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17. Pagamentos


Fic: A noiva


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO DEZESSETE

Sabia que deveria ter-lhe dito quem era o homem diante o qual havia chorado, mas não teve coragem de aborrecê-la outra vez.
Quando o manto estava em ordem, Gina se sentiu melhor. Também a voz era alegre quando agradeceu pela gentileza. Ao ver seu marido perto da entrada, dedicou-lhe um amplo sorriso. Harry se alegrou tanto ao ver que ela já não chorava, que sorriu em resposta.
Não, nesse instante ele não a entristeceria. Esperaria até que estivessem sozinhos e ninguém fosse testemunha do desconforto de Gina.
A jovem subiu os degraus com as mãos unidas diante as dobras do manto, atraindo a atenção de Harry. Se deteve diante dele, inclinou a cabeça e murmurou em gaélico:
—Amo você, Harry.
—Eu também amo você, Gina.
Tentou tomá-la entre os braços, mas Gina retrocedeu e negou.
—Temos um convidado —o recordou.
—Então terei que esperar até mais tarde para... apalpá-la?
—Escutou tudo, não foi?
—Sim —admitiu Harry—. E entretanto, não parece demasiado zangada comigo.
—Seu rei é um homem muito bondoso.
Atônito, Harry ficou com a boca aberta.
—Então, soube desde o começo?
—Acha mesmo que teria recriminado o homem e dito que prestasse atenção se tivesse sabido desde o começo? —murmurou.—... Sou um pouco lenta, Harry, mas não estúpida. Soube quando me ajoelhei.
Harry começou a rir.
—Não deve lhe dizer que eu sei —sussurrou a mulher.
— Por que?
—Ele se sentiria magoado.
—Acha mesmo?
Gina assentiu:
—Harry, ele acredita que estar protegendo meus sentimentos. Não devemos desapontá-lo.
Fez uma reverência e deixou o salão antes que Harry tivesse tempo de dar uma resposta a essa afirmação ridícula. E nesse momento, o rei chamou-o.
Harry disse:
—Edgar, acha que eu vou desafiá-lo ou agradecer por ter me obrigado a casar com ela?
—Certamente, me agradecerá —respondeu Edgar—. E Henry desafiaria os dois, se soubesse a jóia que nos entregou.
Os dois homens riram.
—Não teremos que esperar muito —predisse Harry—. Minha esposa é capaz de desatar uma guerra contra Inglaterra nas próximas semanas. Houve ocasiões em que acreditei que ela era a arma secreta de Henry.
Gina ouviu as gargalhadas que emergiam pelas portas do salão. Perguntou-se qual seria a piada que Harry acabava de contar ao rei, e pensou que possivelmente fosse aquela desagradável história a respeito da inglesa morta.
Ao fechar as portas atrás de si, esteve a ponto de cair de joelhos. Todos os horríveis comentários que fez com Edgar zumbiam em sua cabeça. Que o Céu a amparasse, tinha até chorado diante o rei!
E o rei tinha sido compreensivo. Esse súbito pensamento lhe aqueceu o coração de gratidão. Ele era mesmo um homem bondoso.
—Gina, o que faz aqui, sozinha? —perguntou Bill.
—Bill, por que semelhante pergunta? Por acaso tenho que estar sempre acompanhada?
—Sim —respondeu o guerreiro, sem poder conter-se.
— Por ordem de Harry?
Em lugar de responder, o homem mudou de assunto.
—Gina, uma das cozinheiras queimou a mão e quer que você dê uma olhada.
Imediatamente, conseguiu distrair a atenção da jovem.
—Oh, pobre mulher! leve me até ela agora mesmo, Bill, e verei o que posso fazer.
Passou as duas horas seguintes atendendo a mulher ferida. Na verdade, a queimadura não era nada grave, mas Gina terminou fazendo uma agradável visita à grande família da mulher.
Bill ficou com ela todo o tempo. Quando retornavam à casa principal, Gina disse:
—Bill, queria pôr flores frescas na tumba de Helena. Você me acompanha?
—Sim. —Ao passar pelos estábulos e ver Sirius, que aprontava o cavalo, gritou-lhe, dizendo aonde iam.
Enquanto Gina recolhia flores silvestres, ela e Bill ficaram em confortável silêncio. Quando os braços da jovem transbordavam de flores, encaminharam-se colina acima, para a tumba de Helena. Passaram pelo cemitério consagrado, cercado por pranchas de pinheiro, e seguiram.
—Bill, você estava aqui quando Helena morreu?
—Sim.
—Disseram-me que ela se suicidou —prosseguiu a jovem—. O padre Weasley me contou que ela saltou do rochedo.
Bill assentiu e fez um gesto para a colina que estava à esquerda da sepultura de Helena.
—Foi por aqui.
— Alguém a viu saltar?
Bill voltou a assentir:
—Sim, Gina.
— Onde você estava? Por acaso viu...?
—Gina, é realmente necessário que falemos disto?
Gina se ajoelhou junto à tumba e tirou as flores velhas.
—Bill, só estou tentando entender —murmurou—.Acharia que sou obtusa se lhe dissesse que tenho a sensação de que Helena me pede que a compreenda?
—Talvez sim —respondeu Bill, esforçando-se por adotar um tom ligeiro—. Alguém já pôs flores na sepultura —assinalou, tratando de desviar o assunto.
—Fui eu, anteontem —respondeu Gina.
Não disse mais nada até que terminou de recobrir a sepultura com flores de cores vivazes.
Bill esperou até que ela o olhasse e perguntou:
—Gina, pode me explicar o que quis dizer com que Helena pede que a entenda? —apoiou-se sobre um joelho e começou a retorcer uma flor entre os dedos, aguardando a resposta. Reparou que Gina dava suaves tapinhas na tumba.
—Não faz muito sentido —resmungou de repente Gina—. Quando chegar o momento de contar a Hermione Kathleen , como poderei fazê-la entender? Antes eu tenho que compreender.
— O que há para entender? Helena estava desesperada. Ela...
—Mas Bill, acaso você a viu desesperada?
Bill moveu a cabeça.
—Não a conhecia o suficiente para julgar seu estado de ânimo. Admito que me surpreendi quando...
—Então, você não viu essa terrível infelicidade. O padre Weasley se surpreendeu tanto como você. Para ele, ela parecia contente. Estava impaciente por trazer sua filha para cá. Se tivesse temido ou odiado Harry, não teria querido trazer sua filha.
—Possivelmente acreditou que não tinha alternativa —assinalou Bill.
Gina se levantou e se encaminhou para a borda do que tinha saltado Helena.
—Ela pode ter caído. Sim, pode ter sido um acidente. Por que todos a condenaram?
