Capítulo 4 - O tão esperado beijo
“Você tem duas opções: mostre seus sentimentos ou morra sufocado.”
- Posso acompanhar você? – ofereceu-se McLaggen assim que Hermione desceu a escada.
- Ér... Córmaco eu... Quer dizer... – ela tentava arrumar uma desculpa para que ele a deixasse em paz.
- Ela está comigo – disse alguém atrás de Hermione, segurando seu ombro com suavidade.
- Está com ele, Hermione? – McLaggen parecia confuso e ao mesmo tempo, desapontado. Hermione tinha uma ideia de quem estava atrás de si, e torcia para que estivesse errada. Como não tinha escolha, balançou a cabeça de cima pra baixo repetidas vezes – Ótimo então. Nós nos falamos depois.
- Tchau, Córmaco – despediu-se e se virou para trás, os olhos faiscando de raiva – O que pensa que está fazendo?
- Salvando sua noite, Granger – respondeu friamente – Podia ao menos me agradecer, sabe?
- Obrigada – murmurou – Agora me dê licença que eu tenho que ir logo falar com a Profª McGonagall.
- O que você quer com ela? Um dia desses Snape me mandou ir até lá e... – começou, mas não terminou a frase. Ela ergueu as sobrancelhas, colocou as mãos na cintura e esboçou um sorriso – O que está aprontando?
- Você vai saber no final da noite. Com licença – e enfiou-se no meio dos alunos, sumindo de vista.
As Esquisitonas cantavam e dançavam fervorosamente e cada minuto que passava Hermione ficava mais nervosa. Já havia dançado e conversado bastante com os garotos, inclusive recebido vários elogios, mas em toda a festa não havia visto a única pessoa que a interessava: Harry Potter. Quando faltava apenas uma música para o show d'As Esquisitonas acabarem, Gina arrastou Hermione para um camarim improvisado atrás do palco e jogou algo sobre ela.
- O que é isso? – a castanha olhava do vestido para Gina, de Gina para o vestido – Para que isso?
-Está quase na hora, Mione, vista. É melhor este aqui, é mais simples.
Hermione preferiu não discutir. O vestido era realmente simples, porém muito bonito. Era curto – um palmo acima do joelho dela – e preto, com detalhes dourados. Tinha algumas camadas de rendas na parte dos ombros e na bainha. Um cinto fino e preto, juntamente com um salto terminava o look. Gina soltou os cabelos da garota e desejou-lhe boa sorte.
(N/A: O look: http://www.google.com.br/imgres?q=Emma+Watson+vestido+preto+premiere&um=1&hl=pt-BR&client=firefox-a&rls=org.mozilla:pt-BR:official&tbm=isch&tbnid=vQMOM9FYUIcz7M:&imgrefurl=http://www.solevento.com.br/blog/categoria/premiere/&docid=lUDX99KjZmn3fM&w=817&h=1222&ei=njArTp_PI4Pa0QH5pOHICg&zoom=1&iact=hc&vpx=497&vpy=201&dur=38&hovh=275&hovw=183&tx=110&ty=130&page=1&tbnh=139&tbnw=93&start=0&ndsp=14&ved=1t:429,r:11,s:0&biw=1024&bih=607 )
- Boa Noite, queridos alunos – começou o diretor da escola, Alvo Dumbledore – Todos sabem que começam tempos difíceis para o mundo da magia, e nada mais justo do que proporcionar à vocês um pouco de diversão. Vocês deliciaram-se com as nossas queridas e talentosas Esquisitonas, e agora para finalizar, uma aluna irá nos dar a honra de prestigiar tamanho talento. Palmas para Hermione Granger! – e uma explosão de palmas e assovios encheu os ouvidos da garota. Trêmula, ela entrou no palco e sentou-se diante do piano.
