Hermione arrumava algumas flores do lado de fora da loja, quando um home entrou apressado. Parecia nervoso, ansioso, uma mistura das duas coisas. A morena foi atrás dele.
-Olá.
-Oi. – ele respondeu, aflito. – Você precisa me ajudar. Preciso de uma flor. Apenas uma. Uma das boas. A melhor.
-Okay. – ela respondeu assustada, já pensando em alguma flor que significasse muito.
-É minha última chance. – ele falou. – Minha flor da última chance.
-Sua última chance? – indagou Hermione.
-Eu estou realmente perdido. Só a flor correta pode me salvar. – ele falou, pensativo, apontando logo em seguida para uma rosa bem vermelha à sua frente. – O que acha de uma rosa? Uma rosa vermelha, o que é que diria?
-Amor...
-Amor é legal. Isso serve.
-... e fidelidade.
-Não uma rosa vermelha, então.
-Não. – falou Hermione, encarando-o e pensando que ele devia ter feito uma merda das grandes. – De jeito nenhum uma rosa. É óbvio demais. Se esta é realmente sua última chance, precisamos achar alguma coisa espetacular para você.
Hermione andou pelo fundo da loja, procurando alguma flor que servisse ao homem e mal reparou em algumas pequenas batidas na porta da loja.
-Já atendo você. Só um minuto.
-Tudo bem. – respondeu o novo cliente, fazendo Hermione se virar bruscamente.
-Ah! Oi, Gina! – falou, sorrindo.
-Oi, Mione.
-Como você está, sra.Potter?
-Bem. – respondeu Gina, um pouco sem graça. – Eu apenas...
-Deixe-me ver o que tem aqui fora. – falou o homem impaciente, saindo da loja.
Gina a olhou um pouco assustada e a morena conteve-se em apenas balançar a cabeça negativamente, sorrindo gozadora.
-Eu apenas passei aqui para agradecer, Mione. Você foi embora sem se despedir.
-É, desculpe, mas eu tinha que trabalhar no outro dia de manhã. De qualquer maneira, foi um prazer. Tanto fazer as flores para o seu casamento, quanto rever a todos.
As duas ficaram em silêncio se olhando durante alguns segundos e Hermione lembrou-se do cliente do lado de fora.
-Olha, Gina, desculpa, eu estou ajudando o...
-Oh, Mérlim. Claro. Vá em frente, Mione. Não quero atrapalhar. – falou Gina, olhando pela vitrine o homem.
Ele a encarou de volta e perguntou, quase gritando:
-Qual a sua flor preferida?
-Eu não sei. Acho que gosto de lírios. – respondeu a ruiva.
O homem pareceu pensar durante alguns milésimos, mas discordou, voltando a atenção dele para as flores do lado de fora da loja.
-Que tal isso? – perguntou Hermione, chamando a atenção dele, que entrou novamente na loja. – Ave-do-Paraíso...
-Continue.
-Seu nome verdadeiro é Strelitzia, em homenagem a Charlotte de Strelitz. Ela foi casada com o Rei George III, teve 15 filhos e eles nunca passaram mais do que uma hora separados. Na verdade ele...
-Ok. Pare de falar. – falou o homem, saindo mais uma vez da loja.
-Você gostaria de vir jantar? – falou Gina, aproveitando a saída do homem.
-Como?
-Jantar conosco. Harry e eu. Ele também sente a sua falta. Basta aparatar lá em casa. Você sabe onde fica. Quer dizer... Você não precis...
-Eu adoraria. – respondeu Hermione, sem nem pensar direito.
-Sério? Esta sexta feira?
-Sim. Sexta. Por que não?
-Ótimo. Eu só vou anotar o endereço caso você não se lembre onde é. – falou Gina, passando por Hermione, indo até o balcão e anotando o endereço em uma folha.
Hermione sorriu e quando ia começar a pensar em desistir ou não ir, o homem entrou na loja novamente.
-Perfeito. – disse ele, mostrando um cacto. – É esta. Minha flor da última chance. Me deseje sorte.
-Boa sorte. – falou Hermione, segurando para não rir.
Assim que o home saiu, as duas não aguentaram.
-Ele realmente vai precisar de muita sorte. – exclamou Gina.
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Gina e Harry resolveram comprar um sofá novo para a casa. Buscaram o famoso leilão bruxo que acontecia apenas uma vez ao mês.