Ela deteve-se perto da borda. Um estremecimento lhe passou pelos braços e ela se esfregou para afastar o frio.
—Quando conheci Harry, tinha um pouco de medo dele. Mas não demorei mais que um dia para compreender que é um homem bom e, desde o começo, soube que ele cuidaria de mim, Bill. Estou certa de que Helena devia sentir o mesmo.
Bill assentiu.
—Gina, não esqueça que Helena não conhecia Harry bem, pois foi convocado...
—Ela morreu logo? —perguntou Gina.
—Não —repôs Bill—. Aterrissou sobre aquela saliência lá —disse, assinalando uma rocha irregular—. quando Harry retornou, já a tinham tirado dali. Ninguém poderia tê-la salvo, nem você. Tinha as costas quebradas.
—Não estava morta?
—Morreu dois dias depois —respondeu Bill—. Não abriu os olhos, Gina, e acredito que não sofreu dor.
—Ela tropeçou —insistiu a jovem, insistindo em convencer-se.
—Gina, deveríamos retornar —afirmou Bill, com intenção de mudar de assunto—. Harry deve estar procurando por você. Agora que o rei partiu...
— Partiu? —interrompeu-o Gina—. Quando, Bill? Recém havia chegado...!
—Ele estava saindo enquanto você recolhia flores, Gina.
— Diabos! —murmurou a moça—. Não me despedi.
—Ele voltará logo —prometeu Bill—. Harry é como um filho para ele e o visita com regularidade.
Um ruído súbito atraiu a atenção de Bill e, no instante em que se voltava, uma pedra grande o golpeou na cabeça. Viu uma luz brilhante antes de tropeçar para trás.
Gina se virou no momento em que Bill começava a cair e, então, uma pedra atingiu sua testa, provocando um talho profundo. Gritou e agarrou Bill por trás. Desesperada, tratou de impedir que o soldado caísse pelo precipício.
Algo agudo a feriu no ombro e Gina gritou de dor. O peso de Bill era demais para ela. Soube que cairiam, mas recordou que o rochedo se inclinava para a esquerda... ou era para a direita?
— Por favor, Deus, me ajude! —gemeu, agarrando-se com mais força à cintura do guerreiro, e empregando todas as suas forças para empurrar os dois em direção à saliência abaixo deles.
Sobre o rochedo flutuou o som fantasmagórico de uma risada. Gina protegeu Bill, afundando o rosto deste no oco de seu próprio ombro. Em seguida uma dor aguda a atravessou, provocada pelas pedras sobre as que rolavam, irradiando-se por todo o corpo. Quando por fim alcançaram a saliência, o corpo de Bill absorveu a maior parte do impacto.
A risada se aproximava. Sobre o olho esquerdo de Gina brotava sangue, obstruindo-lhe a visão. Ela se enxugou com o dorso da mão e então empurrou Bill de volta contra a parede de rocha. Ela tentava desesperadamente mantê-los ocultos do inimigo. Enquanto o acomodava, Bill grunhiu; ela tapou-lhe a boca com a mão e se estendeu em cima dele.
Passaram-se longos minutos até que percebeu que as odiosas risadas tinham parado. Seu ombro e antebraço latejavam e Gina estirou a outra mão para massagear-se, tentando aliviar a dor. Ao sentir o punho de uma adaga que emergia do braço, gemeu e deixou cair a mão ao flanco. Soube que o objeto agudo era uma adaga: alguém a havia atacado com sua própria adaga!
Ouviu que alguém gritava seu nome, mas não respondeu até que reconheceu a voz:
— Estamos aqui, na saliência—gritou, sentindo que o alívio abafava sua voz.
— Meu Deus, Gina, o que...! —exclamou Sirius, ao inclinar-se no rochedo e ver o rosto de Gina que o olhava de volta—. Me dê a mão, moça.
—Tome cuidado, Sirius. Não se ajoelhe tão perto da borda. Alguém quis ferir Bill e a mim. Olhe em volta para se certificar de que estamos a salvo.
Sirius fez o que lhe pediu e, quando se voltou para a jovem, a expressão de seu rosto fez Gina se assustar.
—Bill está ferido —disse precipitadamente, sem dar atenção à mão que ele lhe estendia—. Se o deixo, ele pode rolar para o abismo.
Sirius fez um gesto de compreensão. Começava a retirar a mão quando, de repente, Gina se esticou e a agarrou:
—Quero Harry! —gritou—. Mas não quero que nos deixe sós aqui, Sirius. Por favor, não nos deixe.
Sirius apertou sua mão.
—Segure Bill, Gina. Não a deixarei. Gritarei pedindo ajuda.
Para e Gina foi a idéia mais maravilhosa que tinha ouvido, e lhe disse, em longas e entrecortadas frases. A dor era tão intensa que quase não podia pensar com clareza.
—Gina, solte minha mão. Sei que confia em mim.
—Sabe?
Ele lhe sorriu, ternamente.
—Por isso se segurou em mim —disse—. Agora, solte-me. Segure Bill —disse, com voz suave, tranqüilizadora.
—Sim —aceitou Gina, esforçando-se em concentrar-se no que lhe dizia—. Segurar Bill. Eu o farei, Sirius. Eu o protegerei.
Por fim, ela soltou-lhe a mão.
—Muito bem, garota —ouviu Gina, enquanto se inclinava outra vez para Bill. Apoiou a cabeça do ferido sobre seu colo—. Em uns minutos, Harry estará aqui, Bill. Sirius cuidará de nós até que ele chegue.
O grito rouco de Sirius fez rolar uma avalanche de cascalhos pela colina e Gina fechou os olhos. De súbito, a saliência começou a girar até que toda sua mente pareceu dar voltas em uníssono.
E então já não podia pensar.
Gina não se recuperou até que sentiu que alguém a puxava pelas mãos. Abriu os olhos e viu Harry inclinado sobre ela.
—Harry —murmurou, extasiada. Tentou alcançá-lo, mas a dor no antebraço a impediu. Deu um sorriso ao ver que ainda estava sobre a saliência.
A expressão do marido era sombria e, ao reparar nisso, Gina franziu a testa.
—Não construa um caixão. Harry, prometa-me isso. Não construa uma caixa para mim.
Pela expressão perplexa do marido, compreendeu que não sabia do que ela falava.
—Você ia fazer um ataúde para Carlos, lembra? Por favor...!
—Não farei uma caixa para você, amor —murmurou Harry.
Gina sorriu outra vez.
—Estou tão feliz em vê-lo...
A mão do marido tremeu.
—Eu também estou feliz em vê-la —disse, com voz rouca.
—Perdi minha adaga.
Ao que parecia, era tão difícil para Gina quanto para Harry acreditar nisso. Enquanto o marido afastava com suavidade o cabelo do rosto, ela franziu a testa, tentando lembrar qual era a outra pergunta que queria fazer.