- Bom, essa música é para alguém que eu amo muito – ela correu os olhos pela platéia e seu coração disparou quando ela o viu, mirando com aqueles olhos verdes e sorrindo – Espero que gostem – ela limpou a garganta e começou:
Parece que foi ontem
Você era parte de mim
Eu era tão imponente
Eu era tão forte
Seus braços me segurando firme
Tudo parecia tão certo
Inquebrável, como se nada pudesse dar errado
Agora não consigo respirar
Não, eu não consigo dormir
Eu mal posso seguir em frente
Eu sei que nós dois éramos bons amigos
Você conhecia meus medos escondidos
Eu guardava segredos proibidos
Estávamos ligados, comprometidos
Algumas vezes menti
Para te proteger
Eu confrontaria todo o inferno para segurar sua mão
Eu fazia você sorrir
Na hora exata de chorar
Você me ensinou a pedir
Quando eu insistia em mandar
Eu fazia você sorrir
Na hora exata de chorar
Você me ensinou a pedir
Quando eu insistia em mandar
Você me fez fugir
Quando o melhor era mesmo correr
Só para me proteger
Quando tudo ainda estava inteiro
No instante em que desmoronou
Palavras duras em voz de veludo
E tudo muda, adeus velho mundo.
Há um segundo tudo estava em paz
Não me olhe assim...
Com esses olhos de adeus
Não chegamos ao fim...
Espere um pouco
Não, não fale mais...
De como você me quer bem
Eu te quero demais, mas se você partir
Me deixa ao menos um sinal
Pra eu saber aonde ir.
Anjo da guarda
Eu velejarei o oceano
Com você ao meu lado
Nuvens alaranjadas passam por nós
Elas queimam sua imagem
Mas você ainda está vivo
Ela terminou de cantar, e mais uma vez uma chuva de aplausos e assovios empestearam o lugar. Lentamente, tirou os dedos de cima do teclado e se levantou, sem ao menos olhar para trás. Para ela, era doloroso demais se lembrar dessas palavras. Achou que não doeria se cantasse, mas estava errada. Ainda machucava pensar em perdê-lo. Sempre machucaria. Os olhos delam ainda se enchiam de lágrimas ao saber que ele poderia não voltar. Passou a costa da mão nas bochechas quando escutou passos aproximando-se.
- Parabéns, Mione! – disseram as gêmeas Patil ao mesmo tempo.
- Você estava incrível, como sempre – comentou Rony com aquele sorriso de orgulho.
- Ele tem razão, Mione, eu disse que você ia arrasar – afirmou Gina, apertando a amiga em um abraço caloroso.
- Obrigada, gente – disse timidamente quando viu Harry se aproximar.
- Bom, vamos indo então... – disse Rony quando entendeu que estavam sobrando. Os outros pareceram não entender no começo, mas logo se tocaram e saíram.
- Pensei que não viria – comentou Hermione, quando ficaram a sós.
- O que te fez pensar isso? – perguntou calmamente. Ela mordeu o lábio e mirou os joelhos, como se estes fossem a coisa mais interessante do momento.
- Nada – a voz saiu baixa, quase em um sussurro – Mesmo assim, obrigada por vir.
-Não há de quê, Mione – Harry segurou o queixo da garota, obrigando-a a olhar para ele. Lentamente as bocas foram se aproximando, e enfim tocaram-se.
Hermione estremeceu de felicidade e Harry segurou sua cintura, puxando-a para mais perto. Ela pousou uma das mãos na nuca do garoto, e entreabriu a boca, iniciando uma dança de línguas. Seu peito parecia querer explodir de tanta alegria e ela só queria fica ali com ele, o resto da noite. Da noite não, da vida.
Afastaram-se um do outro forçados, em busca de ar. Encaram-se em silêncio e riram. Um riso cúmplice, feliz. Uma felicidade clandestina.
-*-
- Vai me contar tudinho! – Gina jogou-se na cama de Hermione assim que ela acordou – Vocês estão namorando? Você está apaixonada? Foi bom o beijo?
- Como sabe que eu e ele... Ah, esquece.
- Vamos Mione, me conte... Estão namorando? – a ruiva dava pulos de excitação.
- Claro que não estamos namorando, Gina! E sim, eu estou apaixonada por ele. Na verdade, desde pequena eu sempre o preferi ao Rony, mas ainda não entendia o porquê. Não sei de onde as pessoas tiram que eu e o Rony somos apaixonados. Besteira, em minha opinião. O que você acha?
- Não nego que também achava e...
- Não, Gina! O que você acha sobre... – ela hesitou. – Sobre eu e Harry...
- Ah – exclamou a Weasley – Não sei, Mione. Sempre percebi que você sempre tinha um carinho muito grande por ele, e vice e versa, mas imaginei que era só de amigos.
