Capítulo 30
-Certo – ele tornou a sorrir marotamente. – Agora venha aqui, mais próximo, e me dê meu beijo ‘do despertar’.
Hermione tocou com suavidade os lábios dele. Inocentemente. – Alô Harry.
-Dormiu bem? – indagou num outro sorriso, deslizando outra vez uma das mãos pelos cabelos dela, observando o movimento antes de se voltar para ela.
-iDemais/i – murmurou, instintivamente lhe retribuindo o sorriso, sua postura relaxando aos poucos.
-Creio – o moreno disse alguns minutos mais tarde, enquanto distraidamente brincava com uma das alças do vestido da amiga e ela observava a paisagem, igualmente alheia. – que seja a hora de voltar. Talvez devêssemos salvar Gina e Draco.
Hermione retornou o olhar para ele e, num suspiro desanimado, assentiu; erguendo-se sem vontade do colo dele. Não é que não quisesse livrar Gina das más-companhias, só não queria a si mesma pressa àquelas pessoas pelo resto do dia; este que estava tão belo.
Observou novamente o contraste das cores dali. O verde e o colorido das diversas flores daquele lugar, as sombras das árvores, em principal daquela que lhes oferecia abrigo, o sol refletido no lago... Uma paisagem digna de pintura. Enfim, aquele era um lugar de extremo bom gosto, lindo, e, no entanto, de incrível simplicidade para ser de alguém como a ostentosa Vitória...
A mão de Harry a distraiu do pensamento bastante amargo e invejoso, ao erguer-se em seu corpo – enquanto o próprio Harry se levantava - sem pressa. Passando de seu tornozelo até metade de sua coxa, sob o vestido, antes de deixá-la, quando finalmente o homem se erguera totalmente.
Instantes depois, ele segurava sua mão e a puxava para caminhar, falando sabe-Deus-o-quê, já que ela estava ainda perdida no toque dele, quase como paralisada no mesmo lugar, sem ar e tremente.
Quando tornou a andar, Hermione lançou um olhar de lado para o moreno, este que ainda falava, calma e distraidamente.
Como calmo e distraído!? Como pôde? Enquanto a tocava daquela forma? Íntima, impertinente...
Ou estava fantasiando?
Harry sempre a tocara, às vezes, de maneira até mais ousada que esta, e nem por isso ela considerara inapropriado da parte dele...
O problema devia ser consigo, decidiu.
A mulher sentiu que seu rosto queimava de vergonha. Deus do céu, será que seria sua sina levar, considerar, todos os gestos de Harry, a partir de agora, como planejados?
Ela franzindo o cenho e voltou sua atenção para o melhor amigo, que a encarava interrogativo.
Oferecendo-lhe um sorriso forçado, disse: - Perdão?
-Tudo bem, Mione?
A morena de obrigou a não morder o lábio inferior e tratou de ser convincente no sorriso que pusera nos lábios. – Desculpe Harry, me distraí com a beleza local. Não é maravilhoso? – ela deixou a mão dele para fazer um gesto vago, como se abrangendo todo o espaço a sua volta – Eu poderia morar para sempre nesse lugar.
-Se os Warker não o fizessem...
Hermione lhe ofereceu um olhar falsamente carrancudo. – Você não deveria destruir as ilusões de uma dama tão bruscamente.
O moreno sorriu, tomando novamente a mão dela na sua. – Perdoe-me, Milady - fez uma reverência exagerada. – Mas não pode se abster de encontrar seus anfitriões.
-Oh está bem, tornemos ao meu martírio – A morena comentou em consternação teatral. E logo ofereceu uma piscadela ao amigo, para não fazê-lo sentir-se culpado.
Descobriu que era mais fácil ignorar o que ocorrera a permitir que ocupasse sua mente para transtorná-la. Descobriu também que podia fingir para Harry com uma facilidade inescrupulosa. E, que apesar de não se orgulhar de sua intitulada ‘covardia’, sentia-se mais segura assim.
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Gina ergueu a vista quando os lábios dele se afastaram dos seus. Seu coração ainda acelerado e sua mente tomando, devagar, conhecimento do que estava fazendo.
Antes, no entanto, que a sensação de desastre e suposto horror a atingisse em cheio, ela deixou seus lábios encontrarem os deles mais uma vez; a vontade de seu corpo ignorando a sirena de alerta que piscava em vermelho berrante bem ao fundo de sua cabeça...
A percepção daquele beijo e do corpo masculino pressionado ao seu era... gostosa demais para ser desperdiçada. O que importava se estava com o raciocínio lento? Não podia ser tão mau o que quer que estivesse por vir, decidiu.
Quando sua consciência tornasse, resolveria o que fazer. Mas por hora... por hora deixaria estas sensações interessantes tomarem controle. Nunca fora mesmo do tipo demasiadamente racional.
E havia os olhos dele; que não se afastaram dos seus neste segundo – era mesmo apenas o segundo? - beijo. Cinzentos e famintos, dispersos e escurecidos. Cheios do que pareciam promessas.
Mas ela não precisava de promessas...
