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23. Capítulo XXIII


Fic: Harry Potter e o fim da profecia


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- Acabou, finalmente. – Rony acabara de entrar no salão comunal e se aproximava do sofá que Harry e Hermione ocupavam em frente à lareira. Ele jogou a mochila numa poltrona vazia e deixou-se cair em outra.

Hermione apenas soltou um muxoxo. Ela estava recostada em Harry, que a abraçava pela cintura. O moreno apertou o abraço, procurando confortá-la mesmo em silêncio.

- Dois dias para a formatura. – ele murmurou sem ânimo, num tom seco.

- Festa! – os olhos de Rony brilharam.

Hermione estava completamente indiferente a qualquer coisa que dissessem. Tinha outras preocupações e um pressentimento de que o dia da batalha se aproximava, e agora eles já não podiam mais adiar. Apenas ela sabia; eles estavam às vésperas do fim.

Ela e Harry permaneceram em silêncio, encarando a lareira recém-acesa.

- Que cara é essa? Vocês dois estão muito estranhos para o meu gosto. Parece até que vieram de um enterro. – fez o ruivo, estranhando a seriedade e o silêncio dos amigos.

- Nem tudo são flores, Rony. Ninguém sabe onde e como estaremos daqui a três dias. – respondeu Harry. Para Hermione era muito difícil falar sobre aquilo agora.

- Ora, estaremos aqui! Só iremos embora dia 18 pela manhã, e hoje ainda é dia 14. Teremos quatro dias aqui ainda. – Rony replicou como se fosse algo óbvio.

Harry encolheu os ombros em silêncio. Hermione mexeu-se como se sentisse desconfortável. Rony observava-a atentamente e percebeu que ela contorceu o rosto e apertou a barriga com força.

- Você está bem, Mione? – indagou.

- Não poderia dizer que estou cem por cento, porque estou num desconforto horrível desde o almoço. Não sei se é enjôo ou azia, mas as ânsias estão quase que me sufocando. – ela respondeu em voz baixa.

- O que você comeu no almoço? – Harry perguntou também se mostrando preocupado.

- Verduras cozidas e carne moída.

- Eu também comi isso. – Rony respondeu olhando sério para Harry.

- Talvez não tenha lhe caído bem. Por que não disse antes? Seria melhor tomar um copo com água ou, quem sabe, um remédio... – o moreno sugeriu.

- Mais tarde eu vou à cozinha e peço ao Dobby, por enquanto eu quero apenas ficar aqui e relaxar. Está tão bom... – ela apertou o braço do namorado que estava sobre sua barriga e fechou os olhos enquanto sorria serenamente.

- É melhor que fique de repouso mesmo. Assim melhora rápido. Ainda temos algumas horas para o jantar. Eu só vou descer mais tarde. – anunciou o ruivo.

Harry apenas assentiu.

- E a Luna? – perguntou Hermione, estranhando o comentário do amigo.

- Eu e ela não estamos nos nossos melhores dias. Sinceramente, acho que sequer posso dizer que ainda temos algo. Estamos mais para amigos que qualquer outra coisa. – Rony respondeu. – Aliás, nem mesmo amigos... Porque amigos conversam, como estamos fazendo agora. Se nos falamos por mais de meia hora por dia, é muito. E não é como antes.

- Talvez seja melhor você sair dessa. – Harry aconselhou.

- Harry está certo. Eu não acho que você deva investir mais na história de vocês. – Hermione concordou.

- Eu até pensei nisso. A Lilá também andou me dizendo para conversar com ela, dar um jeito logo nessa situação. E ela até comentou sobre as garotas que poderiam surgir afim de mim... Mas eu também não sei se conseguiria ficar com outra garota ainda gostando dela.

- Você ainda gosta muito dela? – Hermione indagou.

- Eu não sei. Apenas alimento um carinho muito grande por ela, mas pode ser apenas uma dependência que nós criamos em relação ao outro quando passamos muito tempo com alguém. Nós acabamos nos acostumando à presença daquela pessoa sempre ali, entende? Eu acho que é isso. – ele deu de ombros.

- E quanto à Lilá? – Harry lançou.

Rony riu e corou.

- Bom, não sei qual o lance com ela, também não a vejo como nada além de uma amiga... e nem mesmo a conheço direito, certo? Nunca rolou nada entre a gente, só conversamos vez ou outra – fez Rony em resposta. – Mas não se pode negar que ela tem seus atrativos.

Harry riu.

- Eu, sinceramente, a acho muito parecida com a Luna. Mas é uma versão mais bonita, se é que me entende. – Hermione comentou. – Ela tem um olhar profundo, e eu acho muito bonito. O nariz e os lábios são mais finos, os cabelos mais claros e dourados...

- O corpo também é um tanto mais desenvolvido. – Rony comentou. – Não podia esquecer disso. – e ele próprio riu, piscando para Harry.

- Digamos que ela seja um tanto patricinha, que se preocupe demais com sua imagem. – o moreno acrescentou.

- Ora, mas andando com a Parvati, seria impossível ela não o ser. – Hermione replicou.

- Ela é legal, extrovertida e tudo o mais, mas não sei se faz o meu tipo.

- Você faz o dela, com toda certeza. – a morena fez questão de observar. – Lilá é louca por jogadores de Quadribol!

- Ela disse que gostava do meu jeito. Sabe, nós conversamos um bocado de uns tempos pra cá. Eu só tenho medo mesmo é de ela só querer estar comigo por interesse.

- Há um interesse, mas não o que você está pensando. Ainda mais sabendo que você vem de uma família maior e mais humilde. Mas ainda é cedo para afirmar alguma coisa. Acho que você deveria conversar com ela sobre isso. – Hermione sugeriu.

- Com a Lilá?

- É, Rony. – a garota respondeu pacientemente. – E com a Luna!

- Você está me deixando confuso, Mione...

- Não se iluda. O que eu acho que você deve fazer é conversar com ela também, de uma vez. É melhor para você; é melhor para ela. – ela completou.

- Talvez ela esteja certa, Rony. Procure resolver sua situação com a Luna e depois tente falar com a Lilá. Mas não agora. Espere passar um tempo, para você se desprender da outra para ter certeza de que você realmente quer entrar em um novo relacionamento. – Harry aconselhou.

- Verdade, a Lilá costuma ser um tanto quanto apressada para determinadas coisas. – Hermione comentou.

- É, eu vou fazer isso. Mas não acho que deva chegar soltando minhas dúvidas e desconfianças na Lilá. Ela vai ficar mais confusa que eu nessa conversa – o ruivo concordou.

- Então deixe que as coisas aconteçam naturalmente. É até melhor assim. – fez Harry.

- É mais ou menos isso que eu pretendo. Mas... mudando de assunto... – Rony fez uma pausa. – Vocês não acham que seria no mínimo suspeito estarem nesse grude todo, não?

- Para todos os efeitos, Rony, somos amigos. – Hermione ressaltou antes de bocejar.

- Sono?

- Demais! Não tenho a menor vontade de fazer nada.

- Perceptível. – foi a vez de Harry comentar. – Nem mesmo quer fazer esforço para melhorar o enjôo.

- Está melhorando, Harry. Eu quero é ficar quietinha. Por mim passaria o meu dia inteirinho na cama amanhã.

- E por que não pode? – fez Rony.

- Amanhã à tarde eu e Malfoy temos que ajudar os professores a resolver os últimos detalhes do ano, indicar possíveis sucessores... Enfim! Não vai ser cansativo, mas eu não estou nem um pouco animada.

- Uma curiosidade... Alguém que não é monitor pode se tornar monitor-chefe? – perguntou o ruivo.

