CAPITULO 2
LOCALIZAÇÃO NO TEMPO: R/H estão casados a 7 anos, quando num passeio Hermione encontra uma pessoa, numa tarde ensolarada. Ela só queria uma tarde de leitura longe da bagunça dos filhos, mas parece que não é seu dia de sorte!
A tarde estava agradável e ensolarada. A neve do inverno havia cedido lugar a grama que teimava em começar a despontar naquele tímido começo de primavera. Hermione andava lentamente, de mãos dadas com seu marido, pela ladeira de Hogsmead, tentando não prestar atenção na bagunça que seus filhos faziam correndo pelas calçadinhas estreitas. Tabby levava pela mão as duas menores, mesmo assim, não era fácil controla-las.
Sue havia fugido do aperto da irmã e agora Luke a pegava no colo, brincando de arremessá-la. Hermione tremeu com o grito que Rony deu a seu lado, ordenando que ele largasse a irmã e se comportasse.
Tabata estava hipnotizada em frente à vitrine de uma loja de livros, concorrente de sua livraria e Hermione suspirou. Já haviam comprado todo o material que ela precisaria para seu primeiro ano em Hogwarts, mesmo assim seria difícil convence-la a não entrar e olhar todos os novos exemplares. Novamente, ela estremeceu novamente quando Rony gritou alguma coisa e soltou sua mão, indo a passos rápidos em direção a Luke e Sue.
Ela prestou atenção banalmente em suas reclamações e agradeceu aos céus que a cidade estava pouco movimentada, ou estaria passando um tremendo constrangimento.
Era sempre assim. Sair com os terroristas Elise e Luke. Eram crianças muito, mas muito irrequietas.
Só para checar ela buscou com os olhos o local onde sua filha deveria estar. E não estava.
Olhou para Rony e notou que ele também dera por sua falta. Arrastando Luke para dentro de uma loja de animais, ele saiu pouco depois com Elise de cabeça baixa logo atrás de si, e Luke rindo da irmã.
Mais algumas ameaças bem feitas e a paz voltou a reinar.
Mais calmo, Rony voltou a seu lado e tomou sua mão, andando a seu lado como se ainda fossem simples namorados aproveitando o sábado sem preocupações.
Hermione suspirou, os silêncios eram raros desde que as os primeiros gêmeos nasceram, e não que reclamasse, mas havia dias em que queria se ver livre deles e de Rony.
Se era egoísmo? Não. Era apenas necessário para que quando voltasse, pudesse estar mais leve e com a cabeça livre. Mas até hoje, nunca conseguira ficar totalmente só.
-Tem certeza que é isso que quer? – Rony perguntou junto ao seu ouvido, soltando sua mão e a enlaçando pela cintura, obrigando-a abraçá-lo também – Eu posso ficar com você e controlar as ferinhas. Ou a gente os ‘desova’ na mamãe e ficamos sozinhos os dois...o que acha? -ele disse sorridente e malicioso, quase a fazendo fraquejar.
-Muito esperto da sua parte, Ronald, mas a resposta continua sendo não – beijou-o no rosto quando ele ficou sério novamente – Eu preciso de umas horas só para mim.
-Eu também preciso e nem por isso abandono-os! – ele chantageou.
-Rony! – ela tentou não se irritar – Você passa o dia todo no ministério. Está a salvo deles por varias horas. Mas eu acabo ficando a maior parte do tempo cuidando de cada um. Não estou reclamando, mas quero um momento só meu. Sem crianças, sem amigos e sem marido. Pode entender isso?
-Posso – ele deu o braço a torcer ainda de cara amarrada – Só me assusta ficar sem você do meu lado. – ele voltou a abraçá-la, quase a tirando do chão, para um beijo suave e delicado, mais pudico que de costume, por estarem no meio da rua, e com os filhos.
Hermione acariciou seu rosto, seu amado rosto sardento, e afastou-se o olhando tentada. Mordeu o lábio inferior para não dobrar-se a vontade dele.
-São só umas poucas horas – ela disse baixinho.
-Sem você, serão longas horas. – ele galanteou recebendo outro beijo de presente.
-Mãe! – o grito agudo de Elise os sobressaltou e ela olhou para a filha com olhos arregalados.
-O que foi? – perguntou surpresa. Sua bonequinha de cabelos longos e ruivos , tão lisos quanto os do pai, e sardinhas por todo o nariz arrebitado, a olhava com olhos embargados.
-Luke me chutou! – ela disse ameaçando choro, mas como já tinha sete anos, ela não choraria a toa.
-Então, - Rony pôs a mão no ombro da filha e disse sério – vá lá e o chute e volta!