E tratou de deixar claro enquanto invadia sua boca com a língua, enquanto ondulava o corpo ‘sob’ o dele, movendo-se sensualmente e, enterrando os dedos em seus cabelos, puxava-os para frente, ao seu encontro. Ligeira e com vontade, deixando seu recado.
... Ela queria ação.
E Draco lhe deu.
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Antes de se aproximar totalmente dos casais que se encontravam à mesa do quintal numa conversa amena sob a sombra de uma enorme árvore. Hermione repôs os óculos escuros, sentindo um pouquinho mais humana. E, num suspiro, tornou a andar amparada por Harry que a cingia pela cintura.
-Tudo bem?
Ela assentiu. – Estou ok.
Harry a apertou levemente contra si e beijou sua testa. Então, só pelo fato de que ele tentava fazê-la se sentir bem, fez tudo mil vezes melhor.
A sensação boa diminuiu um pouquinho quando ela reparou que Draco e Gina não estavam à mesa. Ela se voltou para Harry que já a olhava, mas nada disseram.
-Oh, resolveram aparecer, então?
Hermione voltou-se para Keyla e sorriu friamente antes de redargüir. – Não foi uma resolução.
Harry a puxou suavemente para sentar-se. - Draco e Gina também resolveram conhecer melhor a propriedade? – ele indagou antes de mordiscar um dos inúmeros petiscos que estavam dispostos numa bandeja sobre a mesa.
-Mas bem fazer um tour por seu próprio quarto – Josh disse marotamente.
Harry parou o que fazia, erguendo a sobrancelha. – Perdão?
-Eles necessitavam definitivamente de um quarto – Vitória virou os olhos, quase divertida.
O moreno sorriu, mas antes que pudesse fazer seu próprio comentário, seu celular tocou. Franzindo o cenho, Harry pediulicença; e Hermione, que se mantivera quieta, apenas lançou um olhar para o amigo.
Hermione o acompanhou com o olhar, vendo-o se distanciar o suficiente para estar longe dos ouvidos, mas ainda pudesse ser visto. E só então Harry atendeu o telefone.
Alguns minutos depois, quando finalizou a ligação, Harry se voltou aos ‘amigos’; ele parecia concentrado e contrariado. Postando os óculos escuros na cabeça, Hermione se dirigiu a ele antes que Harry pudesse dar mais que dois passos.
-Preciso ir ao vilarejo.
-Algum problema?
-É o que pretendendo descobrir, Parsons ligou. Então pediu que o encontrasse.
A morena franziu o cenho e Harry assentiu.
Parsons nunca ligava. Era um mestiço que estava há três meses numa missão particularmente enredada
-Você precisa de ajuda?
Harry meneou a cabeça de forma negativa. – Não há necessidade, suponho.
Ela lhe lançou um olhar de aviso. E o moreno tornou a assentir. – Tome cuidado, Harry. Não gosto disso.
-Estarei de volta o mais breve possível.
Ela nem pensou no que os outros que observavam a cena podiam pensar, apenas o abraçou com força, pela cintura. - Por favor, não me enlouqueça de preocupação – murmurou.
Ele sorriu. – Digo o mesmo pra você.
A morena virou os olhos, seu rosto no peito dele. – Eu estarei bem. São apenas trouxas e eu tenho licença para matar.
Eles se entreolharam, e ela sorriu fracamente.
-Não faça nenhuma besteira, Harry. Eu não sei se é uma boa idéia que vá sozinho, preferiria – e Harry a beijou, cortando sua linha de raciocínio; a distraindo. E Hermione se ergueu na ponta dos pés por instinto, apenas para enlaçá-lo pelo pescoço e tê-lo mais perto.
Quando o homem quebrou o beijo, Hermione o fitou duramente (ou o mais perto disso que pôde enquanto queria prendê-lo num abraço novamente), afastando-se um pouco para erguer a vista para ele.
-Eu volto logo.
Hermione suspirou. – É bom que o faça.
Ela deixou que o amigo lhe dispensasse um curto beijo nos lábios e outro na testa antes de retirar as mãos dele. – Não se preocupe – Harry acrescentou perpassando o indicador no nariz dela e se afastou.
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Ela abriu os olhos e lá estava Draco Malfoy, o homem mesquinho e desprezível ao qual odiava. Gina fechou os olhos ao sentir a boca dele sobre a sua, provando mais uma vez de seu beijo, sem remorso.
Então, quando abriu os olhos novamente, acabado o beijo, encontrou os olhos do homem que queria beijar, tocar...
Só havia um problema: o homem que ela queria pelas costas e o homem que ela desejava... “Eles”, eram a mesma pessoa. Aquilo fez com que algo na mente de Gina recuasse. Confusão tomando conta dela.
E por um momento tentou se livrar do corpo de Draco, mas este não havia saído do torpor de tê-la em seus braços, e não parecia disposto a deixá-la ir.
-Draco... – Ela meneou a cabeça, suas mãos no peito dele. – Malfoy, você enlouqueceu! – A boca dele em seu pescoço e ela o segurou com firmeza perto. Os comandos de sua cabeça e de seu corpo a confundindo. - Para com isso, pare agora!
