Capítulo 7 - Enfim juntos
“Sem pressa. Sem vírgulas. Sem ponto final. Sem brigas. Sem separação. Sem mágoa. Sem dor. Somente amor, por favor.”
- Uou, o que foi isso? – Draco perguntou, assim que conseguiu recuperar o fôlego.
- Um beijo, ué – respondeu, ofegante – Pensei que fosse mais esperto.
- Eu sei que foi um beijo, mas... – ele finalmente olhou para frente e então entendeu – Não acredito. Você está me usando para fazer ciúmes a ele? Justo a ele?
- Draco, eu... Eu não... – tentou se explicar, mas o olhar magoado dele perturbou-a.
- Hermione... Vamos conversar civilizadamente. Agora – ordenou Harry.
- Não, não vou conversar com você, Harry – alfinetou.
- Hermione, pare com isso... Você está sendo infantil!
- Infantil? INFANTIL? Vá para o inferno, Harry! – ela virou-se para sair, mas Draco segurou seu braço.
- O Potter tem razão, Hermione. Vá conversar com ele – o loiro disse, a contra gosto, mas sabendo que era o certo a fazer.
- Até você, Draco? – perguntou rispidamente, um olhar assassino – Vocês garotos são tão... Tão... Garotos! – e saiu pisando duro.
- O que você está querendo, Malfoy? – perguntou Harry com os punhos fechados.
- Eu estou querendo a Granger, Potter – sibilou – E vou consegui-la – e também saiu, rumo a sua próxima aula.
- Gárgula dos infernos!
Lilá Brown caminhava as espreitas pelos corredores, temendo esbarrar com Rony, e principalmente Hermione. A garota estava com tanto ódio da última pela surra, que nem dormia direito, bolando sua vingança. Iria fazer à castanha pagar caro pela vergonha que passou. Iria mexer no ponto mais fraco, aonde mais doía, ou não se chamava Lavender Brown.
Procurou Córmaco por mais alguns minutos e o encontrou saindo da aula que não faziam juntos.
- Ei! Precisamos conversar – disse Lilá com a voz extremamente arrastada.
- O que ainda quer comigo? – perguntou com agressividade – Já estou sendo cozinhado vivo por causa daquela história, deixe-me em paz Brown.
- Deixe-me em paz – repetiu, sarcasticamente – Agora não há mais volta. Você e eu estamos juntos nessa. Irá conseguir a Granger, e eu o Harry, como o planejado.
- Posso conseguir a Hermione sem sua ajuda, Brown.
- É mesmo? – indagou, o olhar curioso – Ronald me disse que ela te acha um nojo, sabia?
- E daí? Ela também achava Malfoy à pior pessoa do mundo e isso não a impediu de beijá-lo.
- HERMIONE GRANGER BEIJOU DRACO MALFOY? – berrou Padma, sem fazer questão de ser ao menos discreta. Sem esperar resposta, saiu correndo, contando para quem quisesse ouvir, e pra quem não queria. Provavelmente hoje mesmo a Corvinal inteira saberia. Ou a escola toda, quem sabe.
- Ótimo, Córmaco. Isso vai me ajudar bastante. Reputação queimada vai ser o fim do mundo para ela – Lilá sorriu satisfeita e retornou ao Salão Comunal.
O corredor apinhado de gente não estava ajudando Malfoy a achar Hermione depressa. Ele espremia-se entre os alunos, sem ligar para as reclamações e xingamentos que recebia. O jantar já havia terminado e ele ainda não havia visto a castanha desde mais cedo, no corredor. Correu até o jardim e soltou um suspiro de alivio quando avistou-a sentada na grama, embaixo da árvore.
- Você vem sempre aqui, senhorita? – brincou o loiro, enquanto sentava-se ao lado dela. Ela permitiu-se sorrir tristemente, ainda sem olhá-lo.