- Nunca houve um monitor-chefe promovido ao cargo sem antes exercer seu papel inicial de monitor, até onde sei. – Hermione respondeu.

- Eu ficaria satisfeito apenas com um não.

Hermione revirou os olhos enquanto Harry ria.

- Vocês não acham estranho que ninguém além de nós tenha aparecido? – indagou a morena.

- Quando eu saí muita gente ainda fazia a prova. Mas a grande maioria está lá fora, aproveitando a liberdade. Para nós acabou, não é? – Rony respondeu se levantando e caminhando para a janela mais próxima. – Até segunda ordem, estamos livres de escola, de deveres, de obrigações... de tudo!

- No entanto, pela frente virão quatro semestres de curso de auror. – acrescentou Harry. – Teremos dois meses apenas para descansar. Depois disso, iremos para uma espécie de campo de treinamento e só teremos direito a folga aos fins de semana.

- Não quero pensar nisso agora, ok?

- Você terá de pensar, Rony. – Hermione replicou.

- Mas não agora. – o ruivo deu um sorriso amarelo antes de sentar-se novamente.

Continuaram conversando por algum tempo. As amenidades não saíam de pauta. Rony parecia ser outra pessoa. Não que Luna fizesse mal a ele, mas é que ele sempre fora muito mais receptivo, mais animado antes dela. Eles não haviam terminado, mas para ele isso já estava subentendido. Para Hermione, ele reagira de forma inesperada. Para Harry, o amigo parecia estar muito bem; tão bem quanto antes.

Depois de algum tempo, Hermione tornou-se monossilábica. Respondia com breves murmúrios.

- Mione? – chamou Rony.

A garota soltou um muxoxo e abriu os olhos. Tivera a breve impressão de que cochilara por alguns minutos.

- Você está melhor? – indagou o ruivo.

- Estou, sim. Só estou com sono, mesmo.

- É melhor que você vá descansar no seu quarto. – sugeriu Harry.

- Não, eu quero dar uma volta, aproveitar meus últimos dias aqui e... o dia está tão lindo... – Hermione se levantara rapidamente, mas não durou muito em pé. Levou as mãos à testa e caiu novamente, sendo amparada por Harry e Rony.

- Hermione, você não está bem. O melhor que você faz é deitar e descansar em seu quarto, ou não aproveitará nem mesmo a sua formatura. – Rony alertou.

- O que você está sentindo, Mione? – indagou Harry.

- Uma tontura, mas já está passando. Acho que é melhor subir mesmo. – e, ainda amparada pelo namorado e pelo amigo, seguiu para o seu quarto no alto da torre.

- Agora você deita e descansa. Qualquer coisa, nós estamos aqui, certo?

Hermione apenas acenou positivamente e virou-se, abraçada a um travesseiro. Não demorou a adormecer.

- Eu estou realmente preocupado com ela. – Rony murmurou.

Harry suspirou, concordando com um breve aceno.

- Quais são as chances de ela estar em crise de novo?

- Não é isso, acredite.

- Ela tem se alimentado direito?

- Até onde eu sei, perfeitamente. – Harry observou-a demoradamente. – Eu acho que é só cansaço. Ela está uma pilha por causa da formatura. Não tem dormido nada, também...

O moreno sentou-se na cama, acariciando o rosto da garota.

- Dorme feito uma pedra. E como um anjo...

- Você gosta realmente dela, não é? – o ruivo indagou, um sorriso no rosto.

- A amo como sei que não amarei mulher nenhuma.

- Eu fico feliz por vocês. Mesmo.

- Obrigado, Rony. – Harry se levantou e apertou a mão do amigo, que o abraçou em seguida.

- Conta comigo pra tudo, meu velho! – disse, enquanto dava tapinhas nas costas do moreno.

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- “Mais um ano chega ao fim e nossas perspectivas para o futuro começam a dar sinal de vida...” – ela andava de um lado para o outro no quarto enquanto lia o pedaço papel que tinha em mãos. – “Foram sete anos de aprendizado, anos maravilhosos...”

- “Anos que deram início à uma nova vida para alguns...”

- Não seja idiota. Não iria me assustar, e sabe disso – ela virou-se para encará-lo. Envolveu o pescoço do moreno e deu-lhe um selinho.

- É, pelo visto andou aguçando seus sentidos, Mangid. – Harry brincou, devolvendo o selinho.

- Talvez. – Hermione riu. – E vejo que você gravou meu discurso, hã?

- Na verdade, só algumas coisas. Sei os dois primeiros parágrafos de cor... e de trás pra frente! Mas convenhamos que é um pouquinho grande o seu discurso. Ou deveria chamar de texto? Porque haja criatividade!

- Não venha pôr defeito, ouviu bem? Deu trabalho para fazer, você viu.

- E como você acha que eu consegui gravar, hein? Foi de tanto ouvir você repetir o começo antes de completar...

- Ok, não vou discutir. – ela concluiu enquanto revirava os olhos. – A propósito... Você não vai tomar banho?

- Antes eu queria ver como anda a minha ex-monitora-chefe.

- Uma pilha de nervos, se quer saber. Olha meu estado?! – ela apontou para si mesma antes de virar-se para o espelho.

- Está linda. – ele abraçou-a por trás e apoiou o queixo no ombro dela.

Ela riu.

- Gostaria de poder acreditar no que você diz. Sabe, eu tenho espelho...

- Eu estou vendo.

Hermione ainda estava de pijama, os cabelos presos num coque frouxo no alto da cabeça e as meias cobriam-lhe os pés.

- Você é linda de qualquer jeito. – ele assegurou. – Mas... Acho que quem deveria estar se arrumando era você, não?

- Viu? Até você acha que eu estou horrorosa.

- Eu não disse isso. É só que vocês sempre demoram mais, não é? E falta uma hora apenas para o começo da cerimônia.

- Como é? – Hermione arregalou os olhos e procurou o relógio. – Minha nossa! E agora, o que eu faço?

- É tempo suficiente, e você vai ficar ainda mais bonita, garanto.

Àquela altura, Hermione já corria para o banheiro. Voltou rapidamente para pegar a toalha.

- É, acho melhor eu descer.

- Te vejo mais tarde! – ele a ouviu dizer antes de fechar a porta.

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Terminou de se vestir e olhou-se no espelho. Sentiu um frio na barriga. Algo lhe dizia que aquela noite seria longa.

---


- Vejo que adotou o preto como sua marca, não é?

Gina riu.

- Verdade. É que realça meus traços naturais. Sabe, eu sou ruiva, tenho olhos azuis... O preto ajuda a destacar isso.

- Está linda! – Draco beijou-a. – Vem, vamos sair.

- Não posso sair agora. A ordem foi que vocês fossem antes dos convidados. – a ruiva disse. – Por que não vai com o Harry e o Rony?

- Ah, claro! O seu irmão me adora, não é? – fez o loiro com sarcasmo.

Harry se aproximava com Rony em seu encalço.

- Gina, você viu a Hermione?

- Não, acho que ela ainda não desceu. – respondeu. – Mas não recomendo que esperem ela descer. É melhor vocês irem logo para fora. Segundo soube, os lugares já estão marcados.

- Papai e mamãe já chegaram? – indagou o ruivo.

- Não os vi ainda. Mas ainda falta uma hora para que possamos sair, então acho que eles só chegarão daqui a alguns minutos.

- Uma hora? – fizeram Harry, Rony e Draco em uníssono.

- É, foi o horário que estava nos convites: 17h. – Gina comentou.

- Mas eles mandaram que estivéssemos prontos às 16h. – foi a vez de Draco reclamar.

- Lógico! Vocês tinham que se organizar lá nos jardins. E vocês são o motivo da festa, não é? Nada mais justo que já estivessem prontos para quando os convidados começassem a chegar. – Gina parecia saber de mais coisa que eles. – Agora vão. Depois vejo vocês.

