroma de sexo e perfume feminino.
Virou-se na cama, procurando por Katie. Seu corpo ainda estava sensível e exausto da noite anterior. Mas Katie não estava a seu lado na cama. A loira se levantou e caminhou até o banheiro, chamando-a com uma voz rouca. A morena também não estava lá. Fleur já estava avançando na direção de seu robe, pronta para procurar por Katie pelo chalé, quando seus olhos pousaram em sua mesa de cabeceira. Sobre ela havia um estojo de veludo e um pergaminho dobrado que não estavam lá antes.
Fleur voltou a se sentar na cama e alcançou o estojo de veludo. Abriu-o para revelar uma pulseira de ouro, encrustada de brilhantes. Os entalhes dourados eram tão delicados que a loira hesitou tocá-los. Os diamantes refletiam o raio de sol em dezenas de cores que se projetavam nas paredes. Poucas vezes Fleur vira uma joia tão perfeita, tão milimetricamente calculada. Se tratava, obviamente, do trabalho de duendes. De uma obra prima incrível.
Ainda estonteada pela joia, Fleur alcançou o pergaminho. Uma caligrafia fina e rebuscada traçara algumas linhas por ele.
Fleur,
desculpe não tê-la esperado acordar, mas tenho uma longa viagem de volta para fazer. E nunca gostei de despedidas.
De tudo que eu te disse ontem, duas coisas eram verdade: a primeira é que eu trabalho com Bill e ele me pediu para lhe entregar seu presente de natal. Está entregue, dentro desse estojo de veludo, sobre sua mesa de cabeceira.
Você causou uma impressão enorme em mim desde a primeira vez que te vi, no Torneio Tribruxo, em Hogwarts. A sensação se repetiu quando Bill me mostrou uma foto amassada que carrega dentro da carteira. Ele me mostrou, orgulhoso, quão linda era a mulher dele. Tive que concordar. Assim como concordei em viajar milhas para garantir que você recebesse notícias e seu valiosíssimo presente. Mas não estava esperando encontrar o que encontrei... encontrar você.
Assim que te vi, sentada na varanda, algum impulso incontrolável tomou conta de mim. Nos momentos seguintes, meu cérebro trabalhou na velocidade da luz criando a história na qual você quase não hesitou em acreditar. Não sei no que estava pensando. Só queria passar mais tempo com você.
A segunda verdade é que eu acho que o natal é uma oportunidade para acreditar no impossível. Parece que, no fundo, você também acha.
É provável que você esteja me odiando agora. Se for este o caso, só quero que saiba que, de qualquer maneira, valeu a pena.
Você disse que eu fui o melhor presente de natal que você já ganhou. Posso dizer o mesmo. Espero ter feito você mudar de ideia sobre essa data. Porque, às vezes, o incrível acontece de verdade.
Feliz natal,
Katie.
N/A: Então, ficou meio corrido e tals, e tenho tido pouco tempo e blá, blá, blá. Mas sei também que a Mi, que é a principal interessada não teria tempo de ler nos últimos dias, então não faz muita diferença.
Créditos pra Beatriz que me deu algumas ideias e fez a nc pq eu sou péssima nisso =/ E ela é mt boa! Então é o melhor da fic. Obrigada amor ;]
Mas tb acho q ela tinha msm q me ajudar pq ela roubou minha personagem original que era a Ana Abbott, q sei q a Mi adora, kk. Aí tive q mudar né...
Enfim, beijos, beijos.