Assim que Lily fechou atrás de si, eu me atirei na cama estreita inferior de um dos dois beliches que ocupavam o antigo quarto da mãe dela. O quarto era, normalmente, dividido pelas netas dos Weasley quando estavam na Toca. Eu já cansara de dividir o quarto com Lily, Dominique e a abominável Roxanne. Eu sempre dormira na cama superior do beliche onde estava atirada... A nostalgia tomou ainda mais conta de mim enquanto eu tinha meu rosto enterrado nas cobertas com cheiro de interior.
Lily se colocou sentada no beliche em frente, assim como Dominique. Não me importei quando ela quis nos acompanhar. Eu achei até melhor que outra pessoa estivesse conosco quando eu dissesse que achava que estava gostando de Scorpius. Ela piraria, com certeza, e Dominique nunca se importara mais do que o necessário com os Malfoy para se embravecer com qualquer coisa que eu dissesse. A ruiva ergueu a varinha e sem murmurar nada, lançou um feitiço no quarto.
Ergui ligeiramente a cabeça e não vi nada de diferente ao redor.
- Abaffiato? – chutei.
- Roxanne é irritante – ela respondeu, tirando os tênis e se jogando para trás. Lily tinha as costas na parede, enquanto Dominique se recostava na madeira aos pés da cama e continuava usando as sapatilhas estampadas que combinavam com sua saia plissada.
- Acredita que ela ainda escuta atrás das portas? – Dominique me informou, jogando o cabelo para trás do ombro. Ela estava cada dia mais parecida com sua mãe, assim como Victoire; ela também devia carregar uma parte veela consigo.
- É bom que ela nem se atreva a ouvir o que eu preciso dizer ou eu mesma me ocupo em matá-la! – minha voz saiu abafada por conta das cobertas nas quais eu estava enterrada, então meu tom parecia uma brincadeira. Não que fosse importante, já que Roxanne não podia me ouvir.
Dominique deu uma risada baixa e olhou para Lily, que se concentrava em tentar ler meu rosto. Eu ao menos sabia como começar a falar, não tinha pensado nisso e não conseguira ensaiar comigo mesma, me distraindo com a família lá em baixo. Meu pai já tinha sido avisado que eu estava aqui e eu esperava que quando descesse, ele estivesse lá. Eu quis tentar convencer Lily a me contar qual era a novidade idiota, mas foi ela quem começou a falar.
- É tão importante para você enfrentar todo mundo por causa de um conselho? – sua voz era baixa e os olhos estavam apertados. Ela parecia duvidar da importância da minha situação, mas eu sabia que era preocupação com a gravidade do problema. Imaginei se ela desconfiava de alguma coisa.
- Espera, você não veio se desculpar? – Dominique interrompeu.
- Não era minha intenção, mas foi inevitável, afinal de contas – dei de ombros e me concentrei no olhar de Lily. – Eu vim porque eu... Eu preciso colocar essa coisa para fora e eu não preciso de um julgamento.
- Eu não costumo julgar ninguém – foi a resposta de Dominique.
- Eu acho que estou gostando desse cara – eu comecei. Foi horrível dizer essa frase e perceber que ela se perdeu no ar e que eu nunca mais poderia buscá-la e colocá-la na minha boca de volta, fingindo que nada tinha acontecido.
- Quem é ele? – Dominique se interessou e eu gelei. Gelei e tentei decidir se situava as duas sobre quem eu falava ou se tentaria ser genérica. Eu tinha quase certeza de que ser genérica não funcionaria em certo momento.
- Ele é de Oxford? – Lily se animou.
- Mais ou menos – comecei, totalmente insegura. – Ele se mudou há pouco tempo. Tem alguns amigos lá, mas eu posso dizer que está se adaptando a tudo ainda, assim como eu. Ao contrário do que se pode pensar, isso não é algo que nos aproximou ou que nos aproxima.
