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25. Capítulo XXV


Fic: Harry Potter e o fim da profecia


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Rony correu em direção à loira, que caiu desacordada no gramado. O Comensal ria às suas costas. Ele vira. Ela fora atingida pelo mesmo feitiço que atingira Hermione dois anos atrás no Departamento de Mistérios.

- Luna! Luna, acorda... – ele tentava a todo custo despertá-la, mas ela permanecia inerte.

Levantou o olhar e viu Draco correndo na direção de Gina, chamando pelo seu nome. A ruiva enfrentava dois Comensais ao mesmo tempo e um deles a atacou por trás, sem que esta percebesse. Ela virou-se para encarar Draco, distraindo-se. Rony se levantou e correu na direção dos dois, jogando-se sobre eles e salvando-os do feitiço, que acabou por atingir o outro Comensal, que caiu sobre o gramado. Os olhos arregalados, uma expressão de surpresa no rosto; estava morto.

- Minha dívida com você está paga, Malfoy. – disse, antes de se levantar e afastar-se dos dois, que se abraçavam, Gina com lágrimas nos olhos.

- E-eu... – Draco tentava falar com a ruiva sem tirar os olhos de Rony, que se afastava e depois entrava numa briga com um Comensal qualquer.

- Não diz nada, apenas me abraça... forte. – ela pediu. – Que bom que está aqui.

- Que bom que seu irmão é tão atento quanto eu. – o loiro acrescentou. – Se não fosse por ele, eu nem sei.

- Eu não queria nem pensar. – Gina murmurou. – É melhor nos separarmos, pelo menos até isso acabar.

- Temos ainda um obstáculo pela frente.

- Belatriz, eu sei.

- Não só ela, como todos os Lestrange.

- Eu ficarei bem. – ela disse antes de depositar um selinho em seus lábios e se afastar.



- Como se o maior incompetente fosse capaz de me derrubar! – Hermione murmurou. – Ainda mais sendo você. Um traidor de sangue frio, rebaixado.

- Obrigado pela parte do sangue frio. – ele replicou com um sorriso afetado.

- Não é um elogio! Aliás, de sangue frio você não tem nada. É um medroso! – ela ameaçou avançar em sua direção e ele recuou tremendo. – Não disse? – e riu.

Conjurou uma espada de esgrima e atacou. Rabicho apenas utilizou-se de sua mão prateada para conjurar um bastão e defender-se.

- Até quando acha que eu vou pegar leve? – ela perguntou.

- Você não agüenta nem o peso desse brinquedinho. Aposto que nem fura. – provocou.

- Ah, é? – ela driblou a defesa dele e o atacou bem abaixo das costelas, fazendo a espada atravessar seu corpo e sair em suas costas. – Bom, ela fura. E eu não só agüento seu peso, como sei manuseá-la. – ela fez a espada desaparecer. – Agora você curte sua dor, certo?

E rindo, deu as costas.

- Aonde pensa que vai, mocinha?

- Macnair. Quanto tempo, não? – ela puxou conversa. – Sabe trabalhar com facas?

- Com lâminas, talvez.

- Não importa. No fim, dá tudo no mesmo. – ela então conjurou duas mini-espadas, como as que trabalhava no treinamento.

- E aí, Mione? – Gina fez a corda que segurava estalar no ar. – Que tal nos divertirmos um pouquinho?

- Não seria nada mal. – Hermione sorriu marotamente.

Lançou as duas espadas no ar enquanto Gina rodava a corda no ar. A ruiva lançou a corda na direção das espadas e puxou uma, abaixando-se e deixando que esta passasse direto por ela e raspasse no corpo de Macnair, abrindo um pequeno talho em seu rosto.

- Sabe, acho que está muito fraquinho, não é? – Gina riu.

Hermione deu três mortais até alcançar a espada, que ainda cortava o ar. Estendeu a mão e a pegou. Segurando sua lâmina, disparou-a na direção do Comensal. Gina estendeu a corda e prendeu no calcanhar do homem, puxando-a bruscamente em seguida, fazendo-o cair. A espada acertou o calcanhar dele, que urrou de dor.

