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8. Círculo 02. Lucy


Fic: Harry Potter e a Ordem de Merlin


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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  Eu nunca me esqueceria a primeira vez que cruzei aqueles portões...


  O carvalho era enegrecido, largo e bastante pesado, precisava de três homéns pra abrir cada lado, ou um feitiço muito forte. Os simbolos em alto revelo, entalhado nos quatro cantos da porta, representavam os quatro fundadores de Hogwarts: O Grifo, de Gryffindor; o Texugo, de Hufflepuff, a águia de Ravenclaw e... a cobra, de Slyterin. Juntos os quatro símbolos formavam o símbolo da escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Éra um símbolo tão bem gravado na minha mente, e de todos os outros estudantes, que eu poderia desenha-lo com todos os detalhes...


  Meros onze anos, uma ignôrancia sem medidas, um orgulho infundado e uma capacidade sem comparação pra me meter em situações problemáticas. Acho que é uma boa maneira de descrever a mim mesmo, quando entrei naquela escola. 


  No primeiro dia, o diretor havia feito um discurso, como sempre fazia. Eu ainda lembro como aquela cara de velhote bonzinho me irritava, ele dizia coisas sem sentido, como Hogwarts era capaz de mudar o coração das pessoas pra melhor, ou como passariamos a amar aqueles salões, aqueles corredores, como formariamos uma família ali, companheiros e quem sabe, uma namorada... Vários alunos riram nessa hora, alguns mais velhos coraram, outros sorriram pras garotas sentadas aos seus lados, mas os mais novos apenas debocharam, eu era dos mais novos então apenas debochei dos alunos que tinham namoradas.


  Eu também achava desnecessário estar ali, achava que não tinha mais nada a aprender que já não tivesse aprendido, com o meu pai, zombava dos alunos que ficavam com as caras enfiadas em livros, e principalmente dos nacidos trouxas, que olhavam cada pequeno gesto de magia como se fosse algo fascinante e de outro mundo, como eu sentia raiva daquilo...


  Na verdade, não era raiva... Eu ainda não sabia direito o que era, aquela época da minha vida éra meio nublada, eu não consigo explicar direito os meus sentimentos, acho que me sentia daquela forma por que fui ensinado a me sentir assim, era quase como se fosse uma injustiça que eles estivessem ali... E por isso, não perdia a oportunidade de atormenta-los, o pobretão Weasley, como meus "amigos" o chamavam, era meu alvo favorito.


  Naquele ano também ouve uma grande comoção no mundo bruxo, a maioria dos alunos não sabia exatamente por que no começo, mas eu já sabia a muito tempo, e havia gostado de ouvir aquilo.


  Harry Potter, o menino que sobreviveu, que devia ingressar esse ano em Hogwarts, estava morto!


  Depois daquele discurso, Dumbledore desapareceu por vários meses da escola, indo até o ministério, investigando, mas no fim, poucas coisas foram descobertas, exceto que quando tinha sete anos de idade, sua casa havia explodido. O caso foi trancado e tido como um acidente doméstico, talvez com o gás encanado. Vários bruxos fizeram protestos em frente ao ministério naquele ano, Hogsmeade e Godric's Hollow ficaram cheias de bruxos prestando condolências. Todos agiam como se um grande herói ouvesse deixado o mundo... Idiotas. 


  Eu lembro de várias coisas daquele ano, como conheci a maioria das pessoas da Sonserina - elas praticamente faziam fila pra me comprimentar, e se apresentar - já as pessoas de outras casas eu nem sequer fazia questão de comprimentar, eles eram escória, sangues sujos e triçoeiros do sangue. Ao menos era o que eu achava. Também havia Crabbe e Goyle, meus melhores amigos, ou meus servos... Tanto faz. Eu os conhecia desde meus oito anos, quando os pais dele iam visitar o meu, pra falar de negócios. Lembro como as aulas, inicialmente monótonas, passaram a ser desafiadoras, eu não sabia tudo afinal...


  Apesar de ser bastante interessante falar sobre como dissequei vários sapos aquele ano, ou da vez que joguei poção fedida pra matar topeiras no Weasley pobretão, que acabou levando uma bronca danada do professor Snape, junto com 50 pontos perdidos pra Grifinória e uma detenção, por se sujar e desperdiçar igredientes, ou então da vez que colei os cabelos da sangue ruim da "Granger-me faça uma pergunta" ou... Bem, deixa pra lá. Não é sobre o primeiro ano que eu resolvi falar, é sobre o segundo...


  Naquele segundo ano, um cofre pessoal do professor Dumbledore havia sido roubado em Gringotes. A informação vazou por que Rita Skeeter embebedou um duende pra le contar - ela gastou um tomél todo de wisky de fogo, duendes se dão bem com a bebida - Apesar de conseguir esse detalhe, o duende, mesmo chapado, insistiu em não contar o que havia no cofre. Mas seja lá o que for, era muito importante, por que Dumbledore de novo passou grande parte do começo do ano ausente da escola.


  Isso também era só um fato sem muita importância, o importante, que mudou praticamente todo o rumo da minha vida, foi aquela garota... Uma nova aluna, irmãzinha do pobretão Weasley. Como eu imaginava, ela foi pra Grifinória. Não entendi por que fique tão desapontado com isso. 


  Naquele ano eu havia sido escolhido como apanhador da Sonserina, um dos mais jovéns do século. Apesar do "presentinho" do meu pai para o time, Ninbus 2001 para todos os jogadores, isso não teve muito importância, eu ainda era o melhor. Foi no nosso primeiro treino que a vi de novo.


