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24. Capítulo XXIV


Fic: Harry Potter e o fim da profecia


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Chegaram ao hall do sexto andar do prédio, aliviadas. Ficaram até tarde no trabalho, finalizando uma pesquisa que teriam de entregar no dia seguinte pela manhã. Acabaram por levar noite adentro e passava das 2h quando deixaram o prédio do Ministério. Foram ao Caldeirão Furado. Deveria ser o único pub aberto àquela hora. Estavam cansadas demais para chegar em casa àquela hora e ainda ter de esquentar comida. E elas estavam famintas!

- Finalmente em casa! – uma delas suspirou, perguntando em seguida: – Está com a chave, Sue?

- Eu saí tarde de manhã, estava atrasada e... – a voz dela morreu lentamente. Não precisava dizer mais nada. O restante da frase ficara subentendido.

- Ficaria mais satisfeita com um “não”. – uma terceira rebateu. – O pior é que eu também estou sem a chave. Pus para tirar uma cópia para a Thais e acabei deixando as duas no armário.

- Ah, que ótimo! E como entramos em casa? – descontrolou-se a primeira. – Sim, porque é importante lembrar que são quase 3h da manhã e nós temos que estar no trabalho às 7h! Fora que eu estou morrendo de sono e me sentindo suja, afinal, tomei banho quando saí de casa... às 6h!

- Calma, eu acho que eu tenho uma chave aqui. – uma pausa. – Segura aqui para mim, Den?! – pediu à terceira, entregando-lhe um pacote de compras. – Eu acho que está... – ela enfiou a mão no bolso da calça. – Bem aqui! – piscou e enfiou-a na fechadura, que abriu com um estalido. – Pronto, Thai. Precisava de tanto drama?

- Deb, você é um anjo na minha vida! – Thais deu um beijo no rosto da outra e entrou no apartamento, jogando a bolsa de qualquer jeito no sofá e correndo para o banheiro.

Thais Oprah, Suzana Fletcher, Denise Haley e Deborah Black. As quarto dividiam um apartamento de dois quartos no centro de Londres.

Thais era esguia, de pele muito branca, cabelos muito negros e lisos escorridos. Suzana tinha os cabelos ruivos, um par de óculos emoldurava os seus olhos azuis e, como principal característica, o nariz levemente salpicado de sardas. Denise tinha os cabelos castanhos, levemente dourados nas pontas – que costumava usar loiros –, e olhos de um tom mel. Deborah tinha os cabelos castanhos escuros e olhos azuis, era alta e tinha um ar jovial e descontraído.

Deborah, Suzana e Denise seguiram para a cozinha, a fim de arrumar as compras.

- Agora podemos relaxar. – murmurou Suzana, deixando-se cair no sofá. – Eu estava realmente começando a acreditar que teríamos que dormir do lado de fora.

- Depois eu que sou a dramática! – Thais comentou ao sair do banheiro enrolada numa toalha.

Deborah e Denise riram.

- Vê se pára de reclamar e vai dormir, Thais! – fizeram em uníssono.

- Ah, mas eu vou mesmo! Vocês podem ficar acordadas dias se quiserem... São metamorfomagas, não é? – murmurou a outra com desgosto. – A propósito... porque você usa um disfarce tão... mais velho, Den?

- É só para o trabalho, e você sabe disso. Exigência do chefe. Segundo ele, eu tenho cara de menina.

- Ora! Mas que diabos ele queria? Uma mulher de vinte e cinco anos não pode ter cara de quarenta, certo?

- Thais, é melhor você ir dormir. – a ruiva riu. – Acho que estamos todas muito cansadas para ficar discutindo os disfarces de Denise a essa hora.

- Eu vou me trocar, isso sim. – Thais rebateu. – E se eu quiser, irei dormir.

Ela empinou o nariz e saiu rebolando.

- Vocês viram isso? – Deborah riu.

- Eu pensei que ela nem fosse passar pela porta, de tão empinada que estava. – Denise brincou.

- Não deixe que ela ouça isso... – Suzana sussurrou. – Bem, queridas... Agora sou eu quem vai tomar banho.

- Vá lá! – as outras duas disseram em uníssono.

Instantes depois, Thais voltou, já de pijama e passou direto para a cozinha.