- Belo trabalho. – disseram juntas e riram gostosamente. – Tchauzinho. – e saíram, uma para cada lado.



Neville concentrou sua atenção no Comensal à sua frente. Este se preparava para atacar. “Levicorpus”, pensou. O Comensal virou de pernas pro ar, preso pelos calcanhares a cerca de meio metro do chão.

- Uediuósi! – lançou uma pedra certeira na cabeça do Comensal, abrindo um corte e fazendo-o desmaiar. – Incarcerous.

O que ele não viu foi Fenrir Freyback se aproximar às suas costas. Este o agarrou por trás, imobilizando-o. Neville, sem saída, ergueu o pé direito com força para trás, acertando um ponto sensível do homem, que o largou imediatamente.

- Homorfo!



Harry finalmente vê Voldemort surgir da Floresta Proibida ao lado de Belatriz e o Comensal que enfrentava, Avery Nott, pára instantaneamente de lançar feitiços e recua, abrindo espaço para que Belatriz seguisse até Sirius e Voldemort travasse batalha com Harry.

- Agora somos só nós dois, Harry Potter. E hoje o seu fim é certo.

- Isso é o que você pensa, Voldemort. O seu fim é certo... – respondeu de forma sombria, parecia não ser o Harry Potter que todos conheciam.

E a batalha final começou. A noite caiu e eram vistos vários lampejos de todas as cores percorrendo os jardins da propriedade. Harry enfrentava bravamente o seu oponente, em seu peito, o medo o deixava lentamente e ele sentia que naquele dia, um dos dois seria vencido. E que fosse Voldemort antes dele.



- Você realmente acha que vai me vencer? – Belatriz indagou, um sorriso malicioso em seus lábios. – Não sei se lembra, mas deixa eu refrescar sua memória... Departamento de Mistérios, há dois anos atrás. Se não me engano, quem foi dado como morto foi você, querido.

- E das outras vezes? Acho que ano passado fui eu quem te derrubou, não? – ele desviou de um feitiço que a prima lançara. – Estupore! – o feitiço a atingiu no peito e Belatriz caiu desacordada e ele se aproximou, agachando-se ao lado do corpo inerte dela, falando para o nada: – É, priminha... Mais uma vez eu venci! Mas fica aí quietinha, ok? Petrificus Totalus! – e sorrindo, se afastou em direção a Nagini. – Agora é a sua vez, cobra nojenta!

Nagini parecia ter entendido o recado. Deslizou de forma rápida em direção à Floresta Proibida. Sirius correu atrás dela, lançando vários feitiços, mas a cobra se desviava com facilidade.

- Impedimenta! – tentou novamente e dessa vez acertou. A cobra imediatamente paralisou e voltou a deslizar, dessa vez lentamente. Lançou em seguida um feitiço para confundi-la.

- Não é tão simples quanto parece. – avisou Isabella. – Acerte primeiro os olhos dela!

- Ora, mas não seja por isso! – ele sorriu. – Conjunctivitus!

Nagini se contorceu por um momento. Os olhos estavam amarelos, cobertos por uma substância pegajosa e de cor amarelada.

- Ceguinha, a coitada. – ele riu.

- Bom, agora você sabe o que fazer. – Isabella desviou de um feitiço que Avery Nott lançara. – Tarantallegra!

- Sabe que você até dança bem, Nott? – brincou Sirius.

- E não é que é verdade? – Isabella zombou.

- Sua...

- Ei! Cuidado com o palavreado, hein? Não percebeu que está num ambiente onde há crianças?

- Sirius! Ela está fugindo. – Isabella apontou. – Cuida da sua parte. Pode deixar que me viro bem.

- Como quiser. – o homem foi atrás da cobra. – Vípera Evanesca!

A cobra foi ao ar e ao cair no chão, simplesmente pegou fogo, restando apenas suas cinzas.

- É, acho que fiz um bom trabalho. – sorriu satisfeito e cruzou os braços sobre o peito.

No instante seguinte, procurou o olhar da filha e ao encontrá-la, acenou positivamente. A garota fez o mesmo, como entendesse o recado e derrubou o Comensal que enfrentava em uma questão de milésimos. No mesmo lugar, olhou para os dois lados a fim de fazer a parte final do plano.