  Ela estava sentada nas arquibancadas, com um cachecol amarelo e vermelho enrolado no pescoço, cobrindo até mesmo o queixo dela, também usava uma touca um pouco grande, que caía de lado, deixando apenas os olhinhos enormes cor de chocolate pra fora, que brilhavam observando o campo de quadribol.


  Os outros jogadores apontaram pra ela e riram, fazendo piadas sobre a touca grande demais: "Provavelmente a mãe dela só tem dinheiro pra uma, então todos os irmãs dividem", disse o goleiro, fazendo todos rirem. Eu estava distraido, então não prestei muita atenção neles, que pararam de rir ao me ver sério, olhando pra ela.


  -Draco, a piada não foi engraçada?! - ele perguntou um pouco nervoso, era muito ridículo um gorila daquele tamanho, de dezessete anos ficar nervoso pra um garotinho de doze anos.


  -Ahh - eu disse, ainda um pouco distraido - O que?


  Eles todos se olharam entre si, enquanto eu sacava o que estava acontecendo e me apressei a rir:


  -Só estava imaginando que ela deve guardar a comida dentro daquela coisa - forcei uma risada.


  Um dos jogadores quase engasgou e todos gargalharam, tentei tirar aqueles olhos da minha cabeça pra poder jogar, e não foi de fato muito difícil. Pelo menos por hora...


  Os dias foram passando, e quase todos os treinos, ou jogos, de todas as casas ela estava ali pra assistir, pelo que parecia era completamente obcecada por quadribol. Da mesa da Sonserina eu ficava a observando, as vezes sem perceber, mas com cuidado pra mais ninguém notar. Não entendia por que fazia isso, nem procurava pensar muito nisso, por que me levaria pra um rumo de pensamentos desagradáveis, que contrariava tudo o que eu achava que sabia, era melhor e mais confortável apenas observa-la, fingindo não notar o que estava fazendo.


  Por diversas vezes nossos olhares se cruzavam, e ela corava e desviava os olhos nesses momentos. Eu também ruborizava e fingia tossir, ao que os estudantes ao meu lado me davam batidinhas nas costas, ou diziam "saúde". Desde o meu primeiro dia ali era tratado como um principe, e não reclamava disso, pelo menos até aquele ano, adorava ser tratado assim.


  Gina - como se chamava a garotinha - parecia ser bastante tímida. Ela sempre se sentava de cabeça baixa e não conversava com muitas pessoas, apenas respondia as pessoas que vinham conversar com ela, que logo desistiam pela falta de assunto. Isso parecia deixa-la deprimida, mas mesmo assim ficava quietinha no lugar.


  Os dias se transformaram em semanas, e as semanas em meses. Muitas aulas de defesa contra as artes das trevas eram em conunto com a Grifinória, e eu gostava dessas aulas, por que além de atazanar o pobretão Weasley, eu podia observar melhor a Gina, ela tinha olhos lindos que eu parecia não me cansar de olhar. Ainda não tinha me ocorrido que ela provavelmente acabaria me odiando se eu ficasse pegando no pé do irmão dela daquele jeito.


  As aulas de defesa daquele ano eram muito idiotas, o professor que havia substituido o Quirrel - que havia pedido uma licança pra viajar, como contaram os professore - era um babaca que todas as alunas pareciam admirar, exceto as mais novas, ele por vezes soltava diabretes ou outras criaturas mais perigosas nas aulas, errava feitiços básicos e quase matava os seus assistentes. O pior é que mesmo que fosse óbvio que ele era um estúpido amador, ainda sim todas as garotas suspiravam por ele. A pior éra a sangue ruim Granger.


  Aquela éra outra que eu sentia prazer em incomodar, além de ser uma imunda sangue ruim, o que já era motivo suficiente, ela éra insuportável, tinha mania de sabe tudo, além de um jeito certinho e mandão. Diversas vezes já a tinha deixado trancada no banheiro, ou roubado seus livros, ou colado seus cabelos... Ainda ria dessa última, foi hilário.


  Mas o que vale realmente ser contado estava pra acontecer... Começou com uma mensagem, uma mensagem de sangue...


 


                    "A camâra foi aberta, inimigos do herdeiro, cuidado..."


 


  


 


  "Filhote..."


  Me remexi em algum lugar, ignorando aquela vozinha irritante que vinha do fundo da minha cabeça, ou de algum lugar parecido com esse. Sabe aquela preguiça que você tem antes de acordar?! Imerso num torpor que beira a inconciência, mas não é como estar inconciente. Então, éra mais ou menos daquela maneira que eu estava, e aquela voz irritante estava me enchendo o saco.


  "Acorde..."


  O som parecia vir de muito longe, e eu agradecia por isso, poderia ficar longe o quanto quizesse desde que me deixasse dormir em paz. Uma parte da minha cabeça, uma partezinha bem irritante com senso de responsabilidade argumentou que era melhor eu levantar, por que aquela era sem dúvida a voz de Laio, e se não levantasse acabaria coberto por uma pilha de neve. Antes que eu pudesse pensar direito sobre isso, todas as outras partes da minha cabeça pegaram essa pequena parte e a penduraram de ponta cabeça num gancho, pela cueca, pra que ela calasse a boca.


