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20. O outro lado.


Fic: Qual foi o maldito dia que a vi bela. - Cap. novo!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- Miau.

Bichento miou e pulou para o meu colo na hora, quebrando todo o clima. Ai que vontade de matar e encher de beijos esse gato! Eu amo o meu gato e na próxima oportunidade vou comer ele assado no espeto! Urg! Malfoy rapidamente se recompôs voltando à posição próxima a janela. Ele praticamente aparatou lá. Ele respirava profundamente enquanto trincava os maxilares. Será que ele também tava querendo matar o meu gato ou estava se arrependendo do que estava prestes a fazer? Bem, de qualquer modo, Bichento vai dormir comigo hoje.

- Er... eu vou... eu vou tomar um banho. – levantei segurando Bichento firmemente nos meus braços. – Fique a vontade, a cozinha é ali. – apontei para a cozinha que estava mais do que a mostra e rumei para o quarto. Malfoy continuou parado onde estava e apenas acenou com a cabeça.

Caramba! O que foi aquilo? Em que mundo paralelo eu estava? Por que nunca que uma coisa daquela no mundo real iria acontecer! Na verdade, não com o Malfoy! Aquele gole de uísque não foi muito bom, definitivamente, foi péssimo! Como que um único gole conseguiu virar a minha cabeça assim? Quase permitir que o Malfoy, gente, vocês leram bem, o MALFOY, quase ultrapassar qualquer linha de qualquer coisa que tenha sido imposta entre nós? Apesar de que isso já aconteceu outras vezes, mas não dessa forma, não na minha casa e muito menos esperando uma resposta minha para isso. MERLIM! QUASE QUE EU DIGO SIM!
To pirando! Tem alguma coisa muito errada acontecendo. Ele é o Draco Malfoy, o menino mal, eternamente sonserino e ex-comensal da morte, que só não virou de cabeça pra baixo meus anos em Hogwarts por que Voldemort existia e minha atenção era, praticamente, centrada nele e em sobreviver. E eu sou a Hermione Granger, eterna grifinória, membro da Ordem da Fênix e o pé inteligente do tripé que eu, Harry e Rony somos. E eu já dei uma tapa nele! Caramba! Mas aquilo foi muito bom! Enfim, não é sobre o passado que estou discutindo, não nesse passado, mas no que quase acabou de acontecer entre nós.

Volto minha cabeça para debaixo do chuveiro sentindo a água cair por ela e escorrer pelo meu corpo. Não sou de lavar a cabeça de noite, é horrível de secar, mas o momento pediu e nada melhor do que esfriar a cabeça para pensar direito. Mas se eu continuar fazendo isso vou ficar mais enrugada do que uva passa. Cruzes! Excesso de água faz mal pra pele.

Desligo o chuveiro sem chegar a uma conclusão, alcançando o meu roupão e secando meu corpo, pego uma tolha de rosto que estava pendurada em um suporte e enrolo o meu cabelo nela. Só nesse momento que me dou conta de que a toalha que dei para o Malfoy se enxugar estava no outro suporte pendurada e molhada. Fiquei olhando, provavelmente, eu estava com medo dela criar vida ou sei lá o que. Mas o Malfoy havia se enxugado com ela e eu estava prestes a pegar para pendurá-la em outro lugar. Céus! O cheiro do seu corpo estava todo naquela toalha! Inferno! Por que eu to pensando nisso? Arg! Retiro-a com força do suporte saindo do banheiro, sem pensar muito a jogo no parapeito da janela de meu quarto. Que seque só com o vento. Ou vou ter que levá-la a uma lavanderia ou doá-la para o primeiro mendigo que aparecer na minha frente. Acho que vou doar pro mendigo. De repente os vermes não saem dali e eu pego alguma doença ou pior, me transformar em uma lesma albina. Cruzes! Não vou mais usá-la. Acho que vou ter que trocar de apartamento, por que se eu for doar todas as coisas que Malfoy tocar vou ficar sem nada. Droga! Ele sentou na minha poltrona! Eu gostava tanto dela!

“Ei? Tu ta surtando por o acaso? Para com isso que ele não tem nada!”

Quem pode me garantir isso?

“Deixa de loucura Hermione se não isso vira fobia.”

Eu acho que já estou com Dracobia.

“Dracobia? Quê isso mulher?”

Fobia a Draco.

“Me Deus! Você tem que ser internada urgentemente!”

Acho que preciso de descanso isso sim.

“É filha! Vai descansar vai, amanha tem trabalho e você tem que estar bem.”

É isso que vou fazer.

“Dracobia! Eu mereço.”

Fazia tempo que eu não dava atenção para os conselhos da Consi, mas para esse eu dei ouvidos sem pestanejar. Peguei uma peça de roupa intima mais um conjunto de dormir de algodão que ganhei de Gina uma vez e vesti, coloquei um robi do mesmo tecido e o amarrei na cintura. Peguei do guarda roupa uma manta de algodão e um lençol e os arrumei em cima de um dos travesseiros da cama. Olhei-me no espelho e a toalha ainda se encontrava na minha cabeça, a tirei de lá balançando os cabelos que caíram ao comprido em minhas costas e ainda úmidos, passei a mão rapidamente para que ficasse melhor na parte de cima, peguei as coisas que separei e rumei para a porta do quarto, respirei fundo antes de abri-la. Uma bola de pêlos ronronou de cima da cama.

Ele estava lá de costa para mim, sentado no sofá, com a cabeça virada para cima e apoiada no encosto do sofá. Estaria dormindo? Bem, espero que sim, pelo menos deixarei as coisas ali sem ter qualquer conversa com ele. Com esse pensamento, ando devagar, quase nas pontas dos pés para que não o incomodasse a vim me incomodar. E eu estava certa, seus olhos estavam fechados, sua respiração lenta, os braços ao lado do corpo. Graças! Ele dormia. Então sem constrangimento algum, eu depositei as coisas ao seu lado. Respiro fundo. Nossa! Assim, calado, relaxado, de olhos fechados e quase morto Malfoy é ate bonito. Caramba! Mentira! Ele é lindo! Os cabelos ainda estavam úmidos e bagunçados, a roupa lhe caiu bem e parecia confortável, seus pés estavam descalços e pensei se ele sentiria frio o suficiente para que eu fosse rapidinho em meu quarto e lhe arranjasse um par de meias. Mas, achando que não seria necessário, por que a madrugada não estava tão fria assim, apenas me deixei ficar contemplando aquele rosto que parecia ter sido esculpido por algum Deus da desonestidade. Por que, como que uma pessoa que podia ser tão linda podia ser ao mesmo tempo, tão repulsiva? E por que ele tinha que se chamar Draco Malfoy? Isso é injusto e desonesto. Respiro fundo mais uma vez.

- Acho que posso mudar de posição para que você admire outro ângulo meu. – a peste falou me pregando o maior susto. Pqp! O veado tava percebendo!

- Urg. – virei e rumei para o quarto pisando forte.

- Calma, Granger, era só uma brincadeira, mesmo eu sabendo que sou tão irresistível. – e gargalhou ao mesmo tempo em que eu fechava a porta do meu quarto.

Ai eu me odeio! O quê que eu tinha que fazer em ficar olhando o Malfoy enquanto, pensava que ele dormia? Ate parece que eu não sei que aquilo é pilantra! Urg!

- Granger? – ele chamou me pregando outro susto, porém de baixa intensidade. Ele estava à porta. – Enquanto eu fingia dormir só para lhe dar a satisfação de me admirar... – eu podia sentir o riso em sua voz. Eu fiquei vermelha, de raiva! – eu pensei no que está acontecendo e cheguei à conclusão de que você esta sendo muito gente fina comigo ou, pelo menos, tentando, então, para tentar retribuir esse gesto, acho que posso lhe contar a minha versão do que aconteceu entre eu e Marie. – Caraca!

- O quê? – perguntei levantando e abrindo a porta de supetão. Malfoy estava parado a minha frente com os braços cruzados na frente do corpo.

- Você ouviu. Não estou com sono. Estou cansado demais para dormir e sinto que se eu fechar os olhos vou ter pesadelos com cabeças decapitadas. – eu fiz uma careta. Ele sorriu.

- Então você vai me contar o que aconteceu entre você e a Maire mesmo? – perguntei só para ter a certeza do que eu ouvi.

- Com uma condição. – acabou o meu entusiasmo. – Ei, não precisa fazer essa cara. Não é nada demais.

- Então qual é a condição?

- Que você me acompanhe em um chocolate quente. Eu acho que tem isso por aqui. – falou olhando para a cozinha.

- Até dois! Vamos. – eu respondi em resposta ao meu entusiasmo que cresceu dentro de mim e me dirigi para a cozinha, ele me seguiu sorrindo.

Cheguei à cozinha e comecei a me locomover por ela, em busca de tudo que fosse necessário, coloquei o achocolatado, leite, chantili, duas xícaras e açúcar em cima do balcão, mas quando eu peguei a chaleira para limpa-la, usando mágica é claro, as mãos do Malfoy fecharam em meus pulsos.

- Não é por que eu aprovei, relativamente, o seu café que vou permitir que estrague o meu chocolate quente. – ele falou olhando-me nos olhos, mas havia um sorriso em seu rosto, um que eu nunca tinha visto, ou sei lá, não havia reparado, era um sorriso brincalhão. – Então, retire-se do recinto.

- Ok. – eu falei também sorrindo e lavando as mãos para o alto de modo que quebrou aquele contato... eu não disse que estava bom por pelo menos uma década... e dei a volta no balcão para sentar em um dos bancos altos que havia ali. – Só não quebre nada.

- Tudo errado.

- O que?

- Tudo isso aqui, ou pelo em parte. – disse apontando para as coisas que eu separei em cima do balcão.

- Por quê?

- Não se faz um bom chocolate quente com leite de caixa. – e terminando de falar, arredou a caixa de leite em minha direção. – Eu não sou diabético, mas excesso de açúcar não cai muito bem no meu estomago e como, com certeza, não queres visitas noturnas minhas ao seu banheiro, já basta o açúcar do achocolatado. – e também empurrou o pote de açúcar em minha direção. Em fiz uma careta. Nojento! – E, cá pra nós Granger, chantili é bom pra outra coisa. – e piscou um olho para mim enquanto empurrava o chantili, também, em minha direção.

- Não quero nem saber que outra coisa é essa.

- Também prefiro não comentar. Mas se tiveres curiosidade...

- Comece a fazer o chocolate Malfoy, não sei se lembra, mas temos trabalho amanha. – o cortei negando com a cabeça. Ele sorriu. – E desembucha logo!

Mas ele não deu ouvidos ao que eu falei, ou pelo menos em parte, pois, com um aceno de varinha, o restante do café que havia dentro da chaleira sumiu. Outro aceno e apareceu água ali. Um novo floreio e uma chama surgiu em uma das bocas do meu fogão e Malfoy colocou a chaleira lá.

- Leite em pó? – perguntou olhando para mim.

- Ali. – apontei para uma prateleira que havia ao lado da geladeira. – Aproveita e guarda o pote de açúcar, ok.

- Sem abusos Granger. – mas ainda sim ele pegou o pote e o colocou em um espaço entre dois potes. – Qual desses é o leite?

