Capítulo 4
- Oh, Harry, sinto muito – murmurou Gina - Deve sentir falta dele. Remus era seu irmão mais novo ou mais velho?
- Mais novo.
- Morreu há muito tempo?
- Alguns meses - respondeu Harry.
- Deve ter sido duro para sua família - sussurrou a moça - Seus pais ainda vivem?
- Sim, mas quem pior encarou a morte de meu irmão foi meu pai. Abandonou tudo.
- Não entendo - respondeu Gina.
- Meu pai estava acostumado a ter uma intensa atividade política. Consideravam-se o protetor dos pobres, Gina, e podia obter qualquer medida importante para aliviar a carga desses desventurados.
- Quais, por exemplo?
Gina tinha segurado a mão de Harry, e a pressionava contra sua própria cintura, e o homem acreditou que o fazia sem dar-se conta. Imaginou que fosse um gesto instintivo para consolá-lo, e compreendeu que isso não o desagradava.
- Estava me contando como seu pai ajudava os pobres - recordou-o.
- Sim - respondeu Harry - Por exemplo, foi o responsável pelo não aumento dos impostos.
- E ele parou de se ocupar desses assuntos tão importantes?
- Deixou tudo: política, família, amigos, clubes. Agora, nem sequer lê os jornais. A única que faz é encerrar-se no estudo para refletir sobre a perda. Quando Pagam tiver sido castigado, acredito que meu pai poderá... diabos, não sei! É um homem derrotado.
-Você é como seu pai? Também protege os pobres? Acredito que deve ser protetor por natureza.
- Por que o diz?
Certamente, Gina não podia lhe dizer que tinha lido seu arquivo.
- Pelo modo em que me tomou sob sua proteção – respondeu - e penso que você é capaz de oferecer ajuda a qualquer pessoa indefesa. Claro que, quando nos conhecemos, eu não era pobre.
- Vai começar de novo com a história das moedas de prata?
Mas, Gina soube que não estava irritado com ela, pois sorria.
- Não, não começarei outra vez, seja o que for o que isso significa. Só estava lembrando. Então você é como seu pai, não é?
- É possível que compartilhemos essa característica.
- Entretanto, seu pai se retirou do mundo, e você, em contrapartida, imediatamente procurou vingança.
- Tiveram reações completamente opostas, não?
- Sim.
- Entendo por que seu pai se deu por vencido.
- Sério?
- Harry, os pais não deviam perder os filhos.
- Não - admitiu Harry - Teriam que morrer antes.
- Depois de uma vida longa e feliz, é obvio - adicionou a jovem.
Parecia tão sincera, que Harry não quis discutir.
- É obvio.
- Está absolutamente seguro de que foi Pagam que matou Remus?
- Sim, sei de boa fonte.
- Como?
- Como o que?
- Como Pagam o matou?
- Gina, pelo amor de Deus - murmurou o homem - Não quero falar sobre isso. Já disse mais do que pensava em contar.
- Lamento havê-lo deixado triste - disse a moça, afastando-se dele e olhando-o a nos olhos.
Ao ver a expressão aflita de Gina, Harry se sentiu culpado por haver falado com tanta rudeza.
- O mataram no mar.
- Mas houve alguém com bastante consideração que o trouxe a terra...
- Não.
- Não? Então como sabe que está morto? Poderiam tê-lo abandonado em uma ilha deserta ou...
- Enviaram uma prova.
- Que prova? Quem a enviou?
Harry não compreendia o interesse de Gina pelo tema e decidiu dar por terminada a conversação.
- O Departamento de Guerra enviou a prova. E agora deixará de me interrogar?
- Sim, claro - murmurou a moça - Rogo-lhe que me perdoe por me meter em um assunto tão pessoal.
Bocejou e depois se desculpou por uma ação tão pouco digna de uma dama.
- Harry, não podemos ficar aqui durante muito tempo. Temo que ponhamos em perigo seus amigos.
- Estou de acordo - respondeu o homem - Ficaremos só uma noite.
Com o olhar fixo no fogo, traçou seus planos. Gina se aconchegou contra ele e cochilou. Harry disse a si mesmo que agradecia o tão bendito silêncio, mas resistiu ao desejo de ir se deitar, porque gostava tanto de abraçar essa mulher que se sentia incapaz de se mover. Beijou-lhe a face porque queria, e logo voltou a beijá-la.
Só quando o fogo se converteu em uma pequena brasa e o ar frio penetrou no aposento, Harry, por fim, levantou-se.
