Capítulo 8 - Brigas e ciúmes
“Você não pode planejar o futuro pensando no passado.”
- Draco, que tarefa? Do que é que está falando? – perguntou Hermione, o horror espalhando-se por cada célula de seu corpo. O loiro fitou-a em silêncio e ela entendeu do que ele precisava no momento. Sorriu ternamente e o abraçou. – Estou aqui está bem? Você não está sozinho.
- Obrigada, Hermione, mas não quero que se envolva nisso – recusou educadamente – Meu pai é um idiota, não sabe diferenciar o certo do errado às vezes.
- Não ligo para seu pai, Draco. Mas podemos falar com Dumbledore, ele irá nos ajudar com certeza. Eu vou lhe ajudar com toda a certeza.
- Já disse que não quero que se meta nisso – respondeu, um pouco ríspido demais – Desculpe, eu só quero mantê-la a salva.
- Há uma guerra por vir, Draco. Ninguém, absolutamente ninguém, está a salvo.
- Então vai mesmo lutar ao lado do Potter nessa guerra, não é?
- O que esperava? Que eu lutasse ao lado de Você-Sabe-Quem? – perguntou, ironicamente – É meio obvio, não é?
- Você brigou com ele há alguns dias, portanto achei que...
- Uma briga não mudará o que tivemos por anos. Uma amizade é muito mais que isso, Draco, tente entender.
- Estou tentando, mas é difícil, Hermione – ele passou a mão pelos cabelos, nervoso – Gostaria de ser alguém melhor, mas parece que é mais forte que eu.
- Ou você controla o seu eu de ser ou esse seu eu controla você. Não é tão difícil, você só...
- Não é tão difícil? – interrompeu-a, indignado – Fale por você, que sempre esteve rodeada de amigos, familiares e pessoas que a amam! E eu? Quem é que eu tenho além de minha mãe?
- Você tem a mim agora – ela passou o polegar pela bochecha dele e sentiu-o relaxar um pouco – Temos um ao outro.
- Você não me ama, Hermione, eu não a tenho por inteira.
- Eu ainda não lhe amo. Mas com o tempo, você me ensina.
- Não sei se sou capaz – comentou, e Hermione notou um tom depreciativo em sua voz e não gostou nada – Talvez seja melhor continuarmos a ser o que éramos.
- Você me disse que nunca foi aquilo que era, lembra? Nunca foi aquele Draco Malfoy arrogante e prepotente. Eu, pessoalmente, prefiro esse Draco que conheci esses dias, sabe? O apaixonado, educado, engraçado e dedicado.
- Você me transformou nisso, Hermione. Nesse bobo apaixonado.
- E isso não é bom? – ela olhou ofendida para ele e mordeu o lábio.
- Depende... Para quem? – ele encarou-a tão profundamente que por um momento ela jurou que ele invadira sua mente – Aquele Draco de antes pode ainda está aqui dentro, mas eu não quero que ele reapareça. Pelo menos acho que não.
- Você me deixa um tanto confusa. Não sei o que dizer.
- Hermione Granger perde a fala diante de Draco-Gostoso-Malfoy! Acho que Rita Skeeter faria uma boa matéria para a primeira página do Profeta Diário...
- Cale a boca, sua doninha quicante! – ela riu, cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha – Dá para imaginar que um dia nós dois estaríamos aqui rindo, sozinhos, sem azarar um ao outro? É inacreditável demais!
- É – ele aproximou-se dela e segurou sua cintura –, eu assumo que imaginava a gente assim...
Ele encostou de leve os lábios nos dela e ambos automaticamente fecharam os olhos. Ele subiu uma das mãos até a nuca da garota e a trouxe para mais perto, comprimindo os corpos, juntando-os como se fossem apenas um. Hermione amoleceu-se automaticamente e entregou-se a aquela deliciosa sensação que Draco lhe causava. Sentia todo o seu corpo estremecer e suas pernas ficarem tão moles quanto um marshmallow. Só quando sentia a extrema necessidade de ar, que se afastava dele. Quando isso ocorreu, eles miraram-se por longos minutos e sorriram um para o outro, ignorando qualquer rixa passada que pudesse ter os feito perder tanto tempo. Hermione suspirou, admirando a beleza do loiro a sua frente, e quando estava a ponto de beijá-lo novamente, risadas de um casal a desviaram de seu percurso.
