O sangue corria pelo meu peito como um gelo que derrete nas mãos. Eu já não sentia meus pés e meus pulmões ardiam na tentativa de inspirar o pouco ar restante daquela área.
Um rosto sem vida me olhava bizarramente. Seus olhos não tinham mais cor, sua boca branca apresentava ainda uma exclamação de horror e seu corpo jazia inerte entre as rochas molhadas pelo mar. Eu tinha falhado com ela, portanto, não tinha um único motivo para continuar vivo.
Era um lugar bonito. As ondas do mar lambiam as rochas à beira da praia, as estrelas com a lua brilhavam como se festejassem algo, as gaivotas voavam pela minha cabeça, as árvores farfalhavam com a brisa noturna e um silêncio modorrento pairava na maldita ilha.
Ao olhar aquele rosto que esteve tantos anos comigo, meus olhos esbranquiçados encheram-se de lágrimas. Era uma dor forte, terrível; minhas pernas fraquejaram e caí com os joelhos cortados no chão. Minha boca secou, meus ouvidos não ecoavam mais, meu sangue pulsava lentamente, o ar não entrava nos pulmões e meus olhos pararam de gritar.
Perdi a sensibilidade do meu corpo e parei de respirar. Estava morrendo ao lado de minha melhor amiga. Não me arrependi de nada que tinha feito na ilha, eu tinha protegido-a até os últimos finalistas e agora estava morto. O Monstro ainda estava solto e seu cheiro podre espelhava-se pela terra.