A mulher despertou, sobressaltada, e ficou de pé em um salto, tão desorientada que começou a caminhar na direção errada.
Se Harry não a tivesse detido, teria ido diretamente para o fogo.
Tentou erguê-la nos braços, mas Gina afastou suas mãos. Suspirando, Harry rodeou seus ombros com um braço e a guiou escada acima.
Tentou não pensar em quanto estava adorável, com os cabelos quase secos, ostentando novamente aqueles cachos encantadores. Também evitou pensar que apenas uma fina camisola e um penhoar a cobriam.
Abriu a porta do dormitório para que Gina entrasse, e se voltou para o próprio.
- Harry - chamou Gina, com voz sonolenta - Não vai me abandonar, não é?
Voltou-se para enfrentá-la. A pergunta era ofensiva, mas a expressão temerosa de seus olhos suavizou o primeiro impulso.
- Não, não a deixarei.
Gina fez um gesto de assentimento e estava a ponto de dizer algo mais, mas, de repente, fechou a porta do quarto na cara de Harry.
Lilian tinha preparado o dormitório contíguo para Harry. As mantas da enorme cama estavam afastadas e, na lareira, ardia o fogo.
Embora a cama fosse tentadora, Harry não conseguia conciliar o sono.
Revirou-se e deu voltas na cama por quase uma hora, amaldiçoando-se por sua falta de disciplina. Por mais que se esforçasse, não podia se separar sua mente da feiticeira de cabelo vermelho e olhos cor de mel.
Não compreendia por que reagia assim diante dela. Desejava-a com tal intensidade que o fazia arder! Isso não tem sentido – pensou - “Eu nunca gostei dessas mocinhas tolas que resmungam e choram ao deparar-se com uma cara feia.”
Mas naquele momento, estava esgotado demais para pensar com lucidez.
Tampouco estava acostumado a reprimir-se. Harry tinha sido um homem que tomava o que queria, quando assim desejasse. Mas, nos últimos anos se abrandou, pois já não tinha que incomodar em perseguir.
As mulheres sempre estavam atrás dele e entregavam-se por própria vontade. Harry tomava o que cada uma delas lhe oferecia, sem um pingo de remorsos.
Sempre era honesto, e nunca, jamais, passava uma noite inteira com nenhuma delas, pois sabia que a manhã traria consigo falsas esperanças e exigências tolas.
Sim, desejava Gina. Senhor, isso não tinha sentido! Nesse instante, ouviu o espirro de Gina, e Harry saltou imediatamente da cama. Vestiu as calças, mas, não as abotoou.
Já tinha um pretexto para entrar no quarto dela. - Possivelmente precise de uma manta extra – disse a si mesmo - A noite está fresca. Também existe a possibilidade do fogo ter incendiado o tapete, pois a luminosidade por baixo da porta indicava que dormia com a vela acesa.
Não estava preparado para o espetáculo que viu. Gina dormia de barriga para baixo. A gloriosa juba estava espalhada como um manto sobre suas costas. Tinha o rosto voltado para ele, os olhos fechados, e pela respiração, profunda e regular, soube que estava profundamente adormecida.
A feiticeira estava completamente nua: tinha despido a camisola e a tinha deixado sobre a cadeira, junto à cama. Também tinha afastado com os pés as mantas.
Se ela gostava de dormir nua, como ele, é óbvio que aquela pequena dama possuía um instinto sensual.
Parecia uma deusa dourada. Possuía longas e bem formadas pernas. De repente, Harry imaginou essas pernas sedosas roLinodo-o, e quase soltou um gemido
Quando se aproximou da lateral da cama, tinha uma ereção completa e dolorosa.
Nesse momento, viu a longa e fina cicatriz que cruzava as costas da moça. Imediatamente, Harry reconheceu a marca, pois ele tinha uma parecida na parte traseira da coxa.
Só havia um instrumento capaz de infligir uma ferida de bordas tão irregulares: era um chicote.
Alguém a açoitara. Harry se sentiu atônito e furioso ao mesmo tempo. A julgar pela coloração parda, essa cicatriz tinha não menos que cinco anos, isso fazia que a atrocidade fosse até mais repugnante. Quando recebeu aquele tratamento repulsivo ela ainda devia ser uma criança!
De súbito, quis acordá-la e lhe exigir o nome do canalha que lhe tinha feito semelhante coisa.