Elise olhou para o pai e saiu correndo atrás do irmão.
-Rony! – Hermione ficou incrédula.
-O que foi? – ele deu de ombros – Uma garota precisa saber se defender! – ele disse com normalidade – Não quero que ela seja chorona. Quero que seja forte como você.
-Chutando as pessoas? – ela pôs as mãos na cintura indignada.
-Se for preciso, porque não? – tentou enlaça-la novamente, mas Hermione esquivou-se indo atrás da massa ruiva que se engalfinhava logo ali na frente.
-Chega vocês dois! – ela bradou baixo, separando-os – Luke, você vai levar Luisie pela mão e Elise vai levar Sue e quero que cuidem de suas irmãs, e se possível que as mantenha vivas e intactas. E você, Luke, irá receber seu castigos em casa por ficar chutando as pessoas!
-Mas mãe, foi ela quem começou!
Hermione estava pensando numa boa resposta quando Rony chegou até eles e disse
-Você é menino e é mais forte que ela . Precisa cuidar da sua irmã e não machuca-la. Entendeu?
-Entendi – Luke baixou o rosto com vergonha do pai.
Ele sempre aceitava a autoridade do pai com mais facilidade que a da mãe, pois sabia que ela tinha uma quedinha especial pelo único menino que tinha e era fácil dobra-la.
-Certo – Rony disse olhando o filho com certa nostalgia, pois ele mesmo nessa idade era impossível e sua vitima preferida era Gina, mais jovem e frágil. – Vamos tentar passear sem brigas. A mamãe vai parar no três vassouras para ler seu estúpido...seu livro, enquanto nos vamos passear e fazer as compras que viemos fazer. Sem gritos, sem brigas e sem cutucões. Fui claro?
-Mas, pai – Tabby aproximou-se deles com expressão horrorizada – Quem vai me ajudar a escolher as roupas para usar na escola?
-Seu pai – Hermione informou no mesmo tom dela.
-Eu não quero ofender, mãe, mas o papai não pode entrar na loja da madame Malkin. Lembra? Da ultima vez, ele disse que tudo que havia ali dentro era lixo e ela o proibiu de voltar!
-Sim, mas isso é passado – Rony ficou adoravelmente corado – Eu estava nervoso naquele dia.
-Mãe – Tabby chegou –se a ela com olhar de quem implora e apanhou sua mão, olhando com desconfiança para o pai – Me ajuda com as roupas, por favor. O papai só me faz usar roupas de crianças!
-Eu mandei uma coruja para madame Malkin e ela já sabe o que eu quero qe você compre. Só precisa escolher as cores e modelos. Não se preocupe, seu pai vai ser bonzinho hoje. Não vai? – beijou os cabelos da filha e olhou desafiadora para ele.
-Vou tentar – ele ironizou – Vamos?
Com desconfiança Tabby afastou-se da mãe e aproximou-se dele, ficando ao lado dos irmãos.
-Até mais tarde – Hermione disse apressada em vê-los irem embora, já que estavam na frente do Três Vassouras e ela estava ansiosa para ter um momento só seu.
Ficou um breve momento os observando andarem em direção a loja da esquina. Era uma família muito bonita. Rony tinha se transformado em um homem muito imponente e era exatamente assim que ele andava com os filhos, como alguém que sente muito orgulho da vida que tem. A seu lado as crianças pareciam pequenos soldadinhos, embora que ela pudesse ver Elise e Luke se cutucando pelas costas dele.
Sorriu quando eles entraram na loja, e notou que Tabata olhou para trás sabendo que ela ainda estaria ao pé da ladeira olhando para eles. Ela lhe deu um breve aceno e entrou.
Hermione respirou aliviada.
Bem vinda solidão, pensou.
O Três vassouras havia sobrevivido aos anos, com novos donos e agora mais lembrava um barzinho londrino, com suas mesas redondas e a ótima iluminação.
Ela buscou uma das mesas mais escondidas, onde a luz era melhor e sentou-se com a varinha em mãos. Depois de conjurar o livro que já havia deixado separado na livraria para ela mesma, ela sorriu para a atendente, pedindo um café bem quente.
Minutos depois, livro aberto, café fumegante a seu lado, ela começou a ler.
Tranqüilamente. Calmamente, e solitária.
-Oh. Merlin!
Ela saltou com o gritinho histérico. Olhou para alguém que havia parado bem a sua frente. Uma mulher loura e alta. Tinha os cabelos longos e lisos, muito brilhantes e seios fartos, como alguém que conheceu os mistérios das plásticas trouxas. Seus lábios eram muito grossos e pintados de rosa. Na verdade, toda ela se vestia em rosa.
