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6. Círculo 02. Laio


Fic: Harry Potter e a Ordem de Merlin


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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O ministro da magia, Cornélio Fudge, estava em sua sala, inclinado na enorme e confortável cadeira e olhando ao redor. Seus olhos passaram pela mesa, muito bem organizada, com uma caixa de charutos, um estojo de belas penas de pavão, um tinteiro, algumas folhas muito bem empilhadas num canto e documentos pra ele assinar, a maioria ele nem sabia do que se tratava, não tinha gosto por ler.


  Ele se sentia orgulhoso dele mesmo, se sentia grande e gostava disso, de grandeza, de poder. Ele tinha isso e se orgulhava, sabia que havia centenas de bruxos em dezenas de departamentos só esperando uma órdem, e se vangloriava por ser ele a poder dar essa ordem. Numa das paredes laterais da sala havia algumas prateleiras com arquivos pessoais, e na outra quadros de ex-ministros, sentados como ele em suas cadeiras, e também parecendo grandes e importantes. Era o que ele sempre quiz, ser grande e importante.


  Acabou se lembrando do garoto Potter, que matara sua própria familia, numa explosão de magia involuntária, e ele tivera que prende-lo. Sentia pelo rapaz, afinal era apenas uma criança de sete anos de idade quando aconteceu, e agora deveria estar com dez, mas fora preciso, ele era o responsável por manter as coisas em ordem, e estava certo de que tinha tomado a decisão acertada.


  No começo planejara pedir ajuda a Dumbledore, o velho diretor de Hogwarts, ele saberia o que fazer certamente, parecia sempre saber, mas Lucius havia aberto seus olhos, se um criminoso como ele saísse impune de uma chacina como aquela, seu cargo como ministro estaria em risco, e ele não poderia permitir que isso acontecesse. A comunidade bruxa dependia de sua sabedoria e liderança, ela precisava de alguém apto a comandar e mostrar-lhes o caminho, e Cornélio se julgava essa pessoa.


  Sua única preocupação era Dumbledore, o velho mago poderia não concordar com ele, e ele tinha medo de sua influência, afinal era tido como o único que "Aquele que não deve ser nomeado já temeu", apesar disso, era apenas um velho gagá sentimental, e não saberia como agir em situações assim, o povo precisava de alguém firme, de braço forte e severo nas punições, o ministro era o verdadeiro poder ali, não Dumbledore... Ele sim...


  Lucius o advertira pra não confiar em Dumbledore, dissera que ele era como uma cobra astuta, só esperando pra tomar o controle do ministério... Sim, ele tinha razão, Dumbledore éra só um velho patético agora, não tinha direito nem capacidade pra governar como ele tinha, Não... Ele era o único... Lucius se manteria alerta e fiel, leal a ele, o ministro sabia disso, confiava totalmente no Malfoy, aquele que já fora enganado e controlado de modo tão vil pelo Lorde das trevas, mas que agora se devotava pelo ministério, e em bem a comunidade bruxa. O diretor não era de confiança... Não era...


  Por isso deixara a questão de Harry Potter nas mãos hábeis e leais de Lucius, ele sabia que ele cuidaria bem do fato, o rapaz teria uma vida confortável, sem dúvida, nenhum mal cairia sobre ele. Enquanto isso, precisava bolar uma maneira de enganar Dumbledore, ele não poderia saber jamais disso, nunca, senão seu cargo estaria em risco... Ele não poderia perder seu cargo, era de extrema importância para a comunidade bruxa por que ele era o único que poderia conduzi-los para a grandeza, só alguém grande como ele poderia fazer isso... Só ele...


  Tentou bolar várias maneiras de enganar o diretor, mas nenhuma lhe parecia muito efetiva, ele sentiu sono e se recostou mais na cadeira, atribuia o seu cansaço ao seu árduo trabalho pelo bem da comunidade bruxa, afinal, os grandes homéns como ele tinham vidas atarefadas, ele orgulhava-se em ter uma vida atarefada e ser um grande homém. Não lia os documentos, por que sabia que Lucius em pessoa os tinha preparado, ele não faria nada que pudesse contraria-lo, sem dúvida, era leal. Ele éra o cérebro daquele lugar, e Lucius seus pés e braços, era assim que ele pensava, tinha total confiança nele.


 


  O ministro continuou imerso em seus pensamentos insanos, quando ouviu batidas nas portas e se sentou direito, levantando os ombros e encolhendo o máximo que podia a barriga, tentando parecer o mais altivo e imponente possível, enquanto conferia se tudo em sua mesa estava alinhado. Parecia alguém pronto pra tirar um retrato quando disse o "Entre".


  Sua secretaria entrou e aviso-o que o Sr. Malfoy estava ali para vê-lo, o que animou o Ministro, ele disse pra deixa-lo entrar imediatamente, com um sorriso enorme no rosto risonho e corado.


  Lucius entrou logo depois que a secretaria saiu da sala, usava suas típicas vestes lustrosas e sua inseparável bengala, onde ocultava a varinha, vinha com uma expressão de profundo desprezo no rosto, mas quando reparou que o ministro já o encarava tratou de concertar a expressão, tentando parecer agradável e alegre. Fez uma mesura leve e disse, tentando passar um falso respeito e admiração pela voz, escondendo a repulsa. Por mais que estivesse acostumado com aquilo, não parecia ficar mais fácil.


  -Sr. Ministro - o rosto patético de Cornélio pintou-se com um sorriso enorme - venho lhe trazer péssimas notícias, minhas desculpas...


  O sorriso murchou e ele olhou assustado pros lados, como se esperasse que o Lorde das Trevas pulasse de um dos retratos e o amaldiçoasse, Lucius segurou com o máximo de força que podia uma expressão de náusea, o que sempre sentia em estar na companhia daquele pateta inútil, que tinha mania de grandeza. Tentando parecer melancólico e um pouco envergonhado ele continuou:


  -Sirius Black e Harry Potter fugiram da prisão de Askabam, nessa madrugada ministro.


  -Fu-fu-Fugiram?! - ele quase gritou, com a voz subindo uma oitava e deixando-o ainda mais patético - Como isso é possível, Lucius...