Um instante depois, desistiu.
—Harry, a adaga...
—Meu amor, não se preocupe com a adaga —tranqüilizou-a Harry—. Gina, pode mover as pernas? Quero tomá-la em meus braços e erguê-la até meus homens. Querida, solte Bill agora. Deixe-me...
—Bill?
—Sim, amor, Bill.
Gina olhou como Harry começava a afastar suas mãos do peito de Bill, e então lembrou-se de tudo.
—Uma pedra acertou nele —disse—. Harry, o impacto o fez cair para trás. Ia escorregar pelo borda e eu fui atrás dele —apressou-se a dizer—. Era muito pesado e, como não podia evitar que caísse, rodeei-lhe a cintura com os braços e fiz com que os dois caíssemos sobre a saliência.
Ignorando a careta Angustiada de Harry, a jovem sorriu para ele.
—Não podia lembrar em que direção estava, mas adivinhei bem, não?
—Sim —disse Harry, em um murmúrio rouco.
—Terá que tirá-lo primeiro — ela ordenou. A voz de Gina já era assombrosamente clara. Sentia-se tão aliviada pela presença de Harry que tinha vontade de chorar.
Harry resolveu não discutir com ela. Colocou Bill sobre os ombros, como faria uma mulher com um xale, e se ergueu. Com as pernas separadas para manter o equilíbrio, levantou lentamente ao soldado desacordado por cima da cabeça.
—Já temos as mãos —gritou Sirius.
Quando tiraram o peso de cima dele, Harry afastou as pernas de Bill da parede de pedra e voltou a ajoelhar-se junto de Gina. A jovem viu que ele tinha os olhos suspeitamente úmidos e compreendeu que devia estar lhe causando uma grande angústia.
—Ficarei bem, Harry. Eu disse que não o deixaria.
Harry não podia acreditar. Gina o consolava!
—Não, não me deixará —murmurou, em tom carinhoso—. Já vi que o sangue que há em seu rosto é só aparente —completou, lembrando o que a própria Gina havia dito sobre a ferida no peito de Carlos.
— Minha adaga está em meu ombro —resmungou a jovem.
Harry não pareceu reagir à declaração, e Gina compreendeu que a ferida não devia ser tão espantosa como imaginava. Mesmo assim, necessitou que ele confirmasse isso para que ela se acalmasse:
—Está horrível, Harry?
—Não —respondeu o homem—. Além disso, não está no ombro, Gina.
—Eu a sinto —insistiu a mulher. Quis girar a cabeça para olhar, mas Harry segurou-lhe o queixo.
—Está no antebraço —esclareceu—. Você tem muita sorte: ela passou através da gordura.
—Não tenho nada de gordura —protestou Gina. Viu que Harry rasgava uma tira de seu próprio manto mas não adivinhou a razão—. Tem certeza, Harry? Oh, Deus, vai doer muito quando...!
Nunca terminou a frase. Harry já havia tirado a adaga com a velocidade de um raio. Enfaixou-lhe o braço com a tira de tecido antes que Gina tivesse força suficiente para gritar.
— Pronto! Não doeu, certo? —perguntou.
— Doeu sim!
—Calma, amor! —acalmou-a—. Você ia continuar se afligindo sobre o momento em que eu tirasse a adaga até passar mal.
Ele tinha razão, e ambos sabiam.
—Se tinha que ser esfaqueada um dia, escolheu o melhor lugar. A adaga não se cravou no osso.
Gina sufocou um protesto.
— Sabia que colocaria a culpa em mim! —disse-lhe. Concentrada em discutir, não notou que Harry a tinha em seus braços e lentamente se erguia—. Eu não me esfaqueei, e você bem sabe.
—Sei, amor, mas é muito amável de sua parte me lembrar disso —disse. Ergueu-a acima a cabeça. Gina olhou para baixo e Harry sentiu que ficava tensa. Pensou em adverti-la de que não olhasse para baixo, mas logo desistiu. O aviso apenas a lembraria de notar sua precária situação—. Ao menos, recuperou a adaga —afirmou, com tom estranhamente alegre.
—É mesmo —exclamou a contragosto—. Harry, está me machucando! —gritou, quando o marido, sem querer, roçou-lhe o braço, e fechou os olhos suportando a intensa dor.
—Sinto muito, Gina. Não queria machucá-la, moça.
A angústia que revelava a voz de Harry deixou o coração de Gina apertado.
—Não doeu muito —apressou-se a dizer. Sentiu que alguém a erguia dos ombros de Harry e abriu os olhos. Em poucos instantes, Sirius a tinha nos braços; Harry subiu pelo rochedo e Gina foi entregue com extrema suavidade outra vez ao marido.
Quando Harry montou seu cavalo, as feridas de Gina quase não incomodaram, pois o marido a mantinha bem protegida entre os braços. A força dele era um consolo para ela e suspirou com a cabeça apoiada no ombro do Harry.
—Por que não me perguntou se vi o atacante? — perguntou.
—Sei quem foi —respondeu o marido.
—Eu acredito que também sei —murmurou Gina—. Mas quero que você pronuncie o nome.
A própria Gina sabia que o que dizia não tinha sentido e a expressão sombria de Harry indicou que ele preferia não tocar no assunto agora. Ela, claro, não deu importância e perguntou:
— Quem era a testemunha?
— Que testemunha? —perguntou o marido, que se concentrava em fazer que o cavalo mantivesse um passo tranqüilo e sequer olhava para o rosto da esposa.
—A testemunha da morte da Helena —murmurou Gina.
—Cho.
Duas horas depois, Gina estava metida na cama no salão grande. Na precipitação por deixá-la instalada, Harry tinha derrubado o biombo. Tinham retirado o artefato e o salão estava lotado com os membros do clã.
Harry fez os curativos. Gina indicava que pós eram adequados e o obrigou a refazer duas vezes a vendagem, até que ficou satisfeita.
Bill também estava consciente e tinha uma terrível dor de cabeça. Mas Gina não lhe permitiu beber nada de cerveja. Ordenou que lhe pusessem panos frios na cabeça e que bebesse água.
—Terá que suportar a dor —opinou da cama—. E isso é tudo.
Enquanto a curavam, Gina não exalou um gemido nem fez uma careta. Na verdade, o motivo verdadeiro não era a coragem, mas sim a vaidade. Não exibiria covardia ante os familiares.
O padre Weasley a ajudou; enquanto Harry fazia os curativos, ele se sentou junto à moça e segurou-lhe a mão. Quando Harry terminou, a pequena Kathleen foi instalada junto a ela. Ao ver a bandagem na testa da mãe, a menina de três anos desatou a chorar, mas Harry a tranqüilizou, estimulando-a a que desse um beijo em sua mamãe.