- Harry, ataque agora! – gritou Amy.

- Everte Startum! – gritou o moreno, puxando em seguida a espada e aproximando-se do corpo de Voldemort, que abria os olhos lentamente. – Achou que ninguém fosse descobrir o seu segredo, não é? Pois eu afirmo que hoje você não passar de um mero mortal, tão vulnerável quanto qualquer um aqui. Os horcruxes... bem, estes foram todos destruídos, só falta você. – ele disse num tom frio, um riso malicioso não deixava seus lábios. – E aqui cravo essa espada e acabo com o terror que você plantou... – dizendo isso, enterrou a espada com força... no gramado.

Voldemort rolara para o lado e desviara da ponta afiada da espada que Harry tinha nas mãos.

- Não pensou que fosse ser tão fácil, pensou, Harry Potter? – cuspiu as últimas palavras, pondo-se de pé. – Pode ter destruído os horcruxes, mas ainda falta a mim e creio que agora seja a sua hora.

- Será mesmo? – Harry fez num tom carregado de sarcasmo.

- Garanto. – fez o outro. – Você é uma criança, não faria muito estrago.

- Não confiaria nisso, se fosse você. – disse uma outra voz, uma voz feminina.

- Mione, não... – fez o moreno, parecendo perder toda a segurança que mantinha.

- Que clichê! Daria uma bela cena de romance, creio eu. – Voldemort ironizou. – Menina, você consegue ser tão ingênua... não passa de uma sangue ruim.

- Como você, não é, Tom? – ela rebateu, um sorriso triunfante nos lábios.

O sorriso que Voldemort tinha no rosto sumiu e foi substituído por uma expressão agressiva, quase raivosa.

- Garota insolente! – ele bradou. – Crucio!

Hermione caiu no chão, contorcendo-se sob o olhar angustiado de Harry, que nada poderia fazer.

- Deixe-a em paz! – berrou. – Essa briga é nossa, só nossa!

- Talvez seja nossa, mas por que não usar de outros meios para te atingir quando sei que funcionará tão bem quanto jogá-los diretamente em você?

Harry viu Hermione arfar no chão, recuperando-se do feitiço torturante que recebera. Voldemort parecia se divertir com o seu desespero. Fez que ia em direção à namorada.

- Não se atreveria. – Voldemort apontou a varinha para a garota, que tinha no olhar traços de angústia. – Dê um passo e ela morre.

- Eu já disse que ela não tem nada a ver com isso. – o moreno disse, pausadamente. – Deixe-a em paz!

O bruxo riu.

- Não seja tolo. A piedade é uma das qualidades que não possuo. Nem mesmo com os inocentes. – com um aceno trouxe Hermione para si. Passou os dedos compridos e gélidos em seu rosto, como analisasse cada traço dele. – Tão nova e já cheia de responsabilidades para assumir. – o olhar dele recaiu sobre a barriga dela. Ela não estava entendendo nada. – Uma pena que eu não esteja disposto a permitir... Diffindo!

Hermione sentiu uma dor aguda em seu ventre. Levou a mão quase que imediatamente até o local.

- Hermione! – Harry gritou, apreensivo.

- Eu estou bem, Harry. Lute, esqueça que estou aqui. – ela pediu.

- Não, você não está bem. – ele retorquiu, sério, enquanto baixava os olhos para o local onde a garota ainda tinha as mãos. – Você está sangrando. – observou, desesperado.

A garota tirou a mão da barriga. Estava lavada em sangue.

- Destrua-o, Harry! Não se preocupe comigo. – ela repetiu. – Destrua-o... Por favor!

- Patéticos! – Voldemort revirou os olhos. – Terminemos de uma vez com isso... Avada Kedavra!

- Sectumsempra! – Harry berrou ao mesmo tempo, fazendo com que uma linha prateada ligasse sua própria varinha à de Voldemort.

O feitiço do bruxo das trevas, no entanto, parecia ser mais forte que o do garoto. Passara da metade da linha de conexão, poderia chegar à varinha de Harry a qualquer momento.

