As quatro semanas seguintes passaram como um raio. Quando eu percebi já estávamos adentrando outubro e eu estava em vias de descobrir se iria para o País de Gales em março ou não. Essa expectativa era apenas apimentada pela minha expectativa de passar mais um dia com meu pai. Não que nós passássemos muito tempo juntos, mas apenas acordar e comer do café da manhã feito por ele, já era uma realização para mim. Refeição na qual ele estava se aprimorando, por sinal. Eu gostava de ver que ele fazia aquilo para me agradar e que estava cada vez mais gostando de ficar entre panelas e condimentos. Ele já sabia diferenciar o cominho da pimenta e isso já era um grande avanço.
E eu passara a gostar ainda mais desse momento do dia, porque depois de uma semana ali, eu aprendi que aquele era o único momento do dia que passaríamos juntos. Nenhum de nós almoçava em casa, ele não jantava em casa e eu tinha o costume de me trancar no quarto para ler e dormir em seguida, enquanto ele ainda não tinha chegado em casa. Viver com meu pai era ainda mais simples e fácil do que eu me lembrava e eu podia descobrir coisas sobre mim apenas observando meu pai durante o café da manhã ou passando na loja de logros no final de semana.
Era estranho que eu nunca tivesse parado para perceber isso, mas o humor ácido que eu tinha de vez em quando era idêntico àquele humor estranho com que ele acordava quando estava de ressaca. O meu jeito de jogar o cabelo para trás, sem me importar se ficariam como uma juba lembrava muito o modo como ele jogava o cabelo ruivo para trás apenas usando um movimento de pescoço. A maneira como eu torcia o rosto quando não gostava de algo era simplesmente idêntico ao modo como ele dizia não gostar também. A última eu descobri quando nós dois decidimos almoçar em um restaurante de bruxos árabes e eu vi nossos rostos pelo espelho quando o garçom perguntou se queríamos Falafel. Nenhum de nós dois sequer aguenta Falafel.
Naquele último dia de setembro, no inicio da minha quinta semana novamente em Londres, meu pai apareceu no meu setor no Ministério da Magia com aquele caminhar que parecia muito o meu jeito de caminhar quando eu queria pedir alguma coisa enquanto ainda era criança. Eu estava ocupada escrevendo um informativo enorme sobre uma atividade ilegal dos Barretes Vermelhos para entregar para uma das pesquisadoras de campo, quando ele entrou com aquele caminhar e sentou-se em frente a mim na minha mesa lotada de papeis.
- Só um pouquinho – eu pedi e apertei a pena conta o pergaminho, terminando de riscar as últimas palavras da frase em uma das últimas linhas disponíveis no papel. Minha letra tinha ficado horrível, mas não havia maneira de fazer aquilo de outro jeito, tão rápido quanto eu deveria fazer. Eu ainda busquei um papel quadrado pequeno e escrevi duas linhas, informando os obliviadores do Ministério sobre aquela atividade e que eles se preparassem para testemunhas. Despachei o papel para o setor dos obliviadores junto com um bilhete de Johanna para o marido. A comunicação interna do Ministério era eficaz.
Por vezes, eu sentia um pequeno desconforto por trabalhar do modo como eu trabalhava. Eu gostava muito do que eu fazia, mas escrever informativos e deixar a tarefa de campo para outra pessoa não era muito atraente para uma curiosa como eu. Quando eu entrara no Ministério, eu fui informada de que promoções aconteciam e que elas dependiam totalmente do meu rendimento atual. Eu estava ali há três anos e não tinha visto ninguém ser promovido, o que me deixava com as esperanças abaladas.
- Tudo bem – meu pai disse, cruzando as pernas. – Faça seu trabalho.
- Já falo com você, desculpe – pedi e me ergui da minha mesa.
Eu fazia o barulho irritante de saltos pelo assoalho, coisa que eu sempre detestara por me tirar a concentração, e aquele barulho me acompanhou até a sala dos pesquisadores de campo, na qual residia a minha supervisora. Supervisores funcionavam como padrinhos e Odette Mustag era minha bruxa-madrinha. Pesquisadora competente, com vinte anos de Ministério da Magia, mais de dez atividades profissionalizantes e uma infinidade de artigos publicados pelo mundo acadêmico afora, ela sorriu ao me ver com o pergaminho em mãos.