  Estava prester a pensar racionalmente que aquela havia sido a pior comparação que eu havia feito até agora, quando senti algo profundamente gelado cobrindo meu corpo todo, não era totalmente desagrádavel, mas me fez ficar alerta num instante, pulando de pé e dando alguns passos pra trás sem equilibrio. Minha cabeça chacoalhou pelo movimento repentino e eu cai de costas, em alguma coisa dura, mais ou menos fria e que me empurrou, me botando de novo em pé. Eu havia sido coberto por uma pilha de neve e a parte sabe-tudo da minha cabeça estava dizendo "Eu te havisei...".


  Alguma coisa, alguma coisa bem irritante, riu perto de mim, na verdade gargalhou com vontade, enquanto eu me punha de pé tentando focar a visão em quem quer que fosse, não levou tanto tempo quanto levaria normalmente. Laio estava deitado na minha frente, tentano segurar a crise de riso, ele havia me segurando com sua cauda pra não cair no chão, mas não dei atenção a esses detalhes no momento, apenas fiz o trabalho rotineiro e involuntário de catalogar tudo e guardar na cabeça. Estava pessoalmente mais ocupado em ruborizar até a morte.


  -Você podia tentar me acordar de qualquer outra forma que não me congelar vivo... - eu disse sarcastico, assim que senti que poderia falar normalmente, sem gaguejar de vergonha.


  -Se você congelasse com essa temperatura medíocre - ele parou pra segurar outra risada - Eu nem perderia meu tempo com você, pivete...


  -Velhote...


  Ele resmungou algo indefinido, mas que soou como "Essas crianças de hoje não tem respeito", e fez menção de se levantar. uma luz azul o envolveu, girando rápido e ele já estava na sua forma humana, se espreguiçando. Ele parecia gostar muito de se espreguiçar, por que sorria muito enquanto fazia isso.


  -Dormiu bem? Você caiu no sono enquanto sobrevoavamos Shirotsume...


  Ele sorriu como se respondesse a própria pergunta, por que no momento eu também estava bocejando, alonguei os braços até ouvir os estalos de alguns ossos se encaixando no lugar, o torpor se esvaindo lentamente do meu corpo, me deixando mais alerta e com os sentidos mais sensíveis.


  -Já que acordou devidamente - ele caminhou tranquilamente em minha direção e colocou um braço nos meus ombros, enquanto apontava pra frente com o outro - Consegue ver?


  Estreitei os olhos pra onde ele apontava, era difícil ver por causa da camada de nuvens na minha frente, estavamos no topo de uma montanha, e devia ser muito alto. Alguns segundos depois consegui focalizar através da neblina a sombra de uma cidade, que ia ficando mais e mais nítida. Na medida que ia conseguindo ver com clareza a cidade, meu sorriso aumentava.


  -Bem vindo a Seagate Harry... - Laio disse, sorrindo tanto quanto eu.


  Bem abaixo de nós (correção, muito abaixo de nós) se estendia uma bela cidade. Como estavamos a vendo do alto, dava pra dizer com clareza diversos detalhes, que deviam passar despercebidos ali embaixo. Vista de cima os tons da cidade eram todos claros, predominando cores como branco, azul e verde, fora alguns pontos de cores mais fortes, como alaranjados ou vermelhos, que deviam pertencer a alguma loja mais diferenciada, que se destacavam entre as casas pra atrair mais clientes. Os telhados também eram claros, e as ruas eram de pedras polidas, por onde carroças, cavalos e alguns raros veículos passavam frequentemente. A cidade eram bem grande, comparada com outras como Hosenka town ou Magnólia, mas não seria nada se comparasse com as metrópolis como Londrez, São Paulo ou Nova York do meu mundo, as duas últimas eu não conhecia, só ouvira falar. Ela começava logo no encosto da montanha e terminava pouco antes da praia, onde as casas eram mais separadas uma das outras e mais simples, feitas de tábuas de madeira e barro ou troncos inteiros.


  O penhasco de pedra onde estavamos cercava toda a cidade como se fosse uma muralha natural, e só havia dois pontos pra se entrar por lá, que eram os extremos leste e oeste da cidade, onde a costa continuava além da base da montanha. Pra quem olhasse de fora, aquilo pareceria uma imensa porta que dava diretamente para a imensidão do oceano norte, por isso o nome "Seagate". O portão do oceano...


  Eu disse que estudava geografia não?!


  Sai dos meus devaneios observando animado os detalhes que antes só conhecia por mapas. As entradas oeste e leste da cidade eram as únicas rotas de saída, e só era possível sair de trem, ou caminhando. Os trilhos circulavam toda aquela ponta do continente, paralela a praia, passando pela estação de Seagate e continuando até as cidades mais próximas ao centro do continente, passando por Clover town e seguindo por cursos diferentes ligando todas as cidades de Fiore. Grandes cidades como essa que eu visitaria agora eram bastante divertidas, e por ser uma das principais do continente, assim como Era, Seagate tinha uma grande boblioteca, e muitas lojas interessantes de magia, antiguidades e objetos interessantes.


  Sem esperar pelo consentimento de Laio, corri até a borda do penhasco e dei um grande salto, me afastando quase dez metros daonde estava, mergulhando pra baixo como uma flexa. A altura era enorme, e eu caia velozmente, uma queda como aquela, com a cabeça apontada pra baixo mataria sem a menor sombra de dúvida qualquer tolo que por ventura estivesse naquela situação, por mais forte ou determinado a viver que fosse. Bem, exceto que fosse muito forte.