- Olá, Malfoy – cumprimentou-o, sem ânimo
- Malfoy? Vejo que estamos regredindo – comentou
- Ainda não me acostumei totalmente com a ideia de chamá-lo pelo primeiro nome. É realmente estranho.
- Com o tempo você se acostuma – concluiu e deitou-se na grama – O céu está lindo, não acha?
Ela analisou o céu estrelado por alguns minutos e demorou-se na lua que se escondia atrás de algumas nuvens: – É, está realmente bonito, Malf... Draco.
- Não está com frio? – perguntou, sinceramente preocupado.
- Estou bem, obrigada – e deitou-se juntamente do loiro.
O silêncio apoderou-se do lugar, e tudo o que podia ser ouvido era a cantoria das cigarras, anunciando o início de verão. Hermione queria perguntar muitas coisas, mas sabia que ainda não eram íntimos o suficiente e tudo o que conseguiu dizer foi:
- Por que se importa comigo agora?
- Tem certeza de que não sabe a resposta Hermione? – ele virou-se de lado e ela fez o mesmo. Ela o fitou por alguns segundos e mordeu os lábios, esperando uma resposta – Estou apaixonado por você.
Hermione suspirou profundamente e passou a analisar as mãos, em um gesto de nervosismo e desconforto.
- Acho que não acredito em você – concluiu em um sussurro.
- É o óbvio, afinal, até a algum tempo atrás, éramos inimigos.
- É isso que não faz sentindo para mim. Não há possibilidade de ter se apaixonado por mim nesse meio-tempo. Não é... Aceitável.
- Sei que não. Mas entenda, não é algo recente Hermione.
- Não? – perguntou surpresa e ele balançou a cabeça de um lado para o outro – Desde quando então?
- Desde tapa do terceiro ano – sorriu, constrangido.
- Desde o terceiro ano? – ela levou as mãos à boca, os olhos arregalados – Você está me zoando, não é?
- Não brincaria com uma coisa dessas. Pergunte a minha mãe, Pansy ou Blaise. Qualquer um desses irá confirmar o que eu disse. Dumbledore e Minerva também sabem. Mandavam-me semanalmente ao Salão de você na esperança de que eu tomasse coragem e falasse logo. Me deram a senha e tudo...
-Merlim... – murmurou, atônita – Isso é simplesmente...
- Estranho, anormal, surreal? É, sei disso. Mas não é só de amizades que se nasce um amor.
Automaticamente as palavras de Luna lhe vieram à cabeça.
''Sabe, muitos amores nascem das mais belas amizades... Ou das mais terríveis inimizades. ''
- E por que sempre me ofendia tanto? Por que estava sempre me irritando? Chamar-me de sangue-ruim não lá um jeito muito bom de demonstrar esse sentimento – alfinetou, ressentida.
- Eu não queria aceitar que estava apaixonado justo pela minha inimiga de infância – explicou, tentando esconder a dor que sentia quando ela lhe jogava isso na cara.
- E Pansy? – quis saber e continuou ao perceber o olhar confuso do loiro – Ela e você não...
- Pansy e eu? Não! – interrompeu-a, rindo – Ela namora Blaise. Eles sempre gostaram um do outro. Pansy é como uma irmã para mim. Juro – acrescentou devido à cara de desconfiada dela.
- Isso é informação demais – disse. Malfoy segurou o rosto dela com as duas mãos, obrigando-a a encará-lo. Hermione estremeceu com o toque e isso o incentivou a continuar.
- Posso te fazer feliz se você deixar – falou, os lábios próximos – Essa história não precisa ter um final trágico como as outras, Hermione. Podemos fazer nossa própria, se você quiser. Eu sei que ama o Potter, mas eu posso fazê-la mulher tanto quanto ele. É só você dizer sim.
- Draco... – tentou, mas ele encostou os lábios em sua orelha e ela não conseguia raciocinar – É errado... Ache uma garota melhor...