- Acho que é o que ta escrito leite. – dããããã... Tinha que ser loiro! Sem ofensas!

- Muito engraçado. – falou tirando de lá outro pote. Adivinha o que estava escrito? Leite!

- Garfos? – perguntou enquanto colocava o pote de leite em cima da bancada.

- Na primeira. – respondi apontando para um armário de ferro do outro lado da geladeira. – Você sabe o que são garfos?

- Sem graça! – falou enquanto seus olhos reviravam nas orbitas.

- Te decide! Ou eu tenho ou não tenho graça. – falei sorrindo, mas ele fingiu não ouvir enquanto pegava os garfos para, logo em seguida, desligar o fogo que fazia a água na chaleira borbulhar.

Malfoy colocou os garfos na bancada e abriu o pote de chocolate e o de leite. Pegou um garfo e depositou as misturas nas xícaras. Com um feitiço de levitação, a chaleira criou vida e avançou para as xícaras, derramando em cada uma um pouco de água quente, quase no mesmo momento os garfos começaram a se mexer rapidamente misturando o chocolate e o leite. Segundos depois um pouco mais de água foi derramada em cada uma das xícaras, os garfos se mexeram mais uma vez, mas agora bem mais lentos do que inicialmente, e pararam.

O cheiro de chocolate invadiu a casa, eu ate podia jurar que meu quarto estava tomado por aquele cheiro. Era bom, quente, reconfortante e um quase sonífero, pois no momento que ele invadiu minhas narinas a sonolência o acompanhou. Reprimir um bocejo, mas não fui bem sucedida. Sorrindo, Malfoy ofereceu uma das xícaras para mim, sem pestanejar eu a segurei e tomei um pequeno gole o encarando por cima da xícara, ele fez o mesmo. Sem dúvida aquilo foi intenso. Nunca aceite uma bebida oferecida por um “inimigo”, mas se ela tiver um cheiro bom, uma aparência boa e se você o ver fazendo, não há por que não aceitar.

- Foi no final do sexto ano. – ele começou a falar se dirigindo para o sofá, eu o segui e me enrosquei em minha poltrona. – Você lembra que eu sai antes mesmo que o ano escolar terminasse em definitivo.

- Na verdade você fugiu. – eu falei sem me conter. A morte de Dumbledore ainda era uma ferida aberta em qualquer um que o tenha conhecido tão bem quanto nós.

- Se eu for discutir com você todas as coisas erradas que eu fiz...

- Vamos passar eternidade nisso.

- Também não é pra tanto.

- Se você ta dizendo. – respondi dando de ombros.

- Ok. – falou respirando profundamente. – Posso continuar?

- Sou toda ouvidos. – meu coração bateu forte, fazendo minha atenção aguçar.

- Mesmo que não tenha sido por minha varinha, a tarefa fora cumprida. Mesmo que a tarefa tenha sido comprida, eu senti a ira de Lord Voldemort. – Malfoy abaixou a cabeça olhando para sua xícara. Caramba, eu não consegui acreditar no que tinha acabado de ouvir. Meu coração apertou de tristeza. – Foi insuportável a qualquer um que estava presente. Todos se retiraram. Minha mãe desmaiou ao me ver sofrendo. – ele trincou os maxilares. – Ao final, Voldemort mandou que me sumissem da sua frente. Minha mãe me mandou para uma de nossas casas de férias na França e eu fui. Tudo que eu mais queria era ficar o mais longe possível de tudo que tinha acontecido. Escolhi a menor e a que ficava mais longe da cidade, uma no campo seria ideal. Passei duas semanas sozinho naquela casa, mas foi na primeira que conheci Maire.

Ele ficou calado de repente, mas agora não olhava para sua xícara, mas sim para um ponto no chão, porém eu pude ver um sorriso brincar em seu rosto. Não era um olhar de tristeza ou mágoa ou qualquer outra coisa ruim, era um olhar de quem parecia esta se lembrando de algo bom, prazeroso. Aquele olhar me deu uma pontada de ciúme, pois ele nunca reagiria dessa forma ao lembrar-se de qualquer coisa que tenha acontecido no nosso passado. Se eu pudesse definir um olhar, acho que seria, no mínimo, homicida.

- Eu lembro como se tivesse sido recente. – retornou a fala. E eu que já estava quase tendo um treco de tão ansiosa. – Eu havia acordado cedo naquele dia, era o quarto dia que eu estava lá, não havia saído para nada, apenas ficava trancado no meu quarto. Não tomava banho, não comia, levantava da cama apenas para usar o banheiro e voltava para ficar mais algumas horas deitado sem pensar em nada. Feioso, nosso elfo doméstico, insistia em me fazer comer, a mando de minha mãe é claro, mas eu mal colocava duas colheres de comida na boca. Apenas bebia água ou suco. Também não dormia direito. Sempre tinha pesadelos e o pior de todos eram aqueles em que Dumbledore aparecia dizendo que eu não tinha que me sentir culpado por nada e que ainda havia tempo para ser bom.

Parou de falar mais uma vez e tomou todo o líquido de sua xícara, depois a colocou em cima da mesa de centro. Fechou os olhos e ficou parado, parecia controlar a respiração, mas seus maxilares estavam mais uma vez trincados e eu não sabia dizer o que se passava com ele naquele momento. Fosse raiva, tristeza, dor, magoa, fosse o que fosse aquela confissão não estava fazendo bom pra ele.

- Se não quiser continuar, Malfoy, eu entendo. O dia de hoje foi, realmente, muito longo para você. – eu falei tomando outro gole de meu chocolate no final. Não que eu quisesse realmente que ele parasse a historia quando já havia começado, mas, pelo menos, por enquanto eu não iria importuná-lo com aquilo. Eu acho que podia esperar ate amanhecer.

- Não é isso. Mas ate morto o velho me enchia com suas lições de moral e falando de amor.

- Não permito que fale de Dumbledore dessa forma e muito menos em minha frente. Se isso não for o suficiente, pelo menos, respeite os mortos. – todo o remorso de ter permitido que ele falasse um pouco de seu passado evaporou. Que sofresse sozinho e não falando ma dos outros.

- Foi mal Granger, mas era verdade. Mas o que mais me irrita foi não ter dado ouvidos para aquelas coisas chatas e sábias que ele falava. Só hoje me dou conta disso.

Cara foi impossível, mas eu não me contive e levantei de minha poltrona, deixei a xícara, com um pouco de chocolate, em cima da mesa de centro ao passar por ela e me sentei ao lado de Malfoy.

- É bom ouvir isso sabia. – ele me lançou um olhar descrente. – Mas você o escutou, não percebe? Está querendo ser bom. – eu sorri o encorajando a entender aonde eu queria chegar. – E daria minha varinha pela certeza de que Dumbledore lhe proporcionaria um banquete ao perceber a mesma coisa. Um banquete e todas aquelas asneiras sem sentido que lançava em quase todos os nossos banquetes de boas vindas em Hogwarts. – eu sorri e ele sorriu comigo.

- Pode ter razão.

- Eu tenho razão. – eu falei empinando o nariz, ele negou com a cabeça, mas ainda sim sorriu. – Continue, por favor.

- Oh, sim! Claro! – ele virou-se de frente para mim no sofá, encostando suas costas no braço do sofá. Eu também enrosquei minhas pernas em cima do mesmo, de modo que também fiquei de frente para ele. – Naquele dia eu havia acordado cedo, um dos pesadelos havia me acordado enquanto o sol ainda nascia no horizonte. Levantei-me e fui ate o banheiro, quando voltei para a cama, Feioso estava lá com um cara muito feliz para o meu gosto. Ate fazendo cara de felicidade aquele elfo ficava feio. Cruz credo! Era o cão chupando manga em uma sexta feira-santa pregado na cruz e de cabeça pra baixo. O bicho era feio mesmo...

- Malfoy, foco na historia. – lhe lembrei. Ele riu.

- Desculpe, mas era feio mesmo.

- Malfoy!

- Ok. – ele ainda respirou fundo antes de continuar. – Ele sorriu, disse que aquele seria um lindo dia para cavalgar e que iria selar um cavalo para mim, antes que eu pudesse responder o filho da mãe sumiu. Fazia tempo que eu não cavalgava, uma coisa que sempre gostei de fazer, uma forma de me sentir livre e esquecer um pouco das coisas. Aquela palavra teve o condão de me fazer tomar um banho e sair do quarto. Foi sinistra a sensação de sentir o calor do sol em minha pele, eu havia esquecido isso. E foi com prazer que eu montei no cavalo que o feioso havia selado.

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*

Pelo menos uma coisa aquele ser asqueroso acertou: o dia esta, realmente, bom para cavalgar. Mas ainda não sei ate que ponto de sorte vou ter, por que estava bom demais para minha mãe ainda não ter aparecido por aqui e começado a me controlar. Mas o que ela controlaria? Não havia nada de controlável em alguém que passou mais tempo em uma cama do que fora dela. No mínimo iria me encher para eu levantar, ai sim iria me controlar. Mas, ate onde eu sei das ordens, feioso deve estar passando todas as minhas reações e não reações a ela e não duvido nada que quem deu a idéia do cavalo foi ela. Por que uma idéia tão boa não iria sair de um ser tão obtuso quanto aquele.

Mas deixando de lado tudo isso, esta sendo ótimo poder cavalgar livremente pelas terras de meu pai. Terras futuramente minhas e de mais ninguém. É bom saber que há fortuna e gloria em meu futuro. Mas contar com um futuro inserto é pior e quase cômico. Só por imaginar que, possivelmente, tudo isso aqui não irá me pertencer me faz ate rir. E não foi com dificuldade que soltei uma gargalhada enquanto que o vento acoitava meus cabelos, porém os músculos de meu abdômen reclamaram. Ainda me sentia um pouco dolorido por aquela seqüência de crucius que recebi do próprio Mestre. Se Snape não tivesse interferido em minha tarefa eu teria recebido toda a glória do mestre. Aquele morcego velho e imbecil!

Frustração percorreu meu corpo, fazendo com que eu batesse com mais intensidade os calcanhares nos flancos do cavalo para que corresse o mais depressa possível. Tudo foi em vão. Salvar meu pai foi em vão. Pensar em receber a glorificação do Mestre foi em vão. Tentar tirar minha mãe daquele sofrimento, também foi em vão. Que burrice Draco! Que burrice!

A frustração deu lugar à decepção e essa a vontade de parar em qualquer lugar para pensar um pouco, o cavalo ate podia descansar também. Eu não fazia idéia de quanto tempo estava correndo e, muito menos, para onde aquela corrida me levou, mas ao avistar uma árvore, que parecia esta fora dos limites das minhas terras, mas ainda sim sua sombra se projetava para as minhas, eu esqueci completamente o que estava pensando. Aquele seria um ótimo lugar para descansar.

Antes mesmo de chegar a sua sombra, desci do cavalo e peguei as rédeas em uma das mãos caminhando lentamente. Enquanto isso, eu me perguntava o porquê de meu pai não ter comprado todo aquele condado? Éramos bruxos e riquíssimos, então não teria custado nada comprar tudo aquilo, pois seria bem melhor poder descansar sem ter que ficar olhando pra essa cerca branca que divide as minhas terras dessas de que nem sei a quem pertence. Preciso arrumar um jeito de fazê-lo comprar tudo isso. E foi pensando nessas vontades que ouvi um barulho como bicos de pássaro batendo, mas era um pássaro grande e o som vinha de trás da árvore.

