Eu sentei na arquibancada da Grifinória. Foi uma decisão apropriada, já que eu começaria a gritar e aplaudir toda vez que a Grifinória marcasse pontos. Jorge estava fenomenal, ele e Fred eram tão extremamente sincronizados, era difícil ver mais que o vulto de Harry Potter graças a Firebolt. E de repente três vultos encapuzados apareceram, dementadores, e Harry lançou uma luz branco-prateada da varinha que se transformou em um cervo. Jorge estava concentrado, segundo ele Olívio o mataria se a Grifinória não ganhasse. E então aconteceu, Harry Potter capturou o pomo e a Corvinal perdeu. Eu me sentia tão feliz com isso que comecei a gritar como todos a minha volta.
Eles desceram para o campo, todos abraçando Harry e impedindo o garoto de respirar. Alguns alunos desceram para cumprimentar os jogadores, decidi não ir. Não porque seria a maior traição a minha casa, mas sim porque eu sentia muita vergonha de todos eles. E o pensamento que eu estava tentando afastar era "Por que diabos atrapalhar a felicidade dele? Jorge é um cara incrível, merece uma menina a sua altura e não uma babaca como eu."
Caminhei para fora das arquibancadas sem saber direito para onde ir. Eu não poderia voltar para a sala comunal da Corvinal, eles me odiavam e não seria agradável estar com eles nesse momento de derrota.
- Vamos, Harry! - Ouvi Jorge gritar - Festa! Sala Comunal da Grifinória, agora!
Senti uma pontada de solidão ao ouvir isso. Me xinguei mentalmente por me importar, afinal, eu vivi sozinha durante todos esses anos. Essa minha atitude foi extremamente babaca, porque não era culpa de Jorge querer estar perto dos amigos em um momento tão importante. Ele não me excluiu, eu resolvi desaparecer.
Eu lembrei daquela noite em que nós dormimos juntos e resolvi que iria dormir lá, era definitivamente o meu lugar favorito no castelo. E também era o único lugar em que eu poderia dormir sem ser incomodada por alunos da Corvinal ou professores. Comecei a cantar enquanto andava.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jungle morning I'll come followin' you.
Eu conseguia ouvir a voz do Bob Dylan na minha mente, mesmo sem nenhum radio, eu me sentia tão compreendia quando cantava as musicas dele. Eu cheguei no sétimo andar e dei voltas, tentando imitar os atos de Jorge naquela noite, desejei mentalmente com todas as minhas forças "Preciso de um lugar para dormir. Preciso de um lugar para não me sentir tão solitária e vazia. Preciso de um lugar em que só as pessoas que se importam comigo possam entrar e ninguém mais.", e de repente uma porta estreita se abriu. Eu entrei rapidamente, pude ouvir barulhos de passos, os alunos deviam estar voltando para a comemoração.
A sala estava mais magnifica do que nunca. Havia uma cama que parecia muito confortável, duas poltronas e um sofá. A sala não era muito grande, mas era ideal, como a que eu imaginei quando desejei a encontrar. Caminhei pela sala e encontrei uma vitrola e os meus discos favoritos do Bob Dylan, aquilo não era possível, era um sonho, só podia ser isso. E de repente começou a tocar a musica que eu estava cantando antes de entrar na sala.
....Take me on a trip upon your magic swirlin' ship,
My senses have been stripped, my hands can't feel to grip,
My toes too numb to step, wait only for my boot heels
I'm ready to go anywhere, I'm ready for to fade
Into my own parade, cast your dancing spell my way,
I promise to go under it...
Eu senti um amor indescritível pelos fundadores da escola naquele momento, principalmente pela Rowena Ravenclaw. Era como se eles estivessem me protegendo, como se ela estivesse me protegendo. E eu me sentia tão sozinha que pensar que ela estaria ali comigo me trouxe paz.
E de repente a porta se abriu. Eu que estava sentada na poltrona mais confortável saltei com a varinha na mão. Vi aliviada e nervosa que o visitante inesperado era Jorge, eu pensei em uma desculpa por ter desaparecido do campo sem dizer nada. Pensei que ele aproveitaria mais sem mim, mas pelo jeito ele estava nervoso e tentou me procurar durante um longo tempo.
Jorge fechou a porta e ficou me encarando sem dizer nada. Eu queria correr para os seus braços, queria que ele fosse embora, queria chorar... queria que ele dissesse algo.
-Você me deixou preocupado. - Ele disse por fim não conseguindo esconder a tristeza na voz. - Mas pelo menos eu sei que você não está zangada comigo, ou a sala teria me impedido de entrar. - Ele sorriu e olhou para o chão.
-Me desculpe por isso. - Eu não consegui segurar as lagrimas e me sentei na poltrona para ficar de costas para ele.
Jorge sentou no chão ficando de joelhos na minha frente e pegou a minha mão. Ele acariciava as costas da minha mão e seus olhos estavam tristes.