Gina começou a gemer nos sonhos. Pelo modo inquieto que se movia, Harry supôs que se debatia em meio a um pesadelo. Voltou a espirrar, e soluçou outra vez.
Com um suspiro de profunda frustração, Harry apanhou a camisola e se voltou para esse anjo que, como um tolo, tinha prometido proteger.
Tentou considerar o lado cômico da situação: pela primeira vez na vida, poria a camisola em uma mulher.
Harry acabava de inclinar-se sobre ela quando viu o relâmpago de aço com a extremidade do olho e reagiu por instinto.
Bloqueou o ataque com um vigoroso movimento do braço esquerdo. Gina já estava detendo-se quando o braço do Harry se chocou contra seu pulso.
A arma atravessou voando o quarto e aterrissou com um baque sobre a base da chaminé.
A moça se transformou em um diabo. Apoiada sobre os joelhos enfrentava-o, com a respiração agitada e evidentemente furiosa, pela expressão sombria do rosto.
- Nunca mais se aproxime sorrateiramente de mim! - gritou - Por Deus, homem, poderia tê-lo matado!
Harry estava tão furioso quanto ela.
- Não atreva a empunhar essa faca contra mim! – rugiu - Se o fizer, mulher, por Deus que a matarei!
Pelo que podia notar, Gina não se sentiu absolutamente intimidada pela ameaça e Harry compreendeu que não devia entender o perigo, pois, do contrário teria se mostrado um pouco assustada. Tampouco parecia dar-se conta que estava nua.
Mas Harry percebeu. Os longos cachos escuros só ocultavam pela metade os seios redondos e cheios, de mamilos rosados e enrijecidos. O aborrecimento a fazia ofegar, e fazia elevar e baixar as costelas em um ritmo que, para o Harry, era hipnótico.
Sentiu-se um abutre por notá-lo, até que Gina começou a provocá-lo outra vez.
- Você não me matará - afirmou a moça - Já falamos sobre isso, lembra-se?
Harry a olhou com expressão atônita.
- Não sente medo de mim, verdade?
Gina sacudiu a cabeça e os cachos se agitaram com graça sobre seus ombros.
-Por que teria que temê-lo? – perguntou - Você é meu protetor, senhor.
A irritação que transpareceu na voz de Gina foi muito para o homem. Harry agarrou suas mãos e a empurrou com rudeza contra o colchão, seguindo o movimento com seu próprio corpo, e colocando um joelho entre as coxas de Gina, para que não pudesse golpeá-lo e causar verdadeiro dano. Não correria o risco de transformar-se em um eunuco.
- Acredito que é hora de que compreenda algumas regras básicas - disse Harry, entre dentes.
Quando o peito nu do homem roçou seus seios, Gina abafou uma exclamação, e Harry soube que, por fim, tinha compreendido que estava nua.
- Exato - disse, com um gemido surdo.
É tão endemoniadamente suave...! - pensou - Eu gostaria de afundar ao rosto em seu pescoço e lhe fazer o amor de um modo lento e doce. Será minha – prometeu-se -, mas quando estiver quente, e me rogar por isso, e não como agora, que murmura obscenidades em meu ouvido.
- Em nome de Deus! Onde aprendeu semelhantes blasfêmias! - perguntou, quando com os termos mais assombrosos, ameaçou-o liquidá-lo.
- Com você! - mentiu a jovem - Saia de em cima de mim... filho do demônio!
Embora parecesse cheia de coragem, em sua voz vibrava um nuance de temor, e Harry reagiu de imediato a ele.
Com grande força de vontade, afastou-se lentamente. Tinha a mandíbula apertada e uma fina camada de suor lhe cobria a face.
Quando se moveu, os mamilos roçaram em seu peito, e Harry lançou um gemido surdo. Embora o resto de sua pessoa não estivesse: os seios de Gina estavam preparados para ele. Para que tomasse na boca, beijasse-os, sugasse-os para que...
- Harry.
Apoiou-se sobre os cotovelos para ver sua expressão, e imediatamente se arrependeu, pois o nariz franzido de Gina começava a enfurecê-lo novamente.
Gina se sentia invadida por emoções conflitantes, pois sabia que devia se sentir indignada mas a verdade era o contrário. O pêlo escuro de peito de Harry, tão encaracolado e quente, fazia cócegas em seu seio fazendo-os reagir em resposta.
Harry era quente. E duro, adicionou para si mesma. O contorno dos músculos do antebraço a fez conter o fôlego, mas soube que não podia permitir que Harry percebesse quanto a afetava. Fúria - recordou-se - Tenho que parecer furiosa e também assustada.