  -Mil perdões, ministro - O ex-comensal da morte fez uma mesura ainda mais profunda, disfanrçando com mais dificuldade o nojo e forçando mais vergonha pela voz, como se sentisse culpado - Nunca que esperariamos que isso acontecesse, parece que o garoto Potter é um verdadeiro demônio, com apenas dez anos conseguiu matar dezenas de aurores treinados, além de um dos cárceres que tomavam conta dele, ele matou o próprio cárcere que o protegia.


  O ministro pareceu assustado com as informações, mais que isso, estava aterrorizado:


  -Mas como isso é possível?!


  -Acreditamos que Sirius Black, fiel partidario Daquele que não deve ser nomeado tenha treinado Potter, com certeza planejam a acenção do Lorde das trevas, o que nós não podemos permitir! - Lucius disse enfaticamente, representando bem o seu papelo diante do ministro, que como sempre parecia acreditar piamente em cada palavra sua.


  -Mas como...


  -Com certeza o ataque a sua própria família não deve ter sido mera conhecidencia, ele com certeza o fez conciente do que estava fazendo, o garoto parece ser um demônio, um assassino nato. Talvez seja o próprio lorde das trevas reencarnado! Que outra explicação haveria para Sirius Black o ajudar?


 


  O ministro engolia cada palavra sua com um terror aparente, enquanto o ex-comensal sorria internamente, cada vez ficava mais e mais fácil manipula-lo.


  -O que devo fazer, Lucius?!


  -Não podemos permitir que isso caia a público, Ministro - Lucius disse, vitorioso, mas forçando um falso tom de servidão - Causaria pânico, e o senhor não quer isso...


  -É... eu não quero isso - O ministro respondeu obedientemente, como se estivesse hipnotizado.


  -Também não devemos revelar isso a Dumbledore ministro, ele provavelmente usaria isso pra assumir o seu cargo, não pode permitir que um fraco como ele assuma, ele não saberia como agir no seu lugar...


  -Sim, Dumbledore não pode assumir o ministério! Isso é para o bem da comunidade bruxa!


  -Devemos anunciar a fuga de Sirius Black, pra não levantar suspeitas, enquanto ao Sr. Potter, devemos caça-lo com cuidado, não podemos permitir que ninguém fiel a Dumbledore saiba disso, senão seria desastroso!


  -Sim, Lucius, faça isso, imediatamente!


  -Sim, Ministro - o ex-comensal fez uma mesura, e saiu em silêncio, deixando o ministro com seus pensamentos.


 


  Sim... Dumbledore não saberia como agir naquela situação, ele era o mais indicado pra levar o manto do poder do mundo bruxo nas costas, só ele... Mais ninguém era capaz, precisava dar cabo do garoto Potter, e precisava trancafiar Sirius novamente em Askabam, assim ganharia definitivamente a confiança dos bruxos, que o reconheceriam como o grande bruxo que era... Sim...


  Se recostando confortavelmente em sua cadeira, o ministro da magia, Cornélio Fudge, parecia bastante orgulhoso consigo mesmo, alinhando os objetos na sua mesa, uma caixa de charutos, um estojo de belas penas de pavão, um tinteiro, algumas folhas muito bem empilhadas num canto e documentos pra ele assinar, a maioria ele nem sabia do que se tratava, não tinha gosto por ler...


 


 


                                                         Círculo dois


 


 


 


 


  "Mas fadas tem caudas?"


  "Ninguém sabe, É um mistério eterno, uma aventura eterna. Esse é o significado do nome."


  "Legal... Eu gostei."


 


  O oceano estava perfeitamente calmo, pintado de vermelho pelo sol que estava nascendo, quando de repente, tão rápido como uma flexa, um corpo enorme saiu das águas, subindo alto no céu, dando giros e rodopios em volta de si mesmo, o que fez uma chuva de respingos cair de volta no mar. O dragão abriu as asas num único golpe vigoroso, o que o jogou ainda mais pra cima, desaparecendo entre as nuvéns, pra depois disparar pra baixo com ainda mais velocidade, mergulhando de volta no oceano.


  A primeira vista, ele parecia azul, ou verde, ou alguma cor entre essas duas, ninguém tinha chegado muito próximo pra poder dizer com exatidão, ele ondulava o imenso corpo alongado ao voar, de uma maneira que o faziam parecer uma imensa serpente deslizando pelos céus, entre as nuvéns. Sua beleza era ímpar, a couraça brilhava quando a luz batia nela, por causa do sal que ficava entre as escamas e se espalhava a sua volta enquanto voava, e isso parecia emanar uma luz própria, que junto com toda a água que ele espalhava ao brincar daquela maneira no mar, faziam multiplos arco-irís aparecerem por onde ele passava, era mágico, bonito de se ver. O vento forte do céu e as águas fundas do oceano lhe eram agradáveis, o dragão voava tão alto onde nem mesmo as águias gigantes do norte se aventuravam, onde o sol era mais quente e suave, aquecia rapido suas escamas, e nadava fundo no mar, tão fundo que a pressão esmagaria completamente até mesmo as maiores e mais temidas serpentes marinhas, onde o frio era congelante e onde a luz não alcançava, o que não era problema pra sua visão.


  Esse dragão não era como os que existiam em Londrez, selvagéns e ignorantes, meros animais, feras escamadas que cuspiam fogo. Ele já havia vivido mais do que mil gerações poderiam contar, e lembrava coisas antigas, que o próprio tempo já havia esquecido ou não se dava ao trabalho de lembrar, seu olhar era tão brilhante quanto suas escamas, tão sábio quanto o mais velho dos anciões, e tão orgulhoso como o mais poderoso dos reis cujos impérios nasciam e morriam diante da sua idade milenar, era essa a natureza de um verdadeiro dragão, a natureza do dragão do oceano.