- Amigo de Scorpius? – Lily chutou, apertando as sobrancelhas e eu balancei a cabeça sem confirmar e nem negar. Eu não queria mentir, queria apenas omitir, por isso não proferi nenhuma palavra sobre isso. Lily pensou chegar a uma resposta positiva de minha parte e bufou, desdenhando.
- O “diga-me com quem andas e te direi quem és” nem sempre funciona na prática. Nós andávamos com Roxanne na escola e você não escuta atrás das portas, Lily – era Dominique quem amenizava as coisas. – Como ele é?
- Como assim?
- Personalidade, físico... Essas coisas!
Fiquei quieta durante aqueles segundos em que as duas me olhavam curiosas. Dominique quase sorria, enquanto Lily tentava fazer as sobrancelhas voltarem a ser uma só. Imaginei que ela construía sua própria imagem do “amigo de Scorpius” dentro de sua cabeça.
- Ele é – comecei, mas parei a mim mesma, percebendo que nunca antes tinha pensado nas características que marcavam Scorpius na condição de falar delas para alguém. – Ele é suave, é tranquilo e tem olhos que parecem conhecer qualquer coisa que você já tenha feito, mas ele também é incosequente e intenso e acho que isso é a fonte da maior parte dos problemas dele. Ele é fechado... Tem amigos, claro, mas parece que coisas importantes ou coisas sentimentais só podem pertencer a ele e a mais ninguém.
Parei e pensei no que mais poderia dizer. Era difícil de descrever o que eu gostava nele ou que seria importante de mencionar para elas, porque na maior parte das vezes, eu estava concentrada nas sensações que eu tinha perto dele; elas não eram poucas. Cerrei os olhos e tentei mais uma vez. Eu gostava de falar dele, de falar sobre as coisas que eu sentia perto dele porque isso me aliviava. E o que eu mais estava precisando era me sentir aliviada.
- Não sei descrever, mas o que eu sei é que em certos momentos, eu me sinto muito segura perto dele, me sinto tranqüila. Fico sorrindo fácil como se dependesse dos dentes à mostra para continuar viva, mas ao mesmo tempo é como se eu estivesse na corda bamba, como se estivesse na linha de tiro de alguma guerra, sei lá. É como estar bêbada.
- Insegurança? – Lily perguntou; o corpo estava totalmente inclinado.
- É – admiti, dando de ombro se voltando a abrir os olhos. – Eu não sei ao menos definir o que eu estou sentindo... Eu me sinto insegura perto dele ao mesmo tempo em que parece que eu encontrei meu porto seguro.
- Posso ser sincera com você? – Dominique opinou e suas sobrancelhas quase tocavam a raiz dos cabelos, tamanha surpresa exposta em seu rosto. Confirmei com a cabeça. – Eu nunca vi essa expressão no seu rosto antes, nunca antes tinha ouvido você falar assim de algum garoto e eu estava aqui quando você disse que estava saindo com o Lucca e que gostava dele. Acho que você gosta mesmo desse cara.
Eu enterrei o rosto nas mãos, tremendo até o último fio de cabelo. Então, minhas dúvidas tinham sido confirmadas; eu gostava mesmo do deliquente e valentão de Hogwarts. Eu gostava mesmo do caubói que andava pelas ruas de Oxford como se todo dia fosse carnaval. Merda, xinguei, erguendo o rosto novamente, encontrando os olhares das duas em mim.
- E qual é o problema de estar apaixonada por esse menino? – ainda era Dominique quem falava e eu me perguntei se essa conversa andaria para o mesmo caminho se eu estivesse falando apenas com Lily.
- Eu não deveria gostar dele, é isso – eu sentia o balão crescendo no meu peito, mas eu não tinha lágrimas para colocar para fora, eram apenas angústias que eu tinha presas em mim.