Harry concordou em ir com a esposa de maneira até a não deixar que ela gastasse muito. O salão era enorme e diversos objetos sobrevoavam as cabeças, enquanto os compradores aparatavam e desaparatavam com eles.
-Próximo item, lote 48, o relógio de madeira americano de 1930 – falou a voz do leiloeiro. – Aqui por 48 sicles.
Uma senhora levantou a varinha.
-50 sicles. Obrigado. A senhora deu o lance de 50 sicles. – voltou a falar o leiloeiro.
-Muito bem, Harry, agora você precisa usar a sua cicatriz para intimidar as pessoas que querem o nosso sofá. – falou Gina, entrando no salão.
Harry não pode evitar uma risada.
-Eu até faria isso, Gina, mas acho que você é muito mais assustadora.
-Não, não sou. – respondeu a ruiva, fazendo uma cara de brava. – E ninguém pode ter aquele sofá. É meu.
-Nosso. – corrigiu Harry.
-Nosso?
-Se estiver dentro do limite de 200 galeões.
-Não vejo porque precisamos de um limite. Você sabe que não temos tanta dificuldade assim.
-Mas eu gosto de limites, ou então você enlouquece.
Gina parou de andar e o encarou.
-Você? Gosta de limites?
Ela soltou uma risada gozadora e irônica e continuou a andar.
-E é claro que eu fico louca. O sofá é meu.
-Nosso.
-Harry, convidei uma pessoa para jantar na sexta. Hermione.
-Oh, que bom, eu cozinho. Estou mesmo sentindo falta de sentar e conversar com ela.
-Você cozinhar? Por favor, não.
-Passando para o próximo. Lote 49. – falou o leiloeiro. – O excelente sofá de couro ali.
-Somos nós, Gina. – falou Harry, sentando no sofá que estava sendo leiloado.
-Couro marrom com descanso de braço, de classe para decorar a casa e em condição de conservação mediana, por 90 galeões. – continuou o leiloeiro.
-Eu convidei, Harry, não foi só para matar saudade, mas sim, porque tenho um plano.
-Oh, não. – falou Harry, já sabendo do que se tratava.
-Eu pensei em chamar o Rony, também.
-Ótima ideia. Excelente. Mas o que poderia ser melhor do que fazer isso? – falou, referindo-se ao leilão.
-90 galeões? Eu ouvi uma oferta? – falou o leiloeiro.
-Não vindo de nós – respondeu Harry ao homem, sem que ele pudesse ouvir. – Vamos, Gina, psicopate-os para fora.
-Eu sempre os achei perfeitos juntos. Não achou, Harry? – continuou a ruiva, sem dar muita importância ao leilão.
-100. 110. Obrigado. – continuava o leiloreiro. – 120. 130. Obrigado.
-Ele bem que disse que havia feito uma promessa no casamento, antes dela ir embora. – comentou Harry, muito atento ao leilão.
-Aí está. – falou a ruiva, triunfante. – Totalmente interessado. Eu sabia que por trás daquela coisa que ele virou ainda resistia um Rony do passado.
-150 galeões lá atrás. – apontou o leiloeiro a um bruxo gordo e barbudo.
-É engraçado. Eu fui lá para agradecê-la pelo que ela fez no nosso casamento. Parecia que eu a estava vendo pela primeira vez desde muitos e muitos anos, não apenas seis anos. Como se ela tivesse se tornado uma nova pessoa, uma pessoa diferente da antiga Hermione. E eu senti como se ela não tivesse estado ausente, senti como se ainda fossemos tão amigas quanto antes. Sentimentos ambíguos. Isso foi estranho. – falou Gina, olhando para o nada, pensando no momento em que viu Hermione no casamento.
-170. 180 galeões.
-Quase lá, querida. – falou Harry, ficando animado. – Aqui vamos nós...
-210? 210 galeões para o senhor ali do fundo. – falou o leiloeiro.
Harry sentiu-se murchar e encarou o comprador com rancor.
-Que droga!
-Eu não sei o que estou falando. Você entende o que estou falando? – indagou Gina, encarando o marido.
Harry a olhou incrédulo. Não tinha percebido o que acabara de acontecer com o sofá novo dos dois.
-Gina, nós perdemos. O sofá.
-O que?
-Está acima do nosso limite.
Sem nem pensar duas vezes, Gina tirou sua varinha do bolso, levantou-se e gritou para que todos ali pudessem ouvir:
-400 galeões.
