Dezembro chegou voando e trazendo flocos de neve acompanhados pelo Natal. Os marotos e as garotas passariam as férias de Natal na Mansão Potter.
-- Nem acredito que vamos sair daqui hoje – espreguiçou-se Sirius entrando no trem. -- E ainda vou ficar perto da Kata.
Tiago que estava ao lado de Sirius deu lhe um soco no ombro.
-- Vê lá como fala da minha mãe.
Remo riu:
-- Ih Tiago, vc que não sabe, Sirius tem uma queda pela Sra. Potter desde os 12 anos.
-- Hei, não coloquem Almofadinhas na frente, ele tumultua. – precaveu Tiago.
-- Eu não tumultuo! – o maroto respondeu indignado.
-- Não sei qual é o pior – Lena revirou os olhos tomando a frente do corredor.
Em 5 minutos a garota achou uma cabine vazia, o que fez Sirius sorrir e erguer as sobrancelhas.
-- Uau...Tem alguma coisa que vc não saiba fazer?
-- Te aturar. – ela respondeu com um sorriso maroto.
Sirius sentou-se ao lado da garota e a beijou.
Ela dirigiu os lábios para o pescoço de Sirius, que soltou um gemido baixo.
-- Diga ai...- ela murmurou em voz sensual.
-- O que? -- ele replicou, ao mesmo tempo em que a garota abocanhava seu pescoço, mordendo.
-- AI LENA! -- gritou, levando a mão ao pescoço dolorido. -- Sua maluca.
A viagem transcorreu tranquila, em cerca de meia hora, os dois casais de amigos presentes curtiam o tempo sussurrando e trocando beijos, brincando entre eles. Tiago suspirou passando a mão pelos cabelos desgrenhados e encarou a ruiva ao seu lado.
-- Parece que sobramos.
Ela riu, concordando. Quando Lílian ria, seu nariz franzia de um jeito engraçado e delicado e Tiago deliciou-se encarando-a, permitiu viajar pelo rosto delicado da garota. Observou as bochechas corando quando ela reparou o olhar penetrante dele e se sentiu envergonhada, como uma garotinha.
-- O que foi, Tiago? -- reclamou Lily, desconfortavel.
-- Você fica linda de rabo de cavalo.
A doçura com que ele pronunciou essas palavras a pegaram desprevinida, ela sorriu e relaxou, deixando a cabeça pender delicadamente no ombro do maroto. Ele não pôde ver, mas ela sorriu levemente, feliz com o conforto do ombro do moreno. Ouvia a respiração calma dele e sentia sua mao pousada em sua cintura, e aquilo parecia tao certo, tao fácil, que tudo o que ela quis foi passar a vida toda assim.
Decidiu então, cumprir com o que já tinha dito a ele, deixaria os sentimentos que nutria por Tiago simplesmente rolarem, veria aonde iria dar. Mas de uma coisa ela sabia, estava se apaixonando pelo maroto.
Ao chegarem na plataforma, o sol já estava deitando-se no horizonte, colorindo a cidade de laranja. Katarina Potter esperava-os, sorrindo.
-- Olá, queridos.
Lílian então entendeu o que Sirius quisera dizer provocando Tiago daquela forma mais cedo, a Sra. Potter era uma mulher deslumbrante, de cabelos lisos e olhos como os de Tiago.
-- Oi, Sra. Potter.
-- Ora, por favor ruivinha, Sra. Potter faz com que eu me sinta velha. Me chame de Katarina ou de Kata.
Lílian sorriu ao ouvir a mãe de Tiago chamá-la da mesma forma carinhosa que o filho fazia. Tal mãe, tal filho.
-- Você deve ser Lílian Evans. Acertei?
-- Sim, como adivinhou?
-- Tiago fala desde o terceiro ano as férias inteiras sobre você “a linda ruiva de olhos verdes” ou então “a minha futura esposa”.