Os três se afastaram ainda conversando.

- Você não sabia disso, Malfoy? – indagou Rony.

- Acho que nem a Hermione sabia, Rony. – Harry interveio.

- Quem sabe? Ela ainda não se preocupou em descer, não é? – o ruivo murmurou.

- Vocês estão atrasados! – eles ouviram uma voz sibilar, aparentemente irritadiça.

- Eu acho que ela chegou um pouquinho adiantada. – Draco sussurrou segurando o riso.

Rony lançou-lhe um olhar como se assim o fuzilasse.

- Por que demoraram tanto? – a garota indagou.

- Estávamos te procurando. – Harry respondeu.

- Desculpe, eu tive que descer. – Hermione corou.

- Tudo bem. – responderam Draco e Harry em uníssono, ao que Rony apenas soltou um muxoxo.

- Ok, acho melhor vocês tomarem seus lugares. Ainda faltam alguns alunos, mas temos que nos organizar antes de os convidados chegarem.

- Que horas está programado para começar o baile? – indagou o ruivo.

- Somente após o jantar. Não podemos privar os outros alunos de fazerem suas refeições. – Draco respondeu.

- E como é que vão...?

- Dumbledore sabe o que faz. – Harry interrompeu.

- Vamos, Weasley. – Draco chamou e os dois se afastaram; o ruivo a contragosto.

Harry e Hermione permaneceram em silêncio até que o moreno se aproximou, segurando sua mão.

- Harry, todos vão...

- Shhh! – ele interrompeu, selando os lábios da morena com o dedo. – Você está linda.

- Ah, eu... obrigada. – ela sorriu e sentiu o rosto esquentar.

Usava um vestido azul petróleo de tecido leve e fino que acabava um palmo abaixo dos joelhos em forma de “U”. Era amarrotado na saia, para dar um aspecto de “dobrado” e ao mesmo tempo de saia rodada. Não tinha busto justo; o que o ajustava era uma faixa grossa e bem trabalhada em cetim da mesma cor do vestido. Era decotado, costas nuas, amarrava detrás da nuca. Tinha um belo arranjo de brilhantes em forma de fivela como detalhe ao final do decote.

Os cabelos, como era de costume, estavam soltos e tinham cachos caindo sobre os ombros. Dispensara as jóias costumeiras e colocara apenas um pequeno brinco com uma única pedrinha de brilhante; mais tarde receberia o anel de formatura. Os sapatos que usava eram pretos, salto fino e muito simples, tendo apenas uma fivela de enfeite com strass.

- Hermione, eu... Tenho algo para te contar.

- Harry, agora não... nós...

- Não pode ficar para depois. E nós ainda temos tempo, tenho certeza. – ele insistiu e ela concordou com um aceno, fechando os olhos impaciente. – Então, eu sei que talvez você não vá me perdoar nunca, mas eu preciso te contar... Eu não terminei contigo por não ter certeza do que eu sentia, também não foi porque eu achava que já havia ido longe demais, não foi porque eu cansei...

- Harry, sinceramente... eu não estou entendendo.

- Nenhum motivo que eu possa dar seria o motivo real. Terminei com você porque eu queria protegê-la. – ele continuou como se ela não houvesse interrompido. – Eu terminei porque você estava ameaçada.

- Como assim? – ela perguntou confusa.

- O fato é que eu recebi uma foto, aparentemente enviada por Voldemort, onde estavam os Dursley... mortos.

- Ma-mas... E-eu não sei o qu-que... – ela se embaraçou. – Por que não me contou?

- Porque eu se eu contasse e mostrasse a foto, certamente viraria o verso para ver se havia algo escrito. Conheço-te muito bem, Mione. E era nesse verso em que estava a ameaça. Eu pensei, cheguei a conversar com Dumbledore e com Amy, mas acabei tomando uma decisão precipitada e machucando não só a você, mas a mim também, e muito. Eu só não queria te perder, mesmo que para isso tivéssemos que ficar separados. Pelo menos dessa forma eu teria você ao meu lado... só como amiga, mas ainda teria. Não sei o que seria de mim sem você, eu... Senti-me culpado por ter feito você sofrer, passar por tudo o que passou... mas eu não podia simplesmente voltar atrás. – concluiu sem jeito. – Eu só... desculpe. – a última palavra saiu quase inaudível.

Silenciou, esperando a reação da namorada. Sabia que seria condenado por sua atitude, mas já se preparara para isso.

- Harry, não há o que dizer. Apesar de não acreditar que depois de tudo que eu disse, que independente de tudo eu estaria ao seu lado, você tenha feito isso, mas você está perdoado desde muito antes de pedir desculpas. Você não tem noção do quanto me machucou, o quanto doeu saber que você podia não me amar mais... Eu te amo, Harry! Nunca se esqueça disso, não importa o que aconteça, ok?

Harry apenas abraçou-a o mais forte que pôde. Sentia Hermione retribuir com urgência e um calafrio percorreu sua espinha. Era como se ela não quisesse se afastar dele, mesmo que minutos atrás estivesse repelindo-o por estarem na presença dos colegas.

- Hermione, eu acho melhor nós...

- Potter? – uma voz chamou se aproximando.

Harry e Hermione viraram-se instantaneamente para ver quem chamava e não conseguiram esconder a surpresa.

- Duddle? – fez Harry confuso.

Duddle Dursley estava diante de seus olhos. O garoto estava magro como Harry nem lembrava de ter visto, tinha uma aparência abatida e depressiva. O primo confirmou com um breve aceno e baixou os olhos.

- E-eu... Eu soube do que houve, mas pensei que...

- Pensou que eu também estivesse mo... morto não é?

Harry engoliu em seco.

- Eu vou deixar vocês a sós. Com licença. – Hermione saiu.

- É sua garota? – o loiro perguntou.

- É uma ami... é, é minha garota. – acabou por confirmar.

- Muito bonita, ela...

- Obrigado. – Harry sequer sabia por que agradecia; o elogio teria sido para Hermione, não?

- Sabe, eu sempre achei que você fosse ser pequeno e magricela. Vejo que me enganei.

- Eu não estou entendendo...

- Ora, Potter! Eu sempre te odiei, principalmente pelo fato de você ser algo que eu jamais poderia ser. Isso me amedrontava. Você era tão indefeso e ao mesmo tempo tão poderoso... E eu só era um gordo estúpido. Mamãe invejava sua mãe, também... eu acho. – Duddle falava ainda sem encarar por muito tempo o primo. – Eu só... queria pedir desculpas, por mim e por eles, você sabe... nós nunca fomos uma família de verdade para você, afinal.

- Não precisa pedir desculpas. Agora você sabe o que é não ter os pais, sabe tudo pelo que passei.

- Talvez você não gostasse deles, mas por piores que fossem, eram meus pais...

- Eu sei, não estou criticando-os. Apenas...

- Sr. Potter? Tem que tomar seu lugar. – chamou McGonagall.

- Pode ir, nos falamos depois. – Duda se afastou em direção às cadeiras espalhadas pelos jardins.

