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4. Medo


Fic: Por você - amigo secreto


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Uns alunos praticavam no corredor o que tinham aprendido nas aulas e Hermione sorria ao passar por eles. Seguiu para uma reunião de emergência que Minerva convocara na hora do almoço. Todos os professores reunidos reclamando uns com os outros, menos Draco. Hermione deu um boa tarde baixo e sentou-se na primeira cadeira que tinha visto. Draco a olhou de lado e voltou sua atenção na discussão que se seguia.


"Isso é papel dos aurores, não de nós." - um dos professores falava.


"Temos que ajudar, na nossa sociedade não podemos nos dar ao luxo de negar uma ajuda." - Sprout retrucava.


"Isso tem que ser confirmado por alguém dessa área e depois é que nos envolvemos." - Markus reclamava. Hermione franziu o cenho tentando absorver o que se passava e Draco olhava para o teto tentando não se centrar na discussão.



Minerva logo apareceu com um senhor alto de feições bonitas e fala bastante cativante que se fosse trouxa com certeza trabalharia na televisão. Ele estava acompanhado de um rapaz, muito belo que por onde passava arrancava suspiros das moças. O rapaz possuia um cabelo loiro igualmente platinados como os de Draco, porém os olhos eram vivos, verdes, não possuia o cinza intenso e misterioso que Draco tinha. Hermione logo o reconheceu como o que a substituíra no antigo trabalho. Ela o cumprimentou com entusiasmo e Markus parou de discutir para ver a cena, enquanto Draco cerrava os olhos visivelmente odiosos e assustadores.


Minerva arranhou a garganta e começou a falar que eles estavam procurando o motivo de haver sumiços de trouxas e acidentes bizarros. E então pediu para que alguns dos professores acompanhassem também esse trabalho. Ninguém aguentava mais ter que pensar em uma nova luta, seja lá com quem fosse, estavam muito bem em seus mundos particulares e cheios de si para dar valor a algo desse tipo já que o temido Voldemort se fora. Para eles não havia preocupação quanto a isso. Hermione ficou atenta a cada palavra e mentalmente se censurou por estar ali e não com Harry e Rony em campo. Eles eram um trio e onde um estivesse deveriam os outros estar. Como ela havia falhado nisso. Talvez sua expressão estivesse tão transparente que Draco, agora sentado ao seu lado, cochichou em seu ouvido.


"Seu lugar é aqui."


Hermione assustou-se com a proximidade e o olhou com ar de reprovação.


"Nem me olhe assim. Sei o que você está pensando agora e digo que seu lugar é aqui mesmo."
"Hermione?" - o rapaz que a substituíra chamou.
"Sim?"
"Se você quiser participar, eu ficaria agradecido e feliz." - ele fala sorridente.


Draco o fuzila com os olhos e Markus chama a atenção falando:


"Ela é professora daqui agora. É o seu trabalho, rapaz, essa busca pelos trouxas."


"Eu vou." - Hermione fala decididamente e os dois, Markus e Draco gritam juntos:


"O QUÊ?"
"Hermione, não precisa." - Markus a tenta convencer.
"Sei que não. Mas meus amigos estão lá e precisam de mim."
"Eles estão bem, Hermione, não é a mesma coisa de antes, é só uma questão de eslarecer.." - Markus falava em tom agudo mas antes de terminar fora cortado por Draco:


"Eu também vou!" - Draco fala tão alto que todos param e Hermione balança a cabeça negativamente.
"Pra quê? Não tem por que você ir."
"Está decidido, então." - Minerva fala.
"Eu também vou." - Markus fala atrapalhado.
"Não. Não pode ir. Já tem os dois e está de bom tamanho. Você fica pra cobrir as aulas quando eles precisarem sair."
"Por que de bom tamanho?" - Markus se recusa a aceitar.
"Eles tem experiência em guerra, professor, e não se fala mais nisso."


Markus saiu aborrecido da sala e Draco senta-se colocando as mãos na cabeça. Hermione chocada com tudo olhava de um a outro esperando ter toda a explicação mas, ela não veio.


"Draco, por quê?" - ela pergunta baixinho. Ele a olhou frustrado e se levantou bruscamente da cadeira sem responder a ela.