Ou era um terrível pesadelo de quando sua mãe tentava a convencer a brincar de Barbie ou era um dejaju imperdível!
-Hermione Granger! – ela votou ao guinchar naquele tom irritante – Olhe se não é a velha Hermione Granger de sempre entretida com seu livro! Tem coisas que nunca mudam não é? – ela aproximou-se e foi logo se sentando na cadeira a sua frente para horror de Hermione.
Antes que pudesse abrir a boca e se expressar, para enxotá-la dali ela começou a rir sozinha.
-Não está me reconhecendo? Merlim, que absurdo! Sou Lavander, lembra-se? Sua colega de quarto em Hogwarts!
-É claro, como não a reconheci? – Hermione ironizou tentando sorrir e ser simpática – Você mudou! Está irreconhecível!
-Mas você não. Continua a mesma Hermione de sempre!
Ela pensou se deveria se ofender. Era sem graça aos onze anos. Era bem feinha e sem graça!
Absteve de responder, com o pensamento inútil de que ela perceberia que não era bem vinda e iria embora.
-Faz tanto tempo que não venho aqui – ela recomeçou seu monologo, sem notar que Hermione lançava olhares a seu livro, como discretas indiretas – Estive morando em Milão, Itália nos últimos dez anos. Incrível não? Pois é. – Lilá olhou bem para Hermione sobretudo para suas mãos – Vejo que não usa aliança! Não teve a sorte de casar-se, não é? – disse apenada e Hermione ficou tão chocada que nada respondeu – Estive noiva. – ela disse orgulhosa – Infelizmente não deu certo. Passamos ótimos anos na Itália juntos, ele era fotografo. Mas foi muita responsabilidade, querer um casamento, em meio a nossa vida tão corrida. Acho que o pressionei e ele se assustou. Mas estou bem – ela garantiu,como se Hermione houvesse perguntado algo! – tivemos um filho, sabia? Ficou morando com o pai. Tem três anos agora, e eu deveria ter uma foto dele, mas esqueci de trazer quando voltei de Milão – ela sorriu animada e Hermione e perguntou se aquilo era castigo de Merlim por ter querido ficar só.
-Eu li seu romance! –ela disse de súbito e Hermione estava começando a ficar tonta – Sei que escreveu outros livros, mas não tive paciência para ler, mas seu romance foi maravilhoso! Sabe quem me indicou? P-a-r-v-a-t-i! Ainda somos muito amigas, coisa rara depois que as aulas acabam! Acho que não falei ainda mais sou colunista em revistas de moda. Obvio não é? – ela mesma sorriu e Hermione tentou não revirar os olhos – Paravati é esposa e mãe. Como se isso fosse emprego! – desdenhou – Quero mais da vida do que alguém me chamando de ‘benzinho’! Mas e você, Hermione? O que tem feito?
-Eu...
-Merlim! – Lilá deu um tapinha na própria testa como quem lembra de algo subitamente – Hermione, Hermione, como pude esquecer isso! Você ainda deve manter contato com Harry Potter não é?
-Bem, sim, eu...
-E Harry ainda deve ter contato com Won-won não é?
Primeiramente, ela estava cheia de ser interrompida e depois a simples insinuação de que ela não teria contato com Rony, sem Harry, era nauseante.
-Nos somos amigos ainda. – ironizou o ‘ainda’.
-Isso é ótimo! – os olhos dela brilharam intensamente e quase se dobrou sobre a mesinha impondo a Hermione a visão desagradável de seu decote. – Faz muito tempo que gostaria de encontrá-lo novamente! Eu nunca consegui esquece-lo por inteiro. Foi meu primeiro amor – sorriu sonhadora – Acho que por isso minha relação com Pierre não deu certo, havia sempre a sombra desse amor entre nós.
Hermione se perguntou se ela sabia o significado da palavra ‘amor’.
-Sabe como ele anda?
-Sim...- por um segundo pensou em contar-lhe que ele estava na vila de a passeio, mas mudou de idéia ao olhar brevemente para aquele indecoroso decote a sua frente – Ele se casou.
-É mesmo? –ela pareceu bem decepcionada – Era de esperar, sempre foi um romântico.
Estariam elas falando da mesma pessoa?, Hermione se perguntou.
-Sei que tem filhos. Alguns.
-Quantos? – ela ficou séria e concentrada ouvindo.
-Cinco.
-Cinco? – ela ficou horrorizada – Como alguém pode ter cinco filhos? Isso é...!
-Ele deve gostar de ser pai – Hermione deu de ombros.
Lilá suspirou alto e moveu os ombros, como uma criança contrariada faria.