Kathleen obedeceu imediatamente, e Gina a recompensou assegurando que depois do beijo se sentia muito melhor. Minutos depois, a menina adormeceu, enroladinha junto de Gina.
Esta viu que Sirius fazia um sinal ao Harry.
—Você a encontrou, então? —perguntou.
Ninguém respondeu, e Harry se encaminhou para a porta.
—Harry, traga Cho para dentro —disse Gina—. Quero perguntar por que fez isso.
Harry negou com a cabeça.
—Escutarei fora o que quer que tenha a me dizer.
—E depois disso?
—Já decidirei.
Ao ver que Gina se dispunha a chamar seu esposo outra vez , o padre Weasley apertou sua mão.
—Deixe as coisas nas mãos de Harry, moça. É um homem compassivo.
Gina assentiu.
—Sim, embora não irá admiti-lo, é compassivo. A mente de Cho está alterada —murmurou. —Harry vai levar isso em conta.
Nesse instante, essa gargalhada espantosa, desumana, ecoou no salão e a jovem agarrou-se à mão do sacerdote em busca de consolo. As palavras de Cho a açoitaram como um látego. O cantarolar da garota fazia mais agressivos seus gritos venenosos.
—Eu serei sua esposa, sim! Não importa quanto tempo leve, Potter. É meu direito. É o direito que Helena me roubou. Naquele momento eu o desafiei, Harry, e voltarei a fazê-lo.
Gina ouviu outro estalo de gargalhadas e o funesto cantarolar de Cho recomeçou:
—Matarei uma e outra vez, até que você tenha aprendido a lição. Tenho o direito de ficar com você. É...
O súbito silêncio que se seguiu a essas frases demoníacas sobressaltou Gina, que tentou sair da cama.
—Fique aí, Gina —ordenou Bill do pé da cama, surgindo sobre ela como um vingador furioso. Mas o ar autoritário se esfumou quando levou a mão à testa e começou a gemer—. Não deveria ter gritado com milady, mas Harry quer que fique onde está.
—Não deveria ter gritado porque fez minha cabeça doer —contra-atacou Gina.
—Por isso também —admitiu Bill.
Gina tirou os pés do caminho bem a tempo, pois Bill caiu aos pés da cama com outro doloroso gemido. A jovem imaginou que ele tentava distrair sua atenção do que acontecia lá fora, apelando à sua compaixão.
—Tenho plena fé em meu marido —disse a Bill—. Não precisa continuar se esforçando para me distrair.
—Então, posso beber um gole de cerveja? —perguntou Bill.
—Não.
—Há muita gente nessa cama —afirmou Harry do alto da escada.
Gina sorriu. Esperou até que ele a beijasse e então perguntou:
—Acabou? Harry assentiu.
—Harry, você ia se casar com ela, não é verdade?
—Edgar pensava unir os Potter ao clã deles para assegurar a paz. Sim, estive prometido a Cho.
—Mas ela é tão mais jovem que você...
—É só um ano mais jovem que você, Gina.
—Entretanto, parece uma menina —murmurou a jovem—. Edgar mudou de idéia depois que o marido da Helena morreu?
Harry assentiu.
—Isso mesmo. Helena estava grávida, e Edgar quis lhe garantir um bom lar.
Gina assentiu, e logo dedicou ao marido um sorriso luminoso. A estranha reação fez que Harry franzisse a testa.
—Harry, ela também não quis abandonar você.
O homem não compreendeu sua alegria até que Gina disse, dirigindo-se ao padre Weasley:
—Amanhã terá que benzer a tumba de Helena. Também terá que rezar uma missa de réquiem. Harry, todo o clã deverá estar presente.
—Gina, quer que seja sepultada em terra consagrada? —perguntou o padre Weasley.
Gina negou com a cabeça.
—Estenderemos o cemitério consagrado para que abranja toda essa parte. Óbvio, Harry e eu seremos sepultados junto a Helena. É o apropriado, não acha, marido?
—Sim—afirmou Harry, com voz rouca de emoção.
—Não se alegre tanto —provocou Gina—. Deixarei instruções para que o coloquem no centro, Potter. Terá uma esposa a cada lado, para vigiá-lo por toda a eternidade.
—Que Deus me ajude! —murmurou Harry.
—Ele já o fez —afirmou o padre Weasley—. Colocou duas boas mulheres em sua vida, Harry, e isso é um fato. Além do mais, o Criador tem senso de humor.
— Como assim? —perguntou Bill, entre gemidos.
—Esta doce moça a quem Harry ama é inglesa, e se isso não constitui uma brincadeira de Deus, não sei que outra coisa pode ser.
— Deus, ele começou a falar como ela! —disse Bill rindo, o que lamentou imediatamente, pois sua cabeça começou a doer outra vez.
Nesse momento, Gina viu Viviana ao outro lado do salão e comprovou que a mulher estava Angustiada.
—Não pensava em mandar Viviana embora, verdade Harry? —perguntou.
Harry negou com a cabeça e Gina fez gestos a Viviana para que se aproximasse.
—Viviana, você não está indo embora. Foi só um plano para fazer com que Cho tentasse me matar outra vez.
—Outra vez, esposa? Isso significa que sabia que o incêndio...
—Não —interrompeu-o Gina—. Não sabia até que ouvir novamente a risada de Cho e a reconheci. Foi a mesma que ouvi quando fiquei presa naquela choça.
Fez uma pausa e olhou para seu marido com ar severo.
—Harry, não foi gentil de sua parte me usar como isca.
—Não deveria ter sido assim —retrucou Harry em tom duro—. Providenciamos para que Bill não se separasse de você, e que Sirius não perdesse Cho de vista.
—É minha culpa —resmungou Viviana—. Não sabia que planejavam uma armadilha. Pensei que Cho estava doente, pois se meteu na cama quando nos disseram que tínhamos que partir. Eu estava tão Angustiada que não me dei conta de que ela havia saído.
—Não, irmã —interveio Sirius, aproximando-se de Viviana—. É minha culpa. Eu assumo toda a responsabilidade.
—Mas eu lhe disse que aprontasse os cavalos —argumentou Viviana.
—Não foi culpa de ninguém —disse Gina—. Viviana, você quer ficar conosco, não é? Não poderia me arranjar sem você... pelo menos até que consiga um marido apropriado —completou.
—Nunca quisemos que você partisse —assegurou Harry a Viviana—. Mas queria que Cho pensasse que mandava as duas embora por causa de seu parentesco com Helena. Vai se lembrar que, quando lhe ordenei que partisse, disse que não queria nada que me lembrasse minha primeira esposa.
Viviana assentiu.
—Lembro disso.
Harry sorriu.
—Você nunca me questionou. Não estranhou por que Kathleen não estivesse incluída?