Todos a encararam e o leiloeiro bateu o martelo finalizando o leilão do sofá. Harry abaixou a cabeça e sentiu-se afundar, sem graça.
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Hermione girou a chave e abriu a porta com dificuldade. Segurava um grande buque. Sempre ao final do trabalho, todos os finais de semana, ela fazia um buque para colocar na sala da casa de sua mãe.
Passou pelo pequeno corredor e encontrou sua mãe sentada no sofá, lendo um jornal, ainda de pijamas e já passavam das 17 horas.
-O que é que você está fazendo? – indagou a morena para a mãe.
-Eu moro aqui, oras. O que é que você está fazendo?
-Vim para fazer uma limpeza. Você deveria estar arrumada, mãe.
-Bem, eu estava. Estou encerrando o dia.
-São 17:20! Você disse que iria sair mais tarde.
-Não. VOCÊ disse que eu iria sair mais tarde. – ela falou, parando de ler o jornal. – Já fechou a loja?
-Tenho planos para hoje a noite.
A mãe sorriu e abaixou o jornal.
-Como assim, você vai sair com alguém? Minha filha vai sair com alguém?
-Não. Mas você bem que poderia, né?! – falou ela, segurando o jornal e sentando no braço do sofá.
A mãe a encarou com ironia e tornou a ler o jornal, enquanto Hermione voltava a arrumar as flores, com a ajuda da sua varinha.
-“Chás dançantes, grupos de leituras, clubes de bridge.”. – Leu a sra.Granger, ironicamente. – Tentativas trágicas de gente solitária de encontrar alguém antes de desistir e morrer. Todo mundo procurando o amor. Bem, não vão encontrar e certamente não vão transar com ninguém.
Ela fechou o jornal e o jogou na mesa em frente ao sofá.
-Todos aqueles homens são tão velhos, seria como jogar sinuca com uma corda. – continuou ela, cruzando os braços e encarando a filha.
Hermione voltou a se aproximar e sentou novamente no braço do sofá, sorrindo.
-Mãe, você é tão deprimente quanto todas essas pessoas do jornal.
-Não. Sou depressiva. É diferente.
-Queria muito que você aproveitasse a vida. – falou Hermione, suspirando. – Gostaria muito.
A sra. Granger a encarou, pesarosa e segurou-lhe as mãos.
-Eu sei.
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-Nev, estou te dizendo, esse é o número. Você tem que acreditar em mim. – falou o chefe de Harry com um dos funcionários, pela rede de flu. – Você sabe que é desse jeito. Somos amigos, não somos?
-Não sei.
-Bom, eu gosto de você. Veja, você acreditaria se Harry Potter te dissesse? Muito obrigado.
Robson fez sinal para Harry entrar a ficar visível ao homem com a cara na lareira. Harry sorriu, sem graça, respirou fundo e começou a falar com o homem.
-Ei, Neville. – falou Harry, desanimado.
-Harry, você sabe como isso não faz sentido nenhum, não sabe?
-É, eu sei. É estranho, mas pode acreditar nele, ok?!
-Não vou acreditar nele, Harry. Vou acreditar em você. Acho que vocês aurores estão em tempo de mudar o coordenador. Acho que você seria o mais qualificado para isso, Harry. Voldemort está morto, mas de nada adianta se alguns dos comensais ainda fazem as mesmas coisas que ele fazia. Muitas pessoas ainda machucadas, muitas casas sem vigília. E ainda um homem desses no poder, é complicado.
-Neville, ele ainda está na sala.
-Eu sei, Harry, e não me importo. Só estou falando a verdade. Em você eu sempre confiei. E só por isso vou engolir esses números estranhos. Ok?
-Ok. Até mais, Neville.
-Até, Harry. Tchau, Sr.Robson.
Neville sumiu da lareira, que voltou a ser apenas uma lareira apagada. Robson virou para Harry, que o encarou com um pouco de raiva.
-Tudo certo. – falou Harry.
-Está vendo? A verdade nunca falha.
-O problema, Robson, é que você está mentindo. Não temos esse número de aurores disponíveis e não temos esse número de aurores ocupados. Na verdade há uma grande folga nessa área e as pessoas precisam muito de uma proteção extra. E não consigo acreditar que você não quer disponibilizar isso para o projeto novo de Neville. Acho bom você pensar direito no assunto ou então eu vou contar a verdade pra ele. Você tem poucos dias, ok?