-Não é o fim do mundo, quero dizer, ele deve ter um bom emprego, não é? Era amigo de Harry Potter, não pode ter ficado mal amparado! E com um bom salário, pode cuidar de uma de mais uma família, caso haja um divorcio....
Como Hermione não respondeu, ela continuou falando, sem notar sua expressão chocada.
-Acha que ele ficara muito surpreso de me reencontrar?
-Pode apostar nisso – ela afirmou, achando que a conversa estava indo longe demais. – Olha, Lilá, na verdade o Rony e eu...
-Onde será que fica o banheiro? – ela perguntou de súbito provando que sequer estava ouvindo o que ela dizia.
-Na segunda porta a direita daquele corredor – ela apontou resignada.
Lilá dirigiu-se com passos barulhentos de seus saltos exageradamente altos para um passeio de sábado. Seu rebolar era quase imoral para um lugar onde havia crianças e pais.
E falando em crianças, Hermione não acreditou quando avistou Luke na porta olhando para tosos os lados. Ele a avistou e correu na sua direção.
-Ô, mãe! – ele já veio gritando.
Porque será que as crianças gostam tanto dessa frase, ela se perguntou ,pensando subitamente se eles todos, sabiam seu verdadeiro nome, ou se acreditavam que era apenas ‘mãe’ que constava em sua certidão de nascimento.
-O que foi, Luke?- tentou não ser indelicada.
Ele estava ofegante prova que viera correndo. Ela se pegou sorrindo ao olhar para seu rostinho afogueado e seus cabelos bagunçados. Tocou seu peito, onde ele arfava e disse:
-Hei, respire! Veio correndo?
-O pai mandou avisar que estamos na loja de quadribol. – ele disse depois de tomar fôlego.
-E as roupas da sua irmã?
-Não deu muito certo. – ele deu de ombros – Tabby vai esperar por você, foi o que o papai disse.
-Pois diga ao seu pai, que volte a loja de roupas e resolva esse problema! - ela disse furiosa – Nós já conversamos sobre isso! Tabby não pode ficar sem as roupas e não virei comprar outro dia!
-Mas, mãe...
-Sem mais, Luke!
-Tá bom, mãe – ele disse e seus olhos azuis, sempre espertos brilharam. – Será que eu posso comprar o álbum de figurinhas dos times? O papai disse que não ,porquê tem a Bulgária e ele não quer as fotos do tio Vitor lá em casa, embora que ele não jogue a anos!
-Aqui – Hermione tirou alguns galões do bolso – Não deixe que ele saiba que eu dei o dinheiro!
-Tá legal. Te amo, mãe. – ele abraçou-a e Hermione sorriu.
Tão rápido quanto veio, Luke desapareceu pela porta.
Mesmo correndo o risco de estragá-lo às vezes era quase impossível dizer-lhe não.
Mais leve, ela voltou sua atenção para o livro.
Estava quase esquecendo de sua companheira indesejada quando ela voltou.
-Nossa, está quente hoje! -ela reclamou se abananado e Hermione lembrou-se exatamente porque nunca gostara dela na escola. – Vamos, Hermione,me conte mais sobre o Ronald. No que ele trabalha?
-Auror – ela respondeu de má vontade.
-Eu sabia que Harry não o deixaria ser um fracassado como o pai dele era! – ela disse com acidez e Hermione fechou o livro com raiva.
-Olha, Lilá, você não deveria falar assim do pai do Rony. É desrespeito...
-Eu sei, desculpe –ela se fez de humilde – Ele vive aonde?
-No campo – foi evasiva – com a família.
-E a mulher dele? Como ela é?
“Bem diferente de você”, veio-lhe a mente, mas ela se conteve.
-É uma boa pessoa – deu de ombros.
-Queria conhecê-la. Saber se é bonita. Essas coisas. Dizer a ela que voltei com a intenção de tomar o que é meu de volta!
-Seu? – Hermione sentiu o rosto esquentar.
-Ah, qual é, Hermione? Todo mundo sabia que Rony era louco por mim, e não me olhe com essa cara! Acha que não sabia que tinha uma quedinha por ele? – ela sorriu maliciosa.
-Acho que esqueceu que era eu quem namorava Rony até o ultimo dia das nossas aulas. Era COMIGO que ele estava!
-Ah, sim, claro, namorar a melhor amiga depois de me perder, não parece uma grande coisa.
Hermione segurou a resposta mal criada e olhou em volta, chamando a garçonete.
-Outro café, por favor. Esse esfriou - disse olhando diretamente para Lilá.
-Acho que as coisas nunca mudam mesmo. Sempre mal humorada. – Lilá resmungou e levantou-se – Infelizmente não foi um prazer conversar com você, o que alias, nem deveria me surpreender.