  Ele ainda brincava pelo mar, a muito não era incomodado por ninguém, até as maiores feras fugiam e se encolhiam nas sombras com a sua presença, e qualquer uma que fosse tola o suficiente pra desafia-lo não vivia por muito tempo. Ele arqueou o corpo, apontando a cabeça escamada pra baixo e se preparava pra dar outro mergulho, poucas coisas o agradavam tanto quanto brincar daquela maneira, ele ia e voltava, alto no céu e fundo no mar, e isso lhe dava a sensação de ser o dono daquele mundo todo, o que não era muito distante da verdade, e ele se divertia com isso. Suas asas se encolheram, e ele estava a ponto de descer quando uma coisa o fez ficar alerta.


 


  Ele voou em um círculo fechado, procurando a ameaça, mas não havia nada naqueles céus além dele, nem mesmo um pequeno pássaro, e ele os julgaria tolos se continuassem a voar por ali enquanto ele não saisse. Mas não seria um mero passáro que poderia lhe deixar assustado assim, era um abalo muito profundo na magia a sua volta, uma sensação, uma presença, que a muito não sentia e não esperava tornar a sentir tão cedo, mas era diferente... Sim, não era aquela pessoa, apesar de se parecer incrivelmente com ela, a magia ainda pulsava, mas estava ficando cada vez menor, como as ondas que um lago produzia ao se jogar uma pedra nele, cada pulso estava mais fraco do que o anterior, como se o ser que estava emitindo aquela magia estivesse se distanciando. Antes que ficasse pequena demais, o dragão ondulou o corpo de volta, e voou na direção daquela magia, curioso.


 


 


    Quando acordei, minha cabeça doía (pra variar), e antes mesmo de poder pensar em fazer alguma coisa, levei as mãos apressadas até o peito, conferindo, principalmente, se eu ainda estava inteiro, como não achei nada estranho que ameaçasse a minha saúde de imediato, passei a conferir os bolsos, pra ter certeza que minhas coisas estavam ali. O Grimório estava bem seguro dentro do bolso principal, que ficava no lado esquerdo interno da capa, pouco abaixo do meu peito, era um lugar onde teria facilidade de tira-lo se precisasse, mas de maneira nenhuma sairia de lá sozinho. A adaga ainda pendia na bainha amarrada ao meu cinto, também do lado esquerdo pra que eu pudesse sacar com facilidade, e o saquinho de ouro estava num outro bolso da capa, um pouco mais largo e perfeito pra esconder o volume do ouro, aquela capa era incrível, ela parecia provindenciar quantos bolsos eu quizesse, no formato que eu quizesse e onde fosse melhor. No exato momento que eu os imaginava, eles estavam ali.


  Logo após conferir as minhas coisas, tentei me encontrar ali onde estava, eu tinha certeza absoluta que não era a floresta pra onde eu devia ter ido, era um lugar completamente diferente, até o ar parecia diferente, embora fosse apenas uma sensação. O cheiro de grama e orvalho era forte ali, onde eu estava caído inconciente até agora, não sabia se haviam se passados minutos ou horas desde que fugi do meu próprio cofre no Gringotes.


  Olhei ao redor e me deparei com o oceano, bem na minha cara. Eu nunca tinha visto o oceano, mas conseguia imaginar com muita clareza como ele era, apesar disso, só imaginar não era nada se comparar com ver pessoalmente, era simplesmente a coisa mais incrivelmente, e extraordinariamente linda do mundo, o sol estava nascendo naquele instante, e subia por trás do horizonte, deixando traços alaranjados no ar, e o mar tingido de vermelho, assim como as nuvéns próximas, que iam se afastando até ficarem brancas no céu azul anil, enquanto as águas iam ficando verdes. Pela primeira vez na vida, ao menos depois de me tornar um mago, minha mente trabalhou como uma só, pra registrar da maneira mais exata e perfeita possível aquela cena, e gosto de dizer que ela conseguiu. Até hoje, muitos anos depois daquilo eu ainda posso até mesmo sentir o cheiro da relva e o sal do mar, o vento nos meus cabelos despenteados e o arrepio pela coluna, quando o lobo uivou alegre na minha conciência, deixando uma ponta da sua própria alegria se misturar com a minha, uma alegria feral, ele queria correr por entre aquelas pastagéns, queria subir alto no céu e se encontrar com as estrelas.


  Eu não corri, embora desejasse muito isso. Me virei e olhei ao redor, depois de ficar observando o mar por alguns minutos, decorando cada detalhe, eu estava no topo de uma colina baixa, a uns três metros do chão, e a esquerda havia uma árvore de tronco num amarronzado forte, eu não lembrava que árvores tivessem troncos tão marrons, nem que as folhas fossem tão verdes ou a grama tão cheirosa. Eu já mencionei que adorava o cheiro da grama?! Acho que não... Eu adorava, o cheiro da grama e da brisa marinha que senti pela primeira vez naquele dia, uma vez eu mencionei que um dia iriam me comparar com aquilo, me comparariam com o céu e com o mar, eu ainda não sabia como minha própria natureza perderia os limites e se misturaria com aquela imensidão, mas não demoraria muito a acontecer. 


  Fiquei ainda mais um tempo admirando a beleza daquele lugar, o sol já havia aparecido completamente por cima do oceano, e a luz cálida dele era agradável de encontro a minha pele, pálida como cera devido a tanto tempo preso, tanto na minha cela como no meu próprio cofre, que na verdade não era mais do que uma cela, um pouco maior e cheia de ouro. Sirius teria gostado daquele lugar, com certeza, mas imaginei se teria gostado tanto quanto eu, se guardaria o cheiro do sal e da relva na memória, o azul do céu e o verde do mar, não sabia se veria tanta beleza naquilo como eu via.


  Pensar nele fez uma onda de tristeza me abater, eu queria muito que ele estivesse ali comigo, pra ver o sol nascendo, e continuar o meu treinamento, estava com mais ou menos dez anos e meio, devido aos meses que passei no cofre, e logo iria começar o ano letivo de Hogwarts, eu teria que dar um jeito de voltar pra Londrez e arrumar a confusão toda que havia acontecido, afinal, meu padrinho era inocente e Dumbledore...


