Prólogo
Harry ainda não acreditara no que ouvira, no primeiro momento não entendera como Hermione pudera rejeitar convites excelentes para vários cursos de especialização, os melhores da Europa, mas agora ele sabia, lembrara de Rony falando que não deixaria Hermione seguir uma carreira perigosa como a de auror ou qualquer outra que tomasse muito tempo dela... Estava com vontade de esmurrar o amigo e era isso que faria assim que o encontrasse.
Harry andava a passos apressados pelos corredores desertos, sabia onde Rony iria fazer sua ronda e assim que o achasse exigiria satisfações, no entanto, ao virar em um corredor, Harry ficou em choque. Ronald Weasley estava aos amassos com uma loira da Corvinal, uma que mais cedo fora pedir seu autógrafo, afinal, agora Rony era um jogador profissional de Quadribol. Caminhou até o ruivo e o puxou com força, fazendo-o bater contra a parede oposta do corredor.
-Dá o fora! –Harry fala para a garota sem tirar os olhos de Rony, voltando a falar somente depois que a garota já parecia longe. –O que deu em você? Me disse que nunca mais ia trair a Hermione, você me prometeu! –Harry fala ainda sem acreditar no que vira, havia se recostado na parede em frente a Rony, umas das mãos estava em seu cabelo.
-E você acreditou? Ora Harry, eu sou homem e tenho minhas necessidades, você deve saber disso! Desde que fui convidado a jogar e assinei o contrato, as garotas não param de dar em cima de mim, loucas para experimentar o grande goleiro! –Rony fala se recompondo e não mostrando arrependimento.
-Se o problema são suas necessidades, porque não as sacia com sua namorada? Não há motivos para se esfregar por aí com todas elas se você tem uma namorada que te ama. -Harry argumenta como se fosse lógico.
-Você ficou louco? Hermione é a mulher com quem quero me casar, é uma garota séria, para esse tipo de necessidades a gente usa as outras. Se você houvesse sido criado por bruxos entenderia melhor...
-Calma aí, deixa eu ver se entendi. –Harry fala devagar, achando que tinha ouvido errado. –Então você passeia de mãos dadas com Hermione, a obriga a assistir seus treinos no time da escola e ir aos seus jogos, banca o namorado ciumento e nas horas em que ela não está por perto ou ocupada com os estudos você se encontra com essas suas “fãs” para dar amassos e fazer algumas coisinhas a mais, é isso?
-Sei que parece desonesto, mas faço isso para o bem dela, para proteger a honra dela! –Rony fala no mesmo tom sério que mostrava o quanto acreditava naquilo.
-Não parece desonesto, é desonesto! Você não pode enganá-la! Eu não a deixaria fazer isso com você e não vou deixar você fazer com ela, então ou você conta ou conto eu! –Harry fala de modo sério, o tom baixo e frio.
-Eu não vou contar nada e você também não vai. –Rony responde de modo áspero, colocando-se ereto como se tentasse intimidar Harry com seu tamanho.
-E como você pretende me impedir? –Harry retruca irônico, mostrando que não tinha o menor medo de Rony.
-Eu não vou te impedir, apenas serei forçado a abrir os olhos da <b> minha </b> namorada, para as intrigas que um amigo apaixonado pode provocar, em uma tentativa um tanto patética de nos separar e tentar se aproveitar dela enquanto a consola. –Harry sentiu vontade de avançar no ruivo, mas não valeria apena. O sorriso vitorioso do <i> amigo </i> era justificável, já que ultimamente Hermione acreditava em tudo que ele dizia.
Empurrou o ruivo contra a parede e saiu em dispara pelos corredores. Deu-se conta de que estava no andar do banheiro dos monitores e seguiu para lá, precisava mergulhar e nadar para esfriar a cabeça, antes que explodisse. Entrou e bateu a porta, já atirando os sapatos longe e indo abrir as torneiras para encher a banheira, estava abrindo os botões da camisa quando alguém entrou.
-Harry, o que houve? –Hermione pergunta com o semblante preocupado e Harry sente que vai explodir.
-De onde você veio... não importa! Vá embora, eu não quero conversar com ninguém. –fala primeiro surpreso, mas depois assume um tom rude, sem se importar em estar descontando a raiva na pessoa errada.
-O que houve? Aconteceu algum problema? –Hermione pergunta sem se importar com o tom do amigo, já estava acostumada as explosões dele.
-Eu não quero falar com você, aliás, porque você não vai encher o seu namoradinho? –Harry esbraveja irritado e inconscientemente dando um passo a frente.