-Tenham uma boa tarde, Lilá – ela respondeu tentando ser superior.
Lilá pareceu engolir uma resposta ácida e se afastou batendo os saltos no chão. Dirigiu-se ao balcão e pediu um café, olhando de vez em quando com raiva para ela.
Hermione tentou relaxar e deixar a raiva e o ciúme sair lentamente junto com sua respiração. Abriu novamente livro e bebericou seu café.
Alguns minutos depois e não se lembrava mais de Lilá, pois estava entretida com a leitura.
Sentiu-se observada, mas não ligou. Deveria ser Lilá, mirando-a com ódio. Mas isso não era novidade, afinal elas nunca se entenderam e dividiram quarto por sete anos!
Mas como a curiosidade é a mãe de todas as desgraças, ela levantou a cabeça e olhou.
-Lembra-se de mim? – um homem de pé a sua frente perguntou sorrindo.
Se mais alguém lhe perguntasse isso naquele dia, ela seria capaz de ir parar em Askaban. Será que ninguém percebia que se alguém bebe café lendo um simples livro é porque quer paz e sossego? Qual a dificuldade em entender isso???
-Emory. –ela disse tentando sorrir –Auror na Ucrânia? Acertei?
-Na mosca. – ele sorriu sentindo-se encorajado – Posso sentar?
-É claro – ela não podia ser mal educada com um colega de Rony no trabalho podia?
-Entrei e nem acreditei quando a vi sozinha! Onde está Ronald? – ele olhou em volta.
-Está passeando com as crianças – ela foi sincera, olhando com pesar para outra xícara de café que esfriaria.
-Estou estranhando. Afinal, ele nunca se afasta da esposinha bonita. – tentou fazer graça – Sério, ele é bem ciumento.
-É, eu sei – ela concordou, não convencida se era legal falar mal dele pelas costas.
-Não, você não sabe. Uma vez, eu comentei com ele que a tinha achado sua mulher fascinante e ele quase me acerta com um soco! Um absurdo!
Hermione se perguntou intimamente, se absurdo não seria paquerar a mulher de outro na cara dele. Mas preferiu apenas sorrir simpática.
-Infelizmente nem mil socos poderiam me fazer esquecer o quanto é encantadora – estendeu a mão pela mesa e tocou sobre a sua, que repousava sobre o livro aberto.
-Fico lisonjeada, mas... – tentou puxar a mão de volta.
-E sei. – ele segurou mais forte – É uma mulher casada e honesta. Eu nem deveria estar dizendo essas coisas, mas espero que saiba que se algum dia Rony sair da sua vida, eu sou o primeiro da fila.
-Ronald não vai sair da minha vida – ela conseguiu soltar-se e entre um suspiro disse – Eu não deixaria, mesmo que ele quisesse.
-Eu também sei disso, não se preocupe, é só um galanteio de um homem que a conheceu tarde demais.
-Sei que não tem maldade, mas me sinto desconfortável ouvindo essas coisas, pelas costas do meu marido.
-Oh, bom Deus, que sorte tem esse ruivo marento! – ele brincou e ela acabou rindo sem querer.
Pelo canto dos olhos notou que eram observados por um par de olhinhos azuis. Tabata havia entrado sorrateira e andava em direção ao balcão.
Ela vestia um jeans e tênis e um moletom com estampa das esquisitonas, que ganhou de presente de sua tia no seu aniversario de onze anos.
Ela falou com a garçonete, e sentou-se ao lado de Lilá, no longo balcão enquanto esperava. Em alguns minutos, ela apanhou o que viera buscar e andou em direção para a porta, mostrando a ela, as duas mamadeiras com leite. Era comum passarem por ali, e apanharem mamadeiras emprestadas, afinal a floreios ficava ao lado do três vassouras, e nem sempre as pequenas tinham fome nos horários normais. Tabby ainda lhe lançou um longo olhar antes de sair e Hermione se perguntou quantos minutos levariam até Rony arrumar um pretexto para ir pessoalmente xeretar.
-Acho que estou sendo inconveniente, não é? – ele apontou seu livro – Posso tentar ao menos convidá-la para um almoço de amigos qualquer dia desses? – ele perguntou com olhos brilhantes.
Hermione mordeu o lábio, interessada. Era estranho sentir-se sendo cortejada depois de sete anos pertencendo e sendo galanteada pelo mesmo homem.
Emory lembrava muito Harry, com olhos verdes encobertos por óculos pequenos e o queixo afinado, com bochechas finas. Tinha também aquele ar inocente que deveria enganar muitas mulheres.