  Girei em pleno ar, guiando a queda até a beira da montanha, começando a correr pela parede quase vertical do penhasco. Senti que Laio vinha logo abaixo de mim, em breve me alcançaria por que era mais pesado que eu, aquilo não tardou a acontecer, e quando percebi estavamos apostando corrida, pra ver quem chegava primeiro no chão. Sorri imaginando o quão insano aquilo devia parecer, mas também o quão maravilhoso era se atirar no vazio e cair, livre de qualquer coisa.


  Correr daquela forma era incrível, era tão rápido quanto a minha velocidade enquanto usava a técnica primária do dragão chinês, talvez ainda mais rápido, a cada passo nóss deciamos cerca de cinco metros, os corpos bem inclinados pra frente, os braços pra trás e os olhos bem abertos. Olhos humanos não suportariam a queda de pressão a que estavamos nos submetendo, e nem a velocidade do vento, mas olhos humanos também não tinham as pupilas em fendas verticais como as minhas. O sorriso arreganhado de pura excitação na minha boca deixava a mostra a árcada dentária branca como marfim, os caninos maiores e pontiagudos, os dentes de um dragão. 


  Sorri pensando em como havia mudando naquele ano e meio, até que meu sorriso morreu e se transformou numa careta, Laio corria ao meu lado, alguns metros longe de mim pra não nos chocarmos devido a velocidade surreal, e ele logo me passaria. Além de ser muito rápido, como era mais pesado estava em vantagem, sorrindo em deboche, ele inclinou ainda mais o corpo e disparou pra baixo.


  "Ah... não dessa vez!"


  Pisei com mais força e dei um salto longo, que de certa forma me atrasou um pouco, mas logo valeria a pena. Quando estava voltando próximo a parede de pedra do penhasco, Coloquei mais força e me joguei pra frente, me distanciando mais da montanha e voltando a queda livre, o corpo totalmente na vertical. O vento forte arrancou o capuz do meu rosto, fazendo meus cabelos açoitarem pra trás como chicotes, o manto branco agitando furiosamente, as mangas longas cobrindo minhas mãos.


  Não cheguei a ultrapassar Laio, mas não esperava mesmo conseguir. Quando já estavamos chegando perto do chão, a apenas uns quatrocentos metros e poucos segundos de uma morte rápida e indolor, girei e inclinei o corpo pra trás, diminuindo bruscamente minha velocidade, de forma que Laio logo saiu das minhas vistas. Tirei o punhal de prata do cinto, mesmo com a velocidade ainda estava seguro na bainha, ela tinha um feitiço pra evitar que ele saisse dela sem que eu o puxasse, e o cravei na parede vertical do penhasco.


  A lamina afiada desceu cortando a pedra como se fosse sabão, deixando um talho profundo de vários centímetros de profundidade, enquanto de desacelerava cada vez mais, escorregando devagar até parar completamente a uns quinze metros do chão. Tirei a lamina que estava fincada na pedra e dei mais três passos pela parede, diminuindo a distancia até a metade, quando pulei pra trás, dando um mortal no ar e caindo tranquilamente de joelhos, flexionando-os pra diminuir o choque da queda.


  Uma onda de vento se desprendeu do impacto, e varreu todo o chão, levantando poeira, como quando uma gota de água cai num lago. Laio já estava de pé me esperando, ele disfarçou o sorriso pra uma cara entediada:


  -Finalmente... já estava cansado de esperar...


  Não dei trela pra aquele velho dragão, e guardei a adaga no cinto, puxando o capuz de volta pra cima dos olhos, onde ele costumeiramente ficava. Laio sorria orgulhoso e isso me deixava contente, ainda lembro a primeira vez que fiz aquilo, se ele não tivesse me amparado no meio da queda teria morrido com certeza, depois daquilo treinei bastante pra melhorar, os resultados, como dava pra ver, eram bem satisfatórios...


  Do chão não dava pra ver muito bem a cidade, o penhasco de onde pulamos seria uma das portas laterais da cidade, no caso a oeste, que formava um arco natural simplesmente enorme de parede lisa, por onde passavam os trilhos. Ainda teria que acompanha-los por alguns quilometros pra poder chegar a cidade, alem de algumas colinas a frente, nada que fosse problema.


  -Me encontre aqui ao por do sol, até lá, pode fazer o que quizer... Exceto...


  -N-Não se preocupe - disse um pouco envergonhado, gaguejando e puxando o capuz mais pra cima dos olhos, um costume que havia adquirido quando estava nervoso, ou com vergonha - Não vou beber nada... Nem entrar em bordéis... Aquela vez foi só curiosidade...


  Laio me olhou desconfiado por um segundo, então deu de ombros sorrindo, ele era bem paternal as vezes, embora na maior parte do tempo parecese mais um irmão mais velho. Naquela última vez... eu... prefiro deixar pra lá. Arregacei as mangas e espalmei as mãos uma nas outras, transmutando a própria pedra do chão em um punhado de moédas de metal. Eu não o conhecia, mas ele era razoavelmente raro de ser encontrado em minas próprias, apesar de eu poder transmuta-lo de qualquer pedra ou granizo.  


  Laio pegou uma bolsa e a encheu com metade das moedas, jogando-a pra mim enquanto juntava as outras numa outra bolsa. Amarrei a minha no cinto, ao lado da punhal, só que mais escondido pela capa, apesar de serem amistosos e muito amigáveis, ciganos geralmente tinham mãos rápidas, se é que me entende.


  Depois de prender a bolsa, corri em direção a cidade, estava animado e não queria esperar um minuto sequer. Já um pouco longe, acenei pra ele e gritei:


  -Até mais, Laio! - depois disso aumentei minha velocidade, sem esperar resposta. Sabia que ele poderia me ouvir daquela distância mesmo que eu sussurrasse.


