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6. Essa Noite Não tem Estrelas


Fic: Eu Vou me Casar, Hermione


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo Seis – Essa Noite Não tem Estrelas







- Rony! – exclamou Harry assim que o amigo apontou no pé da escada.



- Alô, Harry – respondeu Rony numa voz meio (lê-se totalmente) deprimida.



- O que aconteceu? – perguntou Harry quase que no mesmo instante.



- Nada – retrucou Rony de mau humor enquanto se jogava brutalmente numa das poltronas da sala. Bateu a cabeça no braço duro do móvel mas não se importou. Seus olhos fixavam o teto numa expressão esquisita que Harry achou bem parecida com a de quando Rony comera um feijãozinho de limão magicamente azedo em seu sétimo ano.



- Nada? – perguntou Harry mais uma vez, levantando a sobrancelha, desconfiado.



Harry sabia que Rony era um péssimo ator. Cada linha do rosto do amigo demonstrava diversas emoções diferentes, menos a de nada-aconteceu-tudo-está-na-mais-perfeita-ordem. “Será que todos estão com problemas? Hermione é a nova desgraça-sensação do mundo bruxo e Rony... será que Rony ao menos sabe sobre a Hermione? Ninguém disse nada durante o almoço” – pensou Harry.



- É alguma coisa com a Nádia?



Rony fechou os olhos devagar. Não queria falar sobre nada. E esse nada incluía particularmente, seu casamento. Não sabia porquê exatamente, mas sua vontade agora era de estar em qualquer lugar do mundo, menos naquela sala. Queria que a temporada dos Cannons não tivesse acabado. Queria poder contar com os treinos exaustivos para limpar a mente, queria ter de se preocupar somente com os repórteres...



- Ou o problema é com Hermione?



O ar azedo de Rony desapareceu por completo e ele arregalou os olhos, como se tivesse acabado de ser atingido pela maldição do alerta (Harry se lembrava bem dessa. Moody costumava lança-la quando os alunos do treinamento de aurores tiravam notas baixas em Vigília... qualquer sussurro parecia um trovão de furar os tímpanos quando se estava sob o efeito dessa maldição). O ruivo, que estava deitado, se sentou na poltrona ignorando completamente o fato de estar ficando subitamente vermelho. Não, vermelho não. Ele estava ficando era púrpura mesmo.



- Mas... mas... o que é isso? – indignou-se Rony lançando um olhar mortífero a Harry – isso não tem nada com a Hermione!!! O que você tem hein, Harry?



Harry deu um sorrisinho maroto:



- Eu é que pergunto. Vamos, Rony, todos nós aqui sabemos que esse seu casamento é a maior burrada que você já fez na vida. Ah, não... peraí, tem uma pior: aquele dia na sede da Ordem da Fênix. E eu ainda avisei a você. Lembra-se? Não faça uma burrice!



A boca do ruivo ficou seca. Nunca pensou que Harry pudesse realmente se lembrar daquele dia, daquele único conselho... pra dizer a verdade, ao menos tinha sido um conselho sério, tinha? “Não faça uma burrice”... “Você sabe o que quero dizer”... aquelas frases, ditas a tantos anos atrás, pareciam dançar na mente de Rony. Numa dança muito irritante por sinal. Lançou um olhar ainda mais terrível ao outro e se encheu de revolta. “Quem é você pra falar assim comigo? Pelo que me consta, a sua garota se apaixonou por mim! E aí, o que você acha do pobretão Weasley agora? Ela gostou de mim!”. Rony ficou assustado com o próprio pensamento e por alguns segundos temeu que tivesse dito tudo aquilo em voz alta, mas percebeu que não. Porque Harry não estava em cima dele espancando-o no nariz, pelo contrário, sua expressão era suave:



- Não acha que foi tudo rápido demais?



“Não venha me dando conselhos... daquela vez o seu conselho não valeu de nada. Você já fez tanta burrice na vida quanto eu! Se quiser me dar um agora, pelo menos seja mais específico.” mas disse:



- Eu gosto da Nádia se é o quer saber.



- Eu também gosto dela Rony! – disse Harry numa voz incrivelmente amável – estou falando se você acha que ela é a mulher para se viver durante o resto da sua vida... se vai aturar as manias dela até o fim! Estou falando de amor e...