- Informativo? – ela adivinhou, me olhando por cima dos óculos.
- Barretes Vermelhos no Stonehenge – eu disse, largando o pergaminho nas mãos dela. – E esse é urgente, porque uma atividade grande como essa no Stonehenge, cheio de turistas, é perigosa.
- Susan, pode ir ver esses Barretes Vermelhos do Stonehenge? – ela chamou a atenção de Susan Bones, antiga colega de escola dos meus pais, e Susan confirmou sem dizer uma palavra. Juntou a varinha e caminhou até a mesa de Odette. – Talvez você precise do apoio de um obliviador... O que você acha, Rose?
Eu congelei por um segundo. Duas pesquisadoras de campo discutindo sobre melhores métodos de abordagem e uma delas pergunta a minha opinião sobre alguma coisa? Tudo bem que a pergunta que ela me fez poderia ter uma resposta óbvia, mas eu continuava congelada pela surpresa ao mesmo tempo em que estava segura do que eu tinha feito ao avisar os obliviadores antes de falar com ela.
- Sim, para o caso de haver testemunhas – eu disse, sacudindo a cabeça e me lembrando de que eu deveria parecer coerente, pois havia possibilidades de promoção pairando no ar. – Na verdade, eu mandei um informativo ao setor e eles já devem estar mandando gente para lá.
Mal eu terminei minha frase, um pedaço de papel pousou sobre a mesa de Odette vinda dos obliviadores. A letra era quadrada, sem personalidade e, apesar de conhecer boa parte dos obliviadores por conta de situações como essas e por Victoire ser funcionária de lá, eu não reconheci a escrita. Odette abriu o envelope e leu as poucas linhas rapidamente, erguendo o rosto para mim, com um sorriso estampado nele.
- Muito bem, Weasley – a voz era calma e satisfeita. Ela, então, virou-se para Susan e seu tom era mais sério. – Os obliviadores estão mandando pessoal para lá e pedem que um pesquisador de campo os encontre no Stonehenge. Dizem que há duas testemunhas, mas não podem fazer muita coisa se não tiver ninguém que controle as criaturas.
Susan concordou com a cabeça e saiu porta a fora em direção às lareiras no salão principal do Ministério. Eu dei as costas à Odette e pretendia correr até meu pai para saber o que ele queria ao me visitar ali, mas ela me chamou de novo. Me virei e lá estava o sorriso satisfeito. Eu adorava ver aquele sorriso quando ela estava tratando comigo, porque como minha supervisora, ela tinha poder de prestar contas sobre mim para os superiores e decidir se diria se eu posso ser promovida ou se deveria ser demitida.
- Continue assim e logo será uma pesquisadora de campo.
Eu só consegui sorrir em resposta.
- Você sabia que Mary Denner está saindo?
- Mary está saindo?
Eu estava perplexa. Mary Denner tinha exatos trinta anos dentro do Ministério exercendo a mesma função sem aspirações a nada. Eu imaginava que alguém na sua posição de comodidade profissional não seria dispensada ou pediria por isso. Mary tinha regalias dentro do setor, era respeitada pelo Pesquisador-Chefe, John McGuinnes, e gostava do que fazia. Odette pareceu entender minha surpresa porque tirou os óculos do rosto e suspirou.
- Ela já passou dos sessenta, está cansada.
- Eu sei, mas ela é uma figura tradicional do setor – eu disse, ainda com as sobrancelhas torcidas. Sem me deter no que ela quisera dizer com aquela notícia. Eu tinha possibilidades reais de ser promovida? – Mas, espera, você não disse isso apenas para me comunicar da saída dela, disse?
Eu tive medo de soar pretensiosa, mas ela sorriu satisfeita.
- Você é esperta – me elogiou e eu mordi o lábio inferior para não sorrir como uma criança que ganha um presente. – Mary está saindo, o que significa que vai surgir uma vaga para pesquisador de campo... John marcou uma reunião na semana que vem para tratar disso e eu sei que cada um de nós – ela apontou para os outros dez pesquisadores de campo na sala. – vamos falar de nossos supervisionados. Eu só quero que você tenha consciência disso, de que há uma chance de você vir a ser minha colega e não mais apenas minha supervisionada.