Enquanto eu amarrava as rédeas naquela cerca, que em alguns dias não estaria mais lá, eu ouvi outro barulho, eras cascos batendo no chão de terra. Aquilo era esquisito, pois mais uma vez veio da arvore. Dei a volta em meu cavalo e subi duas tábuas para poder ver o que estava por trás daquilo e quase levei um tombo: um hipogrifo branco pérola estava parado a quase dois metros de mim. Seus olhos cor de âmbar me fitaram como se quisessem me perfurar ou me dividir em dois. No tempo em que eu o fiquei olhando, ele esticou suas asas de quase três metros, batendo o bico de galinha velha com insistência, de repente fechou as asas e deu as costas para mim se deitando em uma parte de grama.

Era só o que me faltava, um hipogrifo bem ao lado das minhas terras. Uma coisa muito estranha por sinal, pois, pelo o que eu me lembre desses bichos, não que tenha sido em proveito daquelas aulas nojentas daquele caipira meio gigante de Hogwarts, mas os hipogrifos eram criaturas que não se viam com freqüência em qualquer lugar, principalmente em áreas abertas como fazendas ou campinas, mas em florestas cerradas ou nas montanhas. Então o que um hipogrifo estaria fazendo ali? Olhei mais uma vez para o bicho que era uma mistura de galinha gigante e cavalo e percebi que havia celas nele, na verdade era apenas uma manta quadriculada amarrada toscamente com cordas finas, isso sim era estranho. Se já era difícil avistar um hipogrifo, era mais ainda avistar um selado. Na verdade eu nunca vi e muito menos já conheci alguém que tenha visto, mas esse bicho tava selado e eu estava vendo com os meus próprios olhos. Ou ele fugiu de algum circo mágico de algum lugar ou...

Pum!

Alguma coisa despencou da árvore na minha frente, mas nem me dei ao
trabalho de verificar o que era, por que com o susto eu mesmo havia caído de costas da cerca na qual me apoiava. Fosse o que fosse iria pagar por isso. Sentei-me com uma cara dolorida, aquela queda só fez acentuar a dor que eu sentia nas costas em decorrência dos crucios, mas ao levantar as vistas eu vi primeiro um par de botas marrons, calça jeans, blusa de botão quadriculada, um rosto de menina com as bochechas vermelhas emolduradas por cabelos curtos e loiros, um chapéu de cowboy na cabeça.

- Bon jour. – ela disse me olhando com um semblante divertido enquanto passava por cima da cerca e se postava em minha frente. – Me desculpe se lhe assustei, mas prrecisa de ajudarr Senhorr Malfoy?

*

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- Essa foi a primeira vez que a vi. – ele continuou enquanto olhava para frente, eu duvidava se ele estava me vendo ali. Seu olhar estava muito distante. – Havia me pregado o maior susto e ainda perguntou se eu queria ajuda com aquele sotaquesinho francês irritante. – e sorriu descentre, mas sorriu.

- Então ela sabia quem você era?

- Sabia. Sua avó, que também era bruxa de uma das melhores e maiores famílias de puro sangue da França, era dona daquelas terras, só ai entendi o porquê do Lucius não tê-la forçado a vender também as suas terras. Ela era puro sangue como nós. – mas ao mencionar essa ultima frase Malfoy não fez a cara de vitorioso como fazia antes, estava mais pra nojo.

- Então Maire tem puro sangue?

- Você acha que se ela tivesse puro sangue Lucius teria me forçado a dá-la aquela porção para perder o filho? – sua voz se encheu de raiva.

- Desculpe, eu...

- Tudo bem, a culpa não é sua. – mas em sua voz não havia nada de pedido de desculpas. – É toda minha. Se eu pudesse voltar a trás por saber o que poderia acontecer eu teria subido em meu cavalo e sumido da frente dela. Mas não fiz isso. Eu quis me provar. Mostrar pra ela quem era o melhor. Mas acabei descobrindo que a melhor era ela, pois eu nunca havia conhecido alguém tão viva e melhor que ela. – Sim! E eu era o quê, morta por o acaso? “Vocês se odiavam na época lembra?” ah! Verdade. Mas ele não precisa falar isso. “Com ciúmes Hermione?” Vai encher o saco de outro! – Tirando a irmã do teu ex, agora a mulher do Potter. Se ela não fosse tudo que era, a Weasley valeria a pena.

- Deixa o Harry te ouvir falar isso. Você vira doninha pra nunca mais voltar ao normal. – ah vira! Se ele não te transforma eu transformo, imbecil nojento!

- Antigamente Granger. A Weasley poderia ser fogo na roupa, mas ainda sim era uma traidora do Sangue...

- Sim! Vai ficar ofendendo ela na minha frente mesmo?

- Calma. Só estou tentando falar o que eu pensava na época – disse levando as mãos pro alto. – Estou tentando fazer com que você entenda como era a Maire que eu conheci. Ela era parecida com a Weasley, espevitada, viva, dona de si e de quem mais quisesse, por que a Maire que você conhece não tem nada haver com a que conheci. – eu ainda o encarei com a sobrancelha erguida antes de menear a cabeça em concordância. – Ela ate tinha um pouco de você.

- De mim? – essa eu quero ver! Não tem ninguém igual a eu rapaz!

- Sim. Apesar de que garota como ela eu nunca conheci, mas ela tinha um pouco de ti. Ela era inteligente e adorava se fazer de sabe tudo só pra me encher a paciência.

- Mas eu não me faço, eu sou. – empinei o nariz. Desculpa, mas eu posso. Seus olhos rolaram as orbitas.

- Você entendeu o que quis dizer.

- Não entendi.

- Então esquece que não vou entrar nesse detalhes. Não estamos falando de você, mas sim da Maire, ou pelo menos da que conheci. Essa que hoje trabalha com a agente, mas parece só o reflexo da que me pregou o susto do que a mesma. Se eu pudesse teria voltado no tempo, Granger, sempre se lembre disso. Não esqueça, por favor. – seus olhos estavam implorativos. Eu não teria como negar diante disso.

- Claro, não vou esquecer. – eu prometi, mas quem não prometeria diante esse olhar de cachorro pidão. Quem? – Mas, como ela sabia quem você era.

- Como eu disse, sua avó lhe contou da família de bruxos que eram seus vizinhos. E não tinha como não rreconhecerr os carrbelos loirros, rrosto arristocrrático, e belas vestes, como ela mesma disse quando lhe fiz a mesma pergunta. – ele sorriu ao parecer imitar o sotaque francês que Maire tinha.

- Hum. – não sabia que pergunta fazer por que um monte delas borbulhava em minha cabeça. – Mas, então se Maire não é puro sangue, ela acabou com a linhagem da família?

- Ela não Granger, o pai. O Pai de Maire foi que se apaixonou perdidamente por uma trouxa. Ninguém da família fazia idéia do que estava acontecendo ate que o cara sumiu depois de saber que estavam lhe arranjando um casamento com uma mulher de puro sangue. “Pargas forram jogadas contrra mim, parra que eu no nascesse brruxa. Mas cá istou eu, linda, brruxa e mestiça”. – mas uma vez ele imitou o sotaque francês e riu. – Sim. Todos da família pediram para que a menina mestiça que acabaria com toda aquela linhagem fosse um aborto, mas ela não foi e com três anos demonstrou ser bruxa. O pai ficou tão feliz que contou para a avó de Maire, que ficou tão feliz que pegou ela para cuidar. A mãe de Maire morreu de desgosto por que não poderia mais ver a filha e o pai, bem, virou empregado da própria família para poder ficar ao lado da filha. Mas quando Maire fez 11 anos, idade que iria para a escola de Bruxaria da Beauxbatons o pai sumiu de novo para nunca mais aparecer. Claro que a avó de Maire não contou nada para ninguém. Ninguém precisava saber que a neta era uma mestiça, por isso elas forram morar longe dos olhos dos outros, foram para a fazenda.

- Meu Deus! – eu estava pasma. – Eu nunca soube disso. Maire disse que se sempre estudou na Irlanda. Como você soube disso? – perguntei surpresa.

- Antes de termos feito qualquer coisa nós conversamos muito, Granger. Tornamo-nos completamente confidentes.

- Então ela sabia de você ser um comensal?

- Sabia. – eu arqueei as sobrancelhas descrente. – Primeiro ela ficou com medo. Mas depois de ter me azarado varias vezes, acabou me ouvindo.

- O que você disse?

- Que eu não queria mais ser. – respondeu dando de ombros, como se fosse à coisa mais normal do mundo um comensal querer deixar de ser um.

- E ela acreditou? – falei levando as mãos a boca.

- Claro que sim.

- Maire era muito inocente então. – falei balançando a cabeça.

- Não, Granger, ela só confiava em mim.

- O que não deixa de ser inocente e burra. – obvio!

- Não, você não esta entendendo. – agora foi a sua vez de balançar a cabeça.

- Então me explique.

- É difícil.

- Malfoy, eu sou inteligente o suficiente para entender o que quer que seja. – ou ele estava duvidando da minha perspicácia?

- Então você já deveria ter entendido. – eu franzi o cenho. Eu tava voando alto mesmo. – depois de um tempo ficou fácil conversar com ela. Entendíamo-nos. Eu podia ser eu mesmo ou alguém que eu nunca imaginava ser: eu podia ser normal. Sem querer me encher de pompa, sem esbanjar. Por que ela era alguém melhor que eu. Por que ela era alguém que eu nunca poderia ter e ao mesmo tempo alguém que eu queria muito ter e ser.

- Você gostava dela. – aquilo não foi uma pergunta, foi uma confirmação. Estava na minha frente com todas as lindas letras fluorescentes piscando pra mim. – Você ainda gosta dela?

- Não sei. – respondeu por meio de um suspiro. Como não sabe? Quê isso? Me da uma certeza! Ai, meu coração ta apertando. – Mas foi muito bom vê-la no departamento vermelha de raiva, quase a mesma vermelhidão do dia que nos conhecemos. – e um meio sorriso apareceu em seu rosto.

- Você ainda gosta dela. – outra confirmação, a pior ate agora.

- Não sei dizer, Granger. Mas, se eu gostar, não é do mesmo jeito, mas é o suficiente para querer o seu bem, para querer que ela volte a ser o que era. Apenas isso. Eu acabei com uma das melhores fases da sua vida e nunca vou me perdoar por isso. – ele começou a mexer suas mãos uma na outra, por fim sorriu. – Hoje, meu interesse é outro. – e ai ele me fitou intensamente. Senti meu rosto ficar vermelho e abaixei a cabeça olhando para meus joelhos.

- Ok. – esperei um tempo ate poder colocar para fora aquele aperto no coração que acabou surgindo em vão. Mas ele não precisava me olhar desse jeito. Ate parece que está interessado em mim. Cruz credo! “Nossa! Você está tão irritada com isso.” – E então... como aconteceu?

- O quê?

- Você dois, como aconteceu?

- Ah! Tem certeza que você quer mesmo saber? – perguntou com uma cara que indicava de todas as maneiras que eu não deveria ser tão insistente.

- Não os detalhes, mas ate onde você quiser me contar. – eita curiosidade!