Ele sentiu ser envolvido por um abraço apertado.

- Eu estou com você. – ouviu Hermione sussurrar e sentiu uma força enorme tomar conta de seu corpo, uma força que não sabia de onde tirara.

- Acho que se equivocou, Voldemort. – fez Harry. – Essa é a sua hora.

O bruxo ergueu a sobrancelha, surpreso e acabou por desconcentrar-se. Harry, então, aproveitou-se da falha do outro e concentrou toda a força que o tinha invadido em sua varinha.

Em poucos instantes os dois feitiços inverteram o caminho e voltaram, com tudo, em direção a Voldemort, que foi lançado longe, vários cortes aparentes espalhados por todo o seu corpo. Hermione soltou Harry, que caminhou em direção ao bruxo, silenciosamente. Ao aproximar-se, pôde ver os olhos arregalados e estáticos do bruxo; estava morto. Cravou a espada no centro de seu tórax.

Viu o corpo de Voldemort se enrijecer e assumir uma tonalidade cinza, transformando-se em pedra. No instante seguinte, levou sua mão de encontro ao lugar onde a espada encontrava-se presa. Puxou-a e colocou sua mão sobre o lugar onde ela estivera. A pedra começou a rachar e se desfez em cinzas. Ficou encarando o que restara do bruxo mais sombrio de todos os tempos. Sentia-se estranho. O silêncio tomou conta da propriedade, até que ele estufou o peito, ergueu os braços e gritou:

- Acabou! – ele gritava, procurando pelo olhar da namorada, mas não a via em lugar nenhum. Perguntava-se onde poderia estar. Estivera ali, do seu lado, pouco tempo atrás. Novamente chamou-a: – Acabou, Mione. Mione?

- Aquela com o poder de desvendar os mistérios do passado se aproxima. Ao crepúsculo, ao auge do nono mês ela virá ao mundo. Aguardará o final do sétimo mês do ano seguinte, à espera daquele com quem terá de unir forças e compartilhar oito anos de sua vida. Ao final da sua missão, poderá então se separar e se perder como fumaça. Os destinos se separarão e poderão seguir caminhos diferentes. Ela é a única capaz de se fazer presente em sua vida, na vida daquele com o poder de vencer os maiores obstáculos da vida, ela é a única capaz... Que o destino volte a junta-los quando a profecia estiver cumprida, junta-los para todo o sempre... – uma voz distante ecoou pelos gramados e só então ele notou que o corpo dela levitava e sumia gradativamente, como se transformasse em fumaça. – Cumpri com a minha missão, agora resta a você escolher seu destino. O futuro é incerto, mas estarei esperando por você. – e sumiu completamente.

---


- Ah, Dumbledore! – Madame Pomfrey abriu a porta da enfermaria para deixar o diretor entrar.

- Como estão os alunos?

- Se recuperando. Muitos já estão tomando a medicação indicada, os ferimentos sendo tratados... – a enfermeira começou. – Mas o garoto ainda não acordou, se é isso que quer saber. Ele estava muito ferido e debilitado. Contudo, deverá retornar a Londres amanhã com os outros. É bom que os alunos permaneçam aqui até a hora de partir. Creio que os pais estarão mais tranqüilos sabendo que já foram medicados. É claro que voltarão com ataduras e ferimentos ainda abertos, sentindo uma dor aqui ou ali, é normal.

- E a menina Lovegood? Já a encontraram?

- Não. – respondeu Snape, adentrando o aposento. Estava manco de uma perna, tinha leves ferimentos no rosto e uma de suas mãos estava coberta por uma atadura, esta manchada de sangue e por trocar. – Sequer há sinal da garota. E ela fazia parte da Armada e era sexto ano, seu pai não estaria aqui para levá-la embora durante os ataques.

- Não fale como se a menina tivesse morrido, Severo! – repreendeu Madame Pomfrey.

- E quando eu disse que ela tinha morrido? – o professor fez, surpreso.

- Utilizou-se do passado, é como se insinuasse a sua morte.