- O que você quer aí? Já não comeu, menina? – Deborah perguntou.

- Eu quero comer doce, e lá não tinha doce.

- Que desejo é esse? E olha que nem pode estar grávida! Terminou com o Dean há dois meses e não tem saído com ninguém que eu saiba! – a “loira” comentou.

- Para você ver o absurdo que é o comentário que acabou de fazer! É mais fácil a Deb estar grávida do que eu, não é? Dã! – Thais revirou os olhos, antes de pegar um pote de geléia e abrir para comer a colheradas.

- Falando nisso... Há quanto tempo você não vê o Carlinhos, Deb? – Denise perguntou.

- Provavelmente uns... dois meses. – calculou.

- Da última vez ele quem veio. Quando você vai para lá? – Thais foi quem perguntou desta vez.

- Em agosto. Vocês vão ficar um mês livres de mim, olha que delícia?!

- Boba! – Denise riu. – Você sabe que vai fazer falta.

- É. Quem vai animar nossas madrugadas, hein? – Thais concordou. – Hum, mas isso aqui está muito bom! Vocês não querem? – ofereceu.

- Não, obrigada. – as duas responderam.

- Melhor. Assim sobra mais. – comentou, antes de levar outra colher cheia à boca. – Não se preocupem, ponho outro pote no lugar amanhã.

- AI! – ouviram um grito vindo do quarto. – Ora, mas que diabos! Quer me matar de susto, infeliz?

- O que foi isso? – fez Denise assustada.

- A pergunta é... O que diabos é isso? – corrigiu Thais, deixando o pote de geléia sobre a mesinha de centro antes de correr para o quarto que dividia com Suzana.

- O que aconteceu, Sue? – indagaram Denise e Deborah em uníssono.

- Quem deixou a janela...? – a ruiva parou e respirou fundo, fechando os olhos. – Tudo bem, eu admito, a culpa foi minha. – as outras três riram e ela abriu os olhos novamente, mais controlada. – Essa coruja entrou com tudo pela janela e quase levou meus óculos junto para cima do armário.

- Estranho. Há muito não recebemos uma coruja em plena madrugada. – comentou Deb.

- Deve ser importante, então.

- Deve, não. É. – a castanha murmurou ao retirar a carta da pata da coruja. – É de Dumbledore.

As quarto se juntaram e abriram o pergaminho, lendo-o em seguida.

- Um ataque? – fizeram as quatro, em uníssono, entreolhando-se em seguida.

- É, acho que você nem precisa se preocupar mais em acordar às 7h, Thai. – Sue brincou. – Você não vai precisar dormir.

- Eu vou tomar banho. – Denise passou à frente, entrando no banheiro.

- Estranho demais. E ele ainda pediu que fôssemos à sede da Ordem, mas... não deve ter ninguém lá! Ainda é sexta-feira... de madrugada, ainda por cima! Só deve chegar gente lá à noite. – foi a vez de Deborah comentar.

- Ele não nos mandaria até lá se não houvesse alguém na casa. – Suzana ponderou.

- Tudo bem, mas... ontem não foi a formatura dos alunos do sétimo ano? – fez Thais. – A festa certamente ainda não acabou. E, ao que sei, muitos dos membros da Ordem já estão lá... Senão todos.

- E mesmo que houvesse alguém na casa, não teríamos como entrar. – Deborah acrescentou.

- Tem razão. Qualquer que seja a pessoa, em tempos como estes, não abriria a porta a essa hora da madrugada. Ou seria um louco! – comentou Suzana. – Além disso, somente o fiel do segredo pode criar chaves de portal para a sede.

- Acho melhor pararem de discutir. Não vai dar em nada mesmo... E depois, o melhor é seguir as instruções de Dumbledore. – Denise saíra do banheiro falando. – Ele sempre sabe o que faz.

Deixaram o apartamento cerca de meia hora depois. Aparataram direto no Largo Grimmauld e seguiram o restante do caminho a pé. Viram uma porta se materializar entre os números 11 e 13, subiram as escadas e Deborah tocou a campainha do nº. 12.

- Vocês realmente acham... – ela começou, mas foi interrompida pelo ranger da porta, que abrira às suas costas. Virou-se imediatamente. – Carlinhos? – fez, intrigada. – O que faz aqui?