-Você brigou com o Rony? –pergunta já imaginando a resposta, ultimamente as brigas deles eram bem freqüentes.
-Você vai sair ou vai querer que ponha você para fora? –pergunta realmente furioso, sua face já ganhando tons de vermelho.
-Mas o que houve afinal para você ficar assim? Porque vocês brigaram? –pergunta já ganhando um ar mais tenso, apesar de Harry ter um temperamento explosivo, não costumava ficar tão agressivo daquele jeito.
-Porque ele está te matando! Eu não agüento ver você se anulando se tornando algo que você não é... –ele fala irritado enquanto se aproximava.
-Eu não sei do que está falando, eu estou muito bem Harry. –o interrompe sem gostar do rumo da conversa.
-Bem? – o tom agora era sarcástico, mas a postura ainda ficou mais agressiva e Hermione se viu recuando. –Você se imagina daqui a vinte anos lavando, passando, cozinhando, limpando e cuidando de um bando de ruivinhos bagunceiros enquanto o seu marido sai para trabalhar? –Harry pergunta fixando os orbes verdes nos assustados olhos castanhos.
-Você está exagerando... –Hermione tentou manter o tom calmo, mas se calou quando Harry esmurrou a parede aos lados de sua cabeça. Ela estava colada a parede e ele a menos de um passo de si.
-Eu estava lá quando ele começou a dizer o quanto a carreira de auror era perigosa ou como ser inominável lhe roubava muito tempo e todas as outras besteiras! Não vê que ele quer te ter sob as vistas dele? Que ele quer te controlar e aos poucos te transformar em uma Sra. Weasley? –Harry fala olhando-a tão profundamente nos olhos, que seus joelhos tremiam, nunca o vira tão furioso. –Nada contra ela, mas você é muito mais que uma dona de casa! Você é inteligente o suficiente para mudar muitas coisas, fazer tudo o que quiser, pode até ser ministra da magia! –Harry tenta despertá-la, mas a última afirmação a fez rir, sem que ela pudesse se segurar.
Harry a fitou perplexo, ele estava falando sobre algo sério e ela ria? Pensou em sacudi-la, mas ao ver seu rosto e seu sorriso, sentiu o peito se aquecer, há tempos não a via sorrir daquele jeito. Sem que percebesse quando ou porque, se pegou fitando os lábios róseos que ela tanto apreciava morder, e aquela imagem de repente lhe despertou algo incomum, uma curiosidade de saber a sensação que teria se fizesse o mesmo. Segundos depois Harry mordia o lábio da morena com força, ao que está rapidamente o empurra assustada e surpresa.
-Ficou louco? Você me machucou... –Hermione falou e tentou tocar o lábio que estava cortado e sangrava, mas antes que pudesse terminar de falar, sentiu os lábios do moreno envolverem o seu, enquanto um dos braços dele envolvia sua cintura e a empurrava contra a parede.
Antes que sua mente pudesse processar o que estava acontecendo, os lábios dele beijavam e sugavam os seus, primeiro sobre o corte e depois nas laterais e no lábio superior. Sentiu os dentes lhe mordiscarem de modo provocante e então a língua quente e ágil adentrar sua boca, não conseguiu suprimir o suspiro e nem impedir o seu corpo de retribui o beijo quente e explorador. Já não conseguia respirar, quando ele se afastou o suficiente para tentar trilhar um caminho até seu pescoço, mas ela não deixaria, empurrou-o com toda a força que tinha.
-Pára com isso, eu sou namorada do seu melhor amigo... –Hermione tentou acordá-lo, mas a frase só o fez ficar ainda mais determinado.
Harry puxou-a e tentou beijá-la novamente, mas desta vez Hermione o empurrou e, ao dar um passo a frente, o fez tropeçar e cair dentro da banheira, já quase cheia. Harry emergiu tossindo e sem os óculos.
-Você está bem? Se machucou? –Hermione pergunta preocupada e se aproximando para tirar o amigo da banheira, mas este a puxa para dentro a fazendo também engasgar-se e aproveita para encurralá-la na borda. –Harry... – a voz soa preocupada, mas a frase é interrompida pelos lábios que tomam os seus com voracidade.
Harry, após alguns segundos, a sentiu corresponder e sem pensar terminou de abrir sua camisa com um puxão. Pegou as mãos dela e as colocou em seu peito, suas mãos dirigindo-se a gravata dela, tentando tirá-la rapidamente. Sua mente não conseguia conectar seus pensamentos, então resolveu ignorá-los, deixar seu corpo comandar seus atos e depois pensaria no que fazer, no momento só queria sentir aquelas sensações indescritíveis que os lábios e o corpo de Hermione estavam lhe proporcionando.