- Há tantas garotas na Sonserina que venderiam a alma ao Lord das Trevas pra ter o meu amor, mas ele é só seu. Sempre foi e sempre será – desceu os lábios para o pescoço e sentiu-a arrepiar-se – Por Merlim Hermione, você só precisa dizer sim.
- É errado – repetiu – Eu e você... Não daria certo.
- Você não pode saber se não tentar! – disse o loiro, a voz firme – Hermione, me dê uma chance, por favor!
Ela encarou o céu por alguns instantes e mordeu o lábio inferior. Apertou os olhos com força e voltou a encará-lo.
- Não estou apaixonada por você, Draco. O que eu sinto é mais... Físico, sabe? Acabaria magoando-o. Podemos ser bons amigos, sabe... – ela não tinha certeza do que falava.
- Amigos? – ele fitou-a, a incredulidade estampada no rosto – Não quero ser só seu amigo Granger, obrigada – a menção do sobrenome dela chateou-a. Malfoy se levantou e antes de sair disse: – O Potter não merece alguém como você. Não posso acreditar que vai ficar presa a alguém que não lhe dar o mínimo valor pelo resto da vida. Eu sei bem que eu não sou a melhor pessoa do mundo, mas acho que isso não me tira o direito de querer ser feliz ao lado da garota que eu amo. Mas não se preocupe, pois vou esquecê-la e a partir de amanhã tudo vai voltar a ser como antes. Boa noite.
-*-
A aula de Poções passava mais lenta do que o habitual e isso estava ficando insuportável. Hermione não falou com Harry, apesar das inúmeras tentativas do garoto. Rony tentou dizer que ela estava sendo orgulhosa e infantil. Ela gritou um “ME DEIXA EM PAZ! ’’ tão alto que todos os alunos pararam para olhá-los, não percebendo um sorriso estampado no rosto de Lilá.
Assim que aula terminou – para a alegria de todos – Hermione enrolou o máximo possível a sair. Queria tentar falar com Malfoy, já que o garoto decidira ignorá-la o dia inteiro.
A castanha havia visto no café da manhã Gina cochichar algo no ouvido de Harry, e ambos rirem abertamente. E então Hermione decidiu que Malfoy estava certo. Ela não podia ficar presa a alguém que não a amava. Iria dar uma chance ao loiro. Não queria namorar ainda, queria deixar tudo acontecer naturalmente, afinal, não era apaixonada por ele. Queria algo diferente. Queria preencher o vazio que Harry deixou e quem melhor que o loiro mais sexy do colégio?
Draco preparava-se para sair quando ela segurou as vestes dele, empurrando-o contra a parede. O garoto foi pego de surpresa, não tendo tempo de defesa.
- Oi, Draco – cumprimentou educadamente, com os lábios muitos próximos dos dele.
- O que quer, Granger? – perguntou, rispidamente, mas Hermione não deixou se abalar. Sabia que havia o magoado na noite anterior e estava pronta para concertar o erro. Ela ainda sem soltá-lo, sorriu sedutoramente.
- Você.
- O que você disse? – ele pareceu ter sido acertado por um balaço. Hermione sorriu vitoriosa ao ver o nervosismo dele.
- Você me ouviu muito bem, Draco – ela colocou as mãos na parede, encurralando-o. Claro que ele poderia sair dali a qualquer momento, afinal ele tinha muito mais força que ela, mas ambos sabiam que ele não faria isso.
- Saia daqui, Granger – pediu, quase em um murmúrio de dor – Saia de perto de mim.
- Me afaste – sussurrou no ouvido dele – Vamos, quero ver se é capaz.
- Por que... Por que está... Fazendo... Isso? – As palavras saíram entrecortadas, devido à aproximação dela, deixando-o desnorteado.
- Ontem eu disse que não queria namorar você e não mudei de ideia. Acho que é um tanto cedo para isso. Quero conhecer você, Draco. O verdadeiro, se possível. Quero deixar as coisas acontecerem, sem interferência. Se for para ser, será.
