Eles fizeram o trajeto de volta à casa em tempo recorde. Harry chegou à porta segundos depois de Mione. Trancou-a e puxou Hermione com força exagerada.
Ela não se queixou. Na verdade, envolveu-o em um abraço.
- Hermione - Harry murmurou quando ela o fitou para beijá-lo.
Beijou-a e a prensou contra a parede.
- Harry. - Hermione agarrou os cabelos negros.
- Você escolheu este vestido só para me provocar, não?
Ela meneou a cabeça.
- Não sei.
Assim que Harry ergueu a barra do vestido, as coxas esguias enlaçaram sua cintura.
Quando Hermione soltou um gemido profundo, Harry cobriu-lhe a boca, abafando o som.
- Você vestiu roupas demais, mulher—murmurou ainda beijando-a.
- Você também.
De repente, Harry abaixou-se e a carregou nos braços.
- Suas costelas!
- Que costelas? — Ele começou a subir a escada.
- Aonde vamos?
- A sua cama é maior.
Enquanto Harry percorria os degraus, ela sussurrou:
- Que romântico.
Ele chutou a porta para abri-la e praticamente jogou Hermione na cama.
O olhar de Hermione percorreu os arranhões que ele ganhara na noite em que perseguira o intruso pela mata. Hermione olhou-o consternada, mas Harry não a queria distraída. Inclinando-se sobre ela, imediatamente começou a lhe tirar o vestido.
Com um gemido, Harry beijou-lhe o ventre.
- Harry, espere— ela protestou.
- Não me faça parar agora, Hermione, por favor.
- Claro que não. Mas...
Hermione gritou e agarrou os ombros largos.
- Harry...
- Diga-me o que quer, querida.
- Pare de me atiçar.
- Não a estou atiçando. — Mas sabia que estava
- Oh, Harry... - Havia um tom de frustração na voz. Hermione apertou-o contra si antes de
implorar. - Por favor...
O comando incendiou o sangue de Harry. Devagar, ele a deitou na cama. Em um instante, ele se deitou sobre Hermione e a beijou apesar do protesto frágil.
- Oh, Deus — Hermione gemeu.
- Não vou agüentar nem mais um minuto, querida. Mas prometo recompensá-la.
Com os olhos pesados e lábios inchados, ela sorriu.
- Como quiser.
A aceitação incrementou a urgência. Harry havia esperado anos para estar com ela e agora seu autocontrole se esvaía. Tirou a calça jeans em tempo recorde. Antes de jogá-la no chão, tirou o celular e o colocou na mesa-de-cabeceira.
- Pensei tantas vezes nesse momento... como seria, como você estaria...faz tanto tempo que eu...
- Eu... também — Hermione balbuciou.
Harry queria que ela soubesse, entendesse, que o relacionamento deles nunca se resumiu à atração física. Hermione gritou e cravou as unhas nas castas de Harry. Uma sensação de prazer absoluto o invadiu. Hermione gemeu outra vez e, para a satisfação de Harry. Foi o suficiente. Foi demais. Harry mergulhou o rosto no pescoço suave.
Segundos se passaram e o silêncio do quarto foi rompido apenas pela respiração ofegante. Harry deitou-se ao lado dela. Virou-se para fitá-la. Os olhos estavam fechados, os cabelos em desalinho.
O que sentia por aquela mulher não podia ser medido ou descrito em palavras. Era tão plenamente linda para ele... o corpo, o espírito, o coração.
- Está pronta?
Hermione abriu os olhos.
- Pronta?
- Acha que terminei?
- Eu... — Hermione ficou chocada. Harry deitou-se sobre ela.
- Ainda não terminei. Você me ignorou por tanto tempo que talvez eu precise de uma semana para me acalmar.
— Dito dessa maneira... Por que não?