Viviana abanou a cabeça.
—Estava muito perturbada para pensar nisso —admitiu.
—Eu pensei —respondeu Harry—. Mas só depois que saí de sua cabana.
—Perdoe seu senhor por lhe causar tanta angústia —disse Gina.
Viviana se apressou a assentir.
—Oh, agora o compreendo.
—Poderia levar Kathleen a seu quarto, por favor? —pediu Gina, vendo que Viviana estava a ponto de perder a compostura.
Gina esperou até que Viviana levasse Kathleen para cima e então fez a Harry a pergunta que a preocupava:
—O que fará com Cho?
O marido não respondeu.
Harry estava sendo impossível. Em toda a semana não deixou que Gina se levantasse da cama. Queria que cochilasse durante o dia e que logo dormisse profundamente à noite. Gina ficou pasma de poder satisfazê-lo.
As visitas diárias de sua irmã fizeram sua convalescença mais fácil. Hermione a ajudou a bordar a tapeçaria com o retrato de Edgar, e por fim assumiu a tarefa, ao ver que Gina não tinha a paciência nem a habilidade para realizá-la.
Na primeira visita, Hermione lhe murmurou que Rony ainda não se deitara com ela. Gina se inquietou mais por isso que a própria Hermione, mas quando lhe explicou com termos gerais, cuidadosamente escolhidos, claro, como essa intimidade era maravilhosa, o interesse da irmã despertou.
—Ele tem uma amante —confessou Hermione—. Mas dorme comigo todas as noites.
—Hermione, é hora de limpar sua casa —aconselhou Gina—. Expulse essa mulher.
—Gina, ele se zangará comigo —sussurrou a irmã—. Me acostumei a seus sorrisos e não quero que se irrite. Por outra parte, agora que parei de chorar é muito bondoso comigo. Não pode suportar as lágrimas e eu comecei a me afeiçoar e ele.
Essa confissão alegrou Gina.
—Então peça a ele que se deite com você —sugeriu.
—Eu tenho meu orgulho —contrapôs Hermione—. Entretanto, me ocorreu um plano.
—De que se trata?
—Pensei em lhe dizer que poderia conservar a amante, e ter a mim também .
—Não pode pensar seriamente em compartilhá-lo —argumentou Gina.
Hermione ergueu os ombros em um gesto de impotência.
—Quero que Rony goste de mim, Gina —admitiu.
Começou a chorar no mesmo momento em que Harry irrompia no salão. Gina manteve o sorriso pelo bem de Hermione, mas com esforço. Assim que Harry viu o estado de Hermione, deu meia-volta e saiu outra vez.
—Os homens detestam as lágrimas —disse, concordando com a afirmação anterior da irmã.
—Diga a Rony que conserve a amante —aconselhou Gina—. Não me olhe assim, Hermione. Pode lhe dizer que você acha que ele precisa praticar e que, quando ele estiver bem treinado, ele pode vir até você.
Ao ouvir que Gina e a irmã riam, Harry voltou para o salão.
Durante dois dias Hermione não veio ver sua irmã. Gina se preocupou muito por ela mas, quando ao fim Hermione apareceu, três dias depois, seu sorriso radiante lhe disse que tudo estava bem.
Hermione quis contar os detalhes, mas Gina não quis escutá-los. Hermione insistiu, e quando estava na metade do relato a respeito de como Rony era maravilhoso, Harry, Bill, Sirius e o mesmo Rony entraram no salão. Queriam participar da conversa e mudou de assunto imediatamente.
Harry manteve Gina acordada quase toda a noite, fazendo amor com ela. Não a deixou ser tão agressiva quanto ela pretendia, temeroso de que não estivesse completamente recuperada. Ao fim, teve que admitir que, infelizmente, embora ele fosse mais forte, Gina tinha mais energia.
Na manhã seguinte, ele partiu para cumprir encargos do rei Edgar e esteve ausente uma semana. Gina empregou esse tempo em realizar outra pequena mudança na casa.
Tirou do grande salão a cama e a plataforma, e o biombo ocultava agora a entrada à despensa. Embora era uma tradição inglesa, quando os soldados verificaram que, desse modo, teriam acesso mais fácil à cerveja, aceitaram as ordens da senhora sem excessivas queixas.
Harry retornou três dias depois. E outra vez, os soldados se alinharam, dispostos a defender sua senhora.
Harry se sentou à cabeceira da mesa e manteve a mandíbula apertada enquanto Gina lhe explicava a necessidade de contar com uma despensa.
Custou-lhe aceitar a mudança. Mas Gina se sentiu satisfeita, pois ele não levantou a voz em nenhum momento. Soube que lhe custava um enorme esforço. As pele estava rubra e o músculo da face começou a contrair-se espasmodicamente outra vez. Ela sentia simpatia por ele, também. Por isso, Gina sequer piscou quando Harry lhe pediu em voz baixa e controlada que o deixasse em paz uns minutos.
Ao ver que ela não se detinha junto à lareira para pegar uma moeda da caixa que estava sobre o suporte, Harry soube que o pedido não a aborrecia. Já havia aprendido que esse era um modo sutil de Gina lhe demonstrar que estava zangada. Jamais dizia uma palavra. Limitava-se a olhá-lo com severidade e pegava um xelim da caixa. Ignorava que o padre Weasley repunha as moedas em seu lugar todas as noites.
Ainda tinha problemas de adaptação. Algumas noites, o padre Weasley tinha nove xelins na mão.
A irmã de Gina estava apeando quando esta saiu, com Kathleen apoiada sobre o quadril.
—Tenho uma notícia espantosa —disse Hermione precipitadamente—: Draco está a caminho daqui.
—Draco?
—O homem a quem esteve prometida —recordou Hermione—. Gina, não é possível que o tenha esquecido!
—Não o esqueci —respondeu Gina. Entregou Kathleen a Hermione quando esta a pediu. Enquanto a irmã abraçava a menina, Gina tentou manter a calma—. Hermione, para que Draco virá? E você, como soube?
—Ouvi Rony comentando com seus homens. Gina, todos os clãs das Terras Altas sabem que ele vem, pois Draco e seu exército tiveram que passar por suas terras.
— Oh meu Deus! Ele vem para cá com um exército?
—Sim.
—Mas, por que, Hermione?
—Pelo empréstimo —murmurou Hermione, depois de colocar a sobrinha no chão—. Lembra das moedas que ele emprestou a papai?
— Como poderia esquecer? Papai praticamente me vendeu a Draco! —gemeu—. Oh, Hermione, não posso permitir que me humilhe diante de meu clã! Não posso deixar que Draco me envergonhe assim. Bom Deus, Hermione, Harry quererá matar Draco!