- A julgar pelas malas, não está de passagem. – comentou Thais.

- De fato. Gui e Fleur estão de mudança para cá. – Carlinhos respondeu.

- E onde eles estão? – fez Denise, esticando o pescoço para ver se os enxergava.

- Subiram com a primeira leva das malas.

- E você? – Deborah indagou.

- Eu vim ver você. Recebi duas semanas de folga.

- E por que não me avisou?

- Ih, vai começar a discussão. – Suzana murmurou, revirando os olhos.

- Eu queria fazer uma surpresa. – ele disse enquanto dava dois passos à frente e segurava as mãos da namorada.

Antes que pudessem envolver-se mais no “momento”, Thais interrompeu:

- Eu acho melhor entrarmos. Sabe... não é muito seguro ficar à porta da casa – aberta, diga-se de passagem – à essa hora.

- E-er... Ela está certa. – Carlinhos concordou e deixou que as quatro passassem para então fechar a porta. – Então, o que fazem aqui a essa hora?

- Chamado urgente de Dumbledore. Ele pediu que viéssemos aqui e depois fôssemos o mais rápido possível para Hogwarts. – respondeu Denise.

- A propósito... como entraram? – perguntou Suzana.

- Quim, Tonks e Moody estão na casa e estavam acordados. Aparentemente, chegaram a pouco de algum evento do Ministério. – o ruivo contou.

- Na verdade, não é do Ministério. Eles deveriam estar na Escola de Aurores. Ontem foram nomeados os aurores da nova brigada e eles deveriam estar na festa. – Deborah explicou.

- Então é isso. Bom, pelo que me disseram Emmelina, Hestia, Diggle, Doge e Mundungus estão aqui também.

- Neste caso, só falta Podmore. – Suzana finalizou.

- Tudo bem, mas o que está acontecendo? – Carlinhos indagou.

- Garotas, como estão? – Fleur acabara de descer as escadas, acompanhada por Gui e Tonks.

- Muito bem, obrigada. Mas nós não temos muito tempo. – Denise quem respondeu. – Nós recebemos um aviso de Dumbledore há cerca de uma hora e meia e precisamos reunir os membros da Ordem e ir direto para Hogwarts.

- Segundo a carta, vai haver um ataque de Comensais da Morte e é preciso que todos estejam lá para ajudar. – Thais completou.

- Muitos pais e amigos já estão presentes... uma boa parte da Ordem, inclusive. Então, só falta mesmo a gente. – Deborah informou.

- Ora, então é melhor acordarmos o pessoal. – fez Tonks.

- Eu faço isso. – e Gui subiu as escadas novamente, pulando dois degraus por vez.

- Eu vou chamar Moody e Quim. – Tonks desceu as escadas que levavam ao porão.

- Como Dumbledore soube do ataque? – Fleur perguntou.

- Não fazemos idéia. E depois, pouco importa agora! Ele deve estar mandando todos os alunos para casa agora. – Suzana olhou o relógio de pulso. Este indicava 4h07m. – É melhor nos apressarmos. Não podemos chegar após o fim da festa.

---


- Eles chegaram – o professor Flitwick foi avisar Dumbledore.

- Ótimo. Mande-os esperar na sala dos professores. Quando o baile acabar, irei diretamente para lá.

- Como quiser, diretor. – e o pequenino deixou o diretor sozinho novamente.

Dumbledore estava sentado à uma mesa mais afastada do centro do salão. Bebericava uma taça de vinho enquanto observava o movimento dentro do salão principal. Bebeu o último gole e se levantou. Estava na hora de seguir com seu plano, antes de pôr fim ao baile.

---


Thais andava de um lado para o outro, inquieta.

- Pára, Thais! Assim você só vai conseguir ficar mais nervosa. – fez Suzana, irritadiça.

- E me deixar tonta. – Tonks revirou os olhos.

- Ok, nós estamos aqui a duas horas e nada de Dumbledore aparecer! – rebateu Thais, parando de andar.

- Bom, pelo menos ela parou. – fez Deborah num murmúrio quase inaudível.

Um estalo e a porta da sala se abriu. Por ela, entraram os professores Flitwick, McGonagall, Sprout e Snape. Imediatamente todos se levantaram.