- Apesar de sempre ter sido a Docinho quando nós brincávamos de Meninas Super Poderosas – Lily começou, jogando o corpo para frente e colocando os pés no chão. Ela se inclinou e apoiou os cotovelos nas coxas. – a Rose sempre foi medrosa, ela é capaz de afastar o cara se achar que não deveria gostar dele.
- Espera, eu era a Docinho porque eu sou morena! – eu me defendi, apontando para as nossas diferenças capilares. Lily sempre se aproveitou de seu ruivo para se tornar a líder da brincadeira. – E eu tenho razões para não querer gostar desse menino, não é apenas medo.
- Não? Não é medo de que ele queira algo sério com você?
- Eu não tenho medo de relacionamentos duradouros, Lily – me defendi novamente, sem perceber que eu erguia minha voz. – Eu não fiquei com o Lucca por dois anos porque eu tinha medo de relacionamentos longos!
- Porque vocês terminaram? – Lily provocava.
- Porque eu não gostava mais dele.
- Porque ele começou a fazer planos pro futuro.
- O que? – eu quase gritei, me colocando na cama como ela estava.
- Quem ouvia as suas reclamações quando terminou?
- Você – eu disse, de repente, deixando que minha voz voltasse ao normal e fazendo as rugas na minha testa se desfazerem. – Não era medo, Lily, era loucura! Porque querer se casar, assinar um papel e depois transformar qualquer coisa em um motivo enorme para acabar tudo? Não precisava disso, eu sou muito nova para pensar nisso... E se nós nos casássemos e tivéssemos filhos? E se as coisas terminassem, como eles ficariam? Não. Prefiro terminar antes que as coisas se estraguem.
- Também quer morrer jovem para você estar bonita no caixão? – ela brincou, mas nem eu e nem Dominique rimos da brincadeira. – Medrosa – sussurrou, sorrindo. – Não sou sua psicóloga, mas acho que você tem medo de deixar as coisas rolarem e dar de cara no muro depois. E o problema com esse cara é que você não quer gostar dele porque ele faz você querer ter uma relação.
Fiquei quieta, me odiando a cada minuto mais que passava dentro daquele quarto. De repente, eu tinha me arrependido de querer conselhos de Lily porque ela estava errada. Estava errada em dizer que eu tinha medo; poxa, eu era uma menina de dezenove anos, como ela esperava que eu reagisse quando um cara me fala sobre casamento quando o casamento dos meus pais tinha recém se desfeito? Eu não tinha exatamente as melhores referências matrimoniais por perto. Ela esperava que eu engolisse essa? Não, Lily, não.
- Acho que você devia experimentar – ela disse e eu sentia meu joelho tremendo, assim como balão dentro de mim. – Acho que você devia experimentar essa relação com o menino de Oxford, tentar curar esse seu medo.
- O que pode dar errado? – Dominique tentou, sorrindo gentil.
Eu sabia o que podia dar errado. Eu podia desencadear uma guerra ainda maior dentro da minha família. Havia as pessoas ao meu redor; Weasleys ao meu redor e vi o que uma coisa como essa faria com a minha relação com elas. Havia uma história se repetindo e essa história tinha machucado muita gente. Porém, as palavras pinicavam dentro de mim e eu não me importei em deixar as coisas em plano astral e dizer o que vinha me incomodando.
- E se eu estiver apaixonada por Scorpius Malfoy? – eu disse e senti minhas palavras tirarem as cores alegres do quarto, pintando-o com ares sufocantes.
- Malfoy? – Dominique quis confirmar e seus olhos estavam arregalados.
Eu sacudi a cabeça em confirmação e depois disso, os segundos pareceram passar com a velocidade de um milênio. Lily parecia engasgada parada na mesma posição na cama com os olhos vidrados, enquanto Dominique ponderava algo dentro de si.
- Isso muda um pouco as coisas – a primeira a falar foi Lily e isso me surpreendeu. Porém, o que fez minhas costas se esticarem foi o tom e as palavras que ela usou. Eu esperava que ela gritasse comigo e que me dissesse o quão louca eu estava. Na verdade, eu esperava mesmo que alguém me dissesse que eu estava doida e que só podia ser mais um dos meus devaneios. – Tem certeza?
