Mais tarde ambos estão sentados lado-a-lado e abraçados no sofá enfrente a TV, assistindo um filme alugado por eles. Hermione estava atenta a TV, enquanto Harry desvia o olhar do filme para observá-la, se aproximando para sentir seu perfume, passando suavemente o nariz pelo pescoço dela, fazendo-a fechar os olhos ao sentir o carinho do namorado.
- Desse jeito eu não vou conseguir ver o filme. – O repreende tentando manter a concentração no filme.
- E para que você quer ver essa cena horrível? – Pergunta olhando surpreso para ela.
- Porque talvez na autópsia eu possa achar a pista do assassino, aliás, filmes de suspense são para isso. – Responde se virando para ele, o tom de quem diz uma coisa óbvia.
- Nós já assistimos dois filmes. Será que não poderíamos parar só um pouquinho? – Pede quase manhoso.
- Está apelando. –Diz tentando manter-se séria, porém o sorriso meio sem jeito e naturalmente charmoso a faz suspirar derrotada. –Uma pequena pausa. – Cede pegando o controle e desligando a TV, enquanto ele abria um grande sorriso.
Harry mal a espera se virar para tomar-lhe os lábios. O beijo começa devagar, tentavam achar a melhor posição e, em uma tentativa de trazê-la para mais perto, começa a girar e puxá-la para se colo, sabendo que se tentasse deitá-la poderia ser mal interpretado. Mal haviam se acomodado, quando a campainha toca. Harry ignora concentrado em aproveitar cada momento com a namorada, mas a insistência da campainha faz Hermione o afastar.
- Melhor atender, pode ser importante. –Diz se mostrando tão frustrada quanto ele com a interrupção inconveniente.
- Deve ser pros meus tios… – Tenta deixar de lado, porém uma nova insistência o faz bufar irritado, Hermione já ia se sentar na outra ponta do sofá.
- Já vai! – Avisa sem esconder o mau humor, ajeitava as roupas e o cabelo no caminho até a porta. Hermione fazia o mesmo no sofá.
Ao abrir a porta Harry vê a senhora Figg, o que o deixa rapidamente desconcertado. A mulher o olhara desconfiada, rapidamente formando teorias para aquela demora e o tom mal humorado do rapaz.
- Boa tarde, Harry! Eu estranhei não ter ido me visitar, então resolvi vir aqui aproveitar que seus tios não estão e levá-lo para tomar um sorvete. O que acha? – Pergunta gentilmente a Harry, que continuava sem jeito.
- Eu adoraria Sra. Figg, mas…– Fala timidamente, desviando o olhar, e se surpreende ao vê-la entrando na casa.
Ao entrar na sala logo vê Hermione, que acabara de se levantar do sofá, já recomposta, e se surpreende. Harry fecha a porta e meio nervoso se aproxima para explicar.
- Sra. Figg essa é Hermione Granger, minha amiga. Ela veio me visitar, eu a convidei porque queria conversar sobre Sirius, você sabe… – Tenta explicar, apesar do tom confuso.
- Olá, Hermione. É um prazer conhecê-la, ouvi muitas coisas boas sobre você. – Cumprimenta cordialmente.
- Que bom e, é um grande prazer também. – Diz estendendo a mão para cumprimentá-la, visivelmente nervosa.
- Então, me desculpem por ter atrapalhado o namoro dos dois. – Diz tentando não rir pela reação deles.
- Não está atrapalhando nada, quer dizer… – Harry tenta em vão se explicar.
- Por acaso esse namoro é segredo?
- Não, quer dizer, pros amigos não é. – Hermione responde ainda sem graça.
- Como você percebeu? – Harry pergunta já mais calmo.
- Tirando o nervosismo e a cara de “fui pego em flagrante”, ambos ainda têm os lábios inchados. – Responde se divertindo com a timidez de ambos que ficam ainda mais corados.
- Nós começamos a namorar hoje e ainda estamos nos acostumando. – Harry diz bem vermelho.
- Então fui a primeira a saber? – Pergunta animada.
- Sim, foi. –Hermione diz sorrindo e deixando Harry, que se aproximava dela, segurar sua mão.
- Bom, mas então se eu não for atrapalhar, posso convidá-los para um sorvete? Temos que comemorar, não?
- Claro, mas será que não haveria problemas? – Pergunta receoso, haviam sido enfáticos sobre Harry sair de casa.