- Papoula, creio que ele tenha usado o passado para insinuar a passagem de ano da garota, não a sua morte. – replicou Dumbledore. – Em todo caso, acho melhor continuar as buscas. Uma hora ela terá de aparecer, onde quer que esteja.

- Tudo bem. – e Snape se retirou.

- Muito bem. Aqueles que estavam mais gravemente feridos já foram tratados e medicados, estou certo?

- Sim. – respondeu a enfermeira. – A torre norte foi designada para a hospedagem dos pais e membros da Ordem. Os menos afetados já tinham fechado os ferimentos magicamente, mas ainda sentiam a dor, então lhes dei uma poção e voltaram para seus aposentos. – ela explicou. – Com a graça de Merlin, a grande maioria dos alunos que ficaram em Hogwarts permaneceu no castelo todo o tempo.

- Os que não pertenciam à Armada, creio eu. – Madame Pomfrey apenas confirmou com um aceno. – Os outros foram bem treinados durante todo o ano e são fortes. Resistirão bravamente.

- Morgana te ouça, Dumbledore. Morgana te ouça!

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- E a mamãe?

- Mamãe já foi. Saiu daqui hoje cedo, disse que iria nos receber em Londres. – respondeu uma voz feminina. – Ah, Draco!

- Vai com calma. Eu ainda estou meio dolorido. – pediu o loiro, um ar risonho na voz.

Harry abriu os olhos e recostou-se, colocando os óculos. Sentiu uma leve pontada na testa, mas não se importou.

- E-er. Desculpe. – Gina se afastou e deu um selinho no namorado. – Harry!

- Hum... Oi. – ele disse em voz baixa.

- Acabou, não é?

- Parece que sim. – ele respondeu. – E esse é só o lado bom disso.

- O que quer dizer com isso? – perguntou Rony.

- A Hermione. – Harry resumiu.

- Falando nela... Onde ela está? – perguntou Gina.

- E-ela... Ela se foi, Gina. – o moreno respondeu.

- Como assim? – Gina arregalou os olhos e sentou-se ao pé da cama do amigo.

- Existia uma profecia que os envolvia, Gin. – respondeu Amy, adentrando o aposento ao lado de Isabella.

- Draco! – a segunda correu ao encontro do primo. – Como você está? Está bem?

Os dois sentaram-se a uma cama e ficaram conversando em voz baixa por um tempo.

- Que profecia? Do que está falando, AT?

- Hermione era uma peça importante para que Harry vencesse todos os obstáculos da vida e, conseqüentemente, a Voldemort também. – começou Amy. – E depois que este fosse derrotado, ela iria desaparecer no mundo. Passaria apenas oito anos ao lado de Harry e quando todo o perigo que estivesse à sua volta fosse eliminado, ela iria deixá-lo. E chegou a hora de ela ir.

- Então ela... ela morreu?

- Não. Mas não teremos notícias dela, não até o destino se encarregar de trazê-la de volta e aí, talvez, ela e Harry sejam para sempre. – Amy respondeu, se aproximando do ‘irmão’ e depositando sua mão no ombro dele, acariciando-o. – Sabe que pode contar comigo, não sabe? – Harry apenas acenou positivamente. – Vou te ajudar a superar essa barra. Vai ser difícil, mas eu estou aqui.

- Nós estamos. – acrescentou Rony. – Cara, independentemente de qualquer coisa, você é meu amigo e vamos estar juntos para tudo. Conta comigo.

- Não preciso dizer nada, não é? Você sabe que estou aqui, também. – Gina se colocou, sorrindo amigavelmente.

- Obrigado. Sei que posso contar com voc... – ele levou a mão à testa e seu rosto se contorceu em dor. O lugar onde estava a cicatriz ardia em brasa e a dor chegava a ser quase insuportável, a cegá-lo.

- O que foi, Harry? – perguntou Isabella, correndo ao encontro do grupo que rodeava a cama do moreno.

- Está... doendo. – ele murmurou com dificuldade.

- Tira a mão, deixa eu ver. – pediu a prima de Draco.

Harry o fez. No rosto de Isabella se misturavam um sorriso e a surpresa.