---


- Mais um ano chega ao fim e nossas perspectivas para o futuro começam a dar sinal de vida. Foram sete anos de aprendizado, anos maravilhosos, anos que deram início a uma nova vida para alguns e um novo começo para outros... Aqueles que esperavam ansiosamente pelas cartas de Hogwarts, aqueles que sequer sabiam que eram diferentes, que eram bruxos. E hoje, se tornam bruxos de verdade, cidadãos do mundo mágico... São pessoas de caráter e índole formados, pessoas que cresceram e descobriram, durante esses anos passados aqui, sentimentos que vão muito além do que os que eram idealizados. Alguns descobriram que amizade não é apenas ter o coleguismo e contar seus segredos, mas acreditar, confiar, matar e morrer por aquela pessoa amiga... outros puderam ir mais além e descobrir o amor, mesmo nos lugares mais improváveis. E aqueles que olhavam só para o seu umbigo, aprenderam que o mundo não gira em torno de si, aprenderam que há gente com sentimentos, expectativas; gente boa, humilde e trabalhadora. Mas a vida ensina, nos ensina a ser felizes. E muitas vezes, nós deixamos de notar que a felicidade esteve ali, ao nosso lado, ao nosso alcance... e nós simplesmente nos negávamos a enxergar. – uma pausa. – Esses são valores que, unidos ao conhecimento, são para a vida toda. Não se pode deixar de lado nada disso. Tivemos os melhores anos e momentos de nossas vidas aqui e muitas vezes nem soubemos dar valor. Aqui, também tivemos oportunidades de aprender, crescer, valorizar... tornarmos pessoas melhores. Tivemos os melhores educadores, os profissionais mais qualificados que poderíamos ter. Eles são aqueles que já trazem uma trajetória, sabem o que estão dizendo. E quantas vezes nós paramos para pensar que as detenções e advertências foram dadas para o nosso próprio bem e crescimento? Vivemos aventuras, criamos confusões... E eles estavam aqui o tempo todo para nos defender, nos proteger e nos trazer de volta ao rumo certo. Surpreenderam-se muitas vezes, é verdade. Aqui existem alunos excelentes, alunos que estão muito além das expectativas de qualquer professor. E também os alunos mais introvertidos, que foram se libertando ano após ano, mostrando o seu verdadeiro eu. Também devemos falar dos pais, por que não? Eles que lutam pela nossa felicidade, pelo nosso bom desenvolvimento e aprendizado, que criam, que dão amor, carinho e compreensão. É a todos vocês, pais, alunos e educadores, que nós dedicamos o nosso futuro, onde vocês ainda baterão conosco... Porque daqui sairão os médicos, curandeiros, advogados, jornalistas, fotógrafos e mesmo professores do futuro. Obrigada a todos por tudo, devemos esse momento a vocês.

Houve uma onda de aplausos. Hermione podia ver alunos e pais, e mesmo professores, chorando aqui e ali, emocionados. Todos estavam de pé, aplaudindo fervorosamente. Em seguida, vários chapéus de formandos foram ao ar. Ela sorriu, emocionada.

Desceu do palco e foi de encontro com Harry, beijando-lhe levemente os lábios. Seus pais vieram em seguida, acompanhados por Amy, Aaron, Sirius e Alissa.

- Parabéns, vocês dois. – disseram Sirius e Alissa. – E Hermione... que discurso! Até me emocionei!

Todos riram, enquanto Alissa dava um tapa no marido, que fingia secar as lágrimas com um lenço.

- Filha, você estava linda! – os pais murmuraram antes de abraçá-la.

E a Sra. Granger de fato enxugava as lágrimas discretamente.

- Vocês vão entrar? – perguntou Gina se aproximando, de mãos dadas com o namorado.

- Vamos, claro. E onde estão seus pais? – perguntou Harry.

- Eles estão com o Rony. Fred e Jorge já entraram. Não queriam ouvir sermão da mamãe agora. – a ruiva riu. – “Estão vendo? O seu irmão se formando...” – imitou. – Eu até senti pena deles por um instante.

- E você, Draco?

- Nem mesmo uma carta. Depois daquela última... antes de irmos a D...

- Shiu! – Harry, Hermione e Gina repreenderam.

- Mamãe, eu acho melhor vocês entrarem... Nós iremos depois. – Hermione aconselhou.

- Tudo bem, querida. – e eles se afastaram. Hermione sorriu ao ver o pai abraçar a mãe pela cintura. Amava-os tanto... e tinha-os como exemplo.

- Ah, mas vocês não me enganam! O que foi que aprontaram? – indagou Sirius.

- Ora, nada! – responderam os quatro em uníssono.

- Papai, deixe-os em paz! E vamos entrar. Temos que aguardá-los no salão principal.

- Mas... Eu nem falei direito com meu afilhado e...

- Sirius! – Alissa repreendeu.

- Te devemos essa. – Harry piscou para Amy, que já arrastava os pais para dentro do castelo.

- Mais um pouquinho e você entregava tudo! Está maluco? – Gina sibilou para o loiro. – Eu acho que eu te mataria se eles desconfiassem de alguma coisa.

- Foi só que eu...

- Esquece! – a ruiva interrompeu. – Eu acho que você vai ter uma grande surpresa. Olha quem vem vindo...

- Vocês viram? – Isabella perguntou se aproximando. Ela tinha um largo sorriso no rosto. – Ah, Draco... Mamãe estava te procurando.

- Meu querido, como vai?

- Bem, obrigado. E você, tia?

- Ótima. Já viu sua mãe? – indagou Julie Bonstrong.

- Nã... minha m-mãe? – Draco perguntou confuso.

Um casal se aproximava lentamente e tinha a companhia de uma bela garota A mulher era loira, tinha um semblante belíssimo e elegante, mesmo aparentando estar em seu oitavo mês de gestação. Ao lado dela, um homem grisalho e muito bonito. A garota era muito parecida com ele, porém tinha um olhar profundo; seus olhos eram de uma tonalidade cinza muito escura.

- Ah, Draco, meu filho! – ela abraçou-o. – Como você está? Ora, mas que pergunta idiota... está ótimo, e tão bonito! Novamente obrigada por ter cuidado dele, Julie.

- Não foi nada, Cissa. Você sabe que é sempre um prazer ficar com seu garoto.

Narcisa apenas sorriu.

- Já conhecem o meu marido? – ela se afastou enquanto afagava a barriga. – Esse é Thomas. Thomas, esse é o meu filho, Draco.

- Ora, mas é um garotão! Parabéns, filho. Pretende seguir carreira com o quê?

- Direito.

- Mas é uma pena. Faria gosto em tê-lo com meu aprendiz lá no St. Mungus. – ele deu uns tapinhas nas costas de Draco. – Minha Tiffany também quer fazer Direito, não é querida?

Tiffany sorriu sem graça. Baixou os olhos.

- Ora, vamos, Tiff. Agora vocês serão parte de uma mesma família. E em breve, teremos a Jen conosco. – Narcisa comentou.

- Está grávida de quantos meses, Cissa? – Draco perguntou, dirigindo-se à mãe. Todos estranharam a forma como ele chamava-a, mas parecia ser algo absolutamente normal para ambos.

- Nove. Ela deve nascer nos próximos dias. – Narcisa respondeu.

- E então, essa é sua garota, Draco? – Haase indagou olhando para Gina.

- Sim. Gina Weasley.

- Prazer, senhor. – Gina cumprimentou.

- O prazer é meu, filha. – Haase tomou a mão da ruiva e beijou-a. – Você é Harry Potter, hã?! E você... Granger. Hermione Granger. Estou certo?

- Sim, senhor. – confirmou a morena sem jeito. – Também já ouvi falar bastante do senhor. É medibruxo, não é? Irlandês.

O homem assentiu sorrindo.

- Vamos entrar? – fez Isabella, ao que todos concordaram e voltaram caminhando em direção ao castelo.

- Ela está tão diferente... – fez Harry para Hermione num sussurro. Ambos estavam afastados do grupo.

- Ela está feliz, Harry. Isso faz a diferença. – a garota respondeu antes de o silêncio reinar novamente.

