Era fim de tarde e Helena andava vagarosamente pelo saguão do Ministério da Magia. Informou-se sobre onde seria o leilão e dirigiu-se distraída para um dos elevadores, a fim de procurar a respectiva câmara de eventos. Somente saiu de seus devaneios quando foi surpreendida por um Snape apressado, tentando pegar o mesmo elevador ao impedir com o braço que a porta se fechasse.
- Boa tarde, Srta. Mitchel. – cumprimentou, cordialmente.
- Boa tarde, Sr. Snape.
Passaram-se uns dois minutos de silêncio quando ele puxou uma conversa.
- Conversei com sua filha hoje. – comentou, como se estivesse falando da previsão do tempo.
Helena se manteve impassível e não disse nada, na esperança de que ele entendesse que ela não estava interessada em conversas sarcásticas.
- Você realmente pretende dar lances neste leilão? – ele insistiu.
- E por que eu não deveria? Por que a casa foi do seu avô?
- Porque sua filha não quer ir morar lá, talvez? – ele disse simplesmente.
- E por um acaso ela lhe disse isso, diretor? – zombou.
- Sim. E à McGonaghall também. – respondeu com seriedade.
Helena ficou em silêncio por um momento, mas respondeu, de súbito:
- Não use informações dadas pela minha filha para tentar me dissuadir a dar lances neste leilão, Snape. – ela disse entredentes, com raiva controlada, os olhos escurecendo e dilatando.
- Então quer dizer que você não se importa com o que sua filha pensa porque é só o diretor da escola dela que está lhe dizendo isso? – prosseguiu no tom ameno com que havia iniciado a conversa.
Helena sentia suas faces pegando fogo...
- É claro que me importo. Acontece que Amy não anda querendo fazer muitas coisas ultimamente. E tampouco uma garota da idade dela decide sobre alguma coisa, principalmente onde quer morar ou estudar.
- Você acha certo se desligar da educação da sua filha assim deste jeito?
- Ora essa, Snape! Não venha com discurso pedagógico para cima de mim! Você nunca deu bola para o que os seus alunos sentiam ou deixavam de sentir. E vá cuidar da sua filha, se é que você tem uma filha mesmo... E pare de se meter na minha vida. – disse como se também estivesse falando da previsão do tempo.
Helena precisou reunir todo o autocontrole que ainda tinha em si para não prosseguir com a discussão. Quem esse atrevido pensa que é para se meter na vida pessoal dela?
- E além do mais... Eu sou sozinha, Sr. Snape. Preciso trabalhar para sustentar minha filha e a mim. Gostaria de passar mais tempo com ela, mas até hoje isso não foi possível.
O elevador parou no andar escolhido e ambos continuaram andando lado a lado.
- Eu não acredito que uma mulher como você não tenha encontrado um homem disposto a ampará-las.
Helena ficou perplexa. Definitivamente este não era Severo Snape. Ela poderia lhe dizer mil coisas, a começar pelo seu desprezo pelos homens e de sua revolta por ele achar que ela faria o tipo de mulher que gosta de ser bancada em tudo. Entretanto, com muito esforço dominou o desejo violento de explodir. Respondeu com a voz abafada:
- Prefiro ganhar a vida por mim mesma.
- Um jeito bem masculino de encarar as coisas. A maioria das mulheres gostaria de poder contar com um marido e seu apoio financeiro e emocional.
- Acredito que sim. Contudo, muitas delas descobrem mais tarde que maridos podem deixa-las e que este apoio não é tão forte quanto parece ser. Não quero me casar e Amy, como a adolescente que é, tende a se sentir injustiçada. Isto, por sua vez, é uma fase que tende a passar logo.
- Sei. Ela também me contou que não tinha pai. – ele disse calmo, sem nenhum traço de malícia na voz.
Uma sensação de dor invadiu Helena, mas ela disfarçou bem. Percebia que Snape a observava com atenção e tratou de bloquear a mente e manter os olhos afastados...
- Você é viúva ou divorciada?
- Nem uma coisa, nem outra.
- Então...
Snape não continuou e o tom suave e aveludado de sua voz indicava que ele sabia a resposta da pergunta não formulada. Murmurou em seguida:
- Você deveria ser muito jovem quando Amy nasceu.
- Contava com idade suficiente. – Helena respondeu, alheia à amargura impregnada em suas palavras e voz.
- É por isso que você repudia os homens com tanta intensidade, não é? – Snape pressionou – Porque o pai de Amy lhe abandou com a responsabilidade de uma filha.
Definitivamente ele estava indo longe demais, pensava ela. Mas e essa voz apaziguadora? Mas que diabos! Era mesmo Severo Snape a sua frente!?
- Pensa assim? Sua ideia vai perfeitamente de encontro ao que os terapeutas trouxas dizem, sabia?
Finalmente chegaram à entrada da câmara de eventos. Ela se precipitou caminhando a passos largos diante dele, jurando a si mesma que não se deixaria abater por Snape. Resoluta, entrou e acomodou-se em um assento e aguardou o início do leilão: Havia um brilho diferente nos seus olhos. Um brilho que Snape já havia notado...
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N/A: Faculdade me matando, mas tento postar como dá. E atualizo mais no fanfiction.net... O nome da fic é o mesmo e meu usuário é fraulein-madi.