- Depois do que eu ouvi aqui, sim.
- Oh não. Não o delinquente, Rose! – ela elevou o tom de voz e ali estava a Lily que eu esperava. Ela era intensa, era exagerada; ficar sentada, usando a voz que usava para convencer seu chefe de deixá-la sair mais cedo não combinava com ela. O terror surgiu nos olhos de Lily e ela se esticou ainda mais para frente, sem saber se me abraçava ou se fugia de mim. – Isso é uma piada, não é?!
- Não é.
Ela levou as mãos ao cabelo e mordeu o lábio. Estava transtornada.
- Rose – a voz de Dominique me acordou da explosão de Lily. Ela ainda ponderava algo dentro dela mesma, mas sua voz era calma e invejável perto da expressão de sofrimento que Lily exibia. Eu temia tentar adivinhar como eu estava. Com certeza, pior do que as duas juntas. - É o Malfoy, lembra? Aquele que você odiava na escola, aquele que fazia os alunos menores chorarem, aquele que nunca foi legal com ninguém e de quem ninguém gosta...
- Ela gosta – Lily me acusou e eu apertei as sobrancelhas.
- Lembra dele? O Malfoy que machucava as pessoas que você protegia – Dominique ignorou Lily e continuou me lembrando daquelas coisas, como se eu não soubesse de nada. Me senti uma boba de repente, uma tiete sem cérebro que se apaixonava pelo vilão só porque ele era mais bonito.
- É claro que eu sei disso, Dominique – fui um tanto rude, escolhendo as palavras para proteger meu ponto de vista. E, pela primeira vez, em voz alta, eu diria isso: - Ele mudou. Eu vi, ninguém me contou. Eu estou convivendo com ele há um mês, eu saberia se ele estivesse apenas fingindo para agradar o pai. Ninguém aqui consegue saber, mas ele sofreu sem o pai durante a vida inteira e, finalmente, encontrou um modo de se sentir bem consigo mesmo e orgulhar o pai.
- Você tem certeza disso? – Dominique não mais ponderava, parecia confiar em mim. E eu gostava cada vez mais da idéia de tê-la trazido para a conversa. Agora, imaginando se eu estivesse sozinha com Lily, eu já estaria em casa e brigada com minha prima maluca.
- Eu sinto que ele mudou – eu disse, confirmando com a cabeça. Lily parecia que explodiria a qualquer momento. As palavras pareciam agir por si sós e eu me vi com os olhos fora de foco, buscando motivos para crer que ele tinha mudado. Eu não precisava de fatos. – É tão louco para mim quanto é para vocês, mas eu sinto em cada palavra, em cada gesto... Ele mudou mesmo.
- Isso é loucura, Rose! – Lily proferiu com os olhos pressionados, duvidando profundamente de tudo que eu dissera. Ela estava realmente transtornada, não parecia aquela prima que eu julgava a melhor conselheira.
- O que aconteceu com a Lily sensata, aquela por quem eu vim atrás de uma conversa que me ajudasse? – tentei.
- Ela fugiu quando descobriu que você, assim como sua mãe, está com o inimigo! – ela bradou com a voz grave. Senti meu peito inflar mais ainda. As lágrimas caíram com força. Porque eu tinha certeza de que só faltava adicionar minha mãe na história para que aquela conversa fosse um desastre?
- Para de dizer que os Malfoy são o inimigo – pedi, falando alto. Minha voz era disforme e não refletia em nada a raiva que eu sentia por ela pensar daquele jeito, como se a personalidade de cada ser humano fosse gravado em pedra, sem direito à modificação.