- Ok.

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*

Não sei há quanto tempo, só sei que meus pés estavam reclamando. Se eu soubesse que faríamos uma merda de uma caminhada teria colocado tênis e não essas botas apertadas e que estão acabando com os meus pés. Mas além das botas esses mosquitos também não estão fazendo muito bem. Minha pele vai ficar vermelha e cheia de bolhas que vão coçar ate virar feridas. Merda, pra onde essa louca ta me levando?

- Se eu soubesse dessa caminhada teria colocado tênis.

- Nossa, Drraco, como você rreclama! Cadê seu espirrito aventurreirro? – perguntou olhando para trás com um sorriso de orelha a orelha.

- Nunca tive esse. A onde se compra? – perguntei puxando minha bota que engatou em uma pedra.

- Muito engrraçade.

- E você é muito aventureira pro meu gosto e minha saúde. – falei dando passos mais largos para que pudesse lhe alcançar eu ouvi sua gargalhada mais a frente. – Como você consegue andar tão rápido por essas pedras?

- Porrque eu já conheço esse caminho e porr isso sei onde pisarr.

- Eu acho...

- Ouve? – ela perguntou parando subitamente.

- O que?

- Barrulho de água?

Falou olhando para mim com entusiasmo. E sim eu podia ouvir ao longe um barulho de águas que se mexiam e batiam em pedras, parecia uma corredeira. Eu sorri lhe retribuindo o sorriso. Ela avançou nos passos.
Em menos de 15 minutos nos estávamos diante de uma paisagem que só se ver nos filmes de floresta ou em pinturas artísticas: um rio de águas claras escorria por sobre pedras negras, pedras de todos os tamanhos, limpas ou com limo, sendo que sua água vinha de uma pequena cachoeira que transbordava fazendo o barulho que nos ouvimos antes de chegar aqui. Mas eu já tinha visto paisagens assim muitas vezes, mas nunca pude aproveitar para parar e admirá-la. E isso era mil vezes melhor com Mai ao meu lado e com um de seus melhores sorrisos.

- Valeu à pena? – perguntou olhando para mim de canto de olho.

- É... é bonitinho, mas já vi lugares melhores. – respondi dando de ombros, se ela gostava de me irritar, eu adorava fazer o mesmo com ela.

- Que mentirroso! – ela colocou uma expressão de ofendida no rosto. Eu apenas sorri. – É lindo! Admita?

- Muito! – mas eu mal olhava pra paisagem agora, estava olhando para aquela garota que estava ao meu lado abrindo os braços e fechando os olhos, como se estivesse querendo abraçar tudo aquilo. Mai não fazia idéia, mas eu a achava linda. Linda como nenhuma outra e tão viva que só eu sabia que queria isso pra mim. Que queria ela para mim.

- Vamos? – ela perguntou me pregando mais um dos muitos sustos que me dava, principalmente quando eu ficava com essa cara de boboca olha para ela. Estúpido!

- Pra onde?

- Se rrefrrescar, orra! Se você penso que nois irriamos só olharr, se engano. O dia ta quente, ótima parra um banho.

E colocando ação em suas palavras, ela pulou da pedra onde nos estávamos se postando próxima à beira do rio e de costas para mim, onde começou a tirar toda a roupa. Primeiro foram às botas, ai vieram as meias, tirou a blusa branca de algodão, sem se importar que tivesse um adolescente de 17 anos a olhando, ficando apenas de sutiã e calça jeans. Sua pele era alva e seus seios fartos, ou fartos o suficiente para que dessem em minhas mãos.
Balancei a cabeça tentando tirar aqueles pensamentos da cabeça senão ia ficar difícil ficar parado só a olhando e a água seria um convite para acalmar meus hormônios, mas ficou difícil quando a vi desabotoar o jeans e o fazer escorrer por suas pernas igualmente alvas, mostrando uma calcinha que mais parecia uma cueca, na mesma cor do sutiã: branca. E entrou no rio.

Foi impossível me controlar e principalmente meus hormônios que gritavam e estavam fazendo minha calça ficar apertada. Bem mais rápido que ela, eu tirei toda a roupa, me confundi querendo tirar a calça primeiro que a bota, mas em instantes eu estava apenas de shorts e entrava na água que cobriu ate o peito. Tudo relaxou.

- Você entrrou!

- Iria contra minha masculinidade deixar você se afogar. – eu respondi sorrindo enquanto dava passos para longe dela.

- Nem o vi tirrar a rroupa. – falou fazendo um carinha triste, mas ao mesmo tempo sapeca.

- Não teve a necessidade. – dei mais alguns passos.

- Querria terr visto a sua masculinidade. – falou olhando para baixo, através da água límpida e gargalhou. Droga! Eu fiquei vermelho. Ela gargalhou ainda mais.

- Engraçadinha. – e joguei água nela.

Mai ainda me lançou um olhar quase homicida antes de jogar água em meu rosto, isso foi à deixa para começarmos uma guerra de água, igual àquelas em que parecem nos filmes trouxas que sempre imaginei ser uma besteirada só, mas com Mai estava sendo muito divertido. Na verdade, com Mai qualquer coisa ficava divertida e minha vontade de fazer com que ela tivesse puro sangue crescia dentro de mim. Mesmo que isso não importasse mais para mim, mas importava para os meus pais e meu mestre e seria ótimo a tê-la do meu lado depois que tudo acabasse. Se ela não se importa em ter um amigo como Comensal da Morte, então ela não se importaria em ter um namorado, ou... marido.

- Cansei! – falou respirando profundamente.

- Idem.

E com um leve empurrão ela começou a boiar o corpo na água, bem na minha frente. Sua roupa intima estava um pouco transparente e nem mesmo a água foi capaz de equilibrar qualquer coisa dentro de mim. Caramba, Malfoy se controla! E passei a olhar a paisagem ao redor

- Drraco? – ela me chamou com a voz baixa. Aquilo também não ajudou muito.

- Hum.

- Posso lhe fazerr uma perrgunta?

- Sim. – eu só não podia ta pensando muito bem, por que dificilmente eu aceitava qualquer coisa facilmente.

- Eu sou feia?

- Quê? – que pergunta idiota é essa agora?

- Rresponda: eu sou feia? – e ai ela parou de boiar ficando de pé na minha frente.

- Não. – respondi meio confuso pela intensidade de seus olhos cor de âmbar.

- Enton, porrque no deu em cima de mim?

- O quê? Do que você esta falando?

- Istou falando de você no terr tentando me beijarr. Se no sou feia é porrque no faço o seu tipo. – de repente os seus olhos começaram a ficar vermelhos. Caramba, não, não chora!

- Por que pensa isso? – eu só podia estar vivendo um sonho.

- Porrque no o vejo me olharr com otrros olhos, olhos de desejo. – agora seus lábios começaram a tremer.

- Não teria pensado isso se tivesse visto como eu fiquei quando você começou a tirar a roupa na minha frente ainda há pouco. – fosse quem fosse tinha alguém feliz comigo lá em cima.

- Jurra! – ela sorriu. Eu apenas confirmei com a cabeça sentindo, mais uma vez, o meu rosto corar. – Enton estarr esperrando o quê?

- Pra quê?

- Prra me beijarr.

E não foi com dificuldade que avancei aquele único passo que nos separava e a puxei para junto de meu corpo, colocando seus lábios molhados nos meus. Mas o melhor, não foi que apenas colamos nossos lábios, nossos corpos seminus estavam igualmente colados e seria impossível fazer com que ela não sentisse o meu desejo pulsando por ela. E um sorriso foi à resposta que ela deu a isso, na verdade o sorriso foi à primeira resposta, pois a segunda foi ainda melhor: Mai entrelaçou suas pernas em meu quadril pressionando no lugar, aproximando, dessa forma, sua parte intima da minha.

- Faça-me sua. – ela disse por entre nossos lábios que já estavam ficando vermelhos.

Essas foram às últimas palavras com melhor sentido que ela soltou antes de fazer com que eu a retirasse da água e postasse seu corpo entre nossas roupas e o meu próprio corpo.

*


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Pára tudo que vocês não têm noção de como o Malfoy narrou esse episodio! Foi... foi... foi... Lindo! Os olhos dele brilhavam e não duvido nada que estavam no riacho novamente. Era como se estivesse revivendo, não apenas em lembranças o que aconteceu. A sua voz, de repete, havia se tornada calma e macia enquanto descrevia com sutileza o que havia acontecido. Era como descrever o melhor dos sonhos. O sonho de alguém que estava apaixonado.

- E essa foi a nossa primeira vez. Tanto minha quanto dela...

- O quê? Vocês perderam a virgindade juntos? – foi impossível me controlar. – A sua primeira vez foi com 17 anos? – aqui eu quase gritei.

- Fala baixo, Granger, as paredes têm ouvidos. – me repreendeu, mas logo em seguida gargalhou. – Isso é algo tão impressionante? – perguntou ainda sorrindo.

- É! Quero dizer, não! Não é. É só... sei lá. Pela forma como você fala e se comporta parece ter sido com menos idade.

- Não é a idade que faz a experiência Granger, mas sim as situações vividas. – falou com um ar sábio, mas ainda sim aquele sorriso cínico não sumiu de seu rosto.

- É. Você pode ter razão, pois eu sou uma prova viva disso. – ele negou com a cabeça soltando um suspiro. – Mas foi ali, na beira do rio?

- A primeira vez foi.

- Aconteceram mais vezes? – perguntei perplexa, mas só não me pergunta o porquê da perplexidade.

- Claro! É obvio Granger. Éramos só nois dois. Estávamos os dois de férias, tínhamos um dia inteiro na nossa frente e mais algumas noites. – realmente, aquilo era obvio. Ainda mais com dois seres que tinham acabado de descobrir uma das melhores coisas da vida. – Naquele dia aconteceu mais uma vez. Eu havia pegado um susto quando ela apareceu em cima de uma vassoura na janela de meu quarto em plena a madrugada. E aquela segunda vez foi ainda melhor. Todas às outras vezes foram ainda melhores. Na minha cama, na dela, no celeiro, em baixo da árvore que nos conhecemos, em cima da árvore, no rio...

- Ta! Ta bom! Você disse que não entraria em detalhes. – uma raiva repentina tomou conta de mim. Sem precedentes e muito maior do que eu havia sentido antes. Ele não precisa ficar falando essas coisas. Eu disse que eu queria saber? “É... disse!” Cala a boca!

- Ok. Não precisa se irritar. – ele sorriu cinicamente de novo. – Eu conheci e me apaixonei por Maire em duas semanas. Só foi necessário esse tempo. Mas, duas semanas foi o tempo que Voldemort me deu. Eu não sei como, mas consegui ganhar mais um tempo naquele meu paraíso particular. Talvez pelo fato de que eu não fizesse tanta falta assim. Na verdade para ele não fazia nenhuma. – ele soltou um sorrisinho exasperado. – E o melhor de tudo foi que aquilo não me atingiu em nada. Se eu pudesse ficar o resto da minha vida lá, eu teria ficado. – agora o sorriso tinha mudado, era de divertimento. - Nos fizemos tantas vezes no decorrer das duas ultimas semana que fiquei lá que não sei dizer em qual delas Maire engravidou, mas acho que foi na primeira. Éramos loucos o suficiente para imaginar que nada aconteceria. Só não sei por que pensávamos isso. – ele deu de ombros. – Confesso que tentamos algumas vezes fazer usando preservativo ou alguma poção inibidora, mas era péssimo. Não gostávamos e, enfim, as conseqüências foram desastrosas. – ele respirou profundamente.