---


Uma noite de festa. O baile estava simplesmente maravilhoso. O clima ameno e de confraternização tomara conta de todos. Aqui e ali era possível observar pais e alunos conversando uns com os outros, rindo e se divertindo. Os pais de Hermione juntaram-se aos Weasley e Julie Bonstrong. Pareciam estar realmente impressionados com as conversas e com o mundo ao qual a filha agora pertencia.

Draco Malfoy curtia a mãe e a gravidez dela, conversando e contando como tinham sido os dois últimos anos em detalhes a ela. Thomas Haase se divertia com as histórias que o garoto contava e vez ou outra opinava e contava experiências próprias dos tempos de adolescente.

Gina parecia ter se identificado muito com Tiffany Haase e as duas estavam completamente absortas em uma conversa super animada.

Rony estava em companhia de Simas, Dino, Neville, Lilá e Parvati. Eles estavam em pé e conversavam sobre coisas amenas e tudo o que já haviam aprontado desde o primeiro ano de Hogwarts. Entre um gole e outro na cerveja amanteigada, eles soltavam sonoras gargalhadas. Pareciam realmente animados.

Hermione, Amy e Aaron estavam sentados a uma mesa e conversavam entre si.

Harry estava próximo ao bar e conversava amigavelmente com o primo. Duddle parara de beber, portanto tinha apenas um copo com água na mão.

- Não precisa ter medo. É só cerveja amanteigada. Não é nada parecida com as trouxas, mas é muito boa.

- Não tem álcool?

- Na verdade, não sei. Se tiver, é muito pouco.

- Prefiro não arriscar. Eu resolvi dar um jeito na minha vida.

- Harry? – Hermione chamou ao se aproximar.

- Sim?

- Eu... hum... desculpa interromper assim, mas... – ela olhou para trás rapidamente. – Acho que há alguém que está te procurando.

Harry viu sua bisavó, dona Katine, se aproximar a passos lentos, acompanhada por Giuly.

- Harry, meu querido! Como está o meu bisneto? – ela perguntou estendendo a mão para ele.

- Bem, vovó. E a senhora? – Harry sorria. Estava feliz por vê-la ali.

- Ora, estou ótima. Vim para a sua formatura, eu e o Giuly. Está muito bonito.

- Como vai, Harry? – o moreno se adiantou.

- Bem, obrigado. E você?

- Na medida do possível, muito bem. – Giuly riu. – A propósito... parabéns!

- Obrigado. Mas então... Deixe-me apresentar Duddle Dursley, o outro bisneto da senhora, ‘vó Katine. – fez Harry.

A senhora olhou surpresa para o outro garoto. Não esperava encontrar o filho de Petúnia ali. Justo Petúnia, que sempre fora tão adversa ao mundo do qual a irmã fazia parte. Como ela poderia cumprimentar um bisneto que sequer vira pequeno pelo simples fato de a mãe dele não querer contato entre eles dois?

- Como vai, meu filho? – foi tudo o que disse.

Duddle simplesmente não sabia o que responder. Descobrira de uma hora para a outra que tinha uma bisavó viva, e aquilo o emudecera.

- Duddle? – Harry insistiu.

- Eu... hã... desculpe. E-eu estou bem. – ele respondeu sem jeito. – A senhora... hum... é avó da mamãe?

- Sim, sou. E como vai a sua mãe? Não falo com ela há muito.

- Ela deve estar bem no lugar onde está agora. – Duddle respondeu, baixando os olhos.

- Vovó, tia Petúnia está... morta. – fora o outro neto quem dissera.

Harry viu Katine empalidecer.

- Acho que todos temos muito a esclarecer. – Giuly murmurou.

- Na verdade, não há muito que dizer. Meus pais foram mortos pelo mesmo cara que matou os pais do Potter. Eu só estou aqui porque não estava em casa na hora em que, bem...

- Nós entendemos, meu filho. – foi tudo o que Katine conseguiu dizer.

Hermione caminhou em direção ao namorado e abraçou-o.

- Eu imagino que as coisas não tenham sido fáceis, não? – ela murmurou para o loiro.

- Não. Mesmo hoje ainda é complicado voltar para casa. Eu já pus à venda. Pretendo comprar um apartamento no centro de Londres, ou quem sabe ir para Oxford e cursar uma universidade... Por enquanto eu ainda não sei bem o que fazer.

- Se quiser, meu filho, pode ficar lá em casa até...

- Não, obrigado. Eu acho que já está na hora de dar um rumo para a minha vida e assumir as minhas responsabilidades. De qualquer forma, agradeço.

- Por nada, querido. – a bisavó sorriu maternalmente. – E vocês dois, meus amores... felizes?

- Sim, vó Katine. – Harry e Hermione riram e confirmaram.

- E posso saber quando vão me visitar de novo?

Hermione engoliu em seco.

- Em breve, espero. – foi Harry quem respondeu.

---


Àquela noite, Harry e Hermione pareciam estar mais à vontade enquanto juntos. Dançavam, se divertiam, riam, trocavam carícias e não se mostravam muito preocupados com o que os outros poderiam dizer. Aquela noite era deles e eles aproveitariam até o último minuto.

- Ronald, eu sei que é meio impróprio perguntar isso a você, mas eu não... enfim! Eu não acho legal importunar Harry e Hermione com essas coisas...

- Você quer saber se eles estão juntos. – Rony cortou, parecendo muito certo do que dizia. – É isso?

- Bom, na verdade... É, é isso. – confirmou a loira.

- Sim. Estão juntos. – e antes que ela pudesse formular a próxima pergunta, ele finalizou: – E isso basta.

- Eu... – Lilá ruborizou, sem jeito.

- Quer dançar? – ele convidou.

- E-er... Eu... – ela pareceu desmanchar num sorriso. – É claro, Ronald.

Um pouco distante, Luna observava os dois. Um meio sorriso se formou em seu rosto. Talvez fosse melhor desse jeito. Ela sabia que sequer tomaram uma decisão a respeito do relacionamento deles, mas este já havia terminado há muito. E ficava feliz por vê-lo seguir com a vida dele.

- Loony...

- É Luna. E para você é Lovegood. – ela corrigiu, séria, ainda de costas para o recém-chegado. Ergueu uma sobrancelha ao encarar o moreno. – O que você quer, Zabini?

- Uau! Eu só queria... conversar.

- Pois então fale!

- Depois nós, sonserinos, somos os grossos.

- Olha aqui, garoto...

- Tudo bem, tudo bem! Não precisa se alterar. É só que você está sendo um tanto quanto indelicada, não acha?

- Não. Tudo o que um sonserino não precisa é de delicadeza.

Blaise sorriu.

- Pois eu garanto que farei você mudar de idéia, e muito em breve. – rebateu, parecendo convicto do que dizia.

Foi a vez de Luna rir. E ela não só riu, como gargalhou.

- Oras, Zabini! Não fale asneiras.

- Algum dia você vai lembrar de hoje e vai rir. – ele acrescentou. – A propósito... Você não costumava me tratar tão mal assim, pelo que lembro.

- Eu nem falava com você, idiota. – ela revirou os olhos. – Se falava, era por educação. Mas a partir do momento em que você me importuna em momentos inoportunos, há uma necessidade em ser grossa.

- Ah, e você curte ficar sozinha olhando o namoradinho dançar com outra?

- Ele não é meu namorado. – rebateu de pronto. – E fico muito feliz que esteja se arranjando com outra.

- Ah, então você está livre?

- Meu bem, estar livre não quer dizer que estou à disposição.

- Ora, vamos, loirinha... dança comigo?

Luna fechou os olhos e se segurou para não ter um ataque de riso. Mas era tarde. Blaise já a puxara e a guiava conforme o ritmo da música.

- Você não cansa de ser um conquistador barato, não?

- Se essa é a minha fama...