- Desde quando você ficou tão romântico? – interrompeu Rony não conseguindo esconder o absoluto terror que passara como uma sombra por ele.



Harry ficou tão vermelho quanto os cabelos de um Weasley:



- Bem, eu... está bem, vou contar... é que...



- Vamos Mione, eu sei que você não está legal. Eu sei!



Harry e Rony olharam para ver quem entrara na sala. Era uma Gina falando alto e uma Hermione de ar sepulcral. Harry deu uma olhada rápida em Rony, o amigo parecia ter conseguido tirar aquela cara azedo-revoltosa com uma facilidade extrema e agora exibia uma expressão surpresa-aterrorizada-quero-ir-embora-daqui.



- Só não me diga que é por conta daquele artigo – acrescentou Gina rápido para a amiga – porque a Hermione que eu conheço jamais se deixaria abater por uma coisa dessas.



- Você leu? – perguntou Hermione temerosa. Gina fez que sim com a cabeça, exibindo um olhar de pena. Artigo? A ruivinha fora generosa, ora, havia sido uma primeira página. – claro que leu, todo mundo leu não é mesmo?



Não estava se sentindo bem ali. Seu plano não dera certo. Analisando os fatos agora, Hermione percebeu que ao menos tivera um plano. Saiu de casa correndo, na esperança de poder falar com Gina e as duas tentarem impedir que Rony se casasse com a lambisgóia russa que entendia tudo de quadribol, dragões e duendes irlandeses. Só que não lhe ocorrera (e agora se sentia uma completa idiota em perceber isso) que talvez Gina estivesse feliz com o casamento do irmão e que o principal: talvez Rony tivesse mesmo mudado. Talvez ele amasse Nádia e ao menos se lembrava dela. “Afinal por que deveria de lembrar? Aquele beijo não significou nada... aquelas palavras foram vazias... como sou idiota de me apegar a algo que aconteceu quando éramos apenas dois adolescentes assustados que tinham acabado de voltar de uma guerra? Ele mudou. Seguiu sua vida, encontrou uma outra mulher. Eu deveria ter feito o mesmo... mas fiquei esperando. Esperando o que?”.



Mas seus pensamentos foram interrompidos quando percebeu que Gina tentava falar qualquer coisa com ela.



- ...e é claro que você deve ter preparado tudo para o encontro com os duendes amanhã, você não iria querer perder o emprego, ainda mais depois de toda aquela história do Profeta Diário – Gina sorria para ela – então por que não fica por aqui esta noite? Amanhã eu posso até mesmo levar você até o encontro com os duendes e tudo mais, já que vamos todos fazer compras.



Como ela, Hermione Granger, iria dizer que não havia terminado o negócio com os duendes? Como iria dizer que jogara tudo pro alto por conta de uma lembrança idiota? De um garoto idiota? “Não, ele não é idiota... – pensou ela bobamente enquanto olhava Rony arrepiar os cabelos ruivos”. As palavras de Gina caíam como chumbo em sua mente. Oh, em nome de todos os santos, ela iria perder o emprego! Gina tinha razão. “O que eu faço agora? Oh, Deus me ajude, o que eu faço agora? Como vou dizer isso? Como vou dizer que eu sou um fracasso do mundo mágico? O que eu vou fazer da minha vida?”.



Estava desesperada e sentiu que não agüentaria ficar de pé nem mais um segundo. E não agüentou mesmo. Quando Gina se virou para exigir uma resposta, Hermione estava caída, estatelada, no chão da sala.



* * *




Nádia estava sentada na cama com a cabeça entre os joelhos. Sabia que agira errado, era tolice ficar com ciúmes de uma lembrança. “Ora, ele estudou em Hogwarts, tem seus amigos lá... suas lembranças. Também tenho as minhas de Durmstrang”. Mas não era só isso, não, e ela sabia que não era. Ele estava diferente. Alguma coisa em Rony Weasley mudara com a velocidade da luz. O que era? Essa era a resposta que Nádia Zivojinovich tentava encontrar.