- Hermione, se você estiver brincando comi...
Mas Hermione não deixou que ele começasse, muito menos terminasse o que ia dizer. Jogou o corpo contra dele e beijou-o o mais fervorosamente que pode. A princípio ele não reagiu, assustado com a atitude da garota, mas logo em seguida agarrou-a pela cintura, beijando-a com a mesma intensidade. A menina puxou com força os cabelos loiros dele, e ele soltou um gemido abafado de desejo.
Iriam ficar ali o resto do dia, se não fosse por alguém pigarreando na porta. Os dois afastaram-se abruptamente e deram de cara com o Prof. Slughorn que os olhavam em um misto de surpresa e diversão ao flagrá-los em uma cena assim.
- Desculpe interromper, mas eu tive de retornar para buscar alguns frascos.
- Tudo bem, professor – murmurou Hermione, as bochechas vermelhas de vergonha e a voz altamente constrangida – Já estávamos indo não é, Draco?
- Sim – respondeu calmamente, e puxou-a para fora – Vamos.
- Minha nossa! – exclamou Hermione assim que eles chegaram a Torre da Astronomia – Estou com tanta vergonha!
- De quê? – indagou, cinicamente – Só por que o professor pegou a certinha aos amassos?
- Draco! – ela deu um leve tapa no ombro dele e o loiro riu – Ei, tem uma coisa que eu queria te perguntar... O que fez para pegar detenção?
- Nada de mais – ele deu de ombros – Só dei uma liçãozinha em Crabbe e Goyle.
- Que tipo de... Liçãozinha? – perguntou, ligeiramente preocupada. Ele deu de ombros mais uma vez e encarou a paisagem lá fora – Tudo bem, acho melhor não saber o que é.
- Sabe, Hermione, você também é muito violenta às vezes – comentou – Primeiro você solta a mão na minha cara, no terceiro ano, e depois deforma a cara da Brown... Sem contar nos tapas que você vive dando no Potter e no Weasley – ele olhou-a bem na hora que seus olhos ficaram tristes – Desculpe falar neles agora.
- Tudo bem – sorriu forçadamente – Só tenho medo de perder a amizade deles.
- Eles não são tão burros a ponto de deixar você ir assim – afirmou – Eles vão lutar por você. Não vão deixar que você seja minha.
- Não fale como se eu fosse um objeto.
- Você é um diamante, Hermione, um dos raros. Não fazem mais garotas como você hoje em dia.
- Obrigada. Eu acho – ela levantou-se, mas no mesmo instante sentiu-se tonta e voltou a sentar.
- Você está bem? – Draco correu até ela, preocupado.
- Estou, foi só um mal estar. Tenho andado assim ultimamente, deve ser esse calor, quem sabe.
- Acho melhor levar você até a Ala Hospitalar. Madame Po...
- Não precisa – interrompeu – Estou bem.
- Hermione...
- Não, Draco – cortou-o, a voz firme – Vamos, ainda temos aula – mas a chegada de uma coruja negra chamou a atenção do casal. A coruja jogou uma carta em cima de Draco e retornou ao céu. O loiro abriu a carta, o nervosismo deixando-o tonto. Leu em silêncio e Hermione ficou apreensiva ao ver que a expressão dele estava ficando tensa.
- O que foi? De quem é? – perguntou assim que ele terminou de ler.
Ele ficou calado por mais ou menos um minuto, ainda fitando a carta. Amassou-a com tanta força que Hermione se assustou.
- Do meu pai. Eu tenho uma tarefa a fazer.
(N/A: Tá aí ;} Ficou bem bestinha eu sei, mas é que eu tava sem inspiração. Obrigada a quem continua lendo e Gleek, o seu comentário ein, sua linda *-* Valeu mesmo, e aguarde a detenção ein ;D Beijos )