O tempo foi passando gradativamente e rapidamente em Hogwarts, repleto de estudos até de madrugada e treinos de quadribol exaustivos (menos para Hermione, que apesar disso ia assisti-los em todos os treinos), quando se deram conta, os garotos já estavam a beira do Dia das Bruxas. Este ano, a responsabilidade de decoração havia ficado por conta dos monitores, o que significava que enquanto Harry e Gina tinham um tempinho de sobra, Rony e Hermione tinham um fim de semana cheio até a festa, que seria na segunda à noite. Eles teriam que ir no sábado a Hogsmeade fazer compras de todo o material que fosse necessário para a festa e ajudar a decoração do salão no domingo a noite, depois do jantar.
- Que grande saco de bosta de dragão! – reclamou Rony, na sexta a noite. – Eu precisava desse fim de semana para estudar! Tenho o dever de transfiguração para fazer e o de poções para terminar. A professora Grant é ainda mais rigorosa do que McGonagall era, vai me dá uma detenção se eu não aparecer com o dever na segunda. Por que simplesmente não fazem como nos outros anos? É só acenar a varinha e a decoração está toda lá.
- Você devia ter feito durante a semana como eu te disse – falou Hermione. – Teve duas noites em que você ficou de bobeira enquanto eu, Harry e Gina fazíamos os deveres. E você sabe que McGonagall quer incutir responsabilidade em alguns monitores, e precisa ganhar a confiança deles. – Ela acrescentou isso crispando um pouco os lábios. Os outros perceberam que ela estava falando dos monitores da Sonserina.
Rony olhou para ela mal humorado. Sabia que ela tinha razão mas não daria o braço a torcer, pelo menos não na frente de Harry e Gina.
- É, vou ter que dá um jeito – concluiu, ainda não olhando para a namorada, que exibia um ar de “Eu-te-avisei” que com certeza ocasionaria uma briga ainda maior entre os dois depois se ele não ficasse de boca fechado. Virou-se então para Harry e Gina e falou – E vocês? Que vão fazer?
- Não sei – Gina falou olhando para o livro que estava lendo.
- Ainda não pensamos – falou Harry. – Talvez um passeio e uma visita a Hagrid. Já se deu conta do quanto estamos presos nessa sala e na biblioteca desde que chegamos? Temos que dá aleluia que por causa da festa os professores nos deram uma folguinha, quer dizer – e deu uma risadinha – para quem não é monitor.
Rony amarrou a cara para ele também. Se concentrou em seus deveres até mais ou menos perto da meia noite, quando se deu por vencido e deu um boa noite a todos e um rápido beijo em Hermione (tão rápido que ela soube que ele ainda estava chateado com ela). Os outros não se demoraram muito para ir deitar.
No dia seguinte Rony e Hermione acordaram cedo como se fossem assistir aulas. Rony estava resmungando tanto que no meio no caminho para o salão principal, Hermione desistiu de responder ou de conversar com ele o que quer que fosse. Tomaram um café da manhã em silêncio e logo rumaram para Hogsmeade, onde o humor de Rony melhorou um pouco quando Hermione sugeriu que parassem antes na Dedosdemel para comprar uns doces.
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Harry acordou meio cedo para um fim de semana em que não havia nada para fazer e ficou uns minutos na cama pensando. “Nada para fazer a não ser aproveitar com Gina”, pensou aliviado, e feliz. Decidiu ir ao corujal dá um alô a sua nova Edwiges. Levantou-se e se vestiu. Notou que a cama de Rony já estava vazia. Riu tapando a boca com as mãos para que os outros não acordassem imaginando o quanto Hermione devia está agüentando de reclamações dele. Quando saiu da torre da grifinória, a Mulher Gorda o abordou:
- Não devia está dormindo num sábado tão cedo, querido? – perguntou, curiosa.
- Não é da sua conta – respondeu, por cima do ombro. Conseguiu vislumbrar que ela havia ficado com uma cara de mal humor pela resposta mal criada. Continuou sua caminhada, quando virou o segundo corredor, encontrou Filch que o olhou desconfiado. Mas não ousou falar nada que pudesse ofendê-lo, não agora que Harry era ainda mais importante na comunidade bruxa.
- Você não viu o Pirraça por ai, viu? – pergunto cauteloso a Harry, muito mais bondoso do que seria para outro estudante, mas ainda assim esquisito para tratar um aluno. Perguntando-se o que Pirraça poderia está aprontando a essa hora da manhã, respondeu que não e continuou seu caminho antes que Filch decidisse que esse tratamento com indulgências já estivesse cansando-o.
Chegou ao corujal e procurou por sua coruja. Demorou um pouco a encontrá-la lá em cima, no último poleiro. Chamou-a, mas ela estava ferrada no sono. Pensando que talvez fosse melhor deixá-la dormir um pouco, precipitou-se para fora do corujal pensando agora no café da manhã (de repente se descobriu faminto) quando encontrou Luna indo para o corujal também. Ela tinha uma carta na mão.
- Ah, bom dia Harry – disse sorrindo animada. – Não imaginei encontrar pessoas acordadas a essa hora, quer dizer só monitores. – E deu uma risadinha.
