Capítulo 34
Hermione se arrastou para a cama tão logo convencera as pessoas de que estava bem – Oh meu Deus, que constrangedor!
Ela estava ligeiramente envergonhada – um eufemismo adequado para sua mente em negação (ela iria acordar e ia perceber que tudo não passara de um sonho muito vivido... Porque a esperança, sinceramente, era a única coisa que ela tinha. Desde que o respeito próprio já se esvaíra entre os braços de Harry e nas altas cotas de auto-indulgência), isso se devia ao simples fato de que não havia maneira de que Draco Malfoy não fosse contar o "interlúdio" para Gina; e Gina, como boa amiga que era, zombaria eternamente de sua "amizade" com Harry.
Apesar de tudo, Hermione não podia se arrepender do olhar que vislumbrara nos olhos de Vitória, era tão terrivelmente delicioso reconhecer o ciúme em suas atitudes. A morena sabia que era egoísta e infantil pensar assim, mas hei, também era muito divertido. E não sentir, por um pequeno momento que fosse, culpa por mentir descaradamente seria aproveitado ao máximo.
Ela recostou a cabeça no ombro de Harry e fechou os olhos, imaginando que era apenas mais uma atitude covarde entre diversas desde que chegara àquele lugar. Ela não queria conversar, ela não queria pensar e ela não queria sentir o rosto queimar como sentia ainda agora, mesmo com todas as portas trancadas.
Hoje iria simplesmente dormir. Amanhã, depois que a humilhação fosse digerida, ela seria de Harry. Porque, por mais que ela quisesse apenas deixar para lidar depois – exatamente "uma era" depois. 'Depois' no dia de "São nunca, pela tarde" – quase podia ver as palavras que Harry prendia com firmeza entre seus dentes, junto a um sorriso de lado enervante que ela só queria quebrar: "precisamos conversar".
Hermione se perguntava desde quando aquela frase se tornara um clichê para Harry Potter, o senhor "inábil". Concedido, fazia muito tempo que ele tornara-se mais aberto para ela. E, a principio, Hermione até achara reconfortante e valioso. Agora, ela tinha medo. Ele não parecia ter qualquer problema com todas as atitudes impensadas – e ela nem queria imaginar quão equivocadas eram – que tomaram desde que recebera a carta do reencontro.
Harry, por outro lado, estava para além de frustrado. Escondendo num sorrisinho torto o quão machucado estava por sua amiga decidir, outra vez, se perder no mundinho seguro da negação.
Ele odiava a incerteza que estava lhe causando, mas Hermione sequer os enxergava corretamente. Ou melhor, ela hesitava em enfrentar a verdade.
Ele a aninhou cuidadosamente entre seus braços, feliz que ela ainda não havia surtado e perguntando-se se novamente acordaria sozinho no quarto, confuso como o inferno.
Um passo para frente e dois para trás. Onde eles chegariam assim? Harry suspirou tocando com os lábios o topo da cabeça da amiga.
Cansado demais para pensar em um plano de ação decente, Harry fechou os olhos. Amanhã seria um dia diferente.
Eram seis horas da manhã quando ela acordou e correu para o banheiro.
Meia hora depois, devidamente arrumada, Hermione saiu do quarto silenciosamente, sem sequer olhar para trás. Suspirou aliviada ao fechar a porta atrás de si sem qualquer incidente. Isto é: acordar Harry Potter.
Ela se dirigiu ao final do corredor e, sem sequer bater na porta, entrou no quarto. Assustando até a morte os ocupantes do local. Hermione não hesitou um passo ao se arrastar para a cama e deslizar para o lado de Gina, escondendo o rosto no ombro da amiga. – Eu sou uma grande idiota.
-O que DIABOS você está fazendo aqui, tem noção de que horas são?
Hermione ergueu a cabeça, finalmente ciente de Draco. - Você, fora, agora.
-Como você tem o atrevimento de chegar ao meu quarto e - a morena virou os olhos e o ignorou. Draco cortou a si mesmo com um sorriso torto: - Isso é por conta do Show de ontem a noite? Por que sinceramente a merda já está feita.