Hermione assentiu:
—Foi isso mesmo o que disse Rony.
—Isso significa que ele sabe por que Draco vem aqui? —perguntou Gina, aflita.
—Sim. Draco teve que explicar por que estava nas Terras Altas. Se não o fizesse, não teria chegado muito longe sem que o matassem. Irmã, não notou que os escoceses não gostam muito dos ingleses?
— Droga, Hermione! Quem não sabe?
—Gina, esse modo de falar não é próprio de uma dama.
—Não posso evitá-lo —exclamou Gina—. Sempre sou a última a saber das coisas por aqui. Acha que Harry sabe que Draco está vindo?
Hermione encolheu os ombros, num gesto de impotência.
—Rony diz que todos os escoceses sabem quando alguém se aproxima de seu feudo. Suponho...
—Não posso permiti-lo. Não quero ser responsável por iniciar uma guerra contra a Inglaterra, também.
— O mais provável é que Harry só mate Draco e os que o seguem.
—Hermione, por acaso acha que o rei Henry não notará a ausência de um de seus barões? Quando o convocar o exército e ele não estiver, achará estranho...
Deixou a explicação sem terminar e, arrebatando as rédeas do cavalo de Hermione, montou.
—Gina, o que pensa fazer?
—Irei procurar ao Draco e tratarei de argumentar com ele. Prometerei que lhe enviarei as moedas.
—Gina, logo escurecerá. Por isso Rony não queria que viesse visitá-la.
Gina sorriu:
—Mas de todos os modos você veio, não, Hermione?
—Tinha que avisá-la disso, irmã. Pensei que quereria se esconder por um tempo.
—Avisar foi a coisa mais valente e menos egoísta que poderia ter feito, mas sabe bem que jamais me esconderei.
—Esperava que o fizesse. O que por certo não pensei é que iria atrás de Draco. Acha mesmo que fui valente, Gina?
Gina assentiu.
—Agora me escute bem, Hermione. Quero que me prometa que não dirá a ninguém onde fui, sim?
—Prometo.
—Cuide de Kathleen até que eu retorne.
—O que direi ao Harry?
—Não lhe diga nada.
—Mas...
—Chore —exclamou Gina. —Sim, Hermione, chora. Se Harry a vir chorando, não perguntará nada. Estarei de volta antes que ele note minha ausência. E agora, me indique a direção correta, Hermione.
—É só descer a colina, Gina.
Hermione se benzeu depressa enquanto observava a sua irmã que galopava colina abaixo. O padre Weasley se aproximou de Hermione, saudou-a e assinalou que sem dúvida lady Potter tinha pressa; perguntou se, por acaso, lady Ferguson sabia aonde ia.
Lady Ferguson desatou a chorar imediatamente.
Manteve a promessa que havia feito a sua irmã. Não disse a Harry aonde Gina tinha ido. Não houve necessidade de fazê-lo, pois Kathleen contou tudo.
A pequena entrou assim que a mãe partiu. Correu para Harry, subiu ao colo deste e bebeu um grande gole de cerveja antes que o pai visse o que fazia. Harry tirou-lhe a taça e a substituiu por uma taça com água. Quando terminou de beber, o homem lhe perguntou distraído onde estava mamãe.
Kathleen se recostou sobre o peito do pai e, brincando com os dedinhos dos pés no cinturão de Harry, repetiu quase literalmente toda a conversa que havia escutado.
Em consideração à menina, Harry não começou a gritar até que esteve fora de casa. Quando a irmã de Gina viu o semblante do cunhado, não teve que se esforçar para chorar. Imediatamente ficou histérica.
O padre Weasley fez o que pôde para consolar a mulher, mas seus esforços foram em vão. Para o momento em que Harry saiu com um contingente de soldados, Hermione gritava como uma galinha apanhada numa armadilha. O sacerdote entrou na capela para orar pela paz. Mais especificamente, rogou que para que Rony aparecesse para buscar sua esposa.
Harry seguiu a pista de Gina. Ao ver que fazia uma curva para o leste, relaxou. Tinha ido na direção do feudo dos Ferguson.
— Por que mudou de idéia? —perguntou Sirius.
—Ela se perdeu —gritou Harry sobre o ombro—. E agradeço a Deus por isso! —murmurou para si.
Uns quinze minutos depois, ele se encontrou com Gina e a obrigou a parar, fazendo com que os soldados a rodeassem.
Marido e esposa ficaram frente a frente. Durante um comprido minuto, ninguém disse nada. Gina ela buscava desesperadamente uma desculpa válida, enquanto Harry se perguntava que mentira a esposa inventaria.
—Você me pediu que o deixasse em paz por uns minutos —disse a mulher.
—Sim.
Gina esporeou ao cavalo para frente. Ao chegar junto ao Harry, murmurou:
—Achei que poderia negociar com Draco. Minha irmã lhe disse aonde eu ia, não foi?
—Sua filha me contou.
Gina abriu os olhos assombrada.
— De hoje em adiante, devo tomar cuidado com o que digo diante da menina.
—Você se lembrará de não tentar algo assim tão tolo no futuro.
— Por favor, Harry, não se zangue comigo! —ela implorou.
Harry tomou-a pela nuca e lhe deu um beijo longo e rude.
— Por que não veio até mim quando soube que Draco...?
—Estava envergonhada —murmurou, antes que Harry terminasse a pergunta—. Papai me trocou por umas moedas. Não queria que pensasse que meu pai me vendeu a Draco, mas até eu começo a pensar que...
Harry moveu a cabeça.
—O que seu pai fez não tem nada a ver com o que eu sinto por você. Pagarei a esse bastardo. Venha, esposa. Vamos acabar com isso de vez.
Gina soube que não devia contradizê-lo, mas se perguntou como ele devolveria o dinheiro ao barão Draco. Cavalgava em pêlo e não tinha a bolsa no cinturão. Apesar disso, tinha a espada consigo.
—Harry, esperamos dificuldades?
O marido não respondeu, e Gina ficou com suas preocupações, enquanto seguia o marido. Depois de pensar muito a respeito, Gina chegou à conclusão de que Harry tinha razão: deveria ter ido diretamente a ele. Maridos e esposas tinham que compartilhar os problemas. Por outra parte, era um alívio ter com quem compartilhar a carga. Não, não só era bom: era maravilhoso contar com alguém em quem se apoiar de vez em quando.
Não falaram novamente até chegar ao acampamento do Draco. Gina tentou adiantar-se, mas Harry lhe arrebatou as rédeas e a obrigou a ficar junto dele. Ergueu a mão e, imediatamente, os soldados se alinharam aos lados do senhor e a senhora.