Ela levantou-se da cama e com um aceno de varinha, trouxe a mala para perto de si. Começou a procurar sua roupa de dormir. Se trocou e mirou-se no espelho pequeno do quarto. Viu uma mulher incrivelmente branca, de cabelos quase tão brancos quanto e olhos azuis, sem cor. Sempre odiou seu reflexo, ela era tão... tão apagada! Era bonita, sabia disso, mas era apagada. Uma beleza em nuance. As vestes cor de vinho que usava agora deixavam tudo em um contraste ainda maior. Aquela moça, a tal Hermione Granger, não era um exemplo de beleza física, seus olhos eram tristes, mas ainda assim ela parecia viva. Aquela vivacidade que Rony tinha. Que Harry Potter tinha…



Deu uma olhada completa no quarto de Rony. Era todo laranja berrante e cada centímetro das paredes era coberto por pôsteres dos Chudley Cannons, de três gerações diferentes. “Ele realmente ama o que faz... ama o time”. Havia também antigas revistas em quadrinhos, a gaiola (agora estava vazia) de sua estardalhada corujinha Pichi, velhos livros escolares todos colocados de mal jeito em cima de uma escrivaninha muito velha. “É o quarto típico de um garoto de dezesseis anos”. E rindo ela foi mexer nos velhos livros de escola dele.



Eram todos de segunda mão o que não a deixou espantada, sempre soube que Rony vinha de uma família pobre, ela mesma escrevera uma pequena coluna sobre ele para o Balaços, famoso jornal irlandês de esportes bruxos, antes mesmo tê-lo conhecido pessoalmente.



* * *




- Sr. Weasley, Sr. Weasley! Como explica a vitória dos Cannons contra o Puddlemere United? – uma mulher loira berrava em meio a multidão com uma pena na mão e um pedaço de pergaminho amassado na outra.



Os sete jogadores do Chudley Cannons travavam uma verdadeira luta contra todos os repórteres, fãs e representantes do Ministério que se aglomeravam em volta deles. A batedora Bárbara West gritou para um colega de time:



- Hey, Weasley! Eu acho que ela está gritando por você!



- Você está maluca Barbie, ninguém nunca grita por um Weasley, principalmente repórteres...



Mas aparentemente a tal mulher loira gritava por ele. Dois dias depois, Rony estava saindo da sala apertada nos fundos do estádio de quadribol oficial irlandês, e a tal loira apareceu novamente. Ele a reconheceu. Nunca vira rosto tão exótico na vida.



- Sr. Weasley – ela se virou rapidamente no corredor quando o viu passar – Você é Rony Weasley, goleiro dos Cannons, não é?



- Sou – falou Rony devagar.



- Eu sou Nádia Zivojinovich, repórter para o Balaços – ela estendeu a mão para ele e Rony retribuiu o aperto. Não estava acostumado com repórteres, mas não podia negar que gostava de receber a atenção deles – gostaria de cumprimenta-lo pessoalmente por sua excelente atuação no jogo contra o Puddlemere United no sábado.



- Obrigado – respondeu ele corando ligeiramente.



Ficaram em silêncio por alguns segundos.



- Poderia nos ceder uma entrevista?



Rony sorriu largo. Já vinham escrevendo pequenas colunas sobre ele e como sua entrada havia renovado o ânimo do time, mas nunca, nunca havia sido convidado para algo maior. Para uma entrevista. Foi tomado de simpatia pela jovem loira à sua frente.



- Claro! Seria ótimo.



- Então – falou Nádia sorrindo ainda mais que Rony – ás oito no Manticora?



- Estarei lá – respondeu o ruivo arrepiando os cabelos.



- Muito obrigada, Sr. Weasley...



- Pode me chamar de Rony.




* * *




“Esse seu jeito de arrepiar os cabelos é irritante, sabia?” – pensou Nádia voltando da lembrança – “e eu vou me casar com você na sexta! E vai ser o dia mais feliz de nossas vidas...”.



Abriu um livro ao acaso, O Livro Padrão de Feitiços, 7ª série, e todas as boas impressões de Rony sumiram naquele momento. Jogou o livro com força no lugar onde estava e voltou para a cama a passos firmes. Puxou os lençóis até o pescoço fazendo força para que lágrimas amargas não começassem a cair.



Alguns minutos depois, a porta do quarto se abriu com um estalito. Era seu noivo quem vinha entrando, mas fechou os olhos, fingindo que estava dormindo. Não queria falar com ele, nem com ninguém naquela hora.



* * *




“Já deve ser tarde... tudo está escuro demais... e silencioso demais”.