-Cale a boca!
–Malfoy, você precisa sair agora – Gina afirmou lançando um olhar preocupado à Hermione.
-Eu preciso repetir que este é o meu quarto? São seis horas da manhã pelo amor de Merlin, você não pode estar falando sério e, francamente, Granger, eu nunca a vi como uma pessoa dramática, mas...
Gina apertou os dedos contra os lábios dele. – Eu não me importo quanto às horas ou se este também é seu quarto, você tem de ir. Não quero saber para onde ou com quem estará, só não volte aqui até que lhe chame - Draco estreitou os olhos e Gina o fitou com exasperação. – O que está esperando? Vai!
Draco estava pronto para voltar aos três anos de idade e não ceder de forma nenhuma, forçando-as a encontrar outro lugar para o que quer que precisassem falar quando ouviu um som muitopeculiar vindo de Hermione, como se soluçasse baixinho. Seus olhos correram para a morena que ainda escondia o rosto, o corpo dela todo tremia e ele tinha quase certeza que ela estava chorando. Horrorizado, tornou a fitar a "esposa" e sem uma palavra, saiu da cama. Ele não podia lidar com mulheres chorando.
Verdade seja dita, ele não podia lidar com Hermione chorando e Gina o fitando como se fosse sua culpa. Mas, principalmente: ele não queria estar lá quando Hermione se acalmasse o suficiente para estar envergonhada de seu súbito ataque e descontar toda sua frustração nele. Com a benção – e provável ajuda - de Gina.
-Mione, Draco já foi embora. Qual é o problema, querida?
Quando Hermione a fitou, seus olhos estavam secos e cansados, sem qualquer vestígio de lágrimas. A morena suspirou. – Tem alguma coisa errada comigo. Eu não acho que posso tirar minhas mãos de Harry – falou gravemente e Gina não pode evitar rir. Hermione lhe ofereceu um olhar zangado. – Estou falando sério, Ginny.
-Eu sei, Vitoria que o diga. "Oh Deus, você está me matando"?
Hermione fechou os olhos deixando a cabeça cair no travesseiro da amiga. – Malfoy lhe contou? Que pergunta estúpida, esqueça. E pare de rir!
-Você tem noção do quanto sua voz está se quebrando enquanto fala? – Gina indagou divertida. Hermione abriu um dos olhos, um pequeno sorriso aparecendo em seus lábios contra sua vontade. – Vamos falar da noite anterior! Pelo jeito a sua foi bem mais interessante que a minha – Gina bateu palmas.
-Eu não estou comentando isso com você.
Gina fez beicinho. – Por que se atreveu a me acordar tão cedo e expulsar meu fiel escudeiro se não para contar vantagem?
-Fiel escudeiro?
Gina sorriu de lado. – Você não vai se safar tão fácil, Hermione. Não adianta tentar me constranger em relação à Draco – a morena ergueu a sobrancelha para o nome que escapara dos lábios de Gina duas vezes àquela manhã, a ruiva a ignorou. - A noite anterior já foi suficientemente embaraçosa, creia-me. Agora, conte-me tudo.
-Já lhe disse.
-Você não! Você chegou aqui, subiu na minha cabeça, me deu um abraço de morte e eu juro que pensei que havia acontecido algo ruim! Você me assustou. E agora estou recebendo todos os detalhes!
-O que quer que seja – Hermione resmungou. – Tive a estúpida ideia de acreditar que Harry estava falando sério quando me fez prometer usar o lingerie que ganhei.
-Não!
Hermione assentiu, ainda mortificada. – Então de repente Harry estava me fitando completamentechocado. Ele afirmou que sentia muito por ter me feito achar que me devia isso... Você pode imaginar minha reação. Foi assim, terrível, incrivelmente humilhante.
-Oh meu Deus, ele não deu nenhuma espiada? – Gina indagou abalada com a própria conclusão.