- A cicatriz. – murmuraram todos descompassadamente.

A dor passou e Harry conseguiu abrir os olhos, dos quais escaparam lágrimas.

- Do que vocês estão falando?

- A cicatriz, Harry. Ela fechou e agora é apenas uma cicatriz. – disse Isabella. – Ela era aberta por ser o canal de ligação entre você e Voldemort, agora ela se fechou e é apenas uma cicatriz em forma de raio.

- Com licença! – pediu Madame Pomfrey. – Ah, ele acordou! Graças a Morgana! – ela estendeu o braço e colocou a mão sobre a testa de Harry. – Como está se sentindo, querido? Está bem?

- Estou bem, não se preocupe.

- E os ferimentos? Doem?

Harry tinha ferimentos espalhados pelo corpo. Sua mão direita estava enfaixada até o pulso e ainda havia resquícios de sangue em seus dedos. Além disso, ainda tinha um ferimento próximo ao pescoço e pequenos talhos de sangue seco no rosto. No antebraço, um comprido corte, que outrora fora fundo.

- Não, estou bem. – ele assegurou.

- Creio que seja melhor se arrumar, então. – ela disse. – E vocês... – virou-se para o restante do grupo. – Vão para o salão principal. O café da manhã já foi servido.

- Tchau, Harry. Até mais tarde. – despediram-se e saíram.



- Onde está a Luna? – perguntou Rony no caminho.

- Ela, bem... Digamos que ainda não foi encontrada. – respondeu Gina. – Nem ela, nem Zabine.

- Bem que eu tinha dado por falta daquele safado! – Draco murmurou.

- O que disse? – perguntou Gina.

- Nada, não.

Na mente do loiro tudo estava claro. Tinha certeza de que Zabine se aproveitara da situação de Luna para levá-la embora. Ela estava desacordada. De certo, cuidaria dela e usaria isso para obter sua confiança. “Ele não é tão burro assim, afinal!”, pensou.

- Mas espera um minuto! – Rony parou de andar. – Como assim ela não foi encontrada? Onde está Luna?

- Rony, calma. Nós não sabemos. Desde o ataque ela não é vista.

- Como? Dumbledore tem que achá-la! Ela estava aqui, em Hogwarts e é, sobretudo, responsabilidade dele.

- Você já parou para pensar que, como Hermione, ela pode ter desaparecido? Tudo pode ter acontecido. Ela pode ter ido embora... – sugeriu Draco.

- E você acha que ela simplesmente iria embora sem me falar ou se despedir de alguém? – Rony parecia estupefato. – Ela tem que aparecer!

- Weasley, ela não está aqui, ou já a teriam achado. – Draco replicou. – Dumbledore deu ordens para uma busca na propriedade desde a madrugada de ontem e nem sinal dela. Entenda: ela não está em Hogwarts.

- Não pode, ela não pode... – Rony começou a murmurar coisas sem sentido e andar cabisbaixo. – Nós precisamos conversar e ela... Droga, droga... DROGA!

- Amy, você acha que vamos encontrar a Hermione novamente? – Gina indagou.

- Não sei. Harry agora vai sentir que fez a maior burrada da vida dele. – Amy respondeu. – Eu avisei tanto... Mas ele fez exatamente tudo o que não deveria fazer.

- É, quando ele podia estar com ela, aproveitar cada momento, ele terminou com ela e fez de tudo para afastá-la. – a ruiva comentou. – Eu cheguei a conversar com ele sobre isso, mas ele é um cabeça-dura! Não tem quem consiga fazer o que a Hermione fazia... Ela sabia como contornar ele. – ela parou de falar. – Já perceberam que a maneira com que falamos dela... É como se ela não estivesse mais conosco.

- E não está, Gina. – Isabella murmurou sombriamente.

---


- Você está bem? – perguntou Amy.

- Não sei. – ele respondeu, indiferente.

- Está escrito em sua testa que está sofrendo, Harry. – Amy disse, segurando a mão do garoto.

- Jura? Pensei que em minha testa só tivesse uma cicatriz idiota. – ele brincou, mas seu sorriso era triste.