Hermione levantou-se da cama sentindo uma leve dor de cabeça. O que tinha acontecido? A última coisa de que se lembrava era que estava conversando com Gina na sala e Harry e Rony estavam lá e... “Eu desmaiei – pensou ela balançando cabeça – desmaiei só de pensar no que vai me acontecer amanhã”.



Tentou afastar o pensamento, isso só faria com que ela entrasse em pânico e acabasse de nariz contra o chão mais uma vez. Afinal, desde quando sua saúde andava assim tão fraca? Desde quando ela sentia enjôos e desmaiava com tanta freqüência? “Desde que o destino (ou os anjos, que seja!) resolveram aprontar comigo...”.



Estava no quarto de Gina. A amiga ressonava levemente numa cama de armar ao lado da dela. Hermione não quis acorda-la, já estava sendo um estorvo na vida de muita gente e não queria incomodar mais ninguém. Calçou seus sapatos (que alguém, provavelmente a Sra. Weasley, deixara carinhosamente arrumados embaixo da cama), pegou sua varinha em cima da mesa de cabeceira de Gina e saiu do quarto, abrindo a porta com o cuidado de não fazer nenhum ruído.



A Toca era assustadora à noite, foi a primeiríssima impressão de Hermione. Não que nunca tivesse dormido na casa, mas nunca andara sozinha por ela ao que devia ser altas horas da madrugada. Alguém parecia roncar em algum quarto distante e os ecos chegavam quase que fantasmagóricos alguns lances de escadas abaixo. Além disso, havia aquele lamento constante, quase inaudível, do vampiro no sótão.



Chegando ao pé da escada, a moça resolveu ir até a cozinha. Magicamente, as velas do aposento se iluminaram quando entrou e ela acabou se sentando numa cadeira perto do fogão. Olhava tudo, mas não via realmente nada. Não percebia o que estava à sua volta. Sua mente vagava longe...



Quando chegou a casa dos Weasley aquela manhã, Hermione se imaginou logo correndo até Gina, sentando-se com ela na cama (como fazia em Hogwarts) e contando detalhadamente todo o problema que vinha enfrentando no Ministério da Magia, como Percy fora duro com ela, como descobrira que nunca – por mais que tentasse negar – tinha esquecido Rony, sua reação ao ler o convite de casamento e como tivera a idéia maluca de impedir o casamento dele. Sim, contaria tudo para a ruiva que costumava ser sua única companhia feminina e as duas juntas, bolariam um plano para que Hermione pudesse ter Rony de volta. Contando sempre é claro, que Gina ainda quisesse ver seu irmão com Mione.



Mas simplesmente não conseguia mais abrir a boca. Não podia impedir o casamento de Rony, seria algo muitíssimo egoísta! Sentiu vergonha de si mesma. A esta hora devia estar em casa (ou no escritório, já que vivia trabalhando além da conta) acertando os últimos detalhes do trabalho com os duendes na manhã seguinte enquanto tomava xícaras e mais xícaras de café, tentando manter seus olhos abertos. Ao invés disto, estava na cozinha da casa dos Weasley depois de ter desmaiado, aparentemente, sem motivo. “Realmente, sou a maior fracassada que já andou sobre a face da Terra!”.



Balançou a cabeça reprovando-se impaciente, e seu olhar se voltou para uma das janelas do aposento. Queria ver o céu! Queria ver os pontos brilhantes! Tropeçando ligeiramente, deixou seu posto de lamentações na cadeira e escancarou a janela de uma só vez, desejando internamente que não tivesse feito muito barulho. O ar fresco da noite banhou seu rosto e ela por alguns instantes, sentiu-se quase que levitar. Não parecia haver razão para se preocupar no mundo mais...



- Mione...



A brisa fresca pareceu se transformar em um ar gelado, um vento glacial, que percorreu o corpo de Hermione. De repente, ela não sentia mais as pernas. O coração batia com tanta força dentro do peito que chegava até a doer. A respiração estava acelerada como se ela tivesse acabado de correr uma maratona... sua mente parecia ter sido posta sob o efeito da poção do confundimento. Não queria se virar, não queria ver quem estava ali, parado logo atrás dela...



- Se você quiser ficar sozinha...



“Isso mesmo. Vá embora daqui. Volte pra sua mulher e me deixe em paz. Me deixe tentar esconder você dentro de mim de novo...”.



- Não, tudo bem – não conseguira falar nada do que pretendia. Era como se alguém tivesse formado novas palavras e respondido por ela.