- Ele está vindo. – foi tudo o que McGonagall disse antes de sentar-se.

- Por que a demora? – indagou Moody.

- Ele estava esperando o sinal de Severo para ir aos salões comunais retirar os alunos nascidos trouxas. – explicou a professora de Transfiguração.

- Que sinal? – fez Tonks.

- De que o último aluno já tinha sido enviado rede flu.

O silêncio reinou no aposento. Aos poucos foram surgindo murmúrios aqui ou ali, mas eles nunca se prolongavam ou alteavam.

Exatamente às 6h, Dumbledore adentrou a sala dos professores e, novamente, todos puseram-se de pé.

- Bom dia! – o diretor cumprimentou. – Podem sentar-se, a conversa será um tanto quanto comprida. – alertou. – Antes de começar... Fico satisfeito em ver que conseguiram trazer todos, meninas.

- Não todos, porque Estúrgio estava no Ministério, então enviamos uma mensagem para que viesse com urgência. – adiantou-se Suzana.

- Perfeito. Então começaremos sem ele. Mais tarde teremos que dar o aviso aos alunos e pais que ainda estão presentes em Hogwarts e Estúrgio acabará sabendo, de qualquer forma. – Dumbledore concluiu.

- Nós ficamos preocupados. Receber um aviso em plena madrugada de que Hogwarts será atacada... – começou Gui.

- É preocupante, de fato. Aconteceu exatamente da mesma forma no último ano, mas dessa vez estaremos preparados. – o diretor começou.

- E como vocês souberam? – indagou Fleur.

- Não posso divulgar a minha fonte. Creio que ela preferirá desta maneira. Mas aviso que ela não está entre nós agora. E não... – ele passou o olho por toda a sala com um pequeno sorriso no canto dos lábios. – Não foi Harry Potter. – uma pausa. – Pois bem! Minerva, peço que vá até a torre norte e chame todos os membros da Ordem. Seja discreta. Avise Amy e Isabella. Peça-as para irem aos dormitórios da Grifinória e da Sonserina. Harry, Hermione, Draco, Gina e Rony deverão vir também.

McGonagall apenas acenou positivamente e deixou o aposento.

- Comecemos. O fato é que fui alertado ainda esta madrugada de que Howgarts seria atacada hoje pela tarde. Creio que...

E a reunião seguiu. O dia estava apenas começando, mas todos ali presentes tinham a certeza de que este demoraria a terminar.

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Hermione estava desforrando a cama, pronta para dormir, quando Harry saiu do banheiro.

- Nada melhor que um bom banho depois de uma boa festa. – riu-se o moreno.

- Nada melhor que uma boa cama depois de um bom banho. – Hermione brincou. – Estou exausta!

- E eu estou preocupado com você.

Hermione virou-se para encará-lo.

- Não entendi.

- Você parece estar preocupada com algo.

- Não é nada.

- Se não fosse “nada”, certamente não estaria com essa carinha. – ele se aproximou dela, tocando delicadamente a sua face.

- Não dá mesmo para esconder nada de você, não é?

Harry apenas riu como resposta.

- É só que... essa foi a nossa última noite juntos antes de a profecia se concretizar.

O sorriso que Harry tinha nos lábios morreu. Hermione desvencilhou-se dele e deu as costas, olhando através da janela.

- Eu não sabia como te dizer isso. E, acredite, eu preferia que você não soubesse. Seria menos doloroso. Para mim... e para você. – ela falava e as suas próprias palavras pareciam feri-la profundamente. – Eu espero poder confiar que você não vai tentar me procurar, que não vai fazer besteira...

- Eu não posso prometer o que eu não sei se posso cumprir.

Hermione continuou como se não tivesse sido interrompida:

- E logo eu estarei de volta.

- Uma pena que esse seu otimismo seja só uma máscara.

Ela novamente voltou-se para ele. Tinha os olhos fechados.

- Você sabe que talvez não volte tão cedo, tanto quanto eu. – ele concluiu, se aproximando.

A garota abraçou-o fortemente. Ele pôde sentir as lágrimas dela molharem sua camisa. Ela o puxava com urgência, como se fosse perdê-lo.

- Eu não tenho escolha.