Durante o resto da semana, eles criaram uma rotina muito conveniente. De manhã, levavam as crianças à escola e depois voltavam para casa para fazer amor. Quanto mais tempo Harry ficava, mais Hermione o amava, e mais o queria para sempre com ela. Sabia ser impossível. Um dia Harry voltaria para sua vida agitada e suas mulheres. Mas o perigo ainda o espreitava já que Malfoy estava solto. Sendo assim, Harry não mostrava sinais de querer partir.
Passavam os finais de tarde trabalhando na casa e agora o quintal parecia bem melhor.
O jantar era definitivamente uma reunião familiar com muita conversa, piadas e as inevitáveis brigas entre Willow e Austin. Depois, brincavam ou assistiam a um filme até a hora de as crianças se deitarem. Então, Harry e Hermione sentavam-se na quietude da cozinha para discutir a reabertura do lago, calcular custos e criar estratégias. Ele até já havia feito o pedido do alvará de funcionamento.
Juntos, também examinavam um orçamento para restaurar o exterior da casa. Hermione sempre fora responsável somente por si mesma e agradecia a ajuda de Harry. Sua dedicação era impressionante.
Cada vez que alguém saía, ele insistia em acompanhar. Apesar de nada ter acontecido,
Harry alegava que seus instintos lhe diziam para ficar atento. Tudo caminhava tão bem e Hermione confiava tanto nele, que não mais criava caso devido ao excesso de proteção.
Aliás, ela o compreendia muito bem já que havia desenvolvido o instinto maternal em relação a Austin, Willow e... Harry. Mas não deixava transparecer. Ele não toleraria tal cuidado, era arrogante demais e achava que a própria habilidade os protegeria de qualquer perigo.
E agora todos estavam sob a responsabilidade dele. Hermione não quisera lhe entregar esse fardo. Cada vez que olhava os arranhões que Harry ganhara naquela noite fatídica, lembrava-se do pânico que sentira ao vê-lo embrenhar-se na escuridão para enfrentar um vândalo. Era quase como se lembrar das vezes que entrara em pânico quando ele enfrentara Voldemort. Mas a atitude de Harry havia impressionado as crianças e reforçado o fato de que eram amados.
Os passeios noturnos de Austin tinham diminuído. Ele seguia Harry a todos os lugares e agia como um menino de sete anos, brincando muito e divertindo-se.
Willow encontrava mais motivos para sorrir, especialmente quando Clay aparecia, o que ocorria com certa freqüência. Apesar de tudo que lhe acontecera, Willow mostrava um auto-respeito significativo e não perdoaria Clay tão facilmente. Hermione tinha orgulho dela e a amava mais a cada dia.
Começava a relaxar no papel de guardiã quando, na quarta-feira de manhã, enquanto se preparavam para ir à escola, Austin notou pela janela uma mensagem deixada no abrigo à beira do lago. Todos se reuniram para ler o odioso comentário.
A tinta vermelha na parede do abrigo não combinava com a calmaria do lago, e a natureza exuberante não amenizou a mensagem: Lixo se joga fora.
- Por quê? — Willow perguntou aos prantos.— Por que não nos deixam em paz?
Alarmada com a reação da jovem, Hermione a abraçou. Ao ver as lágrimas da irmã, Austin se irritou.
- Vou esfregar a cara dele na lama.
- Dele quem?— Willow rebateu, agarrada à Hermione. — Não sabemos quem é.
Sério, Harry ainda olhava pela janela.
- Sei que se trata de um covarde. Alguém que não vale suas lágrimas nem a raiva de
Austin.
- Harry tem razão — Hermione reforçou.— Só um completo covarde deixa mensagens como essas. Ele quer magoar vocês e está conseguindo. Não o deixem vencer, vocês são muito melhores que esse idiota.
- Não somos, não. — Willow ainda chorava. — Todos sabem que somos bastardos, que nunca tivemos um pai, que mamãe nunca se casou.
- Cale a boca, Willow!— Austin gritou.
- É verdade — ela rebateu no mesmo tom. — Por isso, querem nos expulsar daqui, por isso eles nos odeiam. Nosso próprio pai não nos quis.
Harry pegou Austin e o sentou em uma cadeira.
- Chega.