Draco se afastou e a eletricidade parou, deixando só o frio no corpo dela. Ele a encarou com um sorriso malvado. – Precisa fazer melhor que isso, pequena Weasley – As mãos dele deslizaram sem respeito pelas curvas dela, os olhos do homem sequer por um momento deixando os dela. – Você mente muito mal.
Draco estivera brincando todo o tempo. Ele apenas queria perturbá-la? Bem, não seria assim de fácil.
Sorrindo, a ruiva ergueu as mãos da camisa dele, as postou uma em sua nuca e a outra ao lado de seu rosto. E o puxou para si. – Oh, já vejo... Então você esteve todo esse tempo se divertindo as minhas custas? – indagou ao seu ouvido. – Deixe-me lhe ensinar como se faz de verdade, Malfoy.
A ruiva moveu a boca ao encontro da dele, mordiscou seu lábio inferior antes de beijá-lo. Divertida, observou como Malfoy não lhe correspondia.
Ela afastou os lábios dos dele. - Tudo bem, não tenha medo – zombou. Draco franziu o cenho e a mulher deslizou a mão que estava na nuca dele para baixo. Riu leve e maliciosamente sob o choque dele, enquanto sua outra mão seguia o mesmo caminho. E então ela o pressionou de forma brusca contra si, comprazida pelo som que ele deixara escapar.
-Não está interessado, hum?
-Isso-foi-um-golpe-baixo – ele retrucou entre dentes.
-Darling, eu não prometi ser uma boa menina. E eu ainda não acabei com você - as mãos dele a envolveram com força, quase com maldade, mas o sorriso dela não diminuiu. – Isso não vai me parar, Draco.
Foi a vez dele de sorrir. – Eu não pediria - Gina quase demonstrou seu desconcerto. – Então, me mostre o que você ainda tem nas mangas.
Gina abriu a boca, ela queria xingá-lo. Lhe lançou um olhar perverso. – Você precisa me soltar primeiro.
-Como você quiser – ele disse, erguendo as mãos. Gina o fitou de olhos estreitos, iria lhe mostrar.
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-Onde Harry está indo? – Vitória indagou, visivelmente analisando as olheiras da ‘amiga’.
Hermione suspirou, tornando a colocar os óculos. – Foi ao encontro de um colega de trabalho – ela comentou vagamente. – Estará de volta logo, provavelmente antes do almoço – acrescentou pondo fim ao assunto. Vitória percebeu que a morena não diria mais nada quando esta cruzou as pernas e um dos braços, antes de bebericar seu suco.
Na verdade, deste aquele momento Hermione parecia em outro lugar, como se estivesse concentrando suas forças em outra coisa; seu olhar distante. Nem mesmo quando Hugo a provocou Hermione revidou. Ela parecia em outro planeta, nada a atingia porque simplesmente ela não se importava com nada.
Era incrivelmente perturbador, além de desconcertante, como a mulher podia excluir tudo e todos de sua presença sem ao menos se mover.
Sob mais uma das piadinhas infames de Hugo – mais uma das quais ela não ouviu -, Hermione se ergueu, assustando metade dos presentes. – Desculpem, eu vou entrar por um momento.
-Querida, você está bem? – Vitória perguntou, ela tinha de o fazer. Era a anfitriã, afinal.
Hermione sorriu um sorriso estranho. – Estou bem, minha cabeça dói um pouco; eu vou me deitar, logo irá passar.
-Um remédio seria mais efetivo – Alice sugeriu.
-Obrigada. Bem, se não melhorar, tomarei algo.
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Suas mãos abriram a camisa dele devagar e Gina observou sem pudor o torso do loiro.
“Bem, é, ele é bom. Não que seja algo demais, metade da ala masculina do ministério é tão em forma quanto...”
-Gosta do que vê?
-Calado Malfoy – ela ordenou, aproximando-se. Seu corpo tocando o dele, seu rosto entre seu pescoço e ombro enquanto suas mãos deslizavam pelos braços dele, retirando-lhe a camisa.
Inspirou, porque sabia que, por mais que o odiasse, o cheiro dele a agradaria pra sempre. Ninguém precisava saber disto, obviamente.
Sua boca passeou com curiosidade pelo pescoço de Draco. Era agradável. Gina decidiu explorar um pouco mais e descendeu sobre seu corpo.
Com a boca cada vez mais experiente no que dizia respeito ao gosto dele, Gina chegou ao ventre do ‘marido’ e sem sequer hesitar, lhe retirou a calça; ela não pareceu pretensiosa ao observar como Draco reagia a ela.
-Gina... – Draco a ergueu. – Você ainda está vestida – ele ergueu a sobrancelha.
A mulher sorriu erguendo os braços. – O que está esperando?
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(continua)
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N/a: Me desculpem a demora, desculpe os erros, não corrigi.
Eu sinto também porque DG não ficou lá essas coisas. Na verdade, sinto pelo capítulo não estar tão interessante... Ainda assim espero que gostem. Foi bem difícil escrevê-lo.
Obrigada mesmo por todos os comentários, por todas as MP's. E por ainda estarem acompanhando a fic.
Beijo!