-Qual é o seu musico favorito? - Jorge perguntou.
-Bob Dylan. - Eu respondi.
-Não conheço. - Ele parecia serio demais, talvez nervoso. Esse comportamento não combinava muito com ele.
-Ah, é um musico trouxa.Acho que ninguém daqui conhece.
-Você é de família trouxa? - Ele perguntou.
Eu suspirei. Não existe nada pior do que bruxos que ficam classificando outros bruxos pelo seu sangue. Eu não imaginei isso que Jorge Weasley fosse assim e senti raiva.
-Jorge, eu não posso continuar essa conversa. - Andei rapidamente para a direção contraria a que estávamos indo.
-Hey, o que aconteceu? - Ele pareceu surpreso com a minha reação e segurou o meu braço.
-Você é um cara preconceituoso que julga os outros pelo seu sangue. Foi isso que aconteceu. Você não deveria ter essa fama de "cara legal" se tem os mesmos pensamentos que o Malfoy.
-O que? Hey, não me compare ao idiota do Malfoy. - Ele refletiu sobre as palavras que eu tinha praticamente cuspido. - Eu ainda não entendi... por que você ficou tão brava?
-Que tal... "Hey, Jenny... seu sangue é ruim?" - tentei imitar a voz dele mas não deu certo. - Pode soltar o meu braço?
-Me desculpa, por favor.Eu realmente não pensei que você ficaria ofendida. - Ele disse nervoso e culpado. - É que eu fico nervoso demais quando estou perto de você, não entendo o porque disso. Sério, me perdoa. É obvio que eu não ligo para o seu sangue. Eu só queria saber um pouco mais sobre a sua vida. Você é praticamente um mistério.
Ele soltou o meu braço e fitou o chão.
-Você me desculpa por ter te comparado ao Malfoy? - Eu sorri e ele me olhou com um sorriso enorme.
Me aproximei dele e o abracei. Realmente era impossível brigar com Jorge.
-Eu jamais diria que o seu sangue é ruim. - Ele disse me dando um beijo na testa em seguida. - Eu diria que o seu temperamento é ruim.
Eu o olhei fingindo ultraje mas desisti e comecei a gargalhar. Tentei me afastar para irmos até o Três Vassouras mas ele não deixou.
-Você não vai sair daqui tão facilmente, garota.
-O que eu preciso fazer para que o senhor me deixe ir? - Eu disse dramaticamente.
E então aconteceu. Ele olhou dentro dos meus olhos e em seguida fechou os seus e inclinou os lábios para tocarem os meus. Fechei os olhos com um pouco de atraso e apenas senti a língua dele acariciando a minha e os dedos dele sobre o meu cabelo. Eu gostaria muito de dizer que foi o melhor beijo da minha vida, mas como esse foi o primeiro acho que a frase não teria muito sentido.
Abri os meus olhos quando ele afastou o rosto. Levantei o olhar, mas fiquei tão constrangida que voltei a olhar para baixo no mesmo instante. Passaram alguns segundos e eu tomei coragem e passei as mãos pela nuca dele. Eu precisava de outro beijo. Ele trouxe os lábios até os meus novamente, ele segurava o meu rosto de leve.
Desta vez eu me afastei. Lembrei que ele era um jogador de quadribol popular que ficava com a maioria das garotas de Hogwarts e que eu não faria a menor diferença pra ele. Acho que senti um pouco de tristeza ao pensar nisso, mas ignorei o pensamento.
-Podemos ir ao Três Vassouras agora?
Ele segurou a minha mão e fomos para o Três Vassouras beber cerveja amanteigada.Ficamos em uma mesa afastada da porta. Observei em volta e vi vários alunos de Hogwarts, e algumas garotas nos olhavam com expressão de desgosto. Para evitar contato visual bebi um gole da minha cerveja.
-Você parece seria demais. - Ele observou.
-Essas malditas garotas estão me encarando. - Eu disse sem pensar.
-Relaxa, a maioria delas são ex namoradas do Fred que me confundem com ele.
-O que posso fazer se sou um cara irresistível?
Eu ri olhando para o chão. Não me sinto muito confortável perto de outras pessoas, e isso é horrível.
-Me conte um pouco sobre a sua vida, senhor Weasley.
-Minha vida é muito chata. - Ele fez uma cara de tedio.
-Ahhh claro, você é certamente o tipo de cara que fica estudando o dia todo e não apronta nada.
-Mas nada disso que eu fiz vai te impressionar. - Ele disse dando um sorriso duro.
-Ainda estou esperando... - Eu disse.
-Ok, eu sou só mais um dos duzentos Weasley. Tenho um irmão gêmeo. Jogo quadribol do time da Grifinória. E tenho um certo prazer em criar confusão. - Ele disse rindo - Agora é a sua vez.
-Hmm ok, provavelmente todos me rotulam como mais uma "CDF da Corvinal", eu amo musica, minha família tem sangue puro mas eu fui criada perto de um vilarejo trouxa. Minha melhor amiga é trouxa e é uma pessoa amável.
-Meu pai é doido por objetos trouxas. Ele trabalha no ministério estudando os trouxas, etc. - Ele disse entusiasmado. - O salario é uma droga, mas ele ama o que faz.
-Nossa, isso parece ser genial. E o seu pai, deve ser um cara incrível. - Fiquei fitando o vazio enquanto imaginava o pai de Jorge.
Eu estava gostando de conversar com alguém, para variar. Eu estava gostando da presença de Jorge. Ele afastou o meu cabelo e me beijou. O seu beijo era tão irresistível, era longo, macio e ele mordia meus lábios de leve. É, Alicia estava realmente certa.
-Acho que... - Falei entre os lábios dele. - Precisamos voltar para o castelo.
-Mas está tão bom aqui. - Ele disse enquanto me puxava novamente de volta para perto do seu rosto.
Eu lutei para sair da cadeira e disse:
-Eu tenho mesmo que ir.Sou uma corvinal, lembra? - Dei um sorriso amarelo pra ele.
Ele passou o braço pela minha cintura um pouco depois de levantar da cadeira e caminhamos em direção a escola.
-Onde estão os outros? - Perguntei um pouco envergonhada por só dar falta deles horas depois de ter saido da Zonko's.
-Ah, eles vão demorar... você sabe como esses grifinórios são. - Ele fingiu uma voz de desprezo e eu não contive o riso.
-Você não precisa me acompanhar, Jorge.
Veio outro beijo, seguido de outro e outro. Até ele parar e puxar a minha mão para que chegassemos logo ao castelo.
|
|