- Sobre você e ela, ninguém ficou sabendo?

- Primeiro a sua avó, mas ela pensava que apenas estávamos de namoricos que nada mais acontecia de importante. Ou pelo menos era isso que ela queria pensar. Eu consegui ler a sua mente uma vez, mas ela só se perguntava ate que ponto aquilo iria chegar conhecendo os pais que eu tinha.

- E o elfo doméstico, feioso, não soube?

- Soube, mas ele percebia que Maire estava me fazendo bem, então preferiu não contar nada para minha mãe.

- Mas como foi que eles souberam...

- Minha mãe apareceu um dia de repente e não gostou do que viu. Maire cavalgava tão bem. – e um ar sonhador tomou conta do seu rosto, mas não foi o suficiente para apagar aquele sorriso cínico que só aparecia quando o Malfoy queria me irritar ou quando pensava qualquer obscenidade. Ai caramba!

- Malfoy, eu disse, sem detalhes.

- Maire estava andando em meu cavalo para testar a corrida, era isso o que eu quis dizer. O que você pensou heim, Granger? – e lá estava o sorriso cínico de novo. Eu não disse que era só pra me irritar!

- Continua. – pedi entre dentes. Ele sorriu.

- Minha mãe apareceu e com um único olhar deduziu o que estava acontecendo e com uma única conversa com o feioso teve a certeza. Só que ela também não fazia idéia do que mais estava acontecendo entre nois, mas ainda sim ela não gostou. E eu muito menos. – Malfoy trincou os dentes e respirou profundamente para se acalmar. - Minha mãe era uma péssima oclumente e apenas alguns segundos na frente da Tia Bella, colocaria tudo a perder. Mas ela me prometeu que manteria distancia da Tia Bella ate que eu resolvesse o “problema” e essa foi a primeira vez que eu queria que o lado negro da força perdesse. – Malfoy me lançou um sorriso amargo. – Eu queria que vocês ganhassem por causa de uma garota. Meu Deus! Eu só poderia ter sido zumzumbido por alienígenas ou estava sendo guiado de boa vontade pela imperius.

- Ou estava dando ouvidos, sem perceber, ao que Dumbledore havia lhe falado em seus sonhos. – eu falei lhe lançando um meio sorriso. Mas ele deu de ombros.

- Eu não sei, só sei que de qualquer forma deu errado, por que eu ainda tinha um pai e Lucius seria uma enorme pedra antes da montanha sem fim que Voldemort significava.

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*

Minha mãe havia ido embora aquela manha, e nos aproveitamos àquela chuva sem sentido, que começou a cair no final da tarde, para matar a saudade um do outro. Ficou um pouco impossível de nos vermos enquanto ela estava aqui me guiando, controlando, aquelas coisas que as mães fazem só por que pensam que é para o bem dos seus filhos. Mas ela havia ido embora e mais uma vez minha vida girava em torno dessa mulher que está em meus braços, nua como veio ao mundo. Mas aquela sombra negra que eu fazia de tudo para manter longe de meu paraíso particular estava começando a ficar cada vez maior e incontrolável.

- Um galeon porr seus pensamentos. – ela falou enquanto se apoiava nos braços e me olhava.

- Algumas coisas que eu não queria conversar agora.

- Tem haverr com su mère? – perguntou com o cenho franzido.

- Sim e mais com a vida que eu levo ou levava antes de lhe conhecer. – falei lhe fazendo um carinho no rosto.

- Você prrecisa irr emborra. – aquilo não era uma pergunta.

- Preciso. – ela abaixou a cabeça e se enroscou ao meu lado. – Eu não queria, mas tenho. Minha vida não é essa, apesar de que a quero muito. Mas preciso conversar uma coisa com você antes.

- Fale.

- Olhe para mim. – pedi tentando fazer com que ela levantasse a cabeça. E ela levantou, mas eu preferi que não tivesse, pois seus olhos estavam marejados. – Não chore, por favor? Apenas me escute. Provavelmente não será tão ruim assim. – falei aquilo apenas para acalmá-la, por que eu mesmo não acreditava que fosse ruim, ia ser péssimo. – Você conhece Harry Potter?

- Si. Quem no conhece. Ele foi o único que sobrreviveu ao Avadrra Kedrrava e ainda me diserram que é muito bonito.

- A parte do bonito é mentira. – eu falei entre os dentes. Aquilo já estava sendo muito difícil do que ficar aturando a minha garota falar que o cabeça rachada é bonito. Ela sorriu. – Mas sobre sobreviver é verdade e é contra ele que o Lord Voldemort esta travando a guerra.

- Oui. – ela disse com o semblante preocupado. – Contrra um garroto de su idade. Que horrive!

- Antes de lhe conhecer eu queria que o Potter morresse. Eu já lhe contei essa historia. – ela confirmou com a cabeça. – Mas agora, ficar do lado dele é a única maneira de ficarmos juntos.

- Porrque sou uma mestiça. – a tristeza invadiu seu olhar.

- Isso. Mas você sabe que não me importo. Não mais. E é isso que eu vou fazer, vou para a Inglaterra e procurar pelo Potter. Irei tentar lhe ajudar a destruir o que eu ajudei a criar. Vou passar para o lado dos mocinhos por você, por nós. Para que tenhamos melhores chances.

- Quando você vai?

- Depois de amanha. Tenho que praticar oclumência antes de voltar. Não é o suficiente, mas é o melhor que posso fazer. Minha tia é muito boa em legilimência e se eu virar espião do Potter tenho que ser muito bom em não deixar que ninguém invada minha mente. – O que vai ser impossível se Voldemort tentar. Mas ela na precisa saber desse detalhe. – Então por isso, peço que você não me procure. Ninguém mais pode saber que você existe e que queremos ficar juntos. Eu lhe procuro para dar noticias minhas, mas você, nunca fará isso ok. Nunca. Promete?

- Sim, meu herroi. Eu prrometo.

*

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- Mas ela quebrou a promessa. – Malfoy soltou a respiração com pesar. – Mas quem poderia culpá-la? Ela descobriu que estava esperando um filho do amor de sua vida e queria o mais rapidamente contar essa grande nova para todos. Quem poderia culpá-la?

- Ninguém. – eu mesma havia passado por isso quando estava com o Rony, mas foi alarme falso.

- Quando eu cheguei em Londres queria o mais rápido possível encontrar vocês. Mas como fazer isso sem que ninguém percebesse e o pior, tendo como hospede em minha casa o próprio Voldemort? Tudo havia ficado tão difícil que algumas vezes eu me descontrolei e pensei em fugir, mas a imagem de Maire me fazia ficar passando por tudo aquilo. Distanciei-me da Tia Bella, na verdade me distanciei de todo mundo. Tentei me fazer de deprimido por que não tinha acatado uma ordem de meu senhor para que ninguém chegasse perto, mas não precisava de muito esforço. Um mês havia passado e nada de noticias de vocês. E eu voltei para Hogwarts e lá seria o melhor lugar para tentar entrar em contato com a Ordem da Fênix, mas Snape havia se tornado diretor, Aleto e Amico professores e todos os alunos estavam sendo vigiadas, todas as correspondências abertas, mas eu usei do meu poder para mandar todas as cartas que quis para Maire. Era o mínimo que eu podia fazer, mas deu tudo errado. – mais um suspiro.

- Ela lhe mandou uma carta contando a novidade. – mesmo que ele não falasse, eu tinha certeza do que tinha acontecido. Ele confirmou. – Ela lhe enviou uma carta para Hogwarts, sendo que você era um dos únicos que podia falar com os pais usando lareira.

- Como soube disso? – ele perguntou com o cenho franzido.

- Você nos contou, mas a Gina nos tinha contado antes. – falei dando de ombros. De que importava aquilo? Eu heim. – Por que alguém como Draco Malfoy iria receber uma carta? Suspeito. Foi Aleto ou Amico?

- Amico. – respondeu de cabeça baixa. Acho que ele estava revivendo em pensamentos o que eu estava deduzindo. Mas não estava sendo tão difícil.

- Então Amico leu a carta e... – agora ficou difícil.

- Mandou diretamente para o Lucius. – Malfoy se ajeitou no sofá para ficar de lado para mim e apoiando a cabeça no encosto. – Voldemort não estava em casa naquele dia, então Lucius poderia ser o dono dela de novo. – começou com um meio sorriso descrente. – Chamou por minha mãe que não conseguiu mentir e falou que sabia de tudo. Sorte a dele que eu não estivesse lá naquele momento, ou eu teria cometido o seu assassinato muito antes. – falou por entre dentes. – Mas logo em seguida eu fui chamado. Tia Bella se deu ao prazer de contar tudo a Voldemort, ele disse que Lucius deveria resolver a rebeldia do filho de maneira adequada, com punição. E não foi diferente. Depois de mais uma rodada de crucius de todos os Comensais que estavam presentes, meu pai me mandou para França para resolver tudo. Ele me disse que dessa vez eu deveria fazer tudo correto senão ele mesmo tomaria todas as providencias, ou seja, morte aquelas duas mulheres e mais um bebê. Não sei como, mas meus pais sabiam que a neta de Madame Adele era uma mestiça e, conseqüentemente, Tia Bella também sabia. Diante do que eu sabia que Lucius faria, eu não pensei duas vezes em querer que Maire perdesse o filho do que a vê-la morta. Ela poderia ficar grávida de novo, de mim talvez, mas nunca morta. Claro que Lucius não sabia que seria esse o meu jeito de resolver o problema, na verdade ninguém soube. – já estava virando uma espécie de costume o Malfoy trincar os maxilares toda a vez que lembrava das atitudes do pai e não foi diferente dessa vez. - A pedido de Lucius, Snape me deu um presente...

- A poção? – perguntei perplexa. Então foi uma das varias poções de Snape que acabou com aquela vida?

- Sim. Uma poção, mas não era a poção certa.

- Como assim?

- Antes de seguir para França, eu me encontrei com Snape em Hogwarts e lhe pedi, na verdade implorei para que me dissesse ou me desse alguma coisa que fizesse com que Maire apenas perdesse o filho, que ela não morresse. Depois de muito implorar e de joelhos, Snape me deu.

- Ele deu? – eu não conseguir imaginar o quanto que o Malfoy implorou para Snape para conseguir o que queria.

- Sim. Mas não pense que foi fácil. – Malfoy balançou a cabeça.

- Sinceramente, eu não estou pensando.

- Isso por que você conhece o Snape e a partir daquele momento ele passou a conhecer o meu maior ponto fraco. E é claro, brincou com isso. Na verdade jogou com o meu sentimento. – ele respirou fundo.

- O que foi que ele lhe pediu em troca?

- Apenas para ficar calado. Para que eu não passasse nenhuma informação que o prejudicasse para Voldemort. No inicio, eu não entendi, por que alem de mim ainda havia Aleto e Amico em Hogwarts para isso, mas de qualquer forma, preferi nem entender, não ia ser tão difícil mesmo.