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Harry aparatou e saiu correndo para o quarto. Gina olhava para o espelho, segurando sua varinha, fazendo a maquiagem dos olhos.
-Desculpe o atraso, minha linda. – falou Harry, dando um beijo nela. – Você está espetacular.
Foi para o quarto, trocar a roupa suada que estava usando.
-Como foi no trabalho? – ela perguntou alto para que ele ouvisse.
-Uma porcaria. Estou a ponto de fazer outra coisa, entrar para o ramo da medicina ou ser professor em Hogwarts, só para não ter desculpas para fundar um movimento e tirar aquele idiota da coordenação. – respondeu, Harry, nervoso.
Gina riu e balançou a cabeça.
-Estranho como é a décima vez que eu escuto isso depois que a gente casou, porque antes, também não era muito diferente. Não sei porque vocês ainda não o tiraram de lá. Ou você realmente está pensando em sair?
-Ainda não sei, Gina. Só acho que seria bom eu não ficar me estressando tanto assim. Mas, me aguarde, um dia eu acabo saindo de lá e fazendo o movimento ao mesmo tempo.
-Nesse dia, Harry, eu estarei esperando você com um champanhe.
-A verdade é que eu adoraria que fossemos apenas nós dois hoje a noite. – ele falou, aparecendo no banheiro, vestindo a camisa.
Gina voltou-se para trás, animada.
-Ele definitivamente é louco por ela, não é?! Rony e Hermione?
-Ora, de acordo com as novas regras do seu irmão, ela respira, não respira?
-Não, Harry, eu quero dizer... Depois de tudo, você ficaria?
Harry a encarou com indiferença, deixando estampado em sua cara que não conseguia visualizar-se ficando com sua melhor amiga em hipótese alguma e devolveu a pergunta, se aproximando de Gina.
-Querida, ela sempre foi minha melhor amiga. Ela é como um homem pra mim, sabe? Sempre soube de tudo sobre você e outras coisas mais daquela época. – Ele percebeu o olhar da ruiva e completou, receoso de que ela poderia lhe estuporar com a varinha nas mãos. – Mas talvez, sim. Demoraria um pouco para eu querer uma coisa séria, mas só ficar, ficaria sim.
Gina sorriu satisfeita. Harry lhe deu um selinho e indagou, sorrindo:
-O que você acha?
-Dela? Eu realmente não...
-Não, não. A camisa!
-Oh. – exclamou ela, rindo e sentando para calçar os sapatos. – Está linda. Você é lindo.
-É?! – Falou, Harry, olhando maliciosamente para ela. - Você quer... como diria? Namorar?
Nesse instante, uma espécie de sinal tocou dentro da casa.
-Salva pelo gongo. Mas você está perdida mais tarde. – falou Harry, terminando de abotoar a camisa.
-Harry, querido, você ainda não tirou esse sinal?
-Gina, eu não vou discutir isso com você de novo. Pergunte ao Neville, ele te explica as coisas que tem acontecido, raramente, mas acontecem. Como eu sempre fui um alvo, prefiro imensamente que não o seja de novo, muito menos sabendo que agora eu tenho você.
Gina se levantou um pouco aborrecida e fechou a porta, enquanto Harry revirava os olhos e ia atender a outra porta. Hermione a encarava, sorridente, segurando um grande buque de rosas em um tom azulado.
-Entre, Mione. Você está linda.
-Obrigada, Harry. Aqui. – Ela falou, estendendo o buque. – Fiz pra vocês, em especial pra você, porque sei que gosta de azul.
-São lindas, Hermione. De verdade. – ele respondeu, pegando as flores das mãos dela. – E Gina vai amar. Gina?
-Estou aqui. – falou ela, saindo apressada do banheiro e indo de encontro a Hermione e dando-lhe um abraço. – Ei.
-Ei, Gina.
A ruiva soltou-se do abraço e abraçou Harry com um braço só. Todos ficaram em silêncio e se olhando durante cinco segundos, até que a ruiva tomou um rumo para a conversa:
-Então, venha ver o nosso novo sofá. – ela falou, desabraçando Harry e caminhando na direção da sala.
Harry encarou Hermione com os olhos arregalados, afirmando:
-Nosso caríssimo sofá.
-Conforto nunca é caro demais. – respondeu a morena, rindo e caminhando atrás da amiga.
-Está vendo, Harry? Hermione é uma mulher de bom gosto como eu.