-Ficarei encantada – ela provocou – Fale com Rony, e marque um horário. Tenho certeza que sua mulher vai gostar da idéia também.
-Ôw! – ele fingiu uma dor terrível – Essa doeu profundamente. Certo. Eu mereci – ele disse levantando-se. – Sem magoas?
-Imagine – ela deu de ombros e observou-o sorrir sem vergonha antes de se afastar em direção ao balcão.
Ela soltou novamente um longo suspiro se perguntando em que pagina havia parado antes de ser interrompida. Apesar de odiar café requentado, ela usou a varinha para aquecer o seu, e retornou a leitura.
Conseguiu com facilidade retomar o interesse nem viu os minutos passarem. Silenciosos minutos. Tãoooooooooooooo silenciosos minutos!
Hermione apoiou o rosto na mão, e ficou movendo as páginas, entretida com as palavras, as frases, e o simples prazer de estar só.
-Não acredito! – uma voz muito familiar cortou seu tão ansiado silêncio e a obrigou a erguer os olhos – Como conseguiu???
-Oi, Gina – ela disse com enfado sem se mover.
-Como conseguiu??? – Gina, com Tiago e Sirius logo atrás, largou as sacolas que carregava no chão e sentou a sua frente, não sem antes gritar algo com seus filhos sobre não quebrarem nada – Sem filhos, sem Rony, o que aconteceu? Usou Imperius neles? – ela sorriu e Hermione riu também.
-Estou tentando passar algumas horas sozinha. Rony entendeu depois de muita conversa.
-A quem dera Harry fizesse o mesmo por mim – Gina lamentou – Claro que não posso comprar só dois aos seus cinco – ela arregalou os olhos para dar mais veemência – Mas Tabby não conta, já é uma mocinha e é sempre comportada. Mas os gêmeos...
-Gina, não me leve a mal, mas eu quero ficar sozinha – ela disse com ar de ‘por favor’.
-Quem é aquele bonitão no balcão olhando para você? – Gina ignorou seu comentário, falando em tom de fofoca – É por isso que quer ficar sozinha? Para paquerar, Sra.Wesley!? Que vergonha! – ela riu da própria piada.
-É um auror, colega do Rony em alguns trabalhos na Ucrânia. Ele é um pouco...sem medida.
-Deixa o Rony saber disso – Gina disse em tom conspiratório – E a Barbie Girl, quem é? – apontou a loura que conversava animadamente com ele.
-Adivinha? – Hermione ironizou – Lilá.
-Oh, não! Está brincando??? – ela ficou olhando descaradamente para a loura – Aquilo tudo não é dela, é? – ela fez referencia ao seios gigantescos.
-O que você acha? – Mione ironizou, erguendo as sobrancelhas – Gina, porque que não vai encontrar seu irmão e ajuda-lo a comprar roupas para Tabby? Vai, lá.
-Tentando se livrar de mim, Hermione? Que coisa feia. – ela disse falsamente ofendida. Levantou-se de nariz empinado – Vou contar ao rony que está paquerando!
Hermione apenas sorriu dessa infantilidade, observando-a arrastar Sirius pelo braço, depois dele quase quebrar alguns copos sobre o balcão.
Hermione olhou desanimada para o livro. Depois de tantas interrupções ela havia perdido o interesse. Além disso Rony e as crianças deveriam estar se divertindo horrores sem ela.
-Outra xícara de café, sra.Wesley?
A garçonete que a conhecia de longa data aproximou-se com o bule fumegante nas mãos, mas Hermione maneou a cabeça.
-Não. Coloca na conta para mim? – fechou o livro e levantou-se – Eu preciso ir.
Com o livro tendo desaparecido de suas mãos, por feitiço, assim que saiu da cafeteira ela olhou em volta. A loja de Madame Malkin era logo abaixo e ela começou a descer com pressa. Entrou na loja e logo reconheceu a voz de Gina falando alto com alguém. Ela tentava convencer a costureira a aumentar o tamanho de um vestido para presentear sua mãe, Molly Wesley.
Mas não tinha interesse nela. Avançou pela loja até ver o que lhe despertava interesse.
Num dos provadores, com a cortina aberta, Tabby se olhava no espelho medindo seu interesse no uniforme. Era idêntico ao que usavam na sua época de escola, e ela se emocionou. Os sapatos lustrosos, as meias esticadinhas, a saia com pregas lisas e a camisa impecável. Ela estava tão linda. Tão crescida.
Ao seu redor, como sempre Elise borboleteava, querendo participar de tudo que a irmã mais velha fazia. Luke estava sentado num banco, com uma carranca enquanto cuidava as irmãs menores brincarem com suas varinhas de plástico.