A ruiva suspirou e sorriu enquanto trocava um olhar de cumplicidade com a mulher a sua frente, e enquanto todos juntavam suas coisas e entravam no Mercedes preto de Katarina, perdeu-se em pensamentos em que se imaginava como a esposa de Tiago.
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Algumas quadras depois, a Mansão Potter pôde ser avistada, maior e mais grandiosa do que nunca. Lílian viu-se boquiaberta com a beleza dos jardins enfeitados com luzes de natal e guirlandas, a neve caía em flocos leves como se decidisse colaborar com a beleza da casa.
Constatou, após passar as grandes e pesadas portas duplas de madeira, que a casa era tao majestosa por dentro quanto era por fora, e estava igualmente enfeitada com luzes, além de um imenso pinheirinho que quase alcançava o teto da sala, em volta dele pequeninas fadas voavam e mandavam beijos para os recém-chegados. Uma coisa a ruiva ja notara, Tiago sabia viver muito bem.
-- Por que nao mostra os quartos aos hóspedes antes do jantar, querido? -- Katarina sorriu indicando a escada com os olhos perfeitamente pintados.
Tiago assentiu e junto com Sirius (a quem Tiago xingou de intrometido e recebeu a resposta de que ele, Sirius, também era da família) levou Remo, Lena, Jane e Lílian escadaria acima.
-- Depois do que parece vários milênios e dias chuvosos subimos a gigantesca escadaria! – disse Sirius em voz dramática.
Tiago revirou os olhos e apontou para a primeira porta dupla em que eles passavam -- Bom, Sirius, você fica com esse.
Sirius entrou no quarto e segundos depois, colocou a cabeça para fora da porta e sorriu, arrogante:
-- Por mim, tudo ótimo, desde que você coloque Lena no quarto ao lado.
Pontas limitou-se a revirar novamente os olhos e a bater a porta na cara do amigo, deixando-o dentro de seu quarto. Em alguns minutos, sobraram no corredor apenas Tiago, Lena e Lílian.
-- Certo, e nós dormiremos no corredor? -- perguntou a morena, faceira.
-- Não, só quero te proteger do tarado do Sirius e manter Lílian perto de mim. -- comentou ele, displiscente enquanto virava em outro corredor.
O chão era de um marmore branco como a neve que caía la fora e Lílian ficou intimidada por um segundo, com medo de sujá-lo. Nas paredes, quadros. Retratos de pessoas incrivelmente parecidas com Tiago, que murmuravam 'Boa noite' e acenavam sorrindo, alguns com gorros natalinos.
Após deixar Lena na primeira porta, Tiago e Lílian caminharam mais um pouco, passando por três portas.
-- Aqui é o banheiro, o armario e o acesso ao porão. -- justificou o maroto.
Ao chegarem no final do corredor, Tiago apontou para uma das portas.
-- Você fica com esse. A porta em frente é meu quarto. Se precisar, é só chamar.
Lílian assentiu e deu um beijo de boa-noite na bochecha de Tiago, entrando em seu quarto em seguida. Ao fechar a porta atrás de si, ela prendeu a respiração. O quarto era tão maravilhoso quando deveria ser um quarto de princesa. Inteiramente rosa claro, com direito a cama de casal com dossel e poltronas combinando. Uma lareira se estendia no fim do quarto e na outra extremidade estava a mais fantástica varana que a garota já vira. As portas eram de vidro e iam do chao até quase o teto. Ela sorriu ao constatar que Tiago dera a ela a melhor vista da casa.
Então, como se numa explosão de criança, jogou a mala na cama e riu, jogando-se sobre ela logo em seguida. Deu pulos na cama até cansar, sorrindo e se sentindo boba. Foi para o banho satisfeita.
Meia hora mais tarde, ela deixou o quarto cantarolando e quase esbarrando em Tiago, que saíra do dele no mesmo instante.
-- Ouvi sua bagunça aí dentro, que bom que gostou do quarto.