-Sério, Ginny? É tudo que consegue pensar? Estou lhe contando uma experiência horrível e você está preocupada se ele estava me checando?
-Bom... Havia tanto tecido que não deixava muito a imaginação, você sabe – Gina lhe ofertou um sorriso insinuante.
-Oh por favor!
-Está bem, continue.
Hermione hesitou, mas ambas sabiam que Gina ia fazê-la falar de qualquer forma, desse modo, a morena continuou:
– Harry decidiu que, se eu havia posto a maldita peça, ele queria ver.
-Oh, sem dúvida – Gina zombou sorridente. – Eu sabia que ele não iria resistir.
Hermione a fitou com um olhar de reprovação, antes de prosseguir:
-Por fim, ele afirmou que eu parecia adorável.
-Interessante.
-Não, não realmente. Eu simplesmente fiquei puta com sua descrição escolhida. "Adorável"?
Gina ergueu a sobrancelha. - Ele é seu melhor amigo, você queria que ele lhe dissesse o que? "Oh Hermione, estou morrendo de tesão por você?"
Hermione virou os olhos. –Claro que não, francamente, Ginny! Naquele momento o elogio me pareceu tão... paternal.
Gina fez uma careta. – Isso soa tão errado.
-Yeah, Harry me garantiu isso também.
-Espera! Você disse a ele?
Pela primeira vez, Hermione corou desviando o olhar. – Como uma criança mimada querendo atenção.
-O que ele respondeu?
-Que adorável não era algo ruim como eu pensava.
-Como ele fez isso? – Gina estreitou os olhos, porque de repente Hermione parecia ligeiramente fora do ar.
A morena riu de maneira agridoce, sinceramente não podia evitar. – Ele virou meu mundo de cabeça para baixo.
-Wow – Gina sorriu. Merlin querido, finalmente! - Então era verdade? Sobre o flagra? Pensei que estivessem apenas mexendo com Vitoria, mais uma vez.
Hermione suspirou. – Foi real dessa vez. E foi muito real há duas noites atrás.
Gina franziu o cenho e abriu a boca, tentando se situar. Logo caiu na cama rindo gostosamente. – Vai garota!
-Ginny, eu estou aterrorizada - A ruiva ficou de lado, observando sua melhor amiga morder o lábio inferior. – Estamos destruindo tudo aos poucos. Eu não posso... eu...
Gina a abraçou suavemente. – Acalme-se, vocês não vão deixar de ser amigos porque ele entrou em suas calças – disse com firmeza. - Vamos lá, vocês são Harry e Hermione. E vocês se amam. Todo mundo sabia que era questão de tempo para ele cair na sua cama, até mesmo você. E não me venha com suas crises de negação. Eu estou certa, você errada e fim da história.
-Não é tão simples assim.
-Querida, você sabe que não deveria estar conversando comigo sobre isso, não agora, não é? Não posso acreditar que veio até mim ao invés de conversar com Harry. Eu sei que está aterrorizada, mas, meu amor, de nós duas, a senhorita irracional sou eu, lembra? E não estou disposta a abrir mão de meu título. Assim, mexa esse seu traseiro bonito e volte para o nosso amigo delicioso antes que ele acorde. Então, mais tarde, você me conta os detalhes – Gina ordenou com um sorriso maroto, suas sobrancelhas movendo sugestivamente.
-Não quero conversar, quero que tudo volte a ser como antes – Hermione murmurou teimosamente.
-Não, você não quer. E pare de tentar convencer a si mesma a seguir o caminho mais fácil. Você não é assim. E mesmo que não queira conversar, sabe que precisa. Além disso, não há maneira de Harry deixar isso assim, como se nada tivesse acontecido.
-Você se surpreenderia – Hermione retrucou amargamente, erguendo-se da cama.
-O que isso significa?
-Harry está levando tudo surpreendentemente bem enquanto eu entro em parafuso, na verdade, ele parece não se importar de todo – retrucou afastando-se.
-Não mesmo.
Hermione deu de ombros.
(Continua)