- Sabe que ele gosta de você, não sabe? – perguntou, os lábios crispados – Desde o começo do ano, Gina, ele gosta de você desde o começo do ano letivo.
- Então é a sua chance de conquistá-lo – a ruiva parecia surpresa, mas disse calmamente. Hermione olhou-a descrente e a ruiva revirou os olhos. – Pare de se boicotar, Hermione. Pare de achar que é pior que as outras garotas. Você é linda, só você não vê. Agora se levante desta cama, vista seu uniforme ou vai se atrasar para a aula.
- Tá legal – ela tirou o lençol de cima do corpo e bocejou – Que horas são?
- Já são sete e meia – informou Lilá Brown que acabará de entrar no quarto, já arrumada – E já estão todos no Salão Principal tomando café da manhã.
- O QUE? – berrou Hermione, agora correndo para o banheiro – POR QUE NÃO ME ACORDARAM ANTES? E POR QUE AINDA ESTÁ DE CAMISOLA, GINA?
- Por que não tenho a primeira aula Mione – respondeu Gina tranquilamente enquanto jogava-se na cama – Agora pare de histeria e cuide aí com esse banho.
Ela praticamente entrou e saiu debaixo do chuveiro instantaneamente. Saiu aos tropeços do banheiro e se arrumou, sem nem ao menos se lembrar de por a capa e a gravata. Passou o seu perfume, calçou a sapatilha – ''Mione, escute Ginevra Weasley. O que conversamos sobre melhorar?'' – e saiu em direção ao Salão Principal.
Assim que as aulas acabaram, Hermione correu para procurar Gina. Lembrou-se que não havia contado sobre Malfoy tê-la beijado. O dia não estava frio, mas a brisa gelada do fim de tarde não deixou de arrepiar os pêlos da garota quando ela atravessou os jardins correndo, tentando chegar o mais rápido possível no campo de quadribol, sem nem notar a presença de mais alguém ali.
Malfoy estava sentado à beira do lago quando viu alguém correndo pelos jardins. Forçou a vista e viu cabelos muito rebeldes sendo jogados contra o rosto de alguma garota que corria em direção ao campo de quadribol.
Só pode ser ela. Só pode ser Hermione.
Pensou em azará-la, mas não teve coragem. Ela não tinha culpa de gostar do Potter. Também não tinha culpa de ser amada por um Malfoy sem escrúpulos como ele.
Maldita sangue-ruim desgraçada! Por que tinha que ter esse sorriso? Esse cabelo? Esse corpo? E o principal... Esse cheiro? Inferno sangrento!
A vida a muito não era justa com Draco Malfoy. Definitivamente Merlin não estava de bom humor quando o bruxo nasceu. Foi criado na base de ameaça e tortura. Muitas vezes, era o mesmo que estar no lugar de Dobby, o elfo doméstico da família. A mãe era tratada semelhante a um verme. Lúcio venderia a mulher se isso lhe trouxesse mais poder, ou se isso agradasse o Lord das Trevas. Ele levou as mãos até a cabeça, tentando evitar aquelas lembranças, mas já era tarde.
ComeçoDoFlashBack
- Filho, vá logo para seu quarto. Já está tarde – uma mulher de olhos azuis, cabelos pretos, esguia e muito bonita tentava arrastar o pequeno Draco para dentro do quarto.
- Ah não, Tia Susy, estou jogando aquele negócio que sua filha me ensinou – informou fazendo bico – E papai já está chegando. Eu quero falar com...
- Não, Draco. Seu pai vai chegar muito cansado. Estressado. O chefe dele é muito exigente. Vamos logo Draco, colabore... – ela insistia em arrastá-lo para o andar de cima.
- E mamãe? Vai vir com ele? – perguntou alegremente – Estou com saudades dela, Tia Susy.
- Oh querido, eu sei. Narcisa vai vir com ele sim. Mas vai querer descansar e...
- Sempre isso! – gritou já irritado – Sempre eles têm de descansar!
- Não fique nervoso, Draco, venha... – a mulher já estava desesperada, tentando de todas às formas convencê-lo a subir.
Nesse exato momento um baque surdo ecoou pela casa. Era Lúcio Malfoy, juntamente com a esposa, Narcisa. Ele segurava com brutalidade o braço da mulher e não pareceu satisfeito ao ver o filho acordado. Largou a mulher no chão e avançou para a criança.