Ela corou violentamente dentro do blusão de lã vermelho, quis enfiar a cabeça num buraco do chao. Ai, como desejou ser um animago que se transforma em avestruz!
-- Relaxe, ruiva. -- riu-se Tiago. -- nao falei por mal. A proposito, voce está linda. Parece um presente de natal.
Ela sorriu de volta para ele e foram para a sala de jantar, permitindo-se roçar as mãos de vez em quando na caminhada.
-- Aleluia, os dois pombinhos! -- gritou Sirius, quando eles entraram na sala de jantar. -- Hmmmm -- o maroto estritou os belos olhos cinzentos -- Ninguem demora tanto assim num simples banho.
-- Ainda existem pessoas higienicas, Sirius. -- comentou Tiago -- Você deveria experimentar qualquer dia desses.
Só então, ao sentar-se, Lílian notou um homem sentado na ponta da mesa, olhando os garotos com um ar de divertimento. Ele tinha cabelos castanhos rebeldes e olhos azuis, que brilhavam atras de óculos de aros redondos. Era, de certa forma, parecídissimo com o maroto que roubava azeitonas do prato principal. Enquanto cumprimentava-o, a ruiva sorriu pra si mesma ao ver que nao se incomodaria de passar a vida toda com Tiago, caso ele fosse envelhecer com dignidade tal qual o pai envelhecera.
-- Então, é você a futura esposa.
-- Perdão?
Ele riu, uma risada rouca e gostosa que lembrava em muito a de Tiago.
-- Desculpe, Tiago fala bastante de você. É como se já nos conhecessemos. Arthur Potter. -- apresentou-se, beijando a mao da garota.
O jantar seguiu tranquilo, a comida era deliciosa e Lílian se sentia estranhamente em casa. Quase sem notar, pousou a mão sobre a mão direita de Tiago. E pareceu um gesto natural e certo.
-- SIRIUS! PÁRE DE CUTUCAR MEU PRATO, SEU NOGENTO! -- explodiu Lena quando o maroto tentava roubar sorrateiro mais uma azeitona.
A Sra. Potter olhou assustada para Lena e piscou um olho, murmurando como se fossem melhores amigas:
-- Ele é mesmo desprezivel. Pena que seja tão bonito.
-- Ei! -- exclamou Arthur, fazendo com que todos caíssem na risada.
Após o jantar, Lílian sentiu o vento congelante queimando sua pele enquanto caminhavam no jardim. Ela puxou o cachecol para mais perto. Remo e Jane foram para um lado e Sirius e Lena pareciam ter sumido, então mais uma vez ela se viu sozinha com Tiago. Caminharam até encontrar um banco em frente a um pequeno chafariz, onde se sentaram em silencio.
-- Bom -- suspirou Tiago do nada, enquanto procurava algo nos bolsos -- Eu sou péssimo com esse tipo de coisa porque nunca fiz isso antes. -- Lílian sentiu o ar ficar preso na garganta ao ver o maroto puxar do bolso uma caixinha de veludo.
Dentro, um par de brincos e o colar mais magnifico que ela já vira. Um coração verde esmeralda, brilhando pra ela.
-- Mas Tiago... -- começou ela.
-- Sh - interrompeu o garoto -- Nao estrague o momento. -- censurou ela, fazendo-a rir. -- Deixe-me colocar em você.
Ela ergueu os cabelos cor de fogo e sentiu ele fechando o colar em volta de seu pescoço, a pedra fria contra sua pele logo aqueceu-se. Pesava em seu pescoço de um jeito confortavel.
-- É o meu coração. -- comentou Tiago, como se comentasse o tempo.
-- Eu estou me apaixonando por você. -- comentou ela no mesmo tom.
-- Não. -- ele balançou a cabeça. -- Você está totalmente apaixonada por mim.
E, pegando-a pelos cabelos, selou seus lábios. Num beijo longo, quente e molhado. Delicioso.