  Sabe... Eu sempre me perguntei o que aquele velho dragão fazia pelas cidades quando me deixava sozinho, as vezes ele me acompanhava, mas a maioria dizia que ia em lugares que eu não podia... ir...  Sorri como um pateta quando me dei conta que a regra dos bórdeis não se enquadrava nele.


 


  -Garotos... - Laio murmurou enquanto observava aquele menino correndo animado, por mais que parecesse muito mais velho as vezes, ele ainda era uma criança, merecia ter um pouco da infância que roubaram dele...


 


  Seagate era bem agitada naquela época do ano, quando so mercadores ciganos visitavam a cidade, que éra uma das poucas em que eles passavam regularmente, a cada três anos. Por todas as praças as diferentes tribos paravam as caravanas e montavam palcos, onde faziam apresentações de dança, malabarismos, teatro e é claro, magia. Havia pessoas que engoliam espadas enormes, outras que cuspiam jatos de fogo, que se transformavam em dragões e voavam em torno da platéia admirada.


  Era no meio daquela agitação que aquele garotinho corria.


  Ele se desviava das pessoas com habilidade, usava roupas leves, e um manto cinzento bem velho no corpo, com um capuz grande demais pra ele, que quase lhe cobria os olhos, por onde pessava as pessoas gritavam surpresas e abriam caminho, e as que tentavam pega-la acabavam tontas, ele corria muito rápido, apesar de ser pequeno e estar descalço.


  -Ladrão! Segurem ele!


  Atrás do garoto vinha um mercador mais velho, ele estava com um avental limpo, o que excluia a hipótese de ser um açougeiro. Apesar de aparentar estar mais cansado, e ser mais velho, ainda corria bastante pra alguém da idade dele, a vida nas bancas era difícil, e as pessoas que viviam nela geralmente eram bem fortes e resistentes.


  Um grupo de pessoas tentou segurar o garoto, mas ele jogou o corpo de lado e começou a correr ainda mais rápido, embora estivesse ficando cansado, o capuz chacoalhou e uma nuvem de cabelos louros escapou por eles, os ciganos que se apresentavam no palco estavam em silêncio, já que ninguém mais olhava pra eles mesmo.


  A corrida não levou muito mais tempo, outra parede de pessoas cercou o ladrão, ele tentou correr, mas o comerciantes cansado tampava a única saída, pelas costas. Naquele único instante em que ficou parado, em duvida de como escapar, um outro comerciante, que apareceu derepente da multidão, agarrou um braço dele e o torceu, fazendo o garoto gritar assustado e de dor, tentando desesperadamente se soltar, ainda mais quando viu o afiado cutelo que ele trazia na cintura.


  -Sabe como tratamos ladrões aqui garoto?! - o comerciante com o cutelo perguntou, arrastando o garoto, que se debatia e gritava como um cachorro engaiolado até uma mesa numa outra barraca, que logo foi limpa pelos vendedores dali.


  Os ciganos observavam aquilo calados, alguns se adiantaram pra tentar impedir mas foram impedidos pelos mais velhos, aquele tipo de coisa era comum, e eles não podiam interferir, senão estariam em problemas também.


  O vendedor que havia sido roubado segurou o garoto firme, e estendeu seu braço na mesa, arregaçando sua manga. O braço era alvo e delicado, mas eles não deram atenção a isso, o outro segurou firme na cabeça dele, a empurrando pra baixo enquanto ele se debatia e gritava, e tirou o cutelo da cintura.


  -Nós cortamos as mãos deles! - ele gritou, enquanto jogava o braço pra trás, pronto pra cortar fora a mão daquele ladrão.


  Algumas pessoas gritavam, tentando impedir aquilo, outras já concordavam e seguravam as outras, mas todas se arrepiaram no mesmo momento, quando um vento frio passou por ali, junto com um vulto branco e o cheiro do oceano. Depois gritaram, e todas deram um passo pra trás, quando um rugido irritado cortou o ar. Algumas se benzeram, muitas correram pra longe daquele lugar, apavoradas como nunca estiveram em suas vida, exceto os ciganos que estavam se apresentando pra aquelas pessoas, eles apenas sorriram divertidas, vendo aquela cena, ambos os lobos assustando as ovelhas.


  Um fantasma branco torcia o braço do comerciante que havia largado o cutelo, e agora havia caido de joelhos, olhando com raiva pra trás, raiva que foi substituida por medo quando um lobo azul apareceu em seu campo de visão, aos pés do fantasma branco e olhando pra ele seriamente. O ladrão caiu pra trás, estava desesperado, queria correr, mas alguma coisa o impediu, todos os seus instintos gritavam pra ficar imóvel no lugar, caso contrario estaria perdida.


  As pessoas que ainda permaneciam ali estavam em silêncio, sem conseguir pronunciar uma palavra enquanto o fantasma segurava o braço do comerciante, que tremia olhando pros olhos esmeralda do lobo, feitos de um fogo crepitante. Quando falou, a voz do fantasma saiu rouca, era quase como se o próprio lobo estivesse falando, tanto que algumas pessoas chegaram a não saber ao certo de quem era aquela voz.


  -Se afaste...


  Ele largou o braço do homém, que deu dois passos pra trás, caindo sentado o mais longe que podia do vulto encapuzado. Agora que olhava bem pra ele, era baixo, a altura de um garoto de treze, quatorze anos tavez, o que infelizmente pra ele, não diminuia em nada a tremedeira que estava tendo, nem a vontade de correr dali.