- Harry? Gina? – ela olhou do moreno para a ruiva, da ruiva para o moreno – O que fazem aqui?
- Eu ia perguntar o mesmo! – exclamou Harry, fuzilando Malfoy com o olhar – O que vocês dois fazem aqui e sozinhos, afinal?
- Não é da sua conta, Potter – respondeu Malfoy, arrogantemente – Se não percebeu, o lugar já está ocupado, então se não se importa – ele apontou para as escadas que levavam a saída –, vá embora para outro lugar com a sua nova namorada.
- Não somos namorados – intrometeu-se Gina, as bochechas vermelhas de vergonha – Somos só amigos.
- Dá para ver o quanto são amigos – rebateu Hermione, maldosamente – Podem sair, por favor?
- Hermione... – Harry e Gina começaram em uníssono, mas a castanha revirou os olhos e levantou uma mão, sacudindo-a no ar.
- Me desculpem ter de ser mal-educada, mas sabem... Estávamos ocupados – ela ergueu as sobrancelhas e olhou para Malfoy, que observava tudo com as mãos no bolso – Não é, Draco?
- Exato – anunciou Draco com impaciência, encarando Harry ameaçadoramente, depois Gina – O castelo é suficientemente grande para que vocês achem um lugar para vocês bem longe de nós.
- Hermione, eu... – tentou Gina novamente, mas foi mais uma vez interrompida.
- Se não querem sair, nós vamos OK? – ela segurou o braço de Draco e arrastou-o para as escadas.
Harry colocou-se na frente dela e disse de modo que só ela pudesse ouvir:
- Eu sei que ainda me ama, Hermione, e eu não vou desistir de você.
Verde no castanho. Castanho no verde.
- É um jeito bem estranho de me mostrar isso – e saiu, sem nem ao menos lembrar que Draco estava bem atrás dela.
- Ei, me espera! – ele andava o mais rápido que podia, tentando acompanhar os passos da menina – Hermione, está me ouvindo?
- Desculpe – ela virou-se abruptamente para ele – Falou o que?
- Para você me esperar – ele a encarou desconfiado – Está tudo bem?
- Tudo ótimo, não poderia estar melhor! – exclamou a voz ligeiramente embargada – Por quê?
- Bom, nada. Só que é... O que foi ele te falou quando íamos saindo?
- Ele quem? – olhou-o, fingindo estar confusa – Do que é que...
-Não se faça de boba! – cortou-a, irritado – Agora vem dar uma de burra, é?
Hermione bufou furiosa, abrindo e fechando a boca várias vezes, procurando por uma resposta boa o suficiente para dar a aquele loiro atrevido, mas não encontrou nada a tempo. Ela girou os calcanhares para sair, mas a voz cortante do loiro a fez estancar:
- Se acovardando, Hermione? É impressão minha ou você está sempre me dando às costas e indo embora no meio de uma conversa? Pensei que Grifinória fosse a casa dos corajosos – ele balançou a cabeça negativamente e deu um passo em direção a garota – O que ele disse a você?
- Não lhe interessa – respondeu, mal educada. Ela umedeceu os lábios e suspirou – Por favor, Draco, eu realmente não estou a fim de brigar com você por causa do Harry, aquele... Aquele... Nem da Gina, aquela, aquela...
- Tudo bem, não vou insistir – falou Draco, enlaçando seu braço na cintura fina de Hermione – Mas mesmo assim...
- Você falou que não iria insistir – lembrou-lhe – Esqueça isso – ela falou em tom de que a conversa está encerrada. Draco franziu o cenho e sorriu. Adorava o jeito mandão dela.
- O que vamos fazer agora? – perguntou Draco assim que chegaram aos jardins do castelo.