  BUM


  O som surdo me tirou dos meus pensamentos, me fazendo ficar alerta a minha volta. Mas não havia nada ali, mergulhei no fluxo da minha energia e me preparei pra lançar uma maldição, mas não havia nada, a única energia que eu sentia ali era a das plantas, das árvores e do ar, a energia da natureza que sempre me cercava, mas nada que representasse um possível inimigo.


  BUM


  O som aumentou, era como um trovão. Involuntariamente, um arrepio passou pela minha coluna, o lobo na minha mente rosnava baixinho.


  BUM


  O som ficou mais alto, pude sentir agora o toque de uma magia, uma magia incrívelmente poderosa que estava bem próxima, o própria ar parecia tremer a cada som de trovoada, uma forma tampou o sol, fazendo sombra na colina onde eu estava agora e me deixando de pelos arrepiados, algo a mais que um sentimento de urgência fez uma onda de adrenalina percorrer meu sangue, clareando meus sentidos. Era quase medo.


  BUM


  O som ecoou de novo, mais alto do que as outras vezes, estava perto, muito perto. Brilhando em tonalidades diferentes de verde e azul, pousando um pouco distante da colina onde eu estava, apareceu um dragão.


 


 


  Pousei um pouco perto de onde tinha sentido a emanação de energia, agora ela estava muito mais fraca do que antes, como se eu tivesse me afastado dela em vez de me aproximado. Mas não havia erro, era ali mesmo. Em todas as direções só havia o gramado molhado pela chuva e orvalho, as árvores e uma montanha ao longe, não era uma ilha muito grande, mas também não era pequena.  


  Desviei a atenção desses detalhes pra encarar a criatura a minha frente, era um humano, sem duvida, e era minusculo, não passava de um filhote mesmo para padrões deles, os cabelos eram tão pretos quanto a noite, e os olhos escandalosamente verdes brilhavam como minhas escamas, a magia que emanava dele era parecida com a daquela pessoa, mas sem duvida não era ele, comparar aquele pirralho com Shukako seria comparar uma gota de água com todo o oceano. O que me surpreendeu foi o ódio que emanava daqueles olhos, e poder, um poder incrível que um humano dificilmente possuiria, ainda mais um filhote, mesmo assim não era grande coisa.


  Pensei em falar qualquer coisa pra quebrar a tensão, estava curioso sobre quem ele era, e sobre como ficara tão forte tão cedo, mas o pivete ficou rígico, como se estivesse pronto pra lutar, achei a atitude engraçada, como um filhotinho tentando andar sozinho. Mas alguma coisa naqueles olhos me impediu de rir, apesar dele não passar de um humano, seus olhos eram como os de um lobo, eu não o conhecia, tinha certeza absoluta, me lembraria nem se o tivesse visto rapidamente a mil anos atrás. Não, aquele humano era totalmente desconhecido pra mim, mas ele me olhava como se me conhecese, como se me odiasse.


  Ele ergueu a mão em minha direção, não dei muita atenção pra isso, mesmo que ele fosse um mago, ainda era jovem demais, não importava a força da magia que lançasse em mim, não seria capaz de nem mesmo arranhar minhas escamas.


  -Sectunsempra! - os olhos dele faíscaram, quanto proferiu aquela palavra.


  Senti dezenas de pontos invísiveis de pressão no meu rosto, tentando perfurar e cortar minha pele, dei um pulo pra trás por puro instinto, rugindo com o susto, mas a pressão não diminuiu, era como se centenas de facas batessem cor força ali, tentando me cortar. A pressão seçou por um instante, e então voltou com mais força, concentrada num único ponto.


  Senti estupefato a lamina invísivel romper minhas escamas, e chegar até a minha carne, abrindo um corte raso no meu rosto, entre os olhos, descendo verticalmente ao lado da minha boca. Um único filete fico de sangue escorria dali.


 


 


  O dragão rugiu enquanto batia as patas dianteiras no chão, fazendo a terra tremer, e seu corpo de dragão ondulou numa pose ameaçadora, puro ódio faíscava dos seus olhos, praticamente me queimando vivo. Tinha colocado toda a minha magia naquele feitiço, nenhuma criatura, nem mesmo dragões sobreviveriam a um ataque tão forte, eu poderia fatiar paredes de aço como se fossem manteiga com tanta magia e tudo o que consegui causar no dragão foi um mísero corte raso atravessado no rosto, entre os olhos. Ele era diferente, era surrealmente poderoso, o dragão que havia assassinado meu padrinho em Gringotes pareceria uma gazela assustada perto dele, mais ou menos como eu estava me sentindo, os olhos dele eram diferentes também, eram inteligentes, não foscos como os olhos dos outros dragões e feras comuns, eles brilharam de uma raiva muito conciente, e um desejo muito conciente e racional de me matar da maneira mais dolorosa possível, e o pior, parecia que ele era inteligente o suficiente pra bolar dezenas dessas maneiras.


  Sai desses pensamentos idiotas quando minha mente nublou, senti meu corpo todo fraquejar e perdi a firmeza das pernas, caindo numa profunda escuridão e sabia que dessa vez, eu não mais acordaria.


 


   


  Urrei de ódio e fúria, não me importava que fosse meramente um humano, ou se fosse um filhote ou o que diabos ele fosse, eu iria fatia-lo, destroça-lo e faze-lo pagar por me ferir, Eu era Laio, o Grande Dragão do Oceano, e aquele pivete iria se lembrar disso quando estivesse no inferno. Avancei em direção a ele, mas alguma coisa me impediu, não era uma magia dele, era simplesmente uma péssima sensação, a face dele estava pálida, mais pálida que antes, os olhos vagos e sem vida, ele tombou no chão e caiu exausto, o ataque, apesar de forte, consumiu todas as suas forças.


  Parei pra observar aquele garoto, ainda estava irritado com ele então não senti muita pena pelo seu estado decrépito. Ele usava roupas estranhas, que eu nunca tinha visto ali, uma calça de tecido azul tão gasto que estava quase branca, uma camisa preta, sapatos estranhos e um belo sobretudo branco. As roupas dele estavam imundas, mas o sobretudo parecia repelir a sujeira, emanando luz própria. Era um item mágico com certeza, e não um qualquer.