-Hermione, me diga, você começou a acreditar em reencarnação e aquelas coisas que a sua querida professora louca nos ensinava? Tipo, olhar o cachorro dentro da xícara? – falou Harry, imitando a professora.
Hermione riu e balançou a cabeça negativamente, lançando um olhar de indagação logo em seguida.
-Gina sempre acreditou. Acha que isso faz um bruxo de verdade. Apesar de acreditar menos agora, porque eu a salvei de ser uma total maluca.
Gina o fuzilou com os olhos.
-Não tem nada demais nisso. Só acho que um bruxo deve saber sobre o assunto, horas.
-Gina, aquela mulher podia ser vidente, podia ter poderes de prever profecias ou o passado, mas não. Ela não era normal. Tinha algum problema, de verdade.
Harry apenas concordava com a cabeça, rindo.
-Bom, - começou ele, ainda sorrindo. – Vamos pendurar essas flores e colocar o casaco dela na água.
-Eu faço – falou Gina tirando sua varinha do bolso e fazendo um feitiço para conjurar um vaso com água, colocando as flores que Hermione acabara de trazer.
Harry retirava o casado da amiga e o pendurava.
-Mione, você me dê licença, porque vou fazer o nosso jantar.
Hermione a encarou.
-Precisa de ajuda, Gina?
-Acredite, Mione, a única coisa que ela herdou da Molly foi o egoísmo para cozinhar sozinha. – falou Harry, convidando-a para sentar no caríssimo sofá.
-A verdade, Hermione, é que Harry não sabe cozinhar nada e queima tudo o que deixa no fogo. Parece até descendente de Nero. Você pode ficar tranquila. O jantar que vou fazer é simples. Gostoso, mas simples. Podem relembrar suas coisas ai, enquanto isso.
Hermione sentou-se e começou a conversar com Harry. Relembraram muitas coisas, Harry contou a novidade, contou os problemas do trabalho, contou como estava a família Weasley e falou que estava escrevendo um livro.
-Então, basicamente o livro que eu sempre quis escrever é uma espécie de biografia, mas não falando de mim, falando de tudo o que passamos em Hogwarts. É como se fosse gostoso relembrar algumas coisas, mas tendo que contar as amargas. Não é para ficar na história, mas acho que é bom as crianças e os adultos entenderem que não existe mal que supere o bem e, honestamente, para que todos conheçam a bondade e inteligência de Dumbledore.
Hermione sorriu orgulhosa.
-Serei a primeira a comprar, Harry. Com toda a certeza. E se precisar de ajuda para alguma coisa, pode me falar, também.
-Obrigado, Mione. Vou falar sim. Mas me conta, depois de tudo o que aconteceu, que eu não vou perguntar o motivo, como está você? Namora? Casada? Filhos?
-Oh, não, Harry. Eu...
Ela relutou e abaixou a cabeça.
-O que, Mione?
-Sabe, Harry, eu terminei com Rony, não foi apenas para vir embora e ficar com a minha mãe. Claro que esse foi o maior dos motivos, mas eu poderia ter vindo e Ron continuar comigo. – Harry balançou a cabeça, afirmativamente, como se todos tivessem pensado a mesma coisa que ela estava falando agora. – Mas a verdade é que eu não estava mais sentindo muitas coisas por ele. Não é que não o amasse, para falar a verdade, eu ainda o amo, mas é como um grande amigo. Não senti mais atração. Não senti mais vontade de... você sabe... Foi uma vez e eu não gostei. Simplesmente assim. Não é que ele seja ruim de cama, Harry. Mas... A culpa sempre foi minha, na verdade. Eu é que não sabia dessa minha... condição. Quando voltei, uma coisa me aconteceu que esclareceu todas as dúvidas que eu tinha perante o Ron. E, não, não namoro, não tenho filhos e não sou casada. Talvez me case agora que as leis estão mudando.
-O que? – perguntou ele, sem entender.
-Gay.
Harry arregalou os olhos e a fitou boquiaberto.
-Como?
-Me descobri gay, Harry. – ela falou, abaixando a cabeça e ficando vermelha.
-Hummm... – Ele não sabia o que dizer. – Mione...
Ela levantou a cabeça, sorrindo, triste.
-Eu sei que é estranho, Harry, mas... aconteceu, acho. Sinto falta do Ron. Acho que realmente gostava de estar com ele para não estar sozinha, porque englobava toda uma família, incluindo você. E eu não me sentia solitária como muitas vezes me sinto hoje.
