CAP-17 – O Mapinguari
CAP-22 – Boitata.
Xingu,
Harry ficou perplexo ao ver a estranha criatura escorrendo junto com a água. Era uma imensa cobra em chamas. Quando ela tocou a superfície do lago, Harry espera ver subir uma imensa nuvem de vapor. Mas isso não aconteceu, a cobra deslizou suavemente para dentro do lago, Deixando visível apenas a luz que ela emanava por baixo d’água.
Estava na cara que o fogo era mágico. Quando ela emergiu novamente. Eles puderam observar que cada escama da cobra era na verdade uma pequena chama dourada, que não se apagava em contato com a água.
Ela subiu deixando metade do seu corpo para fora do lago os olhos vermelhos fitando-os. Ficaram paralisados, pelo medo e pela surpresa. Os botos foram os primeiros a se mexer. Correram, com suas pernas desajeitadas, em direção ao túnel de onde tinham vindo. A cobra foi mas rápida e inteligente, com um bote certeiro tingiu uma estalactite no teto que caiu fechando a passagem para onde os botos seguiam.
Armou novamente o bote, mirando as duas trêmulas criaturas que não sabiam o que fazer encurraladas entre a passagem bloqueada e a imensa e flamejante serpente.
A cobra avançou, mas parou no meio do movimento ao ouvir Harry gritar:
- Pare! – Ele disse essa única palavra de forma imperativa como quem dá uma ordem.
A Serpente parou mais por curiosidade do que por respeito à voz de Harry. Virou-se com um olhar que parecia ser de perplexidade para o rapaz. Lina ao lado dele, deixou a varinha a postos pensando em que tipo de feitiço deveria ser usado em uma criatura daquelas.
A cobra foi deslizando pela caverna, sempre de olho em Harry e parou justamente na frente de outro túnel, que agora era a única saída, visível, do local.
- Por que devo parar? - sibilou a cobra em sua língua chiada. E os botos foram voltando lentamente para junto de Harry e Lina.
- Por que nós não queremos lutar – Respondeu Harry na mesma língua.
A Serpente chiou, o que pareceu a todos uma gargalhada.
- Vocês acreditam que podem vencer uma luta contra mim? Dois humanos jovens e dois botos amedrontados? Pois saibam que é preciso um exercito de botos para que eu ao menos me preocupe. E nunca encontrei um humano que ousasse me desafiar, ainda mais invadindo minha caverna. No entanto, devo admitir que fiquei surpreso, em dois séculos de existência nunca encontrei um humano que conhecesse a língua das cobras.
- Pois continuo afirmando que não queremos conflito – respondeu Harry – Você diz que nunca encontrou um humano que falasse sua língua, talvez eu tenha outros talentos que você desconhece e não seria nada bom conhece-los durante uma luta – continuou Harry – por isso peço que nos deixe continuar em paz nosso caminho até a aldeia dos curupiras.
A luminosa serpente ficou parada, por um tempo como se analisasse bem as palavras de Harry. Derrepente ergueu mais ainda o corpo em desafio e voltou a sibilar:
- Você é corajoso e petulante humano, isso me diverte e não posso negar que me causa simpatia um humano com quem eu possa falar, já que a maioria das serpentes não tem muito a dizer. Talvez eu até faria um acordo com você, o deixaria passar com sua companheira se permitisse que eu devorasse os dois botos.
Nesse momento os botos tremeram ainda mais e dirigiram um olhar aterrorizado para Harry. Pareciam Ter entendido o conteúdo da conversa, pelo olhar guloso do monstro para eles.
- Mas – continuou a cobra antes que Harry pudesse protestar – Infelizmente eu tenho um acordo com os curupiras, não é a toa que eles permitem que eu more nessas cavernas. Só posso deixar passar por aqui quem conhece a senha e vejo que vocês a desconhecem... Ou então já teriam dito.
- Pergunte aos botos se eles conhecem a senha para passar pela cobra – Disse Harry à Lina. Que perguntou e os botos negaram conhecer a senha.
Harry então falou a Lina enquanto a cobra os observava com um olhar atento, ainda parada com o corpo erguido.
- Preste atenção, vamos ter que enfrentar esse monstro – Lina não pareceu surpresa.
- Já estou preparada – disse a moça enquanto alisava a varinha.
- Não sabemos do que esse bicho é capaz, por isso vamos tentar engana-lo, vou desafia-lo sozinho, vou atrai-lo para dentro do túnel e assim que eu sair você vai atingir a estalactite no teto e usar os destroços para bloquear a passagem. Isso vai pelo menos atrasar a criatura e aí seguiremos caminho por baixo do lago.
- Esse plano é absurdo! E por que você que tem que se arriscar? Prefiro ir eu mesma, não quero ver outra pessoa morrer por minha causa.
- Não Lina. Veja bem, eu sei falar a língua das serpentes, posso distrai-la falando e estou com minha varinha original, tenho mais chance, acredite. Não estou tentando bancar o herói.
Lina protestou mas acabou aceitando.
- Agora preste atenção, se por acaso eu demorar para sair e a cobra tentar sair antes, feche a passagem e continue sem mim.
- Nunca! Acha que eu faria uma coisa dessas?
- Por favor Lina, não temos tempo para discutir isso. Para mim é mais importante que a flor seja encontrada e Hermione seja salva, do que sair vivo dessa floresta.