- E você não suspeitou que houvesse alguma coisa de errado com Snape? – perguntei pasma que ele não pudesse ter percebido qualquer coisa que denunciasse Snape.

- Claro que sim. Foi a primeira coisa que pensei, mas não sei se você lembra, eu queria que o lado bom da força ganhasse. – acrescentou sorrindo. Eu concordei com a cabeça. Snape é muito esperto. O amor. O tolo amor dos humanos. Aff!

- Mas a poção que Snape me deu era apenas para fazê-la parecer que estava morta, quando na verdade estava apenas desmaiada, mas não para perder o filho. No final Snape iria buscá-la e escondê-la em algum lugar.

- Como você soube disso? – Essa é uma historia para varias noites. Era
muita informação.

- Ele me contou antes que eu fosse embora para o Brasil.

- Nossa!

- Isso mesmo. – concordou. – Nossa! Junto com a poção havia um bilhete escrito que apenas três gotas seriam o necessário. Mas, mais uma vez deu errado. Tia Bella, como se tivesse querendo ter a certeza de que tudo aconteceria como seu mestre queria, mandou o Feioso colocar uma dose extra de sua própria poção no copo que eu ofereceria a Maire. E Snape foi chamado por Voldemort naquele mesmo momento e não pode comparecer para ajudá-la. Foi à pior coisa que eu poderia ter feito em toda a minha vida.

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*

Eu havia chegado há duas horas e como eu imaginei, a casa estava pronta para uma pequena recepção. Feioso havia tomado conta de tudo e em alguns momentos Maire iria aparecer para o que seria nosso fim. Olhei-me no espelho que ficava em cima da lareira para ver minha imagem. Havia me vestido de preto, aquela era um dos melhores paletós que eu tinha. Havia tentando arrumar o cabelo para que parecesse descente e combinasse com a ocasião, mas sempre que pensava dessa forma a raiva me consumia e o descontrole era o resultado.

Eu levei às mãos a cabeça de forma que agarrei meus cabelos para que não pudesse gritar. Meus cabelos que já haviam sido penteados tantas vezes foram mais uma vez bagunçados enquanto que lágrimas enchiam meus olhos. Eu tinha que me controlar de qualquer forma, meus cabelos poderiam voltar ao normal, mas meus olhos inchados ficariam difíceis de esconder e Maire não tinha que ver o desespero em meu olhar. Esperta como ela conseguia ser, não demoraria a perceber que alguma coisa estava acontecendo e isso ela não podia, ela não podia perceber nada. Tudo tinha que ser perfeito. Ou pelo menos o mais perfeito que o desastre poderia ser. Isso, aquilo era o desastre. O fim. O fim de quase dois meses perfeitos com a melhor garota do mundo. E por isso, por ser a melhor garota, ela não poderia sofrer mais do que fosse necessário, eu na poderia sofrer mais do que o necessário. Eu podia suportar a morte de um filho que eu nem vou saber se é menino ou menina, mas não posso suportar a morte de Maire.

Não! Isso não! Se eu pudesse morrer fazendo aquilo, eu morreria. Mas eu não ia e muito menos ela. E ai ser bem melhor assim. Esse era o passo mais difícil, pois o outro era o mais fácil, apesar de tudo. Eu iria me afastar dela. Eu tenho que me afastar dela. Quando essa noite terminar, Maire precisa compreender que eu sou o pior homem do mundo, só assim ela vai ficar longe. É o melhor a se fazer. Depois ela vai entender. Ela é esperta. Ela vai compreender que o que eu fiz foi para o seu bem, mas nada, além disso. Mas como eu vou ter certeza disso? Como vou saber que ela compreendeu minha atitude? Eu preciso ter essa certeza. Mas de que forma? Não! Eu não preciso. Eu vou sumir. Não posso ter mais nem um tipo de contato com ela ate tudo isso acabar. E isso vai acabar. Eu tenho que encontrar o Potter. Eu preciso encontrá-lo para prestar-lhe minha lealdade. Depois disso e só esperar ate que ele vença o Lord Voldemort, para que eu possa procurar por Maire e lhe contar o que fui obrigado a fazer. É. É isso! Vai ser dessa forma.

É o melhor a se fazer. O melhor para nois dois. O melhor para ela.
Respirei fundo e parei de andar pela sala enquanto enlouquecia com esses pensamentos. Parei em frente ao espelho mais uma vez e meus olhos estavam vermelhos, mais um resultado do descontrole. Um filho. Um filho que seria tomado de mim antes mesmo que nascesse. Mais uma vez meus olhos se irritaram. Voltei a andar de um lado para o outro pela sala. Desse jeito vou acabar ficando maluco. Parei de andar de supetão enquanto enchia meus pulmões de ar e os soltava de forma controlada.

Nem bem eu controlei aquele acesso uma batida na porta anunciava que alguém havia chegado. Ela estava do outro lado. Meu coração bateu forte, de dor e de saudade. Alcancei a porta e a abri. Minha respiração parou. Mai estava linda em um vestido rosa e de alça, uma bolsa branca que combinava com os sapatos de tiras. No entanto, seu sorriso era mais lindo ainda e ele me encheu de calor. E sorrir. Eu conseguir essa proeza.

- Oi.

- Você esta linda.

- E você elegante. – ela disse sorrindo abertamente e pulou nos meus braços. – Eu senti saudade de você.

- Eu também. – comecei afagar seus cabelos. O mundo em que eu vivo é um lugar injusto. Sinto inveja dos que podem amar sem sofrer.

- Nem acrreditei quando rrecebi su carrta.

- E eu a sua. – ela afastou a cabeça de meu peito.

- Eu nem acrreditei quando soube. – seus olhos brilhavam de felicidade. Meu coração apertou, mas eles iriam brilhar assim de novo. Eu tinha que acreditar nisso.

- Como descobriu? – eu não precisava, mas tinha que saber. Autoflagelação!

- Minha avó desconfio de meus enjôos e me perrguntou sobrre sonhos. Eu sonhava com crrianças. Ela pediu parra que eu pingasse um poco de meu sangue em um poção transparrente e derrepente ela ficou verrmelha. Erra possitive!

- E qual foi à reação dela?

- Me abrraçou e chorrou. - O que significava aquele choro? Se ela conhecia minha família então era de tristeza. – Mas disse que istava feliz e que no via a horra de serr bisavó. – e seu sorriso foi de orelha a orelha. Mas de repente eles foram se arrefecendo ate que Mai olhou para os lados, como se estivesse à procura de algo. - Onde estão seus pais?

- Chegarão a qualquer momento. Eu vim primeiro para que possamos conversar melhor antes. – respondi sorrindo fingidamente e depositando um beijo em sua testa. Eu sempre fui um cara frio, herdei isso de toda uma linhagem de puros sangues e sonserinos. É tão fácil fingi, mas isso eu herdei única e exclusivamente de meu pai.

- Você no me parrece feliz. – ela disse enquanto nos sentávamos no sofá. – Parrece prreocupado. Aconteceu algo?

- Na verdade estou nervoso. Nossa! Um filho!

- Também estou. – e sorriu para mim. Em nenhum momento seus olhos paravam de brilhar. Aquilo doía muito mais do que poderia ter imaginado.
Aquela dor estava me consumindo por dentro. Era como se um monstro estivesse devorando minhas vísceras enquanto cravava suas unhas na parede de minha barriga. Nem bem aquela dor crescia dentro mim, feioso aparece carregando uma bandeja com duas taças de um líquido meio amarelado. Então seria assim? Tomando a bebida que mais gosta?

- Feioso trás uma bebida para o Senhor dele e sua acompanhante enquanto aguardam os pais do senhor Malfoy. – disse fazendo uma reverencia. Muito bem treinado.

- Oh. Que educade! – Maire falou sorrindo, sem imaginar o que continha em sua taça.

Feioso a entregou a sua e a minha. Saiu fazendo uma reverência, mas eu pude notar que um sorriso diabólico estava escondido em seu rosto e sumiu pelo corredor que dava para a cozinha.

- Cerrveja amanteigada? Serra que posso? – perguntou Maire olhando para ao líquido em sua taça com o cenho franzido.

Não! Você não pode! Não deve! Minha maior vontade era dizer essas palavras, para logo em seguida lhe contar rapidamente o que estava acontecendo, para por fim sumir do mundo com ela para qualquer lugar que fosse difícil nos encontrar, mas eu era um homem marcado, marcado por uma maldição que escolhi de muita boa vontade e qualquer lugar seria fácil de chegar se Voldemort procurasse por sua ovelha desgarrada.

- Apenas hoje sim.

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- Não sei quantas vezes eu repeti para mim mesmo que aquilo era o melhor a se fazer. Não sei quantas vezes eu desejei dizer para que ela não bebesse. Não sei quantas vezes eu me chamei de fraco por não ter lutado por ela.
Não era tão difícil imaginar como estava o seu semblante só pela sua voz.

Era uma voz fraca que senti um pouco de dificuldade em entender, mas ainda sim tinha raiva em cada palavra, em todas as inúmeras vezes que tentou fazer alguma coisa, mas não conseguiu como ele mesmo disse. Malfoy não estava mais sentado ao meu lado no sofá, ele estava em pé, de frente para a janela, olhando qualquer coisa que estivesse passando pelo lado de fora ou olhando o nada e perdido naquelas recordações. Eu mesma estava perdida na imagem que conseguir construir dos olhos de Maire brilhando ao contar que estava esperando um filho dele. Aquilo era horrível, bem pior do que eu tinha imaginado. Eu não sei de toda a versão de Maire do episodio, mas se for igualmente forte, eu não sei se consigo agüentar. E vai ser pior para ele agüentar se deparar com esses meus olhos vermelhos. Passo a mão no rosto, o esfregando no todo, para de certa forma, tentar relaxar.

- E foi assim? Tão fácil? Tão natural? – perguntei tentando engolir o nó que havia se formado em minha garganta.

- Fácil? – eu senti um pouco de sarcasmo em sua voz. Ele se virou para mim. – Você tem certeza que ouviu direito? – seus olhos estavam como duas fendas, presos em mim. A raiva estava crescendo dentro dele e eu seria a única que a sentiria toda. – Quase que eu enlouqueço pensando em tudo, Granger. Pensando que de alguma forma aquilo seria bom pra ela. Eu me humilhei. Eu me ajoelhei diante de um homem que eu invejava e odiava. Eu fui torturado tantas vezes que posso competir igualmente com o seu amiguinho Potter. Eu passei para o lado de vocês. Eu lutei contra toda uma linhagem de sangues que tenho nas minhas veias – ele bateu com força em seus braços e a cada batida eu sentia como se fosse em mim. – Eu lutei contra meus pais. Contra um senhor que virou uma espécie de herói para mim. Eu cresci ouvindo o nome de Voldemort e o adorando. Eu cresci ouvindo o nome Harry Potter e o odiando. Você que sempre foi quase uma santa, que sempre foi inteligente, que sempre foi boa, não tem idéia de como isso é horrível. De como é horrível passar por cima de tudo, do seu orgulho, do sangue, de todas as maldades para tentar reestruturar um mundo que você odiou e que um dia adorou destruir. Tudo isso por causa de uma garota que hoje lhe odeia mais do que odiou alguém. E você ainda acha que isso é fácil? Que é natural? Heim, Granger, responde?! Acha?!