Por um segundo, eu não soube o que dizer. Eu não sabia se um “obrigada” seria o bastante para todo aquele discurso ou se eu poderia apenas sorrir e correr de volta para minha mesa. Decidi por sorrir e dizer um sonoro “obrigada”. Odette afirmou com a cabeça e eu voltei para a minha mesa com um sorriso enorme no rosto, enquanto meu pai me olhava com curiosidade.
- O que aconteceu? – perguntou e eu soube que ele estava pronto para soltar uma piada. – A tal da atividade no Stonehenge era tão bonita assim?
- Acabei de descobrir que eu posso ser promovida e depois de só três anos aqui! – eu segredei a ele, com a voz baixa, me sentando na minha cadeira confortável. – Existem pesquisadores aqui com mais de sete anos de Ministério.
- Então eu só posso te dar os parabéns e agradecer que você tenha herdado o cérebro poderoso da sua mãe – ele sorriu e apertou minha mão sobre a mesa.
Eu tinha parado de me impressionar com o modo civilizado com o qual ele falava da minha mãe quando ela entrava na conversa. Quando eu me mudei para cá, eu achava que ele tinha apenas crescido, superado o término do casamento e seguido em frente, mas agora eu desconfiava que o motivo fosse outro. Ron não se atrevia a me contar, mas pelos sorrisos nervosos quando chegava tarde em casa e as longas cartas que Pichi enviava para alguém misterioso me deixavam com a impressão de que ele tinha arrumado uma namorada.
- Obrigada – eu agradeci, sorrindo e olhando rapidamente para o relógio.
- Hora do almoço – ele me disse.
- Refeitório?
- Restaurante Árabe?
- Feito – eu disse, buscando minha bolsa com uma rapidez imensa.
Avisei à Johanna que não almoçaria com ela e com todo aquele pessoal habitual e ela agradeceu, pois comemorava três meses de casamento e queria almoçar apenas com Ferdinand. Eu ainda achava engraçada aquela relação e não tinha como negar, mas eu me imaginava vivendo algo assim um dia. Sempre que eu via Johanna e Ferdinand juntos com suas mãos dadas e seus sorrisos bobos, eu me deixava viajar até Oxford, até Scorpius e aquele mês de separação que me deixava cada vez mais fria, com minha casca quase recomposta.
- Senhor Ron – Firas, o garçom preferido do meu pai no Caravana Youssef, nos recebeu na porta do restaurante com mesas baixas e tapetes coloridos bordados como assento. – E senhorita Rose!
- Olá Firas, como você está hoje?
- Bem, senhorita, vão querer a mesa de sempre? – a voz do homem era anasalada, com aquele típico sotaque árabe que trocava os “p” por “b”. – Está livre.
Meu pai agradeceu e Firas nos levou até a mesa que era nossa preferida, aquela em que nós dois conseguíamos nos ver no espelho grande que cobria toda uma parede. O restaurante era simpático, cheirando a tabaco aromatizado de narguilé e climatizado com uma música cantada em árabe. Eu nunca fora dada à dança, mas eu adorava aquele ritmo.
- Então, você veio aqui apenas para almoçar comigo? – perguntei, quando meus kibes de grão tinham chegado e eu injetava uma quantidade imensa de molho de gergelim sobre um deles.
- Eu não posso querer visitar minha filha única no trabalho?
Eu ri e me detive em comer meu almoço, enquanto falávamos amenidades que sempre acabavam nos Weasley. A família era tão grande que apenas um almoço não era suficiente para contar as novidades sobre todos eles. Dominique tinha partido para a França na última semana, assim como Lily que tomara seu caminho para o tão sonhado estágio na Alemanha. Tio Harry estava em missão no País de Gales e tinha prometido me enviar o máximo possível de dicas sobre lugares que valiam a pena conhecer.
- E família mais otimista do que essa não existe – eu comentei, depois que terminei de comer e tomava mais um gole da minha limonada árabe, com essência de flor de laranjeira. Uma iguaria imperdível, dissera Firas.
- Todos nós estamos torcendo por você, assim como torcemos pelas suas primas – meu pai comeu a última garfada de seu assado de carneiro. – Aliás, me conte mais sobre essa viagem.
- É incerto, pai – eu disse, rolando os olhos. – Caso eu ganhe a bolsa, eu vou viajar para o País de Gales e viver durante um ano entre outros pesquisadores como eu. Não é um grupo misto, a coisa é reservada apenas a pesquisadores de Hinkypunks, então eu vou me sentir em casa.