-Mione, isso não muda nada pra mim do jeito como eu enxergava você. Ainda é minha amiga sabe tudo que gosta de ler e agora uma perfeita florista. Rony devia saber disso, você entende?
-Na época não contei, porque fiquei com medo da reação dele. Até pensei em mandar uma coruja, mas achei que seria ridículo da minha parte. Fiquei com medo dele contar para todo mundo e, uma coisa é seu melhor amigo saber, outra é a família inteira dele, né?!
Harry concordou com a cabeça, percebendo que ela não havia falado que não ia contar, no instante em que o sinal tocou novamente, fazendo Hermione se assustar.
-Isso deve ser o Rony. – falou Harry.
-Rony está vindo. – falou ela, rindo e olhando para o chão.
-Sim. – falou Harry, se levantando, tentando não demonstrar o quão chocado estava com a notícia.
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Todos eles estavam sentados à mesa, saboreando o assado de Gina e a pequena contribuição de Harry, o molho.
-Hmmm... – começou Rony. – Gina isso está perfeito. Cozinha tão bem quanto a mamãe.
Gina sorriu satisfeita.
-Pena, minha irmã, que esse molho tenha estragado tudo. – falou olhando para Harry. – Isso está absolutamente horrível.
Harry o encarou, segurando o riso.
-Você acha?
-Está, meu amor. Está péssimo. – falou Gina, rindo.
Hermione conteve-se em apenas voltar o garfo que havia enchido para o prato.
-O que interessa é... – começou Rony, mudando o assunto. - já se passaram três semanas. Conte-nos. Quão melhor é o sexo depois do casamento?
-Por favor, Ron... – começou Gina, ficando vermelha.
-Por que, quando eu transei com pessoas que estavam casadas, elas me disseram que foi fantástico. – continuou ele, sem dar importância aos comentários de reprovação do assunto. – Gina?
-Case e descubra você mesmo, Ron.
-Qual é, Gina. Rony não conseguiria se comprometer com alguém dessa forma. – falou Harry, servindo-se de mais vinho. – Estamos falando de dois ou três anos da vida dele.
-Bom, não sou uma pessoa de uma só pessoa.
-Você realmente não acredita que a sua “outra metade” está por aí em algum lugar, Ron? – falou Gina, sorrindo.
Hermione só queria enfiar a cabeça num saco. Sabia que estavam tentando unir os dois novamente. Sentia isso em cada indireta de Gina e teve vontade de ir embora.
-Na verdade, Gina...
-O que foi? Existem mulheres lindas na área. – falou a ruiva, olhando para Hermione.
-Sim, existem. – concordou Rony. – E eu estou tentando dormir com tantas e quantas eu consiga.
-E você nunca falha? Ou falha? – perguntou Harry, cutucando o amigo.
-Sabe, elas alertam as outras sobre mim. – falou colocando o garfo de uma maneira sexy na boca.
Hermione riu.
-Tudo vai mudar quando você conhecer a pessoa certa. – falou Gina, espetando seu assado no garfo e tirando o molho de Harry.
-Como eu devo saber quando isso acontecer? – indagou Ron, ironicamente.
-Você não sabe, não logo de cara. Simplesmente se sente... – começou Gina. – quente e confortável. E você aguarda e aposta naquilo, e quando você menos espera, você está... “É isso aí. Deve ser amor.”.
-Concordo com ela. – falou Harry, sorrindo.
-Concordo também. – falou Rony, ainda mais irônico. – Me passa esse assado ae.
-Eu não. – falou Hermione, depois de não ter deixado uma palavra na mesa. – Eu acho que você sabe imediatamente. Você sabe assim que seus olhares... Então, tudo o que acontece a partir dali apenas comprova que você estava certa desde o primeiro momento. Quando você de repente percebe que você estava incompleta e que agora você está completa.
Hermione olhava fixamente para Gina, de maneira desafiadora. A ruiva, apenas a encarava, sentindo que, internamente, concordava, mas não queria dar o braço a torcer que estava errada.
-Na verdade, eu concordo com ela, eu acho. – falou Harry, apontando para Hermione.
-Eu também. – falou Ron.
-Então. Quem quer pudim? – falou Harry, animado.
-Sim. – falou Hermione, aceitando o pudim.
-Não. – retrucou Gina. – Se você acha isso, você acha que todo mundo que não teve esse negócio está se conformando com pouco.