- Não se preocupe, falei com o auror que toma conta de você e ele chamou outro para garantir a sua segurança. Podemos ir sem problemas. – Responde de modo seguro.
- Então me espera, vou pegar minha varinha. – Harry pede saindo para ir ao quarto.
Hermione vai até a poltrona onde sua jaqueta estava junto com sua bolsa. Harry já vinha descendo as escadas com a varinha em mãos e a pondo em baixo da camisa nas costas.
- Você vai sair com essa jaqueta, Mione? –Pergunta por que o dia estava quente.
- Claro. – Ao responder abre a jaqueta, mostrando um suporte especial no forro do lado esquerdo, onde sua varinha estava.
- Muito interessante Hermione, mas agora é melhor irmos. – a Sra. Figg fala apressando-os.
Todos saem tendo a Sra. Figg a frente e o casal, de mãos dadas, logo atrás. A sorveteria era bem simples, mas bem aconchegante e arrumada. A frente era de vidro para que pudessem ver a parte de dentro, havia mesinhas do lado de fora e estavam todas ocupadas, devido ao dia realmente quente. Em uma mesa do lado esquerdo da sorveteria se encontrava a Sra. Figg, sentada do lado direito da mesa e Harry e Hermione do lado esquerdo, todos já com seu sorvete.
- Com licença, eu vou lá dentro, já volto. – Diz sorrindo e se levantando para entrar na sorveteria.
Depois de vê-la saindo de vista, Harry se vira de lado para olhar Hermione.
- Finalmente sós! – Brinca a fazendo rir levemente.
- Nem vem Don Juan. – Diz deixando a colher no sorvete e se virando para ele – Se der uma olhadinha tem umas vinte pessoas aqui, fora os pedestres. – Fala fazendo sinal para ele olhar em volta.
- E se eu disser que não ligo à mínima?! Não conheço ninguém mesmo. – Diz dando de ombros, olhando fixo nos olhos dela.
- Harry, por favor… –Tenta pedir baixinho, quase num sussurro, sem conseguir se desviar, já que também queria beijá-lo.
Mas antes de terminar de falar os lábios dele já estavam no pescoço dela, trilhando carinhosamente o caminho até seu ouvido. –Entendo que seja discreta em Hogwarts, mas aqui não é tão necessário assim. –Sussurra entre beijos, mordiscando a orelha dela, que suprime um gemido.
Porém, antes que Hermione pudesse responder, viu um homem de aproximadamente um metro e oitenta, loiro com os cabelos compridos, vestindo uma roupa aparentemente normal que, por causa do calor, levantou as mangas, deixando a mostra, a marca dos comensais no seu antebraço direito. Suprimiu uma exclamação, observava aquele desconhecido que certamente era um comensal, procurar por algo, que se mostrou ser outro homem, um possível cúmplice.
- Harry, tem um comensal aqui e acho que tem outro com ele. – Sussurra baixinho no ouvido dele.
- Tem certeza? –Pergunta ainda num sussurro, apesar de ter ficado rapidamente rígido, em alerta.
- Sim, mas continua, temos que disfarçar. Acho que estão tramando algo. – Sem esperar que ela terminasse a frase, ele recomeçou a beijar o pescoço dela. - Estão vindo para cá. Quando eu falar três, você pega minha varinha que eu vou pegar a sua.
Ela conta até três e pega a varinha dele e, como um raio se levanta e usa o expeliarmus para desarmar o loiro. Harry por sua vez também levanta e estupora o que vinha do lado, enquanto Hermione usa o protego para proteger Harry de um feitiço que vinha de trás. No total, seis comensais começam a travar uma luta contra Harry e Hermione, que após mandar todos que estavam ali se deitarem no chão, quietos, argumentando uma filmagem, ficam de costas um para o outro, procurando sentir a presença do parceiro, desviando dos feitiços e maldições imperdoáveis. A batalha fica assim por quase quinze minutos até que todos os comensais estão no chão e Hermione e Harry em pé e sem ferimentos.
- Você está bem? –Harry pergunta se aproximando.
- Sim, só muito cansada. Definitivamente, a partir de hoje, vou praticar um esporte seja lá qual for, por que se não, não aguento outra dessa. – Fala quase sem fôlego, apoiada numa mesa, invejando Harry, que apesar de cansado, aparentava estar bem. Ao final os dois riem olhando o estado um do outro e os comensais caídos, até que ouvem um baque atrás deles.