- Você é forte, vai superar isso. – ela assegurou. – Mas vê se não comete nenhuma loucura para obter a profecia, vê se não age por impulso. Você vai acabar errando novamente e se arrependendo mais tarde.

- Eu tenho medo de você. – ele murmurou.

Ela riu nervosamente.

- Por quê? – perguntou, sem entender.

- Você sempre sabe o que está dizendo, é como se soubesse o que pode acontecer.

- Já tive medo também. É comum eu falar e, de repente, a coisa acontecer. Só espero que eu esteja enganada desta vez. – ela baixou os olhos, estes marejavam. – Não quero que você sofra mais. Já te alertei uma vez e não surtiu efeito, não quero que aconteça de novo. Vê se me escuta, presta atenção no que digo agora.

- Eu vou tentar, maninha. – ele prometeu.

Encararam-se em silêncio.

- Ela vai voltar. Acredite.

- Eu acredito. Eu sinto. – ele disse, convicto.

Amy abraçou-o. Ao se afastar, encarou-o e deu um meio sorriso.

- Quero que seja o padrinho do meu casamento.

- Com o maior prazer. – ele sorriu.

- Isso! Quero te ver assim; sorrindo. Não se torne um homem sério, que vive apenas por viver. Curta todos os momentos da sua vida, ela está apenas começando. E esse é o momento que marca o começo, não só para você, mas para todos aqui presentes. É o começo de uma nova era, os tempos pós-Voldemort. E tudo isso graças a você! – ela disse. – Ergue essa cabeça e vive, um dia você vai encontrá-la e vão ser muito felizes. Surpresas virão, pode ter certeza. – deixou o resto no ar. – Bom, eu já vou. Te encontro em Londres.

Deu um beijo na bochecha do amigo.

- Te cuida.

- Pode deixar. – ele murmurou, um meio sorriso ainda em seu rosto.

- Tchau. – e ela desaparatou.

O Expresso de Hogwarts adentrou a estação. Doía saber que não voltaria mais para a escola, o lugar que sempre fora sua verdadeira casa. Doía ainda mais saber que estava indo embora sem Hermione. O trem vermelho parou à sua frente. Ficou parado, como na esperança de que ela viesse correndo até ele e o abraçasse, dissesse que não o tinha deixado, que o amava. Era como se faltasse uma parte de si. Um pedaço dele tinha ido embora no momento que Hermione o deixara, sumira como fumaça.

E a única certeza que ele poderia ter agora, era que aquilo fora um adeus, mas nem tudo fora em vão. Ia procurá-la, onde quer que fosse, ia fazer o que estivesse ao seu alcance para tê-la de volta, aquela era a sua meta. Ele só não poderia deixar de viver...

Viu o castelo sumir detrás das montanhas e um sorriso triste se esboçou em seus lábios. Deixava Hogwarts e ali, uma vida, os melhores anos de sua vida, a lembrança de um amor, de Hermione Granger, a mulher da sua vida.

- Eu vou te encontrar, Mione, custe o que custar...




N/A: Mais uma Fic chega ao fim. Essa foi suada. Foram dois anos tentando terminar, lutando contra o tempo, fazendo mil e uma promessas que não puderam ser cumpridas e me desculpando depois, mas hoje “Harry Potter e o fim da profecia” é dada por terminada. E aí está o que eu gostaria de ver num sétimo livro da série de JK Rowling. Mas nem tudo é exatamente como queremos, não é? Acho que a minha maior decepção foi esse livro, e o meu desgosto não limita-se aos shippers.
Enfim! Ninguém imagina a satisfação que é para mim colocar um ponto final nessa história. Eu, particularmente, adorei escrevê-la, muito mais que a primeira, e tenho certeza que também gostaram mais dessa do que da outra. Hoje eu só tenho a agradecer por todos vocês terem acompanhado e sido pacientes comigo, que sou a autora mais enrolada que eu conheço. Muito obrigada mesmo, por tudo. Para aqueles que chegaram até aqui e ainda têm um gostinho de “quero mais”, damos o ponta-pé inicial para um novo começo. Portanto, um grande beijo e até a próxima!

A autora.

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