Eles ficaram em silêncio por um tempo, até que Rony resolveu olhar através da janela também. Hermione começou a se sentir quente. Em poucos segundos provavelmente fumaça iria brotar de suas orelhas...



* * *




Era difícil ter de dizer aquilo. Ensaiara em frente ao espelho várias e várias vezes (logicamente quando o dormitório estava vazio. Não queria que nenhum dos garotos pensasse que ele era um babaca romântico), mas agora não conseguia se lembrar de nada que pudesse parecer interessante. Ele estava tremendo? Ou era só impressão? E aquele calor que estava sentindo? O tempo teria mudado tão depressa assim ou era porque...



- Não ia me dizer algo, porque eu tenho realmente de ir, Rony, meus pais estão me esperando...



Ia dizer. Tinha de dizer. Contar a ela quanto a amava. Dizer que ela sempre exercera uma espécie de fascínio terrível sobre ele. Era a única que conseguia faze-lo perder a cabeça e foi a única que conseguiu fazer com ele se apaixonasse... fazia tempo, ele o sabia, que gostava dela daquele jeito. Não era só uma amizade simples como parecera ser no início, era algo diferente. Diferente e assustador. Tão assustador que ele fingiu não se dar conta disso durante um bom tempo... mas, como todo sentimento reprimido, um dia ele estourou com força total. E Rony se perguntou intimamente, por que, afinal de contas tentara esconde-lo durante tanto tempo. Fora quando ele e Harry tentavam arranjar pares para o Baile de Inverno, ele contava então com catorze anos e acabou percebendo: Hermione era uma garota. A sua garota, por sinal.



Mas ele era apenas um Weasley pobretão. Ele era feio, burro, pobre, cheio de sardas e ridículo e ela era linda, inteligente, esperta e tinha um sorriso maravilhoso. Hermione riria da cara dele se um dia se declarasse. E por que não? Iria chamá-lo de idiota e dizer aquela típica frase, aquela que todo apaixonado mais teme no mundo inteiro: “Mas Rony, nós somos apenas amigos”. Em seus piores pesadelos, Hermione dizia isso pra ele.



Então resolveu nunca dizer. Ela não merecia um imbecil banana igual a ele, ah, não! Ela tinha o Krum. Um cara legal, famoso, inteligente e podre de rico (ah, como Rony detestava a maldita conta no Gringotes que Vítor Krum devia ter). Era uma competição desleal, não vali a pena nem tentar. Um dia, aquela paixonite adolescente haveria de acabar...



Não acabou. Diante de seus olhos, Hermione se tornava ainda mais linda e inteligente (como se fosse possível). Quantas vezes não teve ímpetos de dizer a ela... de beija-la. Ás vezes pensava que ela se interessava por ele, mas provavelmente era só mais um delírio da cabeça de um ruivo romântico. Começou a se dedicar inteiramente ao quadribol, ao mesmo tempo para fugir dela e para impressiona-la.



Veio a guerra. O tempo fechou no mundo mágico. Não havia mais tempo para pensar nessas tolices, Harry morria aos poucos, precisava ajuda-lo a enfrentar o que quer que fosse. E as pessoas começaram a morrer em todos os cantos. Rony sentiu um medo terrível: e se Hermione morresse? Não, ela não ia morrer, não podia morrer. Só a simples menção desse pensamento e já soava dolorida demais. Ele diria? Contaria? Não tinha coragem suficiente... tinha coragem para lutar mas não para se declarar.



E aquela era sua última chance. Não havia mais desculpas. Não havia Krum, não havia mais os fofoqueiros de Hogwarts, nem quadribol, nem guerra, nem nada. Só o medo de que ela o repudiasse. Bem, se isso acontecesse, ele provavelmente daria um jeito de sumir do mapa...



Hermione olhava para ele docemente. As palavras fugiram, não tinha mais idéia nenhuma na cabeça e ele fez a única coisa que pareceu ser sensata naquele momento.



Foi assim que Rony Weasley beijou pela primeira vez Hermione Granger.




* * *




Rony queria dizer alguma coisa realmente inteligente agora. Queria impressionar Hermione, mostrar que ele não se tornara um idiota. Ele era o goleiro dos Cannons, era alguém. Queria contar para ela seus planos de ser capitão de time, as novas táticas que desenvolvera, como andara pesquisando. Quem diria, ele, Rony Weasley andara pesquisando... mas ao invés disso, soltou a pérola:



- Dá pra acreditar que estou me casando?