- Agora preste atenção, Willow — Harry ordenou com a voz firme.— As pessoas não são julgadas pelos pais que tiveram ou deixaram de ter. Eu também nunca conheci meus pais, mas tive um fardo muito grande depois da morte deles, e hoje estou aqui. Eu venci alguém que queria não só me assustar, queria me matar! Mas eu nunca me entreguei, nunca! E cada vez que ele tentava novamente eu o enfrentava. Como a ajuda de meus amigos – Harry olhou para Hermione – E é isso que você tem de fazer.
Harry encarou-a com tanta intensidade que Hermione sentiu-se arrepiar. Além do profundo contato físico, eles sempre tiveram uma intimidade emocional. Ela não previra isso. Imaginara que ao se satisfazer com ela, Harry simplesmente se afastaria.
A verdade era o oposto. Mostrava-se cada vez mais envolvido. Ela voltou a prestar atenção em Harry que ainda falava para as crianças.
- Eu tive tios que me criaram. Mas eles me odiavam. Eu me sentia sozinho, até conhecer meus amigos. Mas Chloe, sua mãe, foi muito melhor que vários casais jamais serão. Ela os amou e construiu uma família sem um marido ou o pai de vocês. Se alguém os julgar por Chloe, saberão quão maravilhosos vocês são.
Willow fitou o irmão e limpou uma lágrima.
- Ela nos amou muito.
- Eu sei. E isso torna você e Austin especiais. Willow encarou Hermione por um longo tempo.
- Ela fazia muitas coisas que você faz. Conversava conosco, gostava de nos abraçar quando menos esperávamos.
- É verdade — Austin concordou. — Patrícia nunca fez nada disso. Mas não me importo porque nunca gostei dela.
Hermione sabia que iria chorar e virou-se para o fogão.
- Azar de Patrícia -— disse. — E do pai de vocês também, porque está perdendo a chance de conhecer duas pessoas especiais.
- Talvez ele tenha outros filhos...
- Acha mesmo? — Austin perguntou.— Acha que ele nunca irá nos conhecer?
- Não sei, querido.— Hermione sentiu o peito se apertar. — Você gostaria de conhecê-lo?
- Não — Willow respondeu, de pronto. — Ele não ficou com minha mãe, por isso não quero saber dele.
- Eu também não— Austin retrucou.
Sabendo que mentiam devido à dor, Hermione virou e os abraçou.
- Talvez um dia mudem de idéia. Enquanto isso, cada vez que alguém os julgar porque Chloe não se casou, saibam que essa pessoa não merece a consideração de vocês. Harry acariciou os cabelos de Hermione e sorriu. —Vou encontrar o homem que está nos perturbando, querida — Harry garantiu a Willow. — Mas não deixe que traquinagens idiotas a afetem. Quero que você e Austin mantenham a cabeça erguida e mostrem a todos que são maiores que essas mensagens.
Entenderam?
- Sim — Austin assentiu sério.
- Entendi.— Willow suspirou. — Mas eu gostaria que tudo isso acabasse.
- Vai acabar — Harry afirmou. — Tem minha palavra. Se não acabasse, Hermione pensou, talvez considerasse a idéia de tirar as crianças da região. Ao fitar Harry, percebeu que ele pensava o mesmo. Adoravam a casa, mas o importante era a estabilidade e a segurança de Willow e Austin.
- Preciso terminar o desjejum.
- Vou ligar para Scott e depois descerei para limpar a parede do abrigo.
- Quero ajudá-lo — Austin se ofereceu.
Minutos depois, Willow observou Harry e Austin caminharem até o lago. Em seguida, voltou-se a Hermione com um sorriso determinado.
- Vou ajudá-la com o café da manhã.
Eram realmente duas crianças especiais, Hermione pensou consigo. Não se sentia solitária porque tinha Willow e Austin. Por quanto tempo mais Harry faria parte daquela família tão singular?
A resposta não importava no momento. Por enquanto, desde que ele estivesse a seu lado, Hermione aceitaria o que ele lhe oferecia.