- É assim que pensa em me proteger? - perguntou, deixando transparecer a proporção justa de temor na voz.
- Não, não é assim que penso em protegê-la - respondeu Harry com voz rouca.
- Harry.
- O quê?
- Tenho a impressão de que quer me beijar. Estou certa?
- Sim, está.
Gina começou a mover a cabeça, mas o homem a deteve segurando seu rosto entre as mãos e obrigando-a a ficar quieta.
- Mas você não gosta de mim - disse Gina, em um sussurro fraco - Lembra que disse...? Por acaso mudou de opinião?
Harry não pôde evitar um sorriso ao ver o semblante perturbado de Gina.
- Não - respondeu, só para exasperá-la.
- Então por que quer me beijar?
- Não posso explicar. Talvez porque está nua, e sinto a suavidade de sua pele debaixo de mim. Possivelmente...
- Tudo bem, mas só uma vez.
Não entendeu o que ela quis dizer, mas o rubor que cobria a face feminina foi o sinal de sua vergonha.
- Só uma vez o que, Gina?
- Pode me beijar, Harry – esclareceu - Mas só uma vez. Depois terá que sair do meu quarto.
- Gina, você quer que eu a beije?
A voz de Harry foi tão terna que Gina sentiu como se a tivesse acariciando. Contemplou-lhe a boca, perguntando-se como seria seu beijo. Acaso a boca seria tão dura como o resto de sua pessoa?
A curiosidade ganhou da precaução.
- Sim – sussurrou - Quero que me beije, Harry.
Foi um beijo de absoluta posse. A boca do Harry era dura e exigente. A língua dele penetrou na em sua boca e se esfregou contra a língua dela. E, embora Gina não tivesse idéia de que homens e mulheres pudessem se beijar assim gostou muito da carícia da língua de Harry: era muito excitante.
Quando a língua de Gina imitou com acanhamento a audaz ação do homem, este suavizou o beijo. O modo com que Harry empregava a língua nesse ritual erótico de possessão era vergonhoso mas Gina não se importou.
Sentia a dura ereção no vértice de suas próprias coxas. Cada vez que a língua deslizava por sua boca, Harry a apertava contra ela. No ventre da moça começou a arder uma onda de calor.
Não podia deixar de tocá-lo. A boca de Harry a enlouquecia. Aquela língua deslizava para dentro e para fora, seguidas vezes, até que Gina estremeceu em meio à avidez.
Harry tinha enrolado o cabelo da mulher em volta do punho, mas isso era desnecessário, pois Gina estava presa ao homem.
Era o momento de deter-se. Harry soube que estava para perder todo seu controle.
Gina tentou atraí-lo outra vez cravando as unhas em seus ombros, mas Harry resistiu ao convite sem palavras.
Olhou-a nos olhos um longo tempo e gostou tanto do que viu que não tentou ocultar um sorriso de satisfação masculina.
- Tem sabor de açúcar e mel.
- Sim?
O homem roçou uma vez mais a boca de Gina com a sua.
- E também de conhaque.
Inquieta, Gina se moveu contra ele.
- Não eleve os quadris assim - ordenou-a, com as mandíbulas apertadas para resistir a inocente provocação.
- Harry
- O quê?
- Só uma vez mais – murmurou - Está de acordo?
Harry compreendeu: ela estava dando-lhe permissão para beijá-la pela segunda vez, e não pôde resistir. Voltou a beijá-la, um beijo úmido, penetrando-a com a língua, e quando a olhou outra vez, ficou mais do que satisfeito.
Gina parecia encantada, e o homem soube que era a causa da reação. A paixão que havia dentro da mulher se igualava com a do próprio Harry.
- Harry.
- Chega, Gina - grunhiu.
- Não gostou? - perguntou, com evidente aflição no olhar.
- Eu gostei muito.
- Então por que não?
As mãos de Gina acariciavam os ombros de Harry, e era um tortura manter o controle.
- Gina, se a beijar novamente, não posso prometer que consiga me deter. Está disposta a correr o risco?
Antes de ouvir a resposta, separou-se dela.
- Não foi justo perguntar uma coisa assim, levando em sua conta seu estado.
A paixão começou a dar passo à lucidez na mente de Gina.
- A que se refere?
Harry deixou escapar um profundo suspiro.
- Gina, acredito que, no momento certo, faremos amor – murmurou - Mas, antes que a paixão nuble sua mente, você tomará a decisão.