Ao olhar nos olhos de Harry, Lina percebeu que aquelas palavras eram verdadeiras e concordou com o plano dando um simples aceno de cabeça.
Harry, então se virou novamente para a serpente e falou tentando parecer confiante:
- Pois eu te desafio, sozinho. Você atacará somente a mim primeiro, só atacará os outros depois que me derrotar e garanto que eles não irão interferir.
- A cobra deu novamente sua gargalhada em forma de chiado.
- Pois podem me atacar todos juntos que não ligo, mas vou fazer o seu jogo e esmaga-lo. Depois irei saborear a carne e o sangue de seus companheiros.
Quando Lina explicou o plano de Harry, os botos olharam para ele com profundo e sincero respeito, mas não tinha dúvidas de que ele seria morto.
Harry se precipitou em direção a cobra a varinha em punho.
- Qual o seu nome humano? – perguntou a serpente – Quero me lembrar dele e direi a todos, os que eu encontrar e souberem falar minha língua, sobre sua bravura e como você foi uma refeição saborosa.
- Meu nome é Harry Potter. e você como se chama?
- Não tenho nome, me chame de Boitatá que é como os seus chamam os de minha raça... Pois bem Harry Potter prepare-se para morrer.
- Estupefaça – Harry lançou o feitiço, antes que o Boitatá terminasse a frase. Um jato de luz vermelha foi na direção da cobra que desviou no último instante, com uma agilidade que surpreendeu a Harry, com a mesma velocidade e aproveitando o movimento que fez para desviar do feitiço ela deu o bote sobre o rapaz.
Harry saltou, utilizando a varinha para mover uma pedra para a posição onde ele estava. A cobra acertou a pedra em cheio esmagando-a com suas mandíbulas e cuspindo o pó de rocha sobre ele.
Harry escapou por pouco e balançou a varinha fazendo o pó retornar para a cara da cobra, que ficou confusa com a poeira no olhos. O rapaz conseguiu o que queria fazendo o Boitatá liberar a passagem. A serpente se ergueu novamente preparando um novo bote. Harry levitou algumas pedras entre ele e a cobra e foi se movendo sem pressa na direção da passagem.
A cobra avançou ele lançou as pedras e logo depois vários feitiços estuporantes que não causaram efeito algum, a cobra desviou das rochas e quase pegou Harry passando a centímetros de seu calcanhar.
O rapaz correu pela passagem e a cobra disse satisfeita:
- Então o corajoso Harry Potter foge como todas as minhas outras presas.
O Boitatá o seguiu sem pressa pela passagem.
Harry descobriu que aquele túnel era muito escuro e ia ficando mais estreito conforme ele avançava, apenas a luz da própria serpente iluminava o caminho dele.
- Você foi profundamente tolo, humano. – Sibilou a serpente – Essa passagem não tem saída, eu fiquei na frente dela justamente para que vocês corressem para cá enquanto eu devorasse o primeiro.
- Muito inteligente - Respondeu Harry, tentando distrair o monstro. Ele não pretendia fugir por ali, mas gostaria que houvesse mais espaço para que ele pudesse driblar a cobra e voltar para a caverna antes dela.
O Boitatá deslizava vagarosamente pelo túnel, Harry parou e disparou alguns feitiços, todos foram bloqueados pelas chamas mágicas do corpo da serpente. Para seu desespero ele viu que sua magia não adiantava contra aquela criatura.
Pensou por alguns instantes enquanto o inimigo se aproximava, resolveu então que se a magia não funcionava na cobra deveria utiliza-la nele próprio. Preparou a varinha:
- Lumus maxima – Uma forte luz ofuscou a serpente. Logo depois ele tocou a varinha no peito e disse:
- Reducio – Todo túnel ficou enorme as rochas no chão pareciam pequenas montanhas.
Quando a cobra se recuperou do ofuscamento ela não viu Harry, o rapaz havia encolhido a si mesmo, mas a serpente julgava que ele havia desaparecido.
Ele foi se movendo lentamente junto as rochas, enquanto o Boitatá avançava esfregando sua língua nas paredes. Harry agora estava embaixo de algumas pedras e por cima delas o corpo, agora muito maior, da serpente deslizava.
Harry já estava quase passando totalmente por ela, quando o monstro se virou bruscamente. Harry correu e tocou novamente a varinha no peito e disse:
- Engorgio – O rapaz foi aumentando de tamanho enquanto corria de volta para a caverna.
O Boitatá ficou furioso ao perceber como fora enganado e saiu velozmente atrás dele, Harry estuporou o teto fazendo rochas caírem sobre o corpo da serpente que com dificuldade continuava avançando.
Na caverna Lina ouviu o som do desmoronamento dentro do túnel, apontou a varinha para a estalagmite que Harry dissera, torcendo para ser o rapaz a sair da passagem. Não demorou muito Ele saiu do túnel completamente coberto pelo pó das rochas. Lina atingiu o teto e fez os destroços flutuarem até bloquearem a passagem, os botos já aguardavam dentro do lago, com os corpos na forma habitual.
Harry e Lina mergulharam e logo estavam novamente de carona com os botos em direção a passagem para a aldeia dos curupiras.
Eles nem viram as rochas que bloqueavam a passagem explodirem com uma bola de fogo e o Boitatá surgir furioso em meio a fumaça e poeira, e mergulhar velozmente no lago em seu encalço.