— Harry! Era necessário que trouxesse tantos soldados?
Como não lhe respondeu, ela suspirou.
—Ao menos, eles não espalharão minha vergonha —murmurou.
Harry sorriu e logo fez outro gesto.
Os outros clãs também se adiantaram. Sob o olhar atônito de Gina, os chefes e seus homens ocuparam posições. Formou-se um amplo círculo ao redor de Draco e seus homens.
Os soldados ingleses brandiram armas. Harry fez outro gesto e o círculo começou a estreitar-se, à medida que os cavalos avançavam.
Ao ver o número de soldados que enfrentavam, os ingleses jogaram as armas ao chão.
Draco se adiantou e foi na direção a Gina. Esta havia esquecido que Draco era um indivíduo miúdo. Algum dia teria lheparecido bonito? Não conseguia lembrar. Agora ele não a atraía nenhum pouco, e o cabelo curto fazia-a pensar em um menino. Não, ela pensou, ele não lhe parecia nada atraente.
Nem sequer caminhava bem, mas tropeçava. Gina estremeceu ao pensar que poderia ter terminado ligada a ele. De súbito sentiu desejos de virar-se para o marido e agradecer por havê-la salvado de semelhante miséria.
Harry ergueu outra vez a mão quando Draco estava a cerca de dez metros. O barão entendeu a ordem muda e se deteve.
—Cortamos os pés de homens que invadem nossas terras.
A ameaça de Harry dissipou a arrogância de Draco, que retrocedeu vários passos antes de recuperar a compostura. O semblante do barão manifestava medo e desdém ao passar o olhar de Harry a Gina.
—Não o deixaria fazê-lo, certo, Gina?
A expressão de Gina era serena. Olhou para Draco enquanto se dirigia a Harry:
—Com sua permissão, queria lhe responder.
—Tem minha permissão.
—Draco —exclamou Gina com voz clara e fria como uma manhã de inverno— meu marido faz o que quer. Entretanto, em ocasiões me permite ajudá-lo. Se decidir cortar seus pés, eu certamente lhe oferecerei minha ajuda.
Gina ouviu o grunhido aprovador de Sirius, mas não afastou os olhos de Draco e conteve o sorriso.
O barão se enfureceu.
—Você se tornou uma selvagem —gritou, esquecendo a precariedade de sua situação. Apontou para Harry e adicionou—: Ele a converteu em uma... escocesa.
Gina sabia que Draco acreditava que a tinha insultado, e já não pôde conter a risada. A gargalhada viçosa da moça ressoou pelas colinas:
—Draco, acredito que esse elogio acaba de salvar seus pés.
—Explique suas condições —gritou Harry. Queria terminar tudo isso o antes possível para tomar Gina em seus braços. Sentia uma desesperada necessidade de lhe repetir o quanto a amava, de acariciá-la... e de lhe dizer que estava orgulhoso de considerá-la sua.
O grito alcançou seus objetivos. Quase gaguejando, Draco disse o que pretendia. Gina, humilhada até o mais profundo de seu ser, manteve o olhar baixo enquanto o barão contava que tinha entregado um dote ao pai da jovem.
Quando concluiu, Harry tirou a espada da capa.
—Marido, você vai matá-lo? —perguntou Gina em um sussurro.
Harry sorriu.
—Sabe bem que não o matarei. Isso a desgostaria e eu quero sempre fazê-la feliz, mulher. Eu lhe darei a espada. Vale...
—Potter, não pode dar sua magnífica espada a um sujeito como esse—rejeitou Gina, olhando para frente—. Esquecerei minha dignidade e farei uma cena que nunca esquecerá. Asseguro-lhe que falarão dela durante anos.
Ao ouvi-lo suspirar, soube que havia ganhado.
—Sim, acredito que seria capaz, mulher teimosa. Então, me dê sua adaga.
Gina a deu. Observou como Harry usava a adaga para arrancar um dos grandes rubis do punho da espada. Quando terminou, devolveu-lhe a arma.
Gina observou Draco quando Harry lhe jogou a jóia. O rubi caiu aos pés do barão.
— O pagamento, de parte de lady Potter, barão.
Uma pedra grande atingiu o barão no ombro. Gina voltou-se para ver de onde vinha e viu que o chefe McPherson embainhava a espada.
—Pagamento de parte de lady Potter —bramou o velho, antes de voltar-se para ela.
Uma terceira pedra acertou Draco no rosto.
—Pagamento —gritou Rony Ferguson.
—Pagamento —se escutou outra vez. Agora, Gina não reconhecia o chefe que jogava a pedra.
—Harry, por que...?
—McPherson pagou por você ter salvado a vida de seu filho. Rony, por ter protegido a vida de sua esposa com seu próprio corpo. Harold jogou a esmeralda. Você foi insultada por seu filho, e depois, rogou pela vida dele.
Uma quinta pedra fez um corte na testa de Draco.
—Pagamento —gritou outro homem.
—Quem é?
—O pai de Lindsay —respondeu Harry—. Achou que eu não sabia do javali, não é?
Gina ficou perplexa demais para responder. Uma pedra mais caiu aos pés de Draco, jogada por um jovem guerreiro.
—Pagamento —gritou.
Antes que perguntasse, Harry lhe disse:
—Duncan. A esposa quer que a atenda quando der à luz. Está lhe pagando adiantado.
—Estou perplexa —murmurou Gina—. Tenho que lhes agradecer, Harry?
—Gina, eles estão agradecendo a você. Cada um deles daria a vida por você. Meu amor, obteve o impossível: você uniu os clãs.
Gina fechou os olhos para não chorar. Com voz trêmula de emoção, disse:
—Você fez de Draco um homem muito rico.
—Não, Gina. Eu sou muito mais rico: tenho você.
A voz de Harry era tão doce, tão transbordante de amor, que uma lágrima rodou pela face de Gina. Harry a viu e se voltou imediatamente para Draco.
—Barão, retorne a sua pátria. A próxima vez que pisar em terra das Terras Altas, nós nos revezaremos para atravessá-lo com nossas espadas.
Um clamor se elevou. Draco estava de joelhos recolhendo o tesouro. Harry tomou Gina em seus braços e rodeou-lhe a cintura.
O barão Draco contemplou a fortuna que tinha nas mãos. Quando ergueu os olhos, não havia um só escocês à vista.
Gina fechou os olhos e abraçou seu marido. Ainda não compreendia muitos dos estranhos hábitos das Terras Altas e supôs que levaria uns vinte ou trinta anos para entendê-los a fundo.
Mas no processo de aprender havia alegria. Uma sorte e um amor incríveis. Possivelmente, pensou Gina com um sorriso misterioso, quando Harry e ela estivessem velhos, ela estaria acostumada.