- Eu sei disso. Mas pode ter certeza de que se eu pudesse, não deixaria que fosse. – ele afastou-a e encarou-a. Soltou uma das mãos dela e secou suas lágrimas. – Eu te amo.

Ela fechou os olhos, serenamente, e foi tomada por um beijo calmo, apaixonado.

Afastaram-se quando alguém bateu à porta.

- Quem pode ser? – fez o moreno num murmúrio.

- Não sei. Achei que todos estivessem dormindo. – Hermione respondeu, ainda aos sussurros.

Mas a resposta veio em seguida:

- Herms? Sou eu... Amy!

Hermione suspirou aliviada.

- Já vou abrir, Amy. – ela limpou o rosto e abriu a porta.

A morena nem esperou convite. Entrou apressada.

- O que aconteceu? – perguntaram Harry e Hermione, em uníssono.

- Ah, eu já esperava encontrar você aqui. – Amy murmurou. – O que aconteceu? – ela repetiu. – Bom, Dumbledore convidou todos os membros da Ordem a comparecerem à sala dos professores. McGonagall acabou de me procurar. Eu e Bella.

- Eu sabia que ele iria fazê-lo. Estava demorando...

- Tudo bem, deixa eu me situar... – começou Harry.

- Nem comece. Você não sabe de nada, só iria se enrolar e ficar mais confuso ainda! – aconselhou Amy. – Vamos descer. E antes passem nos dormitórios para chamar Rony e Gina. Eu estarei esperando vocês no salão comunal, certo?

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- É bastante provável que eles ataquem no horário do almoço ou pouco depois. O que eles esperam é que estejamos dormindo, e aqueles poucos acordados, estejam almoçando, o deixaria o terreno livre para eles. Por isso, vocês voltarão aos seus dormitórios e aposentos e dormirão até segunda ordem. Quando o almoço for servido, pedirei aos elfos que os acordem. – Dumbledore concluiu. – Vão e descansem. Teremos um longo dia pela frente.

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- Estamos prontos, milorde.

- Muito bem. – o homem se levantou. – Muito bem, Bella. – repetiu, ao se aproximar da janela. – Partiremos imediatamente.

- Avisarei a todos.

- Pois o faça.

- Você não vem? – indagou antes de descer.

- Se eu disse imediatamente, é certo que descerei imediatamente. Mas só quando todos estiverem lá embaixo. E isso inclui você. – bufou.

- Desculpe, milorde. – ela fez uma reverência discreta e desceu.

O homem permaneceu olhando através da janela. A vila parecia calma, àquela hora poucos eram os que já estavam de pé. Podia-se ver algumas mulheres caminhando, as mãos carregadas pelo saco de pão fresco e outras coisas que pouco interessavam naquele momento.

- É hora de partir. – fez, antes de puxar a capa e se afastar, fazendo o mesmo caminho que Belatriz Lestrange fizera instantes atrás.

Todos os presentes na sala silenciaram ao vê-lo.

- Para os desatentos, repito: aparataremos diretamente em Hogsmeade e seguiremos pela estrada até os terrenos de Hogwarts. Há uma parte da Floresta Proibida que é vulnerável e não está sob os feitiços de proteção de Dumbledore, e é por aí que nós invadiremos. – uma pausa. Ele queria ter certeza de que haviam entendido. – Agora vão!

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- Harry? Harry, acorde! – uma voz distante chamava. – Harry?

- O quê? – fez, ao despertar.

- Tome isso. – Hermione entregou-lhe os óculos. – É melhor levantarmos. Daqui a pouco os elfos virão para nos acordar e será, no mínimo, constrangedor se nós estivermos assim.

Ela se levantou, enrolando-se em seguida no roupão de seda que estava jogado ao pé da cama. Recolheu o pijama e dobrou-o, guardando-o no armário.

- Eu gosto de suas costas. – ele murmurou.

Hermione riu nervosamente.

- Isso não é hora para brincadeiras, Harry.

- Não é brincadeira. Eu gosto de suas costas. – ele repetiu.

- Ok. – ela revirou os olhos. – Agora levante-se e vá tomar seu banho.
- Claro, agora você é o homem da relação. – ele riu-se.

- Sempre fui, querido. Você que é lento demais e só notou agora.

- HÁ-HÁ! Mandona. – ele disse, antes de se levantar.