  Ele poderia ser magicamente forte, muito forte, mas fisicamente era uma piada. Era magro demais, e pequeno demais, os braços eram tão finos quee parecia que eu poderia quebrar com a menor pressão, parecia ter sido criado a pão e água, e onde diabos aprendera uma magia daquelas?! Quem o havia treinado?!


  Amaldiçoei minha curiosidade, se fosse qualquer outro, eu provavelmente o teria despedaçado sem pestanejar, mas aquela sensação de nostalgia, o toque mágico familiar e a final isso. O pivete conseguiu me ferir. Pouquissimos magos, mesmo entre os mais poderosos seriam capazes de ferir um dragão, e um mero filhote humano o fez, usando uma magia estranha que eu não conhecia.


  Caminhei até ele resmungando comigo mesmo, e o peguei com cuidado com os dentes, pela roupa. Maldição, aquele garoto não sabia o que era banho?! Ele fedia mais que um boi. Com um salto vigoroso e duas batidas de asas, eu já avançava em direção ao horizonte, com o garoto firmemente preso nas patas, ele precisava e um pouco de comida - e um bom banho -, e aquela ilha era deserta.


 


 


  Minha cabeça não doía dessa vez, o que realmente era uma novidade, mas eu estava exausto, queria dormir mais e me virei de lado, balbuciando alguma coisa que deveria ser bem idiota, por que ouvi alguém rir baixinho. Não me preocupei com isso por hora, meu corpo todo doía terrivelmente e eu estava exausto, eu já mencionei que estava exausto, mas eu quiz dizer que estava realmente, realmente exausto. Meu estomâgo roncou de fome, eu não sabia quanto tempo estava sem comer, e agora que tinha pensado nisso reparei que não lembrava muita coisa.


  Apalpei meus bolsos pra ver se minhas coisas, e principalmente o grimório, ainda estavam no lugar, a adaga pendia da bainha, as moédas escondidas e o grimório muito seguro na minha capa. Tentei me sentar e o meu estomâgo roncou de novo, levei a mão até ele, quando uma voz grave e arranhada disse, um pouco distante de mim:


  -Você devia comer alguma coisa... esta muito fraco.


  Dei um pulo quando ouvi isso, mas minha cabeça latejou com o movimento repentino e eu a segurei entre as mãos, a mesma voz que havia falado riu roucamente. Olhei pra ele, e fiquei sem reação devido a surrpresa. Eu estava em uma caverna, a parte B da minha mente ficou despreocupadamente observando e fazendo anotações de detalhes insignificantes, como as estalactites pequenas e a rocha escurecida, enquanto a parte A, que se orgulhava de ser mais "sensata", tentou fazer, de uma forma muito "sensata", que eu tivesse qualquer outra reação mais "sensata" que ficar parado que nem um idiota, olhando pra entrada da caverna, onde, curiosamente, deitado e enroscado no próprio corpo, estava o dragão que eu havia atacado, o corte que eu havia provocado no seu rosto agora não passava uma fina cicatriz, que deixavam suas expressões mais assustadoras do que já eram, não era algo realmente necessário, ele já era assustador o suficiente sem ela.


  As lembranças do Sirius dando a vida pra me salvar, e o dragão do Gringotes atacando os duendes, os esmagando de maneira brutal escureceram minha visão de novo, eu estava pra proferir outro feitiço, já estava levantando a mão, quando a voz do dragão ribombou como um trovão, fazendo meus ouvidos doerem.


  -Quieto! Se tentar me atacar de novo juro que te faço em pedaços!


  A magia que emanava do dragão explodiu de uma vez, mostrando todo o seu colossal e insano poder, que ele parecia estar escondendo até agora. Amaldiçoei a reação do meu corpo, por que ele tremeu de medo ao sentir aquilo, ficou de repente muito difícil me manter de pé, e só não cai de joelhos com a presão daquela magia por que o lobo rugiu irritado na minha cabeça, me dando forças pra ficar firme, ou mais ou menos firme. Eu ainda tremia enquanto encarava aqueles olhos, parecia que havia um pequeno tornado se agitando no fundo das suas íris, eu não queria parecer fraco e desviar o olhar, por isso me mantive firme, mas não era só isso, algo naqueles olhos me prenderam, e não deixavam que eu focalizasse outro lugar, era tanto poder e tanta magia que eu não sabia como um único corpo poderia suportar. Ficamos nos encarando por um bom tempo, até que duas coisas tremendamente óbvias me ocorreram. Na verdade eu já tinha percebido, mas só agora dava atenção a elas.


  Primeiro: O Dragão tinha falado, e dragões não sabem falar.


  Segundo: Eu parecia estar em algum lugar como uma enorme caverna, e estava sendo preso ali pelo dragão, essa parte era bem ruim de qualquer ponto de vista, então evitei pensar muito nisso, me concentrando mais na primeira opção, como se o fato de o dragão falar pudesse significar que ele não fosse me matar, não era uma chance muito boa, mas era a melhor que eu tinha. Fiquei considerando várias possibilidades, como tentar explicar pro dragão que meu gosto era realmente ruim, ou então que eu tinha ouro (dragões gostavam de ouro, não?!). Mas tudo o que conseguir fazer foi encara-lo com a boca aberta, tentando dizer alguma coisa, tudo o que eu consegui foi balbuciar um som rouco e esquisito, que saiu do fundo da minha garganta.


  Minha cara de surpresa deveria ser muito ridícula, por que a expressão do dragão suavizou e ele riu um pouco, tentei me controlar pra fechar a boca, e falar alguma coisa inteligente. Consegui fechar a boca, mas quanto a dizer algo inteligente... Acabei dizendo a coisa mais óbvia possível, que também era a mais idiota que eu poderia dizer:


  -Você fala?! - a pergunta saiu meio retórica, como se eu perguntasse mais pra mim que pro dragão, não era bem assim que eu queria soar.


  -Não... é apenas a sua imaginação... -o Dragão respondeu, sarcástico.