FIM



Na,: Primeiramente devo dizer que vocês todas são um bando de chatas!!! Há são sim! Por merlin, minha fic não durou duas semans por causa dessa choradeira...meninas...o Harry não gosta de mulher horona hehehe...
ok brincadeiras a parte...

Masi uma adaptação chega ao fim, e minha fics (minhas mesmo) ficam abandonadas....por merlin! Adoro esse livro, adoro essa historia e adapta-lo aos personagens de HP é minha maneira de compartilhar com todos os que curtem romance, e esse casal, uma historia linda. Compartilhar com voces também os livros que gosto, as historias que me emocionam, e fico muito, muito feliz de termos gostos parecidos hehe, por que pelos gritos de POSTA POSTA acho que todas (TODAS por que so tem mulher aqui) adoraram a historia. Para mim esse Harry é o melhor, e se voce visualizaram a capa, é ele para mim....ENORME!!!!!
Não vou lembrar o nome de todo mundo que comentou, mas vou agradecer alguns:

CaralZ: Da proxima vez que vc revolucinar...bom nao posso fazer nada hehe...Obrigada por acompanhar a FIC e te espero nas proximas...

Helenina: Nina...obrigada ... e espero que tenha sido um final digno hehe...o malfoy enfim apareceu...

Ara Potter: Pelo nosso amor a homens grandes, sexy e grossos....heheheEta bom gosto..

Danisbela - Bom, vc eu nem digo neh, obrigada pelos super comentarios, vc é um exemplo para as outras hehe....


Tonks & Lupin: Vá!!! E agora? Acabou!! Vamos para a proxima hehehe...obrigada por acompanhar e comentar sempre...bju...

Natalia: Sim esse ultimo comenario valeu a pena hehhe...obrigada por aparecer por aqui...

Yumi: H''aaa é muito bom ver voce lendo minhas outras fics tamb!!!

Júliaa_ - Obrigada por comentar..

Nanny Black - O CAP de ultimo dragao da saindo...nao se proculpe ate o proximo seculo havera CAP novo hehe...obrigada por comentar

Ana: Que coisa feia se juntando a Carol para as revolucoes!! Nao, nao!!! Obrigada por comentar.

Joanamary - Obrigada por comentar!!

Babi....Obrigada por comentar...


Prika Potter - Piriquita!!! Como disse é culpa sua que adapt livros hehe...Sou sua pupila kkkk - Orbiaga por aparecer por aqui, ler e comentar!!!

Carolina Villela Good God e - Nao devia nem responder a quem revoluciona hehehe- carol obrigda por comentar !!!


Esqueci alguem?? Se sim, minhas sinceras desculpas...

Agora sobre uma suposta continuação...Acreito que sim, mas não sera minha de novo, este livro tem uma sequencia, mas nao é com harry e gina, bem rony e mione...e eu penso em adaptar, terei que reler e ver que casal poderia se encaixar na historia...mas por enquanto vou continuar com o que tenho em mente que é a Série Piratas da Julie.
O primeiro livro Lyon's Lady ja criei a Fic e logo começarei a postar os CAP esse será James e Lilian...serao 4 Fics da série!!

ok?

Acho que é isso!!

Obrigada por aparecerem por aqui...

mlhoes de beijos

Há entrem na comunidade do orkut

http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=59561381

Quem quiser me add como amigo é so add e dizer que é da F&B..ok??

Há, participem do forum lumus maximum...é super divertido!!!

http://lumusmaximum.com/index.php

entrem, façam seus cadastros, selecionem sua casa, se apresentem e aproveitem e super show!!!

é isso bj


Tonks Butterfly

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Comentários: 2

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:: Página [1] ::

Enviado por Alepains em 20/09/2012

Muito boa a fic!

Nota: 5

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:: Página [1] ::

Enviado por Lana Silva em 25/04/2012

Ameiiiiiiiiiiii tudo , a fic foi engraçada e maravilhosa, quando tiver mais um livro assim adpta tá flr ? Porque eu amei, dá próxima vez por favor faz de Ron e Mione.
Bjooos! 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

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