Ele fechou os olhos percebendo a burrice que tinha dito e tentou de todas as maneiras possíveis não olhar para Hermione mas era algo um tanto inevitável.



- É um grande passo, Rony – falou Hermione numa voz que não demonstrava qualquer emoção – sinal de que você ao menos amadureceu.



O ruivo ficou parado, estático, olhando para ela com os olhos arregalados. Peraí, ela devia realmente dizer isto? Ela devia ter... “Oh, Rony, você é realmente um idiota! Achou que ela gostasse de você? Achou mesmo?”



- Você também – foi o que ele disse – não que nunca tivesse sido madura, você sempre foi a mais consciente de nós três – Rony não percebeu que Hermione revirou os olhos – e olha para você agora, chefe de departamento.



- Eu sou um fracasso, Rony – disse a jovem tentando não parecer melodramática demais – e você sabe disso. Com certeza deve ter lido a reportagem que fizeram sobre mim...



“Eu li sim. Foi essa reportagem que fez meu mundo desabar, que fez tudo começar a andar pra trás! Nadia me odeia, pelos céus, ela me odeia!”



- Você não é um fracasso. Sei que aquela reportagem era uma mentira. A Hermione que eu conheço jamais faria algo assim.



“Ele acredita em mim! Depois de todos esses anos ele ainda sabe que...”



- A Hermione que você conhece mudou desde que... – iria dizer um “desde que você não foi atrás de mim” mas achou que seria algo digno de uma novela mexicana – desde que saí de Hogwarts.



- Duvido muito – disse Rony numa voz deprimida. Tentava de todas as maneiras não ter de encara-la nos olhos – eu é que daria esse tipo de mancada. Você deve se lembrar bem de Hogwarts... não sei fazer nada direito, só quadribol... e tem hora que nem isso.



- Você é um bom jogador de xadrez – falou Hermione e por um instante fugaz pensou estar em Hogwarts, tentando animar Rony para um jogo de quadribol mais a tarde.



Rony olhou para Hermione. Nos olhos dessa vez. Como fora tão burro de deixa-la ir? Ela era uma garota incrível e estava passando por um momento difícil agora. Queria ajuda-la. Queria estar perto dela. Queria mais do que nunca poder amá-la.



Hermione começou a ficar vermelha. “Seria melhor se eu fosse embora... sim, seria melhor que eu fosse embora...”.



Os olhos dos dois pareciam estar presos por uma espécie de fio invisível. Rony só queria chegar mais perto... um pouquinho mais. Não faria mal, faria?



Nenhum deles percebeu, mas o espaço entre eles começava a diminuir. Hermione achou que suas pernas pareciam agora feitas de marshmallow. Maldita hora que resolveu tentar impedir o casamento de Rony e ir para a casa dos Weasley. Iria fazer uma burrice. Uma grande burrice. Mas pensando bem, talvez não fosse tanta burrice assim...



- Mione, durante todo esse tempo que estivemos longe... eu... pensei que tivesse... que tivesse esquecido mas... – estavam tão próximos um do outro que Hermione podia sentir o hálito com cheiro de hortelã de Rony.



- Não... – fez ela lançando um olhar aterrorizado ao ruivo.



- Mas eu fui um idiota – prosseguiu Rony não dando atenção ao murmúrio de Hermione – nem ao menos sei que estou fazendo agora mas... eu te amava em Hogwarts e...



- Rony, por favor – ela não queria ouvir aquilo. Não podia ouvir. Ele iria estragar tudo. “O casamento Rony, lembre-se do maldito casamento. Lembre-se da sua russa...”. O que ela tinha feito? Tinha ido à Toca destruir a vida de mais uma pessoa? Não! Ela nunca fora disso, não era justo. Não! – por favor, estou pedindo...



Mas Rony nem deu sinais de que tivesse ouvido os apelos quase que desesperados da moça.



- Eu te amava em Hogwarts e ainda te amo. “Eu falei? Pelos céus, mal posso acreditar que falei...”.



Rony esperava qualquer coisa depois daquela frase, menos a reação de Hermione. Ela puxou uma cadeira, sentou-se nela e pôs-se a chorar compulsivamente.