Rony estava parado de pé, olhando a filha decidir-se pela roupa.
Hermione sorriu ponderando que livro algum poderia ser mais interessante que isso.
Ou mais interessante que o gritinho de Sue ao vê-la.
-Mamãe! -ela gritou, correndo em sua direção com os braços estendidos para ela.
-Oi, amor. – apanhou-a no colo e quase caiu com Luisie tentando escala-la.
Rony virou-se em sua direção e aproximou-se apanhando Luisie em seu colo.
-O livro te mordeu? – ele perguntou irônico e ela pensou em uma resposta ácida, mas não disse nada. Ignorou-o.
-Está adorável, Tabata – ela dirigiu-se a filha – Gostou? É confortável?
-Sim, é muito confortável – ela tinha s bochechas coradas e estava tão orgulhosa que era bonito de ver – Vó Minerva disse que tenho que comprar três conjuntos do uniforme.
-Sim, e tem que parar de chamá-la assim – Hermione aconselhou – Na escola ela não será sua amiga, mas sim sua educadora, e ficará deslocado que se refira a ela com tanta informalidade.
-Tá, mãe –ela disse naquele tom, que usava para demonstrar que não ouvira uma palavra sequer do que a mãe dissera.
-E tem que parar de fingir que não me ouviu, Tabata! – ela reclamou – Não estarei em Hogwarts para ajudá-la a se livrar dos colegas que pegaram no seu pé por chamar a diretora desse modo!
-Eu sei – ela respondeu novamente, e sorriu para a mãe – Posso comprar uma mini-saia como a da Kim Bly? -ela perguntou com olhos brilhantes.
Kim Bly era uma cantora jovem que encantava os jovens bruxos. Infelizmente as roupas que ela usava deveriam ser contra a lei em pelo menos uns vinte estados!
-Pode, se Madame Malkin der um jeito no comprimento e nos furos – rony disse mal encarado estendendo para Hermione o trapo que Tabby chamava de mini-saia.
Ela olhou com desgosto e jogou sobre uma pilha de roupas que iriam comprar.
Sue ficou enjoada em seu colo e ela colocou no chão, olhando para Luke.
-O que ele tem? - ela perguntou baixinho para Rony, notando sua expressão parecida com a do filho.
-Nada – ele deu de ombros.
-O que foi? – ela aproximou-se mais tentando descruzar os braços dele para um abraço, mas ele permanecia irredutível.
-Quem er ao cara que Tabby viu pegando na sua mão?- ele disparou.
-O mala do Emory. Lembra dele? Àquele que me paquera toda vez que me vê! – ela disse com naturalidade.
-Sei –ele deu de ombros.
Hermione Desistiu de fazê-lo descruzar os braços e abraça-la e enlaçou sua cintura, apoiando o rosto em seu ombro, fingindo que não percebia o quanto ele estava emburrado.
-Sabe por que eu cansei do livro? – perguntou baixo, para apenas ele ouvir.
Rony anda respondeu os lábios cerrados e a expressão de poucos amigos.
-Porque nada no mundo é melhor que estar com vocês – ela respondeu, apesar de sua aparente indiferença.
Ouviu o suspiro exagerado dele, antes de descruzar os braços e a enlaçar, beijando sua testa com carinho.
-Afaste-se do Emory – ele disse sério.
-Ok – ela respondeu, fingindo resignação.
Rony a olhou com um sorriso pronto, e uma frase na ponta da língua quando seus olhos captaram algo além dos dois.
-Nem pense nisso, Luke! – ele gritou e tão rápido quanto suas palavras, já estava atravessando a loja atrás do filho.
Hermione nem se deu ao trabalho de ver o que era. Voltou-se para Tabby e ajudou-a a trocar-se e provar a tal saia que ela tanto queria.
Alguns minutos depois, ela afastou-se com madame Malkin para os fundos da loja, para olhar roupas infantis com mais calma. Tabby estava cuidando das menores junto com Elise quando o pai voltou com Luke arrependido logo atrás.
Estava entretido com a bronca no filho quando sentiu uma mão tocar seu ombro. Pensando ser Hermione, ele virou-se com seu melhor sorriso.
Mas não era ela. Era uma mulher alta e loura. Incremente siliconada e vestida com um vestido rosa com pregas na cintura. Elise poderia facilmente usar aquele vestido, tanto pelo modelo quanto pelo tamanho.
-Ronald, sou eu – ela disse com aquele tom baixo e rouca que ele lembrava-se vagamente. Depois de alguns segundos ele finalmente se lembrou.
-Lilá? Como você mudou!