Eu não consegui responder. Eu não sabia o que responder. Apenas fiquei sentada, na mesma posição, o olhando com uma cara de choque. Minha respiração estava lenta. Minha pele estava fria. Eu senti que todo o sangue havia sumido de meu rosto. Eu estava paralisada de medo. Só não sabia o por que. Ele não havia se descontrolado, gritado, avançado para cima de mim, nem nada disso, apenas ficou parado, emoldurado pela janela atrás de si, o cabelo ainda bagunçado, mas não estavam mais molhado, sua respiração estava muito pesada, as mãos estavam fechadas em punhos ao lado de seu corpo que tremia. Seu corpo tremia de raiva, de frustração, ódio. Então era isso que estava me deixando nervosa e amedrontada: Malfoy estava a ponto de explodir e por algum motivo estava se controlando o máximo que podia para não o fazer.

De repente minhas pernas criaram vida e saíram de cima do sofá. Meus pés descalços tocaram o chão frio fazendo com que uma espécie de choque passasse por meu corpo e eu me ergui, andando ate ele em passos lentos, cautelosos e meus olhos fixos nos seus. Em nenhum momento Malfoy se mexeu, apenas ficou me olhando se aproximar dele ainda com os punhos fechados, mas gradualmente seu corpo ia ficando imóvel e normal novamente.

- Ela não o odeia. – comecei a falar quando parei a sua frente. – Ela só está confusa. Ela não entende o que aconteceu. A guerra acabou, mas você não procurou por ela. – eu não acreditava no que estava falando, mas ainda sim falava, por que essa era a verdade que eu acreditava. – Desculpe se eu me expressei mal. Realmente não entendo pelo o que você passou. E ela não o odeia.

- Mas eu me odeio. – ele falou por entre os dentes e mais uma vez seu corpo começou a tremer de ódio.

- Mas não devia Draco. – eu peguei suas mãos e comecei a fazer movimentos circulares com o dedão nas costas das suas mãos. – Você fez o que pensou ser o correto e agora esta recebendo uma nova oportunidade de fazer o melhor de si. Então aproveite, você merece isso. – eu, por alguma razão que descobrir depois de um tempo, estava dando força, mesmo não querendo, para uma reconciliação que poderia ser o final feliz de alguém, alguém que poderia ser o meu final feliz.

- Obrigado. – eu nem tinha reparo, mas as mãos do Malfoy estavam envolvendo as minhas e seu corpo havia parado de tremer. – Se eu acreditasse em anjos, eu dizia que você era um. – e levou minhas mãos ate sua boca e beijou cada uma de olhos fechados, uma onda percorreu meu corpo. – Agora sim eu entendo sua pergunta e vou respondê-la. – e me puxou para o sofá, onde sentamos.

- Mais uma vez...

- Não precisa, ok.

- Ok.

Malfoy respirou fundo mais uma vez antes de começar:

- Não foi fácil e nem natural. – começou devagar. – Pelo o que Snape me disse de sua poção, assim que ela bebesse um único gole logo desmaiaria, mas não foi assim que aconteceu.

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Mai bebeu, bebeu um único gole e logo desmaiaria. Eu sorri para ela, para que pudesse ver uma ultima vez o meu sorriso que dizia ser parecido com o final do dia enquanto eu ficava ansioso para poder segura-la sem que se batesse em qualquer lugar, mas de repente Mai começou a puxar o ar que parecia não chegar aos seus pulmões, uma espuma espessa começou a sair de sua boca, a taça de cerveja amanteigada caiu de sua mão e espatifou no chão, sujando o carpete que estava ali, ao mesmo tempo e que levava suas mãos a garganta.

- Drra... – falou com um pouco do ar que lhe restava. Alguma coisa estava errada.

Eu estava vendo a mulher de minha vida sufocar na minha frente e não conseguia me mexer, apenas ficava olhando sua tonalidade sempre um pouco rosada ficar púrpura e meio arroxeada, seus olhos esbugalhados presos em mim, se ela pudesse estaria gritando por meu nome, pedindo socorro.

Tinha alguma coisa de errado acontecendo e não era o que eu esperava. Mai caiu no sofá ainda segurando sua garganta e tentando chamar por mim.

- Feioso! – eu gritei e em menos de segundos o elfo apareceu em minha frente em um estampido. – O que você deu a ela? – perguntei gritando.

- O que o senhor Malfoy mandou Feioso dar, senhor. – respondeu fazendo uma reverencia.

- Mentira! – o acusei ficando rapidamente de pé. – O que foi que você deu a ela, seu elfo nojento e asqueroso, responda a verdade.

- Mas Feioso fala a verdade.

- Não está! – e agarrei o elfo pelo pescoço o levantando ate minhas vistas. – Fale a verdade, isso é uma ordem!

- Se... nhor... su... fo... cando...

- A verdade! Se não lhe darei roupas. – mais uma vez gritei, mas agora balançava o elfo ainda o segurando pelo pescoço, quem sabe não o quebro no meio. Seus olhos esbugalharam com a menção da pior palavra do mundo para eles.

- Se... nhora... Be... lla... - Foi à única coisa que ouvi antes de soltar o elfo e sair correndo rumo à cozinha. Eu não precisava de mais nada. Só a menção daquele nome foi o suficiente para saber de que tipo de veneno se tratava.

Cheguei à cozinha derrapando no final do corredor. Eu nunca havia estado lá então seria impossível encontrar qualquer coisa que pudesse me ajudar ou encontrar o que eu realmente queria, mas eu sabia que estava lá, uma vez eu tinha ouvido que nos tínhamos isso, então eu só deveria saber onde procurar, ou melhor, como procurar. Saquei minha varinha e gritei:

- Accio benzoar. – nem bem tinha terminado de falar e uma porta de um armário embutido da ponta sul da cozinha foi escancarada e uma pedra de benzoar veio em minha direção, quase me acertando no rosto, mas a peguei a tempo. Quando senti a pedra fechada em minha mão corri para a sala, onde feioso ainda estava reclamando de dor na garganta e Mai sufocando e adquirindo uma tonalidade totalmente rocha. Ajoelhei-me ao seu lado.

- Aqui. – e enfiei o benzoar em sua boca. Mai estremeceu um pouco e puxou a respiração antes de seu corpo fica mole e imóvel.

Fiquei ali no chão, sentado ao seu lado enquanto via a respiração de Mai voltar gradualmente ao normal, meu coração estava se acalmando assim como minha respiração. Tirei o paletó e limpei a boca de Mai com cuidado, assim como sua testa que estava brilhando de suor pelo esforço de tentar respirar. Como eu não tinha imaginado que uma coisa dessas aconteceria? Parece que me esqueço das pessoas com quem cresci. Claro que ela iria se precaver a mando de alguém ou por conta própria, só estou abismado de não ter sido meu pai. Mas ele viria pessoalmente acabar qualquer coisa com a própria varinha. Nem bem tinha terminado de falar e chamar verdes que saíram da lareira chamou a minha atenção.

- O que esta acontecendo? – era minha mãe.

- O que você esta fazendo aqui? – eu quase gritei de novo apontando-lhe a varinha.

- O que aconteceu com ela?

- Se não veio ajudar, então vá embora, eu preciso pensar. Vá embora! – gritei.

- Calma, meu filho. Sou eu, sua mãe. – pediu parando de supetão e levando as mãos ao alto. – Eu vim lhe ajudar, mas o que aconteceu com ela? – avaliei o que ela estava dizendo e percebi que tinha vindo para me ajudar mesmo.

- Bellatrix mandou um pouco da sua própria poção para... fazer o serviço. – eu não consegui dizer a palavra matar.

- Eu adivinhei. Mas ela não está...?

- Não. Lembrei que tinha benzoar em casa. Foi por pouco. – minha mãe me olhava com um mistura de pena e orgulho. Ela nunca me olhava assim. – O que veio fazer aqui?

- Bella vem ela mesma verificar se você conseguiu, na verdade se conseguiu acabar com a vida dessa garota. – começou a falar e se aproximar de mim. – Suma com essa garota Draco, Bella estará aqui em minutos. Se Bella perceber que ela ainda esta viva vai ser pior para vocês dois.

- Eu não posso sumir com ela mãe. Vai se fácil nos encontrarem. – eu olhei para a marca negra em meu braço.

- Você tem razão. – ela pensou um pouco, coisa que eu não conseguia fazer
muito bem. Olhei mais uma vez para o rosto de Maire: sua cor estava voltando ao normal. – Então eu vou.

- De forma alguma. – falei me levantando. – Se descobriram sobre Maire é por sua culpa. Não vou deixar que estrague tudo novamente. - Joguei minha raiva toda nela.

- Então o que você fará?
Minha primeira resposta foi “não sei” e a preocupação invadiu minha cabeça, enquanto o tempo passava. Comecei a olhar ao redor como se uma solução fosse sair de algum lugar escuro e escondido e ela saiu, saiu de próximo ao sofá.

- Mãe, peça para que Feioso leve Maire para algum lugar e a esconda. Pelo visto, esse elfo desobediente não atende as minhas ordens. – o olhei de cima e ele se curvou pedindo desculpas.

- Mas ele? – minha mãe olhou para o elfo com cara de repulsa.

- Antes ele do que você. – respondi entre dentes. – Agora, mãe! Mesmo que Bellatrix procure por ele eu posso dizer que o mandei para longe. Ele continua sendo o meu elfo, então não terá problema.

- Sim. – ela se virou para ele. – Feioso, pegue essa garota e a leve para a Austrália. Esconda-a em um lugar que não tenha bruxos, só trouxas. Se possível, próximo a algum hospital.

- Sim minha Senhora. – ele respondeu fazendo uma reverência e se adiantando a Maire.

- O ordene a não contar a ninguém sobre o que aconteceu. – mandei.

- Não conte a ninguém, nem mesmo a Lucius e Bellatrix sobre o que você
fez ou deixou de fazer. Se lhe perguntarem, minta e morra mentindo. – ela mandou olhando para Maire com um semblante preocupado e um pouco de repulsa.

- Sim minha senhora, Feioso vai menti ate morrer. – e mais uma reverência.

- Então vá.

- Espere. – eu pedi antes que Feioso aparatasse levando Maire consigo. Eu me ajoelhei novamente ao lado dela. – Se algum dia puder me perdoa.
E beijei sua testa. Minha mãe virou o rosto. Nem bem tinha terminado de tocá-la e ela sumiu em um estalido. Sangue manchava o lugar que ela havia acabado de deixar.

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- Como foi que Bellatrix reagiu a isso? – perguntei. Malfoy estava com a cabeça encostada no sofá e de olhos fechados.

- Assim como minha mãe havia dito, ela apareceu. Mas não demorou muito. – ele deu de ombros. – Ela perguntou sobre o Feioso, obviamente, eu disse que o tinha mandado sumir para que não me atrapalhasse e não fez mais nenhuma pergunta quando viu a mancha de sangue no sofá e foi embora. – ele abriu os olhos.

- Ela não desconfiou de nada?

- Não que eu tenha sabido. E claro que eu teria se tivesse. Mas se sim, não podemos saber, eles estão mortos mesmo. – ele trincou os maxilares quando se ajeitou no sofá, ficando de lado para mim.

- Então foi isso que aconteceu?