Quando Gina começou a lutar, o semblante do Harry se obscureceu, pois o movimento o fez perceber novamente os seios suaves que pediam carícias. Apertou os dentes e disse quase grunhindo:
- Se não parar de se mexer assim contra mim, juro que acontecerá agora mesmo. Não sou feito de aço, querida.
Gina ficou imóvel.
Embora não quisesse deixá-la, Harry a ajudou a vestir a camisola. E, embora Gina prometesse não brandir a adaga contra ele novamente, não lhe entregou a arma.
- Estava dormindo – explicou - Você deslizou na minha direção como um ladrão. Tinha que me proteger.
Harry segurou-a pela mão e a arrastou para seu próprio dormitório.
- Teve um pesadelo, não foi?
- Possivelmente. Agora não me lembro, por que está me carregando?
- Dormirá comigo, e assim não terá que se preocupar com possíveis intrusos.
- Saímos do navio e caímos no oceano, não acha? - perguntou Gina - Na realidade, penso que estou mais segura sozinha, obrigado.
-Por acaso não vai conseguir manter as mãos longe de mim? - perguntou o homem.
- Com certeza - admitiu a jovem, com um exagerado suspiro - Mas terei que me conter, pois, do contrário, enviarão os guardas. Neste país, ainda é crime cometer assassinatos, não?
Harry riu.
- Quando eu a tocar, não pensará mais em me matar - predisse.
Gina lhe lançou uma exclamação frustrada.
- Com certeza você não o fará. O protetor não pode comprometer o protegido.
-E você? Se comprometeria com seu protetor?
Voltou-se, enquanto esperava a resposta.
- Não sei – confessou - Harry, você é muito atraente, mas, como nunca me deitei com um homem, não sei se gosto de você o bastante.
Mesmo assim, essa atração está se transformando em uma distração. Então acho que nada acontecerá entre nós. Amanhã mesmo irei atrás de outro protetor menos atraente que...
Tentou se afastar, mas Harry a segurou antes que voltasse para sua própria cama. Em um só movimento, carregou-a sobre o ombro e a levou através da porta que comunicava ambos quartos.
- Como se atreve a me tratar assim? Não sou um saco de farinha. Solte-me canalha libertino!
-Canalha libertino? Para uma dama, tem um vocabulário bastante pitoresco!
Deixou-a cair no centro da cama. Como esperava que Gina saltasse imediatamente e tentasse escapar, foi uma grata surpresa ver que começava a se acomodar as mantas ao redor de si.
Depois de acomodar-se no extremo da cama, amaciou o travesseiro de plumas e jogou o cabelo sobre o ombro.
O atraente resplendor desses cachos vermelhos contra o branco níveo da camisola era de uma incrível beleza. A mulher que acabava de chamá-lo canalha agora parecia um anjo. O suspiro do Harry apagou as velas.
- Sou uma dama - murmurou Gina, enquanto Harry se acomodava junto a ela - Mas você me exasperou, Harry, e por isso meu...
- Pitoresco vocabulário? - perguntou ele, ao ver que Gina não terminava a idéia.
- Sim - respondeu, para adicionar em tom assustado - Tenho que me desculpar?
Harry conteve a risada.
- Temo que não seria sincera.
Virou-se de lado e tentou abraçá-la, mas Gina o rechaçou. Então, deitou-se de costas e perdeu o olhar na escuridão sobre ele, enquanto pensava no corpo morno que estava junto de si.
Sem dúvida, era a mulher mais incomum que tinha conhecido: em um momento o fazia rir, e no seguinte, o fazia gritar. Não podia compreender suas reações em relação a ela, pois não entendia a si mesmo.
Mas uma coisa era segura para ele: sabia que ela o desejava, pois o beijo o demonstrara.
- Gina.
A voz rouca a fez estremecer.
- O que?
- É muito estranho, não acha?
- O que?
Harry percebeu o divertimento no tom de Gina.
- Que você e eu compartilhemos a cama, sem nos tocar. Sente-se segura comigo, não?
- Sim. – pausa- Harry.
-O que?
- Fazer amor, dói?
- Não - respondeu o homem - Dói quando quer e não pode.
- Oh. Então, não devo desejá-lo muito, Harry, porque não sinto dor nenhuma.
Essa afirmação feita em tom alegre, exasperou o homem.
- Gina.
- O que?
- Durma.
Sentiu que Harry se voltava para ela, e ficou tensa, antecipando outro beijo. Mas aguardou um momento até que soube que já não haveria mais beijos: sofreu uma terrível desilusão.