  Ficamos nos olhando por mais um bom tempo, eu estava realmente levando em consideração o que ele havia dito, quer dizer, dragões não falavam, certo?! Eu devia ter batido a cabeça, ou talvez só estivesse sonhando... Talvez aquelas duas hipóteses, que eu estivesse morto ou louco, ou os dois, fosse realmente verdade, mesmo depois de todo esse tempo as minhas únicas possibilidades sensatas era eu estar morto ou louco, era meio deprimente pensar nisso. Quando o dragão percebeu que eu estava quase acreditando no que tinha dito, revirou os olhos, uma expressão bem humana mas que ficou assustadora no seu rosco escamado:


  -Claro que eu falo, o que acha que eu sou?! Um lagarto mudo?! - ele disse indignado.


  O dragão me olhou do alto profundamente, como se me desafiasse a dizer que sim, o que não ousei fazer, apenas tratei de ficar quietinho por que pensei que tinha mais chances de não ser comido dessa maneira. Ainda estava considerando possibilidades de escapar dali, e nenhuma era muito boa, nunca cheguei a pensar que se o dragão não tinha me matado - ainda - e tinha dito que eu deveria comer, por que estava fraco, ele provavelmente não tinha planos pra me matar.


  Passada a pergunta mais óbvia, resolvi segunda mais óbvia, era uma boa linha pra se seguir e acabar com o silêncio chato que se instaurou na caverna, além é claro, de me deixar vivo por mais tempo. Dificilmente o dragão conseguiria me mastigar ao mesmo tempo que estivesse falando.


  -Quem é você?


  -Meu nome é Laio - ele disse, descansando a cabeça, que até o momento estava erguida, encima do próprio corpo de serpente, enrolado num círculo na entrada da caverna, mas ainda me olhando atentamente - Mas a questão, é quem é você, e por que diabos me atacou?


  Fiquei sem palavas por um segundo, e então fiquei meio envergonhado. Uma pessoa normal, ainda mais uma criança, não seria racional a ponto de ver a diferença nas coisas, afinal aquele não era O dragão que tinha matado meu padrinho, era apenas outro dragão - com certeza não éra apenas outro dragão, mas vocês entenderam - Se um humano matasse meu padrinho, eu não ficaria com raiva com qualquer humano que eu visse, éra o mesmo principio. Uma pessoa comum não encararia uma coisa assim tão objetivamente, mas eu não vou repetir que pensava dessa forma por ser um mago, por que começa a parecer que eu estou me gabando por isso a cada dez minutos, então quando algo assim aparecer de novo, a explicação é essa mesma... Perdi o fio da meada, voltando...


  -Desculpe ter te atacado daquela forma, mas um dragão matou o meu padrinho, e quando te vi... Bem...


  O dra... Laio me olhou surpreso, e ia dizer alguma coisa quando meu estomago roncou de novo, me deixando corado de vergonha, foi tão alto que quase parecia que outro dragão tinha aparecido por ali, rugindo. O dragão, em questão o que estava ali mesmo, não o do meu estomago, se levantou, desenrolando o corpo e fez um aceno com a cabeça pra mim segui-lo, saindo da caverna.


  -Você precisa comer alguma coisa, senão vai ficar muito fraco - ele parou de costas pra entrada da caverna, olhando ao redor comigo ao seu lado - Tem animais nessa ilha, posso caçar um pra você, mas não espere novamente esse obséquio...


  Fiquei observando a ilha por um tempo, antes de responder. Não via muita diferença com a outra, exceto que parecia ter mais tipos de árvore, devia ser bem maior por que a caverna onde eu estava era a base de uma grande montanha, coberta de grama e árvores, e estava mais tarde, por que o sol já estava bem alto no céu, devia ter ficado inconciente por umas quatro horas, mais ou menos. Não dava pra ver o oceano, só um mar de verde em todas as direções, e havia um gramado alto bem ali, à porta da cavera.


  -Não é necessário - disse, tirando a adaga e caminhando para o gramado, sob o olhar curioso e até meio desconfiado do Dragão, acho que ele esperava que eu tentasse atava-lo de novo com a faca. Eu não tinha intenção nenhuma disso, e seria idiotice se tentasse, afinal, se uma magia como a que eu usei não conseguira feri-lo, não seria uma simples lamina que o faria.


  -Pretende comer isso?! - o dragão disse desconfiado e até com certo nojo, ao me ver cortar um punhado de grama com a adaga, e arrumar na entrada na caverna, num montinho - Não sabia que humanos comiam grama...


  -E não comemos - eu disse guardando a adaga.


  Bati as mãos uma na outra, concentrando minha magia e em seguida batendo as mãos no chão, fazendo a ligação e envolvendo as moléculas com a minha própria energia. Foi tão mais fácil do que naquela primeira vez no meu cofre, as moléculas pareciam se religar sozinhas, e não demorou muito tempo um pão quentinho, como se tivesse saído do forno estava ali na minha frente. Um dia Sirius conjurou um pra nós comermos, logo naquele dia que fugimos de Askabam, ele era muitíssimo mais hábil que eu, de forma que o pão dele tinha até mesmo grãos de gergelim encima, assim como um pouco de manteiga. Eu esperava conseguir fazer aquilo um dia, havia adorado manteiga, e estava ficando enjoado de pão puro.


  Me sentei de pernas cruzadas, dando uma grande mordida no pão, enquanto Laio observava tudo com um olhar surpreso:


  -É uma magia bem interessante essa...


  -Não é magia, é alquimia - eu respondi, dando outra mordida no pão - Se trata que quebrar um determinado material e combinar em algo diferente.


  -Interessante - Laio fez uma expressão bem peculiar, ele não tinha traços humanos, então era difícil enterpretar suas reações, fora os olhos, que eram bem expressivos - É uma técnica bem útil, mas se ficar comendo só pão vai morrer...


  -Eu não sei fazer mais nada... só aprendi a fazer pão - eu respondi um pouco envergonhado, não tive tempo pra aprender a fazer comidas mais intricadas, Sirius tinha me ensinado como fazer pão, por questão de emergência, apesar de aprender rapidamente, três anos era muito pouco pra mim aprender uma quantidade significativa de coisas, ele priorizou mais me ensinar a formar metal, ou coisas que servissem em combates.