- E o que eles são? – ela se ergueu, me olhando de cima. – Lucius era um devoto Comensal da Morte, inclusive cedeu a casa da família para Voldemort durante a guerra. Draco só não matou Dumbledore porque foi fraco para isso. E Scorpius? Não tem mais o que dizer, depois das coisas que a Dominique listou e que você viu acontecer!
– Você parece uma neurótica que acha que qualquer passo que os antigos “maus” dão é uma nova investida dos Comensais da Morte. Faz tanto tempo! Você ao menos era nascida, seu pai foi o grande herói disso tudo e o que você aprendeu com ele? Nada, pelo jeito. – minha voz dela era grave, cavernosa e eu me ergui também; ficamos com os olhos na mesma altura.
- Você não acredita que as pessoas podem mudar? - Não fui eu quem falei, foi Dominique e eu me admirei por ela estar em pé, com os braços cruzados. Uma figura altiva e aterrorizante, parecendo preparada para nos separar se brigássemos fisicamente. – A única coisa que a Rose veio fazer aqui foi pedir ajuda... Se eu não estivesse aqui você tentaria convencê-la de que ela estava errada em gostar de um cara que ela tem certeza que mudou?
O silêncio tomou conta do aposento depois que Dominique parou de falar. Sentia o balão estourar dentro de mim e eu estava chorando quieta, de um modo tão discreto que era preciso ter os olhos em mim para perceber que eu estava em prantos. Lily continuou parada me olhando, mas agora seus olhos estavam molhados e ela parecia extasiada. Eu odiei o silêncio e odiei que o discurso de Dominique não saiu da minha boca.
- Desculpa – Lily começou. – por estourar com você, por falar da sua mãe... Eu não devia ter feito isso, a Dominique tem razão.
- Obrigada – Dominique descruzou os braços.
Olhei para Lily e me mantive quieta. Ela me conhecia, sabia que eu não diria que estava tudo bem, ela sabia que eu não iria abraçá-la agora, sabia que eu realmente ficara magoada. Ela me conhecia bem e agora, olhando nos meus olhos, eu esperava que ela entendesse que eu não pedi por isso. Eu queria que ela entendesse que eu não queria ser mais uma Weasley que caía nos braços de um Malfoy por livre escolha. Eu queria, acima de tudo, que ela entendesse que eu não queria brigar, não queria me afastar da minha família de novo; que eu não queria magoar ninguém, que eu queria apenas entender.
Eu conseguira entender o que acontecia comigo. E, de repente, odiava as coisas do modo como estavam. Odiava me sentir mal por gostar de um cara que eu sabia que ninguém aprovaria. E quando eu dizia ninguém, eu envolvia minha mãe e Draco na conta, porque eu sabia que ela não iria querer os “irmãos por casamento” namorando e dividindo música pela parede.
- Sabe de uma coisa – Lily disse, de repente, se sentando ao lado de Dominique e secando uma lágrima discreta que ela deixava cair. Nem eu e nem Dominique falamos nada sobre essa lágrima, apenas esperamos que ela continuasse falando. – Eu acho que você deve se deixar envolver, entrar num relacionamento com o delinqüente.
- Scorpius – eu corrigi, os olhos secando por si sós.
- Eu não aprovo, você sabe. As mudanças até podem acontecer, mas não de uma hora para outra. Não vou achar que ele é bom para você em apenas dois minutos – ela deu de ombros, e eu gostei da sinceridade dela. – Mas, caso não dê certo e você constatar que ele é mesmo o cara errado, você pode correr para o meu colo, ou o da Dominique, se achar melhor.
- Aproveitando para fazer uma viagem até a França – Dominique fez graça e nós três sorrimos, sentindo o clima mais leve no quarto. Não sei se fui apenas eu, mas o clima de tabu quanto ao assunto Malfoy e Weasley me pareceu muito diminuído. Diminuído o suficiente para eu perguntar:
- Você ainda espera que minha mãe quebre a cara?