- É bom saber que estão se sentindo bem. Vejo que além de não estarem feridos… fizeram um belo estrago. –Um homem comenta se divertindo com a cena, olhando em volta.
- Quem é o senhor? –Harry pergunta olhando outros aparecerem e conjurarem algemas mágicas nos comensais.
- Sou Alexander McCoy, auror do ministério. Será que vocês podem me contar o que aconteceu?
- Claro, não se preocupe…
- Senta. –Harry fala a Hermione, levantando duas cadeiras para eles se sentarem.
- Harry, Hermione, como vocês estão? – Sra. Figg pergunta aflita, vinha correndo na direção deles.
- Bem, Sra. Figg. Não precisa se preocupar. –Harry responde tranquilizador.
- Alex, como você pôde demorar tanto! Dumbledore não vai gostar! – Repreende furiosa o auror.
- Conhece ele, Sra. Figg? –Hermione pergunta surpresa.
- Ele é da Ordem. –Responde baixinho – Eu fui correndo até em casa mandar uma carta para Dumbledore avisando do ataque, tive sorte de encontrar um conhecido que me deu uma carona de carro até lá.
- Desculpem a demora, mas as coisas estão complicadas no ministério. Por causa do Fudge, demoramos demais mesmo. Pelo menos fico feliz em ver que tudo está bem com vocês.
- Tudo bem, não se preocupe. Sei como as coisas andam, mas quanto ao que aconteceu, foi simples. Estávamos os três numa mesa logo ali, – aponta uma mesa destruída a cerca de um metro e meio – quando a senhora Figg se levantou e entrou na sorveteria, eu me virei para Harry e vi pelo reflexo do vidro da sorveteria aquele loiro ali e notei a marca no braço dele, que por causa do calor levantou a manga. Avisei ao Harry, mas disse para ele disfarçar, então notei que ele começou a falar com aquele lá e, tentando ler os lábios dele, notei que falavam de reforços e depois o loiro fez um sinal para o outro lado da rua, outros começaram a vir na nossa direção, então disse ao Harry que contaria até três e aí pegaríamos as varinhas um do outro. Quando cheguei ao três peguei a varinha dele e desarmei o loiro, enquanto Harry com a minha estuporou o segundo, eu protegi ele de um feitiço que vinha de trás de nós dois, com o protego. Trocamos as varinhas e ficamos de costas um para o outro, tentando não perder o contato e nos proteger. Também mandamos todos deitarem e disse que era uma filmagem, para evitar o pânico…
- Excelente ideia! Aliás, você tem um ótimo poder de observação, estou impressionado! Brilhante tática, os pegou realmente de surpresa e ainda ficaram praticamente com uma visão de 360°. Incrível!
- Obrigada. – Hermione agradece corada.
- Ela é incrível mesmo, a aluna mais inteligente que Hogwarts já teve! –Harry diz orgulhoso da namorada.
- Harry, por favor. – Hermione o repreende.
- Pelo visto a senhorita é muito tímida. Hermione Granger imagino, não?
- Sim senhor, desculpe-me por não ter me apresentado antes.
-Tudo bem. Mas agora continuem, como vocês venceram todos esses comensais e porque tem um morto?
- Nós percebemos que eles deviam ser novos como comensais ou estavam querendo mostrar serviço a Voldemort, - esse nome fez a Sra. Figg e McCoy estremecerem– porque não paravam de usar maldições imperdoáveis. Então disse a Mione para ela mirar nos que estavam despejando a maldição da morte, pois esses estariam mais fracos e menos ágeis. Eu já percebi, por experiência, que após o uso das maldiçoes imperdoáveis eles precisam de tempo para poder lançar outro feitiço e nós estávamos lançando apenas feitiços simples, portanto com o tempo fomos conseguindo derrubá-los por mais tempo, até que eles não se levantaram mais. E aquele que morreu foi atingido por aquele ruivo, quando a Mione se desviou de uma maldição da morte.
- Hum… muito interessante, parece que não é só a Srta. Granger que pensa rápido. Com talentos como esse, entendo porque Dumbledore está tão otimista. – Diz satisfeito e muito impressionado com o que viu.
- Obrigado. –Harry fala muito sem jeito.
- Senhor, já recolhemos todos os comensais, só falta acabar de obliviar o pessoal.