Na manhã seguinte, Harry acordou sentindo-se cansado e dolorido, então deu-se conta de que havia dormido no chão duro do banheiro dos monitores. Percebeu que estava com suas calças e sua camisa e os sapatos foram organizados como um travesseiro sob sua cabeça. Ao olhar para o lado viu que estava só como supunha e resolveu vestir-se o mais rápido que podia, precisava encontrar Hermione e conversar com ela. Não sabia bem o que iria dizer, mas sabia que queria tê-la todas as noites em seus braços, a lembrança do beijo dela ainda lhe deixava zonzo e não abriria mão de nada daquilo. Quanto a Rony, ele estava completamente enganado quanto a Hermione, ela era uma mulher para casar sim, mas também era uma excelente amante e neste momento não pôde deixar de sorrir e ficar feliz pelo modo como o ruivo pensava, pois graças a isso ele, Harry Potter, seria o único a saber daquela faceta de Hermione Granger.
Quando deu por si, Harry já estava entrando no salão comunal, freou seus pensamentos e começou a procurar Hermione entre os alunos, mas encontrou quem menos queria ver.
-Aí está você. –Rony falou se encaminhando até o amigo. –esfriou a cabeça e esqueceu aquele mal entendido de ontem? –perguntou baixo para que ninguém ouvisse.
-Não houve nenhum mal entendido, Ronald, você admitiu ser um canalha e eu já disse que não acobertaria seus atos. –Harry falou baixo, mas seus olhos fitavam os azuis com agressividade.
-Então quer mesmo comprar essa briga comigo e jogar fora nossa amizade de anos por uma coisa não tem nada a ver com você? –Rony pergunta incrédulo.
-Hermione é tão importante para mim quanto você e se você não consegue respeitá-la, isso sem dúvida me afeta e muito. Eu não queria perder sua amizade, mas como você se recusa a fazer o certo, eu sinto muito. –Harry fala e já se virava para sair, quando Rony o segura pelo braço e o faz se virar, aproveitando para desferir um soco no moreno, que desprevenido, é atingido no rosto.
-Isso é só um aviso, então não se meta na minha vida. –Rony o ameaçou, mas Harry não se intimidou e o pegou pelo colarinho, pronto para devolver a ameaça.
-Parem já com isso! –Hermione os repreende assim que vê a confusão, enquanto descia as escadas que davam acesso aos dormitórios femininos. –Vocês perderam o pouco juízo que tinham? –Hermione fala em sua postura rígida de monitora chefe, rapidamente alcançando os dois.
-Mione, eu posso... –Rony começa, mas Hermione o interrompe.
-Pode parar, não quero discussões agora. –Hermione respira fundo e continua em tom mais atencioso. –Suba e me espere em seu dormitório. –Rony apenas assentiu e deu um sorrisinho vitorioso para Harry, antes de subir. –Agora deixe me ver isso... Hermione tentava examinar o ferimento de Harry, mas este apenas retira a mão dela de modo brusco e sai a passos rápidos. –Pelo menos vá à enfermaria.
Harry sai furioso do salão comunal e Hermione se obriga a se concentrar no que deveria fazer, então depois de sinalizar para que todos se dispersassem, se dirigiu ao dormitório masculino do sétimo ano da Grifinória. Bateu na porta e depois entrou sem esperar alguma permissão.
-Confesso que por um instante achei que você fosse realmente brigar comigo, mas fico feliz de ter ficado do meu lado. –Rony fala com um grande sorriso e indo abraçar a namorada, mas antes que pudesse beijá-la, Hermione o afasta sentindo-se sem jeito.
-Eu não estou do seu lado ou do lado dele, mas quero ouvir o que aconteceu para que brigassem desse jeito. –Hermione pergunta um pouco temerosa, sentindo-se ainda mais culpada pela outra noite.
-Coisa de homem, não tem nada a ver com você, não se preocupe, não vai acontecer de novo. –Rony tenta amenizar as coisas e tenta novamente em vão beijá-la.
-Tudo bem, mas o que me fez pedir para você subir, não foi isso. –Hermione fala enquanto se afasta, pensou que aquela cena era a continuação da tal briga que começou na noite anterior. E era justamente o término dela, que a fazia sentir-se envergonhada, Rony podia não ser o namorado perfeito, mas não merecia ser traído daquela forma. –Eu pedi para vir aqui, porque eu queria terminar com você, Rony...