- Não, essa não é a sua fama. Você é um conquistador barato. Um verdadeiro ga-li-nha! – ela riu. – Se houver uma garota em Hogwarts toda com quem você nunca teve um “caso”...

- Você, por exemplo?

- Só rindo para não chorar com você! – Luna bufou.

- Ah, e acrescento mais se quiser... A Granger, a Brown, a Weasley, a Smith... Quantas mais você quer?

- Pois diga quantas quiser! Não irá mudar minha opinião ao seu respeito. Você já esteve com todas as outras de Hogwarts. Não é você quem tem fama de “galanteador”? Uma pena que não funciona comigo. – fez a loira. – Eu gosto de homens que realmente se importam comigo, que são gentis e que largariam tudo para ficar comigo, principalmente porque gosto de coisa séria. Não é o seu caso, certo?

- Bastante radical, você...

- Desculpa se isso te assusta.

- Na verdade, isso só me faz ficar ainda mais ‘na tua’.

- Blaise Zabini, quantas vezes eu vou ter que pedir para você parar de tentar me conquistar assim? Aposto como diz isso para todas!

- Não como digo para você.

- Ah, claro! E pode passar qualquer uma na sua frente que você me larga e vai dizer para ela que já se apaixonou por ela. Essa é a jogada de homem que não presta, e você é um destes.

- Uau, agora a minha moral está lá no topo. Muito obrigado. – fez o moreno com sarcasmo.

- Por nada. – ela riu. – Disponha.

Permaneceram dançando em silêncio. Sempre que Luna fazia menção de se afastar, ele a puxava contra si e via a loira revirar os olhos e bufar. Para ele, aquilo já passava de um “gesto de educação”. Ela poderia ter se esquivado mais rudemente e simplesmente tê-lo deixado dançando sozinho.

Música após música e ela continuava ali. Para o azar dela, não tocava uma música animada, em que pudesse se afastar dele e, quem sabe, fugir. Blaise conseguia irritá-la profundamente, como ninguém conseguia. E imagine... ela se considerava calma e tranqüila, e sabia que os outros a consideravam quase uma lesa por ser assim. Mas por que se estressar com besteira, quando há tantos outros motivos maiores para isso?

É, ela pensava assim até Blaise Zabini resolver cercá-la.

Cansada de tentar evitar o olhar do moreno, resolveu encará-lo. Um meio sorriso se formou nos lábios dele, que a fitava com atenção ainda em silêncio.

- Seus olhos...

- São azuis, eu sei. – ela cortou.

- ... São bonitos. – ele concluiu.

Não sabia por que, mas sentiu que aquele era um elogio sincero. Nada de exageros ou de cantadas. Apenas um comentário. Ela sentiu ruborizar, desconcertada. Não tinha palavras para rebater, e nem poderia. Soaria mais indelicada do que já fora toda a noite. Resolveu apaziguar as coisas.

- Obrigada.

E pela primeira vez naquela noite, Blaise deixou de se vangloriar por algo que tinha feito. Talvez por que fizera sem intenção... espontaneamente. Ou talvez sequer tenha se dado conta do que dissera.

Ela percebera que somente o fato de estar com Blaise já era desconcertante. Ele era do tipo que fugia a todas as regras do “príncipe encantado”, além de ser indiscreto ao extremo. Mas ele já marcara o primeiro ponto; por mais que negasse, ela sabia que havia algo nele que mexia com ela. Perguntava-se o que diabos ele vira nela, não apenas por ser um sonserino ou arrogante, convencido, egoísta e narcisista como tal, mas principalmente pelo fato de ser popular e poder ter qualquer garota que desejasse. Ele era lindo, ela tinha que admitir, mas não suportava a idéia de passar por uma desilusão. E depois... ela nem gostava dele.

Blaise, no entanto, sabia o que estava fazendo. Desde o começo sabia que não seria fácil. Ela faria jogo duro, duvidaria e esnobaria dele. E ele sabia que tudo isso era o que mais fazia com que ficasse ainda mais tentado. No final das contas, ela faria dele seu cachorrinho. Mas ele não mediria esforços; faria o que fosse preciso para tê-la.

- Parece que estão se dando bem. – Draco murmurou enquanto colocava um salgado inteiro na boca.

- Quem? – fez Gina se aproximando.

- Você não estava com a minha nova “irmãzinha”?

- Estava, ciumento. – a ruiva respondeu.

- Gostou dela?

- Ela é um amor. No começo estava meio tímida, mas é a simpatia em pessoa. Não se preocupe, você vai se dar muito bem com ela, espero. – comentou. – E o Sr. Haase? Pelo que vi se identificaram bastante...

- O cara é inteligente e parece ser bastante presente.

- Vejo que gostou dele.

- É que... às vezes eu sinto falta de ter uma figura paterna... viver no meio de mulheres... cansa.

- Ah, é assim?

- É assim, sim. – o loiro riu quando a ruiva deu as costas para ele. Puxou-a de encontro a si e deu-lhe um beijo. – Mas é uma boba mesmo! Você sabe que eu não canso de você. E pegaria mal para a minha reputação e masculinidade caso estivesse falando sério.

- Olha com o que ele se preocupa?! – ela fez enquanto olhava para o teto, como suplicasse ajuda divina. – E eu esperando uma declaração... É como você disse: eu sou uma boba mesmo! – a ruiva tentava, em vão, se desprender dos braços do loiro. Quando finalmente deu-se por vencida, bufou e parou, encarando-o séria. – Dá para me soltar?

- Me dê um beijo e eu posso até pensar.

Gina deu um breve selinho no namorado, que a olhou desapontado e, percebendo que aquilo seria tudo o que conseguiria, soltou-a. Ela se recompôs e voltou a encará-lo.

- E não pense que eu esqueci... De quem você estava falando quando eu cheguei? – indagou.

Draco sabia que não adiantaria tentar enrolar Gina. Ela era esperta demais – “até demais para o meu gosto” – e sempre sabia quando ele não estava falando a verdade ou escondendo alguma coisa.

- Parece que estão se dando bem. – ele repetiu, acrescentando em seguida: – Sua amiguinha e Zabini.

Os olhos de Gina não precisaram correr todo o salão para encontrar o que queriam.

- Mas ela não o suporta! – fez, incrédula.

- Você também não me suportava. – Draco murmurou, calmamente.

- É totalmente diferente! Você não ficava correndo atrás de mim nem me azucrinando o juízo mesmo após vários foras. Ele não se manca, não?

- Ele não desiste, é diferente.

- Grande diferença! – ela revirou os olhos. – Aposto como vai mudar rapidinho quando conseguir o que almeja. Vocês são assim mesmo. Trouxas somos nós, que sempre caímos na conversa de vocês. E olha que é sempre a mesma!

- Eu não conhecia esse lado feminista da minha namorada. – Draco riu.

- Ora, Draco! Vai me dizer que acredita que Zabini estar realmente querendo algo além de uns amassos com a Luna? – quando o loiro fez que ia responder, ela interrompeu. – Sinceramente?

- Por mais incrível que pareça... – ele fez uma pausa. – Acredito.

E ele não conseguiu conter o riso quando viu a expressão no rosto de Gina. Nem mesmo ele conseguia explicar a cara que ela fizera.

- Você não pode estar falando sério. – ela riu, nervosa.

- Olha, eu também não levava muita fé nessa história. Ele já estava de olho nela há algum tempo. Antes de Dufftown. – ele frisou. – Depois eu comecei a achar que ele só estava tentando porque não gosta de perder, mas ele anda mais lerdo que o normal.

- Isso não quer dizer nada, na minha opinião.

- Gin, acredite quando eu digo que ele realmente está apaixonado. E se não está, não falta muito.

- Coitado! Sem chances de a Luna...