- Ótimo, tome conta de tudo que vou acompanhá-los até a casa deles. Vou e volto de chave de portal.
- Sim Senhor! Com licença.
- Bom garotos, vocês vem comigo. Figg, você fica e aguarda aqui eu tomar seu depoimento. Tudo bem?
- Claro, eu espero. – Concorda enquanto os jovens se aproximam do auror.
- Estão acostumados com chave de portal? – Pergunta tirando uma caneta, aparentemente normal, do bolso.
- Sim senhor. Já usamos algumas vezes. –Harry responde.
Então McCoy faz sinal para tocarem a caneta e eles são transportados para sala da casa dos Dursley.
- Harry, Hermione, Dumbledore pediu que ficassem aqui até ele entrar em contato. E não saiam da casa.
- Tudo bem, não vamos sair. –Harry garante.
- Ótimo! Então já vou, tentem se alimentar e descansar bem.
- Pode deixar! –Harry diz e, junto a Hermione, acenam para o auror que usa a chave de portal logo a seguir.
- Bom, não sei quanto a você, mas eu preciso de um banho! Nunca suei tanto na minha vida. – Diz com voz cansada, mostrando seu estado.
- Eu também preciso, mas se quiser pode ir primeiro. – Fala rindo do estado deles. – Vamos, enquanto você toma banho, eu preparo um lanche com direito a muito sapo de chocolate para nós dois. – Diz a última parte já subindo as escadas.
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Harry e Hermione estavam fazendo um lanche na cozinha quando a campainha toca, de modo que o moreno vai atender, voltando acompanhado por Dumbledore, cujo semblante parecia preocupado.
- Então, estão realmente bem? – Pergunta observador, retirando duas cartas de seu bolso.
-Sim, fazíamos apenas um lanche para espantar o cansaço. –Harry responde e Dumbledore sorri aprovador, vendo as figurinhas e papéis dos sapos de chocolate.
-Estas cartas são para vocês. - Diz as entregando. –Posso ficar com essa figurinha? –Pergunta ao ver a foto de Grogan Stump, um dos ex-ministros da magia.
-Claro, eu já tenho três dessas. –Harry diz pegando sua carta.
- Do ministério?! –Hermione indaga surpresa.
- Deve ser mais uma daquelas acusando a gente de usar magia ilegalmente, nos intimando para um julgamento, como o que tive ano passado. – Diz aborrecido e abrindo de má vontade o envelope.
- Quase acertou, Harry. Na verdade, antes que tais cartas pudessem ser enviadas, conversei com Fudge, que aceitou, baseado no que aconteceu hoje e ao envolvimento de vocês nessa guerra, a antecipar a maioridade de ambos, ou seja, a partir de agora, vocês dois são bruxos maiores de idade. Com todos os direitos e deveres de um. – Explica apenas ressaltando a palavra ‘deveres’.
- Então podemos usar magia fora da escola! –Harry comemora animado.
- Não, Harry. Isso quer dizer que agora somos bruxos maiores de idade e por isso temos todos os deveres e direitos de um, ou seja, podemos não só usar magia fora de Hogwarts como também podemos tirar licença para aparatar, podemos beber e até casar. Entendeu? – Esclarece atenta as implicações.
- Hum, interessante... – Fala em tom provocativo e sorrindo, olhando maliciosamente para Hermione.
- Harry, no que está pensando? – Pergunta receosa – Conheço esse olhar de quem quer aprontar e não acho uma boa ideia.
- Eu só estava pensando no que seus pais diriam se você chegasse em casa casada.
- Eles morreriam, mas… – Ela para ao perceber que isso foi uma indireta – Harry!
- Brincadeirinha, calma. – Diz rindo – Aposto que achou que ia te convidar para beber até cair! – Completa ainda rindo.
- Achei que era o que todo garoto pensava. – Justifica não resistindo e também rindo.
- Tem razão Hermione, mas fico feliz em saber que vocês têm juízo, até porque como você já percebeu as coisas não serão tão fáceis. –Dumbledore avisa-os.
- Eu ainda não entendi. –Harry diz meio confuso.