  -Como eu disse, tem animais selvagéns aqui, se usar essa sua técnica, não vai ser muito difícil pega-los. Por hora, poderia me contar a sua história, e eu lhe conto a minha.


  O dragão fez uma expressão que beirava a solenidade, mas no entanto era só a sua expressão de que estava ouvindo. Ele não se parecia em nada com o dragão que ficara preso em Gringotes, e me senti meio idiota por ter confundido os dois, primeiro o corpo dele era alongado, como o de uma serpente, ele tinha asas que agora descansavam coladas no tronco, e as escamas dele iam e vinham entre diferentes tons de verde e azul, como se fosse o mar, o próprio cheiro que emanava dele éra parecido com uma brisa marinha. As expressões dele pareciam bem mais sérias e solenes do que eram, e inspiravam um respeito profundo, os olhos eram inteligentes demais, além de transmitir uma força incrível, era fascinante.


  Pensei se devia contar a ele sobre mim, ele pareceu perceber a minha insegurança e disse, fazendo uma expressão que era bem parecida com um sorriso, mas era por demais assustadora pra se parecer com um, pelo menos a primeira vista:


  -Não precisa confiar em mim, apenas me diga seu nome, já que eu lhe contei o meu, e o que faz aqui.


  -Harry... Potter - eu disse, decidi que isso não atrapalharia em nada se ele soubesse um pouco de mim - Estava tentando ir pra um lugar, mas por algum motivo, vi parar aqui.


  Ele aquisqueceu, dando um sorriso ainda mais estranho, que depois fui perceber que seria irônico, ele sabia que eu estava mentindo.


  -E de onde você veio, Harry Potter ?


  -Londrez - decidi que um lugar não faria mal também.


  -Londrez... - o dragão murmurou, pensando consigo mesmo, vi uma sombra passar pelo seu olhar, em seguida assumindo uma expressão confusa - Impossível, não conheço esse lugar, e eu conheço todo o mundo, já voei por ele todo e não conheço nemhum lugar com esse nome.


  Achei estranho ele não conhecer Londrez, quer dizer, eu não devia estar muito longe da Inglaterra, não tinha tanta magia assim pra aparatar muito distante, como Sirius podia fazer.


  -Fica na Inglaterra... - eu tentei, e o dragão não deu qualquer sinal de reconhecimento - Grã Bretanha...


  Ele continuou calado, me olhando como se eu fosse maluco, o que me deu uma péssima sensação.


  -Onde eu estou?


  -Esta no Oceano Leste, como o próprio nome já diz, a Leste de Fiore - Laio disse, como se fosse a coisa mais simples do mundo - Essa ilha esta desabitada utimamente, mas a alguns séculos atrás havia aqui um tribo de pescadores, eles viajaram de um complexo de ilhas ao norte, que fora atingido por um tornado, e se mudaram pra cá, ficaram algumas gerações aqui, mas depois voltaram pro lugar de origem deles.


  Fiquei pasmo enquanto o dragão falava, quer dizer, pelo menos a primeira parte. Ouvi e guardei a informação dos pescadores na cabeça por um único motivo, era involuntário, minha mente as vezes funcionava sozinha, mas a primeira parte, a de Fiore, me deixou pasmo, eu também não conhecia nenhum lugar com esse nome, e Oceano Leste?! Não era o nome de nenhum dos Oceanos.


  Olhei durante algum tempo para o dragão, não tinha ideia do que estivesse acontecendo.


  -Onde fica o Oceano Leste... - Sabia que era inútil, mas eu tinha que tentar - Fica perto do Atlantico, ou do Pacifico... Na Ásia, ou na América... ?!


  A expressão confusa dele foi aumentando conforme eu dizia cada nome, e por fim ele bateu uma pata no chão, me silenciando imediatamente e dizendo, um pouco irritado:


  -Do que esta falando filhote?! Eu não conheço esses nomes...


  -São nomes comuns daonde eu vim - eu respondi, engolindo em seco, apesar dele estar mais sociável, ainda me metia medo - Os continentes...


  -Aqui não existem continentes com esses nomes - Laio completou - O grande continente é Fiore, e existem as terras escuras, ao extremo leste, onde vive um povo diferente do daqui, eu já viajei por lá, e não encontrei lugar algum com esse nome, tem certeza que você é desse mundo?!


  A pegunta dele parecia sarcástica, mas a expressão estava séria, com uma péssima sensação perguntei:


  -Como assim, "desse mundo" ?


  O dragão suspirou, depois deitou a cabeça nas próprias patas:


  -Não reparou que estamos falando o mesmo idioma?  


  Eu tinha reparado, mas como não tinha ideia de que estavamos em mundos diferentes ignorei esse fato, agora ele voltou a minha mente, me parecendo subitamente importante. Tentei me lembrar de algo no Grimório, e uma coisa me saltou a mente, eu tinha me esquecido dela por um segundo, por que estava mencionado bem no começo do livro. Fiquei tentado a pegar e reler, mas não confiava em ninguém pra deixa-lo ver, era a coisa mais importante que eu possuia, e depois, eu também me lembrava exatamente das palavas:


 


  "...E os druidas, e sacerdotizas fugiram de nossa Terra, alguns ficaram nesse mundo, outros se aventuraram em outros, achando que lá estariam mais protegidos da desgraça que tinham causado..."


 


  Outros mundos... Isso não seria impossível?!


  Não, é claro que não era...


  No ritual, eu tinha me concentrado na mesma floresta que aparetei com Sirius, após fugir de Askabam, ficava no norte da Irlanda, e era uma área bem selvagem, onde as pessoas não se aventuravam a entrar, mas por algum motivo, provavelmente tinha a ver com aquela magia estranha, eu tinha ido parar num outro lugar, num outro mundo... Era incrível demais pra mim acreditar, mas não era tão incrível quanto todo o resto, e eu também não tinha explicação melhor em mente.


  -Como assim, outros mundos? - eu perguntei para o dragão.