- Sinceramente? – eu não precisei responder, porque ela continuou sem o menor pudor na resposta. – Quando você chegou aqui, chorando, essa foi a primeira coisa que eu pensei. Enquanto via você sentada na sala com nossos avós de novo e antes de você passar um relatório para a Roxanne, eu imaginei que ele tinha magoado sua mãe e que você tinha caído na real. E sim, eu tenho a tendência de acreditar nisso. E o que eu aprendi com as histórias que meu pai me contava? Acho que aprendi a desconfiar das pessoas, porque elas podem não ser o que pensamos que são.
- Eu descobri que estava errada tantas vezes nesse último mês, sobre as coisas mais diversas e sobre as pessoas mais improváveis – eu comentei, querendo continuar na linha que Lily estava e tentando dar um sentido com a minha contribuição. – Talvez você venha a descobrir isso também.
- Quem sabe? – ela disse.
O abraço triplo foi a surpresa da noite, ainda mais do que tudo que tinha acontecido ali na Toca. Eu não imaginava que Dominique ajudaria tanto, não imaginava que Lily fosse estourar comigo, não imaginava que meus avós me aceitariam de volta tão rápido; mas o principal de tudo é que eu não imaginava que ficaria feliz em não ter a aprovação de Lily e nem o apoio dela, mas ver que ela se importava o suficiente comigo para querer que eu ficasse intacta. Embora, usando de palavras e situações mal colocadas.
Não chorei. Meu rosto estava seco e as lágrimas tinham se dissipado, deixando apenas um rosto manchado e mais leve. Eu sentia o peso diminuir, apesar de ainda sentir toda aquela pressão. E agora que eu tinha me acertado com a minha família, eu resolvia que gostava de Scorpius Malfoy? Eu queria experimentar aqueles lábios, sentir os braços dele no meu corpo novamente, eu queria sair com ele e tomar um sorvete no Beco Diagonal, na frente de todos. Eu visualizava essas cenas e também outras: eu brigaria com os Weasley outra vez, minha mãe e Draco nos proibiriam de nos ver e eu ficaria triste e culpada por ter estragado tudo.
Eu poderia arruinar tudo se seguisse o que sentia.
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N/A ENORME: Oi gente, MUITO OBRIGADA pelos comentários no capítulo anterior; fico realmente bem feliz que vocês tenham gostado porque eu tinha ficado super insegura com aquele capítulo. Agora sobre esse aqui: ainda estou insegura sobre ele, mas gostei bastante do que eu fiz descobrindo de última hora que as coisas que eu tinha planejado para ele não funcionariam porque tinha outro agravante principal.Acho que esse foi o capítulo mais editado, mais revisado, mais cortado, mais acrescentado e etc, de toda a fic! Rá, e a Rose descobre mais um empecilho e um dos grandes... Tadinha.
Bem, queria agradecer também a essa explosão de leitores, explosão de gente acompanhando a fic (são 30 agora!) e por estar entre as mais votadas e entre as mais visitadas entre os não-VIP da FeB. VALEU MESMO! Espero que essa gente toda COMENTE, eu ficaria muito mais feliz! :D
Então, vocês aprovam o capítulo bônus? Mas ele só vem lá depois do último capítulo da fic e eu falo dele mais tarde; eu queria era fazer uma pergunta para vocês sobre uma coisa que eu venho pensando: há algum tempo, enquanto eu ainda escrevia o capítulo cinco ou seis da fic, não lembro, eu escutei a música Apologies da banda Grace Potter and the Nocturnals (que eu adoro, por sinal) e a letra me encheu de vontade de escrever sobre um casal em separação, porque a mulher gostava de outro homem. Minha pergunta: eu estou muito afim de escrever uma OneShot Spin-off sobre a separação do Ron e da Hermione. Vocês querem ler isso? Vou acabar escrevendo uma OneShot com esse tema de qualquer jeito, eu acho.
Até o próximo capítulo com a tão esperada surpresa do Ron... Beijos!