- Você sabe o que eu quero, Lily - ele disse, algo um pouco desesperado entrando em sua voz. Foi difícil de detectar no início - como o som de brasas no fogo, pois elas diminuem a nada, mas impossível de evitar ouvir uma vez que tinha sido encontrado. - Eu quero que você saia comigo. Pelo menos só uma vez. Ah, vamos lá, Lily! Não posso ser tão ruim assim, posso?
Ela mordeu o lábio inferior, contemplando seu próximo passo. Ele é tão ruim assim? Não. Lily, ele é um idiota. Ele é um arrogante, como você disse a ele em várias ocasiões. Absolutamente não.
- Eu não vou sair com você. Absolutamente não. - ela repetiu, mas com menos convicção do que ela tinha reunido dentro de sua cabeça.
Claro, ele iria minimizar isso tudo, essa questão toda, como de costume. Volte até seus amigos e ria sobre a coisa toda, talvez planejar algumas brincadeiras ou jogar Quadribol. Então, no dia seguinte, ela iria encontrar-se na mesma situação. Encolhendo os ombros e dizendo-lhe que era uma causa perdida. Ela era uma causa perdida.
Mas ele não deu de ombros e ele não lhe deu um pequeno sorriso esperançoso, prometendo que esta não seria a última vez que pedia-lhe para sair.
James Potter estava ali, as mãos enterradas nos bolsos; carranca no rosto, procurando por palavras. Surpreendentemente... ferido.
Foi assim por um minuto, os dois ali com esse silêncio estranho de novo entre eles. A sensação é estranha, ela pensou, muito estranha. 'Por que me sinto tão estranha?'
- Eu não vou perguntar de novo - James disse, ele poderia ter pensado que seria sua última espiada em seus olhos vibrantes muito verdes -, se você realmente não quer sair comigo, eu vou deixá-la. - sua boca estava aberta e os olhos cor de avelã disparavam desde o chão até o seu rosto várias vezes, como se estivesse procurando as palavras que ele queria dizer em seguida. Ou esperando ela dizer alguma coisa. Ela nada disse.
- Certo. - ele suspirou, virando-se com finalidade sombria. - Eu acho que é isso então. - ele disse para o corredor vazio. - Eu perdi. A sua rejeição constante, Evans, não dá mais. Não posso mais fazer isso.
A cada passo, o eco de seus sapatos contra o chão frio tornou-se mais silencioso, sua declaração de renúncia mais real, e o som dos batimentos cardíacos de Lily mil vezes mais rápido e mais alto que o anterior.
- Talvez apenas uma vez - ela sussurrou, mas sua voz era tão tranquila, os passos que marchavam uma centena de metros à frente dela. - Só uma vez! - disse um pouco mais alto, mas sua voz parecia estar presa na garganta, como um pesadelo meio lúcido quando você quer gritar por ajuda e o pânico toma conta porque você não consegue gritar, nem correr... - James! - ela finalmente conseguiu gritar quando o som quase inaudível de sapato contra pedra cessou.
Ela podia ver que ele tinha se virado, e que não estava mais andando. Talvez dessa vez ela tivesse passado dos limites. Talvez já fosse tarde demais. Talvez ela tivesse enlouquecido.
- Quem sabe apenas... só uma vez!
James a encarava, depois com um aceno de cabeça, ele retomou a caminhada. Deixando uma Lily confusa mais confusa ainda.