- É verdade. Bom dia Luna – respondeu. – Tudo bom?
- Sim! Hermione me disse que Ronald não ficou nada feliz não é? De ter que acordar muito cedo num sábado.
- Quem sabe agora ele não deixa os deveres para última hora. Bom, eu já vou indo Luna, a gente se vê.
- Adeus Harry! – acenou ela com um entusiasmo ainda maior do que o que seria normal.
Harry passou o caminho até o salão principal pensando em Luna. E no namorado dela, Neville. Harry gostava muito dos dois, eram bons amigos. Ultimamente, as pessoas pararam de implicar com ela (costumavam chamá-la de lunática ou coisas assim, sempre muito ofensivas), isso era bom. Ela nunca pareceu se importar, mas Harry não achava bom, ainda mais fazendo isso com pessoas boas. Na verdade, Harry nunca a vira tão feliz como agora, nem Neville. O lance deles parecia ser sério. E isso deixava Harry muito feliz.
Sentou-se em na mesa para tomar o café da manhã. Já estava na segunda torrada quando Gina sentou do seu lado e lhe deu um beijo na bochecha (Harry nunca gostou muito de demonstrações públicas de afeto, e Gina respeitava isso). Isso logo o lembrou da “escapada” que haviam dado ontem, logo após o jantar, em que entraram numa sala de aula vazia e... bom... Harry intimamente agradecia que Rony estivesse meio atrasado com os deveres, portanto, refém da sala comunal. Tal lembrança o fez engasgar com o suco de abóbora. Gina olhou para ele e disse:
- Tenho uma surpresa para você!
- O que é? – olhou para ela com uma expressão curiosa.
- Se eu te disser o que é, não vai ser surpresa, bobão! – disse ela rindo.
- Gina... eu não sou o tipo que gosta de surpresas – disse ele ficando sério. – O que é?
- Você vai gostar! – falou ela com entusiasmo. – Me espere em frente a aquela estátua da Lucy, a Vira-Casaca no quarto andar, você sabe, aquela perto da sala de Defesa Contra as Artes das Trevas, logo depois do almoço, às duas da tarde. Leve o mapa do maroto e a capa de invisibilidade, é importante.
- Você tá aprontando alguma, eu sei viu? – disse ele.
- Não, mas é necessário, você vai entender por que.
Harry achou melhor concordar, Gina bem que podia azará-lo ali mesmo se ele dissesse não. Os dois não conversaram muito depois disso, estavam concentrados em seu café. Gina ia tentar fazer algum dever de casa de última hora (as vezes era difícil saber quem estava mais atrasado com os deveres, Rony ou Gina) até a hora do almoço, enquanto Harry ia visitar Hagrid. Ainda pensando na mirabolante ideia que Gina pudesse está tendo, ele foi andando em direção a cabana de Hagrid. Então se lembrou do que havia prometido a Sra. Weasley: fosse o que fosse, não ia deixar Gina ser expulsa. Bom, se a ideia que ela tinha de algo que fosse divertido fosse algo que pudesse acarretar a expulsão dela (e dele possivelmente, pois o mapa e a capa eram dele e ela parecia querer que ele participasse de toda a ação envolvida) ele iria fazê-la escutar a voz da razão. Achando que talvez não fosse funcionar (Gina exercia um controle sobre ele às vezes absurdo) ele bateu à porta da cabana de Hagrid. Não houve resposta. Bateu novamente. Nada. Depois de uns 10 minutos, quando Harry já estava quase desistindo, Hagrid apareceu vindo da floresta. O arco apoiado no ombro e as flechas presas a aljava às costas. Isso assustou Harry.
- Harry! – disse Hagrid animado ao vê-lo. – Onde estão os outros? Por que não vieram também?
- Rony e Hermione estão em Hogsmeade, para comprar a decoração da festa de segunda e Gina está fazendo deveres de casa.
- Claro. – falou Hagrid. – A festa, é responsabilidade deles, me esqueci. Vamos, entre, ia mesmo fazer um chá para mim.
Harry entrou e acomodou-se na cadeira à mesa de Hagrid. Canino gostou muito de velo, pulou de alegria e babou suas vestes. Hagrid então lhe serviu uma caneca-balde de chá de camomila fervendo (havia colocado tanta água que mal se podia sentir o gosto do chá). Conversaram a maior parte do tempo sobre a temporada de quadribol. Como novo diretor de Grifinória, ele demonstrava agora uma animação ainda maior sobre a copa, queria mais do que nunca que a casa ganhasse. Dado o fato de que não se realizara no ano anterior, a expectativa pelo primeiro jogo (Grifinória e Lufa-Lufa) no meio de novembro era ainda maior.
- Vocês estão treinando bem, não é Harry? – quis logo saber. – Eu tenho visto vocês treinando várias vezes da minha cabana, sabe. Mas quantidade não quer dizer qualidade, não é? Não importa se treinam quatro vezes por semana se não estão se dedicando ao máximo, não é?