- Também te amo, amor! – ela riu, correndo para o banheiro.

- Ah, é assim? Você me faz levantar para tomar banho e vai antes?

- Você demorou tanto, que achei que fosse preferir ficar sujo mesmo. – ela abriu a porta. – Fique à vontade.

O moreno entrou no banheiro e ela tirou uma roupa qualquer do armário. Uma calça jeans desbotada e justa, uma blusa branca e botas pretas de cano médio. Por um momento, não soube como chegara até a janela. Sentia o vento lamber seu rosto e seus cabelos, esvoaçando-os tal como seu roupão. O dia estava lindo, exatamente como previra.

Seria um dia perfeito para se despedir da escola, curtir até o último segundo, relembrar os bons tempos e as aventuras que vivenciaram ali debaixo de uma árvore, à beira do lago, vendo todos rirem, se divertirem e conversarem juntos, num clima ameno e descontraído. Como sentiria falta dali... sentiria falta de seus amigos, de estar ali... de Harry.

Perguntava-se se viveria momentos de nostalgia distante dali, ou se sequer lembraria tudo aquilo...

Um estalido tirou-a de seus devaneios. Harry saíra do banheiro e enxugava os cabelos, esfregando-os contra a toalha. Estava completamente vestido, exceto pelos pés ainda descalços.

- Pronto, Srta. Granger Mandona.

- Harry, eu... posso te pedir uma coisa?

- É claro, o que quiser.

- Você pode arrumar as minhas malas e levá-las para a casa de meus pais? Você sabe... quando tudo isso acabar e eu...

- E você não estiver mais aqui?! – ele completou e viu a namorada baixar os olhos. Caminhou de encontro a ela e ergueu seu queixo com delicadeza, fazendo-a encará-lo. – Fique tranqüila. Eu o farei. – e deu um selinho nela, abraçando-a em seguida.

---


Já estavam no salão principal, que agora tinha apenas duas mesas compridas. Uma delas estava completamente cheia, e a outra vazia. Aos poucos, essa mesa foi sendo ocupada pelos pais dos alunos setimanistas.

Aqui e ali já se estranhava o fato de a escola estar vazia.

- Vazia demais. – murmurou Blaise.

- Pelo menos a sua ninfeta está aqui. – riu-se Draco.

- Idiota! Você fala isso porque sabe o que está acontecendo.

- Não vou me dar ao trabalho de responder, Zabini.

- Porque sabe que é verdade.

- Você também saberá o que está acontecendo. É só uma questão de tempo.

- Então admite que sabe?

- Eu não disse isso...

Zabini bufou.

- Eu posso ser tudo, Draco. Tudo... Menos idiota.

Naquele exato momento, a porta do salão principal se abriu e Dumbledore adentrou o aposento, sendo seguido de perto por cerca de trinta homens e mulheres, todos vestidos de forma esportiva. Enquanto o diretor tomava o seu lugar na mesa dos professores, onde os outros já estavam presentes, o restante do grupo ficou de pé.

- Com sua atenção, por favor! – pediu Minerva McGonagall, pondo-se de pé.

- Boa tarde, pais e alunos setimanistas. Espero que já estejam bem acomodados. Creio que tenham notado que o almoço foi servido duas horas mais cedo que o esperado, ao contrário do que estava combinado. Peço que todos os membros da Ordem da Fênix presentes se ponham de pé. – fez Dumbledore.

E qual não foi a surpresa quando Harry, Hermione, Gina e Rony se puseram de pé? Era possível notar montes de rostos surpresos e boquiabertos espalhados pelo salão. Mais surpresos ainda estavam os sonserinos, já que Draco Malfoy também pusera-se de pé.

- Muito bem. Agora peço que a Sra. Longbottom entre.

Se somente os que pouco sabiam sobre o assunto se mostraram surpresos, esta foi a vez de até mesmo os membros da Ordem assustarem-se.

A Sra. Longbottom adentrou o salão acompanhada do filho e da nora, que pareciam estar muito bem.

- Apresento a vocês, Franco e Alice Longbottom. Sejam bem-vindos de volta. – os dois sorriram e postaram-se de pé junto aos outros membros da Ordem. – Estúrgio Podmore, entre! – o homem se aproximou timidamente, saindo de uma porta aos fundos do salão e tomou seu lugar. – Harry Potter, Hermione Granger, Draco Malfoy e Ronald e Virgínia Weasley, assumam seus lugares. – ordenou.