Hermione saiu em direção ao seu quarto e no meio do caminho, ao dar uma olhada para fora do castelo, mudou o rumo e caminhou para o lago que Draco havia lhe mostrado. Prendeu seus cabelos e ficou descalça sentando na beira e colocando os pés dentro da água. Pensou por uns minutos e subiu a saia um pouco mais ficando mais a vontade, o local que escolhera sentar ficava na sombra de uma árvore e fechando os olhos para relaxar escutou uns passos perto. Assustada pegou sua varinha tão rapidamente apontando para onde vinha o barulho e viu Draco com as mãos levantadas em frente ao corpo com medo.


"Ah, é você." - ela fala ruborizada e tenta se recompor.
"Claro que sou eu." - ele diz grosseiramente. - "Esperava quem?"
"Não sei. Essa reunião de repente me deixou mais desconfiada."
"Resquício do passado?" - ele fala sentando ao lado.
"Deve ser. Não sente nada?" - ela o olha intrigada. - "Ainda não entendo você."


Draco sorri ironicamente. - "É de se ficar pensando sim mas, você deve ter suas razões para apontar a varinha para o que quer que seja."


"Sarcasmo?" - ela pergunta se irritando.
"Não. Ironia em saber que minhas experiências no passado irão ajudar nessa questão, afinal eu sabia de todos os métodos que usavam para fazer o mal."
"E quem não sabe?" - Hermione fala. Draco a olha com raiva.
"É mesmo extasiante ficar ao seu lado, Granger."
"Agora sim, sarcasmo."
"Qual é o seu problema comigo agora?" - Draco pergunta cansado.
"Quero saber o que te deu de querer me acompanhar nessa investigação." - ela fala balançando as pernas. Draco fecha a cara.



"Eu não sou do mal agora, Granger, acho que nunca fui de verdade, embora que pra você eu devo ter sido o próprio Voldemort em alguns momentos. E eu fico me perguntando qual o motivo disso. Nem o Potter me vê assim. E o pior de tudo é saber que por mais que eu me esforce é impossível lhe fazer enxergar certas coisas. Eu fiz coisas por você. A gente namorou, Granger, lembra? No sexto ano, enquanto o Weasley se atracava com aquela maluca pegajosa, a gente ficou junto. Claro que eu não falei a ninguém porém isso não significa que não tinha valor pra mim. A gente finalmente se conheceu de verdade naquela época, tudo que passamos, tudo que fizemos e foi por isso exclusivamente que quando Greyback apareceu com vocês na minha casa e todos perguntavam se era o Potter eu sabia que isso atingiria você. Eu não pude entregar. E te ver sendo torturada por aquela..."



"Chega! Malfoy... Eu me apaixonei por você, eu te amei."
"O que aconteceu com a gente?"
"O que deveria acontecer. Não fomos feito um para o outro." - ela fala dando uma pausa. - "Vou para o castelo, vou dar aula agora a tarde."


Hermione se levanta e segue descalça com os sapatos na mão.


"Granger?" - Draco grita. - "Eu vou acompanhar porque é o mínimo que posso fazer por você. Pela sua luta de antes."
"Então é pelo trio." - ela grita de volta.
"Você sabe que eu não faço nada por aqueles lá. Não espere tanto assim de mim." - ele fala sinceramente e Hermione ri da atitude dele e vai embora.


Hermione deu aula e sempre lembrava que Draco havia dito que eles namoraram. Contudo não entendia o motivo de ele se sentir obrigado em tratá-la bem. Ela sabe que foi rude e falou coisas terríveis quando ele terminou o namoro além de ter ficado irritada por ele não querer contar a ninguém sobre eles. Ela até entendia mas no fundo o culpava por covardia.


Final do dia e Draco estava mandando uma coruja para Astoria, contando da festa, sentia-se muito irritado com aquilo tudo. Viu ao longe sua mãe chegando. "O que foi desta vez?" Ele pensou e desceu nas pressas para ir de encontro a ela.


"Mãe!" - ele a chama para um canto mais reservado do jardim.
"Draco..."
"O que aconteceu agora?" - ele pergunta irritado.
"Seu pai soube que Granger está aqui e todo dia ele reclama disso."
"Ele acha o quê? Que eu nunca a veria novamente? É impossível."
"Eu sei. Ele está nervoso, acha que vai prejudicar seu noivado com Astoria. Ai! Como eu queria ter um vira tempo para voltar atrás e não permitir que Blaise contasse a seu pai seu afeto com essa moça."
"Esquece, mãe. Não importa mais."
"E como vai a convivência aí?" - ela pergunta.
"Normal. As vezes nos falamos educadamente e outras vezes nos insultamos."


Narcisa o olhou penosamente.