-Terminar? Como assim terminar? –Rony agora perdia a calma que havia ganhado com a proposta da namorada.
-Eu e você não estamos dando certo. Nós brigamos muito e está claro que você e eu temos planos diferentes para o futuro, eu penso em trabalhar em algo desafiador e...
-Foi o Harry! Ele andou enfiando essas coisas na sua cabeça, não é? Sabe, mais ridículo que uma <i> revolução feminista </i> é uma começada por um homem! –Rony esbraveja irritado e frustrado, Harry havia jogado mais sujo que pensava.
-Parece que ele tinha razão quanto a seus planos, pretendia aos poucos me transformar em uma dona de casa e matar meus sonhos profissionais. –Hermione conclui com desânimo, mas sem alterar a voz. Notou que Rony iria retrucar agressivamente, então se adiantou. –Não é que não goste de você, mas está claro que não estamos preparados para nos envolver agora. Sinto muito, Rony. –fala e rapidamente sai do dormitório, tomando o cuidado de trancar a porta com um feitiço para que ele não fosse atrás dela imediatamente.
Cerca de duas horas depois, Harry ouviu boatos de que Hermione havia terminado o namoro com Rony, várias versões já circulavam por toda a Hogwarts, mas Harry não se preocupava com o como havia acontecido. Ouvir aquilo o fez se sentir um idiota por ter tratado-a mal aquela manhã, devia ter conversado abertamente, mas não ficaria se punindo por isso, a procuraria e conversaria sobre tudo o que acontecera e talvez, dali uns dias, pudessem começar um namoro, escondido no início, mas não abriria mão de ficar com ela, mesmo que isso significasse perder a amizade de todos os Weasley.
Já estava quase alcançando o andar da biblioteca, quando um feixe colorido surgiu de repente e o atingiu no peito, fazendo-o cair no andar de baixo, uma queda de quase dois metros.
-Você não devia ter se metido no meu namoro, Harry! –Rony vociferou enquanto descia rapidamente a escada. Harry tentava se levantar, apesar de estar sentindo-se dolorido e sem ar. –O que está acontecendo afinal? Está afim dela? –Rony perguntou raivoso enquanto atingia outro feitiço em Harry, que bateu contra a proteção que separava o andar de uma queda de vários metros.
-E se tiver? Vai tentar me matar? –Harry fala se reerguendo e apontando a varinha para Rony. O ruivo fez um movimento e Harry reagiu, então os dois foram atingidos ao mesmo tempo, suas varinhas voaram de suas mãos e Rony foi arremessado contra a parede, enquanto Harry novamente bateu contra a proteção.
Rony não se preocupou em procurar a varinha, ao contrário de Harry, então atingiu o moreno no estômago com um chute. Sem se deixar abater, o moreno pegou um dos pés do ruivo e o puxou, desequilibrando Rony e com um dos pés o fazendo cair. Dali em diante ambos se revezaram entre quem ficava por cima e batia e quem ficava em baixo e apanhava. Não demorou muito e vários alunos assistiam, alguns faziam apostas, mas em menos de dez minutos, um dos professores apareceu e acabou com a confusão, levando os dois brigões para a enfermaria.
Harry acordou e percebeu que estava tudo escuro, aos poucos se lembrou da briga e que havia tomado uma poção da paz para dormir e se acalmar. Ia tentar se levantar, mas então ouviu uma voz familiar, Hermione estava perto e devia estar falando com Rony. Sabia que era errado escutar a conversa dos outros, mas não se importou nem um pouco com isso.
“Pare de resmungar, Rony. Eu te amo, mas entenda que agora não podemos ficar juntos, não daria certo. Mas quem sabe daqui a um tempo você não esteja preparado para me aceitar do jeito que eu sou.” –Harry sentiu seu estômago embrulhar e uma dor maior que a de qualquer golpe ou feitiço que recebera aquele dia, o atingiu.
“Está tentando me enrolar, não é?” –ao ouvir aquilo, Harry criou esperanças, mas elas logo se desfizeram.
“Apenas descanse, quando você estiver melhor nós podemos conversar, querido.” –Harry sentiu os olhos arderem e queimarem, mas não iria chorar. Seu coração doía e essa dor se espalhava dentro de si, mas não derramaria uma lágrima.
<i>Eu já devia ter aprendido que o amor não está no meu destino. Eu sou Harry Potter, o caçador de bruxos das trevas e protetor da humanidade.</i> –pensa com amargura e sarcasmo consigo mesmo. Logo depois ouviu o barulho da porta e soube que Hermione havia ido... para sempre.