- Você é um idiota Rony! – soluçou ela tentando em vão limpar os olhos com a manga do casaco – e eu sou mais ainda por ter vindo aqui hoje! O que eu tenho na cabeça? O que estava pensando fazer?



- Hoje pela manhã eu me lembrei de você e quando você chegou para o almoço eu tive uma certeza. Você entende isso? Eu tive certeza. Você está mal, precisa de ajudar e eu quero ajudar.... eu devia ter estado sempre perto de você para te proteger... eu fui um verdadeiro imbecil da última vez e não vou ser agora! Não agora que acho que encontrei você de novo...



- Você está maluco? – Hermione limpou os olhos bruscamente uma última vez e o encarou, sua voz era amarga – eu estou maluca? Eu vim até aqui hoje para tentar impedir que você se casasse...



O rosto de Rony se iluminou repentinamente com um sorriso como o de um criança que ganhou uma mini-vassoura no Natal, mas ele logo se apagou quando Hermione prosseguiu:



- ... mas vi que isso era um ato egoísta. Iria acabar com sua vida, com a vida de Nádia. Não é justo. E você não me ama, você ama a sua russa, você só está pensando que me ama, ok? Essas coisas acontecem... e quem garante que eu realmente te ame? Talvez tenha sido só uma das coisas loucas que estão acontecendo na minha vida ultimamente.



- Não estou pensando que te amo. Não sou eu que te amo, é o meu coração. Ele é que sabe disso.



- Pára, Rony! Pára! – Hermione quase gritou com o ruivo que estava parado à sua frente aparentemente petrificado – você vai se casar depois de amanhã! Se casar! Casamento!



- Você nega que sente o mesmo? – Rony a desafiou – acabou de dizer que veio até aqui hoje para tentar impedir o meu casamento. Por que tentaria fazer isso se não alimentasse um sentimento por mim.



- Você lê os jornais? – perguntou a moça – eu sou a mais nova bêbada-louca-desgrassada do ministério! Eu não sei mais de droga nenhuma. Eu não sei o que vou fazer com os duendes amanhã, não sei mais o que sinto por você... pode ter sido só mais um delírio! Um delírio da minha mente cansada de trabalho e responsabilidades! Eu não tinha sequer noção do que estava fazendo hoje pela manhã quando recebi o seu convite. Rony, entenda, eu não posso te amar! O que aconteceu entre nós acabou a muito tempo, a três anos, na sede da Ordem da Fênix.



Rony ficou parado, remexendo os cabelos daquele jeito irritante. Mais uma vez seus olhares pareciam presos por um fio invisível.



- Agora acredito quando você diz que mudou – falou Rony num sopro de voz.



- Todos mudam um dia – disse Hermione numa voz cortante - é melhor você ir embora, volte para a sua esposa russa.



Ele assentiu com a cabeça lentamente e girou os calcanhares. “Por que eu disse isso? E a Nádia? Eu amo Hermione, oras, disso eu sei a tempos... mas não devia ter dito. Nunca. Devia ser um segredo enterrado”.



- O céu... – disse Hermione sem ao menos perceber o que estava dizendo. Como queria que as coisas pudessem voltar no tempo... “Mas um único erro pode estragar toda uma vida”.



- Eu já vi – falou Rony num tom mais seco do que desejara – essa noite não tem estrelas.



E saiu da cozinha.



* * *




N/A: não adianta pedir desculpaspela demora. O caso é que a fic já estava atualizada em outros sites e só faltava aqui no potterish, sorry pessoal, de verdade. Mas é que estava completamente sem tempo para inserir todos aqules
... mas tudo bem, pelo menos agora vem 3 caps de uma vez! Prometo não deixar que isso aconteça mais...



Agradecimentos:



Já estava na hora de colocar o nome daqueles que me mandaram reviews daqui do potterish: SnapeGirl, Myla Potter Tonks, Ninna, _Witch_, Aline Potter e brine. Espero reviews nesse cap também!



No próximo capítulo...



Hermione negou seus sentimentos para Rony, e aí? Ele vai continuar com a idéia de se casar? Todo mundo vai fazer compras mas peraí, duendes! Malfoy faz sua gloriosa aparição e quem sabe Harry não conta o que tanto tenta contar? Tudo isso e muito mais em ‘Duendes!’.

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