- POR QUE AINDA ESTÁ ACORDADO? – berrava exaltado, salpicando cuspe no rosto do menino – EU NÃO DISSE A VOCÊ QUE QUERIA O MENINO DORMINDO QUANDO EU CHEGASSE SUSANA? – agora ele se dirigia a bela mulher ao lado do menino.
- Eu... Sr. Malfoy eu já estava... – ela segurou o braço magro do garoto e recuava rumo à escada.
- NÃO ME VENHA COM DESCULPAS ESFARRAPADAS SUSANA! ESTOU LHE PAGANDO PARA CUIDAR DESTE IMPRESTÁVEL! – o homem estava fora de si, gritando e andando pela sala como um louco.
- Não fale assim, Lúcio! – pediu Narcisa e a resposta foi um tapa na cara.
- Não bata nela, papai! – Draco soltou-se de Susy e ajoelhou-se diante da mãe, colocando delicadamente a mão onde o pai havia batido – Calma mamãe, não vou mais deixar ele fazer isso com você.
- Ah – exclamou ironicamente Lúcio – O pirralho imprestável vai proteger a vagabunda da mãe?
- Não escute ele mamãe... – ele tapava os ouvidos da mulher, que chorava compulsivamente – Você é a mulher mais linda do mundo. Não escute o que ele lhe diz...
- CALADO! SE LEVANTE E OLHE PARA MIM DRACO! – bradou o homem, apanhando a varinha das vestes.
- Sr. Malfoy... Por favor, não faça isso... – implorava Susy enquanto chorava silenciosamente – Não torture o garoto... A culpa é minha...
- NINGUÉM PEDIU SUA OPNIÃO, SUJEITINHA DE SANGUE RUIM! – rodou os calcanhares e mirou a varinha na pequena criança que o encarava com ódio – CRUCCIO!
FimDoFlashBack
O menino Malfoy sacudiu a cabeça, determinado em não mais pensar naquilo. Olhou novamente para o jardim e Hermione já não estava mais lá. Lembrou-se do quase beijo que dera nela, perto da Casa dos Gritos e isso automaticamente o fez lembrar-se da noite anterior, onde ela viu sua garota beijando o Potter, atrás do camarim improvisado. Sentiu tanto nojo e dor que achou que suas pernas não suportariam sustentar o corpo. Não deixou que nenhum dos dois o visse. Simplesmente se escondeu e chorou por ter uma vida tão desgraçada, para no dia seguinte, colocar seu sorriso maldoso no rosto e fingir ser a pessoa mais feliz do mundo. Como sempre fazia desde o primeiro ano naquela escola.
Olhou para o céu e em seguida para o rolo de pergaminho que estava apoiado sobre o colo. Queria escrever para a mãe, mas sabia que não podia. Se meteria em encrenca na certa, e a levaria junto. Suspirou alto e deitou-se na grama, as mãos atrás da cabeça e as pernas cruzadas. A brisa fria batia em seus finos fios de cabelo loiro, fazendo-os ficarem bagunçados e cair sobre o rosto. Pouquíssimas estrelas enfeitavam o céu, e nuvens pesadas e escuras começavam a se formar.
É, pensou, aí vem uma tempestade daquelas...
Assim que girou o corpo para ir embora, sentiu grossos pingos de chuva cair com tanta velocidade que em cinco segundos ele já estava todo molhado. Estava escuro e ele achou melhor entrar antes que alguém o visse ali fora. Não havia visto Blaise desde a festa, e não estava a fim de procurá-lo. Também não queria dormir. Mudou o percurso, andando em passos largos até a Torre da Astronomia, em busca de paz e solidão. Porém, alguém também havia tido a mesma ideia.
Hermione estava encolhida e escorada em uma das paredes, os cabelos sobre o rosto e descalça. A garota chorava desesperada e resmungava coisas inaudíveis. Parecia não ter percebido a presença de Draco ali, e o garoto não sabia se ia embora antes que isso ocorresse ou se tentava consolá-la. Antes que pudesse ao menos raciocinar, já estava caminhando na direção em que ela estava.
- Hermi... Granger? – chamou-a com máxima cautela. Ela se assustou e com agilidade enxugou as lágrimas. Fungou e se levantou, pronta para ir embora, mas ele não deixou, ficando no meio do caminho – O que foi que aconteceu com você?