  -Existe uma outra dimensão, paralela a essa, que se chama Edolas, várias pessoas daqui existem lá também, mas geralmente são muito diferente das daqui, é um outro mundo, além do nosso, mas possível de ser alcançado por magia.


  -Entendo... - eu balbuciei, apesar de não entender muita coisa. Talvez o Grimório tivesse alguma informação útil sobre isso.


  -Você disse que um dragão havia matado o seu padrinho - Laio tornou a perguntar - Que dragão era? Como ele era?


  -Não era como você - eu disse, um pouco de tristeza escapando da minha voz - Ele era vermelho, cor de sangue, e se parecia mais com um lagarto. Os duendes o cegaram pra que guardasse o banco de Gringotes, e ele ficava preso debaixo da terra, por grilhões de aço.


  Os olhos de Laio brilharam de raiva por um segundo, e ele soltou um leve rugido, acho eu, por ouvir sobre um semelhante ser preso dessa forma, e cego, abaixo da Terra sem poder voar.


  -Como duendes cegariam um dragão?! - ele perguntou, ainda com um pouco de raiva no olhar - E o que seria o "banco de Gringotes"?!


  Comecei a responder suas perguntas, contando sobre o banco, em seguida sobre o meu mundo e quando percebi estava contando sobre mim mesmo. Não sei exatamente por que, mas era fácil contar as coisas pra ele, era fácil confiar nele, e Laio ouvia tudo com muita atenção, absorvendo cada palavra e me incitando a continuar, fazendo perguntas. Fiquei algumas horas falando, chorei em apenas algumas partes, embora a história fosse de todo triste, e até mesmo a expressão dura dele estava um pouco triste, seus olhos brilhando mais emenos do que antes. Contei toda a minha vida pra ele, poderia dizer que não tinha pecebido, mas estava conciente do que estava fazendo, eu só... confiava nele, era estranho mas era a verdade, pensei na hora que fosse tolice, mesmo eu tendo menos de onze anos, mas eu nunca me arrependi de ter confiado em Laio. Nunca.


 


  O garoto estava se banhando nas águas de um lago, havia me contado sua curta vida, e eu havia lhe dito algumas coisas sobre mim, coisas que normalmente não contaria pra ninguém, ficamos um bom tempo conversando, e quando me dei conta o sol já estava descendo, e logo anoiteceria. Havia saído pra caçar e a pouco voltara, se fosse qualquer outro, ainda mais um mero filhote, teria me preocupado em deixa-lo sozinho num ilha selvagem, mas se ele havia conseguido me fazer sangrar os outros animais, mesmo os maiores, sequer se aproximariam dele.


  As cicatrizes que ele tinha eram assustadoras, ainda mais se levasse em conta a sua pouca idade, apenas uma década e já tinha colecionado sofimento pra muitos e muitos séculos, eu nunca, em todos os milênios que eu existia, tinha encontrado alguém como ele, nenhum humano pelo menos. Havia marcas de chicote por todas a área das suas costas, desde os ombros até quase a cintura estava toda rabiscada de cicatrizes finas e profundas, assim como a barriga e parte do peito, centenas delas. Havia algumas mais fundas, no lado do corpo e no ombro esquerdo, no seu pulso direito havia três riscos negros, e no peito uma grande tatuagem, meio falhada por que algumas cicatrizes passavam por cima dela, quase alcançando o pescoço. O nome "AZKABAM" escrito em letras floreadas, com os algarismos "CMLXXV", que em algarismos romanos, seria o número 975, seu número de prisioneiro, também tinham alguns floreios contornando a tatuagem, que pareciam tatuagéns tribais. Ele não me disse nada disso, mas eu não era tão leigo quanto parecia ser. Sabia de onde ele vinha, sabia os nomes que ele me disse e sabia o que era alquimia, mas não queria que ele soubesse, levantaria questões que, por hora, eu não iria querer responder.


  O garoto também me disse sobre Avalon, eu não esperava que ele confiasse em mim, tinha uma ideia de quem o trouxe até aqui, e também por que tinha feito aquilo, mas não poderia contar pra ele, poderia atrapalhar o seu crescimento, talvez fazer as coisas acontecerem antes da hora, antes dele estar pronto pra lidar com elas, e isso não seria bom pra ele. Não... Por hora, eu o ensinaria minha magia, o ensinaria a ser como o mar e a ser como o céu, fortaleceria seu corpo e daria algumas das armas que ele precisaria pra trilhar o caminho que havia escolhido, não todas, mas algumas... As outras ele precisaria enconatrar por si mesmo.


  Fiquei observando ele se secar com magia, se vestir e começar a meditar, na beira do lago. Imóvel, a capa farfalhando ao vento, aquele símbolo que eu conhecia tão bem estampado nas costas do tecido, sorri um pouco ironicamente com isso, imaginando o que meu irmão faria se soubesse sobre ele, e sobre o que o aguardava. Não... Ele não poderia saber, não agora, ele mataria a própria sombra se ela o ameaçasse, e aquele garoto não seria excessão...


  Falando em sombra, a de Harry estava bem grande, se estendendo longamente quase até a base da montanha, já que o sol estava se pondo bem a sua frente. Era irônico, por que aquele garoto também seria muito grande, muito maior do que ele mesmo pensava. Comprimi os músculos das patas e saltei para o alto, subindo até as nuvéns e descendo como um raio até o lago, a água se espalhou e o deixou completamente enxarcado quando eu mergulhei, mas ele não moveu um músculo sequer, nem mesmo uma pálpebra.


 


  "Acho que vai ser mais fácil do que eu imaginava..."


 

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Comentários: 1

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Enviado por rosana franco em 05/05/2011

Então Dumbledore não sabia de nada sobre o Harry sempre achei um erro ele nunca ter ido verificar como o garoto estava,o ministro continua sendo um marionete pomposo e inutil.Parece que o treinamento do Harry com o Laio vai ser muito produtiva.O Sirius morreu mesmo? Quero ver oq vão fazer qd chegar a Hora do Harry ir para escola e não for encontrado.

Nota: 5

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