-Vai me contar o porquê de ter feito isso?
-Complicado? - Ele repetiu em tom de pergunta enquanto levava a minha mão até os lábios.
-Não tem nada a ver com o jogo ou a festa, tem?
-Não... em parte, talvez... mas não.
-Me explica o que você está sentindo.
-Mas se eu não entendo logo não posso explicar. - Eu disse jogando a minha cabeça para o lado para me escorar na poltrona.
-Me diz tudo o que você pensar sem nenhuma ordem e talvez você se sinta melhor. - Ele sorriu e eu não consegui evitar e retribui o sorriso.
Nesse momento ele me puxou pela mão e sentamos no sofá. Ele me abraçou e eu encostei a cabeça no ombro dele.
-Estou esperando você começar. - Ele sorriu
-Ah, eu não sei me expressar... - Eu disse. - Eu sinto isso o tempo todo. Um tipo de solidão eterna, como se eu devesse ficar sozinha sempre. E quando eu vi vocês no campo senti como se eu não fizesse parte da cena, como se eu nem existisse. Eu quero que você seja feliz, Jorge. Não faz diferença se for eu ou outra pessoa que te faça sentir isso, só quero que você seja feliz e pronto.
-Isso é uma completa insanidade. - Ele disse serio. - Primeiro: Você não pode deixar os outros tomarem as suas coisas. Seja um pouco egoísta, ou você será infeliz. Segundo: Você é perfeita. Não fique se menosprezando dessa forma. Você é a garota mais incrível que eu conheci nessa escola. Terceiro: Você é muito importante para mim. Você não conseguiria imaginar o estado que eu fiquei quando não te vi depois do jogo - Eu estava chorando vergonhosamente e ele me abraçando. - E quarto: Você não pode me privar de ter a sua companhia só porque acha que uma outra garota qualquer seja melhor que você. Eu não vou querer a companhia de outra garota, e você e eu vamos acabar tristes e separados. E sabe porquê? Porque eu te amo. E isso não vai mudar.
Eu tinha tanta coisa para dizer mas não consegui dizer nada. Nossos lábios se tocaram e as minhas mãos brincaram com os lindos cabelos ruivos dele. Me levantei e vi o olhos chateados dele perguntando o porquê de eu ter me afastado.
-Preciso ir ao banheiro. - Eu disse culpada.
-Ok. - Jorge me deu um beijo e me deixou ir.
Me olhei no espelho e vi que estava mais horrível do que o normal. Lavei o rosto e pensei que deveria mesmo era tomar um banho. E foi o que eu fiz, torcendo para que Jorge não notasse o meu atraso. Sai do banheiro e roupas quentinhas apareceram, as vesti e corri para o sofá.
-Você tomou banho? - Ele perguntou incrédulo.
-Eu estava fedendo. - Me defendi.
-Eu acabei de sair de um jogo de quadribol. Se alguém nessa sala estava fedendo esse alguém se chama Jorge Weasley.
-Mas eu gosto do seu cheiro assim. - Eu o abracei.
-Sem essa. Agora é a minha vez de te deixar esperando. - Ele foi em direção ao banheiro e fechou a porta.
Deitei na cama e fitei o teto. Eu não conseguia acreditar na existência daquela sala tanto quanto eu não conseguia acreditar que namorava um cara tão genial como o Jorge. Fechei os olhos, a música tinha parado, percebi que já estava tarde e desejei que ninguém notasse a nossa ausência. A porta do banheiro se abriu, mas eu continuei com os olhos fechados, Jorge pigarreou para chamar atenção, permaneci do mesmo jeito e ele fez mais alto e eu não resisti.
-Oh, eu não queria que você acordasse só por minha causa. - Ele disse com um sorriso irônico.
-Eu não estava dormindo. - Eu sorri.
Jorge se atirou na cama e ficamos nos encarando. Eu brinquei com a ponta do nariz dele e o beijei. Nós sabíamos que aquele era o momento certo e eu não sentia medo, só amor. Ele foi pra cima de mim e os beijos começaram a se aprofundar. Segurei a nuca dele e ele mordia o meu pescoço enquanto suas mãos passeavam pela minha cintura. Era difícil respirar. Ele me olhou sorrindo e eu retribui demonstrando segurança dos meus atos. Jorge tirou a própria camiseta e depois me ajudou a tirar a minha... O resto foi extremante pessoal e não compartilharei, risos.
-Eu te amo. - Eu disse quando estávamos pegando no sono.
-Nesse momento, você é a pessoa mais importante do mundo para mim. Eu te amo muito, minha Jenny.
-Você é sempre melhor do que eu nessas coisas. - Eu disse emburrada fazendo ele rir. E nós dois dormimos abraçados a noite toda.
Nós certamente éramos o casal mais estranho de Hogwarts, mas isso não importava, se estivéssemos juntos tudo estaria bem.
|
|