O silêncio no aposento era ensurdecedor. Todos os olhares pareciam estar sobre eles.

- Agora creio que possamos começar. Talvez vocês estejam se perguntando o que está acontecendo aqui e o porquê de todos estarem reunidos em Hogwarts em plena véspera de todos irem embora. É claro que os mais curiosos também se perguntam onde estão os outros alunos... E eu respondo: estão em casa, seguros. Sãos e salvos. – uma pausa. – Somente ficaram os membros da atual Armada de Dumbledore, que passaram o ano letivo sendo treinados pelos nossos membros da Ordem, também estudantes de Hogwarts. Os antigos membros já foram absorvidos pela Ordem da Fênix e também estão aqui presentes, como podem notar. – ele apontou discretamente os novos membros que se juntavam ao grupo de adultos. – O fato é que nós estamos em guerra e sei que muitos de vocês presentes sabem disso. Hoje Hogwarts será invadida novamente, exatamente como aconteceu um ano atrás, mas desta vez nós estamos preparados.

Ele pausou longamente e, após um pesado suspiro, prosseguiu.

- Infelizmente nós não temos tempo de enviar qualquer um que deseje ir para casa. Este é o momento de nos prepararmos. Os alunos que esperavam passar a tarde nos jardins, sinto desapontá-los. Nós os acordamos justamente para que fossem avisados disso e ficassem no castelo. Apenas os meus homens irão sair e lutar. O castelo será selado completamente assim que todos já estiverem seguros aqui dentro e os combatentes lá fora. Os pais que desejarem se juntar a nós serão muito bem-vindos. A união faz a força! Almocem tranqüilamente. Nos juntaremos a vocês até segunda ordem. Depois do almoço, peço que todos sigam para os seus dormitórios e permaneçam lá até que tudo esteja bem novamente. – concluiu. – Obrigado pela atenção e bom apetite! – ele sentou-se, sendo acompanhado por todos.

A refeição transcorreu perfeitamente. Muitos pareciam ainda confusos com toda aquela situação, mas foram devidamente tranqüilizados por aqueles que enfrentariam o exército de Comensais da Morte.

Para os alunos, a decisão de Dumbledore de mandar os alunos mais novos para casa tinha sido sábia. Pelo que eles pouco lembravam do ano anterior, o choque seria muito maior caso estivessem ali.

Duas horas depois daquele discurso, todos estavam entrando em clima de despedida.

- Herms, querida, não acho que seja apropriado que vá...

- Mamãe, eu fui treinada para isso, sei exatamente tudo o que me aguarda lá fora. Não há porque se preocupar. É possível que nós nos vejamos apenas daqui a uma ou duas semanas, não sei. Mas certamente receberá notícias minhas e saberá onde me encontrar, ok? Harry vai levar minhas coisas de volta a Godric’s Hollow, pois provavelmente ainda não terei retornado, mas isso é o de menos. – ela procurou explicar. – Fica bem, certo? Eu te amo!

- Oh, querida! Eu também te amo, e muito! Cuide-se, ok?

- Pode deixar. – Hermione sorriu e abraçou a mãe. – Papai?

- Querida, você sabe que esse velho aqui é seu fã e te ama muito, não sabe?

- Não faz isso, papai! Eu é que sou sua fã e amo você demais!

Harry observava-os de longe. Momentos antes, andava de um lado para o outro, ansioso.

- Está tudo bem? – indagou uma voz às suas costas.

- Sim. Só estou um pouco ansioso. – respondeu.

- Sei exatamente como está se sentindo. Mas mantenha-se centrado em seu objetivo. Não há motivo para tamanha ansiedade. Você tem a Ordem inteira ao seu lado, a AD... E Hermione.

Harry sorriu tristemente e Sirius estendeu a mão, segurando seu ombro firmemente.

- Vai dar tudo certo.

O garoto apenas acenou positivamente, com firmeza.

Enquanto deixavam o castelo e desciam a escadaria de mármore, viam aqueles que ficavam para trás sumirem por detrás das enormes portas do castelo, que se fechavam às suas costas. O barulho das travas do castelo sendo ativadas era audível mesmo do lado de fora. Parou instantes depois.