- É simples, Harry. Fudge está sendo investigado e acusado pela oposição de corrupção e provavelmente só cedeu a esse pedido de Dumbledore, primeiro porque quando os jornais saírem amanhã todos vão ficar se perguntando onde estavam os aurores que deixaram dois alunos que acabaram de sair do quinto ano, lutarem sozinhos contra seis comensais no meio de uns trinta trouxas e com o agravante de que o próprio Fudge garantiu a sua proteção. Claro que como tudo saiu bem e nós ou os trouxas ficaram feridos, com exceção de alguns arranhões, e ainda cinco comensais foram feitos prisioneiros, ele não vai se sair tão mal, principalmente quando souberem que nós já somos maiores de idade; segundo, como ele está sendo alvo de muitas denúncias e escândalos, precisa de alguém respeitado e com influência no mundo bruxo a seu favor e Dumbledore seria perfeito para isso! E fazendo as vontades dele, Fudge acha que pode conseguir seu apoio. Mas claro que tudo isso é só aparência, porque ele quer é pegar a nós dois. Pensa só, ele te apoiava cegamente, mas então depois do torneio tribruxo, você passou a ser o rebelde sem causa e problemático, que queria aparecer dizendo que Voldemort havia voltado, fato que abalaria o governo dele profundamente e instalaria pânico na população, então ele se virou contra você, mas teve que se retratar porque depois da invasão ao ministério não havia como negar a volta de Voldemort. Então se ele conseguisse provar que você e seus amigos, eu, somos irresponsáveis e que ao recebermos tal “privilégio” saímos por aí aprontando, Fudge poderia dizer que duvidou de nós com razão, apoiado na nossa falta de responsabilidade. Entendeu?
- Hum… então ele nos tornou maior para que saíssemos por aí bebendo e aprontando, para nos exibir e mesmo não cometendo nenhum crime ou falta, isso cairia em cima de nós como uma amostra de que não somos de confiança... – pondera e, após uma pequena pausa, continua. – Então ele está dando corda para nos enforcarmos, não é?
- Isso mesmo! Ele está doido para que a gente saia por aí fazendo magia, principalmente na frente de trouxas.
- Exatamente! É muito bom saber que vocês já entenderam tudo e não vão sair por aí fazendo loucuras. –Dumbledore diz mais tranquilo.
- Claro que não. Mas mudando de assunto, o que o senhor decidiu sobre o treinamento especial que pedi?
- Hermione, aquele cronograma é um tanto quanto extenso, não? – Pergunto como se procurando as melhores palavras.
- O senhor sabe que não. – Retruca olhando nos olhos dele, que apenas sorri calmo.
- E como soube dessa habilidade que possuo?
- Uma pequena pesquisa sobre seus professores e ficou claro que seu tutor no curso de aurores te ensinou a técnica de distorção temporal. – Hermione fala como se fosse algo muito simples.
- Que técnica é essa Mione? –Harry pergunta confuso, olhava os dois sem entender nada.
- É uma técnica que permite os bruxos alterarem o tempo-espaço, ou seja, eu pensei que dois meses de férias não daria para nenhum treino decente e na escola não íamos ter tanto tempo para nos dedicarmos em aulas extras, então me veio à ideia de alongar o tempo… Não faz essa cara que eu vou explicar. Dumbledore pode lançar um feitiço em um lugar, como uma casa, por exemplo, e fazer com que esses dois meses se passem como se fossem um ano para nós dois. Fora da casa o tempo passaria normal, mas dentro da casa se passaria um ano, nós não poderíamos sair dela ou ter contato com o mundo exterior, mas poderíamos treinar o equivalente há um ano em apenas dois meses, entende?
- Sim e é uma excelente ideia, Mione! – Exclama animado, antevendo as oportunidades.
- Não é tão fácil assim, Harry. Na verdade seria um treino muito duro que mesmo alguns aurores formados não suportariam, vocês teriam que trabalhar bastante e em pouco tempo, o que exigiria muito do corpo e da mente de vocês. –Dumbledore avisa, preocupado com o objetivo deles.
- Nós sabemos, professor, e prometemos que iremos nos esforçar ao máximo nesse treinamento e que ficaremos muito mais fortes e preparados para enfrentar Voldemort e os comensais da morte! –Harry fala animado, enquanto Hermione sorri demonstrando que pensava igual.
- Vocês não precisam se esforçar tanto agora, afinal teremos muito tempo para que todos possam se preparar.