-Não é o que eu estou dizendo.
-É exatamente o que você está dizendo, Mione.
-Eu acho que ela disse isso só que de maneira educada. – falou Ron.
-Sobremesa? – falou Harry, segurando já o pudim nas mãos.
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Harry, com a ajuda de sua varinha, arrumava a cozinha, enquanto Rony, apenas observando e bebendo, não parava de falar.
-Você parece cansado, chef. Teve um bom dia no trabalho?
-Uma porcaria, Ron. Eu vou me demitir.
-Você percebeu a garota das flores ali? – Falou, Rony, ignorando o comentário de demissão do amigo. – Fez aquele discurso pra mim, Harry. Certeza que ela sente algo ainda e quer voltar para os meus braços. Pena ser tarde demais o super Ron aqui ser de várias garotas e não apenas de uma só. Mesmo assim, mais tarde, vamos cair loucamente na cama.
Harry segurou o riso e falou:
-Oh, então está correndo tudo bem entre vocês dois?
-Está indo tudo muito bem.
Harry parou de mexer com a varinha, encarou Rony e sorriu.
-Ela é lésbica.
Ron riu.
-Você não vai me dar o troco, Harry, só porque ignoro algumas coisas que você diz.
-Ela já cedeu a algum comentário seu, Ron? Já viu ela olhar pra você ou para algum outro homem?
Ron fixou o copo que estava em suas mãos. Não podia ser verdade. Aquela mulher a quem Harry estava se referindo era a melhor amiga deles desde sempre. Era a ex-namorada de Ron. Era muito mulher. Muito mulher.
Harry sorriu vitorioso e continuou a arrumar a cozinha.
Ron engoliu seco e sorriu.
-Acho legal.
-Você não acha que isso atrapalha um pouco seus planos de sedução?
-Todo mundo pode trocar de time.
Harry o encarou por alguns segundos, balançando a cabeça e depois voltou a concentrar-se em terminar sua tarefa.
-Não qualquer um. – falou Rony, depois que pensara no que acabara de falar. – Eu não trocaria... Porque, você sabe... Mas todo mundo, quero dizer...
Terminou seu pensamento, virando o líquido que ainda estava em seu copo.
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Gina dera falta de Hermione. Durante a discussão, havia levantado da mesa e saído de perto dos três. Procurou pela casa inteira e não a encontrou. Então, lembrou-se do parapeito no andar de cima.
Subiu as escadas e olhou para o lado de fora. As gotas de água caíam pesadas sobre Hermione, que, inutilmente, tentava se esconder em baixo de um guarda chuva imaginário. Gina conseguiu ver que havia algo ali, mas era tão pequeno que a maior parte do cabelo da morena estava encharcado.
-O que você está fazendo? – gritou Gina, da parte de dentro da casa.
Hermione olhou para ela e sorriu ternamente.
-É lindíssima a vista de vocês.
-Está chovendo, Hermione. Entre, por favor.
Hermione riu e olhou para o péssimo guarda chuva que fizera com a vinha. Estava se sentindo tão estranha que nem forças para fazer uma coisa bem feita, ela tinha. Levantou-se e entrou na casa, deixando que a ruiva fechasse a porta.
As duas fitaram a chuva cair durante alguns segundos, em silêncio. Hermione sentia um pouco de frio, mas já conseguia perceber a diferença do lado de fora da casa para o lado de dentro. Dentro estava bem mais quente e acolhedor. Mordeu o lábio inferior e olhou para o chão.
-Hermione, - começou Gina, sem encarar a morena. – Desculpe pelo jantar.
-Já comi piores, Gina. – falou rindo.
A ruiva a encarou e sorriu, sem graça.
-Perdi um pouco a cabeça.
-Perdeu não.
Gina a olhou, em silêncio. A morena riu e suspirou pesadamente.
-Ok. Talvez um pouquinho.
As duas riram e se encararam em silêncio. Gina sabia a falta que havia sentido da amiga. Só não sabia que era tanta. Esticou os braços e tocou Hermione.
-Por Merlin, você está ensopada.
-Estou bem.
-Está com frio.
-Estou bem.
Gina retirou o casaco e o colocou em Hermione.
-Pode ficar com isto. Sério, pode ficar.
-Eu estou bem.
-Tudo bem. Mas...
-Ok, agora quem está com frio é você.
As duas riram e se abraçaram.