- Acho que você pode morder a sua língua se falar que duvida. Eles passaram boa parte da festa juntos.

Gina olhou novamente para o lugar onde Blaise e Luna dançavam.

- É, eles parecem estar se dando bem.

- Eu não estou vendo nenhum sinal de duelos.

- Luna não chegaria a tanto. – a ruiva bufou.

- Eles não parecem estar discutindo, parecem?

- Não. Mas...

- Não se preocupe. Eu também não acredito que ele vá conseguir algo com ela.

- Agora sou eu quem começa a duvidar.

Draco riu, enquanto bebia um gole de suco de abóbora. Enfiou a mão livre no bolso.

- E o Potter e a Granger? Resolveram assumir...?

- É o que parece. – ela olhou para o casal, que trocava carinhos num sofá do lado oposto do salão. – Mas por que não falamos de nós?

- Bastante sugestivo. – o loiro ergueu a sobrancelha, com um ar de quem desdenha. Em seguida, deixou o copo que segurava sobre a mesa e puxou a namorada, que abriu um largo sorriso, para a pista de dança.

- Há quanto tempo estão juntos? – Narcisa indagou à Julie.

- Não sei, exatamente. – a ex-cunhada respondeu.

- Há cerca de um ano e nove meses. – Isabella quem respondeu, antes de bebericar sua cerveja amanteigada.

- Eles parecem se gostar muito. – comentou a loira.

- De fato. Ainda têm um costume ou outro de irritar-se mutuamente, mas todas as pequenas discussões terminam em beijo. – contou Isabella, rindo. – É incrível!

- E os Weasley, como receberam a notícia?

- Nada bem. – Julie respondeu. – Na verdade, souberam por acaso. Draco me contou que souberam no meado das férias últimas.

- Foi terrível! Gina e o irmão iniciaram uma discussão em plena sala de jantar e ele acabou se alterando um pouco e deixando escapar em voz alta. A cena que se seguiu não é muito difícil de imaginar, não é?

- Aposto como foi a maior confusão! – Julie comentou.

- E se foi! – Narcisa riu, enquanto acariciava, com movimentos circulares, a barriga.

- Eles ficaram estáticos, mas não demorou e a Sra. Weasley começou o interrogatório. E os irmãos dela parecem ser um tanto quanto ciumentos... acabaram caindo na discussão também. E olha que um deles nem estava lá!

- Ah, mas não creio que Percy fosse fazer muito estardalhaço.

- Não levaria isso muito a sério, Cissy. Ele é um Weasley, afinal!

- Pouco me importa. O importante é ter meu filho feliz, não importando como ele chegou a essa felicidade. Se ele lutou e conseguiu, melhor ainda.

O silêncio que se seguiu foi longo. As três passaram a observar cantos isolados da festa. Narcisa deixou seus olhos vagarem lentamente por todo o salão até pararem no lugar onde Draco dançava com Gina.

- É um belo casal. – ela pensou alto, sorrindo.

- Devo concordar com você. – fez Julie ao descobrir que ela ainda falava do sobrinho e da Weasley. - Ela é uma moça muito bonita. Tenho certeza de que dará uma mulher de dar inveja.

- Não só por ser tão bonita, mas também por ser namorada do meu primo. – Isabella brincou. – E convenhamos... é um pedaço de mau caminho! HÁ-HÁ!

- E eu concordo plenamente com a sua observação, Bel. – Narcisa riu. – E quanto ao Potter? Ele e a Granger...?

- Ninguém sabe. – adiantou-se a mais nova.

- Mas é o que está parecendo e você deve concordar, querida. – Julie comentou.

- Eu sei, mas eles sempre foram muito próximos.

- Próximos... daquele jeito? – Narcisa apontou, com um meio sorriso nos lábios.

O casal estava num sofá. Harry acariciava a nuca de Hermione naquele exato momento, enquanto a garota sorria e fechava os olhos. Eles se aproximaram lentamente e...

Houve uma onda de aplausos por todo o salão. Mesmo quem não entendia ou não sabia de nada, batia palmas. Os gritos tomaram conta do aposento por um longo instante. A festa parara.

Isabella viu Hermione ruborizar enquanto sorria sem graça. A morena escondeu-se na curva entre o pescoço e o ombro de Harry, que a abraçava em meio a risos.

- O que foi isso? – Julie indagou à filha.

- Acho que todos esperavam por isso... há muito tempo. – Isabella riu, sendo acompanhada pela mãe e pela tia.

---

- Conseguiu o que queria, hã?! – o loiro brincou, dando tapinhas nas costas do moreno, que viera pegar um copo de uísque.

- Idiota. – foi tudo o que o moreno disse antes de tomar um longo gole da bebida.

- Eu vi, não adianta fugir. Estavam dançando, e não foi pouco.

- Ela não me suporta. – Blaise rebateu.

- Estava suportando muito bem, pelo visto.

- Uma trégua, Draco. Nada além disso.

- É, talvez Gina esteja certa.

- O que a Weasley disse?

- Que a Lovegood não te suporta. – fez Draco, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – Mas você estava indo bem. – comentou. – O que você fez para amansar a fera e conseguir meia hora de paz?

- E eu que sei? Vai ver ela cansou de bancar a durona. Pena que durou pouco...

- Você disse alguma coisa?

- A mesma conversinha de sempre.

- Nada além disso? – Draco insistiu.

Blaise pareceu ponderar por um momento.

- Não que eu me lembre...

- Você é um bosta mesmo! – o loiro balançou a cabeça negativamente, rindo.

- Draco, o jantar foi servido. Você n... – Gina então percebeu que Blaise estava presente. – Zabini... e então, como anda a sua noite? Conseguiu alguma coisa com a Luna? – o tom da ruiva era de deboche.

- Cala a boca, Weasley!

Gina riu.

- Mais respeito quando se dirigir à minha namorada, ou você dança. – Draco ameaçou. E falava sério, o dedo apontado para o peito do moreno.

O sorriso de Gina morreu.

- Draco, tudo bem, eu não... – ela interferiu.

- Não se preocupe, eu não vou fazer nada. Ele está chateado, mas não justifica sair descontando em todo mundo. – o loiro murmurou. – E já está avisado.

- Eu não ligo. É bastante comum este tipo de tratamento vindo de sonserinos. – ela fez, com desprezo. Percebeu um olhar afetado do namorado, mas antes que ele pudesse falar alguma coisa, ela voltou-se para o outro: – Eu só queria dizer, Blaise, que o que quer que tenha dito à Luna, soou verdadeiro. Só assim ela iria deixar de te dar patada, mesmo que fosse por um minuto.

E dizendo isso, deu as costas e saiu, deixando Draco e Zabini para trás. O primeiro encarou o segundo. Ambos pareciam confusos. E depois de beber num gole só um copo de uísque, o loiro foi atrás da namorada, deixando o amigo sozinho.

---


- Amanhã vai fazer um dia lindo... – Amy comentou observando o céu estrelado.

Hermione permaneceu em silêncio.

- Aconteceu alguma coisa? Estou sentindo você tão distante...

- Não. Estou bem. É só que a idéia de deixar todo esse sonho para trás... – ela não terminou a frase. – Agora eu entendo como você e Bebel se sentiram quando entraram no Expresso de Hogwarts voltando para Londres.

- Você ainda na viu nada! É muito pior longe daqui. Saber que você não voltará mais é doloroso... – Amy tinha um ar sonhador. – Mas não é só isso e nós duas sabemos disso. Há algo mais te afligindo.

Hermione riu, cabisbaixa.

- Não dá pra esconder nada mesmo de você. – comentou. – É que eu sinto que a minha hora está chegando. E eu só estou esperando o momento em que os Comensais da Morte vão invadir Hogwarts... – uma pausa e ela completou: – Eu tenho medo.