"Eu preciso te dizer uma coisa. Não fique bem com ela na frente dos outros. Seu pai está tão louco que se souber de algo, ele pode machucá-la."


"Já falei que ele precisa de tratamento no St. Mungus, mãe, e além do mais, ele nem tem como saber."
"Aí é que você se engana. Tenho pra mim que ele está com algum contato aqui."


Draco respira fundo e olha rapidamente em volta do jardim.


"Então até suas vindas aqui serão perigosas." - ele fala preocupado. - "Não posso deixar que ele machuque Hermione, mais ninguém, muito menos da minha família, vai fazer isso com ela."


"Eu sei o que você sente por ela, Draco, mas em casa eu tenho que apoiar seu pai e por isso ainda venho tranquilamente aqui. Ele pensa que venho lhe dar conselhos."
"Não deixa de ser verdade, não é?" - Draco responde sorrindo.
"Deixa eu ir agora, meu filho, todo cuidado é pouco." - ela fala dando um abraço nele.
"A senhora tem que me escutar... "- Draco fala e vê a mãe sair sem leva-lo em consideração.


Hermione andava para a biblioteca encontrando com Markus no corredor.


"Como está?" - ele cumprimenta meio sem graça.


"Bem. E você?" - Hermione ri.
"Bem. Queria muito passar mais tempo com você. Por isso fiquei maluco na reunião." - ele se explica.
"Deixa pra lá. E você pode passar mais tempo comigo. Hoje, por exemplo, poderíamos fazer alguma coisa depois do jantar."


Markus sorriu timidamente e pensou um pouco.


"Que tal no jantar?" - ele pergunta tendo uma ideia.


"Jantarmos?"


"Sim. Não no salão principal. Posso arrumar uma sala e termos um jantar só nós dois, o que acha?"




tinham se unido por completo. Em corpo e alma.


 



Mas a quem poderiam enganar? Draco pensava em como levaria esse fato a público. Como ele poderia fazê-la feliz?



 


 


"Avada kedavra!" - Lucio gritou feito um louco.


Draco se jogou na frente dela. Não podia deixar atingi-la. Não mais.


"Protego!" - ela grita em questão de segundos.


Por sorte o feitiço passou perto e não chegou atingir ninguém. Hermione olha assustada, varinha apontada, olhos arregalados. A figura aparata junto com todos os outros encapuzados.


Draco segura Hermione enquanto ela o olha assustada, chocada.


Voltaram ao castelo apreensivos. Draco não falou uma única palavra até colocarem os pés dentro do castelo.


 


Algum problema?" - ela pergunta sem querer a resposta de verdade.


"Meu pai soube da gente hoje, Hermione."


"Mas como é possível isso?"


"Escute, Hermione, não podemos ficar juntos. Meu pai te mataria se imaginar algo assim."


"De novo isso? Sua tia, sua mãe, seu pai... Até quando?" - Hermione trincou os dentes inconformada e tentou pensar em algo que pudesse ser feito. Draco sabia o quanto isso machucava, contudo, Hermione mais uma vez teria que ser forte. Ela então o olhou um pouco angustiada.


"Diga que não vai se afastar, Draco, por favor, diga que não."


Ele mordeu os lábios e a abraçou, coração acelerado e o medo tomando conta dele.


"Se for pra te ver viva, Hermione, pra que ninguém mais te machuque."


Hermione o afastou de si. Sentiu seus olhos arderem. Não acreditava que seria possível acontecer de novo.


"Hermione, não fique assim." - Draco pedia alisando o rosto dela.


"E o que você vai fazer?"


"Desculpe.Vou voltar com Astoria." - ele fala diretamente. Hermione demora um pouco a responder.


"Tanto faz." - ela responde amargamente.


"Tanto faz?"


"Você já se decidiu assim como antes. Eu não tenho chance alguma com você. Poupe seu tempo comigo."


"Não seja estúpida. Você não viu de quem eu te protegi? Era meu pai. Ele foi diretamente te atacar. Preciso voltar pra Astoria, preciso voltar pra ela, e te livrar."


Hermione não quis escutar mais e saiu em direção as escadas com Draco logo atrás pedindo para esperar.


Ela correu. Ele se desesperou.


"Escuta, Hermione!"


"Eu não quero escutar mais. Você nunca vai ter coragem suficiente. Nunca! Tudo está se repetindo. Não dá, não aguento mais. Chega!"


"Hermione, eu sou obrigado a te afastar, eu sou obrigado a não te olhar, mas a minha maior obrigação é te ver bem. Sempre vou te amar... Granger."


 





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