- Agora eles estão indo para os dormitórios. – Rony suspirou.

Nos jardins, nem mesmo o canto dos pássaros era escutado. Os ventos que balançavam as copas das árvores pararam subitamente. Era um sinal.

- Gina! Luna! – chamou Sirius. – Podem descer!

As duas acenaram positivamente e desceram a escadaria de mármore apressadas, procurando parecer o mais natural possível.

Ouviu-se o primeiro estrondo. Faíscas de todas as cores foram lançadas ao ar sobre as copas das árvores da Floresta Proibida. A batalha final começara.

- Esperem que se espalhem pelos jardins. Quando eu der o sinal, vocês avançam. – instruiu Dumbledore. – Quim, tome a frente dos mais novos. Lupin, você assume o comando da Armada.

- Elas estão vindo... – fez Fred.

- É o segundo sinal. – murmurou Arthur Weasley.

Os gramados foram tomados por inúmeros pontinhos pretos. Não se podia distinguir homens de mulheres. Estavam todos encapuzados e empunhavam suas varinhas em mãos. Não corriam; pelo contrário. Andavam calmamente, como se tivessem o controle da situação. E tinham, até que os homens de Dumbledore agissem.

- Lilá! Rony! Rachel! – chamou Sirius novamente. – Desçam!

Aquele fora o estopim para que a batalha começasse de uma vez. Os ataques foram diretos. Cada um dos três enfrentava dois Comensais, enquanto os outros se aproximavam.

- Para o castelo! – gritou uma voz feminina.

- É Belatriz. – Draco murmurou. – Podemos?

- Vão! – gritou Dumbledore e todos os membros da Ordem se espalharam pelos jardins, procurando Comensais para enfrentar.

Rony já derrubara um dos seus adversários. Quando o segundo caiu, ele pôde ver nitidamente um feitiço ser lançado contra Luna, que estava cerca de cem metros distante dele. Ela conseguiu desviar. Ele suspirou, aliviado. Um segundo feitiço foi lançado. Ele prendeu a respiração, antes de vê-la proteger-se com um feitiço.

Avançou alguns metros e passou a enfrentar três comensais. Estava se virando bem, mas não conseguiria vencer os três sozinho. Viu Tonks e Lilá se aproximarem e juntarem-se a ele. Tonks rapidamente assumira o controle da situação e em poucos minutos de duelo, derrubou o primeiro. Lilá é quem parecia ter certa dificuldade.

- Lute com ele. Eu a ajudo! – Tonks disse para o ruivo.

- Acho melhor você procurar outro Comensal. Nós nos viramos. – aconselhou o garoto.

- Tem certeza?

Rony desviou de um feitiço.

- Pode ir. Nós nos viramos. – repetiu a loira, tranqüilizando-a.

Tonks sumiu de vista rapidamente. Eles estavam ocupados demais para prestar atenção ao que acontecia à sua volta. O Comensal que Rony enfrentava era difícil. E ele ainda não conseguira ver quem era.

- Estupore! – bradou. O feitiço, no entanto, não foi forte o bastante para derrubar o Comensal. – Relaxo! – o Comensal foi afastado alguns metros e ficou um tanto mais lento, o suficiente para que causasse uma onda de confusão no mesmo. – Agora já era! – riu o ruivo. – Estupore!

O feitiço atingiu o adversário bem no peito, fazendo-o cair para trás. Não estava desacordado, no entanto. Rony se aproximou.

- Petrificus Totalus! – em seguida, baixou o capuz. Era Alecto. – Uau, uma mulher! É, acho que deu pra aquecer.

Ele viu Lilá derrubar o Comensal que enfrentava logo em seguida.

- Isso aí! – murmurou. – Muito bom mesmo!

- Obrigada. – ela sorriu.

- Não foi nada. Agora é correr para derrubar o próximo. – sorriu de lado e virou-se. Estava pronto para enfrentar o Comensal mais próximo quando viu Luna ser atingida por um feitiço. Uma espécie de cruz roxa cortara o ar e a atingira em cheio no peito.

Tudo à sua volta parou.

- LUNA! – seu grito ecoou pelo terreno do castelo, enquanto via a loira cair lentamente.

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