- É difícil acreditar que você não vai estar aqui...

- Mais difícil ainda é aceitar isso. – a morena corrigiu.

Silenciaram e esse silêncio se estendeu por mais alguns instantes.

- Você acha que deveríamos alertar os outros sobre o ataque? – Amy indagou. – Você sabe... a Ordem, os professores...

- Não acho que seja boa idéia. Pelo menos não agora. Isso acabaria com a festa.

- Mas é bom que avisemos. Quanto mais preparados estivermos, menor será o impacto e o tumulto.

- Tem razão. – Hermione concordou.

- O primeiro a ser avisado deve ser Dumbledore. Ele poderá colocar os alunos menores no trem dois dias antes. Creio que não haveria problemas.

- Vai soar estranho se ele resolver mandar os alunos assim, de última hora, não acha?

- Herms, qualquer coisa é melhor que deixar essas crianças aqui. Eles são muito pequenos e certamente ficariam agoniados... nem consigo imaginar a reação dos menores. Isso não é para eles. – Amy argumentou. – E nós falamos de uma guerra que está prestes a explodir...

- E terminar. – Hermione completou, sombriamente. – Mas o que faríamos?

- Os professores ficariam encarregados de acordar os alunos e avisar que eles têm três horas para estarem com tudo pronto, já se encaminhando para a estação. Um feitiço de ilusão resolveria isso em dois tempos. Quanto mais cedo deixarem o castelo, melhor.

- Já passam das 2h. Acho que o horário ideal para tirar os alunos da cama seria às 4h. Além disso, os pais teriam que ser avisados do regresso de seus filhos, afinal, estão aguardando-os apenas para daqui a dois dias.

- Eu não tinha pensado nisso. – Amy ponderou. – É, Herms... não tem jeito. Teremos que avisar Dumbledore, e tem que ser agora.

As duas viraram-se para entrar no castelo quando deram de encontro com algo.

- As senhoritas querem me dizer alguma coisa? – a voz serena de Dumbledore se fez presente.

- Amy e eu... – ela pigarreou. – Nós... – a voz de Hermione era errante.

- Sim, professor. – Amy interrompeu. – Nós íamos pedir que o senhor enviasse todos os alunos de volta a suas casas o mais rápido possível.

- Algum motivo em especial para isso? Digo... há algo que eu deva saber e que ainda não saiba? – o diretor olhou-as por cima dos oclinhos meia-lua.

Hermione respirou fundo.

- Professor, vai haver um ataque a Hogwarts a qualquer momento e é bom que estejamos preparados para o pior.

- Srta. Granger, isso que está dizendo é muito grave. – o velho ponderou. – E se for verdade...

- Mas é verdade, professor. Nós já sabíamos que aconteceria um ataque ainda durante este ano letivo, mas não sabíamos quando. E isso tudo é certo desde fevereiro. E se faltam apenas três dias – agora apenas dois – para as férias de verão, o ataque pode acontecer a qualquer instante.

- Então melhor que nós preparemos a Ordem e os professores. Vou enviar um aviso urgente a todos os pais e pedir que aguardem seus filhos. Enviá-los-ei antes do amanhecer via rede flu.

- E os nascidos trouxas? Demoraria muito para que todas as lareiras fossem ligadas à rede... – fez Hermione.

- Calma, Srta. Granger. Eu já havia pensado nisso. – Dumbledore riu. – Estes serão enviados através do Nôitibus Andante. – explicou. – Os setimanistas permanecerão na casa, assim como os membros da Armada. Não quero causar alvoroço avisando seus pais por agora. Enquanto isso, curtam a festa sem preocupação. Farei tudo à minha maneira.

E elas viram o diretor se retirar. Sabiam que quando ele dizia “à minha maneira”, queria dizer que faria tudo à surdina, discreta e silenciosamente.

- Agora é só esperar. – suspiraram ambas.

---


Dumbledore adentrou o salão principal. Sabia exatamente quem procurar.

- Minerva, quero que chame os professores Snape, Flitwick e Sprout, depois venham, os quatro, até o meu escritório.

- Como quiser, Alvo. – e a professora sumiu atrás dos colegas.

O diretor deixou o aposento e seguiu para o próprio escritório. Tinha que bolar uma forma de reunir o restante dos professores sem que os pais notassem. A maior preocupação dele era que todos estivessem dormindo quando o ataque começasse, afinal, depois de uma noite longa como aquela, todos dormiriam durante boa parte do dia.

Mesmo que acreditasse que Voldemort não seria imprudente ao ponto de atacar durante o dia, lembrou-se que no ano anterior Hogwarts fora atacada no final da manhã. Por um instante, teve a certeza de que a escola seria atacada na hora do almoço e a batalha se estenderia noite adentro.

Ouviu batidas à porta e foi obrigado a deixar seus devaneios para depois.

- Entrem.

- Alvo, o que aconteceu? – McGonagall indagou, preocupada.

- É melhor que sentem. Nós temos um assunto sério a tratar.

- Estamos bem em pé, diretor. – Snape replicou. – Mas o que pode ser tão grave?

- Voldemort. – Dumbledore resumiu.

- Mas estão todos na festa e tudo parece bem... – a professora Sprout murmurou.

- E está tudo bem. Mas temos um problema que não tardará a chegar. O fato é que Hogwarts será invadida e nós temos que avisar a todos os professores e membros da Ordem, enviar os alunos de volta às suas casas e trancar todo o castelo ainda antes do amanhecer. Às 4h eu quero todos prontos em seus respectivos salões comunais e que tudo seja feito o mais discretamente possível. Não ficarei nada satisfeito se a festa dos setimanistas acabar antes do previsto por conta disso.

- E os alunos que estão fora da cama? – indagou Flitwick.

- Estes não irão para casa, obviamente. Seus pais estão aqui ou eles estão participando da festa como convidados. Não há razão para enviá-los junto com os outros. – Dumbledore respondeu. – Agora vão e façam rodízio para fazer com que seus alunos estejam de pé e garantam que arrumem seus pertences. Os nascidos trouxas deverão permanecer em seus dormitórios até que eu dê o sinal. O restante dos alunos retornará às suas casas via rede flu. – ele fez uma pausa e orientou: – Lembrem-se: enquanto um faz a sua parte, os outros ficam no salão principal para que não dêem por falta.

Os quatro assentiram e deixaram a sala.

Providenciou para que duzentas e quarenta cartas fossem escritas e enviadas aos pais de todos os alunos de primeiro a sexto ano.

Fazia muito tempo que não se preocupava como agora. Ele tinha medo que Harry falhasse, embora tivesse pleno conhecimento de sua preparação e capacidade. A verdade é que dessa vez ele estaria sozinho. Ninguém poderia interferir, e qualquer erro poderia ser fatal.

Aguardou alguns instantes, pensativo, e pôs-se de pé. Foi até a janela e olhou para o céu além da Floresta Proibida. O dia provavelmente seria muito bonito. “Uma pena que será também tão nebuloso”, pensou antes de deixar o aposento e voltar para a festa.

No salão principal tudo corria perfeitamente. Dumbledore notou que o professor Flitwick fora o primeiro a deixar a festa para acordar seus alunos. Procurou por Amy e Hermione. Ambas estavam juntas. Conversavam e divertiam-se com as brincadeiras e histórias de Sirius. “Elas disfarçam bem”, pensou mais tranqüilo.

Por um momento, perguntou-se se daria tempo de convocar todos os membros da Ordem. Resolveu esperar os alunos menores deixarem a escola para fazê-lo.

“Está tudo sob controle”, pensava de modo a tranqüilizar a si mesmo.

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