  O fantasma virou as costas, enquanto todos ainda olhavam pra ele, e se encaminhou para o ladrão, que o olhava assustado, mas não tanto como os outros. Ele se agachou, ficando no mesmo nível que ele estava, por baixo do capuz branco duas esmeraldas brilharam, imersas nas sombras, e ele sorriu tranquilamente, estendendo a mão, a qual o ladrão aceitou antes mesmo de perceber o que tinha feito. Os olhos dele, apesar de refletirem poder, eram amenos e tranquilizadores.


  De pé, o ladrão era ainda menor que o fantasma, olhando bem, seus pés descalsos eram delicados, e estavam machucados, de tanto correr, a pele era muito alva e os cabelos dourados que escapavam pela fresta do capuz eram longos e sedosos, embora estivessem um pouco sujos.


  -O que você roubou? - o fantasma perguntou, a voz que antes estava ameaçadora, agora estava calma, quase carinhosa.


  O ladrão, que não passava de uma garotinha, meteu a mão dentro do sobretudo, com a cabeça baixa e corada de vergonha, e tirou uma maça. estendendo para o fantasma e se curvando respeituosamente.


  Foi sorte que ninguém estivesse olhando pra seus olhos naquele momento, por que o medo que sentiram quando ele apareceu não seria nada, era quase como se queimasse, tão verdes quanto jade, a seriedade de antes sendo substituida por fúria, o corpo todo dele tremia de raiva, o vento soprou mais forte, fazendo seu manto branco agitar elegantemente. Ele ignorou por um momento o ladrão, apenas se voltou parao mercador que o estava perseguindo, com a maça em mãos.


  O mercador sorriu por um momento, indo até ele e imaginando que ganharia a maça de volta, mas parou a meio caminho, observando os olhos queimarem de ódio, muito mais assustador que antes, o lobo aos seus pés se agitou, a mesma raiva queimando em seus olhos verdes de fogo, enquanto ele rosnava ameaçadoramente, circulando impaciente o fantasma, como se esperasse apenas uma órdem pra ir estraçalhar aquele mercador, que estava imóvel, preso por aqueles olhos. O próprio ar estava pesado e ele tinha dificuldades pra respirar, era como uma gazela se sentia encarando um lobo. Naquele momento, ele não conseguia diferenciar totalmente os dois, era como se fossem um só, o rosnar ameaçador era o mesmo, os olhos brilhantes eram os mesmos.


  Num movimento rápido, o fantasma jogou a maça com força no mercador, acertando bem na sua cara, espatifando a fruta. O impacto foi tão forte que o corpo do mercador saiu do chão, caindo pra trás. Sangue do nariz quebrado se misturava a calda da maça espatifada. A dor transformou em raiva o medo do mercador, e ele levantou, com o intuito de lutar contra aquela coisa, seja ela o que fosse, mas um brilho o cegou temporariamente.


  O fantasma fez um movimento rápido com o braço, sacando algo da cintura e a jogando pra cima, girando, e refletindo o sol. Depois apanhou uma adaga belamente decorada, de prata, que levantou até a altura dos olhos.


  -Quer que eu jogue algo mais em você? - ele perguntou, a voz saindo mais arranhada que antes, a medida que o lobo dava um passo pra frente e batia os dentes, em ameaça - Dessa vez vai machucar bem mais que uma maça...


  Ele não esperou resposta, apenas guardou a adaga na cintura, a medida que o lobo de fogo se esvaia em pleno ar, e voltou a caminhar em direção ao ladrão.


  -Venha comigo pequena... - ele disse, e o ladrão se apressou a obedecer, era melhor acompanha-lo que ficar junto aqueles mercadores.


 


  Eles andaram por apenas um minuto, até que um assobio fez o "fantasma" parar de repente, ambos olharam para a direita, onde os mesmos ciganos agora estavam encostados, numa tenda de frutas. Eles não pareciam assustados, apenas sorriam tranquilamente.


  -Mal chega numa cidade e já arruma confusão... - o ciano mais jovém disse, enquanto o mais velho apenas sorria, um pouco mais pra trás - Em dez minutos já consegue ficar mais mal falado do que nós, todos estão comentando de você...


  -Sabe... - o fantasma falou, sua voz soando caçoada com um sorriso - Que tal me comprimentar antes de me criticar primeiro, Alex...


  O cigano deu um passo pra trás teatralmente, fazendo uma expressão como se houvesse esquecido uma coisa importante, depois estendeu os braços e fez uma revêrencia exagerada, enquanto seu companheiro apenas ria debochado.


  -Me perdoe, sua alteza...


  O cigano mais velho deu um passo a frente e um tapa na cabeça do mais novo:


  -Deixe de falar bobagéns Alexia... - disse em tom rabugento, mas ainda sorrindo - É um prazer vê-lo de novo, Fenrir...


  -Allan - Fenrir comprimentou com um menar de cabeça - Alex, como vão?!


  A garotinha imaginou que seria uma boa hora pra fugir, mas mal deu um passo pra trás uma mão segurou seu ombro.


  -Não tenha medo pequena - disse o fantasma - eles são amigos.


  Em seguida ele tirou o capuz, que caiu as suas costas, enquanto passava a mão na cabeça, tirando os cabelos preto rebeldes da frente dos olhos. A laquena ladra não pode evitar ficar surpresa, e um pouco corada com isso. Surpresa por que ele era humano, e éra só uma criança, devia ser pouco mais velho que ela. E corada por que ele era tão...