-Ei, o que vocês estão fazendo ai em cima? – perguntou Harry.
Gina soltou-se rapidamente de Hermione e ainda sorrindo respondeu:
-Nada.
-Por favor, vocês podem descer? Ron está um pouco bêbado e quer fazer algum tipo de jogo de strip tease. E eu estou simplesmente louco para que ele vá embora.
As duas riram e desceram as escadas, juntas.
-Hermione, você acompanha Rony até a casa dele?
-Hum... Claro, Gina.
-Acho que ele está um pouco alterado demais para aparatar sozinho.
-Pode deixar.
Hermione abraçou Gina e Harry.
-Boa noite para vocês dois. Tudo esteve ótimo. Muito obrigada pelo jantar.
-Tchau.
Hermione saiu pela porta junto com um Rony bêbado e sorridente.
-Antes de aparatarmos, Hermione. Gostaria imensamente de conversar com você.
-Rony, você não tem o direito de querer nada.
-Você poderia ir para minha casa e a gente conversa lá. O que acha?
Hermione o encarou e riu.
-E você acha que eu vou cair nesse truque velho? Me poupe, Ron.
-Por favor, Hermione, eu realmente gostaria de conversar com você. Acho que você me deve isso depois de tanto tempo sem nenhuma explicação.
A morena o encarou. Sabia que ele tinha razão.
-Tudo bem, Ron. Mas não vamos para a sua casa, vamos para um lugar onde você não me agarre.
Ele riu vitorioso, estendendo a mão. Hermione pegou a mão dele e aparou dentro do Caldeirão Furado. Os dois sentaram-se em uma mesa mais ao fundo e pediram suas respectivas bebidas: um whisky para Ron e uma cerveja amanteigada para Hermione.
A morena ficou olhando o copo à sua frente, até que seu pensamento vagou e ela saiu completamente do ar, voltando apenas com o som da voz de Rony.
-Você está bem, Hermione?
-Por que? Porque eu não quero transar com você?
-Fique a vontade para não transar comigo, apenas não sente comigo em um bar e fique tão entediada assim.
Hermione olhou para o chão e riu.
-Desculpe. De verdade.
-Você está pensando em alguma coisa, está óbvio. – falou o ruivo, sorrindo para ela. – Você sabe o que deveria fazer? Deveria me contar tudo. Por baixo desse exterior rude de agora, existe ainda o velho Rony Weasley.
-Não, não existe. – ela retrucou, convicta.
-Não, não existe, mas me conte mesmo assim. Estou curioso.
Hermione riu novamente. Sentia falta de Rony. Sentia falta até desse novo Rony, mas não como seu companheiro de quarto, apenas como seu amigo. Resolveu contar a maior parte da verdade para ele, esperando, do fundo do coração, que ele entendesse os argumentos dela.
-Então, o que está te deixando pensativa desse jeito é uma garota, não é? Quer dizer, tem que ser. – ele falou, depois dela contar toda a história que havia contado para Harry. – É uma cena quente e sexy, sabe? Você e outra... vegetariana.
Hermione colocou a mão no rosto e riu.
-Vamos, Hermione. Conte tudo para mim e não esqueça nenhum detalhe.
Ela retirou a mão do rosto e o encarou, um pouco vermelha.
-Já aconteceu de você conhecer alguém e... Mas já existia alguém?
-Sim, claro. Várias vezes. As boas estão sempre comprometidas.
-Então, o que o novo Ronald Weasley faz?
-O que eu faço?
Ele pareceu pensar por alguns instantes, depois sorriu e respondeu:
-Eu durmo com elas. – Hermione riu novamente. – A outra pessoa é problema delas, não meu.
A morena sorriu triste e encarou o chão.
-Eu acho que... Acho que não se deve estragar casais. Não se causa esse tipo de dor, nunca. Não se você for o responsável por acabar com aquele casal. Você apenas aceita o fato de que não pode acontecer e vai embora. Fica com alguém que está solteiro.
Rony riu.
-Bem, na sua casa ou na minha? Qual é... vamos... Estou bem melhor de cama.
Hermione riu mais uma vez. Realmente era bom poder conversar novamente assim com Rony. Esperava que não fosse um teatro e que ele realmente a desculpasse por tudo que fizera ele passar.
Pediram a conta e Hermione o deixou na porta de casa, saindo antes que as propostas ficassem ainda mais quentes e ela tivesse que estuporá-lo.