- E o que é que te leva a pensar que eu vou te contar isso? – quis saber, com uma voz totalmente perplexa e chorosa.
- O fato de você está sozinha e chorando, sem nenhum dos seus amigos aqui. E molhada, ainda por cima.
A blusa branca estava ensopada e transparente, deixando a mostrar o sutiã vermelho da garota. Ela percebeu que ele olhava para lá e cruzou os braços, envergonhada. Observou que mesmo assim ele ainda continuava a encará-la, então seguiu o seu olhar. Ele não estava se aproveitando da situação como ela estava pensando. Estava apenas encarando o pingente que ela usava.
- É uma lontra – adiantou-se quando ele abriu a boca para perguntar – O meu Patrono. Foi... O Harry que... Deu-me de presente no Natal.
Ele enfiou uma das mãos no bolso, curioso. Aproximou-se devagar e com a outra mão segurou o pequeno pingente.
- Bonito, Granger. Não sabia que você havia aprendido a conjurar um Patrono.
- Ah, é que no ano passado nós tínhamos que nos defender e... Enfim, eu sei sim. Harry ensinou a todos da Armada de Dumbledore.
- Ah – exclamou sem entusiasmo – Aquela baboseira inútil.
- Não foi inútil – rebateu, e Draco ficou feliz por estarem conversando civilizadamente – No Ministério da Magia conseguimos nos defender dos Comensa... – os olhos do loiro se estreitaram e ela viu um leve tremor o sacudir, então achou melhor não tocar neste assunto. Não agora – Bem, foi útil de qualquer forma.
- Sei... – disse soltando o pingente e observando a paisagem por sobre o ombro dela... – Ainda não me disse por que estava chorando.
- Vai sonhando, Malfoy – ela sorriu, quase matando o menino do coração – Não vou te contar nunca. Nem que me mate.
- Tem certeza mesmo? – perguntou aproximando-se perigosamente dela e a assustou – Posso te matar agora mesmo... De cócegas!
- Malfoy, não... Você não ousaria... – mas ele já esteja com as mãos na barriga dela, matando-a do seu jeito – DRACO MALFOY, SAI! – berrou em meio à risada. Ela andava para trás, na tentativa de fugir, e ele a seguia, até que Hermione chocou contra a parede. Os dois se encararam intensamente e Draco sorriu, vitorioso.
- E agora, Granger? Ou me conta ou eu...
- Tá bom, eu conto – suspirou, derrotada. – Estava correndo por que estava indo atrás do Harry, do Ronald e da Gina no campo, mas quando cheguei lá me deparei com o time da Sonserina. Com os idiotas do Crabbe e Goyle. E eles tentaram... – ela engasgou-se e não concluiu a frase, mas ele já imaginava.
- Tentaram...? – os olhos dele estavam escuros de ódio. Tinha nos olhos o mesmo brilho assassino que ficava quando seu pai batia em Narcisa – O que eles tentaram fazer a você, Hermione?
- Não me faça falar, Malfoy... – ela suplicava com os olhos – Ponha sua mente brilhante para trabalhar e descubra sozinho.
- Vou matar aqueles dois filhos da mãe! – rosnava um Draco furioso, cego pelo ódio – Vou matá-los, Hermione!
- Malfoy, pare com isso! – ela segurava o garoto, tentando acalmá-lo – Não suje suas mãos por uma sujeitinha de sangue-ruim – ela sorriu tristemente e antes de sair murmurou: – Boa noite Malfoy.
- Boa noite, Hermione – murmurou de volta, mas ela não chegou a ouvir, pois já tinha ido embora.
Draco chutou com força a parede, dominado pela raiva. Se ela não tivesse conseguido correr, até onde os ex-amigos chegariam?
''Não suje suas mãos por uma sujeitinha de sangue ruim''
As palavras ecoavam na cabeça dele. Escorou-se na parede, exausto daquilo. Doía ouvir as palavras que ele usou por tanto tempo para ofendê-la, saindo da boca da própria. Sentiu como se tivesse levado uma bofetada.
-Algumas vezes menti para te proteger – cantarolou o verso da música que Hermione cantou na noite anterior, mesmo que a música fosse direcionada e dedicada à outra pessoa – Eu confrontaria todo o inferno para segurar sua mão.
(N/A: às vezes, comentários ajudam ;D beijos, até mais)