  Os cabelos dele eram negros como carvão, e mesmo sendo longos ainda eram arrepiados e muito rebeldes, caindo pra trás, dando a ele uma aparência selvagem. Os olhos eram do mais puro e intenso verde, um tom de verde escandaloso que chamaria a atenção a quarteirões de distância, as feições do seu rosto eram agulosas, de um jeito que aumentava ainda mais o ar feral em torno dele. Era, ao todo, lindo e selvagem, como um lobo.


  -Sempre arrasando corações... - o cigano mais jovem disse, enquanto a garotinha olhava pasma o rosto daquele garoto, que tinha salvado sua vida. Só agora se dera conta disso.


  Ao ouvir aquilo, ela corou ainda mais, mas pode ver que ele também ficou envergonhado, fazendo o cigano mais jovem rir e o mais velho dar outro tapa na cabeça dele.


  -Pare de implicar com o rapaz... - em seguida se voltou para a ladra, fazendo um gesto galante que arrancou risos do mais novo - Eu sou Allan, e esse é meu filho Alex, a senhorita seria...


  -Lu... Lu... Lucy - ela respondeu, gaguejando envergonhada, mas sorrindo amigavelmente pra aquele homem. Ele tinha cabelos negros e um sorriso bondoso.


  -Lucy... não?! - ele coçou a barba teatralmente, divertindo a garotinha, que ria dele - Então, de onde a senhora conhece meu Senhor, o "Lobo Fenrir", talvez de...


  -Allan... - O garoto disse, sorrindo, e o cigano mais velho gargalhou.


  -Só estava brincando senhor - ele disse - Foi um prazer reencontra-lo, mas temo que não possamos conversar muito mais, a menos que nos acompanhe até o festival.


  -Mais tarde, agora a pequena precisa comer... - Lucy corou quando ele disse isso, ia responder mas seu estomâgo roncou, a fazendo ruborizar ainda mais - Adeus meu amigo, espero vê-los de novo, mande lembranças aos outros.


  -Claro!


  Dessa vez os três se curvaram, e depois sorriram um para o outro como se essa fosse uma velha brincadeira entre eles. Os dois ciganos voltaram caminhando entre as barracas, conversando entre si, enquanto Fenrir os acompanhava com os olhos, sorrindo.


  Lucy ficou observando as feições de Harry enquanto ele olhava pra trás, os olhos dele, antes assustadores, agora estava gentis, todo o clima pesado havia se esvaido, era fácil ficar perto dele, de alguma forma, aconchegante. A garota estava imersa em pensamentos, observando distraidamente os olhos daquele garoto que a salvara de perder uma mão, até que ele olhou pra ela derepente, a fazendo corar e desviar o olhar envergonhada.


  -Lucy, meu nome é Harry - ele disse sorrindo.


  -Mas eles te chamaram de Fenrir... - a garota soltou, antes que pudesse evitar e então se calou, reeprendendo a si mesma pela falta de educação.


  -Não precisa ficar com medo, Fenrir é um outro nome meu- ele disse, e depois sorriu tristemente - Desculpa se te assustei, mas fiquei com raiva daquele mercador...


  -Por que?! - ela perguntou de novo, sem se conter, embora agora já estivesse mais tranquila.


  -Por que... - ele corou um pouco, e desviou o olhar - Não é certo negar de comer a quem tem fome...


  Ele parecia muito distante e muito triste enquanto dizia aquilo, Lucy pensou em alguma coisa pra ajuda-lo a se animar, e então correu em volta dele, ficando na sua frente:


  -Desculpe te causar problemas! - ela disse, com um sorriso enorme, e se curvou de novo, de um jeito bem engraçado por que bateu os pés juntos e deixou a os braços esticados, como se estivesse numa tropa - E muito obrigado pelo que fez por mim...


  Pareceu der certo, por que a expressão dele se suavizou, embora continuasse um pouco envergonhado, e ele sorriu, as pessoas que passavam em volta dali, ou nas barracas, olhavam as vestes brancas dele e não acreditavam nos comentários, um garotinho como aqueles nunca poderia ter feito nada como aquilo, e elas não estavam vendo nenhum lobo feito de fogo... As vezes os mercadores se embebedavam e ficavam incomodando os outros...


  -Então, Lucy - ele disse de novo, sorrindo - Esta com fome?


  A garotinha desmanchou o sorriso e corou bastante, mas antes que pudesse responder sentiu que estava saindo do chão, enquanto Harry, ou Fenrir, a segurava no colo, e dizia:


  -Vem, vou te levar comer alguma coisa! 


  Ele inclinou tanto o corpo pra frente que ela achou que ia cair, e em seguida começou a correr, muito rápido. As coisas ao redor deles passavam indistintas, era tão rápido quanto um cavalo de corrida, ele desviava das pessoas com habilidade, enquanto a segurava firmamente. Passado o susto inicial ela começou a sorrir, ficar naquela velocidade era excitanto.


  Harry, vendo a animação dela, decidiu tentar algo mais ousado. Deu uma guinada a esquerda e comelou a correr com mais velocidade na direção de uma casa, antes que trombassem na parede ele pulou, arrancando um grito surpreso de Lucy, e começou a correr por cima dos telhados, pulando de telhado em telhado mais rapido que antes, arrancando exclamações surpresas das pessoas que os observavam, do chão.