- Estamos muito bem, Hagrid – acrescentou sorrindo. Era bem verdade isso. Afinal, agora Rony não sofria mais dos nervos (fato que Harry associava a Hermione, então dava graças a Merlin pelos dois estarem namorando a sério agora). – Não posso garantir que vamos ganhar. Andei vendo os outros times, Corvinal está com uma lateral muito boa, difícil de bloquear, Sonserina reforçou a defesa, mais difícil de vazar, enquanto Lufa-Lufa tem um novo apanhador, muito rápido. Mas pelo menos estamos com um bom time e estaremos a altura dos demais.
- Apanhador rápido é? – Hagrid bufou e riu. – Não diga bobagens, ninguém nunca será bom como você. E nunca vi ninguém marcar gols como Gina em todos os meus anos de Hogwarts! Céus! Os filhos de vocês vão ter que jogar na seleção, com pais como vocês.
Filhos? Harry corou furiosamente. Tomou um longo gole de chá. Nunca havia pensado nisso e não queria pensar nem discutir isso com Hagrid. Mudou de assunto então para as aulas de Hagrid. Ele pareceu não perceber que a mudança de assunto havia sido intencional. Desatou a falar sobre um monte de novas criaturas que havia conseguido para suas aulas. O resto da visita foi bem tranqüila, conversando sobre criaturas mágicas. Quando passou do meio dia, Harry voltou ao castelo para almoçar. Durante quase todo o tempo em que estivera na casa de Hagrid a armação de Gina ainda estava em sua cabeça. Ele estava fervilhando de curiosidade. Almoçou sozinho (empadão de galinha e torta de maçã) imaginando que Gina devia está preparando sua ‘armadilha’, ou se simplesmente ela já havia almoçado. Depois de ter repetido o almoço e a sobremesa duas vezes, viu que era uma e quarenta em seu relógio, resolveu ir logo apanhar a capa e o mapa na torre de grifinória, e ir direto para onde Gina havia pedido (para não falar em mandado) que ele fosse. Localizou a estátua da Lucy, a Vira-Casaca. Era uma bruxa velha, de aparência frágil, olhos saltados e estrábicos, que segurava uma faca, com a qual aparentemente acabara de se matar. Olhou novamente o relógio, eram duas e cinco. Logo Gina estava atrasada. Não se importando muito com isso continuou a esperar. A cada minuto que passava ficava mais nervoso. Quando finalmente eram duas e quinze, Gina apareceu, com um sorriso enorme nos lábios. Abraçou Harry com carinho, que a abraçou também meio confuso. Ela beijou-o nos lábios com bastante vontade, mas ele logo se separou dela.
- Gi, aqui não – falou ele meio corado. Afinal eles estavam num corredor público. Estava deserto no momento, mas podia ser que não fosse por muito tempo, não é? – Então, qual a surpresa?
- Vamos vestir a capa, eu fico com o mapa do maroto – disse arrancando-o das mãos do namorado. – E você vai colocar isso – mostrou a ele um pedaço de pano preto.
- O que é isso? – perguntou ele confuso, arregalando os olhos para o pano.
- Uma venda, para não estragar a surpresa – respondeu ela com um sorriso malicioso nos lábios. – Eu vou te guiar e te levar para o lugar da surpresa.
- Então aqui não é o lugar da surpresa? – perguntou ele.
- Sabe, as vezes você não é tão inteligente quanto poderia ser – disse ela, se acabando de rir. – Claro que não é a surpresa não é? O que poderia ser aqui? Reforço em Defesa Contra as Artes das Trevas? Como se eu ou você principalmente precisássemos disso – e caiu na gargalhada mais uma vez.
- Eu não quero usar essa venda maldita! – disse ele.
- Você vai estragar a minha surpresa? – de repente ela parecia triste, e estava dando aquele olhar...
“NÃO”, pensou ele, “o olhar não”. Ele sabia que não podia resistir aquele olhar...
- Tá bom, vamos logo.
Gina sorriu. Ajudou-o a colocar a venda. Amarrou bem para que ele não pudesse ver nada. Cobriu-os com a capa. Harry segurou no braço dela para que ela o guiasse. A viagem para onde quer que Gina o estivesse levando parecia durar pelo menos horas. Parecia que estavam dando voltas e mais voltas pelo castelo. Logo ele perdeu a noção de onde poderiam está nesse momento. Gina o fez parar finalmente. Tirou a capa de cima deles e sussurrou em seu ouvido:
- Espere aqui, o lugar que a gente vai é logo ali na frente, uns 5 metros. Mas eu quero que você espere, eu venho te buscar.
O sussurro dela o fez se arrepiar, ele não estava esperando por isso. Ela realmente dera algumas voltas com ele no castelo, para despistá-lo. Finalmente pegou-o e o levou para o tal lugar. Ao retirar a venda Harry reconheceu o lugar, embora só estivesse estado lá uma vez e já fazia quase quatro anos.
Gina o levara ao banheiro dos monitores.
AVISO:
Como prometido, estou avisando que o próximo capítulo será uma NC, vcs já devem ter notado pelo final desse não é? então se não gosta, espere o outro