- É uma pesquisa individual?
- A princípio, não – expliquei, usando as mãos, como eu sempre fazia. – A pesquisa comum é qualquer coisa mais aprofundada sobre Hinkypunks, usando o que já existe publicado por outros estudiosos. O que cada um vai fazer individualmente diz respeito ao seu interesse. Eu, por exemplo, quero pesquisar mais a fundo as lendas que existem sobre os Hinkypunks serem associados ao fogo-fátuo que acontece nos pântanos... Os trouxas inventam cada coisa. – eu parei para tomar mais um gole da limonada. – Mas, porque o interesse repentino?
- Ah, por nada – ele disse, largando os talheres e enfiando a mão dentro do bolso da jaqueta marrom. – Só porque chegou esse envelope destinado à Rose Anne Weasley hoje de manhã e tem como remetente um tal de Instituto Jackson Teller de Cardiff.
Meu coração parou de bater por um tempo que parecia impossível agüentar. Meus pulmões não se moviam, o ar não entrava pelas minhas narinas e sequer saía por elas. Por um segundo eu pensei que estava morta, porque meu corpo ficou dormente e minha mente derretida. Enfim o resultado tinha chegado e eu não fazia questão nenhuma de abri-lo e ver se tinha sido aceita ou rejeitada. Eu tive medo da resposta negativa... Tive medo de não conseguir aquilo que mais tinha almejado durante anos. Oportunidades de inscrição para esse projeto do Instituto Teller não aconteciam com tanta freqüência.
- Chegou – eu consegui dizer depois do que pareceu serem horas.
- Você não vai abrir?
- Não consigo, pai – soltei, com os olhos presos no envelope.
- Quer que eu abra?
- Por favor.
Ele levou os dedos até um dos cantos do envelope e rasgou a lateral, liberando uma quantidade impossível de papel para um envelope tão fino. Lembrei imediatamente da mochila que minha mãe tinha enfeitiçado para mim quando eu era menor e foquei na carta de apresentação, porém ainda achando estranho que o envelope abarcasse aquela quantidade de papeis que mais pareciam formulários. Eu tinha sido aceita?
- Senhorita Weasley – meu pai começou, lendo o papel aparentemente mais importante entre os outros. – Em nome do Instituto Jackson Teller mantido em Cardiff pelo Ministério da Magia galês, informamos que você foi aceita no programa de pesquisa “Hinkypunks para jovens estudiosos” que visa o incentivo da pesquisa de campo e produção intelectual de jovens de todo o mundo inscritos através de seus respectivos Ministérios da Magia.
- Eu fui aceita – eu murmurei com a voz trêmula e os olhos fora de foco por conta das lágrimas. – Eu fui aceita, pai, eu fui aceita!
- Espera, tem mais – ele me disse e continuou lendo, com um sorriso crescendo a cada palavra lida e saboreada por mim. – Informamos ainda que a senhorita foi contemplada com a bolsa completa que compreende gastos com alimentação e moradia por um ano, além da bolsa para pesquisa.
- Isso é sério? – eu mal estava acreditando naquelas palavras. Ron Weasley tinha um humor pastelão, mas ele não brincaria com aquilo. – Sério?
- Sério – ele me olhava com satisfação por ver a alegria estampada no meu rosto. – Me deixa continuar ou essa carta não termina hoje – pediu e eu sacudi a cabeça, concordando. Ele voltou os olhos claros para a carta e buscou as últimas palavras, que não me davam uma notícia tão boa quanto as outras. – Infelizmente, por causas governamentais, nosso programa foi adiantado em seis meses, portanto sua viagem acontecerá até o dia dez de outubro, depois de enviados os formulários preenchidos e sua matrícula e hospedagem acertadas. Caso não esteja de acordo com essas condições, entre em contato conosco. Atenciosamente, Eve Rheon.
Fiquei em silêncio depois daquela informação, apenas tentando processar que eu viajaria dentro de um mês. Meu pai largou o papel sobre a mesa baixa e buscou os outros papeis que vieram junto com a carta de apresentação. Havia folhetos, formulários de matrícula, de hospedagem, questionário sobre situação financeira e sobre o que eu esperava do programa, além de folhetos informativos sobre o instituto, sobre o programa do Ministério da Magia galês e o contrato. Meu pai é quem estava animado com aqueles papeis. Eu apenas pensava que eu tinha apenas um mês em Londres antes de passar um ano longe dali.