  Lucy riu animada, e Harry ria ao ver o divertimento da garota. Ele a segurou ainda mais firme, e saltou, dando um giro mortal pra trás em pleno ar, antes de cair e começar a correr de novo, ainda mais rápido que antes, fazedo os cabelos da garota açoitarem ao vento, por cima do ombro de Harry, onde ela descansava a cabeça. Por mais assustador que fosse, era divertido, tanto que o coração da garota estava a mil quando ela parou, os braços pertados firmemente em torno do pescoço dele e a testa quase tocando seu queixo.


  Quando ela percebeu como estava, ruborizou ao máximo, ultrapassando todos os tons descritíveis de vermelhos, ainda mais por perceber que o cheiro dele era agradável. Harry também estava um pouco corado, e a colocou de pé, balbuciando alguma coisa que ela não entendeu.


  Ambos caminharam em direções as barracas, ainda estavam na feira que contornava a cidade, e a garota percebeu que ali predominavam as barracas que funcionavam como restaurantes, ela se sentiu envergonhada em entrar ali, e ficou tentada em puxar o capuz pra cima dos olhos, mas se segurou. De pronto uma garota atendeu Harry, ela era muito atraente, devia ter dezesseis ou dezessete anos e sorria bastante, olhando aquele garoto de cima a baixo, imaginando como ele ficaria quando fosse um pouquinho mais velho, e se seria decente da parte dela tirar uma casquinha por enquanto. Ele não pareceu perceber esse olhar e listou o que queria, era muita coisa e isso arrancou outro sorriso da garçonete, dessa vez por que havia conseguido, além de um gatinho, um ótimo cliente.


  Lucy fulminava a garçonete com os olhos enquanto isso, mesmo sem saber ao certo o porque, só não gostava da maneira que ela olhava pro Harry. Enquanto isso ele a conduziu pra uma mesa vazia, e puxava a cadeira pra ela, parecia estar seguindo uma lista mental que alguém o havia ensinado sobre como tratar uma garota, o que era bem próximo da verdade.


  Harry, ou Fenrir, não fez nenhuma pergunta no tempo a comida não chegava, enquanto Lucy apenas se ocupava em mostrar o quão envergonhada estava, primeiro por que ele estava comprando comida pra ela, o que a deixava com uma péssima sensação de dívida, depois, por que estavam sentados frente a frente... Era quase... quase como um...


  Ela não aguentou nem pensar na palavra "encontro" sem corar esfuziantemente antes. Apesar de ter apenas nove anos, e no momento, estar no status de "ladra sem teto", ela vinha de uma família rica, e sabia bem como funcionavam essas coisas, ao menos pela TV. Apesar de ser rica, ela odiava todos os seus parentes, principalmente o seu pai, que era a razão dela ter fugido. A única de quem gostava era sua mãe, que éra a única a se preocupar verdadeiramente com ela e não com o status da família, apesar disso, ela não voltaria pra casa, não podia se submeter ao seu pai como ele queria, nove anos era muito pouco pra se casar...


  A comida veio logo depois, era tanto que foram necessárias duas garçonetes pra trazer, a primeira era a garota morena que os tinha atendido, a outra era uma ruiva, que perecia cochichar a cada passo com a morena, olhando pra Harry da mesma maneira cobiçosa que a morena tinha olhado antes.


  Cada uma veio de um lado da mesa, com as duas mãos cheias de pratos de diversos tipos. Ambas se curvaram bastante pra colocar a comida na mesa, a ruiva, que tinha ficado do lado de Harry virou de forma que ficasse praticamente de costas contra ele, e quando se agachou sua saia subiu um pouco, mostrando as coxas lisas e a calcinha branca que estava usando, tão perto dele que quase tocava no se peito, já a morena se inclinou toda, de forma que o decote escorregasse e mostrasse parte do sutiã e dos seios fartos da garota. o rosto sorridente dela bem próximo do de Harry, que estava profundamente ruborizado, embora não desviasse o olhar.


  Outras pessoas, sentadas em mesas atrás do moreno observavam a insinuação das jovéns garçonetes com água na boca. Depois de servirem os pratos ambas se inclinaram ao lado dele, agradecendo e cada uma beijou uma bochecha sua, que ainda estava vermelho como um pimentão, mesmo tentando esconder o sorriso de canto, homéns são homéns afinal, e qual deles não ficaria com o ego nas alturas depois daquilo?! Lucy o olhava como se fosse matar tanto as garçonetes atrevidas por se insinuarem daquela maneira como o garoto, por dar trela pra elas, mas seu estomago roncou e ela pareceu se esquecer dos três por um momento, enquanto olhava pra mesa com os olhos enormes brilhando, decidindo o que comer primeiro. 


  Depois elas se afastaram, rebolando atrevidamente pra chamar sua atenção, ele ficou olhando as duas por um tempo, apesar de ser uma criança não era uma criança idiota, e ter duas garotas tão bonitas quanto aquelas dando tanta atenção pra ele, éra no mínimo, tentador. Mesmo assim ele não se levantou pra segui-las, como seu lado mais selvagem, e o seu patrono, imploravam pra ele fazer, apenas continuou sentado ali, observando com um sorriso aquela pequena comer com entusiasmo, devorando com vontade tudo o que tinha na frente.

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Comentários: 1

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Enviado por rosana franco em 22/05/2011

Então ele foi dado como morto é só quero ver qd ele reaparecer,o Draco e a Gina parece que serão importantes no enredo.A Lucy vai realmente entrar na estória?Nove anos ela é bem novinha e uma familia problematica.O garoto ta com a bola toda duas em cima dele.

Nota: 5

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