- Nós sabemos que o combate final ainda deve estar longe, mas não podemos relaxar. Depois do que aconteceu no Departamento de Mistérios eu prometi para mim mesma que não iria ficar no meio do caminho de novo. – Ela, que olhava para Dumbledore, abaixa os olhos para as suas mãos aflitas em cima da mesa - Eu sei que atrapalhei Harry e Neville, e ainda deixei Harry sozinho. E não quero que se repita, quero estar ao lado dele até o fim, para ter certeza que nada vai acontecer, pois não me perdoaria se algo acontecesse e eu não pudesse fazer nada para ajudá-lo. – Deixa uma lágrima solitária rolar e Harry a apara, gentilmente.
- Nada vai acontecer, sei que você não deixaria, e eu vou me esforçar bastante nos treinos para garantir que você e Rony possam estar comigo no fim, para podermos comemorar muito!– Fala tentando animá-la e fazendo-a olhar seus olhos, vendo um sorriso aparecer nos lábios dela.
- Acho que você é um bobo. – Retruca rindo e empurrando ele de brincadeira.
- Vejo que vocês já se decidiram, não é?
- Sim! – falam em uníssono
- Então me deem uma semana, tenho que arranjar um lugar, um mestre...
- Se me permite, professor Dumbledore, eu conversei com meus pais e eles cederam uma cabana que usavamos para passar as férias. O lugar é isolado, tem vários sítios por perto, mas é raro ter alguém por lá. A cabana fica num sítio, tem bastante espaço e os vizinhos, quando estão, preferem ficar com os amigos e não incomodam. Poderia fazer a mudança que quisesse e ninguém ia notar. Só precisamos de tempo para arrumar, porque da última vez que fomos lá, eu tinha oito anos! Aquilo deve estar uma bagunça, mas com magia podemos arrumar tudo em umas quatro horas.
-Vejo que pensou em tudo, não? – Dumbledore fala sorrindo.
- Na verdade o mestre fica por sua conta, acho que o senhor deve saber quem é ou quem são os mais indicados, mas se quiser ver o lugar eu te dou o endereço.
- Claro, por favor. – Pede ainda sorrindo admirado.
- Então vou lá em cima buscar na minha agenda, já volto! – Diz indo para o quarto.
- Ela é mesmo incrível, não sei como em tão pouco tempo pôde pensar em tudo isso! – Harry fala admirado.
- Acho que ela não queria me dar escolha! – Dumbledore responde rindo.
Os dois riem um pouco, até que o professor olha um pouco preocupado para Harry.
- Harry, como você esta se sentindo sobre tudo o que aconteceu?
- Bem professor. Eu contei tudo para Hermione, que me fez ver e pensar sobre coisas que eu não tinha percebido antes. Eu ainda estou um pouco triste, mas me sinto leve e acho que em breve Sirius vai ser só uma lembrança boa na minha vida, entende?
- Claro! Vejo que Hermione te fez muito bem… ela parece saber te acalmar, não? – Pergunta tentando uma indireta, para ver se ele se traía.
- Hã… é… ela me conhece melhor que qualquer um, incluindo eu mesmo. – Responde um pouco envergonhado.
- Oi. Demorei? – Hermione chega e atrapalha a tentativa de Dumbledore.
- Não, claro que não Mione. –Harry fala aliviado.
- Então, aqui está o endereço, pode ir quando quiser.
- Certo, vou agora mesmo e dependendo do que eu avaliar dou a resposta do treino amanhã. Por isso peço que fique aqui até amanhã às dezessete horas. Tudo bem, Hermione?
- Claro professor, sem problemas. –Harry responde apressadamente.
- Então até amanhã! – Fala se levantando e se despedindo.
- Até amanhã! – Respondem dando tchau, quando Dumbledore aparata.
- Acho que você tem que me explicar tudo isso melhor. –Harry pede se sentando.
- Ok, mas só depois de lermos, atentamente, a carta do ministério. – Fala pegando a carta para ler.
- Isso é perda de tempo, já sabemos o que tem aí. – Reclama sem a mínima curiosidade.
- Só beijo você de novo depois que você ler sua carta. – Diz calmamente, se poupando do trabalho de argumentar.
- Ei! Isso é chantagem! – Protesta revoltado.
- Mas é a minha última palavra, querido. – fala docemente, mas sem tirar os olhos da carta.
Mesmo contra a vontade, ele se rende e pega a carta para ler sem dizer mais nada. Ela o observa discretamente sem que ele possa ver. E ao vê-lo pegando a carta e começando a ler sorri, e continua a leitura, enquanto ele lê e resmunga baixinho para ela não entender.