Harry se apoiou em um cotovelo e a contemplou. Gina compôs uma expressão serena, na dúvida que ele pudesse possuir olhos de gatos e ver em meio à escuridão.
- Gina, de onde saiu essa marca nas suas costas? De uma chicotada?
Gina virou-se de costas e resistiu ao desejo de se estreitar contra a calidez do corpo de Harry.
- Responda-me.
- Como sabe que foi uma chicotada?
- Porque eu também tenho uma marca idêntica na parte de atrás de minha coxa.
- Sério? Como fez isso?
- Acaso responderá a todas minhas perguntas com as suas?
- Sócrates se deu bem com este método.
- Diga-me como lhe fizeram isso - insistiu Harry.
- É um assunto pessoal - afirmou Gina - Harry, já está quase amanhecendo, e tive um dia bastante exaustivo.
- Certo - concedeu o homem - Amanhã de manhã me contará essa questão pessoal.
Antes que pudesse afastá-lo, rodeou-lhe a cintura com um braço e a apertou contra ele, apoiando o queixo sobre sua cabeça. A união das coxas duras de Harry se acomodava contra seu traseiro.
- Está bem abrigada? - perguntou.
- Sim, e você?
- Oh, sim.
- Vai se comportar, não é? - incitou-o.
- Pode ser – respondeu - Gina - disse, agora em tom mais sério.
- O que?
- Jamais farei algo que você não queira.
- Mas, e se acreditar que eu quero e na verdade eu não...?
- Não a tocarei, a menos que você aprove de todo coração, prometo.
Para Gina, foi a promessa mais linda que já lhe tinham feito. Parecia sincero, e a moça sabia que falava sério.
- Harry, sabe o que acabo de descobrir? Você é um cavalheiro honrado.
Abraçado à moça, Harry já estava cochilando, e Gina decidiu imitá-lo. Girou nos braços do homem, rodeou-lhe a cintura com os braços e dormiu rapidamente.
Menos de uma hora depois, Harry despertou ouvindo os gritos de Gina em sonhos. A jovem murmurava algo que o homem não pôde decifrar, logo deu um grito de terror.
Sacudiu-a para despertá-la. Ao lhe afastar o cabelo do rosto, sentiu que tinha as faces úmidas. Tinha estado chorando.
- Querida, teve um pesadelo. Já passou – a acalmou - Comigo está a salvo.
Esfregou seus ombros e as costas, até que a tensão se dissipou.
- O que era que estava sonhando? – perguntou-lhe, quando a respiração de Gina se normalizou.
- Com tubarões.
A frase foi um sussurro repleto de angústia.
- Tubarões? - repetiu Harry, sem saber se tinha ouvido bem.
Gina acomodou a cabeça sob o queixo do homem.
- Estou muito cansada – murmurou - Já não me lembro do pesadelo. Abrace-me, Harry. Quero voltar a dormir.
Sua voz ainda tremia. Harry soube que estava mentindo: lembrava-se perfeitamente do pesadelo, mas ele não insistiria para que o contasse.
Beijou-lhe o alto da cabeça e obedeceu ao pedido de abraçá-la.
Assim que dormiu, Gina percebeu. Lentamente se separou dele e se afastou para o outro extremo da cama.
Dentro do peito, o coração retumbava. Harry acreditou que tinha sido um pesadelo. Acaso reviver um fato real era o mesmo? Poderia alguma vez esquecer aquele horror?
Que Deus me ajude – pensou - Poderei outra vez entrar na água voluntariamente?
Quis chorar, e precisou de toda sua força de vontade para não ceder ao desejo de abraçar Harry. Era um homem fácil de confiar.
Podia habituar-se a depender dele, ela o sabia. Sim, era o tipo de homem que faria uma mulher dependente, mas que também poderia destroçar o coração de Gina.
Sua própria reação ante ele a confundia, mas, no fundo do coração, confiava completamente nele. Por que o irmão de Gina não confiava em Harry?
Na.: Sorryyyyyyyyyyyyyyyy, eu viajei na maionese e esqueci d epostar um cap hehehehhe, ve s epode??? Com a nina me lembrando tanto hehe, ate senti falta de e-mail hoje quando abri e nao encontrei nenhum :(
Meninas, coninuem comentando, mas queria mais comentarios, pena que nao fez sucesso como a noiva hehe, mas ta beleza...
beijao ateh...terça///
Tonks B. |