-E não é que mudei? – ela girou dando-lhe uma visão privilegiada dos seios fartos e das coxas grossas. – Para melhor suponho eu. – ela sorriu atrevida e ele sorriu também.
-Está muito bonita – ele disse com sinceridade, afinal não era cego. Muito menos hipócrita.
-Você também – ela disse com olhar de cobiça deslizando a mão pelo braço dele.
Rony sorriu, um pouco corado pela obviedade da situação.
-sabia eu tenho pensando muito em você nos últimos anos? – ela disse com a voz meiga e predadora – Em como poderíamos ter sido felizes juntos.
-Lilá, não acho que deveríamos falar disso aqui – ele disse tentando não ser indelicado e magoa-la gratuitamente.
-Tem razão. – ela sorriu satisfeita – Precisamos de um lugar mais intimo. – mordeu os lábios, com um olhar sexy que o deixou um tanto confuso.
Um espirro a seu lado, o fez desviar os olhos daqueles lábios que lembravam muito ao lábios de algumas atrizes que ele vira em filmes trouxas não recomendados para menores de idade, e olhou para Luisie, que espirrava sem parar.
Ela era alérgica a perfumes fortes, e o de Lilá era terrivelmente aguçado.
Rony apanhou-a no colo e os olhos de Lilá brilharam intensamente.
-É sua filha?
-Sim, essa é Luisie – a menina havia cedido a crise de espirros e com a face vermelha, havia encostado a cabeça em seu ombro, contente em apenas abraçar o pai – Aqueles são, Tabata, Luke, Elise e Sue – ele apontou-os notando os olhos dela se arregalarem a cada visão. – São...
-...Cinco? – ela pestanejou como se não tivesse importância – Vi Hermione no três vassouras e ela me contou. Mas isso não é empecilho para bons amigos se reverem e passarem algumas horas agradáveis juntos, é? – como ele não respondeu ela sentiu-se apoiada – Estou solteira, Won-Won.
Por um segundo ele sentiu-se compelido a perguntar por quê. Afinal, com aqueles peitos gigantescos ela deveria facilmente arrumar um namorado.
-Eu acho que a Hermione... – ele começou a falar, mas foi interrompido.
-Está solteira também? Eu sei, vi que ela estava sem aliança. Coitadinha. Quem iria querer casar-se com ela? – desdenhou.
Rony sentiu-se ofendido na mesma hora. Tinha se esquecido como ela era. Que tipo de pessoa era Lilá Brown.
-Olha você de novo – a voz de Hermione o impediu de dar-lhe uma resposta daquelas. Hermione tinha uma carranca e olhava para Lilá,como alguém olha para uma doença fatal.
-O que você quer, Granger? Estou conversando com Ronald. Não precisamos de você aqui! – ela disse convicta.
-Mamãe – Sue que olhava para o pai a bastante tempo, cansada de tanto agito, estendeu os braços para ela, pedindo seu colo. – Tô cansada, mãe – ela reclamou empoleirando-se em seu colo.
-Onde está sua aliança? – Rony perguntou a ela em tom divertido.
-Mandei polir –ela respondeu simplesmente, olhando para Lilá – Eu tentei dizer, você não me deu chance.
-Você...a menina-traça tem...cinco filhos? E é casada? – seu horror fez o sangue de Rony correr mais rápido e ele perdeu a paciência.
-Foi bom te ver, Lilá, mas temos que ir.
Hermione passou por ela com um sorriso vitorioso, e teve a impressão de ver Tabby por a língua para ela, e como Elise imitava tudo que a irmã mais velha faz, não deu outra.
Assim que elas saíram, Rony virou-se para Lilá, com o filho do seu lado e disse:
-Eu realmente amo essa menina-traça.
Lilá não respondeu nada. E se houvesse respondido, ele não teria prestado atenção.
-Legal, pai – Luke disse a seu lado, como sua sombra ele sorriu para o filho enquanto dizia em tom de segredo.
-Temos que cuidar delas, Luke. Não deixar ninguém mexer com nossas meninas.
Luke concordou e Rony olhou para Hermione que marchava mais a frente fingindo não se importar com ele.
-Hermione... – alcançou-a e tentou uma abordagem.
-Estava flertando com ela! – acusou.
-Não estava! -ele se defendeu.
-Estava sim! Eu vi!
-Eu? Claro que não!
-Eu vi!
-Não flertei com ela – ele convicto.
-Flertou sim.
-Não flertei
-Flertou.
-Não flertei!
-Ronald, você flertou!
Eles seguiram pelas ruelas de Hogsmead naquela guerra particular, com os filhos se divertindo e Tabby maneando a cabeça incrédula com a infantilidade dos pais....
FIM.
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