- Outubro? – eu perguntei, encarando o nada e me deparando de repente com o meu rosto no espelho na parede. Mais cedo ou mais tarde, aconteceria, eu esbarraria no espelho e veria tudo aquilo que eu sabia existir dentro de mim: dúvida, confusão, arrependimento, covardia.
Minhas sobrancelhas estavam elevadas e meus olhos arregalados, cheios de lágrimas, dando aquela impressão terrível de tristeza, de solidão. Minha boca estava torta, com o lábio inferior preso tão forte por entre meus dentes que eu achei que sentiria o gosto de sangue em breve. Suspirei e não consegui segurar o choro. A única coisa que vinha na minha cabeça naquele momento era Scorpius e aquele término sem luta alguma pela minha parte. Ele tinha razão quando dizia que eu não tinha intenção de lutar pela nossa relação. E agora a minha fraqueza batia na minha cara de tal maneira que eu não conseguiria segurar aquilo dentro de mim por muito tempo.
- Sim, outubro – meu pai respondeu, ainda entretido com os folhetos lindos feito com papel brilhoso. Eu tinha esperado dois anos por aquela oportunidade e agora ela batia na minha porta trazendo um bolo cheiroso. Não, eu não recusaria, mas eu sentia que precisava limpar toda a minha bagunça antes de partir.
E eu não sentia que estava limpa ou descarregada da minha sujeira. Quando eu coloquei os pés em Londres de novo, eu tinha certeza de que estava bem em um dos lados daquele muro que eu criara. Hoje, eu acreditava que a sujeira apenas tinha sido varrida para debaixo do tapete, ou então, porque eu estaria me sentindo tão mal por ter deixado Scorpius longe? As coisas não faziam sentido quando eu tentava colocá-las em ordem na minha cabeça, mas imaginar viver um ano fora sem conseguir me desculpar com Scorpius ou lutar por ele me deixavam enjoada.
E eu senti a verdade esbarrar na minha garganta, pronta para ser vomitada.
- Pai, eu preciso dizer uma coisa – eu comecei, mas minha voz sumiu.
- O que? Não está feliz com a realização do seu sonho, filha?
- Que merda – eu xinguei e ouvi minha voz dizer a frase seguinte de um só grito, de um só fôlego, como se minha vida dependesse daquilo. – Eu estou apaixonada por Scorpius Malfoy e eu quero ficar com ele.
O silêncio que se instalou na nossa mesa foi tão intenso que eu passei a pensar que não existia ruído algum no mundo que pudesse restabelecer o som nos meus ouvidos. Um zumbido era a única coisa que eu ouvia e a única coisa na qual eu pensava. Ron tinha o folheto do Instituto Teller nas mãos e eu esperava que a qualquer momento ele o amassasse, mas ele não fez nada. Estava tão quieto e tão perplexo quanto eu. Encarei meus olhos no espelho e eu conseguia distinguir certa coragem ali, além de um alívio sem propósito, já que eu ainda estava na corda bamba sem uma reação do meu pai.
- Pronto – eu disse, depois de encontrar a voz dentro de mim.
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N/A: Oi gente, tudo bem? Desculpem a demora, mas a faculdade está comendo o meu fígado e eu preciso de tempo para elaborar um capítulo bacana para vocês..! Muito obrigada aos leitores e aos não-leitores da fic. Muito obrigada a quem comenta e a quem não comenta. Como eu não vou cansar de dizer, quem faz a AFI são vocês :D Muito obrigada por continuarem por aqui, mesmo que eu demore um século a postar alguma coisa. Eu adorei o clima desse capítulo: pesado e meio desconexo, sei lá. Espero que vocês gostem, porque estamos chegando a um final e esse capítulo parece um novo começo. Talvez eu tenha que esticar a fic um pouquinho. Depende de vocês e do que vão achar dos próximos capítulos que meio que dão as dicas... Bem, a titulo de curiosidade, não sei se alguém aqui assiste Sons of Anarchy, mas o nome do Instituto Teller não é em vão. Charlie Hunnam, seu lindo. *-*
Espero que vocês gostem e até mais, meus queridos!