- Bem – Hermione fitou os pés e sorriu timidamente –, pensei em passarmos um tempo juntos ali – ela apontou para o lugar onde ambos sempre gostavam de ir quando queriam se isolar. A árvore estava com os galhos secos, deixando-a extremamente estranha.
- Huuum – gemeu Draco e fitou-a maliciosamente – Passar um tempo juntos é?
- Tem uma ideia melhor? – indagou, ligeiramente ofendida.
-Talvez eu tenha – comentou displicente –, mas fica para depois.
Draco sentou-se desleixadamente sobre a grama, e Hermione sentou logo em seguida. O loiro abraçou-a carinhosamente, sentindo o cheiro cítrico do perfume dela. Era delicioso. Quando ele estava com Hermione era como se todos os mais profundos desejos de Draco rugissem furiosamente em seu peito, exigindo que fossem dignos de mais atenção. Hermione lhe causava as melhores e piores sensações. Desde a mais lancinante dor e desespero até a melhor cura para a sua nostalgia.
Não entendia o que exatamente vira nela. Quer dizer, ela era absolutamente comum. Linda, porém, simples. Não possuía cabelos ruivos e sedosos como o de Gina, nem olhos incrivelmente azuis e misteriosos como os de Luna. Não tinha um quê de malicia como Lilá, nem de segurança, como Pansy. Era comum e ao mesmo tempo tão diferente. Claro que ela tinha suas qualidades, mas estas não faziam parte nem eram compatíveis com as de uma mulher esperada por honrar o sobrenome Malfoy.
Hermione tombou a cabeça para o lado, apoiando-a no ombro do loiro. Ele inspirou com mais força, buscando sentir o máximo possível do cheiro dela. Roçou levemente os lábios no pescoço alvo da menina e sentiu-a se arrepiar. Sabia que ela o desejava, assim como sabia que também não o amava. Não ainda.
Olhou a mulher em seus braços e sabia que era ela que ele queria para estar sempre ao seu lado. Era ela que ele queria como esposa, como mãe de seus filhos. Queria acordar e sentir o cheiro do cabelo dela. Queria poder tocá-la, senti-la, amá-la. Queria dividir com ela todas as suas tristezas, todas as alegrias, todas as angústias e todas as vitórias. Queria construir uma família que ele nunca teve a oportunidade de ter. Iria ser um pai bom para seus filhos. Não seria como Lúcio, que tamanha era a cegueira em busca de poder, que atarefou ao próprio filho, matar uma das poucas que havia o entendido de verdade.
- Draco – a voz suave e doce de Hermione o fez despertar de seus devaneios –, você realmente me ama?
- Por que a pergunta? – questionou, olhando confuso para ela, que não o encarava.
- Apenas responda – pediu.
- Amo.
- Hum – resmungou – De que tanto?
- De que tanto? – ele endireitou-se, tentando olhá-la, mas ela recusava-se a encará-lo. – Do maior tanto que você puder imaginar.
- Isso não soou verdadeiro – resmungou novamente – Me ama a ponto de largar tudo por mim?
- Você é meu tudo, Hermione – falou, e não pode deixar de notar o sorriso discreto que se formou no rosto dela.
- Então se é assim – ela sentou-se de frente para ele, fitando-o misteriosamente – eu aceito namorar você.
(N/A: Poooooxa, até que enfim né postei né Vitória Lovegood? KKKKKK Eu pensei em fazer a Hermione torturar um pouco mais o Draco, mas aí eu mudei de ideia. Agradeço aos que leêm, aos que ainda comentam, e aos que eu menos, clicam na fic (: Gleek, meu anjo, sabe, eu agradeço mesmo você por comentar e ler, pois só de ver os seus comentários, eu já me sinto bem. Espero que continue lendo ok? ;D Então povo, é isso aí, o Harry ciumentinho né? Pior que não decide se quer a castanha ou a ruiva. Homens... --' Gina, em conflito com os sentimentos de amor e amizade, Malfoy angustiado com sua nova missão, mas ao mesmo tempo feliz por estar com Hermione e a nossa queridinha Granger, arrasando corações. Até mais para os que ficam. Beijo beijo .* )