- Sim. – ele respondeu respirando profundamente. – Você acha realmente que ela não está com raiva de mim, acha? – ele perguntou me olhando de esgoela.

- Não. Mas ainda sim acredito que ela está mais confusa. – respondi sentindo
uma dor anormal no peito.

- Eu deveria falar com ela?

- Se você estiver com vontade, segurança e conheça muitos feitiços defensivos, eu acho que sim. – e ele sorriu. Eu esbocei um sorriso, não que estivesse achado realmente engraçado o que havia dito.

- Acho que você tem razão. – eu ergui os ombros e reprimi um bocejo. Aquela historia fez com que minha cabeça ficasse cansada. Muita informação. – Mais um achocolatado?

- Eu acho que não, Malfoy. – respondi bocejando de novo, esse eu não consegui reprimir. – Já está tarde e além do mais temos que trabalhar amanha.

- Eu não estou com sono e não tenho muitos problemas em trabalhar de ressaca. – ele sorriu para mim, aquele sorriso cínico. – Além do mais, você disse que tomaria ate dois achocolatados comigo pela historia, então, estou só cobrando.

- Ok. – respondi balançando a cabeça negativamente.

- Ótimo. – falou se levantando e pegando as xícaras de cima da mesa de centro rumou para a cozinha.

- Malfoy?

- Hum?

- Como foi que você foi chegar ao Brasil? – eu perguntei encostando minha cabeça de lado no sofá e puxando minhas pernas para cima do mesmo. Eu bocejei enquanto o Malfoy ria.

- É uma longa história. Você quer mesmo ouvir?

- Umhum.

- Ok. – eu ouvi barulho de xícaras sendo colocadas em cima do balcão. – Quando tudo terminou, quero dizer, quando Voldemort foi finalmente destruído, eu praticamente... – e o som da voz do Malfoy foi diminuindo, diminuindo...

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-... você não faz idéia do susto que levei quando aparatei em cima do Cristo Redentor. Quando eu contei essa historia pro Martim ele riu a beça e ate hoje tira onda comigo com essa historia. Mas eu lá ia saber que ia aparatar lá? – eu sorri um pouco lembrando a situação. Cara foi hilário. Mas assim como eu me divertir lembrando isso um incomodo estacionou na minha barriga quando me lembrei de Martim. Eu deveria ter guardado melhor aquela carta. Mas como eu ia saber o que aconteceria? – Granger, você acha que o Potter vai achar o Martim com a ajuda daqueles endereços? – nenhuma resposta. – Granger, você esta me ouvindo? – mais uma vez o silêncio. Estranho.

Tirei os garfos de dentro das xícaras e os coloquei dentro da pia. Pegando cada xícara em cada uma das mãos, segui para a sala olhando atentamente para a Granger que estava enroscada como um gato em cima do sofá. Cheguei mais perto dando a volta no sofá, e reparei que ela dormia e dormia pesadamente por que sua boca estava meio aberta.

- Granger? – chamei só para confirmar e, é claro, ela não respondeu. – Valeu por ter me deixado falando sozinho. – coloquei as xícaras em cima da mesa de centro e ergui os polegares para ela. – Então ta, vou tomar meu achocolatado sozinho. Não me importo mesmo. – e fazendo ação as palavras, peguei uma xícara sentei na poltrona, de frente para ela. Tomei um gole.

Ela não pode esta querendo fazer o mesmo que eu fiz com ela mais cedo, quando ela ficou me admirando e eu sentindo seu olhar em mim. Não, ela não esta fazendo. Por que ela não aceita e admiti que eu sou bonito? Maluca. E não vejo problemas nisso, por que eu acho a Granger bonita. Na verdade ela está muito gata. Olha só as pernas dessa mulher! Deveria ser proibido por lei qualquer mulher que tivesse pernas assim usasse shorts, qualquer tipo de shorts. Eu lembro que ate mesmo em Hogwarts ela já tinha pernas grossas. Na verdade foi no dia do Baile de Inverno que percebi. Não teve um garoto que estivesse naquele baile que não tenha reparado. Coisa bonita é pra se olhar mesmo. Mas se essa mulher fosse minha, estaria proibida de andar com roupas nesse tamanho.

Tomei um gole de meu chocolate quando ela respirou profundamente e seu braço escorregou para o lado e sua cabeça mais para baixo, seus cabelos acompanharam e viraram uma cortina cacheada que cobria um pouco o seu rosto. É! A Granger é bonita mesmo. Weasley idiota. Como pode deixar uma mulher dessas? Eu sempre soube que ele era um idiota, mas também desconfiava que eles ficassem juntos depois de tudo. E olha a ironia do destino, não que seja ironia o Weasley ser idiota, ele continua sendo, mas eles não estão mais juntos. O que será que aconteceu? Coisa boa que não deve ter sido, eles eram inseparáveis. Estranho.

A cabeça dela escorreu mais alguns centímetros fazendo com que seus cabelos lhe cobrissem todo o rosto. Tomei mais um gole sem tirar os olhos dela. Ela estava toda torta e no mínimo acordaria com dor na costa, pernas... oh Meu Deus que pernas!... e pescoço. Ai, essas crianças. Terminei meu chocolate e coloquei a xícara em cima da mesa de centro enquanto me levantava.

- Granger? Acorda. Vai para a sua cama, você esta toda torta. – falei me aproximando dela. Mas nada, como eu suspeitava. – Granger? – toquei em seu ombro. Nada. – Hermione vai para o seu quarto. – falei um pouco mais alto a balançando um pouco, mas ela escorreu mais e eu recebi um grunhido como resposta. Grande. – Hei, acorda. – falei com minha voz normal. E, adivinhem? Ganhou um beslicão quem respondeu nada. Tombou de sono mesmo. Bem, já que minha companhia foi vencida pelo cansaço e eu quero a minha “cama”, ou seja, o sofá, vou ter que carregá-la. Meu Mérlim, faça com que essa mulher não acorde ate eu tê-la levado para a sua cama, no bom sentido é claro, senão ela vai me acusar de abuso sexual.

E foi pedindo para todos os bruxos e santos para que ela não acordasse que eu sentei ao seu lado para que pudesse carregá-la, mas o sofá afundou no meu lado e aquilo foi o essencial para fazer com que ela escorregasse totalmente a cabeça do encosto do sofá e caísse no meu peito. Ai caramba! Agora sim ela vai me acusar de abuso. Mas ela nem se mexeu. Ficou ali, quieta, com a cabeça no meu peito, respirando normalmente e dormindo a sono solto. Tirei o cabelo que cobria seu rosto, a boca entre aberta se tornou tão convidativa depois disso. Fiquei olhando aquele rosto que parecia não acordar tão cedo enquanto me esticava no sofá, ajeitei o travesseiro que ela havia me arranjado e me deitei ainda a olhando. Parei momentaneamente de respirar quando ela se ajeitou ao meu lado, colocando a cabeça mais próxima ao meu queixo, passando uma de suas mãos por minha cintura e uma de suas pernas por sobre a minha, ate que ela respirou fundo e ficou imóvel mais uma vez. Eu voltei a respirar. O cheiro de seu shampoo invadiu minhas narinas, era de camomila.

Peguei o lençol que estava no chão e o coloquei em cima dela, ou pelo menos ate onde eu consegui. Levei um braço para baixo da cabeça, chegando à conclusão de que a melhor coisa que eu poderia ter feito foi ter contado a ela sobre parte do meu passado. Nunca havia conversado sobre isso com ninguém. Na verdade, a pessoa que conhece mais o meu passado se encontra a milhas de distancia. Espero que Martim esteja. Mas eu queria ter podido ouvir alguns conselhos de minha mãe ou de qualquer pessoa que estivesse disposta a dar. Mas quem me daria conselhos? Comensais da Morte, fugitivos, assassinos? Humf! Que ironia. E então que fiquei perdido na escuridão, sem saber o que fazer, mas ai a Granger aparece me dando apoio para conversar com Maire, dizendo que estou tendo uma nova chance e por merecê-la eu deveria aproveitá-la. Engraçado.

A Granger se tornou uma pessoa engraçada na verdade, ou ela sempre foi só que, como eu não a conhecia ainda, não havia reparado. Mas ela é engraçada e estranha, por que, ao mesmo tempo em que deseja que eu suma da sua vida, fica preocupada com o meu bem estar, ao mesmo tempo em que deseja minha morte, chora por não querer que eu morra, ao mesmo tempo em que faz de tudo para termos o mínimo de contato físico possível, dormi abraçada em mim, eu sei que ela não esta consciente, mas ela mesma me toca, me conforta com seus carinhos. Ao mesmo tempo em que me incentiva a fazer as pases, cheia de sorrisos, com uma mulher que muito amei não sinto que suas palavras são inteiramente verdadeiras.

Engraçada, estranha, linda. Essa mulher vai acabar me deixando louco ou nas nuvens. Há! Fala sério! Tinha alguma coisa nesse chocolate. A Granger dormindo em mim, eu falando essas besteiras de madrugada e louco para fazer carinho nos cabelos dela, isso só pode indicar uma coisa: tinha alguma coisa nesse chocolate. Ah se tinha! Então, é tudo culpa do chocolate! Só dele! Eu sorri. Colocar a culpa nos outros é tão bom. Principalmente quando você faz uma coisa que tem vontade, mas que seria crucificado se o fizesse. A culpa é do chocolate.

Uma vez eu ouvi o Potter dizer que o que mais queria era uma vida tranqüila. Que daria tudo que tinha para poder colocar a cabeça no travesseiro à noite e dormir sem ter grandes preocupações, apenas aquelas normais de uma vida normal. Seria disso que ele estava falando? Não que eu esteja vivendo tranquilamente, mas esse é um momento tranqüilo e acho que posso conviver com ele. Conviver com uma mulher dormindo ao meu lado em um sofá enquanto penso na minha vida, nas contas do final do mês, no próximo aniversario de casamento ou dela, no próximo sábado quando encontraria com os amigos para jogar quadribol, na próxima noite de amor que teria com ela. É, acho que posso viver com isso. Seria melhor ainda se eu já tivesse isso.

Sem nem menos perceber eu já estava fazendo carinho nos cabelos dela, enquanto eu o cheiro de camomila me invadia me deixando meio grogue, sonolento. E eu que disse que queria esquecê-la só por uma noite acabei dormindo com ela em meus braços. É. Eu acho que tenho um pouco de sorte sim, se não for sorte é pura sacanagem do destino, ou de quem quer que seja, esta me pregando isso. Ou pode ser culpa do chocolate.

- Ah, Malfoy, aonde você vai parar? – perguntei em voz alta e a Granger grunhiu se mexendo ao meu lado. Aquele sofá era meio pequeno para a gente. – Shiii... Dorme Granger... Hermione... sonha com os anjos... meu anjo sem asas.

Só faltava essa: to ficando romântico! Humf!

- Anjo.

Oh chocolate maldito!

Oh sentimento sem pé nem cabeça!

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Bom gente! Cap. postado com sucesso...
Eu sei que demorei, + tive alguns probleminhas técnicos e pessoais...
+ Ai está o cap...
espero q tenham gostado...
b-jusss a todos que comentaram... e aqueles que lêem + acabam por ñ comentar...
VAleu mesmo...

=**** fuizes!

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